31 de jan de 2013

Prefeito nega jogo de empurra e diz que incêndio em boate gaúcha foi fatalidade

Incidente deixou 235 mortos no último domingo (27)

Agência Brasil
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O prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer, negou hoje (30) que esteja havendo um jogo de empurra sobre as responsabilidades na fiscalização da Boate Kiss, onde um incêndio matou 235 pessoas.

Schirmer voltou a dizer que a prefeitura vistoriou a boate na data prevista, em abril do ano passado, e encontrou a documentação em dia. Segundo ele, na época, os fiscais observaram que o alvará sobre prevenção de incêndios só venceria em agosto de 2012 e, por isso, não tinham motivos para fechar o estabelecimento.

"As famílias não merecem esse jogo de empurra, merecem uma avaliação séria e técnica. Foi uma fatalidade o que aconteceu aqui. Estamos todos traumatizados" , disse o prefeito.

Apesar disso, ele disse que repassa verba mensalmente ao Corpo de Bombeiros para, entre outras ações, atuarem na prevenção de incêndios. No ano passado, segundo ele, foram repassados mais de R$ 700 mil. "Não é meu papel dizer que o culpado é esse ou aquele. Meu papel é dizer como é a legislação", destacou.

Schirmer acrescentou ainda que a Boate Kiss estava classificada como de risco médio, no que se refere à prevenção de incêndios. Por isso, segundo ele, a fiscalização dos bombeiros era anual. Apesar de o alvará de prevenção e combate a incêndios estar vencido, Schirmer disse que a legislação não prevê o fechamento da boate, enquanto a documentação estiver sendo regularizada.

30 de jan de 2013

Dívida Pública Federal supera barreira de R$ 2 trilhões

Brasília -  A Dívida Pública Federal (DPF) encerrou 2012 superando a barreira de R$ 2 trilhões. Segundo números divulgados há pouco pelo Tesouro Nacional, a DPF atingiu R$ 2,008 trilhões em dezembro, contra R$ 1,965 trilhão registrados no fim de novembro.
Em relação a 2011, o estoque da DPF cresceu 11,5%. O principal fator que contribuiu para a alta da dívida pública foram as ajudas aos bancos oficiais por meio da injeção de títulos federais. No ano passado, os aportes nos bancos públicos totalizaram R$ 76,1 bilhões. As instituições financeiras recebem os papéis do governo e os revendem no mercado conforme a necessidade de aumentar o capital.
O maior beneficiado por essa política de ajuda foi o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que recebeu R$ 55 bilhões – R$ 10 bilhões em janeiro, R$ 10 bilhões em junho, R$ 20 bilhões em setembro e R$ 15 bilhões no mês passado. A Caixa Econômica Federal recebeu R$ 13 bilhões em setembro, e o Banco do Brasil foi beneficiado com R$ 8,1 bilhões.
Os números detalhados da DPF só serão divulgados na próxima quinta-feira (31). Serão detalhadas as emissões, os resgates e a composição da dívida pública. De acordo com o Tesouro Nacional, o estoque acima de R$ 2 trilhões está dentro das bandas estabelecidas pelo Plano Anual de Financiamento (PAF), que estipulava que a DPF encerraria 2012 entre R$ 1,950 trilhão e R$ 2,050 trilhões.
As informações são da Agência Brasil

29 de jan de 2013

Brasil não pode mais ter atrasos para Copa das Confederações, diz Fifa

DA REUTERS
O Brasil não pode mais "perder tempo" para cumprir os prazos acertados com a Fifa na entrega das instalações necessárias para a Copa das Confederações, afirmou nesta segunda-feira o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, após vistoriar as obras no estádio de Brasília.
A 500 dias da abertura da Copa do Mundo, a preocupação da Fifa ainda é com a entrega de quatro estádios (Salvador, Recife, Brasília e Rio de Janeiro) que sediarão jogos da Copa das Confederações, que começa em junho próximo. Até agora só foram concluídas as arenas de Fortaleza e Belo Horizonte.
Valcke disse que preferia que os estádios estivessem prontos até o final do ano passado, como previa o acordo inicial assinado entre a Fifa e o Brasil, mas afirmou que há tempo viável até a Copa das Confederações se as arenas forem entregues prontas até meados de abril.

Ueslei Marcelino/Reuters
O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, durante visita ao estádio de Brasília
O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, durante visita ao estádio de Brasília
"Mas não é possível atrasar mais do que meados de abril. Nessa data tem que estar tudo pronto, a cobertura [dos estádios], os assentos, as salas. Deve estar tudo pronto para os eventos testes", disse o secretário-geral, em tom de cobrança, a jornalistas após vistoriar as obras do estádio em Brasília.
"Mais uma vez, não podemos perder mais tempo", acrescentou. No domingo, Valcke assistiu a dois jogos no Castelão, em Fortaleza, e disse que o evento-teste serviu para mostrar a necessidade de alguns ajustes, mas não detalhou quais.
A vistoria em Brasília seria parte das comemorações da contagem regressiva de 500 dias para a abertura da Copa do Mundo de 2014. A festa, porém, foi cancelada depois da tragédia numa casa noturna em Santa Maria (RS), que resultou na morte de pelo menos 231 pessoas no domingo.
A Fifa apresentaria nesta segunda o cartaz oficial da Copa, que agora será divulgado na próxima quarta-feira no Rio de Janeiro.
A arena de Brasília deve ser concluída até 15 de abril e inaugurada no dia 21, data do aniversário da cidade, segundo a previsão do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz. O estádio deve custar mais de R$ 1 bilhão e terá capacidade para 71 mil torcedores.
TELECOMUNICAÇÕES
Mais cedo, antes da vistoria, Valcke esteve com o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, para assinar um memorando de entendimento entre o Brasil e a Fifa para determinar as responsabilidades das duas partes na área de telecomunicações para a Copa do Mundo.
A dificuldade para se comunicar chamou a atenção de Valcke em Fortaleza, no domingo, e ele disse que espera que o governo faça os investimentos necessários no setor.
"A maioria dos telefones não estava funcionando ontem [domingo] em Fortaleza", reclamou o secretário-geral. O ministério informou após a assinatura do acordo que a tecnologia 4G já estará operacional a partir de abril deste ano nas seis cidades da Copa das Confederações.
E o ministro disse que o governo, por meio da Telebrás, está implantando a infraestrutura de rede de fibra ótica nas 12 cidades-sede do Mundial, com um orçamento de R$ 200 milhões. A rede de fibra está 100% concluída na região metropolitana de Brasília, Belo Horizonte e Salvador, e a previsão de conclusão das demais cidades-sede é março de 2013.

28 de jan de 2013

Governo mente sobre a saúde de Chávez, diz Capriles

Para o líder da oposição, ditador tem obrigação de falar ao país, se estiver bem

Chávez anunciou no sábado reaparecimento de câncer
Hugo Chávez (Reuters)
O líder da oposição venezuelana, Henrique Capriles, disse neste domingo que o governo mente descaradamente sobre a saúde de Hugo Chávez e perguntou por que o líder não fala ao país, já que pode assinar cartas. 'Uma pessoa que pode assinar cartas, uma pessoa que pode fazer brincadeiras, não vai poder falar ao país? Então, alguém está mentindo descaradamente', afirmou ele, durante um ato como governador do estado Miranda.
Ao se dirigir aos simpatizantes do ditador, que se submeteu a uma intervenção cirúrgica em 11 de dezembro em Cuba e desde então não voltou à Venezuela, Capriles enfatizou que "o governo está mentindo para eles debaixo dos seus narizes".
O ex-candidato à presidência afirmou ainda, sem detalhar nomes, que "para esses cavalheiros" não interessa nem os problemas do país nem a situação que se vive a cada a dia. "Aqui, a única coisa que interessa é defender o cargo, a parcela de poder."
Antes de viajar para o Chile para a cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) - União Europeia (UE), o vice-presidente Nicolás Maduro disse que transmitiria aos chefes de estado e de governo uma "extraordinária" mensagem de Chávez, que permanece na ilha desde 10 de dezembro.

(Com agência EFE)

27 de jan de 2013

Brasil frustra Europa e não assina acordo sobre voos internacionais

Número de serviços entre o País e a União Europeia continuará controlado

Terra
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Não foi dessa vez que os europeus conseguiram assinar acordo com o governo brasileiro para retirar os limites de números de voos entre a União Europeia e o Brasil. Em visita a Brasília nesta quinta-feira, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e o presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, pretendiam assinar o ato de liberalização do setor aéreo, mas a expectativa foi frustrada por entraves na negociação e os únicos acordos assinados foram nas áreas de agricultura e de Ciência e Tecnologia.

"Estamos em discussão. Há alguns pontos em aberto", explicou o diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Marcelo Guaranys, que espera que o processo "não demore muito".

Segundo o superintendente de relações internacionais da Anac, Bruno Dalcome, ainda está em negociação a cláusula ambiental que poderia impor às companhias aéreas uma cobrança por emissões geradas em voos que têm a Europa como destino; além disso, a definição sobre o limite de voos entre o bloco europeu e o Brasil ainda está emperrada. A resistência maior é das companhias brasileiras, que temem perder mercado.

O acordo para ampliação de frequência de voos entre Brasil e União Europeia prevê que todas as companhias aéreas do brasileiras e dos 27 Estados membros do bloco possam operar voos diretos de qualquer aeroporto para qualquer destino. Hoje o Brasil possui acordos bilaterais com 14 países europeus diferentes. "O acordo (que está em negociação) padroniza os direitos mínimos, mas mantém a possibilidade de o País negociar diretamente no nível bilateral", afirmou Dalcome.

É a segunda vez que o texto chegou a poder ser assinado. A primeira vez foi na cúpula Brasil - União Europeia de 2011, em Bruxelas. Desde então, o acordo ficou parado nas mãos governo brasileiro. Segundo o superintendente de assuntos internacionais da Anac, não é necessário que o acordo seja assinado pela presidente e os dirigentes europeus - o próximo encontro só estaria marcado para 2015. Uma assinatura em nível ministerial já seria suficiente para destravar os limites dos voos entre o bloco e o Brasil.

26 de jan de 2013

A boa vida de Demóstenes

Sem mandato e prestígio, o ex-senador Demóstenes continua a desfrutar dos luxos da época de parlamentar. Comemorou o Réveillon num dos melhores restaurantes de Paris, frequenta uma badalada academia, faz tratamentos em clínicas estéticas e degusta vinhos

Josie Jeronimo e Adriano Machado (fotos), de Goiânia
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FELIZ E ASSOVIANDO
No dia de seu aniversário, o ex-senador Demóstenes Torres saiu
de casa de terno e gravata, mas não teve compromisso social:
foi a uma clínica estética e comprou iguarias para o jantar
Apanhado nos grampos que ajudaram a condenar o contraventor Carlinhos Cachoeira a 39 anos e 8 meses de prisão, o ex-senador Demóstenes Torres perdeu o mandato de senador em junho de 2012 e foi afastado do Ministério Público de Goiás. Seis meses depois, porém, embora desprovido de cargo e prestígio, o ex-parlamentar do DEM não perdeu a pose nem a boa vida sustentada por luxos e prazeres dos tempos de parlamentar, quando foi considerado no Congresso uma espécie de paladino da ética, antes de ser flagrado em tramoias com o bicheiro. A fama de mocinho acabou, mas sua rotina continua à base do bom e do melhor.

Na quarta-feira 23, em seu primeiro aniversário depois da queda, assistiu-se a uma pequena romaria na entrada do condomínio Parque Imperial, em Goiânia, onde Demóstenes reside num apartamento avaliado em R$ 2 milhões. Vestido de paletó e gravata, Demóstenes saiu de casa pouco depois das 9 da manhã. Ocupado, conforme um assessor, com os preparativos de um jantar de aniversário, assumiu o volante de uma Vera Cruz Hyundai e passou duas horas fora de casa. No fim da tarde, saiu mais uma vez, dirigindo-se a uma clínica estética. No carro com o vidro semiaberto, dava tchauzinho para quem o reconhecia. Em sua vida sem mandato, Demóstenes tem aproveitado para fazer testes frequentes de popularidade.
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Semanas antes de comemorar seu aniversário, o ex-senador saiu-se bem quando enfrentou 20 minutos de fila no Vapt-Vupt – nome do Poupatempo em Goiânia – para trocar o passaporte diplomático, a que tinha direito como senador, pelo comum. Foi reconhecido por cidadãos anônimos, que tiraram fotos com celular. A maioria o aplaudia, mas a funcionária Raquel Silva enquadrou a equipe de atendentes que ameaçava entrar na algazarra: “Coloquei o Demóstenes numa fila. Quando o pessoal foi tirar foto, igual a uma celebridade, eu disse: ‘Menos, gente, menos.’” Dias depois da cassação ele foi à rodoviária para renovar a carteira de motorista. Recebeu abraços e cumprimentos. O mesmo aconteceu em suas idas a supermercados.

A situação se inverte quando Demóstenes aparece nos lugares mais nobres da capital de Goiás. Numa badalada academia de ginástica localizada na Praça do Ratinho, que frequenta há anos, o tratamento é outro – revelam os funcionários. Antes, as pessoas daquele local, um dos pontos de concentração do mundo endinheirado da cidade, formavam rodinha para ouvir histórias e perguntar sua opinião. Na última semana, foi visto sozinho, como uma companhia a ser evitada. Um motorista de táxi que costuma levar Demóstenes até o aeroporto conta que recentemente ele estava muito animado e falante até a metade do caminho. Mas, quando o carro passou pelo rio Meia Ponte, ocorreu uma cena significativa. Chovia muito naquele dia, e o taxista comentou: “O rio Meia Ponte está parecendo uma cachoeira.” Ele conta que após ouvir a palavra “cachoeira” Demóstenes amarrou a cara e fez o resto da viagem em silêncio.

A vida de Demóstenes depois da queda tem elementos que lembram um melodrama do século XIX, mas vários capítulos poderiam ser escritos por Robert Parker, o mais celebrado enólogo do planeta. Em dezembro, Demóstenes esteve em Paris para passar o Réveillon e aproveitou a estadia para jantar no Taillevent, um dos mais exclusivos restaurantes da capital francesa. Situado a poucos passos da avenida Champs-Élysées e do Arco do Triunfo, o Taillevent serve vinhos que custam em média 1,8 mil euros, mas podem chegar a 18 mil euros, caso o cliente opte pelo Bordeaux Château Lafite-Rothschild, safra 1846. O gosto do ex-senador por vinhos raros e caros tornou-se conhecido nacionalmente depois que a Polícia Federal descobriu que Cachoeira lhe deu um lote de cinco garrafas do maravilhoso Bordeaux Cheval Blanc (nota mínima de 93 sobre 100 nas avaliações disponíveis de Robert Parker), pagando US$ 14 mil pela iguaria. Como se vê, longe do Senado e dos holofotes da televisão que ajudaram a transformá-lo num campeão da moralidade pública, Demóstenes continua um cálice refinado e aplicado.
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Hoje em dia ele só aparece em Brasília uma vez por semana e passa a maior parte de seus dias em Goiânia. Foi ali que, há poucos dias, num jantar no restaurante Madero, degustou uma garrafa de Pêra Manca (nota mínima de 86 na avaliação de Parker), que custa R$ 940. Em outra ocasião, numa visita à cantina San Marco, informou aos garçons que faria um pedido modesto, para uma refeição rápida. Pediu um Sirah Incógnito, português cujo preço é R$ 450 (87 sobre 100 na avaliação de Parker). Ficou contrariado porque o estoque havia acabado. Acabou servindo-se de um Malbec argentino, o Angélica Zapata, a R$ 300 a garrafa (a qualidade varia, mas Parker deu 91 para a safra de 1997). Ao reunir três procuradores para um encontro festivo, Demóstenes pediu um “Barca Velha”, que pode chegar a R$ 1,4 mil nas boas safras. Como brinde de Natal, Demóstenes distribuiu aos amigos e aliados políticos uma garrafa do sugestivo espumante português “Terras do Demo”, vendida a R$ 80. Procurado por ISTOÉ para uma entrevista, Demóstenes alegou que, orientado por seus advogados, preferia não dar depoimento nem responder a perguntas, mas ficou claro que ainda acumula poder no Estado. Instalada nas vizinhanças da residência do ex-senador, a equipe de ISTOÉ foi abordada por uma viatura policial, que pediu documentos.

Do ponto de vista legal, Demóstenes tem algumas complicações pela frente. Em agosto de 2012, com receio de que, mesmo sem mandato, ele ainda tivesse influência para livrar-se de qualquer investigação interna, 82 procuradores de Goiás assinaram um manifesto público exigindo que fosse aberta uma investigação sobre sua conduta. O caso hoje se encontra no Conselho Nacional do Ministério Público, que tem três opções pela frente. Pode transformar o afastamento temporário em permanente, sem maiores consequências para Demóstenes. Pode ainda aposentá-lo compulsoriamente, o que lhe permitiria conservar os vencimentos de R$ de 24 mil. Ou votar por sua demissão, que implicaria perda de qualquer benefício.

Responsável por arquivar as primeiras denúncias sobre Cachoeira que chegaram ao Ministério Público, o procurador-geral, Roberto Gurgel, costuma fazer pronunciamentos enfáticos em que confirma a disposição de acelerar as investigações contra Demóstenes. Procurado para comentar o caso, o procurador-geral mandou dizer, através de uma assessora, que sempre atuou no Conselho de forma isenta, “sem qualquer interferência nas decisões, como qualquer co nselheiro poderá confirmar”. Na prática, o caso caminha devagar. Amigo de Demóstenes, o conselheiro Fabio Silveira foi sorteado como primeiro relator e depois de 20 dias declarou-se impedido, o que já atrasou o processo em um mês.
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A apreciação dos embargos apresentados pela defesa estava marcada para a terça-feira 29, mas já foi retirada da pauta, o que pode atrasar o exame geral do caso, inicialmente previsto para fevereiro. Com receio daquilo que, em outros tempos, Demóstenes denunciava como pizza, na semana passada três promotores do Ministério Público de Goiás circulavam por Brasília, procurando marcar audiências com os 13 conselheiros que terão a palavra final sobre o caso. “Queremos um julgamento justo, em tempo razoável,” afirma um deles, Reuder Cavalcanti. Ele entende que, numa decisão equilibrada, Demóstenes não deve ter direito a aposentadoria compulsória porque passou os 13 anos fora do Ministério Público. “É por causa desse afastamento que defendemos a demissão.” Para Luiz Moreira Gomes, que foi representante do Congresso no Conselho do Ministério Público, já conseguiu uma nova eleição pelo voto dos deputados e aguarda uma deliberação do Senado que pode reconduzi-lo ao posto, o episódio de Demóstenes tem um caráter exemplar. “A inércia foi uma demonstração de que o Ministério Público não adota para si a conduta criteriosa que exige dos outros,” afirma.

Por causa de uma decisão do ministro Ricardo Lewandowski, vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, Demóstenes também enfrenta um inquérito criminal no Tribunal Federal Regional da 1a Região. É investigado por corrupção passiva, prevaricação e advocacia administrativa. Esse processo é mais demorado e não tem prazo definido para chegar a uma conclusão.

Ao perder o mandato, Demóstenes ficou inelegível até 2027. Há poucas semanas, contestando o período em que não poderá candidatar-se, ele apresentou recurso ao Tribunal Regional Eleitoral para rever a decisão. Perdeu, mas cabe uma segunda tentativa. As incertezas da Justiça colocam várias opções no futuro político do ex-senador. Ele não foi totalmente abandonado pelos antigos aliados nem será. Muitos deles têm interesse confesso em sua herança. O deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), que atua na mesma fatia do eleitorado, prepara sua candidatura ao Senado em 2014 e conta com os votos de Demóstenes.
No plano pessoal, Demóstenes pensa em atuar como advogado de grandes empresas. Atualmente, além dos vencimentos como procurador (R$ 24 mil), Demóstenes tem rendimentos como sócio da Nova Faculdade, estabelecimento de ensino em Contagem, Minas Gerais. O dono da instituição é Marcelo Limírio, sócio de Cachoeira em redes de laboratórios de Goiás. Nas conversas em que fala de seus planos, Demóstenes tem dito que, se for condenado pelo Conselho da Magistratura, poderá advogar. Wellington Salgado, ex-senador e amigo fiel, já se dispôs a ajudar. 

Colaboraram: Izabelle Torres e Claudio Dantas Sequeira

Fotos: divulgação; adriano machado; Directphoto
Foto: Adriano Machado

25 de jan de 2013

Aos 90 anos, Previdência brasileira concede 30 milhões de benefícios

Mensalmente, R$ 35 bilhões são injetados na economia por meio de benefícios

Agência Brasil
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Nesta quinta-feira, a Previdência Social no Brasil completou 90 anos. Nesta data, também se comemorou o Dia do Aposentado, em referência à entrada em vigor da Lei Eloy Chaves (Lei 4.682), em 24 de janeiro de 1923.

Na cerimônia de comemoração pelo aniversário da pasta, o ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves Filho, informou que, em 68% dos municípios brasileiros, os recursos previdenciários são superiores aos dos fundos de participação repassados pela União. Mensalmente, R$ 35 bilhões são injetados na economia por meio dos benefícios da Previdência.

Atualmente, a Previdência concede cerca de 30 milhões de benefícios, o que atinge aproximadamente 15% dos 194 milhões de pessoas no Brasil, diz o Censo 2012 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desses benefícios, pouco mais da metade são aposentadorias, 16,7 milhões – das quais 8,7 milhões são por idade, 4,8 milhões por tempo de serviço e 3,2 milhões por invalidez. Outros benefícios pagos pela Previdência são a aposentadoria especial; os auxílios doença, acidente e reclusão; os salários maternidade e família e as pensões por morte.

Os segurados da Previdência são todos os que contribuem mensalmente para o INSS. Isso pode ser feito por filiação pela carteira de trabalho assinada ou por contribuições individuais ou facultativas. Os beneficiários são as pessoas efetivamente atendidas pela rede previdenciária. Podem ser o próprio trabalhador; o cônjuge, o companheiro, os filhos – não emancipados, inválidos ou menores de 21 anos –, os pais e os irmãos – inválidos ou menores de 21 anos – do trabalhador segurado.

Também participaram do evento comemorativo do aniversário da Previdência o ministro da Pesca e Aquicultura, Marcelo Crivella, o ex-ministro da Previdência Ricardo Berzoini, o presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Lindolfo Sales, o presidente da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (Dataprev), Rodrigo Assunção, e o presidente da Superintendência Nacional de Previdência Complementar, José Maria Rabelo, além de representantes da Associação Nacional de Médicos de Peritos.

24 de jan de 2013

Sarney baixa o tom: Senado jamais deve contestar STF


Após dar uma dura resposta ao Supremo Tribunal Federal (STF) na noite de terça-feira, quando o presidente em exercício, Ricardo Lewandowski, cobrou um posicionamento sobre o Fundo de Participação dos Estados (FPE), o presidente do Senado, José Sarney, decidiu baixar o tom nesta quarta-feira. Segundo ele, o Senado procura cumprir as decisões da Corte e “jamais contestá-las”, ponderou.
Na noite de terça-feira, Sarney enviou um documento ao STF afirmando que, não havendo inércia do Legislativo, não se justifica “qualquer intervenção do Poder Judiciário em suas atividades típicas”. O documento é uma resposta ao ministro Lewandowski, que determinou prazo de cinco dias para o presidente do Congresso dar explicações sobre a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) apresentada pelos governadores da Bahia, Pernambuco, Maranhão e Minas Gerais.
O presidente do Senado negou estar chateado com Lewandowski e ressaltou que o ministro está apenas cumprindo o seu papel, já que a lei manda que ele peça informações ao Congresso. “Foi uma coisa normal. Não houve contestação ao Supremo”, disse Sarney. As novas regras do FPE deveriam ter sido votadas pelo Congresso até dezembro de 2012, prazo que o Supremo deu ao considerar a lei vigente ultrapassada. No entanto, o Congresso não cumpriu a determinação.
(Marcela Mattos, de Brasília)

23 de jan de 2013

EUA dão apoio logístico à ofensiva contra terroristas no Mali

Forças americanas fazem transporte aéreo de tropas francesas e equipamentos até a capital Bamako

Soldados franceses chegam ao Mali em aviões americanos
Soldados franceses chegam ao Mali em aviões americanos (Eric Gaillard / Reuters)
No mesmo dia em que os Exércitos malinês e francês retomaram o controle de duas importantes cidades centrais do Mali, Diabaly e Douentza, as forças americanas deram início ao transporte aéreo de tropas francesas e equipamentos de uma base no sul da França até Bamako, por meio de aviões de modelo C-17.

Entenda o caso


  1. • No início de 2012, militantes treinados na Líbia impulsionam uma grande revolta dos tuaregues no norte do Mali. Em março, o governo sofre um golpe de estado.
  2. • Grupos salafistas, com apoio da Al Qaeda, aproveitam o vácuo de poder para tomar o norte do país - onde impõem um sistema baseado nas leis islâmicas da 'sharia'.
  3. • Em janeiro de 2013, rebeldes armados, com ideais bastante heterogêneos, iniciam uma ofensiva em direção ao sul do Mali, e o presidente interino, Dioncounda Traoré, pede socorro à França.
  4. • Com o aval das Nações Unidas, François Hollande envia tropas francesas e dá início a operações aéreas contra os salafistas, numa declarada guerra contra o terrorismo.
 
Segundo um porta-voz do comando americano para a África, dois voos teriam chegado na segunda-feira, e um terceiro nesta terça-feira. O transporte aéreo ainda deve continuar nos próximos dias. "Os voos são programados em função das necessidades do Exército francês", afirmou. Além dos Estados Unidos, Grã-Bretanha, Bélgica, Canadá e Dinamarca também dão apoio logístico à intervenção francesa.
O ministro de Defesa da França, Jean-Yves Le Drian, saudou o avanço das tropas como "um claro sucesso militar para o governo de Bamako e para as forças francesas que dão apoio às operações". Os soldados franceses que atuam junto das tropas africanas rumam para o norte do Mali, onde os radicais islâmicos da Al Qaeda teriam se refugiado depois dos bombardeios iniciados pela França.
O recente atentado no campo de gás de In Aménas, na Argélia, atribuído ao grupo islâmico Batalhão de Sangue, é considerado uma reação dos rebeldes ao apoio do governo argelino à intervenção francesa no Mali. Mais cedo, um representante de Mokthar Belmokthar, o terrorista que comandou o ataque à usina de gás fez ameaças via imprensa à França, considerando o ataque ao complexo como um "sucesso".
Terror - O Batalhão de Sangue nasceu há pouco tempo a partir da Al Qaeda no Magreb Islâmico (AQMI). Segundo o governo argelino, todos os terroristas são subordinados a Belmokthar, que fundou a milícia no fim do ano passado depois de ser expulso da Al Qaeda magrebina, por insubordinação.
Belmokthar é um jihadista veterano conhecido por tomar reféns e contrabandear desde imigrantes ilegais até cigarros. Ele nasceu em 1972 na Argélia e viajou ao Afeganistão em 1991 para combater o governo local. Nesses combates, perdeu um olho, o que lhe rendeu o apelido de “Zarolho”.

22 de jan de 2013

Dilma cobra metas e resultados de ministros do PT

De olho na reeleição, presidente tenta solucionar problemas na economia, saúde e segurança pública

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A presidente Dilma Rousseff encomendou a um seleto grupo de ministros do PT a apresentação de metas prioritárias para os dois últimos anos do governo. Com tropeços na gestão, problemas na economia e dificuldades na articulação política, Dilma corre para construir marcas de governo que pavimentem sua candidatura à reeleição, em 2014, embalada pelo mote do desenvolvimento estratégico.

As metas pedidas pela presidente para a segunda metade do mandato também envolvem perspectivas de longo prazo. Pressionada pelo baixo crescimento da economia no ano passado, que deve ficar próximo a 1%, Dilma aposta que medidas tomadas em 2012 para baixar os juros, ajustar o câmbio, reduzir impostos, diminuir a dívida pública e cortar o preço da energia elétrica terão impacto a partir de abril.

Até agora houve apenas uma reunião com os ministros Guido Mantega (Fazenda), Gleisi Hoffmann (Casa Civil), Fernando Pimentel (Desenvolvimento), Miriam Belchior (Planejamento) e Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência), em dezembro, quando Dilma tratou da necessidade do plano estratégico. Antes disso, no entanto, ela conversou com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o marqueteiro João Santana, que será o responsável pela campanha da reeleição.

Pesquisas em poder do Palácio do Planalto indicam que falhas no sistema de saúde e na segurança pública figuram entre as maiores queixas dos eleitores. Embora segurança seja da competência dos Estados, o medo provocado pela violência nas grandes cidades atinge de forma negativa o governo federal.

Além disso, a imagem de boa gestora de Dilma começa a ficar embaçada. Em um ano pré-eleitoral, o desafio da presidente é tirar projetos de infraestrutura da prateleira e atrair investimentos.

Para a oposição, expressões como "destravar os nós" e "competitividade" viraram moda no governo, mesmo sem o figurino sair do papel. "A prática é outra: está tudo travado", provoca o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

21 de jan de 2013

Com ausência de Chávez, discurso bolivariano perde força

Nenhum dos aliados venezuelanos reúne as características do caudilho para insuflar o movimento. Questões internas também devem exigir mais atenção

Cecília Araújo e Gabriela Loureiro
O presidente da Bolívia, Evo Morales (esq), do Uruguai, José Mujica, e da Nicarágua, Daniel Ortega, aplaudem o vice-presidente venezuelano Nicolás Maduro (dir), em evento de apoio a Hugo Chávez em Caracas
O presidente da Bolívia, Evo Morales (esq), do Uruguai, José Mujica, e da Nicarágua, Daniel Ortega, aplaudem o vice-presidente venezuelano Nicolás Maduro (dir), em evento de apoio a Hugo Chávez em Caracas (Miguel Gutiérrez/EFE)
Ao longo de seus 14 anos no poder, Hugo Chávez se esforçou para ampliar o alcance de sua ‘revolução bolivariana’ para outros países da América Latina. O processo de convencimento foi financiado pelos petrodólares e barris de petróleo distribuídos pela Venezuela a países aliados. Alguns dos que se alinharam à cartilha do caudilho se apresentam como herdeiros de seu legado, mas não têm as características que tornaram Chávez a tradução do movimento.

“Não há um líder latino-americano com a visão, o carisma, a capacidade de liderança e os recursos financeiros necessários para efetivamente substituir Chávez. Os remanescentes do movimento bolivariano podem continuar a viver, mas a morte de Chávez significa a morte efetiva do movimento bolivariano como uma força de destaque na região”, avalia Mark Jones, professor de ciências políticas da Universidade Rice, no Texas.

A combinação do carisma de Chávez com a distribuição de benesses, expropriação de empresas, perseguição a dissidentes e sufocamento da imprensa independente pavimentaram o caminho do bolivarianismo pela América Latina. Chávez instituiu um sistema na Venezuela que promove eleições diretas, mas usa indiscriminadamente a máquina a favor do chavismo e ignora resultados desfavoráveis, com manobras para revertê-los a favor do governo.

Entre os seguidores mais proeminentes estão Rafael Correa, do Equador, e Evo Morales, da Bolívia. A proximidade entre Chávez e os irmãos Fidel e Raúl Castro também é notável e justificável pelo financiamento venezuelano a Cuba – enquanto o socialismo da ilha serve de inspiração declarada para o caudilho. Nenhum dos aliados deve ter força para dar sequência à campanha pró-bolivarianismo na região. “Assim como Chávez, Correa é um crítico ferrenho dos Estados Unidos e defensor descarado do governo castrista em Cuba. No entanto, sua figura está longe de ter o mesmo impacto que a de Chávez na região, enquanto os irmãos Castro estão muito ocupados com a transição cubana”, diz Eric Farnsworth, vice-presidente da Washington Office of Americas Society/Council of the Americas.
Obstáculos internos – Se regionalmente não há uma figura que atenda aos requisitos necessários para manter o legado da ‘revolução bolivariana’, o sucessor de Chávez na Venezuela também terá dificuldades de dar continuidade ao modelo imposto pelo coronel. Um dos entraves deverá ser a economia, que demandará mais atenção internamente do que os repasses aos aliados regionais. “Provavelmente, a assistência estrangeira ilimitada para os países amigos terá que acabar ou pelo menos ser abrandada. E isso fará com que seja mais difícil para esses aliados seguirem a Venezuela de forma acrítica, como vêm fazendo”, avalia Farnsworth.

Para Mark Jones, mesmo os problemas de saúde de Chávez já vinham enfraquecendo o movimento bolivariano na América Latina. “A necessidade de Chávez de concentrar sua energia e atenção em sua própria saúde, ao mesmo tempo em que a economia venezuelana se enfraquece mais e mais, reduziu significativamente a sua capacidade de apoiar o movimento bolivariano para além das fronteiras da Venezuela”.
Discurso fantasma – Outro problema é a ausência física de Chávez na Venezuela, que obriga o vice, Nicolás Maduro, a sempre pontuar que o comando ainda está nas mãos do coronel, mesmo a distância – uma tentativa de convencer o mundo e, principalmente, os venezuelanos. A celebração do “juramento simbólico” em Caracas, no dia 10, começou com uma gravação da voz do ditador cantando o hino nacional. “Presidentes amigos”, como foram classificados por Maduro, acompanharam o evento: Morales, Daniel Ortega, da Nicarágua, e José Mujica, do Uruguai. Por enquanto (e não se sabe por quanto tempo), o chavismo tenta passar a impressão de que Chávez está atento a tudo, a par de tudo, mesmo internado em Havana, enfrentando um complicado período pós-operatório depois de submeter-se a quarta cirurgia para combater um câncer.

Para os possíveis sucessores, imitar o estilo de Chávez é muito difícil. O professor Ricardo Gualda, estudioso da estratégia de comunicação do coronel, destaca que Chávez construiu um discurso radical antielitista muito didático e muito emotivo, direcionado a grupos específicos. Essa fórmula foi repetida incessantemente ao longo dos anos. “O Chávez aparece muito. Ele entra em cadeia nacional o tempo inteiro e fala durante horas, tem uma estratégia de comunicação bastante presente na vida das pessoas. Ele entende muito bem o público dele”.
Manter o doutrinamento da população sem a onipresença do mandatário será mais um desafio para seus sucessores. Mas, apesar da tese da “continuidade administrativa” defendida pelo Supremo Tribunal de Justiça para dispensar a posse de Chávez, prevista na Constituição para o dia 10 de janeiro, os sucessores estão despreparados para a “continuidade do discurso” chavista. “Chávez se rodeou de pessoas muito fracas. Criou uma burocracia pouco preparada, pouco efetiva e incapaz, mas com pessoas muito leais”.

Gualdo aponta limitações também para o discurso oposicionista, neste momento de incertezas sobre o real estado de saúde do mandatário. “A oposição está numa saia justa, pois tem que mostrar solidariedade e se mostrar sincera. Eles (opositores) estão certos em falar em constitucionalidade, mas ter essa briga enquanto o outro está agonizando é muito difícil. Como você fala isso para as pessoas que estão fazendo vigília nas ruas?”

20 de jan de 2013

O Congresso foi pego de calças curtas - e não está nem aí


Impera na instituição a leniência com os "pequenos desvios" - que na maioria das vezes não são nem pequenos, nem desvios, mas a mais pura ilegalidade

Gabriel Castro e Laryssa Borges, de Brasília
Senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN)
Renan Calheiros (à esquerda) e Henrique Eduardo Alves: conchavo e fisiologismo (Dida Sampaio/AE e Beto Barata)
Corria o ano de 1949. Com pose de estátua de bronze, o deputado Edmundo Barreto Pinto exibia seus dotes em um ensaio fotográfico na revista O Cruzeiro. Após a garantia de que seriam registradas somente imagens da cintura para cima, o parlamentar se livrou das calças para amenizar o calor. Publicadas com destaque na edição seguinte da revista, as cenas ridículas com as roupas de baixo expostas foram suficientes para que ele se tornasse o primeiro parlamentar a ter o mandato cassado pelo Congresso Nacional. Motivo: quebra do decoro parlamentar.
Não que Barreto Pinto, um dos suplentes de Getúlio Vargas, fosse exatamente um bastião da ética – a própria reportagem que acompanha a foto do congressista revela o esconderijo do cofre do parlamentar: “Os ladrões que lerem esta reportagem não devem se esquecer: é o quarto escritório, o primeiro à esquerda de quem vai”.
O Cruzeiro/Reprodução
Deputado Edmundo Barreto Pinto
Deputado Edmundo Barreto Pinto
Passados mais de 60 anos, a punição imposta a Barreto Pinto soaria como uma enorme injustiça entre seus pares. A exemplo do deputado varguista, o próprio senador Eduardo Suplicy, que costuma ser apontado como um dos poucos políticos que ainda defendem a ética dentro do PT, desfilou com uma cueca do Super-Homem pelos corredores do Congresso.
O fato é que ao longo das últimas décadas, arraigou-se no Legislativo brasileiro a malfadada tolerância aos deslizes éticos, aos conchavos políticos e à cultura dos "pequenos desvios". Esses desvios, aliás, quase sempre são mais que moralmente condenáveis: eles infringem regras escritas em portarias, regimentos, leis. Não são meras infrações dos bons costumes - são algo  pior do que isso.
Durante o histórico julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), a ministra Cármen Lúcia, que também é presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), resumiu a questão em um célebre voto: "No estado de direito, o ilícito há de ser processado, verificado e, se comprovado, punido porque estamos vivemos um estado que foi duramente conquistado". Na ocasião, ela criticava a tentativa dos advogados dos réus de minimizar os crimes cometidos com a tese de que o esquema implicava "apenas" o caixa dois eleitoral. "Acho estranho e muito, muito grave que alguém diga com toda a tranquilidade: ‘Ora, houve caixa dois’. Caixa dois é crime, caixa dois é uma agressão à sociedade brasileira. Caixa dois compromete. Mesmo que tivesse sido isso ou só isso, isso não é só, isso não é pouco. Fica parecendo que ilícito no Brasil pode ser praticado, confessado e tudo bem. Não está tudo bem. Tudo bem está um país com estado de direito em que todo mundo cumpre a lei", afirmou Cármen Lúcia.
Às vésperas da eleição das novas mesas diretoras da Câmara e do Senado, o Congresso hoje dá novas demonstrações do seu definhamento moral - e, para usar as palavras da ministra Cármem Lúcia, do seu desprezo ao estado de direito. São favoritos à presidência das Casas o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), dois velhos próceres do fisiologismo e da conveniência política. Ambos são filiados ao PMDB.
Conforme revelou VEJA, Henrique Alves tinha o costume de destinar sua verba indenizatória a uma empresa-fantasma: a Global Transportes, que não funciona na sede declarada e não possui patrimônio. O jornal Folha de S. Paulo também mostrou que emendas parlamentares do peemedebista favoreceram a construtora de um ex-assessor. Os fatos forçaram o deputado a dar explicações, mas não devem sequer ameaçar a candidatura dele ao cargo máximo da Casa. Mesmo o oposicionista PSDB manteve o apoio ao parlamentar após a revelação de irregularidades. Ninguém pretende levar o caso ao Conselho de Ética.
A tolerância com pequenos e médios atos de corrupção se tornou uma prática na Câmara. O último parlamentar cassado pela Casa foi Pedro Corrêa (PP-PE), em 2006, ainda na esteira do escândalo do mensalão. De lá para cá, não faltaram escândalos, mas a benevolência dos deputados com os colegas atingiu níveis cada vez maiores. No total, 86 processos de cassação de mandato chegaram  ao Conselho de Ética, grande parte referente ao escândalo dos sanguessugas. A maioria foi arquivada ali mesmo.
Uma exceção foi o processo contra Jaqueline Roriz (PMN-DF), em 2011. Mas o final da história, entretanto, é parecido: o Conselho de Ética aprovou o pedido de cassação, mas o plenário, que dá a palavra final, salvou o mandato da deputada em votação secreta. Em tempo: Jaqueline havia sido filmada recebendo dinheiro de Durval Barbosa, o operador do mensalão do DEM em Brasília. No plenário, minutos antes da possível degola, a filha do ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz, outro velho conhecido quando o assunto é corrupção, sacou argumentos melodramáticos, como a hemofilia do seu filho. Resultado: engrossou a lista dos impunes.
Há três anos, a Câmara passou por mais uma das incontáveis humilhações ao manter impune o deputado Paulo Roberto (PTB-RS), que, em uma inacreditável sequência de traquinagens, comercializou passagens aéreas pagas pela Câmara e nomeou funcionários-fantasmas em seu gabinete. Depois de várias manobras para atrasar a votação do relatório contra si no Conselho de Ética, o parlamentar viu seu processo ser arquivado com o fim da legislatura, em dezembro de 2010.
Sanguessugas - Em 2006, o Congresso mal havia se recuperado do mensalão quando houve o estouro da máfia dos sanguessugas, que reunia dezenas de congressistas envolvidos com um esquema de venda de emendas parlamentares. O colegiado que deveria zelar pela ética e o decoro dos deputados abriu impressionantes 69 processos. A maioria não chegou sequer a ser analisada, já que os mandatos dos congressistas terminariam no ano seguinte. O saldo foi o mesmo de sempre: ninguém foi cassado. Nesse caso, o plenário nem ao menos pode se pronunciar. Faltava tempo e sobravam acordos espúrios para o salvamento coletivo. As eleições de 2006 paralisaram a Câmara no segundo semestre e, com a troca de legislatura, todos os acusados escaparam. Alguns, como Nilton Capixaba (PTB-RO), se reelegeram nas urnas e continuam na ativa.
A contabilidade do Conselho de Ética é parcial: são muitos os casos em que a denúncia nem mesmo chega a ser investigada. Como os recentes deslizes de Henrique Eduardo Alves.

Senado -
  No Senado, o histórico de leniência é semelhante ao da Câmara. Atropelado por denúncias que lhe custaram a cadeira de presidente do Senado em 2007, Renan Calheiros reassumirá o comando da Casa no início de fevereiro. Nesses cinco anos, o Senado foi protagonizou uma profusão de escândalos: dos atos secretos assinados por José Sarney (PMDB-AP) a irregularidades administrativas.
A Casa até tirou o mandato de Demóstenes Torres devido à ligação do parlamentar com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Mas o episódio comprovou a tese de que só os parlamentares flagrados em horas de gravações comprometedoras pela Polícia Federal têm alguma chance de perder o mandato.
O juiz eleitoral Marlon Reis, um dos coordenadores do movimento que motivou a criação da Lei da Ficha Limpa, diz que as instituições que deveriam combater a corrupção nem sempre têm capacidade operacional para punir todas as autoridades que cometem irregularidades - o que pode ajudar a impunidade em casos aparentemente menos escandalosos. A saída é separar o que é mais relevante: "As instituições têm limites que geram essa priorização. É mais útil levar adiante os casos de mais impacto, ou aqueles em que as provas estão mais evidentes", diz ele. No caso do Congresso, destaca Marlon, a explicação é outra: "A cultura no âmbito parlamentar é de leniência".

O fato de a política brasileira ser profícua em produzir grandes casos de corrupção, aliás, também dá força à tese de parlamentares de que a maior parte dos escândalos não passam de irregularidades menores. Como punir alguém que aplica verba de gabinete em empresas-fantasmas ao mesmo tempo em que quatro mensaleiros condenados pela mais alta corte do país exercem o mandato sem ser incomodados? "O padrão caiu tanto que agora nem crime mais conta como quebra de decoro", diz o cientista político da Universidade de Brasília, Ricardo Caldas, em referência à posse de José Genoino (PT-SP), já depois de condenado, na Câmara dos Deputados.

O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) diz que, para os oposicionistas, a maioria avassaladora da base governista é um empecilho. "Nós nunca tivemos uma oposição tão limitada numericamente quanto agora. Isso provoca um certo desestímulo no enfrentamento", reconhece o tucano.
O historiador Marco Antonio Villa, professor da Universidade Federal de São Carlos, diz que os conchavos tiram a força da oposição: "Eles acham mais importante fazer parte da Mesa Diretora, em um cargo sem nenhuma importância, do que exercer sua função republicana de denunciar as mazelas. Não há uma força política no interior do Congresso Nacional que consiga causar algum desconforto a essa maioria que está envolvida em atos de corrupção", diz ele.
Ricardo Caldas diz que a situação sempre foi ruim, mas piorou recentemente. "O cargo é considerado como uma posse, a pessoa se faz dona do cargo. Tem que haver uma mudança cultural, não falta legislação", diz ele. Já o senador Pedro Simon ainda demonstra certo otimismo e afirma que as novas denúncias envolvendo Henrique Eduardo Alves e Renan Calheiros não condizem com o momento que o país vive:  "É algo que não tem lógica, ainda mais em uma hora como essa. O Brasil vive um momento diferente, da Ficha Limpa, resultado de modificações importantes nos resultados das eleições, e do mensalão, que condenou deputados", diz ele.
 
Mais de 60 anos depois, se o deputado Edmundo Barreto Pinto enfrentasse um processo, seguramente não precisaria se preocupar com o risco de perder o mandato. Coisas piores passam impunes. 
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Sanguessugas

Bispo Rodrigues: mensaleiro e sanguessuga
O Conselho de Ética da Câmara nunca recebeu tantos processos quanto em 2006; naquele ano, estourou o escândalo das sanguessugas. Deputados destinavam emendas parlamentares à empresa Planam, que comercializava ambulâncias com sobrepreço e pagava propina aos autores das emendas. O esquema foi descoberto pela Polícia Federal. Todos os 69 deputados investigados escaparam da punição. Alguns, porque o prazo para a punição se encerrou com o fim da legislatura. A maioria, porque os colegas não viram razão para o castigo. Os três senadores citados pela Polícia Federal no episódio também se livraram. Na lista de parlamentares enrolados com o esquema, estava Bispo Rodrigues (ex-PL), que também foi personagem do mensalão e acabou condenado pelo Supremo Tribunal Federal.

19 de jan de 2013

Investigadores japoneses divulgam foto de bateria do Boeing-787 danificada

DA AFP
Investigadores japoneses que analisam as causas para o pouso de emergência de um Boeing-787 Dreamliner em um aeroporto do país, que levou à suspensão de utilização do avião em todo o mundo, divulgaram nesta sexta-feira (18) a foto da bateria da aeronave muito danificada.
A foto mostra que a bateria estava aparentemente carbonizada. Podem ser observadas marcas chamuscadas na caixa azul que aloca a principal bateria da aeronave --que também apresentava o vazamento de um líquido parecido com alcatrão.
Divulgada pelo Órgão de Segurança para o Transporte do Japão, a imagem mostra também que a tampa da caixa da bateria estava deformada e descolorida.
A bateria foi removida da principal unidade de alimentação na parte frontal do avião e fotografada ao lado de outra bateria, completamente intacta, da parte traseira da aeronave.

AFP
Bateria danificada do Boeing-787 Dreamliner (à esquerda) que fez um pouso de emergência no Japão
Bateria danificada do Boeing-787 Dreamliner (à esquerda) que fez um pouso de emergência no Japão
PROIBIÇÃO
A FAA (agência de aviação dos EUA) lançou uma proibição de voo sobre os Boeing-787 Dreamliner que deixa todos os aviões da companhia no mundo em solo. A medida ocorre após os seguidos incidentes ocorridos com o modelo nos últimos dias.
A agência decidiu na quarta manter o mais novo avião comercial da Boeing temporariamente em terra, afirmando que as companhias aéreas têm que demonstrar que as baterias são seguras antes que os jatos possam voltar a voar.
A FAA não deu detalhes sobre quando isso poderá acontecer. Outras autoridades nacionais seguiram a decisão.

Associated Press
Boeing-787 Dreamliner da All Nippon Airways, após pouso de emergência no Japão por problemas técnicos
Boeing-787 Dreamliner da All Nippon Airways, após pouso de emergência no Japão por problemas técnicos
ENTENDA
Um Dreamliner da companhia ANA precisou realizar um pouso de emergência na quarta-feira em Takamatsu, no sul do Japão, devido a um alarme que apontava a existência de fumaça e pela presença de um forte odor a bordo proveniente da bateria.
Trata-se do segundo incidente neste mês relacionado a uma bateria de íon de lítio, depois do problema sofrido na semana passada por uma aeronave da companhia JAL em Boston, nos Estados Unidos, que levou ao vazamento de eletrólitos inflamáveis e emanações de calor e fumaça, segundo a FAA.
VEJA O HISTÓRICO DE INCIDENTES COM O BOEING-787 DREAMLINER

Editoria de Arte/Folhapress

18 de jan de 2013

Sequestradores argelinos pedem libertação de líderes presos nos EUA

Exército diz que 650 pessoas foram libertadas, mas operação prossegue

AFP
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O líder do grupo rebelde islâmico atuante no deserto africano está pedindo a libertação de militantes detidos nos Estados Unidos e o fim da intervenção da França no Mali, informa nesta sexta-feira a agência de notícias da MauritâniaANI.

A declaração ocorre em meio a uma crise de reféns em um campo exploração de gás em In Amenas, localidade argelina situada na região central do país e próximo à fronteira com a Líbia.

Mokhtar Belmokhtar, conhecido como "o Borgne", é um dos líderes históricos da Al-Qaeda do Magrebe Islâmico (Aqmi). Além do fim da guerra no Mali, onde milícias do norte lutam pela independência contra o governo da capital Bamako, ele sugere a libertação de dois líderes mantidos presos nos EUA através da soltura de reféns americanos. Os dois líderes mencionados por Belmokhtar em um vídeo gravado e citado pela ANI são Omar Abdel-Rahman e Aafia Siddiqui.

Omar Abdel-Rahman (o xeque cego) foi condenado à prisão perpétua nos Estados Unidos em 1995 por planejar ataques contra nova-iorquinos e assassinar o ex-presidente egípcio Hosni Mubarak. Aafia Siddiqui é uma cientista paquistanesa presa nos Estados Unidos por ter tentado atirar em soldados americanos em 2008 no Afeganistão, enquanto era detida por suas presumidas ligações com a Al-Qaeda.

Fontes da segurança do Mali haviam indicado em outubro que Belmokhtar tinha sido expulso pelo chefe da brigada que ele dirigia.

O Exército da Argélia anunciou a libertação de mais de 650 pessoas, incluindo cem estrangeiros, nesta sexta-feira, mas o cerco ao campo de gás continua.

O governo francês confirmou que, reféns e sequestradores morreram durante um ataque do Exército argelino contra um comboio dos insurgentes. O exato número de vítimas, no entanto, ainda é desconhecido.

17 de jan de 2013

Após evangélicos, associação gay pede passaportes diplomáticos

JOHANNA NUBLAT
DE BRASÍLIA
BRUNA BORGES
DE SÃO PAULO
Após o Itamaraty conceder passaportes diplomáticos a seis líderes religiosos de igrejas evangélicas, a ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) enviou um ofício ao ministro Antonio Patriota (Relações Exteriores) cobrando o mesmo direito.
"Tendo em vista que a ABGLT também atua internacionalmente, tendo status consultivo junto ao Conselho Econômico e Social da Organização das Nações Unidas, além de atuar em parceria com diversos órgãos do Governo Federal, vimos solicitar que sejam concedidos da mesma forma passaportes diplomáticos para integrantes da ABGLT", diz o ofício encaminhado por e-mail.
Caso o benefício não seja concedido, diz Toni Reis, presidente da ABGLT, o Ministério Público será procurado. "Queremos a isonomia. Nem menos nem mais, direitos iguais."
"Claro que a regra diz que esse passaporte é uma excepcionalidade. Mas, se vão dar para todos os pastores evangélicos, nós também queremos. E queremos com os respectivos cônjuges, assim como os bispos e pastores", explica Reis.

Luiz Costa/La Imagem/Fotoarena/Folhapress
Toni Reis, 46, e David Harrad, 53, registram união estável em cartório de Curitiba
Toni Reis, 46, e David Harrad, 53, durante o registro da união estável em cartório de Curitiba
O objetivo, explica a entidade, é "realizar um trabalho de promoção e defesa dos direitos humanos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais nos 75 países onde ser LGBT é crime e nos sete países onde existe pena da morte para as pessoas LGBT".
Em seguida, a entidade lista os 14 nomes de integrantes do movimento que deveriam receber o benefício.
Procurado pela Folha, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que ainda não analisou o pedido. Mas informou que "todo pedido quando recebido formalmente, será analisado". E caso o documento seja concedido, irá seguir as regras estabelecidas pelo Decreto 5.978.
RELIGIOSOS
Fernando Donasci/Folhapress
Romildo Ribeiro Soares, líder da Igreja Internacional da Graça de Deus
R. R. Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus
Nesta semana, o Itamaraty concedeu seis passaportes a líderes religiosos de igrejas evangélicas. Receberam o benefício Romildo Ribeiro Soares --o R.R.Soares-- e Maria Magdalena Bezerra Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus, Samuel Cássio Ferreira e Keila Campos Costa, da Igreja Evangélica Assembleia de Deus, e apóstolo Valdemiro Santiago de Oliveira e sua mulher, Franciléia de Castro Gomes de Oliveira, da Igreja Mundial do Poder de Deus. Os passaportes têm validade de um ano.
O documento permite acesso a fila de entrada separada em alguns aeroportos e facilita a obtenção de vistos em alguns países que o exigem. O tratamento tende a ser menos rígido que o dado a brasileiros com passaporte comum. Mas a assessoria do Ministério das Relações Exteriores afirma que a posse do documento não garante nenhum tipo de imunidade diplomática ou privilégio em regiões aduaneiras.
REGRAS
As regras para a concessão deste tipo de passaporte são definidas pelo Decreto 5.978, de 4 de dezembro de 2006. O documento é concedido a presidentes, vices, ministros de Estado, parlamentares, chefes de missões diplomáticas, ministros dos tribunais superiores e ex-presidentes.
Após polêmica envolvendo passaportes concedidos a parentes do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no fim do mandato do petista, a regra foi alterada em 2011 e passou a restringir os casos em que os superpassaportes são concedidos.
Um dos critérios citados na nova regulamentação diz que para receber o passaporte a pessoa precisa demonstrar que "está desempenhando ou deverá desempenhar missão ou atividade continuada de especial interesse do país, para cujo exercício necessite da proteção adicional representada pelo passaporte diplomático".
Segundo o Itamaraty, o documento dado aos religiosos é justificado no 6º artigo do decreto, que permite o passaporte "às pessoas que, embora não relacionadas nos incisos deste artigo, devam portá-lo em função do interesse do país".
De acordo com o Itamaraty, tradicionalmente, o documento é dado a cardeais da Igreja Católica e, por isso, o benefício também é estendido a representantes de outras religiões.
A própria denominação é responsável por indicar até dois líderes que poderão receber o passaporte diplomático, segundo o Ministério das Relações Exteriores. As instituições devem entregar os documentos ao órgão, que analisa "caso a caso se o documento será concedido". O Itamaraty também informou que para que o pedido seja aprovado é necessário que a instituição execute "uma atividade que justifique o trabalho no exterior".

Agência impede novo avião da Boeing de voar nos EUA

Após problemas no Dreamliner no Japão, FAA ordena que companhias aéreas não usem a aeronave até comprovação da segurança em bateria de lítio

Boeing 787 Dreamliner é visto após pouso forçado no Japão
Após falha em aeronave no Japão, autoridade americana ordena o cesse do uso do Dreamliner no país (Reuters)
A Administração Federal de Aviação (FAA, em inglês), autoridade nacional do setor nos Estados Unidos, ordenou que todas companhias aéreas americanas mantenham os aviões Boeing 787, Dreamliner, em solo temporariamente. A decisão ocorre após duas companhias aéreas japonesas, All Nippon Airways e Japan Airlines, suspenderem o uso do Dreamliner por causa de uma falha ocorrida durante um voo nesta quarta-feira.  As autoridades aeroportuárias japonesas confirmaram que houve um problema em uma das baterias de lítio.
A agência alegou a nececessidade de o fabricante da aeronave, a Boeing, demonstrar a segurança das baterias de lítio do Dreamliner. Antes do anúncio das medidas americanas, as ações da Boeing, já haviam caído 2%.
A americana Boeing entregou o primeiro 787 Dreamliner há 15 meses. Atualmente, oito companhias utilizam 49 aeronaves do modelo. De acordo com a empresa, há mais de 800 pedidos de fabricação encomendados.
Falha obriga pouso no Japão - O Boeing 787 modelo Dreamliner da companhia All Nippon Airways (ANA) teve de fazer uma aterrissagem de emergência na manhã desta quarta-feira (noite de terça em Brasília) no aeroporto da cidade de Takamatsu, no sul do Japão, após ter sido detectada fumaça na cabine. . O avião voava com 129 passageiros entre Tóquio e Ube, e foi obrigado a se desviar de sua rota e pousar 35 minutos depois da decolagem. Segundo o porta-voz do Ministério de Transportes japonês não houve feridos.
(Com agência Reuters)

16 de jan de 2013

Governo tenta atenuar impacto do reajuste da gasolina

Aumento da mistura de etanol é uma das medidas planejadas

AE
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A gasolina vai ficar mais cara nos postos pela primeira vez em quase dez anos. O governo federal deve reajustar em 7% o preço do combustível. O óleo diesel também vai subir, mas em nível um pouco menor - entre 4% e 5%. A expectativa é a de que o anúncio seja feito na semana que vem. O reajuste será sentido de imediato pelo consumidor, mas para amenizar, no futuro, esse impacto e evitar uma piora nos índices de inflação do ano, a equipe econômica estuda medidas que poderão ser adotadas nos próximos meses.

Uma delas é o aumento da mistura de álcool anidro (etanol) na gasolina. O governo deve anunciar a elevação do teto da mistura, dos atuais 20% para 25%, com o reajuste dos combustíveis. Mas o aumento só será efetivado quando a colheita de cana-de-açúcar estiver no auge, o que deve ocorrer em junho.

Demanda antiga dos usineiros, o aumento da mistura pode, no futuro, representar um desconto no preço da gasolina. Além disso, a medida alivia a necessidade de importação de gasolina,que tem contribuído para o déficit da balança comercial no início deste ano.

A decisão de conceder o reajuste já está tomada no Ministério da Fazenda e recebeu o aval do Palácio do Planalto. Mas o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que também é o presidente do Conselho de Administração da Petrobras, só vai bater o martelo sobre o aumento e a fórmula que será adotada para amenizar esse repasse ao consumidor quando voltar das férias, na semana que vem. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

15 de jan de 2013

Brasil quer novas eleições em caso da morte de Chávez

Presidente da Venezuela continua internado em Havana após cirurgia contra câncer

Terra
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O Brasil está trabalhando junto ao de governo da Venezuela para garantir que novas eleições sejam convocadas no caso da morte do presidente Hugo Chávez, atualmente em Cuba para tratamento médico. Segundo afirmaram fontes à agência Reuters, Brasília expressou o entendimento diretamente a vice e presidente interino em Caracas, Nicolás Maduro.

"Nós estamos dizendo de modo explícito que, se Chávez morrer, nós gostaríamos de ver eleições o mais rápido possível”, disse um representante brasileiro na condição de anonimato. "Entendemos que este é o melhor caminho para garantir uma transição democrática e pacífica, que é o principal desejo do Brasil", continuou.

Em termos teóricos, tal pedido de Brasília representa a simples preocupação com a observância da Constituição venezuelana. Nela, determina-se que, caso o presidente venha a falecer até o final do quarto ano de mandato, novas eleições devam ser convocadas em até 30 dias, período durante o qual o país seria interinamente presidido pelo líder da Assembleia Nacional.

A postura, entretanto, vai contra os temores de que Brasília estaria prestando apoio político o chavismo. O governo de Dilma Rousseff viu com bons olhos a decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) da Venezuela de adiar a posse de Chávez, prevista pela Carta Magna para o dia 10 de janeiro, mas impossibilitada pela doença de Chávez. Setores da oposição venezuelana e críticos do chavismo desaprovaram a decisão brasileira de apoiar o que consideraram uma manobra que feriu a constituição.

Convocada por opositores a se pronunciar sobre o assunto, a Organização dos Estados Americanos (OEA) respeitou a decisão da Suprema Corte de Caracas. Dilma Rousseff e o chanceler brasileiro, Antonio Patriota, não compareceram ao evento convocado pelo governo de Chávez que substituiu a cerimônia de posse, acedida por líderes latinos, entre os quais o presidente do Uruguai, José Mujica.

Hugo Chávez foi reeleito para um inédito quarto mandato (2013-2019) no pleito de outubro de 2012. Em meados do ano passado, chegou a declarar-se curado do câncer contra o qual lutava havia mais de um ano, mas, em dezembro, surpreendeu a esfera pública venezuelana ao comunicar que embarcaria para Havana, onde se submeteu, no dia 11 desse mês, a uma quarta cirurgia. Desde então, Chávez está em Cuba, sem ter fotos ou pronunciamentos tornados públicos.

14 de jan de 2013

Conheça a sua próxima tevê

Apresentados na mais importante feira de tecnologia do mundo, os novos aparelhos são maiores, muito mais nítidos e têm preços nas alturas

Juliana Tiraboschi




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CURVAS
O ângulo de visão de tevê da Samsung é inspirado nas telas de cinema
Na próxima vez em que for trocar de televisor, o consumidor deve se preparar para lidar com uma agora engrossada sopa de letrinhas. Quando começamos a nos familiarizar com HD e LED, vem a indústria e apresenta aparelhos Ultra HD (ou 4K) e OLED. E foram essas as siglas mais faladas na International Consumer Electronics Show (CES), a maior feira de eletrônicos do mundo, que reuniu três mil expositores em Las Vegas (EUA) até o dia 11 deste mês. Uma tecnologia multiplica por quatro a resolução dos atuais modelos Full HD. A outra permite produzir telas extremamente finas e curvadas.
Num passado não muito remoto, os brasileiros tinham de esperar vários anos para ter em casa novidades apresentadas numa feira dessa magnitude. Não mais. A LG foi a primeira empresa a comercializar a tevês Ultra HD, em agosto de 2012, com um modelo de 84 polegadas. O aparelho já está à venda no Brasil pelo preço sugerido de R$ 44.999. Na CES 2013, a companhia coreana apresentou também suas novas versões de 55 e 65 polegadas, que ainda não chegaram ao País. A Sony também já disponibilizou sua 4K de 84 polegadas no mercado brasileiro. Turbinada por um processador de vídeo exclusivo e sistema de som tridimensional, com 50 watts de potência, tem preço ainda mais salgado: R$ 100 mil.
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É justamente o quesito preço que pode bloquear uma enxurrada de novas tevês supernítidas. A Samsung levou à feira a S9 Ultra HD e inovou no formato, criando um televisor – de 85 ou 110 polegadas – que parece flutuar em sua moldura. Seria tentadora, não fosse o fato de, nos EUA, o aparelho chegar ao mercado por um valor acima dos U$ 20 mil. Por conta disso, e da falta de muitos aparelhos para pronta-entrega, analistas apontam que esses televisores não se popularizarão até 2016, quando 1,4 milhão de unidades devem ser vendidas nos EUA.
Isso não desencoraja os fabricantes, que levaram outra vedete à feira: a tecnologia OLED. Essas tevês têm telas formadas por moléculas de carbono que emitem luz ao receber carga elétrica. Elas são mais finas, flexíveis e econômicas e formam imagens mais nítidas do que as de LED. Tanto LG quanto Samsung exibiram modelos de tevê de OLED de 55 polegadas com tela curva, que simula o formato usado em algumas salas de cinema (sem preço definido). A da Samsung tem como diferencial mais evidente a função multiview, que permite que duas pessoas assistam a programas diferentes na mesma tela, graças a óculos especiais que isolam as imagens. Já Sony e Panasonic levaram protótipos de Ultra HD OLED um pouquinho maiores: 56 polegadas. Além dos preços, esses aparelhos sofrem com a falta de conteúdo no formato 4K sendo desenvolvido por produtoras. E tem mais: “Não é possível perceber grandes diferenças na qualidade entre uma Ultra e uma Full HD a pequenas distâncias e em telas abaixo de 60 polegadas”, diz o analista de tecnologia Michael Inouye, da consultoria ABI Research. Mas faz parte do jogo encantar os consumidores antes mesmo que essas tecnologias se tornem mais acessíveis. Esses lançamentos servem mais para introduzir as novidades, já que a maioria chega às lojas com preços altos demais para desempenhar um papel importante no mercado.
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Assim tem sido desde a primeira edição da CES, realizada em 1967. A feira foi palco de lançamentos mundiais de produtos como o gravador de videocassete, o CD, o DVD, o disco Blu-ray e a tevê de alta definição, que agora tenta aposentar. Nos últimos anos, a feira vem perdendo prestígio, na visão de alguns críticos, já que grandes líderes de mercado, como a Apple, preferem lançar seus produtos em eventos próprios a dividir os holofotes com concorrentes. Outros gigantes do mercado de tecnologia, como Amazon e Google, também estão fora da feira. Para piorar, neste ano a Microsoft deixou de promover a sua tradicional palestra inaugural do evento e foi substituída pela Qualcomm.
Para o analista de tecnologia Rob Enderle, países como a China estão preenchendo a lacuna deixada pelas grandes empresas ausentes. “Se os chineses forem bem-sucedidos, poderão revitalizar o evento”, diz o consultor. Segundo ele, com exceção das fabricantes de televisores e das empresas que desenvolvem tecnologia para automóveis, a CES está se tornando cada vez mais um evento de “start-ups” e outras pequenas empresas, que ganham cada vez mais espaço com seus gadgets criativos (leia quadro). Se essa tendência for mantida, além da presença física no evento, as gigantes da tecnologia estarão passando para as pequenas o prazer de surpreender a humanidade uma vez por ano.

13 de jan de 2013

Henrique Eduardo Alves contrata empresa de laranja

VEJA desta semana revela que o favorito para vencer a disputa pela presidência da Câmara gasta verba do gabinete com uma empresa-fantasma

Adriano Ceolin
DESCOMBINADOS - Alves escalou um assessor para dar explicações, e sua situação piorou. “Foi o deputado quem mandou contratar”, disse o assessor
DESCOMBINADOS - Alves escalou um assessor para dar explicações, e sua situação piorou. “Foi o deputado quem mandou contratar”, disse o assessor (José Cruz/ ABR)
Favorito para vencer a disputa pela presidência da Câmara dos Deputados, o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves, deputado federal há 42 anos, se apresenta como um profundo conhecedor dos meandros do Parlamento. Trata-se da mais pura verdade, como se verá a seguir.
Como todo deputado, o potiguar Alves recebe, além do salário, uma ajuda de custo de 32 000 reais para bancar as despesas do mandato. No seu caso, mais de um quarto desse dinheiro (8 300 reais) é gasto a cada mês com aluguel de veículos, segundo sua prestação de contas. Ocorre que as notas fiscais que Alves apresenta para comprovar essas despesas são emitidas por uma empresa registrada em nome de uma laranja - ligada a um conhecido ex-assessor de seu partido.
A Global Transportes tem como endereço uma casa na periferia de Brasília. No papel, pertence à ex-vendedora de tapetes Viviane dos Santos. Localizada por VEJA, Viviane disse nem saber da existência de contrato com o deputado. Ela afirma que, na verdade, emprestou seu nome a uma tia - e admite que a empresa da qual é “dona”, e que supostamente aluga veículos, não possui um carro sequer. A tia de Viviane, Kelen Gomes, que fornece as notas ao gabinete do deputado Alves, é quem tenta explicar: “Nós arrumamos carros com terceiros e os alugamos”. Procurado, Henrique Alves primeiro disse que, quando está em Brasília, utiliza carro próprio. Depois, corrigiu-se afirmando que o carro que usa na capital é alugado, sim, mas ele não se lembra nem mesmo do modelo. Por fim, mandou que um funcionário de seu gabinete, Wellington Costa, desse explicações. “Você acha que eu cuido disso?”, reagiu Alves. O funcionário, porém, foi de uma sinceridade rara: “Talvez o deputado não se lembre, mas foi ele quem mandou contratar essa empresa”. Por trás da mamata está César Cunha, ex-assessor do PMDB. Ele foi sócio da Executiva, outra empresa que não existe no endereço declarado. A Executiva forneceu notas a Henrique Alves até se enrolar com a Justiça e ser substituída pela Global. Desde 2009, Alves destinou às duas empresas, sob a batuta de César Cunha, 357 000 reais. Daria para comprar cinco carros executivos. Na campanha pela presidência da Câmara, Alves tem dito que trabalhará para limpar a imagem da Casa, manchada por escândalos. Pelo visto, terá de começar pelo próprio gabinete.
Fotos: Cristiano Mariz
POR FORA - A ex-vendedora Viviane dos Santos não sabia que a empresa aberta em seu nome alugava veículos ao deputado. A Global tem sede numa casa na periferia de Brasília e não possui carros
POR FORA - A ex-vendedora Viviane dos Santos não sabia que a empresa aberta em seu nome alugava veículos ao deputado. A Global tem sede numa casa na periferia de Brasília e não possui carros     

12 de jan de 2013

O maestro da oposição

Renegado pelos tucanos desde que deixou o Planalto, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso reassume o papel de articulador de uma frente alternativa ao PT e ajuda a formular um projeto de poder para Aécio Neves

Pedro Marcondes de Moura

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O RETORNO
FHC volta à condição de protagonista no jogo político brasileiro 
Escondido por correligionários nas últimas três eleições ao Palácio do Planalto, Fernando Henrique Cardoso costuma comparar os ex-presidentes da República, como ele, a vasos chineses: valiosos e bonitos, mas ninguém sabe ao certo qual utilidade lhes dar e onde os guardar. Agora, tanto ele como o PSDB encontraram uma função à altura de quem comandou os destinos do Brasil por oito anos e colocou o País no trilho da estabilidade econômica. FHC retomou a condição de protagonista do jogo político e mostra que pode ser muito útil para o projeto eleitoral da oposição. Atuando como um maestro, articula com dirigentes tucanos, soluciona pendências com outros partidos e convoca antigos auxiliares para colaborar com a criação de um extenso programa de governo. A interlocutores, tem dito que os tucanos não podem repetir o antigo erro de centrar esforços apenas na tentativa de desconstruir o PT. Para alcançar a vitória nas urnas, será necessário, segundo o ex-presidente, oferecer um novo horizonte aos eleitores e apresentar propostas de mudanças administrativas mais condizentes com o momento atual.  As articulações capitaneadas por ele servirão para pavimentar a candidatura à Presidência da República em 2014 do senador mineiro Aécio Neves, hoje o principal nome da sigla para a disputa. Mas, enquanto a candidatura não é oficializada, o objetivo é reorganizar a legenda e seus aliados para que cheguem fortalecidos à próxima eleição.
Na semana passada, Fernando Henrique Cardoso entrou em cena para tentar debelar a ameaça do DEM de se aliar a outro partido, que não o PSDB, no próximo pleito. Parceiro histórico dos tucanos, o Democratas flerta com o PSB, legenda presidida pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Para que o namoro com os socialistas não vire casamento, o ex-presidente marcou conversas com dirigentes e acionou seu principal interlocutor na agremiação aliada: o prefeito de Salvador, ACM Neto. “Não podemos deixar o DEM fora da nossa aliança”, tem repetido. Num outro canal de diálogo, o ex-presidente atua arduamente para aglutinar o próprio PSDB. Nos últimos dias, interlocutores do ex-governador de São Paulo José Serra disseminaram a notícia de que ele estaria de malas prontas para deixar o tucanato, caso seu nome não fosse considerado para a disputa presidencial. FHC já manifestou publicamente a preferência por Aécio, mas trabalha internamente para impedir a saída de Serra e, consequentemente, de seu grupo político. Uma das soluções encontradas foi oferecer mais espaço dentro da legenda como compensação. Até o fim de 2012, por exemplo, o senador Cássio Cunha Lima estava confirmado para assumir a liderança do PSDB no Senado. Atualmente, FHC sugere o nome de Aloysio Nunes Ferreira, serrista de primeira hora, para a função.
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RUMOS SELADOS
FHC e Aécio Neves combinam cada passo no jogo
que definirá o destino da dupla em 2014
Claro que o agrado a Serra é uma jogada bem combinada com Aécio. Aliás, desde o ano passado, os dois atuam em total sintonia. Não fazem movimento político que ambos não saibam, tenham acordado previamente ou em que não estejam juntos. Na quarta-feira 26, por exemplo, um dia depois do Natal, o ex-presidente e Aécio Neves discutiram a conjuntura econômica com integrantes da chamada ala monetarista da gestão FHC. Na sala do apartamento do senador Aécio Neves, na zona sul carioca, o trio de economistas Pedro Malan, Armínio Fraga e Edmar Bacha teceu análises para municiar o discurso da oposição. Eles analisaram também um receituário na linha liberal para o Brasil crescer mais de 5% ao ano. Entre as estratégias está a ampliação das parcerias com o setor privado, corte de gastos públicos e o aumento de investimentos em infraestrutura. Outros especialistas no assunto próximos ao ex-presidente também participarão da formulação de propostas na área, como Gustavo Franco, Pérsio Arida, André Lara Resende e Elena Landau.
As reuniões ocorrerão no Instituto Teotônio Vilela, entidade de estudos e formação ligada ao PSDB. A ideia é transformar o órgão, presidido pelo ex-senador Tasso Jereissati, numa espécie de polo aglutinador das diretrizes desta “nova oposição”. “As conversas e convites ainda estão num estágio incipiente. Devem ganhar corpo a partir do começo deste ano”, comenta Marcus Pestana, deputado federal e presidente do PSDB mineiro. “Integrantes de diversas áreas do governo FHC serão chamados a participar, além de especialistas de Estados e capitais administrados pelo partido e integrantes da oposição”, complementa. Os planos dos tucanos para a área de relações exteriores devem ter como pensadores os diplomatas Luiz Felipe Lampreia e Sérgio Amaral, integrantes da gestão tucana à frente da Presidência da República. Na equipe responsável pelas ideias para a saúde, a presença do médico Eugênio Vilaça é outra aposta. Aliados dizem que o ex-presidente insiste na reformulação das propostas do partido para o País como condição básica para a retomada do Executivo federal na próxima eleição.
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VOANDO DO NINHO?
Derrotado duas vezes na corrida presidencial, José Serra se mostra irascível
e ameaça deixar o PSDB se não for o candidato do tucanato
Outro plano de FHC, com vistas a 2014, consiste em selar a eleição de Aécio Neves, em maio, para a presidência nacional do PSDB. Além de praticamente sacramentar o nome do senador mineiro na corrida por 2014, o movimento faz parte de uma estratégia baseada nos partidos parlamentaristas europeus em que o líder da oposição é, na maioria das vezes, o indicado pela legenda para exercer o cargo máximo em uma possível vitória. Para dirigentes da sigla, a tática é também uma tentativa de fazer com que Aécio ganhe mais projeção nos noticiários e faça o contraponto à presidenta Dilma Rousseff, candidata natural à reeleição. Tornar o senador mineiro o principal nome da oposição é justamente uma das razões de os tucanos adiantarem a sua indicação para concorrer à Presidência da República. Para trabalhar a imagem do pré-candidato, Fernando Henrique Cardoso e outros aliados correm contra o tempo a fim de definir o responsável por comandar a comunicação da campanha. Também pretendem contratar um instituto de opinião para abastecê-los de pesquisas. Em recentes reuniões, o ex-presidente afirmou que o partido não pode desperdiçar a oportunidade de propagar o nome e as ideias de Aécio nas 120 inserções comerciais e no programa de dez minutos de tevê a que terão direito até o lançamento da pré-candidatura oficial.
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VELHOS COMPANHEIROS
O ex-presidente do BC Armínio Fraga e o ex-ministro Pedro Malan
já discutem um programa alternativo para os tucanos
Depois que for ungido a presidente nacional do PSDB, o senador mineiro colocará em prática outras estratégias definidas com FHC de olho em 2014. Entre elas, a de realizar um périplo pelas principais capitais do País durante este ano. A caravana tem como um dos objetivos dar projeção nacional ao seu nome, pouco conhecido fora da região Sudeste. Durante as visitas, Aécio Neves pretende denunciar os atrasos de obras de infraestrutura do País e apresentar seus projetos para diferentes áreas, atraindo a atenção de jornais e rádios locais. Aproveitará também os palanques para arregimentar diferentes setores da sociedade ao PSDB e costurar acordos com diretórios de partidos da base aliada que estão estremecidos com o governo federal na esfera municipal ou estadual. Na avaliação de integrantes da legenda, a oposição só terá condições de voltar ao Palácio do Planalto se atrair partidos que hoje estão aliados à gestão petista. Agora, para conquistá-los a candidatura tucana precisa virar o próximo ano em patamares competitivos. Para isso, eles confiam na efetividade da articulação e na velha forma política de Fernando Henrique Cardoso.
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