30 de mar de 2015

Dilma se irrita com declaração de Levy e escala Mercadante para "passar o recado"

Presidente teme que afirmações do ministro da Fazenda sobre tomada de decisões prejudiquem ajuste fiscal

AE
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A presidente Dilma Rousseff escalou o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, para transmitir sua profunda insatisfação com declarações do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, de que ela nem sempre age da forma mais eficaz. Dilma, segundo interlocutores, ficou irritada e indignada ao tomar conhecimento da fala de Levy, feita na terça-feira passada em um encontro em São Paulo, e divulgada no sábado, 28.
Mercadante telefonou ao ministro da Fazenda ainda no sábado, após tomar conhecimento da fala de Levy, feita numa palestra para ex-alunos e professores da Universidade de Chicago. "Acho que há um desejo genuíno da presidente de acertar as coisas, às vezes, não da maneira mais fácil... Não da maneira mais efetiva, mas há um desejo genuíno", disse ele, em inglês.
 
A avaliação no Planalto e no Congresso é que esse tipo de discurso vindo do principal ministro da área econômica e responsável por sanear as contas públicas do País dificulta as negociações em torno do ajuste fiscal. É dado como certo que o tema deve interferir nas discussões em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, marcada para amanhã, quando o ministro pretende detalhar seu plano de corte de gastos e a política de retomada do crescimento.
 
Resistências
 
Em meio a sucessivas derrotas sofridas pelo governo no Congresso, um dos principais objetivos do Planalto é que o Senado retire de pauta projeto que obriga a presidente a regulamentar a troca dos indexadores da dívida de Estados e municípios com a União, reduzindo o valor devido. Isso depende de a audiência de Levy na CAE não ser contaminada pelas suas recentes declarações.
 
"Ele (Levy) tem que tomar mais cuidado. É evidente que é ruim e dá munição para quem quer. A presidente já está sendo muito atacada", afirmou, reservadamente, um ministro próximo à presidente.
 
A avaliação de aliados é que, se o próprio ministro da Fazenda questiona a eficiência da presidente, é difícil convencer os congressistas a aderir a um pacote de medidas impopulares proposto por ela. Para o Planalto e aliados, Levy, mais do que ninguém, precisa defender o governo em um contexto em que o ajuste enfrenta resistência da oposição e de partidos da base, entre eles o próprio PT.
 
Apesar do mal-estar causado pelas declarações, o Planalto trabalhará para minimizar o episódio. Espera-se que Dilma se posicione na primeira oportunidade em que for questionada por jornalistas, mas uma reprimenda dura ao ministro fragilizaria ainda mais o governo nas negociações.
 
Reações
 
No Congresso, a polêmica deve fermentar com a ajuda da oposição e do próprio PT. "Do ponto de vista político, a fala do ministro é temerária: ironiza a presidente em público. Isso corrói ainda mais a credibilidade do governo a que pertence", afirmou o senador José Serra (PSDB-SP), suplente da CAE.
 
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF), também integrante da CAE, disse que perdeu o cargo de ministro da Educação no primeiro mandato de Lula por ter criticado o governo de forma mais branda do que fez Levy. Buarque ocupou o cargo entre 2003 e 2004 e foi demitido por telefone. "Fui dizer coisas desse tipo sobre o Lula, sem nem citar o nome dele, e acabei caindo. Lembro da frase que eu disse: não precisa do Fome Zero, basta ampliar a Bolsa Família. Essas coisas é perigoso para um ministro dizer."
 
Para o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), "não é recomendado a um subordinado esse grau de liberdade". "Espera-se dele um discurso mais uníssono ao da presidente." O líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), disse que "ele quis dizer que a presidente é bem intencionada e, às vezes, as coisas não dão certo ou é difícil.
 
Levy não quis se pronunciar ontem. Na noite de sábado, ele divulgou nota dizendo que sua declaração foi mal interpretada.

29 de mar de 2015

A ineficiência da Delegacia da Mulher

Elas são palco de uma segunda violência contra as vítimas, com policiais despreparados, um descaso imenso e um tom quase de deboche. Por Clara Averbuck
Por que os policiais tentam dissuadir a vítima de fazer B.O.?
Pôster russo contra a violência domésticaUma amiga virou estatística e foi agredida pelo companheiro. Pensei: direto pra Delegacia da Mulher, lá ela vai ter o acolhimento necessário pra essa situação tão delicada. E foi aí que comecei a descobrir que essa delegacia não é NADA do que a gente imagina. Relatarei, pois, o suplício que foi para conseguir fazer um simples boletim de ocorrência. Que dobrem a língua aqueles que dizem à mulher agredida que é “só ir à Delegacia da Mulher e fazer um B.O.”. Passamos pelo inferno, colegas, um inferno que eu não só não vou esquecer como vou fazer tudo que estiver em meu poder e além para que esse panorama mude. Este post é o primeiro de uma série em que tratarei do assunto.
Começa pelo fato de que a DDM não abre nos fins de semana. Manda avisar os agressores que só pode bater em dia de semana, viu? Mas a real é que não faz diferença. Eu achava que faria, achava que não seria como uma delegacia comum, onde sabidamente muitos policiais fazem pouco caso com abuso, culpam as vítimas de estupro, enfim, toda aquela coisa da cultura machista que já sabemos como funciona.
Nada me tira da cabeça que aquele lugar foi feito para que as mulheres desistam de fazer denúncia. Havia um homem na triagem, um investigador de meia idade que olhou bem na nossa cara e perguntou: mas o que aconteceu? Ali mesmo na recepção, sem nenhum acolhimento, nenhum tato, bem alto, sem nenhuma privacidade. Só de ficar ali sentada fiquei sabendo das histórias das mulheres que chegavam lá e que encolhiam cada vez que ouviam essa pergunta. Sei que o procedimento padrão de uma delegacia é esse, mas em uma DDM deveria ser diferente, a mulher não vai lá relatar roubo de celular ou furto de carro; é uma delegacia voltada exclusivamente a tratar da violência contra a mulher, não é?
Deveria ser. O que eu vi acontecer lá foi uma segunda violência contra as vítimas, policiais despreparados, um descaso imenso e um tom quase de deboche quando comentavam outros casos.
Havia lá um grupo de bolivianas esperando pra fazer B.O., pois uma delas estava sendo ameaçada pelo marido, que dizia que ia meter uma bala na cabeça dela e levar o filho pequeno, de um ano e meio, embora do País. O homem estava ameaçando também as tias e primas dela, todas presentes na delegacia. Ocorre que a escrivã não falava espanhol e não tinha NENHUMA paciência pra ouvir a mulher, apenas fazia “HEIN?” com cara de asco. Asco. Olhava pra o menininho, o filho, um bebê, com asco. Minha amiga, que fala espanhol, tentou intermediar a conversa, e a boliviana ameaçada contou a ela que já tinha estado outra vez lá, mas a escrivã tinha se recusado a fazer o B.O. pois não quis nem se esforçar pra entender.
Esperamos mais de uma hora nesse primeiro dia e tivemos que ir embora, pois precisávamos buscar o filho da minha amiga na creche.
Voltamos no dia seguinte e, ao chegar lá, senti um alívio: agora eram duas mulheres na recepção da DDM. Empatia, finalmente, pensei. Mal sabia eu que seria ainda pior do que ser atendida por um homem. A investigadora também não tinha um pingo de tato, assim como a escrivã.
Minha amiga estava nervosa e fragilizada, como estão todas as mulheres que procuram uma DDM. Era nossa terceira vez lá, ela estava ansiosa e a investigadora resolveu que o tom dela não era o correto para ser usado, já criando um atrito totalmente desnecessário em uma situação delicada.
Essa mesma investigadora e uma outra mulher lá de dentro resolveram que era ok falar mal de bolivianos, precisamente: “Boliviano é uma raça desgraçada” e outros impropérios. Até onde sei, xenofobia é crime, né não? E lá estava uma investigadora da polícia cometendo este crime.
O pesadelo seguiu e minha amiga entrou para dar o depoimento. Acredito que jamais vi uma mulher ser tão maltratada por alguém que deveria ajudá-la. Eu não pude entrar com ela na sala, mas ouvi de fora; a escrivã chegou a dizer que a agressão que o sujeito cometeu não era crime. Mesmo com ela conhecendo a lei e batendo o pé, a escrivã se recusava a escrever exatamente o que minha amiga relatava, mudando os fatos e suavizando o ocorrido e ainda teve a manha de falar que as mulheres que “juntam os trapos” com um homem com histórico de agressor têm culpa pelas agressões que seguem. Ela teve que chamar a delegada na sala para conseguir que o B.O. fosse feito direito.
Eis que ocorreu uma coincidência que só me deixou mais bolada e mais puta: uma conhecida entrou na delegacia e, por sua vez, era conhecida da delegada. Ela disse: você conhece a Clara? Ela é uma das maiores blogueiras de direitos das mulheres do Brasil.
E aí tudo mudou, minha gente. Foi um tal de "o que você precisa, está tudo bem, foram bem atendidas? Têm alguma dúvida, precisam de alguma coisa?".
Quis dizer: preciso sim, Doutora Delegada: preciso que vocês parem de tratar as mulheres com descaso, que parem de fazê-las passar por uma segunda violência. Preciso que suas escrivãs conheçam a lei, que não culpem as mulheres pela violência que sofrem, que não constranjam essas mulheres fazendo-as relatar suas histórias sem nenhuma privacidade, na frente de todo mundo, e eventualmente para homens, que não deveriam sequer estar nessa delegacia pra começo de conversa.
Contei sobre esse tratamento no Facebook e muitas das minhas amigas tinham histórias similares à nossa. Resolvi pedir depoimentos anônimos para escrever um texto e foi como abrir a caixa de pandora do horror da ineficiência policial: é uma história pior do que a outra.
Não foi uma, duas, ou três. Até agora tenho 27 depoimentos de mulheres que foram tratadas com descaso na delegacia que deveria orientar, acolher e  ajudar punir quem comete um crime. Em praticamente todos os casos os policiais tentam dissuadir a vítima de fazer B.O., dizem que não vai dar em nada, e questionam como se a culpada fosse a vítima, redigem os boletins de ocorrência como bem entendem e chegam ao cúmulo, como foi o nosso caso, de distorcer a Lei Maria da Penha para que a mulher agredida ache que seu caso não se encaixa ali.
Isso NÃO PODE ocorrer. Não pode. Não pode em lugar algum e menos ainda em um País onde a violência contra a mulher tem dados tão alarmantes que existe uma delegacia só para atender esses casos. Mas não adianta apenas existir, tem que funcionar, e o que presenciei foi apenas ineficiência e descaso para com as mulheres que deveriam estar sendo acolhidas.
Não “é assim mesmo”. Não pode ser e tem que mudar.

28 de mar de 2015

Copiloto planejava grande gesto e queria ser lembrado, diz ex-noiva

Jovem de 26 anos deu entrevista a jornal alemão.
Segundo ela, Andreas Lubitz passava por tratamento psiquiátrico.

Da Reuters
Foto de arquivo mostra Andreas Lubitz, o copiloto do voo 4U9525, correndo na Airportrun, em Hamburgo (Alemanha), em setembro de 2009 (Foto: Michael Mueller/AP)Foto de arquivo mostra Andreas Lubitz, o copiloto do voo 4U9525, correndo na Airportrun, em Hamburgo (Alemanha), em setembro de 2009 (Foto: Michael Mueller/AP)
O copiloto do avião da Germanwings suspeito de derrubar a aeronave deliberadamente disse a sua ex-noiva que estava em tratamento psiquiátrico e que planejava um grande gesto do qual todos se lembrariam, publicou o jornal alemão “Bild” neste sábado (28).
O jornal apresentou uma entrevista com a mulher que disse ter mantido um relacionamento em 2014 com Andreas Lubitz. Ele é apontado pelas autoridades como responsável pela queda do avião nos Alpes franceses, matando as 150 pessoas a bordo.
“Quando soube do acidente, eu lembrei de uma frase que ele disse”, contou a mulher, uma comissária de bordo de 26 anos identificada apenas como Maria W. “Um dia eu farei algo que vai mudar o sistema, e então todos saberão meu nome e se lembrarão dele.”
Ela disse que não entendia o que ele queria dizer, mas que agora fez sentido. “Ele fez isso porque percebeu que, devido a seus problemas de saúde, seu grande sonho de trabalhar na Lufthansa, de ter o cargo de piloto em voos de longa distância, era praticamente impossível.”
 
A mulher falou sobre o relacionamento pessoal dos dois e disse que eles viajaram juntos de avião por cinco meses pela Europa no ano passado. Maria disse ainda que terminou com Andreas por causa dos problemas pessoais e do comportamento instável dele.
A promotoria de Düsseldorf informou nesta sexta-feira (27) que Andreas Lubitz, de 28 anos, copiloto apontado como responsável pela queda do avião da Germanwings, tinha um atestado médico de dispensa de trabalho por doença que havia ocultado da companhia, assim como outros documentos que demonstravam que ele estava sob tratamento.
Maria W. disse ao jornal: "Nós sempre conversamos muito sobre o trabalho e, em seguida, ele se tornou uma pessoa diferente. Ele tornou-se preocupado com as condições sob as quais trabalhávamos: muito pouco dinheiro, medo de perder o contrato, muita pressão".
"Ele era capaz de esconder dos outros o que realmente estava acontecendo", disse a jovem, que diz que ele "não falava muito sobre a doença, só que estava fazendo um tratamento psiquiátrico".
Um porta-voz da Lufthansa não quis comentar.
O "Bild" já havia publicado antes que Lubitz esteve por um ano e meio sob tratamento psiquiátrico antes de completar sua formação. O acidente, que ocorreu na última terça-feira (24), deixou 150 mortos.
De acordo com o jornal, que cita como fontes "círculos da Lufthansa", as razões pelas quais  Lubitz interrompeu sua formação em 2009 se deveram a uma grave depressão diagnosticada nesta época.
Com base em fontes e documentos internos da Lufthansa, o "Bild" disse que Lubitz passou no total um ano e meio em tratamento psiquiátrico, e que documentos relevantes serão enviados aos investigadores franceses após serem examinados por autoridades alemãs.

27 de mar de 2015

Graça: Lula foi enfático sobre a necessidade de construção de refinarias

A gestora também afirmou não saber quem indicou Nestor Cerveró, Paulo Roberto Costa e Renato Duque para postos de comando na estatal

AE
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A ex-presidente da Petrobrás disse à CPI da Petrobras que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva era enfático sobre a necessidade de construir refinarias no Brasil. "Ele deu várias broncas na diretoria da Petrobras, sempre empurrando a Petrobras para frente", disse. Ela afirmou que, em encontro com conselheiros da estatal, Lula destacou a importância da construção do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj), posteriormente aprovado pelo conselho.
Graça foi questionada pelo deputado Nilson Leitão (PSDB-MT) se estaria encobrindo alguém e se preferia o PT à Petrobras. Ela respondeu: "Mil vezes Petrobras, Petrobras, Petrobras". A gestora também afirmou não saber quem indicou Nestor Cerveró, Paulo Roberto Costa e Renato Duque para postos de comando na estatal. Ela disse ainda que nunca viu João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, acusado de participar no esquema de desvios.
Sobre sua saída da estatal, Graça Foster ressaltou que não foi demitida, mas pediu demissão com outros colegas, que chamou de "meus diretores". " Meus diretores não estão se defendendo ou fazendo delação premiada", justificou.
Segundo ela, o momento pedia a indicação de Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil, para a presidência da Petrobras. "Tem horas que a Petrobras precisa de um economista, de um engenheiro. Tem horas que um financista é o nome do momento", avaliou. "Certamente, a Petrobras merecia um gestor muito melhor do que eu", disse Graça.
Governança
Graça disse que não acredita em governança perfeita. "Nossa governança precisava ser melhor", disse. Ela reafirmou que o sistema da Petrobras não detectou ações externas à estatal e, por esse motivo, ela criou a diretoria de Governança e Compliance.
Sobre a transferência de bens para parentes, Graça afirmou que passou um apartamento no Rio de Janeiro para a filha, uma casa na Ilha do Governador para dois filhos, além de um apartamento em Búzios, que ainda até em processo. Ela disse que mora em um apartamento no Rio de Janeiro e queria fazer uma divisão entre os filhos. Ressaltou ainda, em depoimento à CPI da Petrobras, que as transferências começaram em 2012.
Corrupção
A ex-presidente da Petrobras disse Que não pode caracterizar a corrupção como sistêmica e institucionalizada na companhia. Ela afirmou não poder fazer essa avaliação porque não sabia dos fatos e só teve informação quando foi deflagrada a operação Lava Jato.
Ela informou que uma investigação interna, com a participação duas empresas privadas independentes, está em curso e levará até dois anos para ser concluída. A medida, segundo ela, foi uma exigência da empresa de auditoria PricewaterhouseCoopers. "A partir daí, teremos mais informações para colaborar com a Polícia Federal e com os órgãos de controle", disse.
Graça também afirmou que é a Petrobras quem paga a conta da corrupção e do pagamento de propinas. Para ela, se uma empresa paga propina para fechar um contrato, esse valor será incluído no próximo contrato. "A empresa que pega sua margem e paga propina, na próxima licitação que fizer, vai jogar isso no preço", afirmou, em depoimento à CPI da Petrobras.
A gestora afirmou que tem informações pela imprensa sobre o esquema de corrupção. "O que eu tenho lido o ouvido é que essas práticas eram intensas até 2012 e que depois esse cartel se desfez", disse.
Lava Jato
Graça Foster disse que a operação Lava Jato muda a estatal para melhor. "Não tenho dúvidas em relação ao bem que a operação Lava Jato já vem causando na Petrobras", avaliou.
"Não vamos esquecer nunca o ano de 2014", disse Graça, antes de afirmar que a operação da Polícia Federal é uma lição que não deve ser esquecida. A gestora voltou a falar da competência técnica de Paulo Roberto Costa, Renato Duque e, especialmente, Pedro Barusco. "Eu tenho vergonha, muita vergonha", disse, se referindo ao envolvimento dos ex-colegas no esquema de corrupção.

26 de mar de 2015

O desafio de punir juízes no Brasil

Casos como o do magistrado flagrado dirigindo o Porsche de Eike Batista causam indignação, mas sanção máxima é a aposentadoria compulsória
por Deutsche Welle
STF
Duas PECs tramitam no Congresso para pôr fim à aposentadoria compulsória
Por Karina Gomes
O juiz federal Flávio Roberto de Souza, flagrado dirigindo um Porsche apreendido na casa do empresário Eike Batista, está afastado das funções. Teve prisão pedida pelo Ministério Público Federal, mas negada pelo Tribunal Regional Federal do Rio. Em dezembro do ano passado, o magistrado maranhense Marcelo Baldochi foi punido por abuso de poder depois de dar voz de prisão a funcionários da TAM que o impediram de embarcar por atraso.
Mesmo com o afastamento, ambos recebem a aposentadoria compulsória, sanção máxima conferida a membros do Judiciário. Eles continuam recebendo vencimentos integrais ou proporcionais ao tempo de serviço, assim como mais de 40 juízes que, atualmente, estão submetidos a esse regime. No Brasil, um juiz só pode perder o cargo depois que for condenado e a sentença transitar em julgado – ou seja, quando se esgotarem todos os recursos.
"Essa aposentadoria privilegiada causa uma enorme revolta na população. Não é possível alguém cometer um fato grave e se retirar com uma renda muito superior à da maioria absoluta dos brasileiros", afirma o desembargador Vladimir Passos de Freitas, professor da PUC-PR.
Propostas de reforma emperradas
A justificativa usada para a punição com aposentadoria é que os cargos são vitalícios. "Isso dá direito ao recebimento, mas não é republicano. Eles deveriam, se fosse o caso, pagar pelo prejuízo que provocaram. Não podem ser premiados com uma aposentadoria compulsória e recebimento de salários", critica o ex-procurador Lenio Streck.
Duas Propostas de Emenda Constitucional (PECs) tramitam no Congresso para pôr fim à aposentadoria compulsória. A PEC 505, de 2010, está parada na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. O projeto exclui a aposentadoria e permite a perda de cargo de magistrados e membros do Ministério Público. A PEC 53, de 2007, que também tramita na Câmara, prevê a aposentadoria, mas mantém intactos os vencimentos de autoridades acusadas de irregularidades.
Para Streck, a magistratura se beneficia de legislações atrasadas, que abrandam punições a juízes que cometem irregularidades. Segundo ele, vai levar anos ainda para equiparar a jovem cidadania – "porque a democracia brasileira é recente" – a uma Justiça centenária.
Corporativismo e impunidade
Segundo Freitas, a fiscalização sobre a conduta dos juízes tem melhorado, mas ainda existe muita proteção interna. "Muitas vezes os que aplicam a sanção são conhecidos dos infratores e decidem de forma muito condescendente, impondo, por exemplo, uma mera pena de advertência", explica.
Ele acredita que a reforma da Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) pode trazer avanços para o controle disciplinar dos juízes. "As próprias associações começam a se dar conta de que não podem proteger os que têm má conduta, porque isso afeta todos indistintamente", diz.
A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) se posicionou a favor da apuração do caso do juiz que utilizou o automóvel de Eike Batista, rejeitando dar apoio ao magistrado. Para Freitas, essa é uma posição inédita. "Jamais vi uma associação tomar tal tipo de atitude", afirma o ex-presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre.
Para Streck, casos como o da TAM e o do Porsche mostram que os juízes se consideraram acima dos cidadãos. Freitas lembra que esses casos são exceções. "Mas eles acabam abalando a imagem de toda a classe. Por isso penso que as medidas disciplinares devem ser rápidas e efetivas."
Herança patrimonialista
Para Streck, as leis do Judiciário, Ministério Público e Defensoria Pública são corporativas: "Elas trazem mais direitos do que deveres. Isso faz parte da nossa herança patrimonialista."
O especialista dá um exemplo: entidades de classe querem que a presidente Dilma Rousseff vete artigos do novo Código de Processo Civil, aprovado pelo Congresso, que exigem fundamentação das decisões judiciais. Segundo nota das três associações de magistrados do país (AMB, Ajufe e Anamatra), os vetos não têm o objetivo de "diminuir o trabalho dos juízes", mas preservar a independência funcional e a "duração razoável do processo".
"Quando se trata de maior responsabilização para os juízes, as entidades recuam. O modo como elas lidam com a população ainda é muito autoritário", avalia Streck.

25 de mar de 2015

"Não estamos atropelando nada, nem ninguém", diz Dilma sobre MP do salário mínimo

O Planalto costurou um acordo com o PMDB e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que resultou na retirada da pauta de votações de um projeto que estendia até 2019 a política de reajuste

AE
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Depois de assinar Medida Provisória que trata da política de salário mínimo de 2016 a 2019, a presidente Dilma Rousseff disse nesta terça-feira, 24, que o Palácio do Planalto não está "atropelando nada nem ninguém". A MP mantém a atual política para a área, de combinação da recomposição da inflação do ano anterior mais uma taxa de aumento real equivalente ao crescimento do PIB de dois anos antes.
O Planalto costurou um acordo com o PMDB e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que resultou na retirada da pauta de votações de um projeto que estendia até 2019 a política de reajuste do salário mínimo. Isso poderia dar o mesmo gatilho de reajuste para todo o regime geral da Previdência.
 
"Temos no dia 1º de maio, daqui a um mês, nós temos o Dia do Trabalhador. Tradicionalmente foi sempre o Executivo que enviou as Medidas Provisórias de valorização do salário mínimo. Essa não foi a primeira vez que fizemos, é a segunda que eu assino", disse Dilma a jornalistas, depois de participar de solenidade de assinatura da MP, no Palácio do Planalto.
 
"Então o que temos certeza é que essa Medida Provisória tem urgência e tem toda a justificativa para ser enviada. Sempre fizemos isso. Não há nada de diferente. Não estamos atropelando nada, nem ninguém. Estamos exercendo uma coisa que é característica do governo: o direito de iniciativa em algo que gera despesas", comentou a presidente, destacando que o acordo foi acertado com a base aliada.

24 de mar de 2015

Presos da Lava Jato vão dividir celas e banheiros na Grande Curitiba

Justiça autorizou transferência de 12 presos para o Complexo Médico-Penal.
Polícia Federal pediu a transferência alegando lotação das celas.

Do G1 PR
Os 12 presos da Operação Lava Jato que serão transferidos para o Complexo Médico Penal, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, vão dividir cinco celas da unidade. O grupo teve a transferência autorizada pelo juiz federal Sérgio Moro, após um pedido da Polícia Federal, que alegou superlotação na carceragem da Superintendência de Curitiba, onde eles estão atualmente.
Os presos respondem a processos por crimes como lavagem de dinheiro, corrupção e fraudes em licitações da Petrobras. Esses crimes, segundo o Ministério Público Federal, foram cometidos para abastecer o caixa de partidos políticos da base aliada do governo. A Operação Lava Jato desmantelou essa quadrilha que agia na estatal e também em outros casos de lavagem de dinheiro.
Nas celas cabem três presos, que compartilham o banheiro (Foto: Tony Matoso/RPC)Nas celas cabem três presos, que compartilham o
banheiro (Foto: Tony Matoso/RPC)
A ala que os presos da Lava Jato vão ficar é destinada a receber presos que possuem nível superior e policiais. A transferência dos detentos deve ocorrer na terça-feira (24). Não se sabe como será a divisão dos presos nas celas. Na Polícia Federal, eles também ficavam em celas compartilhadas, porém, com mais pessoas no mesmo espaço.
Atualmente, 90 pessoas estão detidas na ala. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (Sesp) do Paraná, os presos da Lava Jato poderão interagir com outros detentos  durante os banhos de sol, que devem durar uma hora. A roupa será o uniforme fornecido pelo Departamento de Execução Penal (Depen), uma calça cinza, azul ou laranja e camiseta branca. Ao entrar na cela, os presos vão receber um kit que tem, entre outras coisas, escova de dentes e papel higiênico.
Ala recebe presos com nível superior e policiais militares condenados (Foto: Tony Matoso/RPC)Ala recebe presos com nível superior e policiais
militares condenados (Foto: Tony Matoso/RPC)
Ao todo, serão cinco celas usadas pelos presos transferidos. No local, é possível colocar uma televisão, mas eles não podem ter ventiladores. O acesso a livros e revistas só será possível pelo acervo da biblioteca do presídio. A alimentação também será a que é fornecida pelo Depen. Não é possível levar objetos pessoais para a unidade.
Em cada cela, cabem três presos. Nenhum dos 12 transferidos recebeu qualquer condenação nos processos da Lava Jato, mas tiveram as prisões preventivas já decretadas pela Justiça Federal, ou seja, devem ficar presos até que se acabe a fase de instrução do processo ou até a eventual condenação. Entre os detentos está o ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque. Veja a lista completa:
 

- Adir Assad, empresário apontado como um dos operadores do esquema de corrupção;
- Agenor Franklin Magalhães Medeiros, diretor-presidente da área internacional da OAS;
- Erton Medeiros Fonseca, diretor de negócios da Galvão Engenharia;
- Fernando Antônio Falcão Soares, lobista conhecido como Fernando Baiano, apontado como um dos operadores do esquema de corrupção na Petrobras;
- Gerson de Mello Almada, vice-presidente da empreiteira Engevix;
- João Ricardo Auler, presidente do Conselho de Administração da Camargo Corrêa;
- José Aldemário Pinheiro Filho, presidente da OAS;
- José Ricardo Nogueira Breghirolli, apontado como contato de doleiro com a OAS;
- Mário Frederico Mendonça Góes, apontado como um dos operadores do esquema;
- Mateus Coutinho de Sá Oliveira, funcionário da OAS;
- Renato de Souza Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras;
- Sérgio Cunha Mendes, vice-presidente executivo da Mendes Júnior
Despacho
Na decisão, Sérgio Moro detalhou os motivos pelos quais definiu a custódia dos presos no Complexo Médico-Penal. "Não ouvi as defesas antes das decisões, pois rigorosamente não há um direito de ser recolhido à prisão no local de preferência do preso", disse. O juiz ressalta ainda que "o local apresentado ao juízo para acomodar os presos no sistema prisional estadual parece adequado, talvez até com melhores condições do que as da carceragem [da PF]", pontuou o magistrado.
Outros réus
No despacho, Moro também diz que não autorizou a transferência de Nestor Cerveró, ex-diretor da área Internacional da Petrobras. Segundo o juiz, o réu já estaria recebendo assistência psicológica na carceragem da Polícia Federal. O pedido do tratamento foi feito pela defesa de Cerveró no início de fevereiro, após o ex-diretor passar mal na sede da PF.
Outro que teve o pedido de transferência negado foi o presidente da construtora UTC, Ricardo Ribeiro Pessoa, por solicitação do Ministério Público Federal (MPF).
Além dos dois, permanecem na sede da PF: o doleiro Alberto Youssef, os executivos da Camargo Corrêa Dalton dos Santos Avancini e Eduardo Leite, além das doleiras Nelma Kodama e Iara Galdino, já condenadas em uma das primeiras ações oriundas da Lava Jato.
Transferência para o DF
No domingo (22), a defesa do vice-presidente da empreiteira Mendes Junior, Sérgio Cunha Mendes, protocolou na Justiça Federal do Paraná um pedido para que Mendes fosse transferido para o presídio da Papuda, em Brasília.
Contudo, Sérgio Moro negou o pedido da defesa. O magistrado alegou que a presença de Cunha Mendes em Curitiba "ainda se mostra necessária".
Presos soltos
Na última sexta-feira (20), três suspeitos presos na 10ª fase da operação, deflagrada na segunda-feira (16), foram soltos, porque as prisões temporárias venceram. São eles: Sônia Mariza Branco, Dario Teixeira Alves e Lucélio Góes.
Conforme a polícia, Mário Góes, o pai de Lucélio, era um dos operadores do esquema de corrupção e atuava por meio da empresa catarinense Arxo. Ele está detido desde fevereiro deste ano.
Sônia Marisa Branco e Dario Teixeira Alves eram, segundo a investigação, "laranjas" do esquema, ligadas ao operador Adir Assad.
Arte - Operação Lava Jato - 10ª fase (Foto: Arte/G1)
 

23 de mar de 2015

PGR vai investigar doações de empreiteiras a partidos

Segundo o jornal 'Folha de S. Paulo', MP fará varredura em ao menos R$ 62,6 mi em doações eleitorais oficiais em busca de irregularidades

CODINOME MOCH - João Vaccari: homem de confiança do ex-presidente Lula, o tesoureiro era o elo financeiro entre os corruptos e os corruptores que atuavam na Petrobras
CODINOME MOCH - João Vaccari: homem de confiança do ex-presidente Lula, o tesoureiro era o elo financeiro entre os corruptos e os corruptores que atuavam na Petrobras (VEJA.com/VEJA)
Depois que delatores da Lava Jato indicaram que dinheiro desviado na Petrobras foi usado para abastecer o caixa de campanha de partidos, a Procuradoria-Geral da República (PGR) vai investigar ao menos 62,6 milhões de reais em doações eleitorais declaradas à Justiça em busca de irregularidades. As informações são do jornal Folha de S. Paulo. A suspeita é de que parte da propina foi repassada pelas empreiteiras a políticos disfarçadas de doações oficiais de campanha.
Segundo o jornal, a varredura do Ministério Público será realizada nas contas de 2010 de partidos e políticos citados na lista do petrolão. Serão investigados 32,8 milhões de reais em doações de empreiteiras para o PMDB, 9,8 milhões de reais para o PT e 9 milhões de reais ao PSDB. Outros repasses para ao menos quinze políticos, em valores que somam carca de 11 milhões de reais, também serão averiguados.
Ainda de acordo com a Folha, a PGR cita "vultuosos valores" doados por empresas ligadas ao petrolão a Renan Calheiros (PMDB-AL) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O documento também pede que sejam investigados os repasses de empreiteiras à senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e menciona que os 9 milhões de reais doados pela Queiroz Galvão ao PSDB "merecem registro". Segundo o jornal, a menção aos tucanos se dá em trecho que cita o ex-presidente da legenda Sérgio Guerra. Em delação premiada, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou que o então presidente do PSDB o teria procurado em 2010 e cobrado 10 milhões de reais para enterrar a CPI da Petrobras aberta no Senado no ano anterior.
Nem todos os citados no petrolão, porém, terão as doações examinadas. O jornal menciona os senadores Edison Lobão (PMDB-MA) e Ciro Nogueira (PP-PI) como exemplos de políticos que receberam contribuições de empreiteiras envolvidas na Lava Jato, mas não tiveram pedido de investigação aberto pela PGR.
Doações suspeitas - Em seu depoimento, o doleiro Alberto Youssef contou que as empresas faziam doações legais para campanhas eleitorais, mas com dinheiro vindo de contratos superfaturados com a Petrobras. Outro delator, o vice-presidente comercial da construtora Camargo Corrêa, Eduardo Leite, relatou que o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, pediu que uma dívida de propina superior a 10 milhões de reais fosse quitada por meio de doações oficiais.
Em depoimento à CPI da Petrobras, o delator Pedro Barusco, ex-gerente de Serviços da estatal, também colocou as contas do PT no centro do escândalo de corrupção: ele afirmou à comissão que foram solicitados 300.000 dólares do megaesquema de lavagem de dinheiro para serem injetados na campanha de Dilma Rousseff à Presidência em 2010. Em acordo de delação premiada, o executivo já havia apresentado uma estimativa de Vaccari ter recebido de 150 a 200 milhões de dólares em propina entre 2003 e 2013.

22 de mar de 2015

Com seca, produtores trocam hidrovia por caminhões e têm prejuízo

Tietê-Paraná está fechada desde maio de 2014 por causa da seca.
Setor de grãos já acumula prejuízo de ao menos R$ 57 milhões, diz Abag.

Karina Trevizan Do G1, em São Paulo
Hidrovia Tietê-Paraná (Rede Globo) (Foto: Reprodução Rede Globo)Fechamento da hidrovia Tietê-Paraná obrigou produtores a transportar grãos por rodovias, gerando custos extras (Foto: Reprodução/TV Globo)
A estiagem causou prejuízo estimado de pelo menos R$ 57 milhões entre 2014 e 2015 ao setor do agronegócio por causa da impossibilidade de transportar grãos pela hidrovia Tietê-Paraná. A estimativa é do presidente do Conselho de Logística e Infraestrutura da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Renato Pavan.

A Tietê-Paraná transporta cerca 8 milhões de toneladas de carga anualmente. Desse montante, aproximadamente 2 milhões de toneladas são de soja e milho, que são transportadas em barcaças rumo a indústrias e portos. Fechada desde maio de 2014 por causa da estiagem, a hidrovia não foi reaberta em janeiro – ou seja, a tempo do início da temporada de escoamento de soja.
Por isso, entre 2014 e 2015 o transporte de pelo menos 4 milhões de toneladas de grãos que seriam feitos pela hidrovia e por ferrovia foi feito de caminhão. Isso custa mais caro para o produtor. O prejuízo afeta produtores de estados como Goiás, Mato Grosso e São Paulo.

O trajeto que passou a ser feito de caminhão inclui o trecho da hidrovia entre São Simão (GO) até Pederneiras (SP) e, em seguida, o percurso em ferrovia de Pederneiras até o porto de Santos (SP).
Em 2014, o custo extra estimado com transporte foi de R$ 15 por tonelada de grãos, segundo Pavan, totalizando R$ 30 milhões prejuízo com transporte. De acordo com o representante da Abag, em 2015 o valor estimado diminuiu para cerca de R$ 27 milhões por causa da baixa no preço dos fretes – alvo inclusive de protestos entre os caminhoneiros até o início do mês.
Foram mais de 700 trabalhadores demitidos, que operavam o sistema de barcaças, empurradores, carga e descarga"
Edeon Vaz Ferreira, da Aprosoja
O custo para transportar uma tonelada de grãos pela hidrovia é de R$ 86. Enquanto isso, o valor médio para levar a mesma carga de caminhão era de R$ 101 em 2014 e passou para R$ 99 em 2015, em média, calcula Pavan. “Se não chover, a cada ano os usuários da hidrovia vão ter prejuízo”, diz. “Enquanto não houver uma recuperação da hidrovia, a perda é da ordem de R$ 27 milhões a R$ 30 milhões por ano.”

Segundo o diretor do Movimento Pró-Logística da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja) de Mato Grosso, Edeon Vaz Ferreira, o prejuízo é ainda maior. "No ano passado, 2 milhões de toneladas deixaram de passar pela hidrovia. Neste ano, serão 2,5 milhões de toneladas. No ano passado houve um aumento de custo aos produtores de US$ 37 milhões. Neste ano, serão US$ 46 milhões", diz.

Demissões
Pavan também cita como prejuízo a redução do trabalho em terminais hidroferroviários. “As empresas têm uma estrutura para transportar essa quantidade. A frota paralisada é uma consequência social, pois a empresa tem que demitir um monte de gente”, aponta. “O prejuízo financeiro é quando você paga mais pelo caminhão do que poderia pagar pela hidrovia. O prejuízo social é um monte de gente ser demitida. Não existe uma expectativa a curto prazo para retomar.”
Ferreira, aponta que “foram mais de 700 trabalhadores demitidos”. “Eles operavam todo o sistema de barcaças, empurradores, trabalhavam na carga e descarga em cada ponta”, cita Ferreira.
A Abag não possui um levantamento nacional para calcular o prejuízo total da seca ao agronegócio, incluindo tanto os gastos extras com transporte quanto perdas na produção.
Enquanto não houver uma recuperação da hidrovia, a perda é da ordem de R$ 27 milhões a R$ 30 milhões por ano"
Renato Pavan, da Abag
"A seca ocasionou prejuízo em vários estados. Goiás perdeu quase R$ 1 bilhão, Espírito Santo perdeu R$ 40 milhões, por exemplo", diz Pavan. "Houve uma perda muito grande por causa da seca, que prejudicando o plantio da safrinha. E você não consegue quantificar. Não há um levantamento para saber quanto a seca ocasionou de prejuízo no Brasil."

Ferreira aponta que o impacto foi maior para produtores de milho que para os de soja. "O impacto não se deu na soja, vai se dar no milho por causa da redução da área de plantio. Nós temos um limite da época de plantio. Plantamos normalmente a soja mais cedo, a partir da segunda quinzena de setembro, e colhemos a partir do Natal. Na sequência, plantamos milho e algodão. Isso é o que se faz no Mato Grosso. Neste ano, como houve atraso das chuvas, se plantou poucas áreas de milho", explica.

"Deslocou-se o plantio para mais tarde, houve um atraso de 20 dias. Com isso, atrasou o plantio o milho. Houve uma redução da área do milho", diz Ferreira. Segundo ele, essa mudança trazida pela seca irá "afetar o preço do milho", com aumento do valor.
Outras hidrovias
Pavan e Ferreira afirmam que a Tietê-Paraná foi a única que teve prejuízos por causa da seca. Entre as hidrovias nacionais, outra que enfrenta problemas de navegabilidade é a Hidrovia do Madeira, na região Norte – mas a causa é distinta.

Na hidrovia do rio Madeira, a mudança aconteceu por causa da cheia do rio. “Lá é o contrário, teve problema por causa de enchente. Teve problema de atracação dos comboios e para chegar o produto até o terminal porque as estradas ficaram alagadas. Não dá para quantificar o valor, mas foi considerável”, diz Pavan.

“A hidrovia do rio Madeira é cíclica”, explica Ferreira. “No período das secas, de agosto até dezembro, ela baixa, mas continua-se navegando. Reduz-se o tamanho dos comboios e o peso. O caso da Tietê-Paraná é diferente”, compara o representante da Aprosoja.
 
    Hidrovia Tietê-Paraná é usada para transporte de grãos (Foto: Editoria de Arte/G1)

    21 de mar de 2015

    Combinação de fatores contribui para recorrência de acidentes em SC

    Relevo, clima e volume de tráfego influenciam casos, dizem especialistas.
    Maior tragédia rodoviária matou 51 ocupantes de ônibus há uma semana.

    Mariana Faraco Do G1 SC
    Relevo acidentado, grande movimentação de veículos por conta do turismo e transporte de mercadorias e as características do clima são fatores que contribuem para a recorrência de trágicos acidentes em Santa Catarina, afirmam especialistas. Há também críticas às condições das estradas. No último sábado, as rodovias do estado tiveram seu maior desastre com a queda de um ônibus de turismo em uma ribanceira de Joinville que deixou 51 mortos (veja ao final um histórico com os principais acidentes ocorridos em SC).
    O trecho da SC-418, onde aconteceu o acidente, fica na Serra Dona Francisca, uma das cinco regiões consideradas mais críticas pela Polícia Militar Rodoviária (PMRv), que atua nas rodovias estaduais. Só em 2014, o trecho que vai de Joinville a Fragosos registrou 126 acidentes com vítimas – foram 186 feridos e 16 mortos. No total, nos 4.600 km de estradas estaduais, o ano passado teve 4.508 acidentes com vítimas - 6.009 feridos e 391 mortos.
    A pedido do G1, a PMRv propôs um mapa com as cinco regiões onde foram registrados os acidentes mais graves de 2014 nas estradas estaduais, com as características econômico-geográficas de cada área. A polícia não divulga dados específicos como os trechos exatos onde há mais acidentes com vítimas nem o ranking das rodovias mais críticas:
    arte estradas de santa catarina - VALE ESTA (Foto: Editoria de Arte/G1)
    Norte: Tem relevo bastante acidentado e grande circulação de caminhões por conta do porto de São Francisco do Sul. É cortada pelas estaduais SC-110, 415, 416 e 418 (local do acidente) e pelas federais BR-101 e 280
    Vale do Itajaí: Região de vale onde ocorrem grandes festas como Fenarreco, Oktoberfest e Festa Pomerana, que atraem milhares de turistas anualmente. Tem como característica a presença de rios e é bastante urbanizada. Há trechos que cortam cidades com bastante movimentação de pedestres. A região tem as estaduais SC-108, 110, 421, 412 e 414 e as federais BR-477, 470 e 101.
    Sul: Próxima ao RS, a área é caracterizada pela produção de carvão e tem tráfego intenso de caminhões. É cortada pelas estaduais SCs-100, 108, 370, 390, 441, 443, 445 e 446 e pela federal BR-101.
    Grande Florianópolis: Recebe um grande número de veículos. Nos meses de verão, 1,5 milhão de turistas passam por Florianópolis na alta temporada. Por lá passam as estaduais SC- 401, 403, 404, 405, 406, 407 e 282 e as federais BR-282 e 101.
    Oeste: Com forte indústria agropecuária, a região tem grande deslocamento de caminhões frigoríficos. É cortada pelas estaduais SC-157,159, 160 e 484 e pela federal BR-283.
    As rodovias federais que cortam Santa Catarina também têm números preocupantes. Embora o estado ocupe apenas a 11ª posição entre as maiores malhas rodoviárias federais do país, com 2.619 km, é o 4º com maior número de mortes em acidentes, segundo dados de 2014 da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
    Santa Catarina registrou 537 vítimas fatais em acidentes nas estradas federais no ano passado, atrás apenas de Minas Gerais, Bahia e Paraná – estados com rodovias federais mais extensas, ocupando respectivamente a 2ª, 1ª e 6ª posições.
    Condições das estradas
    No verão, volume de carros da SC-401 sobe de 60 mil para 90 mil veículos ao dia (Foto: Mariana Faraco/G1)No verão, volume de carros da SC-401 sobe de 60 mil para 90 mil veículos ao dia (Foto: Mariana Faraco/G1)
    “As estradas catarinenses não são tão ruins na construção, mas o terreno não ajuda e leva a essa tendência de acidentes, mais que em outros estados”, diz José Bernardes Felex, professor titular de engenharia civil da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). “Economica e geograficamente, também está em uma posição que favorece acidentes, entre Rio Grande do Sul e São Paulo”, diz o professor.
    Sérgio Pöpper, presidente da Associação dos Usuários de Rodovias de Santa Catarina (Auresc), discorda e atribui o problema à condição das rodovias. "Nossa malha estadual e federal está detonada. Há 40 anos trabalho como representante comercial dirigindo pelo estado e vejo que pouca coisa foi feita". Segundo ele, está sendo elaborado um abaixo-assinado para pedir melhorias como a colocação de guard-rails para veículos de grande porte e até mesmo muros de contenção na Serra Dona Francisca.
    Para Camila Belleza, do Laboratório de Transportes e Logística (LabTrans), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e que faz auditorias de segurança viária em trechos críticos de todo o Brasil, o local onde houve acidente em Joinville tem boa iluminação e pavimentação adequada. “Ali a estrada é de concreto, mais aderente”.
    O secretário estadual de Infraestrutura, João Carlos Ecker, afirma que o trecho da Serra Dona Francisca foi construído com segurança. “Vamos melhorar a sinalização. Já estávamos fazendo as melhorias, mas infelizmente aconteceu essa tragédia.”
    Segundo o secretário, 40% dos recursos do programa Pacto por Santa Catarina, lançado em 2012, estão sendo investidos na melhoria da malha viária estadual. Segundo Ecker, os investimentos em obras como duplicações, pavimentações e revitalizações devem chegar a R$ 4 bilhões.
    As regiões com maiores investimentos previstos são as do extremo oeste, com R$ 1,09 bilhão, e norte, com R$ 684 milhões.
    O turismo
    O estado recebe visitantes o ano todo, de ônibus de excursões para grandes festas a turistas internacionais vindos de carro de países como Argentina, Uruguai e Paraguai. “Quando chegam a Santa Catarina esses motoristas já estão viajando há bastante tempo. Estão cansados”, diz o professor Felex.
    O volume de tráfego
    “Temos uma frota que só aumenta”, diz o major Fábio Martins, da Polícia Militar Rodoviária. “A SC-401 em Florianópolis, por exemplo, tem um volume médio diário de 60 mil veículos. No verão, chega a 90 mil”.
    Para Alysson Andrade, chefe de engenharia do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit-SC), é necessário cada vez mais rapidez para a infraestrutura se adequar ao volume de tráfego. “Quando a Via Expressa da Grande Florianópolis, na BR-282, foi implantada, a projeção de tráfego era de 40 mil veículos por dia. Hoje estamos com 170 mil nas duas faixas”, afirma.
    “O volume de tráfego intenso piora as condições. Uma rodovia é feita para durar dez anos, mas vai depender da carga que passa por ela e do volume de trânsito”, diz Hélio Goltsman,  do LabTrans, da UFSC.
    O clima
    O clima subtropical, segundo o major Fábio Martins, também eleva os riscos em SC. “Há muita incidência de neblina, chuva, até neve. Tudo isso influencia na segurança.”
    As características das rodovias
    especial estradas sc - neve na serra do rio do rastro (Foto: PMRv/Divulgação)Neve na Serra do Rio do Rastro; características
    climáticas são fator de acidentes (Foto:
    PMRv/Divulgação)
    Alysson Andrade, do Dnit-SC, diz que Santa Catarina exige uma atenção maior dos motoristas que vêm de fora. “Temos condições de rodovias muito diversificadas, com grandes rampas e que exigem velocidades muito diferentes. Claro que as estradas precisam sempre de melhorias, mas é preciso respeito às leis de trânsito”, diz Andrade.
    A chamada geometria das rodovias, com eventuais curvas, aclives e declines, também é um fator a ser considerado em Santa Catarina. “Se a curva é perigosa, ela não deveria existir. É um erro de projeto”, afirma o engenheiro sênior Hélio Goltsman, especialista em pesagem e movimento e pesquisador do LabTrans, da UFSC.
    No local do acidente em Joinville, a velocidade máxima permitida para a curva onde o motorista perdeu o controle é de 30 km/h. “Com qualquer velocidade superior o motorista já não conseguiria fazer a curva”, diz o major Fábio Martins.
    Segundo Goltsman, o excesso de carga causa desequilíbrio e afeta a dirigibilidade, além de desgastar freios e suspensão mais rápido. “Um veículo sobrecarregado é um catalisador de acidentes numa rodovia”.
    “No caso do acidente de Joinville, é preciso avaliar várias questões: problema de geometria e ou pavimentação, se houve falha do motorista, se ele trabalhou mais de 24h, se houve problema mecânico ou não, ou ainda ser o conjunto delas”, diz o engenheiro de tráfego Ricardo Reibnitz.
    A partir de depoimentos de sobreviventes, a polícia cogita falha mecânica como uma das hipóteses para o acidente. “Mas só com o resultado da perícia poderemos determinar a causa”, disse o delegado Brasil Guarani, da Delegacia de Delitos de Trânsito de Joinvile.
    Histórico de tragédias
    O estado tem um histórico de acidentes graves de ônibus. Só no ano passado, em Santa Catarina, a PRF registrou 493 acidentes envolvendo ônibus, com dois mortos e 126 feridos. O acidente que aconteceu na Serra Dona Francisca não foi o primeiro do ano.
    A PRF informou que realiza fiscalização em ônibus de linha regular e em ônibus de excursão, tanto sozinha, como em conjunto com o Deter e com a ANTT. Em 2014, a PRF reteve 1.643 ônibus irregulares no Brasil. Em 2015, até agora, 355 ônibus tinham alguma irregularidade.
    especial estradas sc - acidente com ônibus de turistas da argentina matou 26 em janeiro de 2000 em pouso redondo, sc (Foto: Reprodução/RBS TV) Veja os acidentes mais graves da história de Santa Catarina:
    Acidente matou 42 (Foto: Reprodução/RBS TV)
    12 de janeiro de 2000
    BR-470
    Um acidente envolvendo um ônibus, um micro-ônibus e dois carros em uma curva de serra deixou 42 mortos entre Pouso Redondo e Curitibanos, no Oeste catarinense. A maioria dos mortos eram turistas argentinos que iriam para o litoral catarinense.



    especial estradas sc - dois acidentes seguidos deixaram 26 mortos em outubro de 2007 em descanso, sc (Foto: Reprodução/RBS TV)27 morreram (Foto: Reprodução/RBS TV)
    9 de outubro de 2007
    BR-282
    Dois acidentes no mesmo local deixaram 27 mortos e mais de 100 feridos em Descanso, no Oeste. Um ônibus fretado que voltava de uma feira agropecuária se chocou com uma carreta. Cerca de duas horas depois, uma outra carreta perdeu o controle e atropelou equipes que prestavam socorro. Morreram neste segundo acidente um PM e um cinegrafista da RBS TV.


    especial estradas sc - acidente de ônibus deixou 26 mortos em descanso, sc em março de 2011 (Foto: Reprodução/RBS TV)Em 2011, 26 mortos  (Foto: Reprodução/RBS TV)
    5 de março de 2011
    BR-282
    O choque entre uma carreta e um ônibus que levava competidores de bolão (espécie de boliche) do Rio Grande do Sul para o Paraná deixou 26 mortos também na cidade de Descanso, no Oeste catarinense. O motorista do ônibus foi uma das vítimas.



    especial estradas sc - acidente de ônibus em mondaí, sc, em junho de 2013, deixou dez mortos (Foto: Gustavo Imhoff/Rádio Porto Feliz)Ônibus levava 39 pessoas (Foto: Gustavo Imhoff/
    Rádio Porto Feliz)
    22 de junho de 2013
    SC-386
    Um ônibus da empresa Transbrasil com 39 pessoas caiu em uma ribanceira de 40 m, em Mondaí, também no Oeste catarinense. Bombeiros levaram mais de 3 horas para resgatar as vítimas. Dez pessoas morreram - quatro no local e seis no hospital.




    Ônibus caiu de ribanceira em Alfredo Wagner (Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação)Ônibus ia ao litoral (Foto: Bombeiros/Divulgação)
    11 de janeiro de 2015
    BR-282
    Um ônibus da empresa Reunidas que havia saído de Posadas, na Argentina, com destino a Florianópolis, saiu da pista e caiu em uma ribanceira em Alfredo Wagner. A maioria dos passageiros era do Rio Grande do Sul. O acidente deixou 9 mortos. Segundo a ANTT, o ônibus não estava autorizado a fazer o percurso. O caso segue sem conclusão.


    acidente de ônibus em campo alegre, serra dona francisca, mortos (Foto: Jean Mazzonetto/RBS TV)Grupo (Foto: Jean Mazzonetto/RBS TV)
    14 de março de 2015
    SC-418
    A maior tragédia rodoviária de Santa Catarina, e uma das maiores do país, aconteceu no km 89 da Serra Dona Francisca, em Joinville. Um ônibus de turismo de União da Vitória, PR, que iria para um evento religioso no litoral, cortou caminho por Santa Catarina e acabou caindo em uma ribanceira de 100 m. O acidente deixou 51 mortos e 8 feridos.

    20 de mar de 2015

    "Queremos diálogo, temos que dialogar", diz Dilma

    No Sul, diante de plateia formada por integrantes de movimentos sociais, presidente repete compromisso de falar com todos e, em defesa da política econômica, afirma que dificuldade atual é 'passageira'

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    A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta sexta-feira, 20, estar disposta a dialogar "até cansar" para garantir o desenvolvimento do País. Diante de uma plateia de cerca de 3 mil pessoas, formada em sua maioria por trabalhadores rurais e integrantes de movimentos sociais e sindicais, a presidente disse que é preciso olhar os diversos segmentos da sociedade e que o "desequilíbrio" na economia é momentâneo.
    "Queremos diálogo e sugestões, só assim se aperfeiçoa. Quando se dialoga tem de tratar o outro como igual, nem melhor nem pior", afirmou. "E dialogar até cansar, nós temos de fazer", complementou. A presidente participou da inauguração  de uma unidade de secagem e armazenamento do produto da Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre (Cootap), no assentamento Lanceiros Negros, do MST, na região metropolitana de Porto Alegre. Dilma foi recebida com aplausos e gritos de apoio pelos convidados. Além de integrantes da (Central Única dos Trabalhadores) e outros movimentos sindicais, membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais (MST) também estavam presentes. João Pedro Stédile, principal líder do MST, discursou no evento.
     
    O aceno ao diálogo feito por Dilma, já prometido durante a campanha eleitoral, voltou a fazer parte dos discursos da presidente após os protestos de domingo, 15, contra o governo federal.  "Conquistamos o estágio de democracia. Ninguém tem de concordar com ninguém em tudo, mas queremos diálogo", disse a presidente nesta sexta.
     
    Em seu discurso, a presidente falou sobre a importância de garantir o desenvolvimento sustentável e voltou a dizer que a economia Brasileira é sólida. "Esse momento de dificuldade é passageiro e conjuntural", afirmou.
     
    Assentamento. Segundo informações do governo, a unidade inaugurada nesta sexta teve financiamento de R$ 3,4 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio do programa Terra Forte do Incra.
     
    Também foi financiado para a cooperativa R$ 1,3 milhão para aquisição de máquinas e mais R$ 1,4 milhão para recondicionamento do complexo de irrigação do canal de Águas Claras, no município de Viamão, totalizando R$ 6,1 milhões investidos.

    19 de mar de 2015

    Em cerimônia, Dilma assina MP da renegociação das dívidas dos clubes

    Ato no Palácio do Planalto contou com políticos e dirigentes dos clubes.
    Segundo estimativas do governo, equipes devem R$ 4 bilhões à União.

    Filipe Matoso Do G1, em Brasília
     Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia de anúncio de Medidas de Modernização do Futebol (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR) Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia de anúncio de Medidas de Modernização do Futebol (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)
    A presidente Dilma Rousseff assinou nesta quinta-feira (19) em cerimônia no Palácio do Planalto a medida provisória que trata da renegociação das dívidas dos clubes de futebol com a União, estimadas em R$ 4 bilhões.
    Nos últimos dias, representantes da Casa Civil, Secretaria de Relações Institucionais e Ministério do Esporte se reuniram com parlamentares e representantes dos clubes no Palácio do Planalto para chegar a um acordo sobre o texto.
    Em janeiro deste ano, Dilma havia vetado artigo de medida provisória que previa a renegociação das dívidas dos clubes sem obrigá-los a uma contrapartida, conhecida como "fair play financeiro".
    A presidente chegou ao evento acompanhada dos ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e George Hilton (Esporte), além dos pentacampeões do mundo em 2002 Dida e Cafu e do vice-presidente da República, Michel Temer.
    Os clubes terão de:
    - publicar demonstrações contábeis padronizadas e auditadas por empresas independentes
    - pagar em dia todas as contribuições previdenciárias, trabalhistas e contratuais, incluindo direito de imagem
    - gastar no máximo 70% da receita bruta com o futebol profissional
    - manter investimento mínimo e permanente nas categorias de base e no futebol feminino
    - não realizar antecipações de receitas previstas para mandatos posteriores, a não ser em situações específicas
    - adotar cronograma progressivo dos déficits que deverão ser zerados a partir de 2021
    - respeitar todas as regras de transparência previstas no art. 18 da Lei Pelé.
    Contrapartida:
    - as dívidas deverão ser pagas de 2% a 6% nos primeiros 36 meses e saudadas de 120 meses a 240 meses
    Sanções:
    - Os clubes que desrespeitarem as regras poderão ser rebaixados de divisão
    - Todos os que praticarem gestão temerária serão responsabilizados
    'Endividamento'
    Ao comentar a elaboração da MP, Dilma citou que a "grave situação" dos clubes de futebol no país é fruto de um conjunto de problemas. A presidente afirmou que o futebol é um "espetáculo que toca na alma de cada um."
    "Nossos estádios, torcidas, são um espetáculo incomparável. Todos nós lembramos a primeira vez que entramos num estádio e assistimos isso, que é um espetáculo que toca na alma de cada um", disse.
    "Nos últimos tempos, tudo isso foi um pouco colocado em xeque e não é apenas pelo placar da semifinal contra a Alemanha em julho, que ficará para sempre marcado na nossa história. Mas, principalmente, pela grave situação de nossos clubes de futebol, devido à combinação de legislação anacrônica, estruturas de gestão pouco profissionalizada, ausência de mecanismos de transparência e responsabilização que resultaram num alto nível de endividamento", afirmou a presidente.
    Dilma também citou em seu discurso que o Brasil ainda é um "berço de craques" mas que a falta de organização e os problemas na gestão do esporte transformaram o futebol praticado no país em um "palco [...] cujo nível está a quem do gosto dos torcedores mais exigentes e do nosso potencial."
    "Infelizmente o Brasil exporta os artistas, ao contrário de vários países que exportam o espetáculo", concluiu Dilma.
    7 a 1
    Em seu discurso, o ministro do Esporte, George Hilton, relembrou os 7 a 1 sofridos pelo Brasil na Copa do Mundo do ano passado, quando a seleção perdeu para a Alemanha. Segundo ele, aquele momento foi “sinal eloquente de que alguma coisa ia mal” no futebol brasileiro.
    “E hoje, senhora presidenta, é um momento histórico, porque inaugura o renascimetno do futebol. Gostaria de enfatizar que as condições oferecidas pelo governo na medida provisória que é editada hoje são resultado de diálogo amplo com absolutamente todos os atores envolvidos do futebol”, disse o ministro, ao destacar que parlamentares, clubes, atletas e cronistas esportivos foram ouvidos para que houvesse acordo sobre o texto.
    Governança
    Chamado para discursar em nome dos clubes, o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, afirmou que a MP é “extremamente necessária” para garantir uma nova governança dos clubes pelo país. Em discurso, ele ressaltou que foram dois anos de discussões até equipes, parlamentares e governo chegarem a um acordo.
    “O ponto principal do projeto não é o refinanciamento das dívidas, mas as medidas necessárias de responsabilidade e governança que vêm moralizar, mudar a afeição e revolucionar a gestão do futebol brasileiro. O parcelamento das dívidas fiscais se torna necessário na medida em que os clubes precisam de um alívio em seus fluxos de caixa”, afirmou.
    Divisor de águas
    Escalado para falar em nome dos jogadores, o goleiro Dida, que integrou o grupo campeão do mundo em 2002, afirmou que o texto é fundamental para o futebol brasileiro e o classificou de “divisor de águas” para o esporte. Ele disse esperar que o Congresso aprove o texto “na integridade”.
    “Reconheço o comprometimento da presidenta Dilma e sua importante decisão de defender essas medidas que são fundamentais. Entre elas, a exigência de contrapartidas, transparência e governança para dar um fim aos desmandos e às más gestões que permeiam e atrasam um dos maiores patrimônios culturais do país, que é o futebol”, acrescentou, ao dirigir críticas à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que segundo ele, “nunca deu voz” aos atletas.
    Ao criticar o modelo de gestão de alguns clubes do país, Dida afirmou que “o futebol deixou de se tornar a fábrica de talentos para se tornar a fábrica de frustrações.”
    Trâmite
    Após ser publicada no “Diário Oficial da União”, a MP passará a valer como lei e vai vigorar por até 120 dias. Com a publicação, uma comissão especial formada por deputados e senadores analisará o texto e poderá fazer alterações. Se o Congresso não aprovar a MP em até 45 dias, a medida trancará a pauta de votações até que seja votada.
    Se houver modificações pela comissão mista, o texto passará a tramitar no Congresso como Projeto de Lei de Conversão (PLV). Tanto como forma de MP ou de PLV, o projeto precisará ser aprovado pelos plenários da Câmara e do Senado. Em seguida, a presidente da República vetará ou sancionará a lei.

    18 de mar de 2015

    Datafolha: 62% dos brasileiros reprovam o governo Dilma

    Primeira pesquisa depois dos protestos de 15 de março aponta a mais alta rejeição a um governante desde Fernando Collor; popularidade da presidente despencou para 13%

    A presidente Dilma Rousseff durante cerimônia de sanção da lei do Novo Código de Processo Civil, no Palácio do Planalto em Brasília (DF), nesta segunda-feira (16)
    Taxa de aprovação de Dilma chega ao seu ponto mais baixo, segundo o Datafolha(Evaristo Sá/AFP)
    A primeira pesquisa sobre o governo depois dos protestos de 15 de março mostrou que a grande maioria dos brasileiros reprova a gestão de Dilma Rousseff. Segundo levantamento do instituto Datafolha, publicado nesta quarta-feira pela Folha de S. Paulo, 62% dos entrevistados classificam o governo Dilma como ruim ou péssimo. Com os indicadores econômicos batendo recordes negativos e a insatisfação popular com a corrupção tomando as ruas, a reprovação à presidente subiu 18 pontos desde a última pesquisa, há pouco mais de um mês. O número também representa a mais alta taxa de desaprovação a um governante desde setembro de 1992, quando Fernando Collor era rejeitado por 68% dos brasileiros nas vésperas do impeachment.

    O Datafolha também indicou que a popularidade de Dilma despencou dez pontos: apenas 13% dos brasileiros consideram o governo da presidente bom ou ótimo. É a pior taxa de aprovação desde que Dilma assumiu a presidência, em 2011. O levantamento apontou ainda que 24% dos eleitores avaliam a gestão de Dilma como regular.
    Segundo o Datafolha, a popularidade da presidente caiu até em tradicionais redutos petistas. No Nordeste, onde Dilma conseguiu uma grande votação em 2014, apenas 16% aprovam o seu governo. Pela primeira vez, a maioria dos eleitores com menor renda e menor escolaridade ouvidos pelo instituto avaliou a gestão da governante como ruim ou péssima.
    A pesquisa ouviu 2.842 eleitores nos dias 16 e 17 de março, logo depois das manifestações que levaram quase 2 milhões de brasileiros às ruas contra o governo Dilma e o PT. A margem de erro do levantamento é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos.
    Congresso - Atingido em cheio pela Lava Jato, o Congresso Nacional também amarga uma péssima avaliação no Datafolha. Somente 9% dos entrevistados consideram o desempenho dos parlamentares bom ou ótimo. Para metade dos brasileiros (50%), a atuação dos congressistas é ruim ou péssima.
    (Da redação)

    17 de mar de 2015

    Contas ruins do governo impedem novos estímulos econômicos, diz Levy

    De acordo com o ministro da Fazenda, a presidente Dilma Rousseff está "absolutamente tranquila" com as medidas de ajuste fiscal

    AE
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    O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou nesta segunda-feira, 16, que as medidas adotadas neste ano pela presidente Dilma Rousseff não são apenas medidas, mas uma forma de a economia brasileira se ajustar a uma nova situação da economia mundial. "As medidas (que estão sendo substituídas) foram adotadas em um momento em que se falava em medidas anticíclicas", disse Levy, acrescentando que tais medidas não eram permanentes porque não se sustentavam do ponto de vista fiscal. "Não temos como manter as medidas anticíclicas", afirmou.
    De acordo com o ministro, a presidente Dilma Rousseff está "absolutamente tranquila e confortável em relação às medidas que estão sendo adotadas". Vale ressaltar que o ministro Levy nunca mencionou tantas vezes, como fez hoje, o nome da presidente Dilma Rousseff nos seus discursos anteriores. " É claro que algumas medidas têm de ser consultadas ao maior sócio do governo, que é o Congresso", disse.
     
    O ministro também aproveitou para defender a presidente ao afirmar que "Quando a presidente (Dilma) diz que o mundo mudou, não é uma desculpa". Joaquim Levy participou, na manhã desta segunda-feira, 16, de evento na Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
     
    Levy cita Roubini e diz que 'quem não quer ajuste é suicida'
     
    O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, defendeu o programa do governo de melhoria da gestão das contas públicas e parafraseou o economista Nouriel Roubini para defender as mudanças propostas pelo Planalto. "Como disse Roubini, quem não quer ajuste (fiscal) é suicida, ou quer jogar bomba para outro", comentou o ministro durante palestra na Associação Comercial de São Paulo, na manhã desta segunda-feira, 16. O comentário faz referência a uma entrevista que Roubini deu à Folha de S.Paulo, em que disse que "se a presidente não for irracional ou suicida politicamente, e não acho que ela seja, o ajuste será feito."
     
    O ministro ressaltou que "se a gente tiver coragem, esse negócio não será difícil". Uma referência ao ajuste defendido pelo governo Dilma neste momento. Disse que o governo trabalha para evitar cenários econômicos que justifiquem as agências de rating rebaixarem a classificação de risco do Brasil. "Estamos trabalhando para evitar cenários de downgrade e inflação alta". Por isso, diz, "a realidade exige ação rápida, criar estabilidade para a gente voltar a crescer".
     
    Levy diz que o governo teve de mudar o "jogo" fiscal porque o Brasil não vinha crescendo há dois anos. "O ajuste fiscal existe por causa do crescimento e não o contrário", afirmou. Ainda segundo ele, a agenda do desenvolvimento será de simplificação, de maior transparência. "A agenda não terá programa para cada setor, senão criamos uma situação cada vez mais complexa. Nossa agenda é de realismo de preço para as pessoas terem confiança. A agenda tem grande disciplina fiscal para que os preços caiam", reforçou. Por fim, colocou as contas públicas em primeiro plano no quesito de itens necessários para se ter confiança no País.
     
    Setor privado
     
    Joaquim Levy lembrou ser importante que as condições da economia sejam oportunas para que o setor privado possa atuar, investir e empregar, especialmente com confiança sobre a perspectiva do País. "Capitalismo de Estado não dá muito certo para uma democracia", disse Levy. Ele ressaltou que boa parte do financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) liberado nos últimos anos foi feito via emissão de títulos públicos, como as NTN-Bs.
     
    Confrontado por um empresário, segundo o qual a alta rotatividade do emprego se dá pelo fácil acesso ao FGTS, Levy disse que não sabe se o FGTS é a real fonte de problemas causadora da rotatividade do emprego. Afirmou que os ajustes empreendidos pelo governo não tratam de retirar direitos e que medidas como a do seguro-desemprego são universais. Disse que dá para fazer o ajuste fiscal sem tomar longos períodos. "Acertando no começo (o ajuste fiscal), começa logo a evoluir", concluiu.

    16 de mar de 2015

    Manifestantes protestam contra Dilma em todos os estados, DF e exterior

    Mais de 2 milhões de pessoas estiveram nos atos de ao menos 160 cidades. 
    Em SP, participaram 1 milhão, segundo a PM, e 210 mil, para o Datafolha.

    Do G1, em São Paulo
    Brasileiros foram às ruas em todos os 26 estados, no Distrito Federal e em cidades do exterior neste domingo (15) em protesto contra a corrupção e o governo da presidente Dilma Rousseff (PT).
    Levantamento feito por repórteres do G1 em todo o país indica que ocorreram protestos em ao menos 160 cidades, que mobilizaram, ao todo, 2,3 milhões de pessoas, segundo a PM, e 2,9 milhões, segundo os organizadores. (Há cidades que não tiveram estimativa de público feita pela polícia ou por organizadores).
     As mobilizações foram organizadas pelas redes sociais nas últimas semanas. No geral, os atos foram pacíficos. Em Brasília, houve um princípio de confronto quando o protesto já havia acabado. Em São Paulo, um grupo foi detido com fogos de artifício e soco-inglês, segundo a PM.
    A cidade de São Paulo teve o maior público: 1 milhão, segundo a polícia, e 210 mil, segundo o instituto Datafolha (há uma diferença de metodologia entre PM e Datafolha;).
    Grande parte dos manifestantes pedia a saída ou o impeachment da presidente Dilma e protestava contra a corrupção. Algumas manifestações isoladas defendiam a intervenção militar no Brasil (o pedido de intervenção militar é uma atitude ilegal e frontalmente contrária à Constitução; em seu artigo 5º, a Constituição diz que "constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático").
    No início da noite, os ministros da Secretaria-Geral da República. Miguel Rosseto, e da Justiça, José Eduardo Cardozo, deram uma entrevista coletiva sobre os protestos e afirmaram que a presidente anunciará medidas de combate à corrupção.
    G1 cobriu os protestos em tempo real, com as últimas notícias, fotos e vídeos.
    Veja como foram os protestos em cada estado:
    Milhares de acreanos protestaram neste domingo (15) contra o governdo de Dilma Rousseff. Foto mostra manifestantes em frente da prefeitura de Rio Branco (Ac) (Foto: Veriana Ribeiro/G1)Acreanos protestaram contra o governo federal em
    Rio Branco (Ac) (Foto: Veriana Ribeiro/G1)
    ACRE
    Capital
    PARTICIPANTES: 5 mil, segundo a organização e a PM.
    COMO FOI: Manifestantes começaram a se reunir às 15h (horário local), em frente ao Palácio Rio Branco,  no Centro da cidade. O ato seguiu para a frente da prefeitura, também no Centro.
    Os manifestantes seguiam a pauta nacional de pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Também houve protesto em Cruzeiro do Sul, a 684 km da capital acreana. 

    Bandeira 'Fora Dilma' é carregada pela Orla da Ponta Verde, em Maceió (Foto: Jonathan Lins/G1)Bandeira de 30 metro com 'Fora Dilma' em Maceió
    (Foto: Jonathan Lins/G1)
    ALAGOAS
    Capital
    PARTICIPANTES: 10 mil, segundo a PM e organizadores.
    COMO FOI: Manifestantes ocuparam a orla de Maceió com faixas e cartazes defendendo mudanças políticas no país. Após concentração na Praça Vera Arruda, no Stella Maris, o protesto seguiu com trio elétrico, apitos e uma bandeira de 30 metros escrito "Fora Dilma" em direção ao Alagoinhas, na orla da Ponta Verde.
    Os manifestantes defendiam o impeachment da presidente e disseram ser contra a intervenção militar. Integrantes do Movimento Brasil Livre colheram assinaturas dos manifestantes em um documento que pede a saída da presidente Dilma.

    Manifestantes no Centro de Macapá (Foto: Abinoan Santiago/G1)Manifestantes no Centro de Macapá
    (Foto: Abinoan Santiago/G1)
    AMAPÁ
    Capital
    PARTICIPANTES: 1,5 mil, segundo a PM; 5 mil, segundo a organização.
    COMO ESTÁ: A concentração ocorreu à tarde na Praça da Bandeira, no centro de Macapá.
    Vestidos de verde e amarelo e com faixas contra o governo da presidente Dilma Rousseff e a corrupção, os manifestantes percorreram as ruas do centro da capital. O ato terminou de forma pacífica por volta das 18h. 

    Manifestantes pintaram o rosto com as cores da bandeira do Brasil (Foto: Marcos Dantas/G1 AM)Manifestantes pintaram o rosto em Manaus
    (Foto: Marcos Dantas/G1 AM)
    AMAZONAS
    Capital
    PARTICIPANTES: 13 mil, segundo a PM; 150 mil, segundo a organização.
    COMO FOI: A manifestação no Centro de Manaus foi pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff e pelo fim da corrupção. Os grupos também protestaram contra o aumento da gasolina e o reajuste de energia.
    A concentração teve início por volta das 9h (hora local), na Avenida Eduardo Ribeiro. A manifestação terminou por volta das 13h (hora local), com os organizadores lendo – em português, inglês e espanhol – um manifesto contra o governo federal. 

    Manifestantes protestam mesmo com chuva no Farol da Barra, em Salvador (Foto: Ruan Melo/G1)Manifestantes protestam mesmo com chuva no
    Farol da Barra, em Salvador (Foto: Ruan Melo/G1)
    BAHIA
    Capital
    PARTICIPANTES: 11 mil, segundo a PM; 23 mil, segundo organizadores.
    COMO FOI: Salvador teve dois protestos – um pela manhã e outro à tarde.
    Às 9h começou a concentração do primeiro ato, no Farol da Barra,que teve a participação de 8 mil pessoas, segundo a organização, e 5 mil, segundo a PM. Não houve registro de confusão. Durante o percurso, fizeram apitaço, gritaram "Fora PT" e cantaram o Hino Nacional. Por volta das 12h15, os manifestantes começaram a dispersar.
    O segundo ato começou por volta das 16h, também no Farol da Barra, e terminou às 18h40 no bairro Ondina. Vestidos de verde e amarelo, os manifestantes pediam o combate à corrupção e criticavam o governo Dilma. Segundo a PM, do ato da tarde participaram 5 mil pessoas; 15 mil, segundo a organização. 
    Interior
    Também houve mobilização nas principais cidades do interior baiano: Feira de Santana, Serrinha, Vitória da Conquista, Jequié, Juazeiro, Itabuna, Teixeira de Freitas, Eunápolis, Ilhéus e Barreiras.

    Concentração do protesto na praça portugal em fortaleza (Foto: GAbriela ALves)Concentração do protesto em Fortaleza
    (Foto: Gabriela Alves)
    CEARÁ
    Capital
    PARTICIPANTES: 20 mil, segundo a PM e os organizadores.
    COMO FOI: As pessoas começaram a chegar à Praça Portugal, em Fortaleza, às 9h. Os organizadores discursaram em cima de caminhões. O grupo já se dispersou.
    Os participantes usaram roupas com as cores da bandeira brasileira e levaram cartazes com diferentes temas, como o pedido de reforma políca, defesa de direitos trabalhistas, fim da corrupção e "Fora Dilma''. Os manifestantes que estavam à frente do movimento pediram a "rigorosa investigação do escândalo de corrupção na Petrobras". 

    GNEWS_Manifestação_Brasília (Foto: GloboNews)Manifestação em Brasília (Foto: GloboNews)
    DISTRITO FEDERAL
    PARTICIPANTES: 45 mil, segundo a PM; 80 mil, segundo organizadores.
    COMO ESTÁ: A concentração começou por volta das 9h na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. A polícia acompanhou a movimentação. Houve um princípio de confronto no início da noite, após o fim do protesto.
    Grupos realizaram buzinaços e panelaços e se reuniram também no estacionamento do Estádio Mané Garrincha, no Museu Nacional e na Rodoviária do Plano Piloto. A PM reforçou a segurança em prédios públicos.
    Durante a manifestação em frente ao Congresso Nacional, um homem exibiu um cartaz em apoio à presidente Dilma Rousseff. Ele foi hostilizado e teve de pedir proteção à PM para deixar o local.

    Manifestação reuniu cerca de 120 mil pessoas em Vitória, estima organização (Foto: Viviane Machado/ G1)Manifestantes se reuniram na Praça do Papa
    em Vitória (Foto: Viviane Machado/ G1)
    ESPÍRITO SANTO
    Capital
    PARTICIPANTES: 100 mil, segundo a PM; 120 mil, segundo a organização.
    COMO ESTÁ: Por volta das 15h30, começou a concentração de pessoas na Praça do Papa, em Vitória. A mobilização foi organizada pelos movimentos Vem Pra Rua e Brasil Livre.
    Cerca de 15 mil pessoas cruzaram a terceira Ponte vindas de Vila Velha para participar do ato na capital. A manifestação terminou por volta das 18h20 sem ocorrência de tumulto. Também houve protestos em Cachoeiro de Itapemirim e Colatina. 

    GOIÁS
    Capital
    PARTICIPANTES: 60 mil, segundo a PM; 150 mil, segundo a organização.
    COMO FOI: Os manifestantes se concentraram na Praça Tamandaré, na capital Goiânia. Integrantes do Movimento Brasil Livre Goiás, que são contra o governo da presidente Dilma Rousseff, instalaram um balcão para que pessoas assinem um “manifesto pró-impeachment”.
    O ato começou às 14h e durou cerca de três horas, percorrendo um trajeto de 5 km. Segundo a PM, não houve registro de ocorrências. Um aeromodelo levando uma faixa com a frase "Fora Dilma" sobrevoou o protesto (veja vídeo acima). Também houve protesto em Rio Verde, Jataí, Itumbiara e Anápolis. 

    Manifestantes começaram a se reunir às 9h na Avenida Litorânea em São Luís (MA) (Foto: Lucas Vieira/G1 Maranhão)Manifestantes em São Luís (MA)
    (Foto: Lucas Vieira/G1 Maranhão)
    MARANHÃO
    Capital
    PARTICIPANTES: 3 mil, segundo a PM; 5 mil, segundo a organização.
    COMO FOI: O protesto ocorreu pela manhã na Avenida Litorânea. Os manifestantes pediam o impeachment da presidente Dilma Rousseff e o fim da corrupção. A manifestação foi convocada pelos movimentos sociais Brasil Livre, os Caras Pintadas e o Acorda Maranhão.
    Houve protestos em Imperatriz, a segunda maior cidade do estado, e Balsas, no interior maranhense. 

    Protesto contra a corrupção em Cuiabá. (Foto: André Souza/G1)Protesto contra a corrupção e o governo em
    Cuiabá (Foto: André Souza/G1)
    MATO GROSSO
    Capital
    PARTICIPANTES: 20 mil, segundo a PM; 35 mil, segundo a organização.
    COMO FOI: O protesto contra a corrupção e contra o governo Dilma Rousseff começou no fim da tarde, em Cuiabá.
    O ato aconteceu na Praça Alencastro, no Centro. Cerca de 1,6 mil veículos, entre carros e motos, saíram da região do Centro Político Administrativo para participar do protesto na capital.
    Os manifestantes usaram camisetas verde e amarelo com o slogan 'Muda Brasil'. Eles defendem o impeachment da presidente. 
    Também houve manifestações em Rondonópolis, Nova Mutum, Tangará, Sinop e Barra do Garças.

    Manifestantes percorreram as principais ruas da região central de Corumbá (MS) por cerca de uma hora.  (Foto:  Laura Toledo/TV Morena)Manifestantes percorreram as principais ruas da
    região central de Corumbá (MS)
    (Foto: Laura Toledo/TV Morena)
    MATO GROSSO DO SUL
    Capital
    PARTICIPANTES: 100 mil, segundo a organização; 32 mil, segundo a PM.
    COMO FOI: Na Capital Campo Grande,  os manifestantes se reuniram na avenida Afonso Pena. Também participaram motociclistas e produtores rurais a cavalo.
    Os participantes foram até o Parque das Nações Indigenas, onde cantaram o Hino Nacional e encerraram o ato por volta das 18h30 (hora local).
    Também houve protestos em Corumbá, Três Lagoas, Dourados e Ponta Porã. 

    Manifestantes fazem apitaço na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. A Polícia Militar estima que quatro mil pessoas estejam no protesto. Às 9h40, uma das organizadoras do protesto falou em duas mil pessoas (Foto: G1)Manifestantes fazem apitaço na Praça da Liberdade,
    em Belo Horizonte (Foto: G1)
    MINAS GERAIS
    Capital
    PARTICIPANTES: 25 mil, segundo a PM e os organizadores.
    COMO FOI: A manifestação na capital mineira foi pacífica e se concentrou na Praça da Liberdade no início da tarde deste domingo. Os manifestantes seguiram para a Praça Savassi. 
    Os manifestantes pediram o impeachment da presidente Dilma Rousseff e simularam o “enterro do PT” com um caixão em luto. Alguns manifestantes usavam nariz de palhaço e pintaram os rostos de verde e amarelo. Não houve registro de tumulto, segundo a PM.
    O movimento Vem pra Rua, organizador do protesto, afirma que é contra qualquer tipo de golpe ou intervenção militar. 
    Juiz de Fora
    PARTICIPANTES: 2,5 mil, segundo a PM; 10 mil, segundo organizadores.
    COMO FOI: Representantes dos Movimentos "Muda Brasil" e "Brasil Livre" se reuniram em Juiz de Fora, em protesto contra a corrupção, a falta de transparência do governo e por mais segurança, saúde e educação. Os participantes usaram adesivos contra o Congresso, camisas contra a presidente Dilma Rousseff e narizes de palhaço.
    Vale do Aço
    Foram registrados atos nas cidades de Coronel Fabriciano, Ipatinga e Timóteo. 
    Sul
    No Sul de Minas houve protestos em Pouso Alegre, Varginha, Poços de Caldas, Elói Mendes, Boa Esperança, Guaxupé, Lavras, Passos, São Lourenço e Santa Rita do Sapucaí. 
    Manifestação Divinópolis (Foto: Ricardo Welbert/G1)Manifestação Divinópolis (Foto: Ricardo Welbert/G1)
    Divinópolis
    PARTICIPANTES: 1 mil, segundo a organização; 1,5 mil, segundo a PM.
    COMO FOI: Manifestantes se reuniram por volta das 9h30, na praça do Santuário, com faixas e cartazes pedindo reforma política e a saída da presidente Dilma Rousseff. Por volta das 10h houve a passeata. Moradores de um prédio mostraram uma bandeira do PT e a multidão gritou em resposta.
    O ato terminou em frente à Catedral de Divinópolis, onde os manifestantes cantaram o Hino Nacional.

    Em Belém, manifestante carrega cartaz de apoio à volta da ditadura e da intervenção militar. Ato, que reuniu cerca de 20 mil pessoas, terminou por volta das 12h30, depois de chuva. (Foto: Alexandre Yuri/G1)Manifestante pede intervenção militar em Belém
    (Foto: Alexandre Yuri/G1)
    PARÁ
    Capital
    PARTICIPANTES: 30 mil, segundo a PM; 60 mil, segundo organizadores.
    COMO FOI: Em Belém, os manifestantes fizeram uma caminhada da Avenida Visconde de Souza Franco, no Centro, até o Theatro da Paz.
    Segundo a PM, o protesto foi pacífico, sem registro de tumultos. A passeata terminou por volta de 12h30. Uma manifestante, que não quis dar entrevista, carregava um cartaz que pedia intevenção militar. 
    Também houve manifestação contra a presidente Dilma Rousseff em Santarém. 

    Manifestantes enrolam bandeira do Brasil no busto do almirante Tamandaré, em João Pessoa (PB), e dizem que ele está 'muito feliz' com a manifestação. Ato ocorre na orla marítima da cidade (Foto: Diogo Almeida/G1)Manifestantes em ato contra o governo em João
    Pessoa (Foto: Diogo Almeida/G1)
    PARAÍBA
    Capital
    PARTICIPANTES: 2,5 mil, segundo a PM; 7 mil, segundo a organização.
    COMO ESTÁ: Os manifestantes se concentraram às 15h no Busto de Tamandaré, onde fez um panelaço e um apitaço. Por volta das 18h, eles seguiram em passeata pela Avenida Almirante Tamandaré. O grupo sae dispersou às 19h no Lago da Gameleira. 
    O protesto pedia o impeachment da presidente Dilma Rousseff, mas também havia pessoas com faixas pela intervenção militar no país. A intevenção militar contraria a Constituição Federal.
    Campina Grande
    PARTICIPANTES: 2 mil, segundo a PM; 5 mil, segundo a organização.
    COMO FOI: A concentração aconteceu às 14h na Praça da Bandeira e a manifestação seguiu pelas ruas do Centro até o monumento Tropeiros da Borborema. O ato foi pacífico contra a presidente e o PT. 

    Protesto de 15 de março em Ponta Grossa (PR) (Foto: Andre Salustiano/G1)Protesto de 15 de março em Ponta Grossa (PR)
    (Foto: Andre Salustiano/G1)
    PARANÁ
    Capital
    PARTICIPANTES: 80 mil, segundo a PM; 100 mil, segundo a organização.
    COMO FOI: Os manifestantes se reuniram na Praça Santos Andrade, no Centro de Curitiba, perto das 14h.
    A passeata seguiu pela Rua Marechal Deodoro até a Boca Maldita, também no Centro, onde o ato foi encerrado às 17h. Os manifestantes pediam o impeachment da presidente Dilma Rousseff e o fim da corrupção na política. Após a dispersão, um grupo seguiu para a sede do governo, onde protestou também contra o governador Beto Richa (PSDB).
    Outras cidades
    Também houve protestos em outras regiões do Paraná. Durante o domingo, aconteceram atos em Londrina, Maringá, Cascavel, Guarapuava, Castro, Arapongas, Foz do Iguaçu, Paranavaí, Ponta Grossa e Umuarama. 

    Concentração de manifestação no Recife, neste domingo (Foto: Katherine Coutinho / G1)Concentração de manifestação no Recife
    (Foto: Katherine Coutinho / G1)
    PERNAMBUCO
    Capital
    PARTICIPANTES: 15,1 mil, segundo a PM; 50,5 mil, segundo organizadores.
    COMO FOI: a concentração de manifestantes começou às 8h junto à padaria Boa Viagem, na orla da zona sul recifense. A caminhada começou às 10h30, acabou ao meio-dia e foi retomada à tarde.
    Por volta das 14h, o protesto se concentrava na Praia da Boa Viagem. Não houve registro de tumulto. Os integrantes do Vem para a Rua levaram faixas, narizes de palhaço, cartazes e um boneco gigante representando um juiz, em alusão ao julgamento de ações da Lava Jato. Também houve atos em Caruaru e Petrolina. 

    Enterros simbólico da presidente Dilma (Foto: Ellyo Teixeira/G1)Enterros simbólico da presidente Dilma
    em Teresina (Foto: Ellyo Teixeira/G1)
    PIAUÍ
    Capital
    PARTICIPANTES: 4 mil, segundo a PM; 5 mil, segundo a organização.
    COMO FOI: Em Teresina, manifestantes com cartazes pedindo o impeachment da presidente Dilma Rousseff se reuniram em frente à Assembleia Legislativa, na Avenida Marechal Castelo Branco.
    Houve um enterro simbólico da presidente, do ex-presidente Lula e do governador do estado, Wellington Dias. Os caixões foram colocados no jardim da Assembleia. 

    Manifestante exibe cartaz em Copacabana (Foto: Daniel Silveira/G1)Manifestante exibe cartaz em Copacabana
    (Foto: Daniel Silveira/G1)
    RIO DE JANEIRO
    Capital
    PARTICIPANTES: 100 mil, segundo a organização; a PM não deu estimativa de participantes.
    COMO FOI: Pela manhã, uma manifestação ocorreu na orla de Copacabana. Com apitos, camisetas do Brasil e faixas de “Fora Dilma” e “Fora o Supremo”, o grupo fez uma passeata na Avenida Atlântica.
    Um carro de som trazia uma faixa pedindo o impeachment da presidente e tocou o Hino Nacional. Algumas pessoas exibiam cartazes e camisetas pedindo intervenção militar. Pessoas que mostraram apoio ao governo e à Petrobras e foram vaiadas, mas não houve registro de tumulto. À tarde, houve um novo protesto no Centro.
    Na Região Serrana, houve atos em Petrópolis e Nova Friburgo. 
    As cidades de Barra Mansa, Volta Redonda e Resende também tiveram protestos.

    Potiguares realizam ato contra a corrupção em Natal (Foto: Fernanda Zauli/G1)Ato em Natal contra a corrupção e a presidente
    (Foto: Fernanda Zauli/G1)
    RIO GRANDE DO NORTE
    Capital
    PARTICIPANTES: 12 mil, segundo a PM; 40 mil, segundo a organização.
    COMO FOI: Por volta das 16h15, os manifestantes começaram a caminhada pelas ruas de Natal aos gritos de "Fora PT". Muitas pessoas levam faixas pedindo o impeachment da presidente Dilma Rousseff e contra a corrupção. Segundo a Polícia Militar, não houve tumultos.
    No carro de som, foram tocadas paródias de músicas criticando o governo do PT. Também houve manifestação em Mossoró. 

    Manifestação Parcão Porto Alegre pró impeachment (Foto: Caetanno Freitas/G1)Manifestação Parcão Porto Alegre
    pró-impeachment (Foto: Caetanno Freitas/G1)
    RIO GRANDE DO SUL
    Anti-Dilma
    PARTICIPANTES: 100 mil, segundo a PM; 120 mil, organizadores.
    COMO FOI: O pretesto pedindo o impeachment da presidente começou no Parcão, em Porto Alegre. Os manifestantes seguiram em caminhada pela cidade e encerraram o ato no mesmo parque, no fim da tarde.
    Segundo a Brigada Militar, o ato foi pacífico e não houve registro de tumultos. A maioria dos cartazes e faixas pedia a saída da presidente Dilma Rousseff e o fim da corrupção, mas também havia manifestações pedindo a intervenção militar no país. 
    Protesto pró-Dilma em Porto Alegre (Foto: Felipe Truda/G1)Protesto pró-Dilma em Porto Alegre
    (Foto: Felipe Truda/G1)
    Pró-Dilma
    PARTICIPANTES: entre 100 e 150, segundo a PM; entre 600 e 700, segundo organizadores.
    COMO FOI: Ao som de samba e com churrasco de coxa de galinha, um grupo organizou um ato pró-Dilma e contra o impeachment em frente ao Monumento ao Expedicionário, no Parque da Redenção, em Porto Alegre, em contraponto a outra manifestação que ocorreu na cidade.

    Outras cidades
    Também houve protestos contra o governo em Caxias, Santa Maria, Santa Cruz, Pelotas, Erechim, Uruguaiana, Nova Hamburgo, Passo Fundo e Lajeado.

    Concentração ocorreu na praça do Centro Cívico, em Boa Vista (Foto: Marcelo Marques/G1)Concentração ocorreu na praça do Centro Cívico,
    em Boa Vista (Foto: Marcelo Marques/G1)
    RORAIMA
    Capital
    PARTICIPANTES: 2,5 mil, segundo PM e organização.
    COMO FOI: Ato ocorreu no Centro Cívico da capital Boa Vista durante a tarde deste domingo. A manifestação começou em frente à Assembleia Legislativa e seguiu em passeata. Uma churrascada organizada por caminhoneiros encerrou o protesto por volta das 18h.
    Os manifestantes pediam a saída da presidente Dilma Rousseff do governo. Segundo o governo do estado, o ato foi pacífico e sem ocorrência de tumultos. 

    Em Ji-Paraná (RO), manifestantes caminham pelas duas pistas da BR-364, em frente ao Ginásio Gerivaldão, levando faixas e cartazes com frases de protesto contra a corrupção. (Foto: Pâmela Fernandes / G1)Manifestantes em Ji-Paraná (RO)
    (Foto: Pâmela Fernandes / G1)
    RONDÔNIA
    Capital
    PARTICIPANTES: 15 mil, segundo a PM; 10 mil, segundo organizadores.
    COMO FOI: A concentração em Porto Velho começou às 15h (hora local) na Praça Três Caixas D'Áágua e seguiu até a Estrada de Ferro Madeira Mamoré, onde o protesto foi encerrado por volta das 18h.
    A maioria dos participantes vestia verde e amarelo, usava apitos e carregava faixas e cartazes com críticas ao governo. Também houve manifestações pedindo a intervenção militar.
    Outras cidades
    Também foram registrados protestos em Vilhena, Cacoal, Ji-Paraná e Ariquemes. 

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    Passeata começou por volta das 16h20 em Florianópolis (Foto: Antonio Neto/RBS TV)Passeata começou por volta das 16h20
    em Florianópolis (Foto: Antonio Neto/RBS TV)
    SANTA CATARINA
    Capital
    PARTICIPANTES: 30 mil, segundo PM e organização.
    COMO FOI: A mobilização começou na capital Florianópolis por volta das 14h em frente ao Terminal Integrado do Centro. Os manifestantes caminharam pela Avenida Beira-Mar Norte e fizeram uma moção de apoio às investigações da Lava-Jato em frente às sedes da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Os manifestantes pediam o impeachment da presidente Dilma Rousseff.
    Também houve atos nas seguintes cidades: Chapecó, Palmitos, Lages, Canoinhas, Brusque, Campos Novos, Pomerode, Timbó, Blumenal, Lontras, Itajaí, Balneário Camboriú, Concórdia, Fraiburgo, Taió, Xanxerê, Criciúma, Joinville, Jaraguá do Sul, Tubarão, Canoinhas, Araranguá, Rio do Sul e Garopaba. 

    Aglomeração começa a se formar sob o vão e em frente ao Masp, na Avenida Paulista, para protesto contra a corrupção (Foto: Reprodução/TV Globo)Aglomeração em frente ao Masp, em São Paulo
    (Foto: Reprodução/TV Globo)
    SÃO PAULO
    Capital
    PARTICIPANTES: 1 milhão, segundo a PM e a organização; 210 mil segundo o Datafolha.
    COMO FOI: Os manifestantes se concentraram na Avenida Paulista, em frente ao Masp, no sentido Consolação. Logo, grande parte da avenida estava tomada, e o trânsito ficou interditado nos dois sentidos. Algumas estações de metrô tiveram que ser fechadas por medida de segurança. 
    Os participantes levavam cartazes com “Fora, Dilma” e cantaram o Hino Nacional. A polícia acompanhou o grupo. Houve detenções.
    Uma jovem foi detida após tirar a roupa em cima de um caminhão. Um grupo com camisas onde se lia "Carecas do Subúrbio" foi detido e escoltado pela PM para um local seguro após uma ameaça de linchamento. A polícia afirmou que o grupo tinha material explosivo dentro de mochilas. 
    Por volta das 18h começou a dispersão dos manifestantes da Avenida Paulista. Um protesto de 30 caminhoneiros ocorreu na Ponte Estaiada, na Zona Sul da capital. 
    Região metropolitana
    Segundo a PM, perto de 14h, mil pessoas protestaram na Praça Getúlio Vargas, em Guarulhos; 300 pessoas, em São Caetano do Sul; 10 mil, em Santo André, e 40, em Osasco.
    Outras cidades
    Também houve protestos em Americana, Araçatuba, Araraquara, Araras, Assis, Atibaia, Avaré, Bauru, Birigui, Botucatu, Bragança, Campinas, Catanduva, Cubatão, Franca, Itapetininga, Itu, Jaboticabal, Jacareí, Jaú, Jundiaí, Laranjal, Limeira, Mogi das Cruzes, Marília, Ourinhos, Penápolis, Piracicaba, Pirassununga, Pompeia, Porto Ferreira, Praia Grande, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Rio Claro, São José dos Campos, Santos, São Carlos, São Paulo, São Roque, Sertãozinho, São João da Boa Vista, São José do Rio Preto, Sorocaba, Tatuí, Taubaté, Tupã, Vinhedo e Votuporanga.

    Chuva atrasa organização do movimento de protesto na Orla da Atalaia, em Aracaju (Foto: Tássio Andrade/G1)Chuva atrasa organização do movimento de
    protesto em Aracaju (Foto: Tássio Andrade/G1)
    SERGIPE
    Capital
    PARTICIPANTES: 5 mil, segundo organizadores; 900, segundo a PM.
    COMO FOI: manifestantes se reuniram em frente aos Arcos da Orla da Atalaia, ponto turístico que simboliza Aracaju. A concentração estava prevista para as 9h30 deste domingo (14), mas atrasou por causa da chuva.
    Por volta das 11h40 o grupo saiu em passeata sentido a Passarela do Caranguejo. A manifestação terminou por volta das 12h30.

    Protestos contra o governo marca a manhã em Araguaína (Foto: Lucas Ferreira/TV Anhanguera)Protestos contra o governo em Araguaína
    (Foto: Lucas Ferreira/TV Anhanguera)
    TOCANTINS
    Capital
    PARTICIPANTES: 10 mil, segundo a PM; 18 mil, segundo organizadores
    COMO FOI: Em Palmas, a manifestação teve início na Praça dos Girassóis, por volta das 15h, e terminou às 18h30.
    Os manifestantes pediam o impeachment da presidente Dilma Rousseff e a saída do PT do governo federal, além do fim da corrupção e mais investimentos na saúde, educação e segurança.
    Também houve manifestações em Araguaína e Gurupi. 

    Manifestantes protestam contra o governo na Union Square, em Nova York, neste domingo (15) (Foto: Alan Severiano/TV Globo)Protestam contra o governo na Union Square, em
    Nova York (Foto: Alan Severiano/TV Globo)
    EXTERIOR
    COMO FOI: Brasileiros também fizeram manifestações contra o governo federal e a corrupção em cidades ao redor do mundo.
    Houve registro de protestos em Buenos Aires (Argentina), Nova York e Miami (Estados Unidos), Londres (Inglaterra), Sidney (Austrália) e Lisboa (Portugal).