21 de jul de 2017

Empresa cearense cria ferramenta para o ensino de programação e robótica nas escolas

Recurso foi desenvolvido pela empresa Gênio Azul
Gênio Azul
O ensino de robótica também deve ser estimulado nas escolas ( Foto: Reprodução do site da Gênio Azul )
A lógica de programação e a robótica parecem distantes do nosso cotidiano, mas logo podem se tornar uma realidade na vida das futuras gerações através do ensino da temática nas escolas brasileiras. Atualmente, elas têm no currículo escolar apenas informática básica, mas o Ministério da Educação (MEC) mantém o Programa Nacional de Tecnologia Educacional, iniciativa que tem o objetivo de promover o uso pedagógico das tecnologias de informação e comunicação nas redes públicas de educação básica.
A iniciativa do MEC é importante porque a área de Tecnologia da Informação (TI) é promissora, em termos de geração de emprego. De acordo com a Associação para a Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex), em 2020 o Brasil pode ter um déficit de até 408 mil profissionais de TI. Pensando neste mercado crescente e na importância do ensino da lógica de programação nas escolas, a empresa Gênio Azul desenvolveu o projeto Code Dominó para tornar o conteúdo mais acessível para a educação básica. O estudo conta com o apoio da Funcap através do edital Inovafit.
O dominó
O Code Dominó é uma plataforma de ensino de lógica de programação para crianças entre 4 e 15 anos composta de aplicativo, dominó de madeira e robô. Segundo, Kátia Ribeiro, pedagoga, especialista em informática na educação e diretora pedagógica da empresa, a escola é um lugar de socialização e compartilhamento de saberes e, por isso, precisa se apropriar desse conhecimento e repassá-lo aos alunos. “Através do ensino da lógica de programação e da robótica, é possível desenvolver o raciocínio lógico matemático e criativo”, explica.
A plataforma é composta de um dominó de madeira, onde cada peça representa um comando que controla um robô. Isso permite que a criança consiga entender a lógica de programação na prática, pois ela aplica a fórmula e o robô identifica e executa os movimentos e ações referentes. A programação pode ser feita em grupo ou individual.
O robô é o item mais caro do conjunto, mas pensando na acessibilidade do produto também para as escolas públicas, a empresa criou um robô virtual,  tornando possível a programação e a execução dos códigos. “Pensamos na transformação da sociedade com mais acesso e oportunidades, isso passa por pensar em soluções de baixo custo e que facilitem o acesso a todos”, afirma Kátia.
Responsabilidade social
O projeto também versa sobre a desigualdade de gênero presente no meio da Tecnologia da Informação. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), realizada em 2016 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 20% dos profissionais de TI no Brasil são mulheres. Para a empresa, o ensino tecnológico tem a capacidade de auxiliar na igualdade de gênero no trabalho, pois incentiva, ainda na educação básica, tanto meninos quanto meninas a criarem interesse pelo assunto.
Vale ressaltar que, como a proposta da Gênio Azul é popularizar a lógica de programação e a robótica, tanto o dominó quanto o robô têm código aberto, podendo ser replicados através da licença Creative Commons. O criador do Code Dominó, professor Daniel Chagas, acredita que esse tipo de iniciativa poderá revolucionar o ensino público brasileiro.  Além disso, o equipamento se propõe a materializar a programação, saindo do campo da abstração. “Ao transformar cada linha em peças de dominó, o código torna-se palpável e passível de ser trabalhado em grupo”, comenta.
De acordo com Kátia, o apoio da Funcap está sendo fundamental para alcançar os objetivos. “O projeto Code Dominó ganha asas para voar graças a esse apoio”, comenta.  Com o progresso da pesquisa, a empresa busca tornar o produto mais barato e fácil de montar, com mais possibilidades para pais, alunos e professores. A Gênio Azul também pretende chegar ao mercado internacional com a tecnologia cearense. O objetivo é “mostrar que iniciativas livres, com foco nos problemas locais e no uso de criatividade e inovação, podem ajudar bastante na construção de um mundo melhor”.

20 de jul de 2017

Defesa de Lula desiste de recorrer de decisão que dá publicidade ao inventário de Marisa Letícia

Processo tramita em Vara de Família de São Bernardo do Campo

MURILO RAMOS
Lula e dona Marisa participam da abertura da Primeira Conferência Nacional de Politicas para as Mulheres, (Foto:  Roberto Stuckert Filho/Agência O Globo)
Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva informaram à 1ª Vara de Família e Sucessões de São Bernardo do Campo, em São Paulo, que não vão recorrer da decisão que negou segredo de Justiça para o processo do inventário da ex-primeira-dama Marisa Letícia, morta em fevereiro deste ano. A defesa do petista havia pedido para o caso tramitar em segredo sob o argumento de que seriam anexados dados bancários e declarações de bens prestadas à Receita Federal e que a documentação seria "devassada" pela imprensa. A Justiça decidiu manter a publicidade do processo por envolver um ex-presidente da República, devendo prevalecer o interesse público. Ao informar que não recorrerão, os advogados insistiram na tese de que seu cliente e familiares têm sido alvos de devassa.

19 de jul de 2017

Lava Jato identifica 31 conversas e trocas de mensagens entre Léo Pinheiro e ministro do TCU

As conversas com José Múcio Monteiro ocorreram entre 2013 e 2014

AGUIRRE TALENTO
José Múcio Monteiro (Foto: TCU/Agência Brasil)
O ex-presidente da OAS Léo Pinheiro manteve 31 conversas telefônicas e trocas de mensagens com o ministro José Múcio Monteiro, do Tribunal de Contas da União (TCU). As conversas ocorreram entre junho de 2013 e agosto de 2014, período em que o órgão discutia bloqueio de recursos para uma obra da empreiteira, a construção do estádio Arena das Dunas, no Rio Grande do Norte. Os dados constam de relatório do Ministério Público Federal sobre a quebra de sigilo telefônico de Léo Pinheiro, mantido em segredo na Justiça Federal do Rio Grande do Norte e obtido por EXPRESSO. Segundo as investigações, os telefonemas partiam de um celular em nome de um funcionário da OAS, André Ney Garcia, mas que era usado por Léo Pinheiro. As conversas, em geral, duravam entre um e três minutos.
Léo Pinheiro negocia uma delação premiada com a Procuradoria-Geral da República e, em seu cardápio, promete incluir informações sobre integrantes do TCU e do Judiciário. José Múcio Monteiro chegou a participar de julgamento e proferir seu voto em processo do TCU que permitiu a liberação de recursos para o Arena das Dunas.
Trecho de relatório da PGR sobre quebra de sigilo do ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro (Foto: Reprodução)
Procurado, José Múcio Monteiro afirmou ser amigo de Léo Pinheiro desde o período em que ocupou o cargo de ministro das Relações Institucionais do governo Lula, entre 2007 e 2009. Afirmou, ainda, que Pinheiro costumava lhe telefonar quando ia ao TCU para conversar. Múcio admitiu que, em uma ocasião, Léo Pinheiro falou sobre um processo da OAS relacionado a aeroportos, mas diz que o empreiteiro nunca pediu sua interferência em processos no TCU.

18 de jul de 2017

O colapso dos blockbusters

“Transformers 5” usa uma fórmula eficaz para atingir bilheterias bilionárias. Mas, segundo o diretor Michael Bay, ela está se esgotando e força o cinema a se reinventar

Crédito: Paramount Pictures/Bay Films
HECATOMBE O herói Optimus Prime sofre um surto maligno em “Transformers 5”: dez anos da franquia (Crédito: Paramount Pictures/Bay Films)
Hollywood se transformou em uma fábrica de pesadelos. É assim que os executivos do setor cinematográfico e a imprensa dos Estados Unidos se referem à antiga “fábrica de sonhos”, por causa do desempenho do novo lote dos blockbusters de verão. Os filmes repletos de efeitos especiais e perseguições estrelados por super-heróis ou assemelhados ocupam o circuito exibidor local para em seguida invadir o do resto do mundo. Sempre foi assim, mas sinais de perigo vêm da bilheteria doméstica, que decai e não cobre mais os altos custos das franquias e outras superproduções.
Por isso, o cinema americano depende cada vez mais do mercado externo. O público internacional — em especial o chinês — têm ajudado a turbinar filmes que se deram mal em casa.
Qual o prazo de validade do modelo consagrado de produzir e distribuir filmes?
A reposta vale US$ 1 bilhão, o limite monetário capaz de converter um sucesso em arrasa-quarteirão segundo os critérios inflados dos chefes dos estúdios. A longo prazo, a estimativa é de que o paradigma terá de ser superado. “Até os chineses estão ficando mais exigentes em relação ao conteúdo dos roteiros”, diz o crítico Luiz Carlos Merten. “A mudança se dá na forma de ver filmes, com reflexos na bilheteria. Isso leva a uma mudança.”
Talvez haja pessimismo exagerado em uma área acostumada há uma década a lidar com cifras altas e recepção complacente.
Mas tudo é hiperbólico em Hollywood, inclusive o temor do fracasso. Um exemplo está no longa-metragem “Transformers 5 — o Último Cavaleiro”. Imaginado pelo diretor Michael Bay para explodir as mentes da geração millennial, o filme foi rejeitado na estreia em 21 de junho. As plateias jovens e os críticos zombaram da aventura que junta autobôs (robôs que viram carros de uma marca de brinquedos) e os cavaleiros da Távola Redonda. Espectadores confessaram que dormiram durante as sessões, mesmo que o filme tenha sido rodado com câmeras IMAX 3D para projeção em supertelões e o som seja ensurdecedor ao longo de duas horas e meia de brigas, caçadas e explosões. A bilheteria foi pífia de acordo com as metas da indústria: US$ 129 milhões, para um orçamento de US$ 217 milhões.
Salvação

Para evitar uma hecatombe maior que a empreendida entre os autobôs Megatron e Optimus Prime no filme, Michael Bay e a atriz Isabela Moner fazem uma turnê mundial patrocinada pela Paramount para promover a franquia, que completou dez anos.
A excursão tem rendido dividendos e um nono lugar entre os êxitos da temporada — e deve chegar ao bilhão. Os dois esteveram em São Paulo na semana passada para a pré-estreia do filme, que entra em circuito dia 20 no Brasil. Foi um hype:
sob holofotes e assédio de youtubers-blogueiros-fãs, Bay foi questionado sobre o modo como faz cinema sem considerar uma geração que prefere dispositivos móveis e pirataria a ir ao cinema. Ele respondeu que, aos 52 anos, se acha um cineasta da velha guarda. “Filme para mim tem que ser em tela grande”, disse. “Sei que o que faço está fora de moda. As telas encolhem e o modelo de blockbuster deve encolher.” Segundo Baye, Hollywood enfrenta agora um dilema: ou se reinventa ou sucumbe.
O recurso para salvar o cinema da era da extinção é objeto de hipóteses. “Se os estúdios derem ao público o que ele quer, podem fazer sucesso”, afirma o youtuber e crítico Roberto Sadowski.
“O problema é saber o que ele quer. Hoje assistimos à volta das franquias de super-heróis, porque elas satisfazem o desejo por modelos mitológicos. Mas até quando?” Não há solução visível, diz Merten. “Só tenho duas certezas: os cineastas terão de renovar o fator surpresa em suas histórias e não há mais espaço para filmes de arte” — se é que algum dia houve algo parecido na velha fábrica de blockbusters.
EM TURNÊ O diretor Michael Bay no evento em São Paulo para promover o filme (Crédito:Gabriel Reis)

17 de jul de 2017

Pequenas que vão longe

Para superar o ambiente de negócios desfavorável e ganhar competitividade, microempresas levam produtos a países que antes eram privilégio das gigantes

Crédito: Gabriel Reis
INOVAÇÃO Samy Menasce e os equipamentos para tratar água com ozônio: hoje, além do Brasil, sua empresa atua no Peru e na Argentina (Crédito: Gabriel Reis)
As grandes empresas brasileiras há muito sabem que atuar em diferentes mercados é estratégico para consolidar seus negócios. Agora, avançar para além das fronteiras nacionais se tornou uma alternativa atraente também para as micro e pequenas empresas. Companhias de menor porte encontraram na exportação uma forma de enfrentar a recessão e ganhar espaço onde antes só existiam gigantes. Um exemplo é a Brasil Ozônio, empresa de tecnologia que nasceu nos anos 2000 e hoje exporta serviços para a Argentina e o Peru. O negócio consiste em usar ozônio em substituição ao cloro para o tratamento de águas, esterilização de alimentos e instrumentos cirúrgicos, além de soluções para a agricultura e pecuária. “Como temos aplicações diversificadas, as empresas internacionais começaram a nos procurar”, afirma Samy Menasce, CEO da Brasil Ozônio, que já negocia com consulados da Suíça, Bélgica, Inglaterra e Estados Unidos para começar a exportar para esses países. Em um setor bem distinto, a grife de roupas e acessórios que leva o nome de sua criadora, Flávia Aranha, também decidiu vender para o exterior. O projeto surgiu em 2009, com peças confeccionadas, em parceria com artesãos, a partir da biodiversidade brasileira: tintas extraídas de plantas, serragens e fibras biodegradáveis. “O mercado europeu valoriza muito esse tipo de produto”, diz a diretora criativa. “Hoje exportamos para a Alemanha, Suécia e devemos começar a vender também em Portugal”.
Para uma economia que permaneceu estagnada por três anos o número de micro e pequenas empresas exportadoras cresce de forma animadora: 26,8% e 17,5%, respectivamente, entre 2012 e 2016. O volume de negócios também aumentou. “Muitas sentiram as condições internas e começaram a buscar clientes fora do seu mercado de atuação”, afirma Maurício Manfre, gerente do gabinete da Diretoria de Negócios da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). “Isso fez com que os empresários conhecessem as necessidades de outros países e, paralelamente, as entidades passaram a oferecer cursos de capacitação para facilitar o processo.” O resultado é bom não apenas no faturamento. Manter relações com outros países faz com que as marcas sejam mais reconhecidas e competitivas, já que elas captam novas tecnologias e têm oportunidade de desenvolver suas equipes. “Trata-se de um mecanismo de sobrevivência e uma forma de adequar seu desempenho aos padrões globais de qualidade”, afirma Welber Barral, advogado e sócio da Barral M. Jorge Consultoria. Foi o que ocorreu com a marca Flávia Aranha. Em 2010, quando surgiu a oportunidade de exportar para Berlim, na Alemanha, a grife ainda não tinha planejamento para atender à demanda. “Investimos fortemente no mercado nacional, readequamos nosso produto, ajustamos os preços e criamos um produto mais sofisticado para conseguir dar um passo maior com mais segurança”, diz a diretora da confecção.
BRASILIDADE Roupas e acessórios com tintas extraídas de plantas, serragens e fibras chegam à Europa (Crédito:Gabriel Reis)
Prazo menor

Recentemente, novas ferramentas facilitam a vida de quem busca mercados além do horizonte. Uma delas é o Portal Único de Comércio Exterior, criado em março desse ano para reduzir custos, eliminar documentos e aumentar a competitividade dos produtos brasileiros. O objetivo é encurtar o prazo médio das operações em 40%, reduzindo o tempo de exportações de 13 para oito dias até 2018. Outra tendência é aumento do volume de negócios com países vizinhos. “O mercado latino-americano tem a facilidade da língua, dos acordos comerciais, aduaneiros e vantagens logísticas que facilitam a vida do empresário”, afirma Manfre. No caso da Brasil Ozônio, o CEO Menasce possuía experiência em mercados vizinhos, o que facilitou a escolha no momento de se internacionalizar. Hoje, a empresa trabalha com um representante comercial, mas a idéia é abrir uma filial nos países em que atua. “Queremos produzir nessas regiões, não apenas comercializar”, diz ele.
Manter relações com outros países faz com que as marcas se tornem reconhecidas e captem novas tecnologias
Outra iniciativa é a parceria da Apex-Brasil com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) no projeto Inovação e Sustentabilidade nas Cadeias de Valor, o ICV-Global, que apoia empresas que desejam se internacionalizar por meio de oficinas de formação e da participação em rodadas de negócios com companhias internacionais. “Desenvolver uma cultura exportadora exige o alinhamento de toda a equipe”, afirma Ana Coelho, coordenadora do ICV-Global. “É preciso planejar a entrada no mercado alvo, a simples replicação do modelo brasileiro no exterior aumenta as chances de o negócio não prosperar.” As empresas aprendem, sobretudo, como encontrar diferenciais competitivos e desenvolver estratégias de longo prazo. A grife Flávia Aranha, que poderia sofrer com a forte concorrência dos países asiáticos no setor, encontrou no mercado europeu um nicho que valoriza a capacidade criativa brasileira — um caminho seguro para se tornar grande aqui e lá fora.

15 de jul de 2017

Passados 10 anos, ninguém foi punido por acidente com avião da TAM em Congonhas

De acordo com as investigações, por um erro no posicionamento dos manetes, que determinam a aceleração ou reduzem a potência do motor, a aeronave não parou
Agência Brasil
Acidente TAM
Acidente do avião da TAM deixou 199 mortos em 2007. ( Foto: Valter Campanato/Agência Brasil )
Acidente TAM
Acidente com avião da TAM no aeroporto de Congonhas completa 10 anos. ( Foto: Milton Mansilha/Agência Lusa )
Passados dez anos, ninguém foi condenado pelo acidente com o Airbus A320 da TAM, ocorrido em 17 de julho de 2007. Nesses anos, o caso foi julgado pela primeira e segunda instâncias da Justiça Federal e todos os denunciados pelo Ministério Público Federal foram absolvidos. Nesses dez anos, a TAM se juntou à empresa aérea chilena LAN, fusão que ocorreu no dia 5 de maio de 2016, e virou Latam Airlines, ou somente Latam como está estampado em suas aeronaves.
O acidente foi investigado por três órgãos. Um deles, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Aeronáutica, que concluiu que uma série de fatores contribuíram para o acidente. O relatório do Cenipa constatou, entre vários pontos, que os pilotos movimentaram, sem perceber, um dos manetes para a posição idle (ponto morto) e deixaram o outro em posição climb (subir). O sistema de computadores da aeronave entendeu que os pilotos queriam arremeter (subir).
O documento também relata que não havia um aviso sonoro para advertir os pilotos sobre a falha no posicionamento dos manetes e que o treinamento dos pilotos era falho: a formação teórica dos pilotos, pelo que se apurou na época, usava apenas cursos interativos em computador. Outro problema apontado é que o co-piloto, embora tivesse grande experiência, tinha poucas horas de voo em aviões do modelo A320, e que não foi normatizada, na época, a proibição em Congonhas de pousos com o reverso (freio aerodinâmico) inoperante, o que impediria o pouso do avião nessas condições em situação de pista molhada.
A Latam Airlines negou que houvesse falhas no treinamento dos pilotos. “O programa de treinamento da companhia já se encontrava dentro do previsto e conforme regulamentações do setor, inclusive com conteúdo e carga horária conforme padrões mundiais”, informou. Segundo a Latam, tanto o treinamento quanto os procedimentos dos pilotos são feitos conforme padrões mundiais de segurança e norteados pelos manuais do fabricante e aprovados pelas autoridades do país de origem e órgãos reguladores.
O Cenipa, no entanto, não é um órgão de punição, mas de prevenção. Ele não aponta culpados, mas as causas do acidente. O relatório sobre o acidente, portanto, dá informações e 83 recomendações para que tragédias como essa não se repitam. O relatório feito pela Aeronáutica contribuiu para outras duas investigações, feitas pela Polícia Civil e pela Polícia Federal, que levaram, no entanto, a conclusões bem diferentes sobre os culpados.
O caso foi investigado inicialmente pela Polícia Civil, que decidiu indiciar dez pessoas pelo acidente, entre elas funcionários da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e da companhia aérea TAM. Após o indiciamento policial, o processo foi levado ao promotor Mário Luiz Sarrubbo, do Ministério Público Estadual, que incluiu mais um nome e denunciou 11 pessoas pelo acidente. “O acidente poderia e deveria ter sido evitado. A aeronave, com o reverso inoperante, não poderia pousar naquela pista naquela circunstância”, disse o promotor.
O processo em âmbito estadual agradou às famílias das vítimas. “O processo, como foi feito pelo Dr. Sarrubbo, achei que foi muito bem feito. Apontou gente da Anac, Infraero e TAM. Se não me engano, ele fez uma menção contra a Airbus por não colocar como mandatório aquele dispositivo de segurança [o aviso sonoro sobre o posicionamento dos manetes]”, disse Dario Scott, pai de Thais, que morreu no acidente.
Por meio de nota, a Infraero informou que “não falhou”. “Restou comprovado, pelo Cenipa, que não houve falha do administrador na liberação da pista. O acidente envolvendo o A320 da TAM foi rigorosamente investigado, conforme Relatório Final da Investigação. As conclusões dispostas no referido documento não apontam a pista como fator contribuinte ao acidente”, diz o órgão. A empresa disse ainda que chegou a prestar esclarecimentos à Justiça e que, no decorrer da ação, a empresa foi excluída do processo.
A denúncia do promotor não foi levada à Justiça estadual. O processo foi remetido ao Ministério Público Federal porque, no entendimento do promotor, o caso se tratava de crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo, competência federal.
“Em dado momento, na nossa investigação, detectamos que havia muitas questões envolvendo a empresa aérea, o nível de segurança, erros em cadeia que resultaram nos erros fatais cometidos na cabine e, evidentemente, uma sequência anterior envolvendo a empresa, a Anac, a Infraero. Havia também problemas na pista, da falta de grooving. Então era muito mais uma questão sistêmica do que isolada. Quando concluímos a investigação estadual, me manifestei que havia indícios de crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo e pedi a remessa dos autos para a Justiça Federal, ou seja, para o Ministério Público Federal”, disse Sarrubbo.
Por se tratar de um acidente aéreo, o caso também foi investigado pela Polícia Federal, que finalizou sua investigação decidindo culpar apenas os dois pilotos, Kleyber Lima e Henrique Stefanini Di Sacco, pela tragédia. O inquérito da Polícia Federal se transformou em denúncia e, nesse documento, que foi aceito pela Justiça, o procurador Rodrigo de Grandis decidiu, ao contrário do indiciamento da Polícia Federal, denunciar três pessoas pelo acidente.
“Obviamente os pilotos não conseguiram parar a aeronave e têm responsabilidade. Foram mal treinados ou o que for, não sei, mas infelizmente eles não estão aqui para se defender. Mas é muito simplista eu falar na responsabilidade deles. Isso é cômodo para a TAM, a Anac, a Airbus, a Infraero e não satisfaz os familiares”, disse Dario Scott.
Justiça Federal
A ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu, o então vice-presidente de operações da TAM, Alberto Farjeman, e o diretor de Segurança de Voo da empresa na época, Marco Aurélio dos Santos de Miranda e Castro foram denunciados pelo Ministério Público por “atentado contra a segurança de transporte aéreo”, na modalidade culposa. Eles foram absolvidos pela Justiça de primeira instância e também pelo Tribunal Regional Federal.
Os três viraram réus e foram julgados pelo juiz Márcio Assad Guardia, da 8ª Vara Federal Criminal de São Paulo que, em 2015, absolveu-os. Para o juiz, eles não agiram com dolo (intenção).
“[Eles] não praticaram o crime de exposição de aeronave a perigo previsto no Artigo 261 e do Código Penal, seja porque as condutas a eles atribuídas não correspondem à figura típica abstratamente prevista na norma [ausência de subsunção do fato ao tipo], seja porque não se encontram no desdobramento causal – normativo ou naturalístico – do resultado”, diz o juiz na sentença. “De acordo com as premissas apresentadas pelo órgão acusatório [MPF], seria possível imputar a responsabilidade penal pelo sinistro ocorrido em 17 de julho de 2007 a um contingente imensurável de indivíduos, notadamente pela quantidade e pelo grau de desvirtuamento apresentados no curso do processo”. No mês passado, o TRF manteve a decisão de primeira instância e a absolvição dos réus.
Apesar da demora e da absolvição dos réus nas instâncias iniciais, as famílias ainda acreditam em condenação. “A esperança é que esse quadro seja revertido. Para nós, familiares, essas três pessoas que são réus no processo criminal, tem responsabilidade por expor a aeronave a risco. O que a gente espera é que isso [a absolvição] se reverta e tenha uma punição. Tem que ter”, ressaltou Dario Scott.
“Essa questão, eu digo para as famílias, não terminou. Tenho convicção de que a Justiça ainda dará uma resposta ao recurso pendente de apreciação. Tenho a firme convicção de que nós teremos uma resposta positiva da Justiça com a responsabilização penal daqueles que atuaram, eu insisto, não dolosamente, mas daqueles que colaboraram para esse tipo de evento”, disse Sarrubbo.
O advogado que defende as famílias também espera pela reforma da sentença nas instâncias superiores e na punição aos culpados pelo acidente.
“Continuo entendendo que, na realidade, quando o avião se chocou com o prédio da TAM, ali não foi o início da tragédia. Ali foi o fim da tragédia. O início da tragédia foi a autorização do pouso [no aeroporto de Congonhas]. Essa autorização, nas circunstâncias da pista, nas circunstâncias do avião, naquele momento chuvoso, com pista escorregadia, o avião com o reverso pinado, voo lotadíssimo, não deveria ocorrer. Algumas pessoas deveriam garantir que isso não ocorresse e terminaram não cumprindo com seus deveres”, disse o advogado da família, Ronaldo Augusto Bretas Marzagão, que era Secretário de Segurança Pública de São Paulo na época do acidente.
De acordo com o advogado, “a luta continua”. “Se ainda tivermos recursos para as cortes superiores, o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal, continuaremos lutando porque estamos lutando em nome da memória de 199 pessoas mortas. E também estamos lutando para que o Brasil, alertado por essa tragédia, trabalhe incessantemente para que ela não mais ocorra.”
Histórico
Eram aproximadamente 18h48 do dia 17 de julho de 2007 quando o Airbus A 320 da TAM, que vinha do aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, tentou pousar no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. A pista estava molhada e, por causa de uma reforma recente, não tinha grooving (ranhuras, que facilitam a frenagem do avião). De acordo com as investigações, por um erro no posicionamento dos manetes, que determinam a aceleração ou reduzem a potência do motor, a aeronave não parou. Um dos manetes estava na posição de ponto morto (idle), mas o outro em posição de aceleração.
O airbus atravessou a pista, passou sobre a Avenida Washington Luís e bateu num prédio de cargas da própria companhia, provocando a morte de 199 pessoas.
A situação da pista gerava, segundo investigação do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea, uma certa preocupação e desconforto para os pilotos que tinham que pousar em Congonhas, principalmente quando chovia, como era o caso do dia do acidente.
Além disso, segundo o relatório do Cenipa, que investigou todas as causas do acidente e apontou uma série de recomendações para prevenir futuros acidentes, outro problema foi que o avião operava com um reverso (sistema de freio aerodinâmico do motor) desativado (pinado), o que exigiria mais pista para parar a aeronave.

14 de jul de 2017

Novas TVs OLED da LG chegam ao Brasil

Novas TVs OLED da LG chegam ao mercado brasileiro neste mês (Crédito:Divulgação/LG)
A LG anunciou nesta quarta-feira (12) a chegada de novos modelos de sua linha de TVs OLED. Os aparelhos têm resolução 4K e, segundo o fabricante, podem reproduzir 64 vezes mais cores do que uma TV convencional. Ambos os aparelhos têm apenas 2,57 milímetros de espessura.
A tecnologia OLED
A tecnologia OLED é considerada por especialistas superior ao LED, usado na maioria das TVs atuais. Até alguns anos atrás, a fabricação de painéis OLED em tamanho grande era complexa, e as telas OLED eram usadas apenas em smartphones de ponta. Mais recentemente, avanços na fabricação dos painéis OLED permitiram que eles fossem usados em TVs. Mas elas ainda são mais caras do que os aparelhos com tela LED ou QLED.
Os aparelhos
O modelo OLED65E7 tem tela de 65 polegadas e conta com uma base de alto falantes de para uma experiência sonora mais potente. O outro modelo lançado pela LG tem tela de 55 polegadas.
Ambos os modelos vêm com o sistema web OS 3.5, plataforma de TV inteligente usada pela LG em seus televisores. Toda a linha OLED 2017 acompanha o controle Smart Magic. Com ele basta apontar e clicar para controlar seu TV.
Os preços dos aparelhos são de R$ 10.999 (55 polegadas) e R$ 29.999 (65 polegadas).

13 de jul de 2017

Certificação do aeroporto de Jeri será publicada hoje

Ainda ontem, a Avianca entrou em contato com o DER para falar sobre a possibilidade de atuar em Jeri e em Aracati
Terminal aeroviário foi inaugurado no dia 24 de junho, com a chegada do voo charter da Gol em parceria com a CVC ( Foto: Helene Santos )
Quase 20 dias após a chegada do primeiro voo - charter - ao Aeroporto Regional Comandante Ariston Pessoa, em Jericoacoara, mais um capítulo é escrito na história do terminal cearense recém inaugurado. Segundo revelou ontem (12) o governador do Estado, Camilo Santana, em sua conta no Facebook, a edição de hoje (13) do Diário Oficial da União (DOU) deve trazer, finalmente, a certificação do equipamento pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), necessária para que possam ser operados voos comerciais.
Com a certificação, outras empresas devem manifestar interesse em operar no terminal, de acordo com o assessor de infraestrutura aeroportuária do Departamento Estadual de Rodovias (DER), coronel Paulo Edson Ferreira. Ainda na tarde dessa quarta-feira, a Avianca entrou em contato para uma conversa inicial sobre a possibilidade de atuar nos aeroportos de Jericoacoara e também de Aracati, cuja solicitação de certificação já foi realizada junto à Anac.
Gol, que fez o voo inaugural até o terminal aeroviário, e Azul, que recentemente adiou o seu primeiro voo fretado que fará o trecho Recife-Jericoacoara para o dia 23 deste mês, também já solicitou, ainda no início deste ano, permissão para operação regular no aeroporto.
"Sem o voo charter, o Aeroporto de Jeri só podia receber voo charter, sendo permitido apenas um por semana. Agora ele está totalmente preparado para receber os voos comerciais. A companhias, agora, não precisam mais esperar voos charter", destacou Paulo Edson Ferreira.
Interesse
O assessor de DER disse ainda que, agora, com a aprovação da Anac, "a conversa com as aéreas vai ser mais clara e mais técnica". "Ainda vamos trocar informações técnicas e vamos ver se a gente consegue implementar esses voos em Jeri e em Aracati". A Latam Airlines também já havia manifestado interesse em atuar no Aeroporto de Jeri.
A certificação da Anac, no entanto, não significa aprovação imediata das frequências. De acordo com a Anac, os pedidos da Azul seguem em análise e não há um prazo específico para que a liberação ocorra. Conforme o órgão, isso também depende muito da entrega de toda a documentação necessária pela própria companhia aérea.
Procurada ontem pela reportagem, a Azul, por sua vez, preferiu esperar que a publicação saia para se posicionar sobre o assunto. A empresa aguarda a liberação do voo charter entre Recife, em Pernambuco, e Jericoacoara e também a aprovação de uma frequência regular entre Campinas, em São Paulo, e o destino turístico cearense.
A revelação sobre a certificação do equipamento foi feita ao chefe do executivo estadual durante reunião com o ministro dos Transportes, Maurício Quintella, ontem, em Brasília, aonde Camilo cumpriu agenda.

12 de jul de 2017

Os passageiros sumiram

Crise econômica impõe ao setor aéreo a maior crise em mais de uma década e obriga companhias a repensarem o modelo de negócios para diminuir prejuízos

Crédito: Filipe Frazão
ÀS MOSCAS Terminal vazio no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo: a classe C deixou de voar (Crédito: Filipe Frazão)
Foi-se o tempo em que as áreas de embarque dos aeroportos ficavam lotadas. Pessoas de todas as classes sociais aguardavam para levantar voo e explorar destinos nacionais e internacionais. Nos últimos anos, milhões de brasileiros trocaram os terminais rodoviários pelos aeroportos, atraídos pelas vantagens e preços acessíveis oferecidos pelas companhias. A crise econômica, porém, acabou com a festa. O setor aéreo enfrenta agora grave turbulência – a mais séria em 11 anos. De acordo com um relatório da Agência Nacional de Avião Civil (Anac), em 2016 o número de viajantes caiu 6,9%, considerando trajetos nacionais e internacionais, no pior resultado desde 2007. Para se ter ideia, 117,7 milhões de pessoas foram transportadas em 2015, um recorde histórico. No passado, foram 109,6 milhões, o que significa que 7,5 milhões de pessoas deixaram de voar. “A recessão e a queda no poder de compra dos brasileiros afetaram drasticamente a aviação, e a perspectiva é de que não haverá retomada nos próximos meses”, afirma Eduardo Sanovicz, presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).
NOVAS ESTRATÉGIAS

O fim dos anos de ouro para o setor aéreo se deve, principalmente, à queda do poder aquisitivo da classe C, que nos anos anteriores representava parte significativa da demanda por viagens de lazer. Além disso, as viagens de negócios, que correspondem a dois terços do total, também vêm caindo. “A busca do público de lazer foi afetada pelos altos índices de desemprego e a procura das empresas caiu por causa da recessão”, afirma Sanovicz. “Se o ambiente de negócios brasileiro não está favorável, as companhias colocam o pé no freio e evitam viagens corporativas.” O resultado é uma queda também na oferta. A quantidade de voos domésticos encolheu 11,4% e os internacionais, 7,9%. Outra dificuldade que historicamente atinge o setor é a cobrança de impostos sobre o combustível das aeronaves brasileiras. Funciona assim: 35% do preço da tarifa correspondem ao valor do combustível das aeronaves. O que eleva esse percentual é a cobrança do ICMS no estado de origem e de destino. Em outros países, a cobrança do ICMS é unificada, o que torna a tarifa mais acessível. “Isso é o que faz uma passagem ser mais barata para fora do País do que para o Nordeste, por exemplo”, diz Sanovicz.
As companhias aéreas foram obrigadas a fazer ajustes para acompanhar a mudança do cenário. No ano passado, a TAM reduziu entre 6% e 9% a oferta de assentos em voos nacionais. Na Azul, o índice foi de 7%, enquanto na Gol a queda ficou entre 4% a 6%. Já a Avianca declarou que faria eventuais ajustes na oferta, dependendo do comportamento do mercado. “Foram feitos ajustes de malha e corte de custos em todas as áreas, com exceção de manutenção e segurança”, afirma Sanovicz. Além da revisão dos custos, algumas companhias desenvolveram novas estratégias para evitar o prejuízo. “Como elas não podem aumentar as tarifas de uma só vez, o que configura crime, criam mecanismos como a cobrança pelo despacho da bagagem”, diz Jorge Leal Medeiros, professor de Transporte Aéreo da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). Firmar parcerias com empresas internacionais também é uma forma de não depender do mercado nacional retraído. “Para não ter aviões parados, as companhias colocam as aeronaves à venda ou para arrendamento”, afirma Medeiros.
Para reverter prejuízos, companhias aéreas diminuíram a frota, cortaram custos e investiram em parcerias internacionais
Uma decisão considerada acertada partiu da Azul, que transferiu 17 aviões de sua frota para a portuguesa TAP. A medida faz parte de um processo de redução de voos pelo Brasil. Embora as duas empresas funcionem separadamente, ambas são controladas pelo empresário David Neeleman e estão em processo de integração. A Azul também vem apostando em aviões de pequeno porte para rotas nacionais. “É uma forma de aumentar a capilaridade no mercado doméstico e economizar com a tripulação”, diz o especialista da USP. A Avianca, por sua vez, substituiu as aeronaves modelos Fokker por Airbus. “Eles são um pouco maiores, mais modernos e consomem menos combustível”, afirma Medeiros. Outra mudança que surpreendeu o mercado foi a queda do número de passageiros para os Estados Unidos, destino mais procurado pelos brasileiros. Eram 5,3 milhões de viajantes em 2015 e foram 4,4 milhões no ano passado. Em contrapartida, o volume para a Argentina cresceu 11,4% no mesmo período. A forma como as companhias devem driblar os efeitos da crise dependerá, segundo especialistas, da gestão e também de subsídios dos governos, como a redução do ICMS. Só assim o setor deixará de amargar prejuízos e voltará a decolar como antes.
INTEGRAÇÃO Dono da Azul e da Tap, o empresário David Neeleman aposta em aviões de pequeno porte para ganhar mercado no Brasil (Crédito:Rodrigo Dionisio)

10 de jul de 2017

O destino de Aécio

Absolvido no Conselho de Ética, o tucano planeja agora trabalhar por uma candidatura a deputado federal por Minas Gerais em 2018, adiando o sonho da Presidência

Crédito: Marcelo Camargo/EBC/FotosPúblicas
NOVO RUMOAécio livrou-se de perder o mandato. Agora, refaz planos (Crédito: Marcelo Camargo/EBC/FotosPúblicas)
A fastado em maio do cargo de senador da República, Aécio Neves mal saía de sua casa em Brasília, no Lago Sul, onde mora com a mulher, Letícia, e seus dois filhos. Além da família, só quem privava de sua intimidade eram alguns amigos e correligionários. Viajava pouco e, quando o fazia, evitava vôos comerciais. Vinha dedicando-se à sua estratégia de defesa e a retirar a irmã Andrea Neves da prisão preventiva. Após a temporada de desalentos, o jogo começou a virar para o tucano. Se não executou uma guinada de 180 graus, ao menos ganhou um importante fôlego. Na última semana, comemorou a decisão do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizando seu retorno ao Senado. Ato contínuo, subiu à tribuna da Casa dizendo-se arrependido por ter se deixado “enganar” pela “trama ardilosa” do empresário Joesley Batista, da JBS. Na quinta-feira 6, depois de uma articulação envolvendo até integrantes do PT, conseguiu se livrar de encrencas no Conselho de Ética. O colegiado decidiu arquivar o pedido de cassação de seu mandato. Agora, o senador pretende imprimir novos rumos ao barco agitado que foi sua vida.
O objetivo mais premente será enfrentar os seis inquéritos e a denúncia em tramitação contra ele no STF. Todos os esforços estão empenhados no sentido de permanecer como ficha-limpa, pois seu mandato termina em 2018, e ele quer concorrer a uma nova cadeira: a de deputado federal por Minas Gerais. Aécio, que quase se elegeu presidente da República em 2014, obtendo 48,3% dos votos no segundo turno contra Dilma Rousseff, está convencido de que não tem mais condições de ser conduzido ao Senado. Por isso, alimenta planos mais modestos. Antes mesmo da delação de Joesley Batista, pesquisas encomendadas pelo senador já apontavam o desgaste de seu nome. De acordo com os levantamentos, em meio a suspeitas de caixa dois, o tucano acabou entrando para o rol de políticos que passaram a ser rejeitados pela população – por mais que lutasse para tentar demonstrar a diferença entre doação não declarada para campanha e recebimento de propina.
Inflexão

Por isso, além de rebaixar um degrau em sua trajetória política, a partir da decisão de concorrer à Câmara, Aécio também pretende promover uma inflexão em seu modo de atuação. Segundo interlocutores, o Aécio combativo sairá de cena para dar lugar ao político “paz e amor”. A raiz dessa nova roupagem é o instinto de preservação. A ideia é manter a discrição, submergir por um tempo e evitar embates acalorados capazes de lhe criar embaraços.
Não significa, porém, que o tucano tenha perdido a ascendência sobre o PSDB, nem que ele vá abrir mão de suas prerrogativas. Dessa forma, até agosto, quando terminar o recesso, a intenção é que nada mude: ele se manterá na condição de presidente licenciado do PSDB e o senador Tasso Jereissati (CE), como interino. Apesar dos percalços, Aécio ainda é, entre as lideranças do PSDB com alcance nacional, aquele que possui mais laços com o tucanato. Mesmo debilitada, a proverbial capacidade de articulação política de Aécio joga a seu favor na correlação de forças interna. Os tucanos ainda reconhecem nele, enquanto presidente da legenda, características das quais seus antecessores se ressentiam. Sobretudo no que diz respeito à combatividade ao PT, ao poder aglutinador, refletido inclusive no time de colaboradores que montou, e ao resgate de bandeiras históricas do PSDB, em especial a do liberalismo econômico. Para aliados, a despeito da escalada desfavorável, nem tudo está perdido. O tempo dirá.
O itinerário do tucano
• O senador Aécio Neves (PSDB-MG) responde a seis pedidos de investigação no STF por ter tido seu nome envolvido em delações premiadas da Odebrecht e da JBS
• Em junho último, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu que o STF abrisse novo inquérito contra ele por corrupção e obstrução de Justiça no caso da JBS
• Aécio foi gravado pelo dono da JBS, Joesley Batista, pedindo R$ 2 milhões para pagar advogados
• A PGR pediu que o senador fosse preso e afastado do cargo. Aécio ficou suspenso do Senado por um mês, mas já foi autorizado pelo STF a voltar à função. O pedido de prisão ficou para ser analisado em agosto
• Ele foi afastado da presidência nacional do PSDB
• O Conselho de Ética do Senado arquivou a petição de cassação de seu mandato
• Deve ser candidato a deputado federal por MG

31 de mai de 2017

MPF fecha delação que pode derrubar Lula

João Alberto Lovera trabalhou por 31 anos na Odebecht

O Ministério Público Federal acaba de fechar um acordo de leniência com João Alberto Lovera, ex-gerente administrativo e financeiro da Odebrecht.
Lovera diz que a empreiteira comprou um terreno para que fosse construída a nova sede do Instituto Lula. A ordem teria partido do presidente da empresa, Marcelo Odebrecht.
Este acordo foi incluído só agora na leniência feita entre a Odebrecht e o Ministério Público Federal. Dessa forma, Lovera não faz parte dos 77 delatores que trabalharam na empresa. 
Lovera afirma que visitou o terreno em julho de 2011 acompanhado de Lula, a ex-primeira-dama Marisa Letícia e Paulo Okamotto.
A compra deste local teria acontecido com recursos do Setor de Operações Estruturadas, como era chamado o departamento responsável pela distribuição de propina da empreiteira. 
“… firmando o compromisso de dizer a verdade, passa a detalhar o que se segue: que no segundo semestre de 2010, teve conhecimento de que houve solicitação de Marcelo Odebrecht a Paulo Ricardo Baqueiro de Melo, para que adquirisse imóvel destinado à construção da futura sede do Instituto Lula”, diz trecho do termo de adesão de Lovera.
O depoimento prossegue: Lovera relata que em 2010 acompanhou Paulo Melo (executivo regional da Odebrecht Realizações Imobiliárias e Participações, conhecida como OR) num encontro com Roberto Teixeira, apontado como advogado do Instituto Lula. 
A Odebrecht, então, teria dado parecer contrário à compra do terreno devido a pendências judiciárias do local. “…. algum tempo depois, soube por Paulo Melo que o referido imóvel seria adquirido pela empresa DAG…”, disse ele ao MPF. Posteriormente, o local seria passado ao Instituto Lula.
“… em julho de 2011, juntamente com Paulo Melo, acompanhou uma visita ao terreno da qual participaram o ex-presidente Lula, bem como sua esposa, Marisa Letícia, Paulo Okamotto….”, disse o MPF.
“… algum tempo depois dessa visita, soube que o cliente desistiu da aquisição do terreno….”
“por conta disso, soube que a OR pesquisou uma série de outros imóveis para o Instituto Lula. Que, com relação ao imóvel da Rua Haberbeck Brandão, esse foi posteriormente adquirido pela OR….”

29 de mai de 2017

Segurança de 'presídio Vip' onde está Cabral é vulnerável, apontam agentes

Muro dá acesso a terraços de residências. Dois portões separam unidade da rua e há espaço para pouso de helicóptero. Ex-governador e outras 145 presos foram transferidos para ex-Bep da PM

Cabral foi transferido ontem para a unidade prisional reformada Márcio Mercante / Agência O Dia
Rio - O ex-governador Sérgio Cabral foi transferido ontem com outros 145 presos do Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste, para a Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte. Em sua nova morada funcionava, até 2015, o Batalhão Especial Prisional (BEP) da Polícia Militar — unidade famosa pelas mordomias concedidas aos internos e desativada após uma juíza da Vara de Execuções Penais (VEP) ter sido agredida durante vistoria.
De acordo com agentes penitenciários, o local é mais vulnerável do que o presídio de Bangu, onde os presos estavam. “Ao contrário de Gericinó, que tem três portarias fortificadas até chegar aos presídios, no local onde Cabral está só existe um portão para a rua antes da porta de entrada para a unidade”, afirmou um inspetor, que pediu anonimato.
Em 2004, criminosos abriram o portão com o uso de explosivos e entraram no local, que era ainda a Casa de Custódia de Benfica. Na ocasião, 14 presos foram resgatados. Os internos restantes realizaram rebelião, que resultou na morte de 34 pessoas. Como o pátio do estacionamento é grande houve espaço para um helicóptero, que conduzia o pastor Marcos Pereira, pousar. Agentes que trabalham no local souberam da transferência do ex-governador só ontem e afirmaram que a cadeia não oferece segurança. “É mais do que um absurdo o Cabral estar aqui. Ele tinha que estar junto com o Fernandinho Beira-Mar em um presídio de segurança máxima”, opinou um agente.
Tentativas de evitar a transferência de Cabral e de outros presos das operações Lava Jato e Calicute para o antigo BEP não faltaram. O promotor André Guilherme Freitas, Execução Penal, entrou com uma ação popular em março solicitando que a transferência fosse suspensa. Freitas já tinha pedido antes a mudança de custódia de Cabral para Curitiba, após constatar que ele recebia visitas irregulares.
Na ação, o promotor sustentou que a cadeia “possui estrutura diferenciada e deficitária, com maior dificuldade de fiscalização (...) São presumíveis e evidentes vantagens ilícitas que serão viabilizadas aos futuros internos”. Ele chegou a chamar a unidade de “presídio vip da Lava Jato”. Na semana passada, uma cópia da ação popular foi enviada à VEP que determinou, em seguida, que câmeras fossem instaladas. A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) acatou a ordem.
Apesar da reforma de R$ 26 mil no presídio para receber os novos internos, não houve obras externas para reforço da segurança.
O portão da unidade, que já foi a Casa de Custódia de Benfica, foi derrubado por explosivos em 2004 Rafael Nascimento / Agência O Dia
O chão do pátio do banho de sol é de areia, que possibilita a ocultação de objetos. Somente um muro o separa da rua. A escada em que os presos transitam é externa, sendo apenas gradeada. Do topo da escada, é possível acessar o teto da unidade que, por sua vez, dá acesso à via pública. Além disso, ao lado de um dos muros há residências. Em 2014, o miliciano Carlos Ribeiro fugiu após pular para o teto de uma igreja, colado com o muro do então Bep.
Nova ala tem três galerias com 162 vagas
A cela onde Cabral está custodiado fica no segundo piso da unidade e tem 16 metros quadrados. A nova ala tem 162 vagas: são três galerias com nove celas cada uma. Cada cela tem capacidade para três beliches e possui colchões que foram usados por atletas nos Jogos Olímpicos. Ontem foram levados para lá 53 presos com curso superior, incluindo Cabral e outros alvos da Lava Jato, além de 93 que não pagaram pensão alimentícia.
No local, cada detento também terá direito a uma tomada, poderá levar ventilador e terá espaço equipado para TV de, no máximo, 14 polegadas. A cela tem banheiro com vaso sanitário, pia e chuveiro.
Na reforma, foi utilizada verba do Fundo Especial Penitenciário e mão de obra de presos de regime semiaberto. De acordo com a Seap, 53 câmeras irão monitorar a unidade.
Vizinhos da cadeia reclamam
“O dinheiro que gastaram na reforma desse presídio para receber o Cabral deveria ser gasto com a saúde que está falida no estado”, disse Maria da Paz, 60 anos, comerciante e moradora de Benfica e vizinha da cadeia desde 1985.
João Brás, 62, tecelão, acredita que Cabral terá regalias. “É uma falta de respeito com a sociedade. Ele roubou tanto, acabou com o estado e agora vem pra cá. Aqui ele terá uma mordomia imensa”, opinou.
A mesma opinião possui Adriana Cunha, 46. “Moro em Benfica há anos. Cabral vai comer e beber de graça e vai continuar a gastar o dinheiro do pobre trabalhador que ele roubou”, disse. “É tão ladrão como um traficante. Sou funcionária pública e estou há três meses sem receber”, reclama Tereza Cristina Amorim, 53.
Com o estagiário Rafael Nascimento

23 de mai de 2017

Lula é denuciado em inquérito por sítio de Atibaia

MPF, em Curitiba, acusa petista por suspostos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro das empreiteiras Odebrecht e OAS

Brasília - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi denunciado, nesta segunda-feira, pela sexta vez — a terceira na Lava Jato. O Ministério Público Federal (MPF), em Curitiba, acusou o petista dos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no inquérito que apura recebimento de propina da Odebrecht e OAS em troca de benfeitorias no Sítio Santa Bárbara, em Atibaia(SP).
Lula já é réu em cinco ações penais — duas delas na Lava Jato. Nesta segunda, a força-tarefa acusou também o ex-presidente de estruturar, orientar e comandar esquema ilícito de pagamento de propina em benefício de partidos, políticos e funcionários públicos na Petrobras. A defesa do petista afirmou que a denúncia contém “acusações frívolas e com objetivo de perseguição política”.
Lula: para a defesa, MPF quer dar sustentação à 'tese do Power Point' Agência Brasil
O petista também é apontado como o responsável por chefiar uma estrutura de captação de apoio parlamentar em troca de distribuição de cargos quando era presidente, entre 2003 e 2010. Segundo o MPF, o esquema foi organizado por Lula na Petrobrás com as nomeações de Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Nestor Cerveró em diretorias da estatal.
A acusação apontou o pagamento de propina de R$ 128 milhões pela Odebrecht, em quatro contratos assinados com a estatal, e R$ 27 milhões pela OAS, em três contratos. Segundo os procuradores, os repasses ilícitos foram feitos a partidos e políticos da base de Lula, como PT, PP e PMDB. Para o MPF, parte do valor, estimado em R$ 870 mil, foi usado no sítio de Atibaia para atender a pedidos do ex-presidente.
O MPF acusou o petista de usar o dinheiro para realizar reformas, construir anexos e efetuar outras benfeitorias no sítio de Atibaia, para adequá-lo às necessidades de sua família. A denúncia tratou também da realização de melhorias na cozinha do sítio e a aquisição de móveis.
De acordo com a denúncia, também houve lavagem de dinheiro em uma parte dos valores de propina oriunda dos crimes de gestão fraudulenta, fraude à licitação e corrupção na contratação da Sonda Vitória 10000 da Schahin pela Petrobrás. Com esses recursos ilícitos, segundo o MPF, por intermédio de José Carlos Bumlai, foram realizadas reformas e acabamento no sítio de Atibaia.
O advogado do ex-presidente Lula, Cristiano Zanin Martins, afirmou, em nota, que a denúncia "buscou dar vida à tese política exposta no PowerPoint de Deltan Dallagnol, par, sem qualquer prova, atribuir a Lula a participação em atos ilícitos, envolvendo a Petrobras, que eles jamais cometeu".

22 de mai de 2017

Ministros e aliados de PSDB e DEM foram a reunião com Temer

Encontro no Alvorada reuniu ministros tucanos, presidentes de PSDB e DEM, senadores e deputados. Temer voltou a criticar delator e fez apelo por reformas

Quatro dias após as primeiras informações da delação do empresário Joesley Batista, o presidente Michel Temer se reuniu na noite deste domingo, no Palácio da Alvorada, com ministros e líderes do governo no Congresso Nacional. O objetivo da reunião, considerada informal por aliados, foi discutir a crise política deflagrada depois que vieram a tona as delações premiadas dos executivos da JBS, que envolvem a gravação de uma conversa entre Temer e Joesley.
Durante o encontro, o presidente voltou a afirmar que não vai renunciar e fez críticas ao seu delator. Em um apelo, pediu para que Congresso não fique paralisado pela crise e mantenha as votações previstas.
Os ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha; da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco; da Fazenda, Henrique Meirelles; da Integração Nacional, Helder Barbalho; e do Trabalho, Ronaldo Nogueira, participaram do encontro.
O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB), chegou ao Alvorada por volta de 20h, assim como o líder do governo no Congresso, André Moura (PSC-SE). Segundo Moura, o fato de o Planalto ter agendado inicialmente um jantar com lideranças partidárias não foi um recuo.
“Trata-se de uma reunião como as demais e que têm ocorrido desde quarta-feira. No momento certo, vamos convocar a base para uma reunião formal”, afirmou, sem informar a data.
Representantes do primeiro escalão do PSDB também estão no Palácio da Alvorada, apesar de algumas ameaças de que o partido deixaria a base do governo: os ministros Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo), Aloysio Nunes (Itamaraty) e Bruno Araújo (Cidades). O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), novo presidente nacional da legenda, também participa da reunião.
Mais cedo, senadores e deputados tucanos cancelaram um encontro apenas com integrantes da legenda que estava marcado para a tarde deste domingo. As revelações da JBS levaram o senador Aécio Neves (MG) a ser afastado do mandato pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e, mais tarde, da presidência do partido.
Embora o PSB tenha decidido romper com o governo e defender eleições diretas para a Presidência, o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, filiado à legenda, uniu-se a Temer e os demais colegas. De acordo com relato de parlamentares que participam da conversa, o presidente nacional do DEM, o senador José Agripino Maia (RN), também está presente.
Os líderes do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), também participaram da reunião, assim como o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), a senadora Rose de Freitas (PMDB-ES) e alguns deputados peemedebistas. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que esteve com Temer pela manhã, no Palácio do Jaburu, não foi no Alvorada.
Depois da reunião, André Moura afirmou que “depois de tudo isso que aconteceu, em termo de união da base, o presidente saiu fortalecido. A classe política se uniu em torno do presidente”.
Ele questionou as circunstâncias em que o empresário Joesley Batista gravou a conversa com Temer, e classificou a atitude como muito “grave”. “Se fizeram isso com o presidente, imagina o que não podem fazer com cada um de nós?”, declarou.
(com Agência Brasil e Estadão Conteúdo)

19 de mai de 2017

Exército ensaia plano contra invasões no Planalto

Batalhão da Guarda Presidencial fez treino para conter invasões à sede da Presidência após delação da JBS citar Temer

O Batalhão da Guarda Presidencial do Exército, responsável pela segurança do Palácio do Planalto, ensaiou nesta quinta-feira detalhes de um plano contra invasões de manifestantes. O “Plano Scooby” consiste em conter invasores que consigam furar os bloqueios e ultrapassar as grades de segurança que isolam a sede da Presidência da República, em Brasília.
Dezenas de militares fardados e agentes vestidos de terno receberam armamento menos letal – escopetas carregadas com balas de borracha, cassetetes e cilindros portáteis com spray de pimenta. A preparação começou na noite de quarta-feira, depois da revelação de trechos da delação dos donos do frigorífico JBS – o presidente Michel Temer foi gravado por Joesley Batista dando aval a pagamentos para calar o ex-deputado Eduardo Cunha, preso e condenado na Operação Lava Jato. Temer negou o teor do diálogo.
A ordem é agir em legítima defesa e reagir agressões de imediato no mesmo grau de força usando o armamento que estiver disponível – e não em escala progressiva, do meio mais brando ao mais contundente. Os agentes foram alertados para golpear com os bastões de baixo para cima ou em estocadas, e não de cima para baixo por causa dos fotógrafos. “Não vamos usar o bastão de cima para baixo porque fica muito feio na foto. Vai aparecer na foto de qualquer jeito, mas fica mais discreto”, orientou um oficial.
A maior preocupação é com a rampa do Palácio do Planalto, ponto que daria acesso direto ao segundo andar da Presidência, e com o parlatório. As duas guaritas de estacionamento ficaram guarnecidas permanentemente pelo choque, desde a noite desta quarta.
Conforme o protocolo de segurança, a tropa de choque do Batalhão da Guarda Presidencial, armada com escudos, capacetes e cassetetes, fica posicionada sempre em linha ao longo do prédio, com uma formação de agentes de terno, à paisana, postados a dois braços de distância à frente, formando duas barreiras humanas paralelas. A primeira linha de agentes nunca deverá ficar a menos de dois metros das grades, para evitar proximidade com os manifestantes que possa levar a provocações ou contato físico. Caso alguém tente pular as grades, deverá ser combatido primeiro com spray de pimenta e, se conseguir passar, contido pelos agentes. Soldados fardados armados com munição de borracha estão dispersos em diferentes pontos estratégicos do palácio presidencial.

18 de mai de 2017

STF afasta Aécio Neves do cargo e determina prisão de irmã

Senador foi flagrado em gravação pedindo 2 milhões de reais; Andréa Neves, irmã do parlamentar, foi presa na manhã desta quinta-feira em Belo Horizonte

O ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) sejam imediatamente afastados de seus mandatos parlamentares. A decisão de Fachin se assemelha à tomada pelo ministro Teori Zavascki em 2016, quando foi determinado o afastamento do então deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Os mandados são cumpridos no gabinete do presidente do PSDB e na na casa do parlamentar em Brasília. A irmã de Aécio, Andréa Neves, foi presa na manhã desta quinta em Belo Horizonte, informou a VEJA o advogado criminalista Alberto Toron. A prisão preventiva de Andrea Neves foi autorizada pelo ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF).
A operação desta quinta-feira foi batizada de Patmos, em referência à ilha grega onde o apóstolo João teria escrito o Livro do Apocalipse.
Segundo o empresário Joesley Batista, que fechou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República, ao lado de seu irmão Wesley Batista e outros cinco executivos da JBS, Aécio pediu 2 milhões de reais para supostamente custear a defesa dele na Operação Lava Jato.

De acordo com O Globo, que revelou a delação premiada nesta quarta-feira, o presidente do PSDB teria dito ao empresário que o valor custearia o trabalho do advogado Alberto Zacharias Toron. A conversa teria durado 30 minutos e foi gravada em um hotel em São Paulo.
“Se for você a pegar em mãos, vou eu mesmo entregar. Mas, se você mandar alguém de sua confiança, mando alguém da minha confiança”, teria dito Joesley ao tucano. “Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho”, teria respondido Aécio, em uma suposta referência a seu primo Frederico Pacheco de Medeiros.
Ainda segundo a publicação, o dinheiro foi entregue em quatro parcelas de 500.000 reais a Medeiros pelo diretor de relações institucionais da JBS, Ricardo Saud. Uma das entregas teria sido filmada pela Polícia Federal, ocasião em que Frederico Medeiros teria repassado o dinheiro a Mendherson Souza Lima, secretário do senador Zezé Perrella (PMDB-MG).
O jornal também informa que a PGR tem indícios de que essa parte do dinheiro não foi destinada ao pagamento do advogado. A PF teria seguido Souza Lima, que fez três viagens de carro a Belo Horizonte para levar a propina. Ele teria remetido os 500.000 reais à empresa Tapera Participações Empreendimentos Imobiliários, de Gustavo Perrella, filho de Zezé Perrella.
Ontem, o perfil de Aécio no Twitter comentou as denúncias feitas pelos donos da JBS.

17 de mai de 2017

Maduro prorroga estado de exceção na Venezuela

Decreto do presidente venezuelano que restringe as garantias constitucionais em todo o território nacional teve início em janeiro de 2016

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, aprovou a nova prorrogação do “estado de exceção e emergência econômica”, que restringe as garantias constitucionais em todo o território nacional desde o início de 2016. O decreto foi justificado como uma medida para “preservar a ordem interna”, segundo publicado nesta terça-feira na Gazeta Oficial.
O decreto permite que Maduro adote “as medidas urgentes, contundentes, excepcionais e necessárias, para assegurar à população o desfrute pleno de seus direitos, preservar a ordem interna, o acesso oportuno a bens, serviços, alimentos, medicinas, e outros produtos e serviços”.
Decretado inicialmente pelo presidente venezuelano em 14 de janeiro de 2016, o estado de exceção deveria durar 60 dias, mas desde então vem sendo prorrogado seguidamente. À época, Maduro disse a ação era necessária para “dar proteção à população diante da guerra econômica declarada pela oposição”. Em março do mesmo ano, ao anunciar a primeira prorrogação, Maduro declarou que pretendia manter a determinação até 2017. “Vou proceder à assinatura de um novo decreto que nos permita durante os meses de maio, junho, julho e toda a extensão que faremos constitucionalmente durante o ano de 2016 e seguramente durante o ano de 2017, recuperar a capacidade produtiva do país”, disse então. Ao estabelecer o estado de exceção e todas as prorrogações, o líder venezuelano atropelou a Constituição e passou por cima da Assembleia Nacional
Escalada da violência
A terça-feira foi marcada por mais um episódio da violenta repressão de Maduro contra a população, que desde o início de abril têm ido às ruas diariamente para exigir eleições, a libertação de ativistas presos, ajuda humanitária estrangeira para amenizar a crise econômica e autonomia para o Legislativo controlado pela oposição. 
A morte de dois manifestantes, de 17 e 33 anos, elevou  para 41 o número de vítimas fatais em seis semanas de protestos contra o presidente venezuelano. O mais jovem, que não teve a identidade divulgada, faleceu durante a madrugada em um hospital público, para onde foi levado depois de ser atingido por um tiro na cabeça. A outra vítima, identificada como Diego Hernández, morreu na segunda-feira, após receber um tiro durante uma manifestação.
(com AFP)

16 de mai de 2017

Ataque virtual com mais de 200.000 vítimas gera temores de “cibercaos”

Ataque virtual com mais de 200.000 vítimas gera temores de “cibercaos”
O ataque, que começou na sexta-feira, deixou 200.000 vítimas, principalmente empresas, em ao menos 150 países - AFP
O ciberataque sem precedentes que atinge mais de 150 países desde a sexta-feira alimenta o temores de recrudescimento do vírus e um “cibercaos” na segunda-feira quando computadores forem ligados, estimam especialistas.
“O último balanço chega a mais de 200.000 vítimas, principalmente empresas, em ao menos 150 países. Realizamos operações contra 200 ciberataques por ano, mas nunca havíamos visto algo assim”, declarou o diretor do serviço europeu de polícia Europol, Rob Wainwright, à rede britânica ITV.
O ataque ocorreu de “forma indiscriminada” e “se propagou muito rapidamente”, acrescentou o diretor da Europol, que teme que o número de vítimas siga crescendo “quando as pessoas voltarem ao trabalho na segunda-feira e ligarem o computador”.
“A partir do momento em que a escala é tão grande, devemos nos perguntar se o objetivo é o cibercaos”, manifestou Laurent Heslault, diretor de estratégias de segurança na empresa de segurança informática Symantec.
A Microsoft alertou os governos neste domingo a respeito do acúmulo de vulnerabilidades em computadores.
“Os governos do mundo devem tratar este ataque como um alerta”, disse o presidente e diretor jurídico da Microsoft, Brad Smith, em uma postagem em que afirma que este é o maior ataque de ransomware já cometido.
Smith ressaltou o perigo de que documentos com informações sensíveis de governos acabem caindo nas mãos de hackers e causando danos generalizados.
“É um cenário equivalente com armas convencionais seria o exército dos EUA terem seus mísseis Tomahawk roubados”, comparou.
Ele ressaltou que a Microsoft está solicitando uma “Convenção Digital de Genebra”, que exigiria que os governos relatassem vulnerabilidades de computadores aos fornecedores, em vez de armazená-los, vendê-los ou explorá-los.
Da Rússia à Espanha e do México ao Vietnã, centenas de milhares de computadores, sobretudo na Europa, estão infectados desde a sexta-feira pelo vírus “ransomware” (de ‘ransom’, resgate em inglês, e ‘ware’ por ‘software’), que explora uma falha nos sistemas operacionais do Windows divulgada nos documentos hackeados da agência de segurança nacional americana NSA.
O vírus bloqueia os documentos dos usuários e os hackers exigem que suas vítimas paguem uma quantia de dinheiro na moeda eletrônica bitcoin (difícil de rastrear) para que possam acessar novamente seus arquivos.
– ‘Poucos pagamentos’ –
Segundo Rob Wainwright, “houve muito poucos pagamentos até agora”, mas não deu valores. De acordo com a Symantec, no sábado ao meio-dia se haviam sido registradas 81 transações no valor total de 28.600 dólares. Posteriormente, a empresa de segurança informática Digital Shadows afirmou que os pagamentos com bitcoin chegaram a 32.000 dólares.
O Departamento de Segurança Interior dos EUA advertiu que “pagar o resgate não garante a restituição dos documentos”. Os hackers pedem 300 dólares (em bitcoin) para cada usuário em troca da devolução dos arquivos.
O ataque perturbou o funcionamento dos hospitais britânicos, das fábricas da Renault, da companhia americana FedEx, do sistema bancário russo ou de universidades de Grécia e Itália, entre outros.
A Europol estimou que nenhum país foi particularmente mais afetado. Insistiu ainda sobre a rapidez com a qual foi propagado o vírus “Wannacry”.
“Começou atacando os hospitais britânicos antes de propagar-se rapidamente pelo planeta. Quando uma máquina está contaminada, o vírus escaneia a rede local e contamina todos os computadores vulneráveis”, explicou o porta-voz da Europol, Jan Op Gen Oorth.
O investigador em cibersegurança britânico de 22 anos que permitiu frear a propagação do vírus alertou neste domingo que os hackers podem voltar à ação mudando o código e que, neste caso, será impossível detê-los.
Os computadores “não estarão seguros até que a correção seja instalada o mais rápido possível”, tuitou em sua conta @MalwareTechBlog.
– ‘Salvou o mundo’ –
A Microsoft reativou uma atualização de determinadas versões de seus programas para enfrentar o ciberataque, que afeta especialmente o Windows XP. O novo sistema operacional Windows 10 não foi atacado.
O investigador, que deseja permanecer no anonimato, foi tratado como um herói que “salvou o mundo” pela imprensa britânica. O jornal Sunday Mail encontrou uma fotografia do jovem, que se dedica ao surfe em seu tempo livre e que vive na casa dos pais, no sul da Inglaterra.
A ministra britânica do Interior, Amber Rudd, advertiu em um artigo publicado no jornal Sunday Telegraph que é possível esperar outros ataques e destacou que “talvez nunca conheçamos a verdadeira identidade dos autores” do ataque de sexta-feira.
“É muito difícil identificar e até mesmo localizar os autores do ataque. Realizamos um combate complicado frente a grupos de cibercriminalidade cada vez mais sofisticados que recorrem à criptografia para dissimular sua atividade. A ameaça é crescente”, ressaltou Rob Wainwright.
O serviço de saúde pública britânico (NHS, que conta com 1,7 milhão de funcionários) parece ter sido uma das principais vítimas e potencialmente é o caso mais preocupante devido ao risco para a saúde dos pacientes.
“A vulnerabilidade dos sistemas de saúde pública de vários países nos preocupa há tempos”, declarou o diretor da Europol. “Entretanto, vimos que poucos bancos foram afetados porque já aprenderam a lição”.

15 de mai de 2017

Culpar dona Marisa, como fez Lula, foi o pior dos artifícios

Culpar dona Marisa, como fez Lula, foi o pior dos artifícios
Quando Marisa Letícia faleceu em fevereiro, vítima de um aneurisma cerebral, Lula transformou o velório da mulher num comício. Ao sapatear sobre o caixão, sacou a frase que ganharia o alto das páginas dos jornais: “Marisa morreu triste por conta da canalhice que fizeram com ela”. A pior das canalhices, no entanto, – se é que houve outras –, seria embrulhada pelo próprio marido três meses depois de sua morte. Um réquiem da desonra. Demonstrando ausência de sensibilidade, um inacreditável senso de oportunismo e um vazio moral estupefaciente, para dizer o mínimo, Lula jogou toda a culpa sobre as tratativas do tríplex no colo de Dona Marisa.
Terceirizar a culpa para alguém que já faleceu, principalmente quando esta pessoa é sua mulher, constitui o cúmulo da apelação. Primeiro porque ela encontra-se impossibilitada de fazer sua defesa. Depois, porque é de uma perversidade sem igual. No dialeto chulo de presidiários, o comportamento de Lula se traduz pela frase: “joga tudo no morto”. No caso, na esposa morta. “As afirmações em relação à Dona Marisa é um tanto triste de se ver feitas”, lamentou o procurador Carlos Fernando dos Santos. Nas redes sociais, a sociedade também reagiu indignada. E com razão.
Para ampliar a gravidade do gesto, trata-se de uma mentira deslavada. Ao transferir o peso da responsabilidade pelas negociações do imóvel à esposa morta, o petista conferiu à companheira de quatro décadas um papel que ela jamais e em tempo algum exerceu: a da mulher que cuida das finanças e do patrimônio do casal. O perfil “Marisa investidora” não guarda qualquer conexão com a realidade. Quando Lula era presidente da República, a entourage do governo fazia questão que Dona Marisa mantivesse uma distância regulamentar do governo e das negociatas – políticas ou não – do marido. A esposa formava a retaguarda afetiva de Lula. Avocou para si a tarefa de cuidar do jardim, plantar horta, de se preocupar com a dieta do marido e cuidar dos filhos e netos. “Vamos, bem. O menino está sem chave”, disse, certa feita, Marisa, interrompendo Lula num churrasco oferecido aos amigos. O casal deixou o evento de mãos dadas para, juntos, abrirem a casa onde moravam ao filho caçula, antes de o petista alcançar o poder. Na última semana, esse elo, definitivamente, foi quebrado. Por Lula. Triste fim.

13 de mai de 2017

As 7 revelações mais curiosas das delações de Santana e Mônica

Dos apelidos de Lula e Dilma a Delcídio e João Santana nus dentro de uma sauna, os momentos mais inusitados dos relatos dos marqueteiros

As delações premiadas do casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura miraram nomes estrelados da era petista no Palácio do Planalto, como os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, e os ex-ministros da Fazenda Antonio Palocci e Guido Mantega, além de prefeitos e senadores do PT que tiveram a assinatura de Santana em suas campanhas.
Além de histórias cabeludas de nomes de peso do petismo, os relatos do casal ao Ministério Público Federal, todos registrados em vídeo, também são pródigos de momentos inusitados e curiosos.
Confira abaixo alguns deles:

PT: Pavarotti e Tia

Mônica Moura relatou ao Ministério Público Federal que João Santana pedia a ela para evitar anotar nomes de políticos em sua agenda. Foi assim que nasceram os apelidos citados pela marqueteira em sua delação premiada: Lula era conhecido entre o casal como “Pavarotti” por ostentar barriga saliente e barba volumosa; Antonio Palocci era chamado de “Mineiro” por sua personalidade discreta; Juscelino Dourado, ex-assessor de Palocci, ficou conhecido como “Madre” por ser “religioso, certinho, tipo coroinha de Igreja”; Guido Mantega acabou infamemente apelidado de “Laticínio” e Dilma Rousseff, nomeada singelamente como “Tia”.

Pelado com a mão no bolso

João Santana narra que, em 2002, o ex-senador Delcídio do Amaral o chamou até sua casa, em Campo Grande (MS), e lá pediu ao publicitário que assumisse o marketing de sua campanha ao Senado. Lá pelas tantas, Delcídio achou por bem convidar Santana a uma visita à sauna da residência, onde poderiam negociar mais à vontade. Foi lá que o então petista, já sem roupas, passou a consultar João Santana sobre como seria sua remuneração. “Talvez ele tivesse receio de que eu pudesse ter alguma coisa para gravar. Ele começou a conversar ‘esse pagamento tem que ser oficial? Não oficial? Qual é o custo?”, relatou.

A secretária paga

Segundo Mônica Moura, a ex-presidente Dilma Rousseff ficou impressionada com os serviços prestados pelo cabeleireiro Celso Kamura durante as eleições de 2010 e, depois de eleita, passou a requisitar a presença dele em Brasília com frequência.
As primeiras quatro diárias de Kamura no Palácio da Alvorada, que custaram 1.500 reais cada, no entanto, não foram pagas nem por Dilma, nem por Mônica, nem pelo sofrido contribuinte brasileiro. De acordo com a delatora, quem coçou o bolso e desembolsou os 6.000 reais foi Marly, uma das assessoras da petista, que tirou o valor das próprias economias.
Responsável pelo custeio dos penteados de Dilma assinados por Celso Kamura entre 2010 e 2014, Mônica garantiu ter reembolsado a funcionária por meio de depósitos bancários.

Um baiano muito suspeito

Mônica Moura e André Reis Santana, funcionário dela e do marqueteiro João Santana, relataram em suas delações premiadas o roubo de uma mala recheada com 1,5 milhão de reais em dinheiro vivo, supostamente pago pela Odebrecht como caixa dois da campanha de Dilma Rousseff em 2014. A bagagem foi roubada de dentro do táxi em que auxiliar dos marqueteiros embarcou depois de coletar a pequena fortuna. Segundo Santana, dois carros interceptaram o táxi e desceram deles homens vestidos de preto. Os bandidos exigiram que ele os acompanhasse e pegaram a mala no porta-malas.
Como o dinheiro havia sido entregue a André Santana em um hotel de São Paulo pelo lobista Fernando Baiano e só os três sabiam da operação, Mônica disse ter desconfiado de uma provável armação de Baiano. Segundo a delatora, o operador a orientou a não comunicar o roubo ao diretor do departamento de propinas da Odebrecht, Hilberto Mascarenhas, e garantiu a ela que o dinheiro seria reposto – o que nunca aconteceu integralmente.

Feira? Eu?

Cliente frequente dos serviços do departamento de propinas da Odebrecht, encarregado de fazer pagamentos de caixa dois pela empreiteira no exterior, Mônica Moura era conhecida dentro da empresa pelo apelido de “Feira”, referência à cidade onde ela nasceu, Feira de Santana (BA), e ao sobrenome de seu marido, o marqueteiro João Santana.
Em sua delação premiada, contudo, Mônica relatou que Fernando Migliaccio, um dos principais operadores dos pagamentos ilícitos da Odebrecht, escondeu dela o significado do apelido nas planilhas de caixa dois da empreiteira.
“‘A gente aqui tem apelidos, Feira é uma modalidade de pagamento. Toda vez que é campanha presidencial, é via Feira, quando é campanha de deputado, que a gente ajuda bastante, tem outra modalidade'”, teria dito a ela Migliaccio, em um encontro em que a mulher de Santana notou a palavra em um documento e quis saber do que se tratava.
Mônica confiava tanto no executivo, responsável pelo envio de milhões de dólares a uma conta mantida pelo casal na Suíça, que duvidou até dos rumos da investigação da Lava Jato, mas jamais da palavra de Migliaccio. “Quando fui presa e comecei a ouvir um burburinho de ‘você é Feira, você é Feira’, eu lembrei disso e pensei ‘gente, isso não é verdade, eles estão indo pelo caminho errado, esse não é o apelido de ninguém'”, relatou.

Iolanda gosta de vinhos e rascunhos

Ao elaborar o codinome do e-mail fictício 2606iolanda@gmail.com, criado para comunicação emergencial entre Dilma Rousseff, Mônica Moura e João Santana, a ex-presidente se inspirou no nome de Iolanda Costa e Silva, mulher do ex-presidente Costa e Silva. Nos e-mails, que nunca eram enviados, mas salvos na página de rascunhos, Dilma se valia de metáforas para informar o casal de marqueteiros sobre o avanço da Operação Lava Jato. “O seu grande amigo está muito doente. Os médicos consideram que o risco é máximo, 10. O pior é que a esposa, que sempre tratou dele, agora está com câncer e com o mesmo risco. Os médicos acompanham os dois, dia e noite”, escreveu a petista ao alertá-los de que a prisão era questão de tempo.
Ainda mais inusitadas que as metáforas dilmistas eram as mensagens mandadas por seus assessores aos celulares de Mônica e Santana como senhas para que eles acessassem o tal e-mail: “Veja aquele filme”, “Gostei do vinho indicado”.

No jardim ninguém ouve

Mônica Moura contou aos procuradores do Ministério Público Federal como Dilma preservava o sigilo ao tratar de assuntos ilícitos no Palácio da Alvorada. Enquanto uns preferem negociatas em saunas, como o ex-senador Delcídio do Amaral, a ex-presidente optava por abordar temas tenebrosos durante passeios sutis no jardim da residência oficial da presidência. “Precisamos manter contato frequente de uma forma segura para que eu lhe avise sobre o andamento da operação [Lava Jato]. Estou sendo informada de tudo frequentemente pelo José Eduardo Cardozo [então ministro da Justiça]”, disse Dilma a Mônica em uma destas caminhadas.