31 de mar de 2011

O MOVIMENTO DEMOCRÁTICO DE 1964

Clube Militar

Apesar da retirada pelo Governo do 31 de Março do calendário comemorativo nacional, a lembrança do glorioso Movimento em defesa da Democracia, desencadeado pelo Povo Brasileiro em 1964, permanece mais viva do que nunca na sua memória.
31 de março de 1964 é a data histórica que marcou um “basta” contra os desmandos e a ausência de autoridade que o próprio Governo instalado patrocinava, com o propósito de levar o País ao caos e ao descontrole institucional.
Tal anarquia atendia à estratégia final que levaria à iminente instalação no País de um regime totalitário-sindicalista com inspiração bolchevista.
Instadas pela própria população, as Forças Armadas assumiram o comando das ações, atuando emergencialmente para restaurar a ordem, e, finalmente, dominar a subversão em todas as formas em que se manifestou.
Daí em diante, o controle do Estado foi definitivamente restabelecido e reorganizada a administração nacional, que alcançou um desenvolvimento sustentado com sucessivos recordes de crescimento econômico.
O tempo passou, muita coisa aconteceu nesses quarenta e sete anos, quase meio século, e o País recebeu, entre outros, um excepcional legado de infra-estrutura básica, adquirindo, desse modo, energia para garantir a continuidade do progresso econômico.

Infelizmente, uma parcela de inconformados ainda trabalha negativamente, tentando alcançar os mesmos objetivos retrógrados do passado.
Assim, nuvens negras voltam a pairar, ameaçadoramente, nos nossos horizontes.
Eles, hoje, atuam de forma diferente. Não, pela ameaça do terrorismo ou das guerrilhas e, sim, pela letra do manual “gramsciano” – passo a passo – com paciência e perseverança, procurando anestesiar a opinião pública por meio do favorecimento financeiro e da propaganda insidiosa.
Essa estratégia de “aparvalhamento” da Sociedade apresenta-se com as seguintes faces:


- Ocupação dos cargos públicos (e muitos privados), em todos os níveis, por militantes do partido do Governo;
- Suborno coletivo com dinheiro público, mormente, junto às populações menos favorecidas e sem acesso à informação de qualidade;
- Propaganda governista, por parcela da mídia mercenária, no rádio, nos jornais, na televisão e no cinema.
- Atuação no setor educacional pelo controle dos currículos e dos livros didáticos, incluindo, aqui, a sutil penetração nos estabelecimentos militares de ensino;
- Uma fraca oposição político-parlamentar, caracterizando a figura do “partido único”.

Todo esse aparato, dirigido pelo comando centralizado de uma minoria atuante, tem transformado o regime brasileiro em autêntica ditadura, travestida de democracia virtual.
Dentro desse quadro, as Forças Armadas, como Instituição não cooptável por tais manobras, passaram a ser alvos de irresponsáveis medidas que visam ao seu enfraquecimento ou eventual extinção/substituição. Não só pela prática de sistemática campanha que tenta aviltar a história militar brasileira, como pela gradativa e perigosa redução de sua capacidade operativa.

Com insuficientes orçamentos, protelação das decisões para renovação do material de defesa e constantes reduções do padrão salarial do pessoal militar, tentam atingir o moral e a vontade da Instituição.
É preciso que os neófitos entendam que só existe soberania se ela for respaldada por força de defesa competente, e que sem soberania não pode subsistir o Estado nacional.
No cenário internacional, temos tido freqüentes exemplos de imposição da vontade do mais forte sobre países de expressão militar limitada.
As negociações diplomáticas são desenvolvidas sob aparente igualdade de condições, onde, porém, impera o conhecido adágio, seguido pelos mais fortes: “Seja razoável! Faça como eu quero”.
O argumento final da diplomacia é sempre o da força militar.
Urge, portanto, que a atual Presidente contenha os arroubos dessa minoria inconseqüente, procurando anular-lhes as intenções mesquinhas, que poderão fazer recrudescer animosidades do passado, dificultando as legítimas ações governamentais e, até mesmo, comprometendo o equilíbrio institucional do País.
Por que não trabalharmos todos no sentido único de fazer crescer e desenvolver o Brasil no rumo de seu inexorável destino de grande nação?
O que querem, afinal, esses inconsoláveis perdedores?

Ivan Frota – Presidente.

30 de mar de 2011

Receita começa a restituir IR 2011 em 15 de junho

A Receita Federal fixou as datas de pagamento das restituições dos sete lotes do Imposto de Renda 2011, ano-calendário 2010. O calendário foi publicado nesta quarta-feira (30), por meio de instrução normativa, no "Diário Oficial da União". As restituições do primeiro lote serão liberadas no dia 15 de junho, segundo a publicação. O sétimo e último lote será pago no dia 15 de dezembro. De acordo com a Receita, terão prioridade no recebimento os contribuintes idosos, conforme previsto no Estatuto do Idoso. Na sequência, deverão ser liberadas as restituições segundo a ordem de envio da declaração à Receita. O órgão afirma que, em qualquer uma das situações, é necessário que não haja nenhuma pendência ou irregularidade. Calendário de pagamento 1º lote -15 de junho de 2011 2º lote - 15 de julho de 2011 3º lote - 15 de agosto de 2011 4º lote - 15 de setembro de 2011 5º lote - 17 de outubro de 2011 6º lote - 16 de novembro de 2011 7º lote - 15 de dezembro de 2011

28 de mar de 2011

Primeira mulher indígena Oficial do exército

Pilotos do Exército fazem treinamento

Desde o dia 21, helicópteros do Exército sobrevoam a capital. As manobras são realizadas pelo 4º Batalhão de Aviação do Exército, sediado em Manaus (AM), que realiza um treinamento em Roraima até a próxima quarta-feira, 31.O treinamento inclui exercícios de pilotagem técnica e habilitação prática com óculos de visão noturna (OVN). Os exercícios vão habilitar os militares para missões de combate, apoio ao combate e apoio logístico. Entre os 81 participantes, estão pilotos, mecânicos de voo e equipes de apoio.Seis aeronaves de manobra dos tipos Pantera (HM1) e Cougar (HM3), ambas de fabricação francesa, e Blackhawk (HM2), de fabricação americana, são empregadas nos voos realizados durante o dia e à noite.

26 de mar de 2011

Sindicatos contra o PAC

As obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) já enfrentaram toda sorte de problemas desde que o pacote de investimento em infraestrutura do governo federal foi lançado, em 2007. A maior parte deles envolvia questões ambientais, como no caso dos bagres do rio Madeira, que atrasaram de forma considerável o início das obras das duas maiores usinas hidrelétricas em construção no País, Jirau e Santo Antônio. Na época, técnicos do Ibama se recusaram a conceder a licença ambiental para o empreendimento porque não estava claro como os peixes conseguiriam atravessar as turbinas das usinas para concluir seu ciclo de reprodução. O imbróglio arrastou-se por meses e fez o então presidente Lula acusar os bagres do Madeira de emperrar o desenvolvimento do País. A crise acabou desaguando na saída da então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, do governo e, posteriormente, do próprio PT.
Passada a fase das complicações ligadas ao meio ambiente, as obras do PAC enfrentam agora um problema que parece mais sério e mais complexo do que a vida sexual dos bagres. Em menos de dez dias quase 80 mil operários se rebelaram contra as condições de trabalho e simplesmente decidiram suspender as atividades nos cinco principais canteiros de obras do PAC. Ao longo da última semana, obras como a construção das usinas de Jirau e Santo Antônio, em Rondônia, o complexo termoelétrico de Pecém, no Ceará, a refinaria Abreu e Lima e o complexo portuário de Sua­pe, ambos em Pernambuco, ficaram paralisadas. Na quinta-feira 24, parte dos trabalhadores começou a retomar as atividades, mas o clima permanecia tenso nos canteiros de obras.
Foi exatamente às margens do mesmo rio Madeira, que abriga os bagres que tanto irritaram Lula, que o problema eclodiu na terça-feira 15. Enfurecidos por conta do que parecia ser apenas uma briga entre um operário e um motorista de uma das empreiteiras que estão construindo a usina de Jirau, os trabalhadores iniciaram uma revolta violenta. Pelo menos 300 operários atearam fogo nos alojamentos, escritórios e caixas eletrônicos do canteiro de obras da Camargo Corrêa. A situação só voltou à relativa normalidade depois que 500 homens da Força Nacional foram enviados ao local. Rapidamente a revolta espalhou-se por outras obras e culminou com a maciça paralisação da semana passada.
Em entrevista exclusiva à revista ISTOÉDinheiro, o presidente da construtora Camargo Corrêa, Antonio Miguel Marques, afirmou não acreditar que a revolta em Jirau tenha ocorrido por descontentamento com as condições de trabalho. Ele vê três hipóteses para o quebra-quebra e os incêndios: banditismo, briga sindical e insatisfação com o aumento da segurança no acampamento. “Foram atos de vândalos. Eu não concebo que uma briga entre um motorista de ônibus e um empregado embriagado possa motivar a queima de mais de 40 ônibus. Não se faz isso com palito de fósforo e isqueiro, é preciso ter combustível preparado para isso.” Marques acredita na hipótese de banditismo porque, no mesmo momento em que ocorreram os tumultos, houve dois assaltos aos postos bancários nos acampamentos nos dois lados do rio Madeira.
A revolta de Jirau assustou o governo que, distante das obras e exigindo prazos enxutos para a conclusão dos projetos, não estava atento à insatisfação crescente nos canteiros de obras. “Há dois anos a CUT avisava que poderia haver problemas, queríamos contrapartidas sociais para que essas obras fossem realizadas”, diz o presidente da Central Única dos Trabalhadores, Artur Henrique, que participou de uma reunião convocada às pressas pelo Planalto com o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, na quarta-feira 23. Com ele estava o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical. Acuado pela situação, o governo concordou com os sindicalistas. “Em obras em que trabalhadores ficam confinados, se não houver respeito ao pagamento de horas extras, se houver truculência das chefias e dos seguranças, se não houver condições de higiene e alimentação dignas, a eclosão da violência é algo inevitável”, disse Gilberto Carvalho, que marcou um novo encontro com as centrais na terça-feira 29.
Ainda não está claro o que motivou de fato a revolta em Jirau. Para os sindicalistas, a razão está na terceirização constante da mão de obra e a falta de respeito às condições de trabalho. “As empresas não cumprem os mais elementares direitos trabalhistas”, afirma Adalberto Galvão, vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria da Construção Pesada. Já Marques, da Camargo Corrêa, sustenta que os motivos não poderiam ser esses. “Jirau é uma obra com nível atipicamente baixo de terceirização. É uma obra de grande responsabilidade para ser executada em prazo exíguo, então predominam os recursos próprios.” Cabe agora ao governo investigar e fiscalizar para que novos problemas como o das últimas semanas não atrasem ainda mais as obras do PAC.

23 de mar de 2011

SOLDADO!

Soldado! Certamente haverá um dia em que alguém te dirá, em tom irônico, que és um parasita, um sanguessuga, que para nada serves, nada de útil fazes, és um estorvo para teu País. Não ligue, porém, Soldado. Não deixe tais comentários, lançados em teu rosto como cusparada vil, te roubarem a calma, te perturbarem o coração. Responda, sereno: Meu amigo, assim falas porque não me viu a amparar os sofridos sertanejos da caatinga nordestina, a curar os enfermos nos grotões da Amazônia, a socorrer os flagelados pelas enchentes de Minas, a agasalhar as infelizes vítimas do frio sulino. Assim falas porque jamais sentistes a dor da saudade dos teus amores a aumentar a cada instante, sob o peso das longas jornadas e das imensas distâncias, pelos confins deste País de Meu Deus! Assim falas porque jamais pesou sobre teus ombros a responsabilidade de transformar meninos em homens, forjando-lhes o caráter e dando-lhes maturidade para tomar as rédeas de suas vidas nas próprias mãos. Jamais, amigo, soubestes o que é passar dias e noites caminhando sob chuva e frio, sentido o vento minuano a castigar-te o corpo.
Nunca tivestes que enfrentar a imensidão verde e abafada da floresta, dias a fio, sobrevivendo apenas do que a mata te oferece. Em tempo algum transpusestes a caatingas sob sol escaldante, jamais vadeaste, a peito nu, um rio dos pampas, em noite de agosto. Dormias, amigo, calma e profundamente, enquanto eu, nas fronteiras, velava por tua segurança. Descansavas na praia, tranquilamente, com tua família, enquanto eu enfrentava dias e dias de barco rio acima e rio abaixo, patrulhando os limites do País!
Falas assim, amigo, porque não estavas a meu lado, ajudando a mitigar o sofrimento do povo de Angola e do Timor, de Honduras e da Nicarágua, do Peru, da Bósnia e do Haiti! Ah! Meu amigo, se me visses, qual Ulisses moderno, abrindo dois mil quilômetros de estrada, de Cuiabá a Rio Branco, numa Odisséia real, para que descobrisses um novo Brasil, certamente não falarias assim. Ah! Se tivesses chorado comigo os companheiro mortos cumprindo seu dever, em todos os recantos da Pátria, entenderias porque existo. Mas, amigo, não te sintas constrangido. Apague do rosto essa expressão envergonhada, pois não tens obrigação de saber disso tudo, assim como não é meu papel alardear o que faço, mas sim, trabalhar simplesmente, pois a servidão, a renúncia e a humildade, que em outros seriam apontadas como grandes virtudes, para o soldado espelham apenas o dever de toda uma vida.

Saiba, porém, amigo, que onde estiveres, estarei sempre guardando teu sono, silenciosa e anonimamente, como convém a todos os SOLDADOS deste nosso BRASIL!

21 de mar de 2011

DISCURSO DE CANTINFLAS


Este discurso é trecho do filme Sua Excelência, de 1967, em que o inesquecível Cantinflas, comediante mexicano, pronuncia na Assembleia da ONU no papel de Embaixador de um país fictício. Contém uma lição bem atual apesar de ter sido pronunciado há mais de 40 anos. (Tradução de José Chirivino Álvares)

Coube-me, por sorte, ser o último orador. Isso muito me agrada, pois assim os pego cansados. Não obstante, sei que apesar da insignificância do meu país que não tem poderio militar, nem político, nem econômico, nem muito menos atômico, todos os Senhores esperam com grande interesse minhas palavras já que do meu voto depende o triunfo dos Verdes ou dos Vermelhos.
Senhores Representantes:
Estamos passando por um momento crucial em que a humanidade se enfrenta ante essa mesma humanidade. Estamos vivendo um momento histórico em que o homem científica e intelectualmente é um gigante, mas moralmente é um pigmeu. A opinião mundial está tão profundamente dividida em dois grupos aparentemente irreconciliáveis, que ocorre o caso de que um só voto, o voto de um país fraco e pequeno, pode fazer que a balança penda para um ou para o outro lado. Estamos, portanto, numa grande gangorra. Com um lado ocupado pelos Verdes e com o outro ocupado pelos Vermelhos.E agora chego eu, que sou peso-pluma, e do lado que me colocar, para lá penderá a balança! Façam-me o favor!
Os Senhores não creem que é muita responsabilidade para um só cidadão? E porque também não considero justo que a metade da humanidade - seja qual for ela - venha a ser condenada a viver sob um regime político e econômico que não é de seu agrado, somente porque um frívolo embaixador votou - ou que o tenham feito votar - num sentido ou no outro. E é por isso que não votarei em nenhuma das duas teses. E não votarei em nenhuma das duas teses, por três razões:
Primeira, porque – repito - não seria justo que um só voto de um só representante – que poderia neste momento estar doente do fígado – venha a decidir os destinos de cem nações.
Segunda, porque estou convencido de que os procedimentos - repito e sublinho: os procedimentos dos Vermelhos (os países comunistas) são desastrosos.
E a terceira, porque estou convencido de que os procedimentos dos Verdes (os Estados Unidos da América) tampouco são os mais bondosos que se possa ter
E se não se calarem imediatamente, não sigo com o discurso e os Senhores ficarão com a curiosidade de saber o que eu tinha para lhes dizer. Insisto que falo de procedimentos e não de idéias e nem de doutrinas.
Para mim todas as idéias são respeitáveis, ainda que sejam “ideiazinhas” ou “ideiazonas” e mesmo que eu não esteja de acordo com elas. O que pensa esse Senhor, ou esse outro Senhor, ou aquele Senhor, ou esse de bigodinho que já não pensa nada porque já está dormindo, nada disso impede que sejamos, todos nós, bons amigos. Todos cremos que nossa maneira de ser, nossa maneira de viver, nossa maneira de pensar e até o nosso modo de andar são os melhores; e esse modelo tratamos de impô-lo aos demais e, se não os aceitam, dizemos que 'são isso ou são aquilo' e, imediatamente, entramos em desinteligências.
Os senhores acham que isso está correto?
Tão fácil seria a vida se ao menos respeitássemos o modo de viver de cada um. Faz cem anos que disse uma das figuras mais humildes, mas mais importantes do nosso continente:'O respeito ao direito alheio é a paz'. É disso que eu gosto! Não que me aplaudam, mas que reconheçam a sinceridade das minhas palavras. Estou de acordo com tudo o que disse o Senhor Representante da Salsichônia com humildade (N.T.: referência à Alemanha); com humildade de pedreiros independentes devemos lutar para derrubar a barreira que nos separa; a barreira da incompreensão; a barreira da mútua desconfiança; a barreira do ódio. E no dia em que conseguirmos, poderemos dizer que voamos por cima da barreira.
Mas não a barreira das idéias, isso não, nunca! No dia em que pensarmos iguais, atuarmos iguais, deixaremos de ser homens para converter-nos em máquinas, em autômatos. Esse é o grave erro dos Vermelhos, o querer impor pela força suas ideias e seu sistema político e econômico. Falam de liberdades humanas, mas eu lhes pergunto: existem essas liberdades em seus próprios países? Dizem defender os Direitos do Proletariado, mas seus próprios trabalhadores nem sequer possuem o direito fundamental à greve. Falam da cultura universal ao alcance das massas, mas encarceraram os seus escritores porque eles se atrevem a dizer a verdade. Falam da livre determinação dos povos e, no entanto, há cem anos oprimem uma série de nações sem permitir-lhes que se dêem uma forma de governo que mais lhes convenham.
Como podemos votar por um sistema que fala de dignidade e, ato contínuo, atropela o mais sagrado da dignidade humana, que é a liberdade de consciência, eliminando ou pretendendo eliminar a Deus por decreto?
Não, senhores representantes, eu não posso estar com os Vermelhos ou, melhor dizendo, com sua maneira de atuar. Respeito seu modo de pensar, mas não posso dar meu voto para que seu sistema se implante pela força em todos os países da Terra. Aquele que quiser ser Vermelho que o seja, mas que não pretenda tingir os demais
Um momento, jovens! Senhores! Por que tão sensíveis? Os senhores não agüentam nada, não? Eu ainda não terminei. Voltem aos seus lugares. Sei que estão acostumados a abandonar essas reuniões quando ouvem algo que não é de seu agrado; mas não terminei. Voltem aos seus lugares, não sejam precipitados, ainda tenho que dizer algo sobre os Verdes. Os senhores gostariam de ouvir? Sentem-se!Agora, meus queridos colegas Verdes.
O que disseram os Senhores? - Já votou por nós? Não? Pois não, jovens. Não votarei por vocês porque vocês também têm muita culpa por tudo que acontece no mundo. Vocês são soberbos como se o mundo fosse só de vocês e que os demais tivessem uma importância apenas relativa. E ainda que falem de paz, de democracia e de coisas muito bonitas, às vezes também pretendem impor sua vontade pela força e pela força do dinheiro. Estou de acordo que devamos lutar pelo bem coletivo e individual; que devamos combater a miséria; que devamos resolver os tremendos problemas de habitação, do vestir e do sustento. Mas não estou de acordo é com a forma que vocês pretendem resolver esses problemas. Vocês também sucumbiram ante o materialismo, esqueceram os mais belos valores do espírito. Pensando somente nos negócios, pouco a pouco foram se convertendo nos credores da humanidade e, por isso, a humanidade lhes vê com desconfiança.
No dia da inauguração desta Assembléia, o Senhor Embaixador da 'Ladarônia' disse que o remédio para todos os nossos males estava em ter automóveis, refrigeradores, televisores. E eu me pergunto: para que queremos automóveis se ainda andamos descalços? Para que queremos refrigeradores se não temos alimentos para colocar neles? Para que queremos tanques e armamentos se não temos escolas para nossos filhos? Devemos lutar para que o homem pense na paz, mas não somente impulsionado pelo seu instinto de conservação, se não, e fundamentalmente, pelo dever que tem de superar-se e de fazer do mundo um local de paz e tranquilidade cada vez mais digno da espécie humana e de seus altos destinos. Mas essa aspiração não será possível se não houver abundância para todos; bem-estar comum, felicidade coletiva e justiça social.
É verdade que está em suas mãos - dos países poderosos da terra, Verdes e Vermelhos -, o ajudar a nós, os fracos, mas não com presentes, nem com empréstimos, nem com alianças militares. Ajudem-nos pagando preços mais justos, mais eqüitativos por nossas matérias-primas; ajudem-nos dividindo conosco seus notáveis avanços na ciência, na tecnologia. Não para fabricar bombas, mas para acabar com a fome e com a miséria.
Ajudem-nos respeitando nossos costumes, nossas crenças, nossa dignidade como seres humanos e nossa personalidade como nações, por pequenos e frágeis que sejamos.
Pratiquem a tolerância e a verdadeira fraternidade, e nós saberemos corresponder-lhes. Mas deixem imediatamente de tratar-nos como simples peões no tabuleiro de xadrez da política internacional. Reconheçam-nos como o que somos, não somente como clientes ou como ratos de laboratório, mas como seres humanos que sentem, sofrem e choram.
Senhores representantes, existe outra razão a mais por que não posso dar meu voto:faz exatamente vinte e quatro horas que apresentei minha renúncia como Embaixador do meu país. Espero que seja aceita. Consequentemente, não lhes falei como Excelência, mas como um simples cidadão; como um homem livre; como um homem qualquer; mas que, não obstante, crê interpretar ao máximo as aspirações de todos os homens da Terra; as aspirações e os desejos de viver em paz; o desejo de ser livres; o desejo de entregar aos nossos filhos e aos filhos de nossos filhos um mundo melhor; em que reine a boa vontade e a concórdia.
E que fácil seria, senhores, alcançar esse mundo melhor em que todos os homens brancos, negros, amarelos e pardos, ricos e pobres pudessem viver como irmãos. Se não fôssemos tão cegos, tão obcecados, tão orgulhosos. Se apenas orientássemos nossas vidas pelas sublimes palavras que, faz dois mil anos, disse aquele humilde carpinteiro da Galiléia, simples, descalço, sem fraque nem condecorações:
“Amai-vos, amai-vos uns aos outros!”
Mas, lamentavelmente vocês entenderam mal, confundiram os termos. E o que fizeram? E o que fazem?
“Armam-se uns contra os outros!”
Tenho dito!

20 de mar de 2011

Em seu 2º dia no Brasil, Obama

Após um sábado (19) de agenda intensa em Brasília e anúncio de decisão polêmica, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, visitará neste domingo (20) o Cristo Redentor, na zona sul do Rio de Janeiro, e a comunidade Cidade de Deus (zona oeste). À tarde, ele fará um discurso no Theatro Municipal, no centro da capital fluminense.
O presidente americano fez uma pausa em sua agenda de sábado para comunicar que os Estados Unidos começaram a bombardear tropas do ditador Muammar Gaddafi na Líbia. Ele ainda se encontrou com a presidente Dilma Rousseff e falou sobre a necessidade de reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas. A diplomacia brasileira deseja integrar permanentemente o grupo, que tem poder de veto nas decisões, composto pelos EUA, França, Rússia, China e Reino Unido.
O presidente, a primeira-dama e suas duas filhas chegaram ao Rio no começo da noite e seguiram para o hotel Marriott, em Copacabana, na zona sul. Neste domingo, a programação deve começar com um voo de helicóptero até o campo do Flamengo, na Gávea, na zona sul. A diretoria do clube tenta permissão para se aproximar e entregar uma camisa oficial para o presidente. Outros times cariocas querem fazer o mesmo.
A partir do campo do time, Obama seguirá para uma visita ao Cristo Redentor, um dos principais pontos turísticos do Rio. A Riotur informou que as visitações ao monumento estarão suspensas desde as 0h até as 11h do domingo. Em seguida, ele deve seguir para a comunidade da Cidade de Deus. Após a visita a Cidade de Deus, Obama deve se reunir com autoridades do Estado em almoço.
Discurso só para convidados
O evento mais esperado seria o discurso aberto que o americano faria na Cinelândia. O evento mobilizou a prefeitura da cidade, que promoveu pequenas reformas e a limpeza da praça. Entretanto, na sexta-feira (18), a assessoria da Embaixada dos Estados Unidos no Rio de Janeiro informou que o discurso do presidente vai ocorrer no interior do Theatro Municipal.
O evento será fechado para cerca de 800 convidados pelo Consulado e Embaixada dos Estados Unidos e pelo governo brasileiro. O discurso de Obama será transmitido ao público por telões. Cerca de 500 homens das Forças Armadas vão participar da segurança só no entorno do Theatro Municipal. O controle e a varredura no interior do teatro ficarão sob a responsabilidade exclusiva da Polícia Federal brasileira.
No domingo, a partir das 5h, todas as transversais da avenida Rio Branco, da avenida Beira Mar até a avenida Presidente Vargas, serão interditadas. A estação Cinelândia do Metrô não ficará mais fechada, como informado anteriormente, e o comércio da praça poderá abrir no domingo no horário do discurso do líder americano. As ruas Evaristo da Veiga e 13 de Maio, que anteriormente seriam fechadas na noite desta sexta-feira, foram interditadas às 7h de sábado junto com os demais bloqueios deste dia.A Rio Ônibus vai colocar nas ruas toda a sua frota – 2.088 veículos, divididos em 83 linhas – durante todo o fim de semana. A CET-Rio (Companhia de Engenharia de Tráfego) recomenda que os motoristas evitem a região central a partir de sábado.Após o discurso o presidente americano não tem agenda pública. A previsão é de que ele deixe o Rio de Janeiro na manhã de segunda-feira (21).
Michelle Obama
O general Adriano Pereira Junior, do Comando Militar do Leste, informou que a primeira-dama americana, Michelle Obama, não tem itinerário definido durante a visita ao Rio. A primeira-dama deve visitar a Cidade do Samba, na zona portuária.

19 de mar de 2011

Obama inicia na manhã deste sábado primeira visita oficial ao Brasil

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, inicia neste sábado (19) visita oficial de dois dias ao Brasil, a primeira ao país durante o seu mandato, iniciado em 2009. Obama é o sexto presidente norte-americano a vir ao país nos últimos 30 anos e o primeiro desde a redemocratização, em 1989, a visitar o Brasil antes de um presidente brasileiro ir aos Estados Unidos.No Brasil, Obama vai ter uma agenda cheia. O presidente norte-americano chega à base aérea de Brasília às 7h25. Às 10h, ele passa a tropa em revista na Esplanada dos Ministérios e, cinco minutos depois, sobe a rampa do Palácio do Planalto para encontrar a presidente Dilma Rousseff.Mais tarde, Obama assina acordos de cooperação no Itamaraty, onde almoça, e participa de um fórum empresarial, onde deve falar por 50 minutos. Antes de seguir para o Rio de Janeiro, no final do dia, o presidente dos Estados Unidos se encontra novamente com a presidente Dilma Rousseff, desta vez no Palácio da Alvorada.Durante sua passagem por Brasília, a primeira-dama Michele Obama, e as duas filhas do casal, Malia, 10 anos, e Sasha, 7, serão acompanhadas pela diplomata Tânia Cooper Patriota, mulher do ministro de Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota.Nesta sexta-feira, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, afirmou que Obama vai anunciar novas oportunidades econômicas durante a visita ao Brasil. Ela disse que uma parceria mais forte e profunda com os países latinos pode ajudar a estimular a recuperação da economia americana através do aumento de exportação a da criação de empregos.O esquema de segurança montado para a recepção do presidente dos Estados Unidos em Brasília envolve 3 mil homens, entre policiais, integrantes das Forças Armadas e equipamentos militares, como caças, aviões-radares e artilharia antiaérea.Na noite de sexta, o Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope) fazia uma varredura antibomba no Palácio do Planalto com o auxílio de cães farejadores.O esquema de segurança reforçado, no entanto, não impediu que manifestantes fizessem um protesto em frente ao consulado dos Estados Unidos no Rio de Janeiro no final da tarde desta sexta-feira. A polícia reprimiu a manifestação. Duas pessoas foram detidas.No Rio, estava previsto um discurso de Obama na Cinelândia, mas o evento foi cancelado pela embaixada dos Estados Unidos, que não explicou as razões para a mudança de agenda. Obama vai falar para um público restrito, no Theatro Municipal do Rio.Na cidade, Michelle Obama pode fazer uma visita ao barracão da Unidos da Tijuca, na Cidade do Samba, na Zona Portuária do Rio. Ela levaria as duas filhas para conhecer os bastidores do carnaval. A agremiação confirmou a intenção, mas ressaltou que ainda não há nada oficial.

16 de mar de 2011

Forças desarmadas

Folha de São Paulo - 16/03/2011

Equipamento deficiente e efetivo militar se concentram no Sudeste e no Sul do país; cortes no Orçamento afetam planos de modernização

Merece atenção o estado das Forças Armadas brasileiras. O equipamento militar do país está parcialmente sucateado. A divisão do efetivo e dos recursos obedece a uma lógica que não parece adequada aos desafios estratégicos do século 21.

A capacidade de reação militar se encontra comprometida. O país não enfrenta ameaça imediata, mas não deixa de ser preocupante a constatação de que uma agressão encontraria as defesas um tanto despreparadas.

Como esta Folha mostrou no domingo, menos da metade dos caças está em condições de voo, situação similar à dos helicópteros. Dos quase 2.000 blindados, pouco mais de mil ficam à disposição para eventual combate.

Na região amazônica, onde narcotraficantes e paramilitares atuam com desenvoltura nos países vizinhos, a prioridade conferida pela Estratégia Nacional de Defesa, de 2008, não se concretizou.

Houve, é claro, avanços nas últimas décadas, como a consolidação do Sipam (Sistema de Proteção da Amazônia) nos anos 1990. Mas a Amazônia abriga só 13% da força do Exército. A Aeronáutica, de importância crucial em área tão vasta, mantém só 15% dos seus homens na região Norte.

Isso não significa que o país esteja paralisado no terreno militar. Após décadas de sucateamento, entraram em marcha nos últimos anos alguns projetos de modernização, inseridos na Estratégia Nacional de Defesa.

Na Marinha, há planos de renovar a frota de submarinos, que passaria a contar com um de propulsão atômica. Na Aeronáutica, devem ser adquiridos novos caças, quando for resolvida a concorrência que se arrasta há mais de dez anos. E o Exército tem pronto um ambicioso projeto para proteger os limites terrestres do país, o Sisfron (Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras).

A contenção de despesas ordenada pela presidente Dilma Rousseff, no entanto, impôs um congelamento a esses planos. Ainda que tenham sido adiados momentaneamente, parece óbvio que devem ser retomados assim que o cenário econômico e fiscal se mostrar mais favorável.

O confronto entre as mazelas sociais do país, de um lado, e a ausência de ameaça externa clara no horizonte próximo, de outro, sempre torna difícil justificar bilionários gastos militares. No entanto, a crescente influência do Brasil no cenário internacional, aliada à descoberta de volumosas reservas de petróleo do pré-sal, deve refletir-se na sua capacidade militar.

15 de mar de 2011

PELICANO - BOM DIA

A DOR DE UM SOLDADO

Paulo Chagas
Caros amigos, tenho muito orgulho do que sou e se me fosse possível nascer de novo e controlar meu destino, não hesitaria um instante sequer para optar, outra vez, por dedicar-me inteiramente ao serviço da Pátria, cuja honra, integridade e instituições juraria defender, até com sacrifício da própria vida.
Não me arrependo das decisões que tomei como soldado. Não me arrependo das atitudes que tomei, nem lamento as conseqüências dos meus atos, porque sou soldado por vocação, por amor ao meu País. Envaidece-me saber que mesmo morto nunca deixarei de ser um Soldado do Exército de Caxias!
Por outro lado, este mesmo orgulho, que me obriga a controlar a soberba e a presunção, angustia meu coração, meu instinto, minha disciplina e meu preparo para aceitar as coisas que, estando fora do meu alcance e da minha responsabilidade, eu não posso mudar.
Angustia-me a certeza de saber que os meus sentimentos são os mesmos de todos, que, como eu, são soldados por amor ao Brasil e ao Exército. Angustia-me a certeza de que todos, de alguma forma, sabem que estamos sendo engambelados pela falácia de que o passado pertence aos que passaram e que a história é responsabilidade de quem a viveu.
Angustia-me constatar que a cada dia que passa mais frágil fica a nossa resistência à contaminação ideológica de que “os soldados de hoje” são diferentes dos “soldados de ontem” e que as conseqüências dos “males que causaram” somente a eles cabe responder, lavamos, assim, as mãos entre os inocentes com a mesma hipocrisia com que Pilatos o fez diante da infame condenação do Cristo Jesus.
Angustia-me assistir a ameaça de quebra da unidade do Exército que, empenhado institucionalmente em uma guerra suja, não se manifesta de forma ostensiva, pública, altiva e vociferante em defesa de si mesmo e daqueles que, no cumprimento do dever e de ordens de operações, fizeram o que, na circunstância, todos achavam que era o que tinha que ser feito!
Angustia-me supor que, como Instituição de Estado, nos falte coragem e argumentação para enfrentar de peito aberto e coração exposto a crítica e a condenação de excessos e enganos que, pela vontade de vencer e neutralizar, o quanto antes, as ameaças à liberdade democrática, tenham sido eventualmente cometidos pelas forças ou agentes escalados para contrapor-se ao ataque armado da esquerda terrorista, assassina e revolucionária.
Angustia-me tomar conhecimento de inteligente e consistente argumentação, contrária à forma como o governo dos derrotados pretende “revelar a verdade” e deturpar a imagem das instituições militares perante a Nação, pela ação obscura e pela visão distorcida e intriguista da imprensa, em documento que, desta forma, se “supõe”, retrata o pensamento e a posição que, moralmente, todos devemos adotar.
Angustia-me constatar que passados dez anos da criação do Ministério da Defesa, com o que pessoalmente concordo, ainda não tenhamos aprendido a utilizar o espaço que nos proporciona o afastamento do poder político para manobrar ostensiva e dissuasivamente em defesa da nossa missão e da nossa importância como instituição nacional e como segmento da sociedade comprometidos, exclusivamente, com os interesses da Nação que, não necessariamente, devem coincidir com os das facções políticas no poder.
Finalizo, amigos, assegurando-lhes que, em meio a tantas angústias, nada se compara à dor de ferir a própria carne, quando o desabafo se transforma em crítica, pois, mesmo que construtiva, a crítica fere a sensibilidade e ferir o Exército Brasileiro é o mesmo que ferir a mim mesmo, pois não me permito ser menos que um Soldado de Caxias!
Paulo Chagas é General da Reserva do EB.

13 de mar de 2011

BRUNO - VALE PARAIBANO

O governador e seus 450 assessores

Quando assumiu o governo do Pará, o governador Simão Jatene (PSDB) enviou mensagem à Assembleia Legislativa alertando para o rombo nas contas do Estado, anunciou o enxugamento da máquina e demitiu mais de mil assessores da gestão anterior. O que era para virar um exemplo de boa gestão, no entanto, ameaça tornar-se um escândalo. Em dois meses, a fim de acomodar interesses de diferentes setores, Jatene já deu posse a 450 novos assessores especiais, entre familiares de deputados aliados, de membros do Judiciário e de empresários amigos. O cúmulo do fisiologismo foi a entrega a Jatene de uma lista com a indicação de parentes de 12 desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado, que tem o poder de decidir sobre intervenção federal e pagamento de precatórios. A farra foi tanta que a OAB do Pará vai pedir ao Conselho Nacional de Justiça abertura de investigação sobre as nomeações do TJ. “Trata-se de um fato gravíssimo. Uma prática generalizada de nepotismo cruzado, uma troca de favores espúria”, afirma o presidente da OAB-PA, Jarbas Vasconcelos.

Até agora, a OAB já confirmou as nomeações de parentes de quatro juízes. É o caso, por exemplo, de Rosa de Fátima Queiroz das Neves, que vem a ser a mulher do desembargador Cláudio Augusto Montalvão Neves. Nomeada para o cargo de assessora do gabinete do governador, Rosa receberá salário de R$ 4 mil. Montalvão, por sua vez, já empregava no próprio gabinete a nora do governador, Luciana Lopes Labad Jatene. Na mesma linha, foram nomeadas as irmãs Karla Karime e Kamille Kelly Vasconcelos Guerreiro, filhas do desembargador Constantino Augusto Guerreiro, além de Lindalva Gonçalves de Araújo Nunes, ex-mulher do desembargador Rômulo José Ferreira Nunes, que foi presidente do TJ-PA.

Por nota, o governo do Pará deu uma explicação quase enigmática para justificar a nomeação de tantos parentes: “As relações de parentesco não são critério para a inclusão de profissionais na estrutura de governo, e a exceção dos casos de nepotismo, tampouco, para exclusão.” A bancada do PT na Assembleia Legislativa tem um projeto de lei para limitar a prática de nomeações, que começou em 1994 com o governo tucano de Almir Gabriel e seguiu anos a fio. Acontece que a própria Ana Júlia chegou a ter 1.500 assessores especiais, inclusive parentes de alguns desembargadores. Com telhado de vidro, será que a oposição terá interesse real em acabar com essa farra?

12 de mar de 2011

Governo gasta R$ 43 mil em canudos para enviar fotos de Dilma

O governo abriu nesta sexta-feira uma licitação para contratar uma empresa fornecedora de canudos de papelão, para embalar as fotografias oficiais da presidente Dilma Rousseff com a faixa presidencial.

O Planalto decidiu enviar 12.000 fotos da presidente "para todo o Brasil" que irão substituir as fotos do ex-presidente Lula em repartições públicas.

Em Brasília, essas imagens já foram distribuídas. Agora, a missão é distribuir pelos outros 26 Estados --uma média de 461 fotos por Estado.

O custo da licitação dos canudos está estimado em R$ 43 mil. Fora isso, há o custo não divulgado da impressão das fotos e do envio às repartições.

Segundo a Secretaria de Imprensa da Presidência, "historicamente, as fotos dos presidentes são distribuídas aos órgãos que fazem a solicitação".

Em 2003, afirma a Presidência, foram enviadas 14 mil fotos de Lula. No segundo mandato, 11 mil.

Não existe qualquer legislação que determine que um quadro com a foto da presidente deva ser pendurado nas salas de funcionários públicos.

7 de mar de 2011

Hora do STF

Os 21 anos de ditadura militar represaram incontáveis demandas ditas sociais, e muitas delas, ao se abrir o regime, ganharam prioridade na revisão de leis. A Constituição promulgada em 1988 restabeleceu direitos civis básicos, mas também terminou permeada por grupos de pressão defensores de “reparações históricas”.
Entre eles estão organizações pelo reconhecimento de supostos quilombos, com a cessão do direito de propriedade a alegados descendentes de escravos foragidos que teriam habitado esses lugares. A Constituição, no artigo 68 das Disposições Transitórias, estabelece este reconhecimento. Mas da lei à prática há um oceano de desentendimentos e indícios da utilização da Carta para desapropriações indevidas.
Tramita no Supremo Tribunal Federal um pedido de declaração de inconstitucionalidade (Adin) do decreto baixado a partir do artigo 68. Impetrado pelo DEM, o processo, a depender do desfecho, poderá resolver as dúvidas que pairam sobre o tema. Mais do que isso, é oportunidade de a Justiça acabar com a insegurança jurídica em todo o país, devido ao rito utilizado para o enquadramento de áreas carimbadas como de descendentes de quilombolas.
Existem regiões bastante conhecidas, de uso específico e estratégico, sob ameaça desses grupos da “reparação histórica”, bem situados dentro do governo, principalmente a partir de 2003, com a chegada de Lula e PT a Brasília. A Base de Alcântara, no Norte do Maranhão, é uma delas. Um dos melhores pontos do planeta para lançamentos espaciais pode vir a não ser explorado em todo seu potencial devido à reclamação de autointitulados descendentes de quilombolas.
Situação idêntica ocorre na região da restinga de Marambaia, no Rio, só protegida, até agora, da devastação e favelização por ser do Exército. O manguezal da área, importante para o ecossistema de Sepetiba, Guaratiba etc, enfrenta a ameaça da reivindicação de posse de autoproclamados herdeiros de escravos. Há, ainda, incontáveis terrenos urbanos, em bairros nobres, na mira de quilombolas reencarnados no século XXI.
Tudo precisa ser discutido. Interpretase, por exemplo, que o artigo 68 das Disposições Transitórias garantiria a reparação apenas a quilombos reconhecidos até a promulgação da Carta, em 1988. A polêmica em torno do tema é muito mais ampla. Criada no ano da promulgação da Carta, a Fundação Cultural Palmares atua junto com o Incra, antropólogos e segmentos do Ministério Público com base num conceito elástico demais para reconhecer quilombos.
O tal decreto na mira da Adin, de número 4.887, de 2003, reforçou a atuação da Palmares, que identifica quilombos por “identidade cultural” e “étnica”. Diluiu- se, assim, até mesmo o laço de parentesco efetivo com escravos. Pior: a autodeclaração de supostos descendentes de escravos é o bastante para se abrir um processo de desapropriação. Evidente que existem todas as condições de ser criada uma fábrica de fantasiosos quilombos pelo país, sem quaisquer outras maiores considerações a não ser o testemunho dos próprios interessados. A hora é do STF.

5 de mar de 2011

Mensagem de agradecimento de um Rondonista

Olá!
Meu nome é Thiago e fui rondonista na operação Carajás, no município de Eldorado do Carajás com a Universidade Federal do Paraná. Gostaria de agradecer todo o apoio que vocês deram a operação, toda a ajuda e os conhecimentos que vocês me passaram.
Gostaria de confessar de que nunca fui fã das forças armadas, principalmente do Exército, por uma série de fatores que ocorreram no meu alistamento militar obrigatório. Mas devo dizer que mudei de opinião ao conhecer o 52 BIS. Hoje vejo com orgulho o trabalho que vocês realizam, o treinamento e a preparação diária pelo nosso país. Me emocionei muito assitindo à palestra do Ten. Cel. Samuel, onde ele disse que escolheu lutar pelo país com a farda, mas que nós, cada jovem universitário ali presente, pode e deve lutar pelo país, seu progresso e desenvolvimento, nas áreas que escolhemos atuar, no meu caso, na Engenharia Cartográfica. O abismo que eu achava que existia entre a sociedade civil e a militar, aprendi que não existe, aprendi que todos somos brasileiros, que apenas escolhemos caminhos ou formas diferentes de mudar e lutar por esse país. Queria agradecer a todos vocês, que foram gentis conosco, que tanto nos ajudaram e nos mostraram que não há abismo algum, mas há sim uma unidade de uma só nação.
Gostaria também de tentar transmitir o orgulho de meu pai ao saber que fiquei uns dias aí com vocês, ele, que na sua época de serviço militar foi enviado para lutar contra a guerrilha do Araguaia, trouxe sempre o orgulho de ter lutado pelo país. Eu queria transmitir o orgulho e o interesse com o qual meu pai viu cada foto do quartel, da farda, dos mascotes e das instruções de abrigo, fogo e água, alimentação e animais, os brasões e o alojamento, que segundo ele, não mudou nada desde a sua época. As lembranças que eu ganhei, como a carta, o jornal e a agenda, me desculpem, mas eu dei para o meu pai, que quase chorou ao ter em suas mãos artigos de um Exército companheiro, amigo de cada cidadão brasileiro.
Para finalizar, gostaria de agradecer mais uma vez o apoio, de cada soldado que de forma "invisível" trabalhou para nos acomodar e nos dar uma ótima estadia. Queria agradecer também  ao pessoal da cozinha, pelo atendimento e refeições impecáveis, ao Sr. Samuel pela simplicidade com a qual andou entre nós estudantes e a proximidade que teve conosco. Por fim, ao 2 Ten Heyder, instrutor da aula sobre abrigos, que pediu que nós, provenientes das mais distintas regiões do país, não nos esquecermos de que ali, na selva, um lugar muitas vezes esquecido por governantes e pela sociedade, existem guerreiros que treinam dia após dia, abrem mão de diversas coisas, para defender o nosso país, a ele eu gostaria de responder que pelo menos da minha parte, nunca esquecerei, nem a minha família, de que aí, muito longe da Curitiba da qual escrevo, existem brasileiros, guerreiros de selva, que escolheram defender e desenvolver este país com a farda e o fuzil.
Muito Obrigado e um grande abraço a cada integrante do 52 BIS,
Thiago Rempel

4 de mar de 2011

SPONHOLZ

2 de mar de 2011

Senado aprova Autoridade Olímpica

BRASÍLIA. No último dia de prazo antes de a Medida Provisória caducar, o Senado aprovou ontem, por 46 votos a 13, a criação da Autoridade Pública Olímpica (APO), que vai cuidar da preparação e da realização dos Jogos de 2016, no Rio. Na votação, o governo assumiu o compromisso de vetar artigo que prorroga, sem licitação, os contratos de concessão de uso de serviços nos aeroportos. São espaços alugados para a exploração comercial de lanchonetes, restaurantes e lojas.

A emenda que permitia manter esses contratos em vigor é de autoria do presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS). O relator do projeto de lei de conversão da MP, senador Lindbergh Farias (PT-RJ), classificou a inclusão desse artigo de indevida e, antes da votação, anunciou que pedirá à presidente Dilma Rousseff para vetá-lo.

Segundo entidades concessionárias desses serviços, a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) aluga hoje 6,4 mil espaços nos 67 aeroportos que administra em todo o país. O faturamento anual da estatal com esta receita é de R$948 milhões anuais.

A Autoridade Pública Olímpica vai ser responsável por tocar as obras, administrar os imóveis e definir questões de segurança, meio ambiente e acessibilidade, entre outras. O total de cargos da APO caiu de 484 para 181. Desses, 91 são comissionados, de livre escolha, cujos salários variam de R$18 mil a R$22,1 mil, remuneração do titular da APO. O nome mais cotado para chefiar o novo órgão é de Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central. O mandato do escolhido pela presidente Dilma para este posto será de quatro anos e o nome terá que ser submetido ao Senado.

No momento da votação, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), prometeu que a presidente Dilma vetará o artigo referente aos contatos da lojas em aeroportos e que já havia recebido essa sinalização dos ministérios da Fazenda, do Planejamento e da Casa Civil.

- Esse artigo não deveria estar no projeto. Mesmo se tivesse tempo para discutir e votar esse assunto em separado, seria contra - disse Romero Jucá.

Os senadores da oposição chegaram a apresentar uma emenda para suprimir o artigo, mas a base do governo derrotou até mesmo a possibilidade de se votar essa proposta.

- Na verdade, esse projeto todo é uma excrescência. Esse artigo que acabava com a licitação era a permissão para se roubar - disse Demóstenes Torres (DEM-GO).

A Infraero informou que, nos próximos seis meses, 466 contratos em aeroportos terão seu prazo de vigência expirado.