28 de mar de 2015

Copiloto planejava grande gesto e queria ser lembrado, diz ex-noiva

Jovem de 26 anos deu entrevista a jornal alemão.
Segundo ela, Andreas Lubitz passava por tratamento psiquiátrico.

Da Reuters
Foto de arquivo mostra Andreas Lubitz, o copiloto do voo 4U9525, correndo na Airportrun, em Hamburgo (Alemanha), em setembro de 2009 (Foto: Michael Mueller/AP)Foto de arquivo mostra Andreas Lubitz, o copiloto do voo 4U9525, correndo na Airportrun, em Hamburgo (Alemanha), em setembro de 2009 (Foto: Michael Mueller/AP)
O copiloto do avião da Germanwings suspeito de derrubar a aeronave deliberadamente disse a sua ex-noiva que estava em tratamento psiquiátrico e que planejava um grande gesto do qual todos se lembrariam, publicou o jornal alemão “Bild” neste sábado (28).
O jornal apresentou uma entrevista com a mulher que disse ter mantido um relacionamento em 2014 com Andreas Lubitz. Ele é apontado pelas autoridades como responsável pela queda do avião nos Alpes franceses, matando as 150 pessoas a bordo.
“Quando soube do acidente, eu lembrei de uma frase que ele disse”, contou a mulher, uma comissária de bordo de 26 anos identificada apenas como Maria W. “Um dia eu farei algo que vai mudar o sistema, e então todos saberão meu nome e se lembrarão dele.”
Ela disse que não entendia o que ele queria dizer, mas que agora fez sentido. “Ele fez isso porque percebeu que, devido a seus problemas de saúde, seu grande sonho de trabalhar na Lufthansa, de ter o cargo de piloto em voos de longa distância, era praticamente impossível.”
 
A mulher falou sobre o relacionamento pessoal dos dois e disse que eles viajaram juntos de avião por cinco meses pela Europa no ano passado. Maria disse ainda que terminou com Andreas por causa dos problemas pessoais e do comportamento instável dele.
A promotoria de Düsseldorf informou nesta sexta-feira (27) que Andreas Lubitz, de 28 anos, copiloto apontado como responsável pela queda do avião da Germanwings, tinha um atestado médico de dispensa de trabalho por doença que havia ocultado da companhia, assim como outros documentos que demonstravam que ele estava sob tratamento.
Maria W. disse ao jornal: "Nós sempre conversamos muito sobre o trabalho e, em seguida, ele se tornou uma pessoa diferente. Ele tornou-se preocupado com as condições sob as quais trabalhávamos: muito pouco dinheiro, medo de perder o contrato, muita pressão".
"Ele era capaz de esconder dos outros o que realmente estava acontecendo", disse a jovem, que diz que ele "não falava muito sobre a doença, só que estava fazendo um tratamento psiquiátrico".
Um porta-voz da Lufthansa não quis comentar.
O "Bild" já havia publicado antes que Lubitz esteve por um ano e meio sob tratamento psiquiátrico antes de completar sua formação. O acidente, que ocorreu na última terça-feira (24), deixou 150 mortos.
De acordo com o jornal, que cita como fontes "círculos da Lufthansa", as razões pelas quais  Lubitz interrompeu sua formação em 2009 se deveram a uma grave depressão diagnosticada nesta época.
Com base em fontes e documentos internos da Lufthansa, o "Bild" disse que Lubitz passou no total um ano e meio em tratamento psiquiátrico, e que documentos relevantes serão enviados aos investigadores franceses após serem examinados por autoridades alemãs.

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