30 de set de 2014

Governo registra o pior resultado fiscal para agosto em 18 anos

Confirmando o quadro de deterioração fiscal do país, governo central registrou o quarto déficit primário seguido, de R$ 10,4 bilhões

Foi a primeira vez que o Governo Central teve resultado negativo em um mês de agosto
Foi a primeira vez que o Governo Central teve resultado negativo em um mês de agosto (Marcelo Sayão/EFE/VEJA)
O governo central, composto por Tesouro, Banco Central e Previdência Social, terminou o quarto mês seguido sem conseguir economizar receita para pagar os juros da dívida. Em agosto, registrou um déficit primário de 10,423 bilhões de reais, informou o Tesouro Nacional nesta terça-feira. É o pior resultado fiscal para meses de agosto em 18 anos. Segundo a série histórica do Tesouro Nacional, que começa em 1997, foi a primeira vez que o Governo Central teve resultado negativo em um mês de agosto.
O resultado veio pior do que as expectativas do mercado, que projetava um resultado negativo de cerca de 9,5 bilhões de reais. No acumulado do ano, a economia feita para o pagamento de juros ficou positiva em 4,675 bilhões de reais ou 0,14% do Produto Interno Bruto (PIB). A meta era de uma economia de R$ 39,215 bilhões. O valor acumulado no ano é 87,8% menor que no mesmo período de 2013, que foi de R$ 38,416 bilhões (1,22% do PIB).

Com o resultado de agosto, fica praticamente impossível o cumprimento da meta de superávit primário para 2014 de R$ 80,774 bilhões, ou 1,9% do PIB. Isso porque o governo teria de economizar em quatro meses 76,1 bilhões de reais a mais do que conseguiu fazer em oito meses.
(Com Estadão Conteúdo)

29 de set de 2014

Especialistas revelam truques que fazem comida a quilo pesar

Saiba como escapar dessas armadilhas para aliviar gasto diário com almoço na rua

O Dia
Rio - Bifes de carne com cortes grandes, saladas com muitos molhos, peixes com espinhas e porções de frituras fazem parte do cardápio que alguns restaurantes a quilo oferecerem para pesar no prato, e no bolso, do cliente. O DIA consultou especialistas em defesa do consumidor e explica como identificar e escapar dessa estratégia no dia a dia.
Consultor do grupo Azo, Marco Quintarelli diz que a moderação tem que vir do cliente: “Os restaurantes sabem que muitos consumidores não resistem a um prato mais pesado, como salgadinhos, e aproveitam disso.”
O engenheiro Odair serve o prato com alimentos que vê pela frente mesmo sabendo que a consequência não é boa: “Geralmente fica pesado na balança e no bolso”
Foto:  Carlo Wrede / Agência O Dia
Não resistir é que o engenheiro Odair Picin faz. O homem de 47 anos não planeja o prato e pega os alimentos conforme a vontade. “Faço isso sabendo que a consequência não é boa. Geralmente fica pesado na balança e no bolso”, relata o morador do Centro.
Para combater esse hábito, Quintarelli aconselha a olhar todos os alimentos antes de iniciar a escolha do prato. “O ideal é pensar no que vai comer e não pegar tudo o que o cliente gosta sem critérios”, diz.
Outra dica do especialista para economizar é não ir faminto ao restaurante. Dessa forma é possível economizar até 20% no valor total. “A pessoa com muita fome quer comer tudo que vê, então a consequência é um prato com alimentos pesados e muita diversidade.”
A administradora Bárbara Freitas, 28 anos, sabe disso e faz lanches antes do almoço. “Como alguma fruta, pelo menos, duas horas antes de almoçar e isso me faz poupar cerca de R$ 5.”
Outra atitude sugerida por Quintarelli, e que a administradora adota, é não comprar bebida na refeição. “Geralmente os preços são abusivos e eleva muito a conta do restaurante.”

Bárbara conta, ainda, que reconhece as “pegadinhas” dos restaurantes e geralmente não volta quando as opções são limitadas. “Vejo carnes cheias de ossos, bifes maiores do que eu comeria e sei que é estratégia para a gente pagar mais”, relata.

RUIM PARA O NEGÓCIO

Além da conduta adotada por alguns estabelecimentos não ser positiva para o bolso do cliente, também não é boa para o próprio negócio, explica Jarbas Modesto, da Besser Consultoria.

“Os donos dos restaurantes pensam que o consumidor não percebe essa fraude, mas é um erro achar isso”, argumenta. Ele acrescenta, ainda, que o empreendedor que age dessa forma perde o cliente que fez a compra e, pelo menos, outros cinco.
“O marketing boca a boca é muito mais forte do que a própria publicidade, ainda mais quando é uma experiência negativa”, afirma.
O especialista também explica que essas atitudes não fidelizam o consumidor, mas o afasta. “É provável que esse negócio não tenha sucesso e acabe até fechando”, conclui.
Bebida representa 17% do valor total da refeição
Se uma refeição completa, com sobremesa e bebida, em um self service custa cerca de R$ 28,10 no Rio, de acordo com pesquisa da Alelo, a bebida representa cerca de 17% desse valor.

No Centro da cidade, uma lata de refrigerante, 300 ml, custa entre R$ 4 e R$ 5 nos restaurantes. Enquanto um suco natural da fruta é vendido entre R$ 4 e R$ 6.

Nos estabelecimentos que comercializam comida a quilo, até a água encarece o prato. Uma garrafa com 510 ml do líquido, com gás ou sem gás, pode chegar a R$ 4.
Comer fora consome até R$ 663 do orçamento
Os consumidores brasileiros precisam arcar sozinhos com R$ 663,08 mensais com a refeição de segunda à sexta no horário do almoço, de acordo com a pesquisa Refeição Assert Preço Médio 2014. Esse valor, que equivale a 91,6% do salário mínimo nacional, é o custo do consumo diário de uma refeição completa na hora do almoço — um prato mais bebida, sobremesa e café — considerando-se a semana com cinco dias de trabalho.
Mas para quem mora no Rio de Janeiro, essa conta pode ser ainda mais salgada. O valor médio da cidade é de R$37,16, acima do preço médio da refeição no Brasil, que é de R$ 30,14.
Macaé, Nova Iguaçu e Niterói acompanham essa tendência, com R$34,98, R$ 34 e R$32,22, respectivamente. São Gonçalo, Duque de Caxias e Nilópolis, por sua vez, oferecem preços abaixo da média nacional: R$ 29,63, R$26,98 e R$ 17,71, respectivamente.
DIETA TAMBÉM DIMINUI O PESO NO BOLSO
REEDUCAÇÃO
Além de fazer bem para a saúde, a reeducação alimentar também ajuda o orçamento mensal, é o que diz Adriana Leal, professora do curso de Nutrição do Centro Universitário Celso Lisboa.

De acordo com ela, um prato saudável pesa de 400 a 500 gramas, enquanto uma pessoa que escolhe alimentos mais gordurosos ingere de 700 gramas a 1 quilo.

“Alimentos bons são mais leves, como saladas, bifes assados, comidas sem molhos, então a consequência é um alívio no bolso”, justifica.

Mas ela alerta: não pode faltar nada. “É importante ingerir alimentos de cada classe. Mesmo assim um prato saudável vai sair mais barato.”

No entanto, as pegadinhas permanecem. Geralmente os pratos de saladas estão separados dos outros itens para desestimular os clientes.

O consultor Marco Quintarelli alerta que esse é um cenário comum de encontrar nos restaurantes, mas recomenda que o consumidor não deve deixar a refeição saudável de lado.

“O equilíbrio começa no prato ao escolher com cuidado cada item, então não se deixe levar pelos alimentos pesados e gordurosos”, aconselha.
HIGIENE
Outro ponto para que a nutricionista Adriana alerta é sobre a higiene dos restaurantes. Ela explica que é difícil identificar quando uma salada está contaminada ou não.

“Ninguém consegue ver as bactérias, mas alguns hábitos do estabelecimento, como deixar os alimentos em uma temperatura inadequada, dão dicas para o cliente.”
Ela recomenda que sejam consumidos alimentos cozidos no lugar dos crus por serem mais seguros. Além disso, alguns itens como a maionese também devem ser evitados.
Outra dica da especialista é que o consumidor observe a mesa de alimentos do restaurante. “As pessoas conversam enquanto pegam a comida, então uma proteção é necessária para que saliva, cabelo e resíduos em geral não caiam na refeição.”

28 de set de 2014

Avanço moderado 1

Mulheres: aumentando a presença no meio militar
mulheresA mulher vem ampliando sua participação nas Forças Armadas. É o que revela uma pesquisa inédita do Instituto Igarapé, especializado em segurança pública.
Hoje, há 23 787 mulheres no serviço militar, o que representa 7% do efetivo. O crescimento, como era de se esperar, ocorreu mesmo na base da hierarquia. Em 2001, eram 6 619 do sexo feminino com as patentes de 1º e 2º tenentes, cabos, soldados e sargentos – hoje, são 20 584.
Já no universo de oficiais generais, topo das Forças Armadas, passou de zero em 2001 para um em 2014.
Por Lauro Jardim

24 de set de 2014

Paulo Sérgio Pinheiro: "A inércia da ONU beneficia o Estado Islâmico"

O presidente da comissão da ONU que investiga as violações de direitos humanos na Síria, Paulo Sérgio Pinheiro, diz que as Nações Unidas demoraram a agir para conter o Estado Islâmico, que ele acusa de fazer uma "pornografia do terror"

Por Paula Rocha
Na terça-feira 16, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, presidente da Comissão Independente Internacional de Investigação sobre a Síria, apresentou ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, o mais recente relatório sobre o conflito no país árabe. Além de apontar o crescimento do poder de atuação do grupo conhecido como Estado Islâmico (EI), que Pinheiro acusa de praticar a “pornografia do terror”, o documento traz ainda depoimentos de 12 vítimas da guerra na Síria, civis que tiveram suas vidas destruídas pelo combate que já dura três anos e, segundo o especialista, pode estar longe de acabar. De Roma, Pinheiro falou à ISTOÉ sobre a questão.
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O brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, presidente da Comissão
Independente Internacional de Investigação sobre a Síria,
acusa o Estado Islâmico de fazer "pornografia do terror"
ISTOÉ – O que o novo relatório da Comissão apresenta sobre o avanço do grupo conhecido como Estado Islâmico?
Paulo Sérgio Pinheiro – O Estado Islâmico controla hoje um terço da Síria e parte do Iraque, de forma contígua, sem respeitar fronteiras. Recentemente, o grupo foi definido como uma organização terrorista pelo Conselho de Segurança da ONU, pois seus combatentes impõem sua ideologia pelo terror. Basicamente, eles matam qualquer um que não compartilhe de sua visão extremista. E praticam a pornografia do terror, utilizando as mídias eletrônicas de forma muito sofisticada para divulgar suas atrocidades. Além da execução pública dos dois jornalistas americanos e de um agente humanitário, o EI tem cometido massacres como o assassinato de 200 soldados do governo de Bashar al-Assad e incontáveis mortes de civis. Talvez a faceta mais cruel do EI seja deliberadamente expor crianças à violência. Meninos são encorajados a assistir às execuções e a ver de perto corpos dispostos em crucifixos em praças públicas. O grupo prioriza a doutrinação de jovens. No mês passado, crianças armadas foram vistas em pontos de inspeção do EI na região de Al-Hasakah, no nordeste da Síria.
ISTOÉ – Como o Estado Islâmico se tornou tão relevante em tão pouco tempo?
Pinheiro – O EI tem crescido desde 2012, com a entrada dos jihadistas, combatentes mais extremistas, na Síria. Eu coordeno a Comissão de Investigação desde 2011 e, no ano seguinte, já havíamos chamado a atenção do Conselho de Segurança da ONU para a presença de combatentes estrangeiros no país. Hoje o EI tem por volta de três mil combatentes de 81 nacionalidades. Eles não caíram do céu, nem se agruparam de repente. Começaram a atuar ligados à Al-Qaeda. Depois, se separaram. A Al-Qaeda foi quem rompeu com o EI, para você ver o nível de radicalismo desse grupo, mais radical do que a própria Al-Qaeda.
ISTOÉ – E quem financia esse grupo terrorista?
Pinheiro – Há vários financiadores. Eu não posso citar os países, mas, basicamente, quem banca o EI são as monarquias do Golfo, que são sunitas e têm interesses muito antigos na Síria. A Síria sempre foi um polo independente na luta contra Israel e hoje é ligada ao Irã. Essas monarquias do Golfo querem que a Síria se desligue do Irã. É um conflito muito regional. Quem domina a Síria é uma vertente dos xiitas, que são os alauítas, minoria à qual pertence o presidente Assad. E os membros do EI são todos sunitas. No início, o conflito na Síria não era uma luta tão sectária. Mas hoje a presença do EI é o ápice de uma luta entre sunitas e o governo, que é xiita. Isso posto, o próprio EI tem recursos extraordinários. Eles saqueiam bancos e exploram e contrabandeiam petróleo. Têm recursos, armas e experiência em combate, e até pagam salários aos combatentes.
ISTOÉ – Qual é a responsabilidade de países como os Estados Unidos e os membros da União Europeia na ascensão do Estado Islâmico?
Pinheiro – Os EUA e a Europa, assim como o Qatar, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e a Turquia, em determinado momento, apoiaram os grupos armados contrários ao governo de Assad. Em 2011, o início desses movimentos na Síria parecia uma vertente da Primavera Árabe, mas que logo foi militarizada. Se no começo esses grupos eram moderados, hoje são todos militarizados. Nenhum tem um projeto claro de democracia. Os desejos nutridos no berço dessa revolução síria se perderam. O objetivo do EI hoje é a restauração do califado, algo que terminou com o fim do Império Otomano. Eles querem criar uma autoridade que irá confrontar diretamente a Arábia Saudita, atual guardiã de Meca e de lugares sagrados para os islâmicos. Os membros do grupo terrorista contestam essa autoridade. Isso é curioso, já que muitos combatentes sauditas estavam na origem desses grupos radicais na Síria.
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"Hoje quem banca o Estado Islâmico são as monarquias do
Golfo Pérsico, que são muitas e têm muitos interesses na Síria"
ISTOÉ – O novo relatório da Comissão também contém 12 depoimentos de vítimas da guerra na Síria. O que esses relatos revelam sobre o conflito?
Pinheiro – Os relatos revelam histórias terríveis de sequestro, tortura, abuso sexual e até morte. Entre os depoimentos está o de um menino ferido em um ataque de míssil a uma escola em Aleppo, o de um homem preso e torturado pelo governo sírio em Damasco, e o de uma mulher grávida que perdeu o marido e os parentes e ficou abandonada à própria sorte. Essas são apenas algumas das mais de duas mil histórias que coletamos com refugiados e civis que conseguiram fugir da Síria. Entre todos os relatos, fica evidente que, nos últimos três anos, a dor, a raiva e a desilusão dos civis sírios só cresceu.
ISTOÉ – O que a Comissão pode fazer para tentar resolver o conflito na Síria?
Pinheiro – As comissões de investigação não são um tribunal, não condenam ninguém, nem fazem investigações criminais. Fazemos apenas a reconstituição de alegações e uma lista confidencial de perpetradores, que podem servir a uma futura investigação criminal ou ser usadas pelo Tribunal Penal Internacional. Há três anos a comissão tem documentado os crimes cometidos na Síria, mas, infelizmente, até agora não há nenhuma perspectiva de punição. A impunidade é generalizada. Ninguém respeita as regras de combate, nem o governo da Síria, nem nenhum grupo armado. Todos cometem crimes de guerra, crimes contra a humanidade e violação dos direitos humanos. E, no entanto, ninguém é punido porque o Conselho de Segurança da ONU não transmite o caso da Síria ao Tribunal Penal Internacional, pois os cinco membros permanentes (China, França, Rússia, Reino Unido e EUA) não chegam a um consenso. A Rússia e a China são contra. Já brifei o Conselho de Segurança quatro vezes desde 2012, mas eles não têm conseguido convencer os dois países. E a inércia do Conselho de Segurança beneficia principalmente o Estado Islâmico.
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"Obama está hesitante, mas a meu ver está agindo certo.
Atacar o Estado Islâmico com bombardeiros afetaria muito a população civil"
ISTOÉ – O presidente Barack Obama tem sido criticado por não combater militarmente o EI. O que o sr. acha disso?
Pinheiro – O presidente Obama está hesitante, mas, a meu ver, ele está agindo certo. Atacar o EI com bombardeios afetaria muito a população civil. Sem um acordo com o governo Assad, qualquer ação militar estrangeira na Síria seria muito complicada e limitada. Por enquanto não há indicação de que o governo americano irá de fato despachar tropas terrestres para a Síria. Oficialmente, a posição dos EUA continua sendo a de não enviar soldados para lá. E o EI é uma bomba de efeito retardado. Na medida em que forem atacados no Iraque, irão voltar para a Síria. Se forem atacados no Iraque e na Síria, os combatentes voltarão para os países de origem, especialmente europeus, o que fatalmente irá ocorrer, já que a identificação e o controle desses indivíduos são muito difíceis.
ISTOÉ – E como o sr. vê a posição do Brasil nessa questão?
Pinheiro – É muito clara a posição do governo brasileiro de que não há solução militar para o conflito na Síria. O Brasil compartilha com a visão da Comissão de que a negociação política tem de recomeçar. Todas as propostas de derrubada do governo Assad foram equivocadas. Três anos depois ele ainda está no poder. Se nada for feito, essa guerra pode continuar por dez anos, e aí a Síria seria destruída.

22 de set de 2014

Venezuela lança plano nacional para desarmamento de civis

País que incentivar a entrega voluntária de armas de fogo.
ONU considera a Venezuela o segundo país mais violento do mundo.

Da France Presse
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em imagem de arquivo. (Foto: Arquivo / Reuters)O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em
imagem de arquivo. (Foto: Reuters)
O presidente Nicolás Maduro lançou neste domingo (21) um plano nacional de desarmamento que busca incentivar a entrega voluntária de armas de fogo na Venezuela, segundo país mais violento do mundo, segundo a ONU.
"Arranca o plano nacional de desarmamento com esta nova etapa, com os recursos aprovados, com a instalação de 60 centros de desarmamento e com a participação do movimento pela paz e vida. Continuemos atrás do sonho, atrás da utopia de uma Venezuela de paz", disse Maduro, após participar de uma caminhada no centro de Caracas pelo dia internacional pela paz.

O presidente aprovou US$ 47,6 milhões para criar um fundo nacional de desarmamento, a fim de incentivar a entrega de armas. Em junho de 2013, Maduro promulgou a lei para o controle de armas, que pune o porte ilegal com até 20 anos de prisão.
Em 2009, segundo estimativas oficiais, havia na Venezuela mais de 15 milhões de armas, legais e ilegais, para uma população de 30 milhões de habitantes.
O país vive uma onda de violência ligada ao crime comum, enquanto opositores acusam o oficialismo de ter distribuído armas entre os grupos de simpatizantes do chavismo após o golpe de Estado de abril de 2002 contra o presidente Hugo Chávez (1999-2013).
Com um índice de homicídios de 53 para cada 100 mil habitantes, a ONU considera a Venezuela o segundo país mais violento do mundo, depois de Honduras (90,4 para cada 100.000).

20 de set de 2014

Dilma ficou 'perplexa' com erro do IBGE, diz ministra do Planejamento

IBGE admitiu 'erros graves' na Pnad e disse que desigualdade caiu no país.
Governo criou comissões para avaliar a pesquisa e buscar os responsáveis.

Nathalia Passarinho Do G1, em Brasília
A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, afirmou neste sábado (20) que a presidente Dilma Rousseff ficou "perplexa" com o erro do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) referente a 2013. Em uma entrevista coletiva em que quatro ministros destacaram apenas os pontos positivos da Pnad, Miriam relatou que se reuniu com a presidente e outros integrantes do primeiro escalão nesta sexta (19), logo após ser informada dos equívocos na pesquisa do IBGE.
"Ela [Dilma] reagiu como a gente disse, absolutamente perplexa que o IBGE possa ter cometido um erro tão básico, que é não ter feito o processo de checagem e rechecagem", afirmou a titular do Planejamento, em entrevista coletiva, em Brasília.
Nesta sexta, o IBGE admitiu "erros graves" na Pnad divulgada na última quinta (18). O problema está relacionado aos números das regiões metropolitanas de sete estados brasileiros, o que afetou o resultado nacional em vários segmentos.
A desigualdade de renda proveniente do trabalho, por exemplo, diminuiu em vez de aumentar, como primeiramente constava na pesquisa divulgada.  O índice de desigualdade anunciado primeiramente para 2013 foi  0,498 – o número correto, segundo o instituto, é 0,495.
Indagada se a presidente do IBGE, Wasmália Bivar, seria demitida, a Miriam Belchior afirmou qualquer providência nesse sentido, assim como eventuais punições de funcionários, só serão tomados após investigação de uma comissão de sindicância, que terá até 60 dias para concluir os trabalhos.
Depois de uma breve fala, a ministra deixou a coletiva e o ministro de Assuntos Estratégicos, Marcelo Néri, passou a fazer uma análise dos índices corrigidos da Pnad, com o objetivo de destacar que a desigualdade está em queda. Ele citou o trecho da pesquisa que aponta  queda nas diferenças de renda familiar per capta.
Segundo Néri, o índice foi de 0,527 em 2011 para 0,524 em 2012 e 0,522 em 2013. Quanto mais próximo de 1 mais desigual, portanto a diminuição seria positiva.
O ministro afirmou que, apesar de não ter dados consolidados, 2014 terá a maior queda na desigualdade nos últimos 10 anos. Néri também ressaltou que o rendimento dos brasileiros cresceu, em média, 5,5% por ano entre 2011 e 2013.
No entanto, os dados revelam queda de crescimento em 2013. De 2011 a 2012, o crescimento médio da renda foi de 7,66%, enquanto de 2012 a 2013, esse percentual foi de 3,46%.
Néri, contudo, minimizou a desaceleração. “O ano de 2012 e 2013 foi bom em termos de crescimento da renda, mas 2011 a 2012 foi muito melhor, e ainda foi o ano do pibinho”, disse o ministro dos Asssuntos Estratégicos, em referência ao crescimento baixo, de 0,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012.
'Dados positivos'
O ministro da Educação, Henrique Paim, também foi convocado a discorrer sobre os dados “positivos” do setor. Ele repetiu os números corrigidos nesta sexta e disse que ressaltou melhora nos índices de escolarização de crianças de 0 a 3 anos.

A última a falar para ressaltar os dados do Brasil foi a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, responsável pela administração do Bolsa Família. “A renda cresce para todos os brasileiros, o salário real cresceu. Isso é um dado importante. Ou seja, o mundo em crise e o Brasil continua com crescimento”, enfatizou.
A titular do Desenvolvimento Social também pediu que as pessoas não se “apeguem” a “pequenas variações” negativas dos índices de um ano para o outro e foquem na “tendência” que os dados revelam.
“A luz do sol é sempre o melhor dos remédios. A gente tem que destacar isso como um valor. A segunda questão, que acho que é uma aprendizagem para o país é que a avaliação de políticas públicas ela tem que olhar uma tendência longa. Todo mundo que se apegou a micro variações de 0,1 para tirar consequências dramáticas errou. Então vamos verificar as grandes tendências”, afirmou.
Pedido de desculpas
A presidente do IBGE, Wasmália Bivar, classificou na sexta-feira os erros de “extremamente graves” e pediu desculpas, em entrevista no Rio de Janeiro nesta sexta. No mesmo dia, a  ministra do Planejamento, Miriam Belchior, anunciou que serão criadas duas comissões – uma para avaliar a consistência da Pnad e outra para encontrar as razões da falha e identificar os eventuais responsáveis.
“O governo está chocado com esse erro cometido pelo IBGE. Como disse a presidente do IBGE, é um erro gravíssimo e em razão disso o governo decidiu constituir uma comissão de especialistas independentes para avaliar a consistência da Pnad e constituir uma comissão de sindicância para encontrar as razões do erro e, eventualmente, as responsabilidades funcionais do porquê isso aconteceu”, disse a ministra.
Além da alteração na desigualdade de renda, o índice de analfabetismo caiu de 8,7%, em 2012, para 8,5% em 2013 - e não 8,3% como primeiramente informado. O número médio de anos de estudo dos brasileiros com dez ou mais anos de idade aumentou de 7,5 para 7,6.
Os números corretos da divisão da população entre sexos são de 51,4% (mulheres) e 48,6% (homens). A taxa de desocupação foi mantida em 6,5%, como originalmente informado, uma alta em relação a 2012 que era de 6,1%. Mas o aumento da população desocupada, segundo o anúncio do IBGE, foi menor: não era 7,2% e sim 6,3%. São 6,6 milhões de pessoas desocupadas.
Também houve correção sobre a queda de emprego de jovens entre 5 e 17 anos. O dado correto é de 10,6%.

19 de set de 2014

PGR nega pedido de Dilma para ter acesso à delação premiada de Costa

A justificativa é que a lei que regulamenta a delação determina o sigilo do depoimento até o momento em que uma eventual denúncia seja aceita pela Justiça
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não permitiu que a presidente Dilma Rousseff tenha acesso à delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Em ofício enviado ao ministro José Eduardo Cardozo (Justiça), é dito que a lei que regulamenta a delação determina o sigilo do depoimento até o momento em que uma eventual denúncia seja aceita pela Justiça. Por isso, não é possível enviar a delação de Costa ao Executivo.
Em mais de uma ocasião, Dilma ressaltou que queria ter acesso às acusações de Costa para saber se integrantes de seu governo estariam envolvidos em algum esquema revelado pelo ex-diretor.
Segundo Dilma, somente com tais dados ela poderia tomar medidas, mesmo que "duras", contra integrantes de seu governo. O envolvimento de políticos no suposto esquema de propina na Petrobras foi noticiado em reportagem da revista Veja no início deste mês.
Outros órgãos do governo, como a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Petrobras, tentam na Justiça Federal acesso ao depoimento para identificar a presença de funcionários do governo e iniciar investigação própria sobre os supostos ilícitos. A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras também fez o pedido de acesso à delação ao juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pela investigação.

17 de set de 2014

iOS 8, novo sistema do iPhone e iPad, será lançado hoje; saiba como instalar

Atualização gratuita estará disponível para download a partir das 14h.
iOS 8 tem recurso que permite responder mensagens sem abrir app.

Do G1, em São Paulo
Novo iOS será lançado nesta quarta-feira (17) (Foto: Divulgação/Apple)Novo iOS será lançado nesta quarta-feira (17) (Foto: Divulgação/Apple)
O iOS 8, nova versão do sistema operacional móvel da Apple, será lançado nesta quarta-feira (17) para donos de iPhone, iPad e iPod Touch. A atualização é gratuita e estará disponível para download a partir das 14h (horário de Brasília) no menu de configurações dos aparelhos.
O lançamento do iOS 8 acontece dois dias antes da chegada do iPhone 6 e do iPhone 6 Plus, novos smartphones da Apple de tela grande, às lojas dos Estados Unidos.
Tela inicial do iPhone rodando iOS 8
(Foto: Divulgação/Apple)
Embora o visual do novo sistema seja similar ao do iOS 7, com ícones mais limpos, há mudanças importantes. Uma delas é a possibilidade de responder mensagens diretamente do menu de notificações, sem abrir o aplicativo. O recurso não funciona apenas no iMessage, da Apple, mas também em plataformas como WhatsApp e Facebook – neste último, é possível curtir uma postagem sem acessar o programa.
A Apple também incluiu o recurso Family Sharing, onde os usuários poderão compartilhar com até seis pessoas da família fotos, músicas e filmes. Esta novidade permite que os pais controlem as compras feitas pelos filhos: quando uma criança tenta baixar um jogo pago, o Family Sharing envia uma mensagem para o iPhone do pai, que pode liberar ou não a compra.
Tela inicial do iPhone rodando iOS 8 (Foto: Divulgação/Apple)
Assim como as atualizações anteriores, o novo sistema da Apple exclui os aparelhos mais velhos. O iOS 8 funciona a partir do iPhone 4S, do iPod Touch de 5ª geração, do iPad 2, além do iPad Mini.
Uma dica importante é realizar um backup dos seus dados antes de baixar o novo sistema. Uma opção é conectar o aparelho ao PC e usar o iTunes para guardar uma cópia dos seus arquivos no disco rígido do computador. Também é possível armazená-los no iCloud.
Como acontece em lançamentos do tipo, pode haver excesso de usuários durante as primeiras horas de download, e algumas pessoas podem ter dificuldades. Caso haja algum tipo de problema, como a interrupção da atualização, é preciso reiniciar o procedimento.
Veja agora um passo a passo de como baixar e instalar o iOS 8:
1. Quando a atualização do iOS 8 estiver disponível para download, um número aparecerá em cima do ícone de "Ajustes". Toque para entrar nas configurações do aparelho.
2. Dentro do menu "Ajustes", deslize a tela para baixo até chegar na opção "Geral", que também deve estar marcada com um número.
3. Em "Geral", toque sobre a opção "Atualização de software", que aparece logo no topo da tela.
4. Em seguida, toque na opção "Instalar agora". É possível tocar em "Saiba mais" para ler mais informações sobre a atualização e as novas funções do sistema.
5. Antes do iPhone, iPad ou iPod Touch começar a baixar o iOS 8, ele apresenta os termos e condições de serviço. Toque em "Concordar" para continuar a atualização. Vale lembrar que o aparelho precisa estar com a bateria totalmente carregada.
6. Após concluir o download, o dispositivo irá reiniciar e instalar o iOS 8. Uma mensagem na tela indicará que o processo foi bem-sucedido. Para iniciar a configuração do sistema, deslize a tela na horizontal, como se fosse desbloquear seu aparelho.
7. No menu seguinte, é possível ligar ou desligar os serviços de localização. Quando ativado, os aplicativos de mapas conseguem instantaneamente saber onde você está, por exemplo. No entanto, se estiver desativado, sua bateria irá durar mais.
8. É preciso reconfirmar os dados da sua conta da Apple, utilizada para baixar aplicativos, fazer compras e reunir suas informações pessoais. Caso deseje, este passo pode ser ignorado por hora.
9. Em seguida, é necessário aceitar os termos e condições do iCloud, serviço de armazenamento na nuvem da Apple. Toque em "Aceitar" para continuar a instalação.
10. E pronto. O iOS 8 está instalado, configurado e já pode ser usado normalmente.

16 de set de 2014

Doações de campanha somam R$ 1 bilhão

Apenas 19 financiadores respondem por metade do valor destinado aos partidos

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Os 19 maiores financiadores de campanha respondem por metade do valor doado até agora por empresas e indivíduos na eleição deste ano. As contas de partidos, comitês e candidaturas em todo o País receberam desses 19 grupos privados R$ 522 milhões do total de R$ 1,040 bilhão vindo de contribuições de pessoas físicas e jurídicas até agora.
Esses valores são todos de origem privada e calculados após levantamento que elimina distorções ou eventuais erros cometidos pelas candidaturas. Somando-se o que vem do Fundo Partidário, cuja origem são recursos públicos, o dinheiro que circulou até agora nas campanhas supera R$ 1,138 bilhão. E isso é só o começo. O montante de R$ 1,040 bilhão refere-se ao que foi declarado por candidatos a presidente, governador, senador e deputado federal e estadual ou distrital até 6 de setembro. Como se trata de uma prestação de contas parcial, não é possível comparar com o que foi arrecadado na eleição de quatro anos atrás.
 
A concentração das doações é significativa. São quase 29 mil doadores até agora, mas 2 de cada 3 reais arrecadados pelas campanhas vieram dos 100 maiores doadores. Sozinho, o maior deles, o Grupo JBS, doou até agora R$ 113 milhões, ou 11% do total doado. Dona de marcas como Friboi, Swift e Bertin, o grupo tem outras empresas que também doaram, como Seara e Flora Higiene-Limpeza.
 
O PT foi o partido que mais recebeu da JBS: R$ 28,8 milhões - ou 1 de cada 4 reais doado pela empresa. O PSD ficou em segundo lugar, com R$ 16 milhões, e o PMDB, em terceiro, com R$ 14 milhões. Entre todos os candidatos, a maior beneficiada pelas doações da JBS foi a presidente Dilma Rousseff.
 
O setor de alimentação tem uma outra grande doadora. O grupo Ambev - dono de marcas como Brahma, Antarctica e Skol - aparece em quarto lugar no ranking, com R$ 41,5 milhões doados. O dinheiro foi recebido principalmente por candidatos e comitês do PMDB (R$ 12 milhões), PT (R$ 11 milhões) e PSDB (R$ 8 milhões). O setor financeiro tem duas das 10 maiores doadoras. O grupo Bradesco está em sexto, somando R$ 30 milhões em contribuições vindas de empresas como Bradesco Vida e Previdência, Bradesco Saúde e Bradesco Capitalização, entre outras. O conglomerado deu, até agora, R$ 9,4 milhões para o PSD, R$ 8,7 milhões para o PT, R$ 6,7 milhões para o PMDB e R$ 5,2 milhões para o PSDB.
 
O banco BTG Pactual e sua administradora de recursos doaram R$ 17 milhões e estão em décimo lugar na classificação geral. PT e PMDB foram os beneficiários de quase 80% desse dinheiro.
 
O protagonismo desses dois bancos e a atuação de outras empresas do setor que costumam colaborar financeiramente com as campanhas políticas não chega a superar o destaque das empreiteiras na lista de doações para partidos, comitês e candidaturas. Juntas, as construtoras contribuíram com quase R$ 300 milhões, ou 30% do total arrecadado até agora.
 
Dos dez maiores doadores da atual campanha, cinco são grupos empresariais que tiveram origem no ramo da construção. São os casos da OAS (2.º maior), Andrade Gutierrez (5.º lugar), UTC Engenharia (7.º), Queiroz Galvão (8.º) e Odebrecht (9.º). Os valores foram agregados por grupo econômico e incluem subsidiárias de outros setores, como energia.
 
Segunda colocada no ranking dos maiores contribuintes com os políticos, a Construtora OAS acumula R$ 66,8 milhões em doações. O PT ficou com quase metade desse dinheiro, ou R$ 32 milhões. O restante foi dividido entre PMDB, PSDB e PSB, entre outras legendas.
 
A Andrade Gutierrez doou R$ 33 milhões, divididos quase que exclusivamente entre PT (R$ 16 milhões) e PSDB (R$ 13 milhões). A UTC deu R$ 29 milhões (R$ 13 milhões para petistas), a Queiroz Galvão doou R$ 25 milhões (PMDB recebeu R$ 7 milhões), e o grupo Odebrecht, R$ 23 milhões, principalmente para PT, PSDB e DEM. O terceiro maior doador é do setor de mineração. O grupo Vale doou cerca de R$ 53 milhões até agora, por meio de uma série de empresas. Dois partidos se destacam entre os beneficiários de suas doações: PMDB (R$ 20,6 milhões) e PT (R$ 14,5 milhões). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

15 de set de 2014

Pagamento à vista com desconto

Senado gera polêmica ao aprovar proposta que libera preços diferentes para cartão

O Dia
Brasília - Projeto aprovado no Senado e que seguiu para a Câmara dos Deputados legaliza a prática considerada abusiva que prevê que um produto pago à vista tenha preço menor do que o comprado a prazo. O projeto de decreto legislativo, que é do senador Roberto Requião (PMDB-PR), torna sem efeito a Resolução 34/1989, do extinto Conselho Nacional de Defesa do Consumidor, que proíbe aos comerciantes fixar preço diferenciado de venda para pagamentos em cartão de crédito.
Na prática, os descontos nas compras em dinheiro já ocorrem, mas podem ser denunciados aos Procons (telefones 151, para o estadual, ou 1746, para o da cidade do Rio) . “A grande maioria dos clientes que compra em dinheiro pede desconto e, na maior parte das vezes, conseguimos dar uma redução de 5%”, diz Ênio Pablo da Cunha, gerente de loja de calçados, entendendo que o preço menor para o cliente sai na forma de desconto.
Mãe e filha, Valéria Guerra e Daniele Guerra, de 46 e 21 anos, estão comparando os descontos oferecidos para tirar vantagem nas compras
Foto:  João Laet / Agência O Dia
Segundo Requião, o objetivo da proposta é permitir que o comércio possa dar desconto nas compras à vista, pagas em dinheiro ou outros meios, como cheque ou boleto bancário. O senador alerta que os custos de operação dos cartões, que incluem a chamada taxa de desconto, que no crédito fica em torno de 2,5% a 5% do valor da compra e é paga pelo comerciante às credenciadoras, como Cielo e Redecard.
Manifesto do Idec, da Proteste e Associação Brasileira de Procons alerta, porém para o risco de a proposta representar simplesmente em aumento de preço para os pagamentos com cartão. “Não há garantia de diminuição de preço”, explica Juliana Pereira da Silva, titular da Secretaria Nacional do Consumidor, do Ministério da Justiça.

14 de set de 2014

Vídeo da decapitação de refém por islamitas é autêntico, diz Reino Unido

Escocês David Haines foi morto por militantes do Exército Islâmico.
Ele estava sequestrado na Síria desde março de 2013.

Do G1, em São Paulo
O vídeo no qual o grupo islamita sunita Estado Islâmico reivindica a decapitação do refém David Haines é autêntico, afirmou neste domingo (14) o ministério britânico das Relações Exteriores.
"Todos os elementos demonstram que o vídeo é autêntico e não temos nenhuma razão para acreditar que não é", declarou um porta-voz do ministério à AFP.
O Estado Islâmico divulgou um vídeo que mostraria a execução de Haines, 44, que era agente humanitário e foi sequestrado na Síria em março de 2013.

O vídeo mostra um homem encapuzado no deserto junto ao refém. Momentos antes da sua morte, Haines lê um texto em que atribui a responsabilidade por sua execução ao primeiro-ministro britânico David Cameron.
O vídeo é semelhante às decapitações de dois jornalistas norte-americanos, James Foley e Steven Sotloff, executados pelo Estado Islâmico e também divulgados pelo grupo em vídeos.
 
Cameron afirmou que o assassinato do agente humanitário pelo Estado Islâmico foi um ato de pura maldade e garantiu que levará os responsáveis à Justiça a qualquer custo.
"Isso é um desprezível e terrível assassinato de um agente humanitário inocente. É um ato de pura maldade. Meu coração está com a família de David Haines, que mostrou coragem extraordinária durante essa provação", disse Cameron em um comunicado.
"Faremos tudo que está em nosso alcance para caçar esses assassinos e garantir que encarem a Justiça, não importando quanto tempo leve".

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que, nesta semana, anunciou uma estratégia para tentar destruir o Estado Islâmico, afirmou que condena veementemente a decapitação do agente humanitário e que pretende trabalhar com o Reino Unido e com outras nações para levar os assassinos à Justiça.
Apelo da família
O vídeo foi divulgado horas após a família do trabalhador humanitário britânico ter feito um apelo para que os sequestradores o libertassem.
Em um comunicado publicado pelo Ministério de Relações Exteriores neste sábado (13), a família de Haines afirmou que os sequestradores não haviam respondido  a nenhuma das tentativas de estabelecer contato.

Em uma gravação divulgada anteriormente, que a Casa Branca considerou autêntica, o carrasco de Sotloff, que tem sotaque britânico, ameaçou executar em breve David Haines. Haines, que faz trabalho humanitário desde 1999, cooperava com a ONG francesa Acted como responsável logístico no campo de refugiados de Atmeh, um povoado sírio perto da fronteira turca.
"A Acted está profundamente comovida pelas imagens divulgadas no início desta semana" escreveu a ONG em um comunicado.
Terrorista do Estado Islâmico faz ameaça dizendo que o homem ao seu lado, identificado como o britânico David Cawthorne Haines, pode ser o próximo a ser decapitado em represália à intervenção militar dos EUA no Iraque (Foto: AFP/SITE Inteligence Group)Terrorista do Estado Islâmico faz ameaça dizendo que o homem ao seu lado, identificado como o britânico David Cawthorne Haines, pode ser o próximo a ser decapitado em represália à intervenção militar dos EUA no Iraque (Foto: AFP/SITE Inteligence Group)

12 de set de 2014

SuperTucano "americano" começará a voar este mês

Por Virgínia Silveira | De São José dos Campos


Handout/Embraer/APLote de 20 aeronaves será usado pela Força Aérea americana em apoio aéreo leve, reconhecimento e capacidade de treinamento a militares no Afeganistão
A Embraer fará este mês a entrega do primeiro Super Tucano para a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF, da sigla em inglês). O avião foi produzido na fábrica que a companhia construiu em Jacksonville, na Florida.
O contrato envolve a aquisição de 20 aviões e está avaliado em US$ 427,5 milhões, mas pode atingir US$ 1 bilhão, com a compra de um total de 50 unidades. A negociação de um segundo lote, segundo o Valor apurou, deverá ser iniciada após a entrega da primeira aeronave.
As 20 aeronaves serão usadas para fornecer apoio aéreo leve, reconhecimento e capacidade de treinamento aos militares do Afeganistão. A Embraer informou que a cerimônia de entrega será realizada na fábrica de Jacksonville, onde foram feitas as atividades de pré-equipagem, montagens mecânica e estrutural, instalação e teste de sistemas e testes em voo. A unidade, localizada no aeroporto de Jacksonville, conta com 50 funcionários.
A entrega da primeira aeronave para os Estados Unidos será um evento histórico para a Embraer, pois é a primeira vez que a empresa vende um produto militar para a área de defesa americana.
Também neste ano a Embraer começa a fazer o pagamento de royalties para a Força Aérea Brasileira (FAB), sobre a exportação do Super Tucano. A FAB é a proprietária intelectual do projeto. O percentual de royaltie para o Super Tucano é de 1% sobre a nota fiscal emitida pela empresa para terceiros. A aeronave custa entre US$ 10 milhões e US$ 15 milhões, dependendo da configuração e do tipo de armamento e de sensores que são incorporados.
A contratação da Embraer para o fornecimento dos aviões à Usaf foi duramente contestada pela concorrente americana Beechcraft, que perdeu a licitação para a brasileira. A Beechcraft alegava que a escolha da Embraer encarecia o custo de aquisição das aeronaves pelas Forças Armadas e comprometia empregos, mas o Departamento de Defesa dos EUA revogou a contestação e manteve o contrato.
A Embraer argumentou que cerca de 86% do valor em dólar do Super Tucano vem de componentes fornecidos por companhias ou países qualificados sob a lei "Buy American Act", que exige um conteúdo americano superior a 50% para os produtos comprados fora dos EUA.
O parque industrial envolvido com o projeto do Super Tucano nos EUA reúne mais de 100 fornecedores de serviços e de componentes em 21 Estados americanos, o que corresponde a uma cadeia de fornecedores de 1400 funcionários nos EUA. Os dados foram informados pela Embraer no site "BuiltForTheMission", com informações ao Super Tucano durante a concorrência LAS (Apoio Aéreo Leve), programa que selecionou a aeronave brasileira.
Com mais de 210 encomendas e um número superior a 170 aviões entregues, o Super Tucano está em operação em nove forças aéreas na América Latina, África e Sudeste Asiático. A aeronave executa missões de treinamento avançado, vigilância de fronteiras, ataque leve e contra-insurgência.
Com as instalações de Jacksonville, a Embraer reforça ainda mais a sua presença nos EUA e, especialmente na Flórida, onde emprega mais de 1200 pessoas. Nesta semana, inaugurou seu Centro de Engenharia e Tecnologia (Cete), em Melbourne, focado inicialmente em interiores de jatos executivos. A cidade também abriga uma unidade fabril de montagem final dos Phenom 100 e 300 e o Centro de Atendimento ao Cliente da Aviação Executiva.

11 de set de 2014

CPI mista da Petrobras quer ouvir Paulo Roberto da Costa na próxima quarta-feira

Ministro do STF liberou documentos da Operação Lava Jato à Comissão

da redação com AE
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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista da Petrbras agendou para a próxima quarta-feira, 17, o depoimento do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto da Costa. A decisão foi tomada nesta quarta (10) durante reunião de integrantes da comissão, com a presença de líderes partidários. Desde o dia 29 de agosto, o ex-diretor tem prestado depoimentos na forma de delação premiada, no Paraná, supostamente envolvendo políticos da base aliada em um esquema de recebimento de propina na Petrobras.

A convocação de Costa, suspeito de integrar uma quadrilha de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, já havia sido aprovada em 3 de junho pela CPI mista, por meio de um requerimento apresentado pela liderança do DEM na Câmara. No entanto, a direção do colegiado ainda não havia agendado a data do depoimento. "Queremos ouvi-lo durante esse processo. Até lá, a nossa assessoria vai tomar as providências cabiveis para o traslado do Paulo Roberto para a comissão", disse o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), presidente da comissão.

Vital do Rêgo disse ainda disse que precisa ouvir o mais rápido possível Paulo Roberto da Costa. Já o líder do PMDB na Câmara, deputado Eduardo Cunha (RJ), afirmou que o depoimento do ex-diretor de abastecimento, sem a conclusão de todo o processo de delação premiada, pode ser inócuo. "Ele pode vir aqui e não falar nada", apontou Cunha. "É um gesto que o Congresso não pode deixar de fazer", afirmou o presidente do DEM, senador Agripino Maia (RN).

O senador Vital informou também ter tomando outras duas providências para apurar a situação envolvendo as denúncias do ex-diretor da petroleira. A primeira medida foi ter enviado ofício ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, e ao juiz federal Sérgio Moro, pedindo o compartilhamento de dados referentes ao acordo de delação premiada firmado com Costa. A segunda medida foi pedir um audiência com Zavascki para discutir o caso que, por envolver parlamentares, deverá ser analisado pelo Supremo, caso sejam confirmados indícios de envolvimento. Os integrantes da CPI mista querem o respaldo do Supremo para a decisão de ter acesso à delação premiada.
O primeiro pedido do senador Vital foi atendido nesta tarde e o ministro do Supremo Teori Zavascki encaminhou os documentos referentes à Operação Lava Jato, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro, à CPI mista. O ministro do Supremo alertou que a comissão deverá tomar providências para evitar o vazamento do teor dos documentos, segundo a assessoria de imprensa do tribunal.A secretaria da comissão não deu mais detalhes se entre os papéis está incluído o depoimento da delação premiada de Paulo Roberto Costa.

10 de set de 2014

Senador diz que renuncia se elo com petrolão for comprovado

Presidente do PP, Ciro Nogueira disse que demitiu assessor que viajou com passagem custeada pelo doleiro Alberto Youssef

O senador Ciro Nogueira em Brasília
O senador Ciro Nogueira em Brasília (Lia de Paula/Agência Senado/VEJA)
O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), enviou uma carta nesta terça-feira ao juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pela Operação Lava-Jato, na qual afirma que renunciará ao mandato se for comprovado algum vínculo entre ele e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.
Reportagem de VEJA desta semana revelou que Paulo Roberto aceitou acordo de delação premiada e listou políticos e partidos que se beneficiaram do esquema de desvios da Petrobras – Ciro Nogueira é um deles. "Comprometo-me a renunciar ao mandato de senador se houver alguma vinculação financeira, alguma vinculação que possa ter desvio de ética, de conduta, com essas pessoas", afirmou o senador. O parlamentar disse ainda que abre mão de qualquer tipo de segredo de Justiça.
Nesta terça-feira, reportagem do jornal O Estado de S. Paulo afirma que o doleiro Alberto Youssef, pivô da Lava-Jato, teria pago passagens aéreas para assessores de Ciro Nogueira e do senador paraibano Cícero Lucena (PSDB). Segundo Ciro, o assessor Mauro Conde Soares foi exonerado do cargo. "Não há nada de verdadeiro em alegações que me coloquem como partícipe de qualquer comportamento censurável no que concerne a Petrobras ou seus ex-diretores", disse o senador, em nota.
Mauro Conde Soares, que assessora Nogueira desde o início do mandato do parlamentar, e Luiz Paulo Gonçalves de Oliveira, que trabalha com Lucena há oito anos, voaram de Brasília para São Paulo, em 4 de janeiro de 2012. O boleto foi faturado pela Arbor Contábil, empresa da contadora do doleiro, Meire Poza, que ajuda a PF nas investigações sobre o caso.
Ciro Nogueira negou conhecer Alberto Youssef, mas admitiu ter participado de encontros com Paulo Roberto Costa no período em que ele era diretor de Abastecimento da estatal. Em nota, o senador alega que se encontrou com Paulo Roberto em audiências públicas para tratar de investimentos da estatal em seu Estado, o Piauí. O senador informou ainda ter pedido acesso ao depoimento feito pelo ex-diretor da Petrobras
 
VEJA

9 de set de 2014

Bolsa tem maior queda desde fevereiro após denúncias sobre Petrobras

O Ibovespa fechou em baixa de 2,45%, aos 59.192,75 pontos; as ações ON da Petrobras caíram 4,79% e as PN recuaram 4,91%

 Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras
 Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras (Folhapress/VEJA)
A Bovespa emplacou nesta segunda-feira a quarta sessão consecutiva de perdas, após notícias sobre o envolvimento de políticos no esquema de propinas na Petrobras e em meio às especulações sobre novas pesquisas eleitorais. O Ibovespa fechou em baixa de 2,45%, aos 59.192,75 pontos, tendo registrado o maior recuo em um dia desde 3 de fevereiro deste ano. No centro do furacão, as ações ON da Petrobras caíram 4,79% e as PN recuaram 4,91%.
No fim de semana, reportagem de VEJA revelou que o ex-diretor de Abastecimento e Refino da Petrobras Paulo Roberto Costa acusa ministros, senadores, governadores e deputados de embolsarem ou tirarem proveito de parte do dinheiro roubado dos cofres da estatal. Preso em março pela Polícia Federal, Costa citou em depoimentos de delação premiada nomes como os dos presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), além do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA).
No início do dia, o mercado interpretou que essas denúncias enfraqueceriam a candidatura da presidente Dilma Rousseff (PT), o que fez as ações da Petrobras avançarem de forma consistente, favorecendo o Ibovespa, que chegou a marcar uma máxima de 61.513 pontos (+1,37%). Só que aos poucos o índice foi perdendo força, assim como os papéis da estatal.
Cenário eleitoral – À tarde, predominaram no mercado rumores de que Dilma Rousseff estaria recuperando terreno ante Marina Silva (PSB) na disputa, a despeito de os levantamentos oficiais mais recentes indicarem empate técnico entre as duas no primeiro turno. Isso fez os papéis da Petrobras cederem quase 5% e também pressionou as ações de outras estatais, como Banco do Brasil ON (-5,00%) e Eletrobras PNB (-5,44%). Profissionais comentavam que as denúncias contra a Petrobras, no fim das contas, não agradaram os investidores estrangeiros, que preferiram vender papéis da petrolífera.
Nova York também atrapalhava. O sentimento negativo em relação ao conflito entre Rússia e Ucrânia e certo movimento de realização após os ganhos mais recentes fizeram o Dow Jones ceder 0,15%, aos 17.111,42 pontos, e o S&P 500 recuar 0,31%, aos 2.001,54 pontos. O Nasdaq, porém, subiu 0,20%, aos 4.592,29 pontos, sustentado em parte pelo Yahoo!, com a expectativa para a oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) de ações do Alibaba, no qual a empresa de serviços de internet tem participação de 24%.
(Com Estadão Conteúdo)

8 de set de 2014

Governo aumenta inaugurações do PAC em ano eleitoral

Foram concluídas 1.830 obras até 30 de abril. Ainda assim, número de projetos no papel é três vezes maior do que o total de empreendimentos entregues

Gabriel Castro, de Brasília
A presidente Dilma Rousseff durante cerimônia de anúncio de investimentos do PAC 2 Mobilidade Urbana. (Belo Horizonte - MG, 17/01/2014)
A presidente Dilma Rousseff durante cerimônia de anúncio de investimentos do PAC 2 Mobilidade Urbana. (Belo Horizonte - MG, 17/01/2014) (Roberto Stuckert Filho/PR/Divulgação/VEJA)
O governo acelerou o ritmo de inauguração de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em 2014, apesar de um número expressivo de empreendimentos continuar no papel. Dados compilados pela ONG Contas Abertas em parceria com o site de VEJA comprovam isso. Como os balanços oficiais do governo priorizam o cálculo com base no volume de recursos (e não na quantidade de obras), o resultado divulgado pelo Executivo normalmente é melhor do que a realidade.

No primeiro quadrimestre de 2013, foram inauguradas 796 obras ou empreendimentos do PAC. Um ano depois, em período idêntico, o número passou pra 1.830. Ainda assim, há três vezes mais obras no papel do que inaugurações. A legislação eleitoral veda inaugurações com a participação de autoridades três meses antes da eleições e também restringe o início de novos contratos no período eleitoral. Mas a campanha não limita o andamento de obras já iniciadas – ou seja, a concentração de obras no primeiro quadrimestre não pode ser atribuída a alguma regra da Justiça Eleitoral.

O governo da presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) concluiu apenas 15,8% das obras do PAC 2 até 30 de abril deste ano, de acordo com levantamento. Passada a maior parte do mandato, 45,6% dos empreendimentos ainda não foram iniciados: estão em fase preparatória, em contratação, ou em licitação. Além disso, 38,6% das ações estavam em execução em 30 de abril.
VEJA/VEJAPAC 2
Dados do Contas Abertas detalham a execução do PAC


O percentual de empreendimentos entregues é de 40,1% no setor elétrico e de apenas 17,2% na área de saneamento. Alguns programas têm 0% de obras concluídas: é o caso das rubricas Cidades Digitais, Cidades Históricas, Equipamentos de Esporte de Alto Rendimento e Infraestrutura Turística.
Das 6.000 creches prometidas pelo governo, somente 379 foram concluídas. Nem mesmo se forem consideradas as obras no papel a meta do governo seria alcançada: há 5.772 empreendimentos listados.
Em transportes, foram 37,3% dos empreendimentos concluídos. O índice de conclusão de obras ficou acima da média geral do PAC nas categorias rodovias (31,1%), aeroportos (33%), ferrovias (29,8%), hidrovias (28,1%) e portos (26,3%).
Exceções aos números medíocres são as rubricas "estradas vicinais", com 100%, Minha Casa, Minha Vida (100%) e Luz Para Todos (57,8%).
O número de obras na matriz do programa mostra, por outro lado, um aumento no número de empreendimentos listados na reta final do governo. Eram 32.959 em abril de 2013 e 48.747 um ano depois.
Os números apontam que, assim como o PAC 1, a maior parte do que foi programado pelo governo será concluída apenas na gestão seguinte. O excesso de burocracia, a falta de planejamento e o entusiasmo propagandístico do governo ajudam a explicar a discrepância entre o que foi programado e o que será entregue pela presidente Dilma, que chegou ao Palácio do Planalto com fama de boa gestora e com o epíteto de "Mãe do PAC".

Resposta – Em nota, o Ministério do Planejamento não contesta os números, mas apresenta uma justificativa: "Não é correto comparar obras por critério de quantidade. Quando se compara por critério de quantidade, faz-se uma equivocada equivalência entre uma hidrelétrica de grande porte e complexidade, como Belo Monte e Jirau com obras de pequeno porte e complexidade, como obras de pavimentação, por exemplo". O Planejamento afirma também que a execução orçamentária alcançou 84,6% do previsto até abril deste ano, dentro do ritmo programado. E que a constante contratação de novos empreendimentos impede a conclusão de parte das obras dentro do período 2011-2014.

6 de set de 2014

Cabe a Zavascki homologar delação premiada de Paulo Roberto

JUSTIÇA - Cabe ao ministro Teori Zavascki homologar o acordo de delação premiada
JUSTIÇA - Cabe ao ministro Teori Zavascki homologar o acordo de delação premiada (Fellipe Sampaio/SBT)
O instrumento da delação premiada, se bem aplicado, pode demolir organizações e punir criminosos que se mantêm inalcançáveis pelos métodos convencionais de investigação. Mal usado, pode servir aos bandidos como arma para atingir inimigos ou destruir reputações. Na década de 80, a Itália era refém do crime organizado. As máfias controlavam empresas e tinham representantes infiltrados nos mais altos escalões da política. A oferta de perdão judicial aos delatores ajudou a desmontar a gigantesca estrutura que subjugava o Estado. Uma experiência semelhante será testada com Paulo Roberto Costa. O ex-diretor se ofereceu para fazer o acordo de delação premiada. Os termos precisam ser chancelados por um juiz. Os responsáveis pelo caso entenderam que o melhor caminho era levá-lo diretamente ao Supremo Tribunal Federal, dado o grande número de acusados com foro privilegiado.
A tarefa caberá ao ministro Teori Zavascki, que também deverá relatar eventuais processos decorrentes da investigação. Pelo acordo, Paulo Roberto se obriga a contar o que sabe, identificar seus parceiros de crime. Se as informações prestadas forem consideradas úteis, no fim do processo ele poderá ser beneficiado com uma redução de pena ou até mesmo o perdão judicial. Ao longo da delação, além de ouvirem o que o réu tem a dizer, os investigadores se encarregam de cruzar as informações com outras provas do processo. A ideia é que, no final, eles tenham elementos suficientes para levar todos os envolvidos a julgamento. Paulo Roberto também se comprometeu a abrir mão dos bens que acumulou com dinheiro desviado e a pagar uma multa. Enquanto durar a delação, ele ficará preso em uma cela isolada, mas pode ser libertado tão logo seja encerrada a fase de depoimentos.

4 de set de 2014

Consumidores perderam R$ 8,3 bi com atrasos em obras de energia, aponta TCU

Tribunal aprovou relatório do ministro José Jorge, que identificou as perdas, e pediu providências do governo para evitar desabastecimento

Gabriel Castro, de Brasília
Torres transmissoras de energia elétrica na região de Três Lagoas, divisa de São Paulo com Mato Grosso do Sul
Torres transmissoras de energia elétrica na região de Três Lagoas, divisa de São Paulo com Mato Grosso do Sul (Reinaldo Canato/VEJA)
O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou nesta quarta-feira um relatório que detalha a situação crítica do setor elétrico brasileiro e pede providências ao Ministério de Minas e Energia e à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O texto, de relatoria do ministro José Jorge, é fruto de uma análise de mais de 700 empreendimentos do setor. Conclusão: os atrasos atingem quase 80% das obras de hidrelétricas e acarretaram um custo adicional de pelo menos 8,3 bilhões de reais ao consumidor desde 2009. Desse total, 3,5 bilhões ocorreram em 2013.
Dentre outras medidas, o relatório pede que o Ministério de Minas e Energia e a Aneel elaborem, em noventa dias, estudos que identifiquem a causa dos atrasos e permitam a adoção de cronogramas mais realistas para as próximas obras. Exige, também, que seja elaborado um plano de ação para evitar que haja, já em 2015, "restrição no escoamento da energia oriunda do Complexo do Madeira para as cargas das regiões Sudeste e Sul". O TCU também sugere que a Casa Civil redija um ato normativo para definir de forma mais clara a atribuição de cada ente federado na emissão de licenciamento ambiental.
Problemas — Um dos principais problemas detectados foi a falta de sincronia entre as obras de hidrelétricas e linhas de transmissão. Segundo o TCU, houve falta de planejamento e ausência de mecanismos adequados de monitoramento. A burocracia e a demora na emissão das licenças ambientais são outros fatores mencionados. O período médio de licenciamento foi de 716 dias, enquanto a duração das obras foi, em média, de 946 dias.

Entre as obras de hidrelétricas, que são a maioria dos empreendimentos, 79% atrasaram - em média, o atraso chegou a oito meses. O percentual é de 75% nas termelétricas (onze meses de atraso em média) e de 88% nas eólicas (atraso de dez meses). Nas obras de linhas de transmissão, o atraso médio foi de quatorze meses. Ao todo, 83% dos empreendimentos desse tipo ficaram prontos fora do prazo.

O descumprimento dos prazos de operação das usinas torna necessária a compra de energia de usinas térmicas, o que encarece os custos de operação do sistema. Outro problema frequente é a existência de usinas não devidamente atendidas por linhas de transmissão. Para cumprir o contrato, governo acaba pagando por uma energia que não utiliza.

O relatório foi aprovado por unanimidade pelo plenário do TCU. No debate, o consenso foi de que, se o Brasil estivesse crescendo a um ritmo razoável, o cenário de desabastecimento seria ainda mais provável. "Temos de comemorar a queda na atividade econômica. Parece não haver do outro lado uma avaliação adequada da situação", afirmou o ministro Augusto Sherman. "É uma situação de muita gravidade", disse Benjamin Ziller, outro integrante da corte.
O documento aponta ainda a falta de critérios condizentes para o cálculo do prazo das obras. "Até o momento, não há estudos que fundamentem os prazos estipulados nos atos de outorga para a implantação desses empreendimentos", diz o texto, que prossegue: "A ausência desses estudos pode ter como consequência o estabelecimento de prazos irreais para a execução das obras e contribuir para o quadro atual de atrasos sistêmicos desses empreendimentos".

2 de set de 2014

Detran-SP só vai cassar CNH após recursos se esgotarem

Nem mesmo quem for flagrado bêbado ao volante poderá ter a habilitação cassada ou suspensa imediatamente. Decisão atende a liminar da Justiça

SÓ DEPOIS - Detran não vai mais cassar habilitações antes de análise dos recursos
SÓ DEPOIS - Detran não vai mais cassar habilitações antes de análise dos recursos (Reprodução/VEJA)
A partir deste mês, o Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) vai parar de cassar ou de suspender a carteira de motoristas cujos recursos ainda estão sob análise. Nem mesmo quem for flagrado bêbado ao volante poderá ter a habilitação cassada ou suspensa imediatamente. A decisão do órgão se deu em vista de uma liminar do juiz Fernão Borba Franco, da 14ª Vara da Fazenda Pública, que determinou, na sexta-feira, que a partir de 30 de janeiro de 2015 o Detran interrompesse os bloqueios administrativos das CNHs de condutores que atingem 20 pontos, mas que não tiveram os casos considerados "trânsito em julgado".
"Isso, porém, não exime os motoristas de responder ao processo administrativo instaurado para suspensão do direito de dirigir", informou o órgão.  A decisão de Borba Franco atende a pedido feito pelo promotor Valter Santin. Ele abriu inquérito civil no qual constatou o bloqueio sistemático de carteiras, antes dos recursos das infrações serem julgados, o que tem levado o Judiciário a receber uma série de ações com pedidos de liminar (decisões provisórias) para assegurar o direito de dirigir dos motoristas.
O próprio Judiciário havia alertado o Ministério Público Estadual (MPE) sobre o fato de "milhares" de motoristas entrarem com mandado de segurança. A promotoria levantou dezenas de decisões concedendo o direito de dirigir nessas situações. Mesmo quem é flagrado embriagado consegue hoje protelar, com a apresentação de recursos na Justiça, por até dois anos, a decisão sobre a suspensão de sua carteira.
A investigação do MPE apontou que hoje são abertos no Estado 600.000 processos administrativos por ano para a apuração e a aplicação de suspensão ou a cassação da CNH. Metade é julgada procedente e os motoristas perdem as carteiras. A suspensão varia de 1 a 12 meses. A suspensão ocorre quando o motorista comete infrações e atinge 20 pontos na carteira em um ano - ou por alguma falta que leve diretamente a essa sanção, como dirigir embriagado. A cassação é feita contra motoristas infratores que já estavam suspensos.
Além de perder a carta, o motorista hoje pode responder por crime se for flagrado com a CNH bloqueada pelo Detran. Mas, pela nova decisão da Justiça, esses motoristas só poderão perder a carteira quando todos os recursos já tiverem tramitado nas esferas do Judiciário. Somente de janeiro a junho deste ano, foram feitas 242.053 notificações a condutores que podem ter o direito de dirigir suspenso. Muitos motoristas são notificados da suspensão quando seus recursos ainda estão em análise na Justiça, conforme a Promotoria do Patrimônio Público.
(Com Estadão Conteúdo)

1 de set de 2014

Líder do governo tentará adiar análise de projeto dos conselhos populares

Decreto da Presidência prevê participação social em decisões do governo.
Câmara e Senado irão realizar 'esforço concentrado' nesta semana.

Lucas Salomão Do G1, em Brasília
O líder do governo, deputado Henrique Fontana (PT-RS) (Foto: Luis Macedo / Câmara dos Deputados)O líder do governo na Câmara, deputado Henrique
Fontana (PT-RS), no plenário da Casa.
(Foto: Luis Macedo / Câmara dos Deputados)
O líder do governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-RS), afirmou nesta segunda-feira (1º) ao G1 que tentará convencer as demais lideranças da Casa a não colocarem em votação nesta semana, na qual o Congresso Nacional realizará um esforço concentrado, o projeto que põe fim às consultas públicas para tomadas de decisões do governo federal.
A implantação da chamada Política Nacional de Participação Social, por meio de um decreto presidencial, foi duramente criticada por partidos da oposição e inclusive por parlamentares da base governista. Os opositores do decreto consideram haver invasão da esfera de atuação do Congresso nas decisões políticas e na criação de leis.
Na tentativa de barrar a medida, o líder do DEM na Câmara, deputado Mendonça Filho (PE), apresentarou um projeto sugerindo a anulação das consulta a segmentos da sociedade por meio de conselhos populares. O texto está na pauta da Câmara e pode ser analisado nesta semana pelos deputados federais.
Vamos sugerir ao presidente [da Câmara, Henrique Eduardo Alves] e à oposição que a gente procure uma pauta de assuntos mais consensuais que possam ser votados na terça [02], assuntos que possam nos tirar de um conflito que seria improdutivo"
Henrique Fontana (PT-RS), líder do governo na Cãmara dos Deputados
Responsável pela articulação política do Palácio do Planalto na Câmara, Fontana diz que irá defender diante dos colegas de Legislativo que a consulta do governo aos conselhos populares é um "fortalecimento da democracia direta" e que, em vez de colocar em votação a proposta que acaba com os colegiados, os deputados devem analisar outros projetos que tratam de assuntos "de interesse do país".
"Vamos sugerir ao presidente [da Câmara, Henrique Eduardo Alves] e à oposição que a gente procure uma pauta de assuntos mais consensuais que possam ser votados na terça [02], assuntos que possam nos tirar de um conflito que seria improdutivo", afirmou o líder do governo ao G1. "O que está posto é a disputa em torno do decreto ou a busca de uma pauta consensual. É uma opção que o parlamento deve fazer. Vamos pedir que se procure essa pauta consensual", ressaltou.
O decreto que gerou polêmica no Legislativo foi assinado em maio pela presidente Dilma Rousseff. O texto prevê meios de participação dos conselhos, movimentos sociais e da população em políticas públicas do governo federal. Entre outros pontos, o decreto determina a criação de um colegiado, com membros do governo e da sociedade, para discutir as decisões da administração pública federal, avaliá-las e propor alterações.
Esforço concentrado
Em plena campanha eleitoral, a Câmara dos Deputados e o Senado agendaram para esta semana o chamado “esforço concentrado” para tentar votar propostas paradas na fila de votações das duas casas legislativas. No período eleitoral, é comum que os parlamentares que estão disputando uma vaga nas urnas passem a maior parte do tempo fora de Brasília, dedicando-se à campanha em suas bases regionais. De acordo com levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), 77% dos deputados federais disputarão a reeleição na eleição de outubro.
Na Câmara, além do projeto que tenta derrubar o decreto dos conselhos populares, estão na fila de votações duas propostas que trancam a pauta e precisam ser votadas para que outras matérias possam ser analisadas pelos parlamentares.
Um dos textos à espera de votação é a medida provisória 648/2014, que flexibiliza o horário do programa "Voz do Brasil", transmitido diariamente por todas as estações de rádio do país, às 19h. O noticiário criado durante o governo Getúlio Vargas divulga informações do Legislativo, do Executivo e do Judiciário. Encaminhada pelo Executivo ao Congresso para permitir a flexibilização da transmissão para o período da Copa do Mundo, o texto foi alterado pelos congressistas e agora prevê que as emissoras possam escolher transmitir o programa entre 19h e 22h.
Além da MP da Voz do Brasil, também está na pauta da Câmara o poLêmico projeto de lei 7735/2014, que cria regras nacionais para o uso do patrimônio genético da biodiversidade. A proposta prevê pagamento de royalties para a utilização de sementes e produtos genéticos que não são oriundos do território brasileiro.
O texto ainda não tem relator definido e já recebeu mais de cem emendas, o que pode dificultar a análise em plenário nesta semana. Caso o texto não seja votado, todos os outros projetos de lei em tramitação na Casa ficarão impedidos de serem analisados em plenário. Neste caso, os deputados só poderiam apreciar propostas de emenda à Constituição (PECs) e projetos de lei de iniciativa de tribunais e outras esferas.
Também estão na pauta da Câmara a conclusão da análise da proposta que estabelece nova jornada para caminhoneiros. Além disso, podem ser apreciados durante o esforço concentrado o projeto que institui jornada de trabalho de 30 horas semanais para profissionais de enfermagem e a Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte, também conhecida como Proforte.
Homenagem a Eduardo Campos
Antes das sessões deliberativas desta semana, também está prevista nesta terça-feira (2) uma sessão solene para homenagear o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) e o ex-deputado Pedro Valadares Neto (PSB-SE), que morreram em um acidente aéreo em Santos (SP) no mê de agosto. A sessão está marcada para as 15h.
Candidato do PSB à Presidência da República, Campos atuou como deputado federal em três ocasiões, entre 1995 e 2007. À época em que trabalhou no parlamento, ele liderou a bancada do PSB na Câmara três vezes.
Pedro Valadares também foi eleito deputado três eleições, duas delas como suplente. Sobrinho do senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), ele era um dos assessores da campanha de Campos para presidente.
Senado
Em meio ao esforço concentrado desta semana, também estão previstas sessões para votações de projetos no Senado. Há 21 propostas na pauta de votações da Casa.
O primeiro item na fila de votações é o projeto de lei que aumenta os percentuais de biodiesel e etanol misturados, respectivamente, ao óleo diesel e à gasolina. O texto foi aprovado em agosto pelo plenário da Câmara dos Deputados.
O projeto estabelece um volume de 6% de biodiesel adicionado ao óleo diesel a partir de julho deste ano. O texto também prevê a adição de 7% a partir de novembro. De acordo com a medida aprovada pela Câmara, o biodiesel necessário à adição obrigatória ao óleo diesel deverá ser fabricado preferencialmente a partir de matérias-primas produzidas pela agricultura familiar.
Também está na pauta do Senado o projeto de lei complementar que estabelece requisitos e critérios diferenciados para a concessão de aposentadorias aos servidores públicos portadores de deficiência. O benefício já é previsto para os contribuintes do INSS.
O texto determina que o servidor público com deficiência possa se aposentar após dez anos de exercício efetivo no serviço público e cinco anos no cargo efetivo em que se dará a aposentadoria. O tempo de contribuição varia entre 25 e 29 anos para homens e entre 20 e 24 anos para mulheres, de acordo com o grau de deficiência.
Outros itens que também podem ser apreciados pelos senadores são o projeto de lei que obriga entidades a terem pessoal capacitado para reconhecer e reportar casos de maus-tratos em crianças e adolescentes; a PEC que permite a eleição de representantes brasileiros que moram no exterior e que atuariam em comunidades formadas fora do país; e a PEC que estabelece o pagamento de um adicional por tempo de serviço a juízes e membros do Ministério Público.