30 de nov de 2013

Maduro aperta cerco ao comércio e congela preços de aluguéis

Presidente da Venezuela chama empresários de "capitalistas parasitas" que tentam sabotar a economia do país

O presidente venezuelano Nicolás Maduro
O presidente venezuelano Nicolás Maduro (Carlos Garcia Rawlins/Reuters)
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou que a partir de sábado a fiscalização sobre as empresas suspeitas de manipular preços ficará ainda mais rigorosa. Maduro afirmou que a política de 'linha dura' com lojistas faz parte de uma agressiva "ofensiva econômica" pré-eleitoral contra a inflação em seu país, a mais alta de todo o continente americano — e que beira os 55% ao ano. "Não estamos brincando. Estamos defendendo os direitos da maioria, sua liberdade econômica", disse o presidente nesta sexta-feira, alegando que irregularidades de preço foram encontradas em quase todas as 1.705 empresas inspecionadas pelo governo desde o começo do mês.
Maduro, herdeiro político do caudilho Hugo Chávez, iniciou neste mês uma teatral onda de fiscalizações - muitas vezes com transmissão pela TV - para forçar as empresas a reduzirem preços. Ele alega que "parasitas capitalistas" estão tentando sabotar a economia venezuelana.
Nesta sexta-feira, o discípulo chavista também baixou um decreto que impõe um teto aos aluguéis comerciais a algo em torno de 40 dólares por metro quadrado. A intenção é reduzir os custos dos comerciantes e, consequentemente, os preços de produtos no país. O documento também proíbe o pagamento de aluguel em moeda estrangeira.
Baseando-se em estudos de caráter duvidoso, o governo alega que milhares de lojas vêm praticando reajustes de preço irregulares, com até 1000% de margem sobre os custos dos produtos. Maduro afirmou ainda que mais de 100 comerciantes foram presos durante o período de fiscalização.
Cartilha bolivariana - Nos seis meses em que está no poder, Maduro seguiu a cartilha bolivariana e, em vez de reconhecer a falência do sistema econômico, atribui os problemas a "guerra econômica" tramada por inimigos externos.
Entre 2002 e 2012 foram expropriadas 1.168 empresas - a maioria venezuelanas. Os últimos dados do Banco Central da Venezuela, de julho, mostraram que a escassez de alimentos fabricados por empresas estatais  dobrou entre 2007 e 2013.  A falta de azeite, açúcar, farinha de trigo e farinha de milho atingiu os patamares de 78%, 67%, 63% e 62%, respectivamente. Há seis anos esses níveis estavam em 53%, 25%, 14% e 5%, o que evidencia a piora dos últimos anos.
O El Universal destaca ainda que tal realidade — redução do parque industrial e, consequentemente, da capacidade de produção — transformou a Venezuela em um país que precisa importar 70% de seu consumo.
Natal — O comércio do país, diferentemente de outros anos, não se preocupa este ano com enfeites e ainda não decidiu se estenderá o horário de funcionamento em dezembro, como é de praxe. Os comerciantes, segundo o El Universal, estão mais preocupados em receber a visita do comando militar de fiscalização do que felizes com o período de altas vendas que se aproxima. Há inúmeras restrições sobre importação e comercialização de produtos.
Além de as lojas de telefonia do City Market, centro comercial da capital, terem sido fechadas, as lojas de roupas, calçados, eletrodomésticos e eletrônicos estão com pouco estoque e mostruário. A compra de produtos por pessoa também está sendo controlada.

29 de nov de 2013

Porta-aviões chinês cruza área de tensão e chega ao sul do país

porta-aviões Liaoning está acompanhado de outros quatro barcos militares

O porta-aviões chinês Liaoning
O porta-aviões chinês Liaoning (SCMP)
O porta-aviões chinês Liaoning atracou nesta sexta-feira em uma base militar no Mar da China Meridional, onde o país asiático mantém reivindicações territoriais com países vizinhos. Segundo a agência estatal Xinhua, o Liaoning partiu na terça-feira do porto de Qingdao, no leste do país, cruzou ontem o estreito de Formosa e chegou hoje à base de Sanya, na província de Hainan, no sul da China. O movimento ocorre enquanto aumentam as tensões entre China e Japão.
Em sua viagem a Hainan, o Liaoning cruzou o Mar da China Oriental, onde fica o arquipélago de Senkaku – chamadas de Diaoyu pelos chineses –, atualmente controladas pelo Japão, mas cuja soberania é reivindicada por Pequim. A viagem da pequena frota acontece durante o aumento das tensões regionais, depois que a China anunciou a ampliação de sua zona de defesa aérea, que passou a incluir as ilhas Senkaku/Diaoyu.
No Mar da China Meridional, Pequim também mantém reivindicações territoriais, neste caso pelos arquipélagos Spratly e Paracel, disputado com Vietnã, Filipinas e outras nações do sudeste asiático. Tanto no caso das Diaoyu/Senkaku, como nas ilhas meridionais, o conflito esconde interesses econômicos, pois se acredita na existência de ricas reservas de petróleo e gás nas águas próximas dos arquipélagos.
Em sua primeira missão fora de sua base original no Mar Amarelo, o porta-aviões está acompanhado pelos contratorpedeiros Shenyang e Shijiazhuang e pelas fragatas Yantai e Weifang. Todos portam armamentos.
(Com agência EFE)

28 de nov de 2013

Genoino – agora – também quer cumprir pena em Brasília

Mensaleiros avaliam que a penitenciária de Brasília tem melhores condições

Laryssa Borges, de Brasília
José Genoino se entrega na sede da Polícia Federal, em São Paulo
Genoino pede ao STF para cumprir pena em Brasília (Ivan Pacheco)
Depois de receber o segundo laudo médico atestando que não apresenta “cardiopatia grave”, o ex-presidente do PT José Genoino correu para apresentar uma solicitação ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo para cumprir sua pena em Brasília. Os advogados dos petistas haviam solicitado a transferência para São Paulo, onde tem domicílio.
No Distrito Federal, o sistema prisional é administrado pelo governador Agnelo Queiroz, do PT. A avaliação de advogados dos petistas condenados é que o Complexo Penitenciário da Papuda tem instalações boas e não há histórico de rebeliões. Além disso, fica próximo do Congresso Nacional, o que facilita a visita de políticos e amigos. José Dirceu e Delúbio Soares, também presos na Papuda, já disseram que pretendem permanecer no DF.
Desde o último domingo, Genoino está em prisão domiciliar provisória na casa de sua filha, em Brasília. Ele foi autorizado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, a se tratar em um hospital ou em casa até que a junta médica se pronunciasse sobre seu estado de saúde, o que ocorreu ontem. Para os cardiologistas, Genoino não tem necessidade de prisão domiciliar. Com isso, ele deverá retornar para a Papuda nos próximos dias por determinação do STF.
Além de Genoino, também já avaliam pedir para cumprir pena em Brasília os ex-banqueiros Kátia Rabello e José Roberto Salgado, o operador do mensalão, Marcos Valério, e a ex-funcionária dele Simone Vasconcelos. Até esta quarta-feira apenas o publicitário Cristiano Paz havia desistido do pedido de transferência para Belo Horizonte.
No documento encaminhado hoje ao STF, Genoino afirma ainda esperar que a Justiça lhe conceda prisão domiciliar. Se isso acontecer, o mensaleiro pede autorização para cumprir a pena em sua casa, no bairro do Butantã, em São Paulo.

27 de nov de 2013

Startup lança app que compara preços de passagens rodoviárias

ClickBus cria primeiro aplicativo dedicado exclusivamente ao setor que permite adquirir — e confrontar — bilhetes de 3.500 destinos no Brasil de 26 empresas

Rafael Sbarai
Aplicativo ClickBus permite comprar e comparar passagens rodoviárias
Aplicativo permite ao usuário adquirir passagens rodoviárias de 3.500 destinos (Reprodução)
Para comparar e adquirir passagens rodoviárias, basta agora apenas um clique. A ClickBus, pioneira na comercialização on-line de bilhetes de ônibus, anuncia nesta terça-feira o primeiro aplicativo do país dedicado ao negócio. Disponível aos usuários com sistema operacional Android (Google), a expectativa é de que o serviço esteja disponível no primeiro semestre de 2014 para dispositivos móveis com sistema iOS, da Apple.

Na prática, o cadastrado que aderir ao serviço terá condição de comprar — e confrontar — passagens para mais de 3.500 destinos de 26 empresas rodoviárias. O consumidor escolhe o trajeto e o horário (de embarque ou desembarque), além do assento desejado. O pagamento deve ser feito por cartão de crédito. “A expectativa é de comercializar cerca de 300 passagens por dia”, afirma Marcos Sterenkrantz, CEO do ClickBus.
Segundo a empresa, os valores apresentados no app são os mesmos disponíveis nos guichês das rodoviárias do país. “Nosso modelo de negócio está baseado no volume de passagens vendidas e no parcelamento da compra dos bilhetes por nossos consumidores”, finaliza Sterenkrantz.
Criada neste ano, a ClickBus chamou rapidamente atenção do mercado ao receber, há apenas três meses, um aporte de cinco milhões de reais da Rocket Internet, companhia alemã especializada em reproduzir fielmente serviços criados por outras empresas. Seu investimento não vem à toa: estima-se que o mercado (físico e on-line) de passagens rodoviárias movimente oito bilhões de reais até o fim do ano – o digital corresponde, em média, 5% desse montante.

26 de nov de 2013

Helibrás testa em Minas primeiro helicóptero militar feito no Brasil

Governo encomendou 50 unidades do EC725 para renovar frota das Forças Armadas; empresa fez fábrica nova em Itajubá

Renê Moreira / Itajubá. (MG)


Com dois meses de antecedência, foi testado em Itajubá, no sul de Minas Gerais, o primeiro helicóptero militar de grande porte produzido no Brasil. O primeiro voo de uma unidade do EC725 Super Cougar, da Helibrás, foi realizado dia 22, na área de ensaios da empresa.
Serão produzidas ao todo 50 aeronaves EC725, uma encomenda do Ministério da Defesa para equipar a frota das três Forças Armadas. O investimento total é de € 1,9 bilhão.
A Helibrás é a única fabricante brasileira de helicópteros, sendo responsável no País pela montagem e venda das aeronaves do grupo europeu Euro-copter.
O governo brasileiro estabeleceu como cláusula condicionante da encomenda a transferência de tecnologia e do conhecimento necessários para a fabricação das aeronaves no Brasil. A companhia também se compromete a atingir o índice de 50% de conteúdo nacional nas aeronaves até o final do contrato, em 2017.
Nos termos do acordo entre o governo e consórcio Helibrás/ Eurocopter, o lote total será dividido em três grupos de 16 unidades para Aeronáutica, Exército e Marinha cabendo duas aeronaves à frota da Presidência da República.
A Elelibrás está aplicando R$ 420 milhões na construção de um novo parque industrial da | empresa em Itajubá. O modelo testado é o número 17 da série.
A produção regular começou ; em maio de 2012, quando o hangar principal foi finalizado. Outras sete aeronaves já estão na linha de montagem em fase final. Antes disso, os EC725 recebiam no País os cabos, sistemas eletrônicos, caixa de transmissão, rotor e toda a configuração básica. •
Agora também são feitos no Brasil os trabalhos de pré-equipagem, equipagem elétrica e mecânica, mais a instalação dos pacotes de missão - os recursos que peculiarizam o emprego nas diversas operações especializadas, como ataque armado, transporte, resgate, socorro médico ou ação antissubmarino.
Além do mercado militar, a Helibrás quer atender o segmento civil, principalmente empresas da indústria do petróleo, que usam os helicópteros para voar até as plataformas de exploração oceânica.
Para o setor, a empresa oferece o EC225, uma versão civil do EC725, configurado, por exemplo, para atividades em alto-mar. A nova aeronave de asas rotativas deve custar em torno de R$ 70 milhões.

 

Investimento

R$420 mi
é quanto a Helibrás investirá na construção de um novo parque fabril no Brasil; pedido do governo é de que Eurocopter transfira tecnologia para fábrica brasileira

23 de nov de 2013

Ataques aéreos deixam ao menos 40 mortos na Síria

Atentados aconteceram na cidade de Aleppo, no norte do país, que há mais de um ano é palco de confrontos entre o regime de Bashar al-Assad e rebeldes

Fumaça é vista após o que segundo ativistas, um bombardeio das forças do presidente Bashar al-Assad atingir um mercado em Aleppo, na Síria
Fumaça é vista após bombardeio em Aleppo, na Síria (Molhem Barakat/Reuters)
Ataques aéreos em torno da cidade de Aleppo, no norte da Síria, mataram pelo menos 40 pessoas neste sábado, informou a agência de notícias Reuters. Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, a maior parte das vítimas era civil. O grupo de monitoramento pró-oposição disse que houve no mínimo seis ataques sobre Aleppo e cidades próximas, e que dezenas de pessoas ficaram feridas. "Alguns dos ataques nas redondezas de Tareeq al-Bab pareciam ter como alvo uma base rebelde, mas em vez disso os foguetes caíram sobre uma rua movimentada", disse por telefone Rami Abdelrahman, chefe do Observatório.
A cidade de Aleppo está sob intensa disputa há mais de um ano entre o regime do presidente Bashar al-Assad e rebeldes que lutam para derrubá-lo do poder. No início do mês, por exemplo, confrontos entre as forças do regime do ditador Bashar al-Assad e os rebeldes nas imediações do aeroporto internacional de Aleppo deixaram mais de 45 mortos.
A Síria enfrenta uma violenta guerra civil desde março de 2011. Os choques entre grupos rebeldes que tentam derrubar o regime de Assad e forças do governo já provocaram a morte de 100 000 pessoas, segundo estimativas das Nações Unidas.
Campo pretolífero — Ativistas da Síria disseram neste sábado que rebeldes islâmicos liderados por combatentes ligados à Al Qaeda tomaram o maior campo petrolífero do leste sírio, uma ação que pode cortar o acesso do presidente Bashar al-Assad a quase toda a reserva nacional da commodity. Ainda não está claro o quanto a perda do campo afetará a habilidade de defesa das forças de Assad, mas o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, um grupo pró-oposição, considera que é um grande revés para o governo. Antes da tomada do campo, um oleoduto ainda transportava petróleo para ser refinado na região central do país.
(Com Reuters)

22 de nov de 2013

José Genoino teve crise de pressão alta e não infarto, aponta boletim médico

AGUIRRE TALENTO
DE BRASÍLIA
O boletim médico sobre o estado de saúde do deputado federal licenciado e ex-presidente do PT José Genoino, 67, divulgado nesta sexta-feira (22) descartou a ocorrência de infarto e o diagnosticou com crise de pressão alta e alteração de coagulação.
Preso na última sexta-feira (15) após ter sido condenado no processo do mensalão, Genoino foi transferido ontem do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, para o IC-DF (Instituto de Cardiologia do Distrito Federal), após autorização do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa.
O boletim divulgado pelo IC-DF (Leia a íntegra abaixo) por volta das 13h30 afirma que, apesar de descartado o infarto, a "elevação dos níveis pressóricos (pressão arterial)" pode "comprometer o resultado da cirurgia de correção de dissecção da aorta" e a "alteração de coagulação (...) aumenta o risco de sangramentos".
Não há informações detalhadas sobre o nível da pressão dele ou sobre essas alterações na coagulação. De acordo com o boletim, Genoino encontra-se estável e deve permanecer internado até o controle da pressão e dos parâmetros de coagulação.

Luciano Veronezi/Editoria de Arte/Folhapress
BOLETIM MÉDICO
Brasília, 22 de Novembro de 2013.
O Instituto de Cardiologia do Distrito Federal (ICDF), informa que o paciente José Genoino Neto, com histórico clínico de hipertensão arterial sistêmica (HAS), submetido à cirurgia de correção de dissecção da aorta, em julho de 2013 e acidente vascular cerebral (AVC), em agosto de 2013, foi admitido na emergência da instituição na tarde de ontem (21/11).
Após realização dos exames laboratoriais e de imagem, foi descartado infarto agudo do miocárdio e diagnosticado elevação dos níveis pressóricos (pressão arterial), que podem comprometer o resultado da cirurgia de correção de dissecção da aorta, e alteração de coagulação secundária ao uso de anticoagulante, que aumenta o risco de sangramentos.
O paciente foi reavaliado, pela manhã, encontra-se estável e deverá permanecer internado até o controle adequado da pressão arterial e dos parâmetros da coagulação.
Dra. Núbia Welerson Vieira | Diretora Médica | CRM DF 13127
Dr. João Gabbardo dos Reis | Superintendente | CRM RS 11144
TRATAMENTO
Barbosa atendeu a um pedido da defesa de Genoino. Ontem, segundo seu advogado, Luiz Fernando Pacheco, ele passou mal e teve um princípio de infarto na penitenciária.
O petista sofre de problemas cardíacos e passou por um procedimento cirúrgico em julho. O presidente do STF permitiu que ele se trate em casa ou em um hospital até que uma junta médica avalie seu quadro de saúde --o IC-DF ainda não informou se essa avaliação já ocorreu.
Genoino aguarda uma decisão de Joaquim Barbosa sobre um pedido de prisão domiciliar. O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), disse que Genoino continuará a receber o salário de deputado --no valor de R$ 26,7 mil-- porque está de licença médica. O ex-presidente do PT foi condenado a 4 anos e 8 meses de prisão por corrupção ativa --por 9 votos a 1--, e a 2 anos e 3 meses por formação de quadrilha --por 6 a 4.
Segundo seu advogado, dentro do presídio Genoino não pode recebe os cuidados médicos que necessita. Um laudo do IML (Instituto Médico Legal) produzido na terça-feira (19) atestou a gravidade do estado de saúde do ex-presidente do PT.
Na quarta-feira (20), Genoino já havia passado mal durante a noite. Segundo seu advogado, Genoino teve que ser atendido dentro do presídio da Papuda. O ex-presidente do PT, que está na ala reservada aos presos do regime semiaberto, fez um eletrocardiograma que demonstrou "alterações". Ainda de acordo com o advogado, o médico fez um pedido para a realização de exames complementares num hospital fora do presídio, o que foi negado pelo juiz de execuções penais.

José Genoino

Pedro Ladeira - 16.nov.2013/Folhapress
 
José Genoino desembarca no hangar da PF em Brasília
CASSAÇÃO E APOSENTADORIA
Após ação do PT, a cúpula da Câmara dos Deputados decidiu na manhã de quinta-feira (21) adiar para a próxima semana a decisão sobre o que fazer com o mandato do deputado licenciado José Genoino (PT-SP), preso desde a última sexta-feira (15) devido à sua condenação no processo do mensalão.
Um dos integrantes do partido na Mesa Diretora, o vice-presidente da Casa, André Vargas (PR), pediu vistas do caso, adiando a definição para a semana que vem. "Há uma insuficiência absoluta dos dados para dar conta de uma caso especialíssimo como esse", afirmou Vargas, se referindo à comunicação genérica enviada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) à Câmara.
Numa ação casada com o PT para impedir a abertura de seu processo de cassação, o deputado licenciado José Genoino (PT-SP), preso do mensalão, pediu para a Câmara antecipar a avaliação médica que vai decidir sobre seu pedido de aposentadoria por invalidez.

Editoria Arte/Folhapress

19 de nov de 2013

Tribunal russo libera sob fiança a ativista brasileira Ana Paula Maciel

É a primeira ativista estrangeira liberada entre os 30 militantes detidos na ação

Um policial russo algema a ativista brasileira do Greenpeace Ana Paula  Maciel em um tribunal de São Petersburgo, em 18 de novembro de 2013
(Olga Maltseva/AFP)
A justiça russa liberou nesta terça-feira, sob fiança, a bióloga brasileira Ana Paula Maciel, militante do Greenpeace detida durante uma ação da organização de defesa do meio ambiente no Ártico, anunciou a ONG em sua conta no Twitter. Ana Paula é a primeira ativista estrangeira liberada entre os 30 militantes detidos na ação.
"Ana Paula Alminhana Maciel (BRA) será liberada sob fiança, segundo o tribunal de São Petersburgo", anunciou o Greenpeace na rede social, citando a decisão judicial. "Primeira não russa", completou. Segundo o site da ONG Greenpeace, que acompanha ao vivo as decisões do tribunal de São Petersburgo, o neozelandês David John Haussmann, o argentino Miguel Hernan Perez Orsi e o polonês Tomasz Dziemianczuk também foram liberados sob fiança, após a brasileira.
Nesta segunda-feira, a corte determinou, que Yekaterina Zaspa, cidadã russa que trabalhava como médica do navio Arctic Sunrise, fosse solta após o pagamento de fiança de 2 milhões de rublos (cerca de 140 000 reais). Yekatarina não estava entre os ativistas que tentaram escalar a plataforma de petróleo e permaneceu no navio durante o protesto. Outro tribunal acatou a orientação da promotoria e negou pedido de fiança a outro preso, o australiano Colin Russell. A prisão de Russell foi prorrogada até 24 de fevereiro.
Histórico – A Guarda Costeira russa apreendeu o navio do Greenpeace Arctic Sunrise, de bandeira holandesa, em 18 de setembro e deteve todos os trinta tripulantes de dezoito nacionalidades diferentes. Os ativistas escalaram uma plataforma de perfuração de petróleo pertencente à estatal russa Gazprom para protestar contra os perigos da exploração no Ártico. Os detidos são acusados de vandalismo, crime que pode render sentenças de até sete anos de prisão na Rússia.

18 de nov de 2013

Mais feroz que o Katrina

Tufão Haiyan destrói cidades e mata milhares de pessoas nas Filipinas. A questão agora é se o aumento da força de fenômenos atmosféricos incomuns é resultado do aquecimento global

João Loes

Poucos países estão tão sujeitos a tragédias naturais quanto as Filipinas. Com vulcões ativos, terremotos que ultrapassam os sete graus na escala ­Richter e uma média de 20 tufões registrados todos os anos, há quem diga que essa ilha no Pacífico, uma ex-colônia espanhola, acostumou-se com os castigos impostos pela natureza. Mas nem os calejados filipinos esperavam ter de encarar o monstro meteorológico que aportou por lá na semana passada. Batizado de tufão Haiyan, o fenômeno já é tido como um dos mais fortes de que se tem registro (leia quadro). Até a quinta-feira 14, o Haiyan havia tirado a vida de 2.357 pessoas e ferido pelo menos outras 3.891, segundo dados oficiais. Com ventos médios de 315 km/h, quase 60% mais velozes que os registrados durante o furacão Katrina, que matou 1.836 pessoas nos Estados Unidos em 2005, o tufão chegou a elevar o nível do mar em algumas regiões em até quatro metros, alagando ruas e abrigos subterrâneos. “O Haiyan chegou à costa filipina quando ele estava no pico de suas forças”, afirmou Kerry Emanuel, cientista do clima do Massachusetts Institute of Technology (MIT), à National Public Radio, dos Estados Unidos. A devastação que se seguiu foi proporcional.
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DESTRUIÇÃO
As cidades de Guiuan (acima) e Tacloban foram devastadas
por ventos de 315 km/h e ondas de quatro metros
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Tufões nesta época do ano na região das Filipinas são um fenômeno bastante comum. O que surpreende no caso do Haiyan é sua intensidade. Há quem diga que a confluência de condições que criou esse monstro nada mais é que uma infeliz coincidência. O estrago se explicaria por acasos como o ângulo incrivelmente desfavorável de entrada do Haiyan no conjunto de ilhas, a velocidade com que ele se deslocou sobre o mar e a presença de ventos fortes na região antes de sua chegada. Outros especialistas, porém, apontam culpados menos aleatórios, sendo o principal deles o aquecimento global. “As mudanças climáticas significam que supertufões não serão mais eventos únicos a cada século”, disse Naderev Sano, em Varsóvia, na Polônia, durante a abertura da 19ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro da Organização das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP-19). “Temos que aceitar essa transformação e tentar nos preparar, pois estamos vendo essas tragédias anualmente”, completou ele. Sano anunciou ainda uma greve de fome que seria mantida até que ele visse resultados positivos no sentido de mitigar as mudanças climáticas.
Não é difícil entender o raciocínio de Sano e de um corpo crescente de especialistas em clima que associam o aumento da força e da frequência de fenômenos atmosféricos incomuns, como os supertufões, ao aquecimento global. Tufões se alimentam, fundamentalmente, de água do mar aquecida. Com a elevação das temperaturas atmosféricas em função do aquecimento global, as águas do mar se aquecem mais e em áreas mais extensas. Embora cautelosos – o raciocínio requer montanhas de dados para ser comprovado –, até os estudiosos do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), órgão tido como referência mundial no assunto, já reconhecem como provável o vínculo entre aquecimento global e tufões mais intensos. Ou seja, a julgar pelas evidências e os repetidos fracassos nas tentativas de colocar em prática políticas que possam vir a reduzir o aquecimento global, quem vive nas rotas desses destruidores deve se preparar para encarar tufões cada vez mais fortes e frequentes.
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RESGATE
Voos militares tiraram alguns sobreviventes de Tacloban
Em países subdesenvolvidos como as Filipinas, o desafio será ainda maior. E por várias razões. A começar pela ocupação irregular das áreas de risco. Como acontece em boa parte das nações mais pobres – inclusive no Brasil –, o desleixo governamental estimula a ocupação caótica. “Muitos acabam se expondo, sem saber, a perigos que desconhecem”, diz Roberto do Carmo, do Núcleo de Estudos de População da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Fala-se que em Tacloban, a cidade mais atingida pelo tufão Haiyan, parte da tragédia se deveu ao fato de que muitos dos 220 mil moradores viviam em áreas de risco. Até o subprefeito da cidade, Jerry Sambo, foi pego de surpresa. Sua casa, abastecida de suprimentos, mas fincada entre o mar e uma baía, foi alagada em minutos. Por pouco Sambo não perdeu a mulher e o filho afogados. Ambos tiveram de ser retirados às pressas por uma janela quebrada.
Investir em sistemas de previsão de tempo altamente sofisticados e na divulgação dessas informações pode ser um caminho para reduzir o impacto das tragédias. De acordo com um analista regional da Aon Benfield, multinacional do ramo de seguros e resseguros, hoje boa parte das previsões de eventos atmosféricos extremos no Pacífico é feita apenas com informações de satélites, sendo que observações conduzidas por especialistas e equipamentos meteorológicos instalados em aviões costumam ser mais precisas. Retomar esses voos e refinar os sistemas de previsão não faria mal a ninguém. “Às vezes, não importa o quanto a gente se prepara, o desastre é simplesmente grande demais”, lamenta Zhang Qiang, especialista em mitigação dos efeitos de grandes desastres da Beijing Normal University, na China. Parece que foi o caso do encontro entre Haiyan e as Filipinas.
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Fotos: Erik De Castro/reuters; NOEL CELIS/afp photo; Bullit Marquez/AP Photo; Bullit Marquez/AP Photo

16 de nov de 2013

Condenado no mensalão, ex-diretor do Banco do Brasil foge para a Itália

DIANA BRITO
DO RIO
SEVERINO MOTTA
DE BRASÍLIA
Condenado a 12 anos e 7 meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal por seu envolvimento com o esquema do mensalão, o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato fugiu do Brasil para a Itália e anunciou neste sábado (16) que pedirá novo julgamento, agora por um tribunal italiano.
Uma equipe da Polícia Federal esteve na casa do petista para buscá-lo na sexta-feira (15), mas a família disse que não sabia o paradeiro dele. Neste sábado, contudo, parentes do ex-diretor do BB divulgaram nota à imprensa afirmando que Pizzolato está na Itália há 45 dias.

Michel Filho - 17.dez.2012/Agência O Globo
Henrique Pizzolato (centro) durante debate de sindicato em São Paulo no final do ano passado
Henrique Pizzolato (centro) durante debate de sindicato em São Paulo no final do ano passado
O advogado Marthius Lobato, que defendeu Pizzolato no processo do mensalão, disse que só soube ontem que ele estava na Itália e que não sabe como ele deixou o país. Segundo ele, Pizzolato, que tem cidadania italiana, teve seus dois passaportes retidos pela Justiça no ano passado.
A PF disse que a fuga do país aconteceu pela fronteira terrestre com o Paraguai em Ponta Porã (MS).
Da cidade fronteiriça Pedro Juan Caballero, Pizzolato teria ido a Assunção e tirado novo passaporte italiano. Então, embarcado rumo ao país europeu.
Lobato, que declarou sua participação no caso encerrada, distribuiu uma nota deixada por Pizzolato, em que o petista critica a maneira como o processo do mensalão foi conduzida pelo Supremo Tribunal Federal e anuncia que pedirá novo julgamento.
"Por não vislumbrar a minha chance de ter um julgamento afastado de motivações político-eleitorais, com nítido caráter de exceção, decidi consciente e voluntariamente, fazer valer meu legítimo direito de liberdade para ter um novo julgamento, na Itália, em um tribunal que não se submete às imposições da mídia empresarial, como está consagrado no tratado de extradição Brasil e Itália."
Pizzolato foi condenado por ter autorizado o repasse de R$ 73,8 milhões do Banco no Brasil para o esquema do mensalão, que distribuiu milhões de reais a políticos que apoiaram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre 2003 e 2005. Pizzolato recebeu R$ 336 mil do esquema.
O ex-diretor do BB disse durante o julgamento que esse dinheiro era destinado ao PT e que os recursos repassados pelo Banco do Brasil foram aplicados em campanhas publicitárias, e não desviados para o esquema do mensalão.
Se o petista for localizado na Itália, o Ministério da Justiça poderá entrar em contato com a Corte Suprema italiana pedindo sua extradição. Dificilmente a Itália irá aceitar o pedido, porque Pizzolato também é cidadão italiano. A situação tende a se complicar por causa da recusa do Brasil, em 2010, em extraditar o italiano Cesare Battisti, condenado na Itália por quatro atentados terroristas ocorridos durante a década de 70.

13 de nov de 2013

Petrobras nega superfaturamento de contrato com a Odebrecht

Estatal diz que reavaliação de contratos de prestação de serviços são constantes e passam por auditoria

Presidente da Petrobras Maria das Graças Silva Foster
Presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster (Sebatião Moreira/EFE)
A Petrobras divulgou nesta terça-feira uma nota sobre a denúncia de contrato superfaturado entre a estatal e a construtora Odebrecht, conforme pedido da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Segundo o comunicado, o documento firmado em outubro de 2010 com a Odebrecht para a prestação de serviços relacionados à carteira de projetos de Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS) da área de negócios internacionais da companhia foi renegociado em janeiro de 2013. Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo aponta que o superfaturamento pode ter chegado a 1.600% em alguns serviços.
A revisão, segundo a empresa, ocorreu em virtude da necessidade de refletir no documento o portfólio atualizado de ativos e necessidades de serviços de controladas da Petrobras no exterior. "O processos de licitação, contratação e execução de serviços da Petrobras são constantemente avaliados pela sua auditoria interna e suas recomendações são diligentemente analisadas, visando proteger os interesses da companhia", afirma a estatal, na nota.
De acordo com o comunicado, o contrato original firmado com a Odebrecht previa a possibilidade de solicitação de serviços em nove países (Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, EUA, Japão, Paraguai e Uruguai) até o limite máximo de 825,6 milhões de dólares "sendo que a Petrobras e suas controladas não estavam obrigadas a solicitar serviços até o referido montante".
A estatal afirma ainda que, considerando a revisão do portfólio de investimentos no exterior (desinvestimento), a renegociação limitou a abrangência do contrato a quatro países (EUA, Paraguai, Uruguai e Argentina), "de forma que o valor total estimado do documento foi reduzido para 481,6 milhões de dólares com significativa redução dos preços de mobilização e supervisão do contrato".
Pasadena - A estatal também se manifestou sobre a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, que é alvo de investigação. Em 2006, a petroleira brasileira pagou 360 milhões de dólares por metade da unidade de refino, comprada um ano antes por 42,5 milhões de dólares pela ex-sócia, a belga Transcor/Astra. Em 2007, ofereceu mais 700 milhões pela fatia restante de 50%. "Sobre a Refinaria de Pasadena (PRSI), no Texas (EUA), está sendo executado um conjunto de projetos com foco na segurança operacional e conformidade legal, por meio da minimização de risco das operações da refinaria, em atendimento a requisitos regulatórios, auditorias de agências do governo americano, seguradoras, inspeções internas e cumprimento de padrões Petrobras", disse a estatal, na nota.
(Com Estadão Conteúdo)

12 de nov de 2013

Dilma afirma que fará 'substituições' de ministros devido à campanha

Parte dos ministros deve deixar o governo para concorrer em 2014.
'Vou fazer substituições', respondeu, ao ser indagada se manteria interinos.

Do G1, em Brasília

A presidente Dilma Rousseff ao lado do presidente Ollanta Humala em declaração oficial durante visita ao Peru  (Foto: Reuters)A presidente Dilma Rousseff ao lado do presidente Ollanta Humala em declaração oficial durante visita ao Peru (Foto: Reuters)
A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta segunda-feira (11) durante entrevista em Lima (Peru) que fará "substituições" de ministros em razão da campanha eleitoral. Vários titulares do ministério devem se desincompatibilizar para poder concorrer em 2014. Pela lei eleitoral, os ministros têm de sair até seis meses antes do pleito.
Dilma já tinha afirmado em setembro ao jornal "Zero Hora" que faria uma reforma ministerial em razão da eleição. No último dia 8 de outubro, o blog do jornalista Gerson Camarotti informou que a presidente deve usar a reforma ministerial, prevista para o final do ano, para reforçar as alianças políticas com vistas à eleição.
Nesta segunda, um jornalista observou que era "muito possível" que ministros deixassem o governo em razão da campanha, com o que a presidente concordou: "É muito possível".
Em seguida, perguntada se conduzirá o governo no último ano de mandato com os secretários-executivos no lugar dos ministros que sairão para concorrer, afirmou que não. "Não, não, não. Eu vou fazer substituições", respondeu. Indagada se as substituições seriam "efetivas", disse: "Agora, já dei essa notícia".
A presidente não quis falar sobre as declarações do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT) e do antecessor dele, Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD. Haddad afirmou ao jornal "Folha de S.Paulo" que encontrou uma situação de "descalabro" ao assumir a prefeitura. Kassab respondeu que "descalabro" foi o primeiro ano da gestão de Haddad.
"Eu estou aqui numa visita de Estado e vocês estão perguntando de eleição?", afirmou, no Palácio de Governo do Peru, onde manteve encontro com o presidente Ollanta Humala.

11 de nov de 2013

Ex-presidente definiu metas para eleições de 2014

Lula afirmou que o PT precisa manter Planalto e faturar governo de SP
Padilha deve ser o candidato do PT para acabar com dinastia tucana em São Paulo
lula e padilhaO ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que, depois da reeleição da presidente Dilma Rousseff, o mais importante no processo eleitoral de 2014 para o PT é a escolha do governador de São Paulo.
“Nós temos a chance de disputar eleições em muitos Estados importantes e eu diria que a mais importante de todas, depois da presidente Dilma, é a de São Paulo, e é por isso que nós estamos com vontade de ganhar as eleições de São Paulo”, disse, ao chegar ao Diretório Municipal em São Bernardo do Campo (SP) para votar no Processo de Eleição Direta (PED) do partido. “Eu estou convencido de que a eleição de 2014 será histórica para o PT”, afirmou.
Em meio a militantes e jornalistas que se aglomeraram na entrada do diretório, Lula disse que a eleição interna que está sendo realizada hoje mostra a força do PT. “Poucos partidos do Brasil conseguem, em um dia de verão, num calor extraordinário – porque todo mundo preferia estar na praia -, fazer uma eleição em que as pessoas disputam com tanto carinho e tanta vontade”, elogiou.
Já a presidente Dilma resolveu utilizar o seu mais novo instrumento de campanha antecipada, o Twitter, para anunciar que votará hoje na eleição interna do PT para escolha do novo presidente nacional do partido. Ela afirma ter orgulho do PT, “um partido nascido das lutas dos trabalhadores e que governa olhando para os mais pobres, os mais fracos, os mais necessitados”. Segundo ela, assim foi no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e assim é no seu governo.
“Não existe democracia sem partidos. Ao longo da história, a ideia da política sem partidos esteve sempre ligada à defesa de governos autoritários e elitistas”, disse. No entanto, defendeu uma mudança no sistema político brasileiro. “Por isso, um dos cinco Pactos que lancei foi o da Reforma Política. A Reforma Política deve permitir à sociedade participar de forma efetiva dos destinos do País. Defendo uma Reforma Política decidida por consulta popular, ouvindo a população brasileira”, afirmou. AE

10 de nov de 2013

Eles sonham alto

Empreendedores bilionários do mercado de tecnologia usam as fortunas acumuladas para colocar em prática seus projetos mais malucos, ambiciosos e grandiosos. As invenções vão de foguetes reutilizáveis a privadas que transformam dejetos em energia

Juliana Tiraboschi


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Um foguete que será capaz de decolar, mover-se para os lados e pousar delicadamente em seu retorno à Terra é apenas um dos grandes projetos do sul-africano Elon Musk, empreendedor que ajudou a fundar o sistema de pagamentos online PayPal. A criação, que parece não ter nada a ver com o negócio original do empresário, só foi possível porque Musk usa a fortuna acumulada para dar asas à imaginação. Com os bolsos recheados após vender suas ações por US$ 1,5 bilhão, em 2000, ele teve condições de mergulhar em projetos ambiciosos e, muitas vezes, considerados malucos, como a ideia de montar uma colônia em Marte.
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Musk não está sozinho nesse tipo de empreitada. Diversos empreendedores do mundo da tecnologia resolveram se afastar de seu negócio principal para correr riscos em áreas mais desafiadoras e divertidas (confira quadro). Para Larry Page, cofundador do Google, esses projetos fora do comum são cruciais e deveriam receber mais investimentos das empresas. “Minha batalha é fazer com que as pessoas gastem mais em pesquisa e desenvolvimento no longo prazo”, afirmou durante a apresentação do balanço financeiro da companhia, no último dia 17. Segundo ele, a maioria das empresas gasta pouco em pesquisas experimentais. “Mesmo entre as que contam com orçamentos robustos, 99% dos investimentos são aplicados no que já existe.”
Mas será que esses projetos “fora da caixa” dão certo? O exemplo do próprio Elon Musk prova que sim. Além de ter criado a Tesla Motors, fabricante de carros elétricos mais bem-sucedida do mundo, o sul-africano já conseguiu chegar ao espaço. Uma de suas companhias, a SpaceX, fechou acordos com a Nasa e desenvolveu a Dragon, a primeira nave privada a levar carga para a Estação Espacial Internacional. Agora, a empresa trabalha no Grasshopper, que pode se tornar o primeiro foguete reutilizável já criado. Em um teste realizado em outubro, a nave atingiu quase mil metros de altura e depois pousou com perfeição no local programado. Pela diversidade de atuação e capacidade de correr riscos, o ator e diretor Jon Favreau se inspirou em Musk para caracterizar o personagem Tony Stark, inventor e super-herói da franquia “Homem de Ferro”.
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No Google, os projetos inusitados sob a tutela de Larry Page incluem um carro autônomo, capaz de se dirigir sozinho, que está em testes desde 2010. A empresa também investe no Loon, uma rede de balões desenvolvida para levar conexão à internet para pessoas que vivem em áreas rurais e remotas do mundo. Ao flutuarem em elevadíssimas altitudes, as antenas são capazes de se comunicar entre si e enviar o sinal a grandes distâncias. O primeiro teste do sistema foi realizado em junho, na Nova Zelândia. Outra aposta da empresa é o Calico, projeto de pesquisas na área de saúde anunciado em setembro. Uma de suas iniciativas será estudar doenças relacionadas ao envelhecimento e maneiras de aumentar a expectativa de vida.
Vencer a morte também é o propósito do alemão Peter Thiel. Cofundador do PayPal, um dos primeiros investidores do Facebook e hoje presidente do fundo multimercado Clarium Capital, ele investe pesado em pesquisas antienvelhecimento. “As pessoas dizem que a morte é natural e parte da vida, mas acho que nada pode estar mais longe da verdade”, diz. O empreendedor, que já doou US$ 3,5 milhões para a Fundação Matusalém, que distribui prêmios para pesquisadores que conseguem prolongar a longevidade de ratos de laboratório, também apoia a Fundação Sens, dirigida por Aubrey de Grey, cientista conhecido por suas pesquisas de reversão do envelhecimento.
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MALUQUICE
O "relógio de dez mil anos", idealizado pelo criador da Amazon, Jeff Bezos,
ficará enterrado em uma montanha e jamais repetirá suas melodias
Claro que nem todas as criações dos magnatas da tecnologia são fáceis de compreender. O americano Jeff Bezos, que criou a empresa de comércio online Amazon, hoje investe na fabricação do “relógio de dez mil anos”. O aparelho ficará enterrado em uma montanha no Texas e deverá “estimular a reflexão sobre a evolução da civilização humana e seu legado”, nas palavras do bilionário. O que seria das grandes invenções sem um pouco de maluquice?

9 de nov de 2013

Embraer: cliente do cargueiro KC-390 pode não ser a FAB

Governo brasileiro investiu 2 bilhões de dólares no projeto, mas pode não ser o primeiro comprador

O avião de carga militar KC-390 em imagem de computador divulgada pela Embraer nesta quinta-feira (19)
Governo brasileiro investiu cerca de 2 bilhões de dólares para desenvolver o cargueiro (Embraer/Reuters)
O primeiro contrato firme de venda do cargueiro KC-390, da Embraer, deve ser fechado até junho do ano que vem, e o cliente não necessariamente será o governo brasileiro, afirmou nesta sexta-feira o presidente da Embraer Defesa & Segurança, Luiz Carlos Aguiar. "A expectativa é de que a gente tenha algum cliente, que não necessariamente seja o Brasil, até o primeiro semestre do ano que vem", disse Aguiar, após reunião com o ministro da Defesa, Celso Amorim.
Ter um governo estrangeiro como primeiro cliente do KC-390 contrariaria expectativas de que a Força Aérea Brasileira (FAB) fechasse a encomenda inicial pela aeronave. Isso porque os investimentos para desenvolver o cargueiro, de cerca de 2 bilhões de dólares, estão sendo feitos pelo governo brasileiro. A previsão é que a FAB compre 28 unidades do KC-390.
Brasil, Argentina, Colômbia, Chile, Portugal e República Tcheca firmaram acordos preliminares para aquisição potencial, em conjunto, de 60 novos aviões de carga da Embraer. Mas nenhum pedido firme foi assinado até o momento.
Metas - Aguiar disse também que a Embraer Defesa & Segurança está perto de superar suas metas de 2013. A companhia estimou no começo do ano que teria receita de 1,25 bilhão a 1,35 bilhão de dólares na área de Defesa e Segurança no atual exercício. "Estamos muito próximos disso (superar a meta). Estamos correndo atrás para fazer isso", disse o executivo, ressaltando que o quarto trimestre é, historicamente, o melhor para o setor de aeronáutica.
(com agência Reuters)

8 de nov de 2013

Dólar supera os R$ 2,30 pela 1ª vez desde setembro

Por trás do movimento está a leitura de que os EUA estão em recuperação

AE
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O dólar voltou a subir de forma consistente nesta quinta-feira, 07, influenciado principalmente pelos dados positivos do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no terceiro trimestre. A moeda americana até chegou a oscilar em baixa pela manhã, após o Banco Central Europeu (BCE) reduzir sua taxa básica de juros de 0,50% para 0,25% ao ano, favorecendo a busca por moedas como o real, mas o PIB americano fez o dólar ultrapassar os R$ 2,30 no balcão. Por trás do movimento está a leitura de que os EUA estão em recuperação e pode estar próximo o início da retirada, pelo Federal Reserve (Fed), dos incentivos à economia do país.

O dólar à vista negociado no mercado de balcão fechou em alta de 1,05%, cotado a R$ 2,3060. Esta é a primeira vez que a moeda encerra uma sessão acima de R$ 2,30 desde 6 de setembro deste ano, quando marcou R$ 2,3070. Na mínima do dia, vista às 11h01, o dólar atingiu R$ 2,2730 (-0,39%) e, na máxima, verificada às 16h25, marcou R$ 2,3070 (+1,10%), ajudado ainda por um fluxo de saída de dólares do país na reta final dos negócios. Da mínima para a máxima, a moeda oscilou +1,50%.

Pela manhã, após abrir em alta, a moeda chegou a oscilar em baixa ante o real, depois do BCE reduzir sua taxa de juros, surpreendendo boa parte do mercado. Essa perspectiva de maior liquidez favoreceu a busca por moedas emergentes como o real, o que fez o dólar recuar. No fim da manhã, porém, os EUA informaram que o dado preliminar do PIB apontou crescimento anual de 2,8% no terceiro trimestre deste ano, acima dos 2,0% previstos pelo mercado.

Este avanço - apesar de posteriormente relativizado por alguns analistas - deu força ao dólar ante o real, em meio à percepção de que uma economia mais forte eleva as chances de o Fed começar a reduzir seus estímulos já em dezembro. Por esta lógica, se o BC americano diminuir suas compras mensais de bônus, haverá menos dólares no mundo, o que dá força à moeda americana.

"O PIB americano motivou a alta do dólar no mundo inteiro e no Brasil não foi diferente", comentou um profissional da mesa de câmbio de um banco. "Quando o dado do PIB saiu (às 11h30), não fez tanto efeito por causa da Ptax, que ainda não havia fechado. O mercado ainda estava influenciado pelos R$ 500 milhões do leilão de swap pela manhã. Quando a Ptax fechou, o dólar passou a subir mais livremente", acrescentou. Mais cedo, o BC vendeu 10 mil contratos de swap cambial (equivalente à venda de moeda no mercado futuro) dentro de seu estratégia de intervenções diárias, injetando US$ 496,6 milhões no sistema.

No Brasil, como vem ocorrendo nas sessões mais recentes, a pressão de alta para o dólar foi superior à vista no exterior, em função da desconfiança do mercado em relação à condução da economia. "O mercado está se antecipando à retirada de estímulos nos Estados Unidos. E o fluxo cambial (para o Brasil) que se esperava não se tornou realidade, porque o cenário ruim para o País é muito evidente", afirmou Sidney Nehme, sócio da NGO Corretora.

6 de nov de 2013

Sorteio da primeira fase de vendas destina 71,5% dos ingressos da Copa para os brasileiros

Quase 900 mil entradas foram comercializadas, segundo a Fifa

Agência Brasil
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Residentes brasileiros compraram 71,5% dos 889,3 mil ingressos destinados a pessoas de 188 países no sorteio da primeira fase de venda de ingressos para a Copa do Mundo de 2014, informou hoje (5) a Federação Internacional de Futebol (Fifa) em seu site.

Ainda segundo a Fifa, os solicitantes dos 6,2 milhões de ingressos pedidos serão informados até o dia 10 se foram atendidos ou não, por correio eletrônico ou por mensagem de texto.

Dos 625.276 ingressos que o país recebeu, foram oferecidos aos torcedores residentes no Brasil um total de 342.740 da categoria 4, com prioridade para estudantes, pessoas com 60 anos de idade ou mais e beneficiários do Programa Bolsa Família, como manda a Lei Geral da Copa (Lei 12.663). No entanto, a Fifa informou que, como a demanda por esse público foi menor que o estoque disponível, ao final, 216.618 ingressos foram destinados às pessoas com direito a desconto no Brasil.

O maior número de entradas vendidas fora do Brasil foi sorteado para residentes dos Estados Unidos (66.646), seguido da Inglaterra (22.257), Alemanha (18.019), Austrália (15.401), do Canadá (13.507), da França (11.628), Colômbia (11.326), Suíça (8.082), do Japão (5.021) e da Argentina (4.493).

O próximo período de vendas começará exclusivamente no site oficial da Fifa, de 11 de novembro, às 9h de Brasília, até 28 de novembro, às 9h de Brasília, quando serão distribuídos, por ordem de pedido, mais 228.959 ingressos. Não haverá ingressos para o jogo de abertura em São Paulo, para a final no Maracanã, para os jogos da fase de grupos de Brasília, para as oitavas de final em Belo Horizonte, nem para as duas semifinais em Belo Horizonte e São Paulo, porque foram jogos cujas solicitações superaram a disponibilidade.

A Fifa adiantou que a segunda fase de vendas terá início no dia 8 de dezembro de 2013, tão logo seja definido o calendário final de jogos para a fase de grupos.

5 de nov de 2013

Educação financeira de A a Z

Especialista usa o alfabeto para ensinar de forma simples como administrar a renda

Henrique Moraes
Rio - Saber administrar os seus ganhos, poupar e investir parte da renda nem sempre são tarefas fáceis para o assalariado. A falta de disciplina e controle do que recebe no fim do mês podem levar ao endividamento. Para combater essas dificuldades a coordenadora do Investmania, Aline Rabelo criou um abecedário financeiro com 26 dicas para as pessoas de como gastar e economizar de forma consciente seu dinheiro. Usando as letras do alfabeto, ela mostra formas simples e de fácil entendimento.
Educação financeira de A a Z
Foto:  Arte: Nei Lima
Ela diz que o ‘a’ é de ‘atitude’. Ou seja, enfrentar as dificuldades financeiras de cabeça erguida e com disciplina. O ‘b’ é de ‘busca’ de informações antes de tomar uma decisão de investimento. Já o ‘c’ é a ação da ‘colocar’ as contas atrasadas em dia e ‘começar’ a diminuir as despesas supérfluas.
Através do site (www.investmania.com.br), a coordenadora do Investmania, Aline Rabelo ensina de A a Z como controlar suas finanças. “São os passos iniciais para quem deseja organizar o seu orçamento e começar a poupar para a concretização de um sonho de consumo ou para formar uma reserva para o futuro”, recomenda.
ALFABETO DAS FINANÇAS
A – Atitude. Enfrente as dificuldades financeiras de cabeça erguida e com disciplina
B – Busque informações antes de tomar uma decisão de investimento
C – Coloque as contas atrasadas em dia. Comece diminuindo as despesas supérfluas
D – Diversifique na hora de investir. Como diz o sábio ditado, não deposite todos os ovos na mesma cesta
E – Elabore um planejamento de suas finanças. Coloque todas as suas despesas na ponta do lápis
F – Fuja de linhas de financiamento com taxas abusivas
G – Garanta o seu futuro, poupança é essencial para quem deseja realizar sonhos de consumo ou formar uma reserva para o amanhã
H – Hoje será sempre o dia certo para começar a poupar
I – Invista na sua educação financeira e na de seus filhos
J – Jamais faça um investimento às escuras ou levando em consideração opiniões de pessoas não preparadas e notícias sem fundamento
K – Know-how na hora de investir só se adquire com a experiência, com erros e acertos
L – Limpe seu nome e recupere a autoestima
M – Mantenha o controle emocional, evite compras por impulso
N – Negocie as dívidas com o banco. É possível encontrar condições satisfatórias, principalmente, se o pagamento for à vista. Que tal aproveitar o 13.o salário, para quitar os débitos em atraso e começar o ano no azul?
O – Observe as tendências de mercado, estude as taxas de juros, os cenários e a rentabilidade possível de auferir antes de investir neste ou naquele produto
P – Pesquise preços antes de comprar, principalmente, em datas comemorativas como o Natal, Dia das Crianças, Dia das Mães, dentre outros
Q – Quebre as amarras das dívidas. Conquiste a independência financeira
R – Respeite o limite do seu orçamento, não gaste mais que a sua renda mensal permite
S – Saia do vermelho (e não volte mais!)
T – Tente sempre novas possibilidades na hora de investir. Que tal uma LCI ou uma LCA, agora que estamos em um cenário de alta das taxas de juros?
U – Use sempre o dinheiro com consciência
V – Vença o medo de investir em ações. No longo prazo, o investimento em renda variável tende a ser mais rentável do que a renda fixa
X – Xeque-mate. O investimento certo é aquele adequado ao seu perfil e apetite por riscos, e, sobretudo, aos seus objetivos
Y – Yes! O mercado de ações tem boas opções de investimentos, mesmo em um cenário econômico de incertezas. Procure por empresas sólidas, com governança corporativa transparente e boa pagadora de dividendos
W – Web sites e redes sociais podem ser bons aliados na busca por informações sobre o mercado de investimentos. O Investmania é um bom exemplo
Z – Zelo. Seja zeloso com os seus investimentos. Acompanhe a rentabilidade e o mercado com muita atenção e, se tiver dúvidas, pergunte!

4 de nov de 2013

Em Veneza, turistas se divertem na Praça de São Marcos inundada; fotos

Passarela ajudou visitantes a enfrentar enxurrada nesta segunda-feira (4).
Ponto mais baixo da cidade, local costuma ser o primeiro a encher.

Da France Presse
Casal em lua-de-mel tira foto em meio a enchente na Praça de São Marcos, em Veneza (Foto: Olivier Morin/AFP)Casal em lua-de-mel tira foto em meio a enchente na Praça de São Marcos, em Veneza (Foto: Olivier Morin/AFP)
Turistas que foram nesta segunda-feira (4) visitar a famosa Praça de São Marcos, em Veneza, tiveram que fazer o passeio em meio à água.
A praça fica no ponto mais baixo da cidade italiana e por isso costuma ser a primeira a ser tomada pela água durante enchentes.
Foram colocadas passarelas de madeira para que os visitantes pudessem se deslocar. Com botas de chuva ou plásticos envolvendo os sapatos, alguns deles desceram para o solo e tiraram fotos em meio à enxurrada.
Pomba pousa na cabeça de menino na Praça de São Marcos, em Veneza (Foto: Olivier Morin/AFP)Pomba pousa na cabeça de menino na Praça de São Marcos, em Veneza (Foto: Olivier Morin/AFP)
Turistas na Praça de São Marcos inundada, em Veneza (Foto: Olivier Morin/AFP)Turistas na Praça de São Marcos inundada, em Veneza (Foto: Olivier Morin/AFP)
Tábuas suspensas foram colocadas para que os turistas possam se deslocar durante a inundação (Foto: Olivier Morin/AFP)Tábuas suspensas foram colocadas para que os turistas possam se deslocar durante a inundação (Foto: Olivier Morin/AFP)
Enchente na Praça de São Marcos, em Veneza (Foto: Olivier Morin/AFP)Enchente na Praça de São Marcos, em Veneza (Foto: Olivier Morin/AFP)

3 de nov de 2013

Como o ministério público protegeu tucanos

Procurador Rodrigo de Grandis engaveta oito ofícios do Ministério da Justiça que pediam apuração do escândalo do metrô de São Paulo e prejudica o andamento das investigações

Claudio Dantas Sequeira e Alan Rodrigues
Apareceu um escândalo dentro do escândalo de corrupção em contratos de energia e transporte sobre trilhos de São Paulo que atinge em cheio os governos do PSDB. ISTOÉ descobriu que o procurador Rodrigo de Grandis engavetou desde 2010 não apenas um, como se divulgou inicialmente, mas oito ofícios do Ministério da Justiça com seguidos pedidos de cooperação feitos por autoridades suíças interessadas na apuração do caso Siemens-Alstom. Ao longo de três anos, De Grandis também foi contatado por e-mail, teve longas conversas telefônicas com autoridades em Brasília e solicitou remessas de documentos. Na semana passada, soube-se que, devido à falta de cooperação brasileira, o Ministério Público suíço decidiu arquivar a investigação contra três dos acusados de distribuir propina a políticos tucanos e funcionários públicos. Em sua única manifestação sobre o caso, De Grandis alegou que sempre cooperou e só teria deixado de responder a um pedido feito em 2011, que teria sido arquivado numa “pasta errada”. Mas sua versão parece difícil de ser sustentada em fatos.
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PEDIDO
Informado da falta de cooperação, o ministro Cardozo
determinou novo contato com o procurador
Conhecido pelo vigor demonstrado em investigações sobre o ex-governador Paulo Maluf e também no caso Satiagraha, que colocou o banqueiro Daniel Dantas na prisão, desta vez o procurador federal, de 37 anos, não demonstrou a mesma energia. Para usar uma expressão que costuma definir a postura de autoridades que só contribuem para a impunidade de atos criminosos: ele sentou em cima do processo. No mês passado, um integrante do Ministério Público Federal de São Paulo chegou a denunciar a seus superiores que a conduta de De Grandis “paralisou” por dois anos e meio a apuração contra os caciques tucanos. As razões que o levaram a engavetar o caso agora serão alvo do procurador-geral, Rodrigo Janot, e da Corregedoria do Conselho Nacional do Ministério Público, que abriu uma queixa disciplinar contra De Grandis.
Até o momento, as explicações do procurador carecem de consistência. Com boa vontade, sua teoria de “falha administrativa” poderia até caber para explicar um ofício perdido. Mas não faz sentido quando se sabe que foram oito os ofícios encaminhados, sem falar nas conversas por telefone e e-mails. O último dos ofícios, que chegou à mesa de Rodrigo De Grandis há apenas duas semanas, acusa o procurador de “nunca” ter dado retorno às comunicações feitas pelo Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional (DRCI) do Ministério da Justiça, responsável pela interface em matéria judicial com outros países.
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A primeira solicitação oficial do MP suíço chegou ao Brasil em 15 de março de 2010 e, em 16 de abril, foi encaminhada à PGR e ao procurador federal pelo ofício nº 3365. As autoridades suíças queriam a quebra de sigilo bancário, o interrogatório, além de busca e apreensão nos escritórios de Romeu Pinto Júnior, Sabino Indelicato e outros suspeitos. Nada se fez. Em 18 de novembro, a Suíça fez o primeiro aditamento ao pedido de cooperação e novo ofício foi encaminhado ao MPF, em 1º de dezembro. Desta vez, o MP suíço pedia informações que poderiam alimentar sete processos em curso naquele país. Nada. Em 21 de fevereiro de 2011, os procuradores estrangeiros tentaram pela terceira vez. Queriam que fossem ouvidos, entre outros, o lobista Arthur Gomes Teixeira e João Roberto Zaniboni, ex-diretor da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).
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Em março, as autoridades suíças cobraram retorno das demandas. De Grandis foi novamente acionado, mas não deu resposta. Em julho e novembro, foram encaminhados novos ofícios sobre os pedidos de cooperação da Suíça. Mais uma vez, o silêncio. Depois de dois anos e meio, em 7 de agosto deste ano, já com o escândalo das propinas batendo à porta do Palácio dos Bandeirantes, o ministro José Eduardo Cardozo foi informado da falta de cooperação e determinou que se fizesse novo contato com o procurador. Tudo em vão. Sem obter resposta, o MJ encaminhou outro ofício (6020/2013) ao MPF em 10 de outubro. E novamente outro (6280/2013) no dia 21, reiterando “extrema urgência e a importância do tema” e pedindo retorno em cinco dias. De Grandis solicitou novas remessas de documentos e finalmente respondeu na última quarta-feira 30. A resposta, porém, foi incompleta – apenas algumas oitivas.  O silêncio obsequioso do procurador inviabilizou diligências que poderiam ser essenciais para alimentar as investigações do propinoduto, tanto na Suíça como no Brasil, causando um prejuízo incalculável ao esclarecimento de um esquema de corrupção cuja dimensão total ainda não se conhece. Feitas no tempo certo, poderiam ter ajudado as autoridades a estabelecer, antecipadamente, a relação entre o esquema usado pela Alstom e o da Siemens para subornar políticos.
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ARQUIVADOS?
Teixeira, Zaniboni e Matarazzo (da esq. para a dir.): personagens centrais do escândalo do PSDB
Em agosto de 2012, após quatro anos de investigação, a Polícia Federal concluiu o primeiro inquérito sobre o caso Alstom. Sem acesso a dados bancários e fiscais da Suíça, conseguiu apenas reunir provas parciais para indiciar por corrupção passiva o vereador Andrea Matarazzo, que, em 1998, era secretário estadual de Energia no governo Mário Covas. O inquérito foi para as mãos de De Grandis, que, passado mais de um ano, ainda não apresentou sua denúncia. Nos bastidores, o procurador reclamava a assessores que a peça policial era pouco fundamentada. Sob pressão, solicitou à Justiça Federal a quebra do sigilo de 11 acusados. O promotor Silvio Marques, do MP estadual, e outros procuradores federais em São Paulo pediram em julho o compartilhamento das provas para aprofundarem a apuração. Os procuradores suíços, longe de arquivar os processos, também estão interessadíssimos em conseguir a cooperação brasileira.
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PARADO
Fachada do prédio do Ministério Público em São Paulo: investigações emperradas 
Na semana passada, ISTOÉ enviou ao gabinete de De Grandis uma lista com 20 perguntas. Nenhuma foi respondida. Por meio da assessoria de imprensa, o MPF alegou “sigilo das investigações” e disse que o procurador está de licença até 5 de dezembro para concluir um mestrado. Especialista em direito penal e professor da Escola Superior do MP de São Paulo, De Grandis é considerado pelos colegas um sujeito de temperamento difícil e de poucos amigos. Entre eles, o ex-delegado Protógenes e o neoativista Pedro Abramovay, hoje antipetista de carteirinha após ser banido do governo. Para o advogado Píer Paolo Bottini, ex-secretário da gestão Márcio Thomaz Bastos e professor de Rodrigo de Grandis num curso de pós-graduação, o procurador nunca usaria o cargo para fins políticos. “Conheço ele e não acredito que tenha qualquer direcionamento em sua atuação”, diz.
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O ex-ministro José Dirceu pensa diferente. Na semana passada, ele voltou a acusar De Grandis de agir politicamente ao quebrar seu sigilo telefônico para tentar envolvê-lo no caso MSI, o esquema de cartolagem do futebol paulista. Na Satiagraha, De Grandis e Protógenes se uniram contra Daniel Dantas, um velho aliado do PSDB e de Marcos Valério, que se aproximou do PT depois que Lula chegou ao poder em 2002. A partir de 2008 o deputado estadual Roberto Felício (PT) encaminhou seis representações ao procurador. O deputado ainda alertou De Grandis sobre indícios de que Alstom e Siemens usavam as mesmas consultorias internacionais para lavagem de dinheiro e pagamentos de propinas e subornos a diversas autoridades no Brasil. Nenhuma foi concluída.

2 de nov de 2013

Último eclipse solar do ano acontece neste domingo

Eclipse poderá ser visto no Norte e Nordeste do Brasil, onde a Lua não vai chegar a cobrir totalmente o Sol

O eclipse solar total é visto nesta quarta-feira (14), em Queensland, na Austrália. O processo de três horas em que a Lua bloqueia o Sol só é visível para quem está no norte do país
O último eclipse solar total foi registrado em novembro do ano passado. A imagem mostra sua passagem por Queensland, na Austrália - Greg Wood/AFP
O último eclipse solar deste ano deve acontecer no próximo domingo, pela manhã. No Brasil, ele poderá ser visto em alguns estados do Norte e Nordeste, onde será apenas parcial — quando o Sol não é encoberto completamente.
O eclipse solar acontece quando a Lua se alinha com a Terra e o Sol, impedindo a luz da estrela de atingir o planeta. O evento deste domingo será um eclipse híbrido, um tipo raro em que sua intensidade varia ao longo do percurso. Por causa da curvatura da Terra, algumas regiões do planeta estão mais próximas da Lua. Nesses locais, o eclipse vai ser total, e o satélite vai encobrir totalmente o Sol. Em outras regiões, que estão mais distantes do astro, o tamanho da Lua no céu é menor, e não é grande o suficiente para encobrir totalmente o Sol. Nesse caso, a luz da estrela deve escapar ao redor do satélite, formando uma espécie de anel — é o eclipse anular.
A América do Sul, no entanto, não estará no caminho do eclipse híbrido. A Lua só vai entrar totalmente na frente do Sol em um estreita faixa da superfície terrestre, que começa no meio do Oceano Atlântico, perto do sudeste dos Estados Unidos, e se estende até alguns países africanos, como Congo, Gabão, Uganda e Etiópia.
No Brasil, o eclipse só poderá ser visto em sua forma parcial, na qual a Lua apenas tangencia o Sol, sem nunca entrar completamente debaixo de sua circunferência. O fenômeno só será visível em todos os estados da região Nordeste e alguns do Norte (Pará, Amapá, Roraima, e algumas regiões do Amazonas e do Tocantins), entre as 9 e as 11 horas da manhã, no horário de Brasília.

1 de nov de 2013

Ações da petroleira de Eike Batista viram pó

Comissão investiga supostas violações de regras na divulgação de comunicados das empresas do Grupo EBX

Osni Alves
Rio - As ações da OGX Petróleo, de Eike Batista, viraram pó. Isto porque elas tiveram seu último pregão ontem, sendo negociadas a R$0,13 na Bovespa, que fechou a 54.253,2 pontos, com alta de apenas 0,15%, puxada pela MMX Mineradora, outra empresa de Eike, que disparou 41,67% e terminou o dia sendo cotada a R$ 0,85.

Advogados de Eike pediram proteção judicial aos bens do empresário, como o edifício Serrador, na Cinelândia
Foto:  Fernando Souza / Agência O Dia
A saída da OGX faz parte da nova metodologia do mercado de capitais, que retira automaticamente empresas cujas ações custam centavos. Este ano as empresas do Grupo X, de Eike, foram responsáveis por “roubar” 4.450 pontos do Ibovespa.
Segundo a BM&FBovespa, sem a petroleira o índice será rebalanceado e os 2.228% que pertenciam às ações ordinárias da OGX serão incorporados pelas outras ações, pois os fundos tendem a vender suas posições na empresa de Eike e comprar novos papeis de outras companhias.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está investigando supostas violações de regras na divulgação de comunicados das empresas do Grupo EBX. Por conta da derrocada nos negócios, a fortuna pessoal de Eike caiu de R$ 66 bilhões para valor abaixo do bilhão. Os advogados do empresário entraram com pedido de proteção aos bens dele e de seus principais executivos.

OSX NO MESMO CAMINHO
Em fato relevante enviado ao mercado ontem, a OSX, empresa de construção naval do Grupo EBX, confirmou que pode pedir recuperação judicial também caso seus administradores acreditem ser a melhor medida para preservar os negócios. Isto porque a companhia era interligada à OGX, sendo esta seu principal cliente. Com a derrocada, as atividades da OSX ficaram comprometidas. Para manter-se ativa, a companhia precisa captar novos clientes.
Também ontem pela manhã foi confirmado que a OGX Maranhão, subsidiária da Holding OGX, que explora gás na Bacia do Paranaíba, foi adquirida pela Eneva, antiga MPX. O negócio, feito em parceria com a Cambuhy Investimentos, envolveu R$ 200 milhões, segundo a CVM.

E a bruxa parece estar mesmo a solta no império de Eike. A repercussão internacional do pedido de recuperação judicial da OGX Petróleo dá ênfase à rápida ascensão e queda do empresário.
A norte-americana Forbes diz que há apenas dois anos Eike foi um dos bilionários que mais viram sua fortuna crescer, construindo um império de energia e logística. “O próprio empresário fez previsões de se tornar o homem mais rico do mundo, ultrapassando os mega-investidores Carlos Slim, Bill Gates e Warren Buffet”, noticiou.
A britânica Financial Times elencou o fim de uma era e “o fim dos investidores encantados, com previsões de petróleo deslumbrantes”, além do desfecho do uso da imagem de Eike como garoto propaganda das promessas econômicas para o Brasil. A revista tem sido uma das mais ácidas quando o assunto é a política econômica do país.

A agência de notícia Xinhua, uma estatal chinesa, apresentou a situação da OGX como o mais recente capítulo na “espetacular” história de Eike, até então o homem mais rico do Brasil e a sétima pessoa mais rica do mundo no início de 2012. “Seu império ruiu puxado por sua principal companhia”, destacou a estatal. A notícia foi destaque nos cadernos econômicos dos principais jornais da Ásia e da Europa.
Menos R$ 36 milhões
O município de São João da Barra, no Norte Fluminense, perdeu mais de R$ 36 milhões em arrecadação no primeiro semestre de 2013 após as quedas das ações do Grupo EBX. Os governantes da cidade confirmaram a retração, mas informaram que “o pior período passou e os empregos devem voltar a partir de março de 2014.”.
Atualmente o empreendimento ainda emprega entre seis e sete mil trabalhadores no município.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que foram encerrados 1.332 postos de trabalho com o declínio das obras. O dinheiro para a construção foi capitado pela subsidiária LLX por meio de empréstimo ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) , sendo R$ 518 milhões.
“Eike tinha alianças frágeis”, diz engenheiro
Não foi apenas na imprensa internacional que o caso OGX repercutiu. A população do Rio também opina e analisa os últimos acontecimentos do mundo empresarial. O engenheiro Mário Egypto, 62, afirma que quem sobe rápido, cai rápido. “Acho que ele tinha alianças frágeis”, destacou.
O instrumentista Rodrigo Rodrigues, 36, que trabalha no segmento de petróleo, frisou a inexperiência de Eike como fator decisivo para a decadência dos negócios. Isto porque confiou em executivos e gestores, visto ele próprio não ter domínio do segmento. “Ele tinha informações privilegiadas, mas ficou refém de outros”, disse.
Estudante de relações internacionais, Maria Paula Maculan, 22, ressaltou que Eike devia ter sido menos egocêntrico. “Arriscou demais até não ter mais como expandir. Tinha uma expectativa que julgou ser o bastante, mas na prática, não foi o que aconteceu”, falou.
Estudante de direito, Felipe Augusto Rodrigues, 22, diz acreditar que o problema foi a má administração. “Pôs confiança demais em empresas e pessoas que estavam buscando seus próprios interesses. No lugar dele, não abriria tantas empresas”, disse.
O autônomo Marcos Vinicius Reis, 43, diz não acreditar na imprensa, em relação às notícias envolvendo o ex-magnata. Porém, frisou que “quem investe em negócios inseguros, está sendo incompetente. Pra mim, ele não foi competente nas escolhas que fez”, declarou, acrescentando que “todo mundo erra, mas se fosse meu todo esse dinheiro, iria investir em algo com retorno garantido, mesmo que não rendesse muito.”