30 de ago. de 2013

Satélites e drone ajudaram EUA na caçada a Bin Laden

Documentos secretos divulgados pelo 'Washington Post' trazem novos detalhes sobre operação que terminou com a morte do líder da Al Qaeda

Maquete do esconderijo de Osama bin Laden no Paquistão
Maquete do esconderijo de Osama bin Laden no Paquistão (Anthony Boone / AFP)
Na caçada a Osama bin Laden, no Paquistão, os Estados Unidos guiaram-se por uma série de dados eletrônicos captados por satélites e também por um drone (avião não tripulado). Além disso, a Agência de Segurança Nacional americana (NSA, na sigla em inglês) conseguiu acesso a diálogos entre integrantes da rede Al Qaeda por meio da interceptação de chamadas telefônicas. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira pelo jornal The Washington Post, com base em documentos secretos vazados pelo ex-técnico da CIA e ex-consultor da NSA Edward Snowden
Analistas da agência conseguiram identificar a localização geográfica de um dos aparelhos telefônicos usados nas comunicações e relacionaram esta informação ao esconderijo em Abbottabad, no norte do país, onde o terrorista estava. Os novos detalhes sobre a caçada a Bin Laden aparecem em arquivos secretos que detalham o planejamento orçamentário da área de inteligência. No documento, a missão é destacada como um exemplo singular de cooperação entre as diferentes agências americanas.
Um braço da NSA conhecido como Grupo de Operações de Acesso Adaptado, que tem a função de instalar equipamentos de espionagem em redes de computadores e telefônicas, também foi envolvido no trabalho. De acordo com os documentos divulgados por Snowden, os ‘implantes’ feitos por esse grupo permitiram à agência coletar informações de celulares usados por membros da Al Qaeda. O trabalho de espionagem do grupo foi útil na captura de quarenta integrantes do Taleban e outros insurgentes no Paquistão, em abril de 2011, um mês antes da captura de Bin Laden.
Satélites e drones – Segundo os dados, satélites captaram quase 400 imagens em alta resolução do esconderijo em Abbottabad – informação que foi “crucial para o planejamento da missão e contribuiu para a decisão de aprovar a operação”.
Além dos satélites, o governo também deslocou secretamente o drone o RQ-170 para o Paquistão com o objetivo de espionar transmissões eletrônicas. A CIA ainda recrutou médicos paquistaneses e outros trabalhadores da área de saúde para obter amostras de sangue dos moradores de Abbottabad como parte de um programa de vacinação para identificar familiares de Bin Laden.
A reportagem lembra que os EUA tiveram de recorrer a todas as ferramentas de seu aparato de vigilância para encontrar o líder da Al Qaeda que, durante mais de uma década, se esforçou em não deixar rastros eletrônicos, evitando telefonemas e trocas de e-mails, limitando suas comunicações a conversas realizadas pessoalmente com um número restrito de intermediários.
Contudo, mesmo com toda a tecnologia utilizada, as agências de inteligência não conseguiram identificar o alvo com precisão. Quando o presidente Obama deu a ordem para o grupo de elite SEAL invadir o local, em maio de 2011, equipes de inteligência avisaram que, na melhor das hipóteses, a probabilidade de Bin Laden estar na casa fortificada era de 60%.
Depois da morte do terrorista, no entanto, os EUA mantiveram a campanha em busca de informações secretas de Bin Laden. As agências aplicaram 2,5 milhões de dólares em recursos emergenciais em setembro de 2011 para examinar arquivos de computador e outras provas recolhidas no esconderijo do chefe da Al Qaeda. O dinheiro foi usado, entre outras coisas, para comprar estações de trabalho e pagar hora extra a peritos, linguistas e funcionários de triagem envolvidos no projeto. 

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