31 de mar de 2014

Parabéns 31 de março 1964



Por que os doleiros sempre escapam

Dificuldade de atacar o patrimônio dos criminosos facilita a repetição de esquemas como os de Alberto Youssef, que foi condenado no caso Banestado e, agora, é suspeito de envolvimento na movimentação ilegal de 10 bilhões de reais

Daniel Haidar, de Curitiba
O doleiro Alberto Youssef
O doleiro Alberto Youssef (Folhapress)
Alberto Youssef é um nome conhecido das autoridades brasileiras. O doleiro agora investigado por participar de um esquema de lavagem de 10 bilhões de reais, preso pela Polícia Federal na operação Lava Jato, deixou suas digitais em outros escândalos, como na movimentação de cerca de 1 bilhão de dólares no caso Banestado, entre outras façanhas. Como é possível que uma figura sabidamente adepta de práticas ilegais e reincidente em crimes mantenha-se em atividade, apesar do avanço dos métodos de rastreamento de transações financeiras? Um facilitador para a ação de doleiros, destaca o juiz federal José Paulo Baltazar Júnior, especializado em lavagem de dinheiro, é a dificuldade de se atacar o patrimônio dos criminosos. Para o magistrado, os envolvidos em crimes do ‘colarinho branco’ apoiam-se na manutenção de seu poder econômico para perpetuar a montagem de esquemas de movimentação clandestina de divisas.
Baltazar defende medidas mais duras que o simples bloqueio de bens durante o andamento do processo. Como a condenação nem sempre traz a punição financeira proporcional aos crimes cometidos, as quadrilhas mantêm sua capacidade de operar, adverte. Youssef foi condenado no caso Banestado, em 2004, a sete anos de reclusão em regime semiaberto e pagamento de multa de cerca de 900.000 reais. Naquela investigação, foi desmontado um esquema ilegal de envio de dólares ao exterior, no maior caso do gênero já descoberto no Brasil. As penas foram consideradas pequenas para os crimes por ele cometidos. O doleiro beneficiou-se da delação premiada, pelo qual forneceu informações à força-tarefa e provas para embasar processos contra outros criminosos. Graças ao acordo, foram suspensos processos contra Youssef desde que ele, de fato, parasse de cometer crimes.
As condições aceitas pelo doleiro, e o envolvimento dele em um novo esquema de lavagem, descoberto pela operação Lava Jato, podem levar à reabertura de antigos processos. A Justiça Federal do Paraná pode determinar a retomada de procedimentos que ainda não tenham caído em prescrição. Na época do Banestado, Youssef chegou a ser preso com um cheque bancário nominal de 150.000 reais ao ex-deputado federal José Janene (PP), já morto. Uma operação de lavagem de dinheiro de Janene foi o estopim para a abertura da investigação da operação Lava Jato, em meados de 2013.
Combate – Uma das formas de fechar o cerco ao patrimônio dos doleiros pode estar em iniciativas como um projeto de lei, de inspiração colombiana, redigido pelo deputado Vieira da Cunha (PDT-RS). A proposta cria a ação civil de extinção de domínio, que permite ao juiz decretar a perda de bens obtidos de origem ilícita, com a realização de leilões para devolver os recursos ao Estado. “Os doleiros são criminosos movidos por dinheiro. Vão continuar cometendo crimes se não quebrarem. Temos que avançar nos efeitos econômicos do crime. Hoje, só é decretada a perda dos bens quando a ação transita em julgado (quando não há mais possibilidade de recurso)”, afirmou Baltazar Junior.
A dificuldade de devolver ao Estado o dinheiro obtido de forma ilegal, somada às possibilidades de recursos e de protelação de sentença no país, faz com que o tempo atue a favor dos criminosos. A lentidão da Justiça brasileira é um dos pontos criticados pelo Grupo de Ação Financeira (Gafi), órgão internacional do qual o Brasil faz parte com outros 35 países comprometidos em lutar contra a lavagem de dinheiro. Para o procurador da república Deltan Dallagnol, que investigou o escândalo Banestado, o sistema recursal é amplo demais. “Nosso processo tem várias falhas. Em muitos casos de ‘colarinho branco’ simplesmente não se consegue punir o criminoso. Quando alguém recorre ao Tribunal Regional Federal, dificilmente demora menos de quatro anos para ser julgado. Também são lentos o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo. No final, sobra uma pena pequena para o condenado”, critica o procurador.
"Youssef era o doleiro dos doleiros, um atacadista. Quem não tinha dinheiro pegava emprestado do Youssef. Surpreende vê-lo envolvido novamente em crimes, porque ele vai perder os benefícios que teve com a delação premiada. Além de ser processado agora, vai ser processado pelos casos anteriores que não prescreveram", diz Dallagnol.
De acordo com o procurador, nas investigações do Banestado foi descoberto que Youssef utilizava até um avião particular para transportar moeda em espécie para operações clandestinas. Desde então, já se sabia do envolvimento do doleiro com políticos e agentes públicos. As investigações da Lava Jato mostraram indícios de que ele teve envolvimento no mensalão, em contratos da Petrobras e do Ministério da Saúde. De acordo com diálogos interceptados pela Polícia Federal, ele teria a receber 12 milhões de reais da construtora Camargo Corrêa. Uma planilha apreendida na operação é considerada um indício de que ele pagava propina em nome da empreiteira. Em diálogo gravado pela polícia, o doleiro chega a reclamar que pagou 7,9 milhões de reais de propina a Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras - e ele ainda pedia mais. Youssef também é flagrado fazendo negócios com outros doleiros. Uma das empresas controladas pelo doleiro movimentou 90 milhões de reais de 2009 a 2013. Essa teria sido uma das empresas que pagou comissões ao ex-diretor da Petrobras.
Terrorismo – O principal ponto de crítica internacional ao arcabouço legal brasileiro, quando o assunto é lavagem de dinheiro, é a ausência da tipificação do crime de financiamento ao terrorismo. Esta é atualmente uma exigência do Gafi – e um compromisso assumido pelo Brasil. Para o presidente de Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Antônio Gustavo Rodrigues, a falta de uma lei contra o financiamento ao terrorismo pode levar o país a ser mal avaliado internacionalmente.
“O Brasil não cumpriu essa convenção internacional, exigida numa das recomendações do Gafi. Ainda temos esse dever de casa”, diz Rodrigues.
Sistemas de leis, ainda que imperfeitos, não servem para isentar as autoridades policiais e a Justiça de suas atribuições. Os especialistas ouvidos por VEJA afirmam que, apesar das dificuldades – e do desafio de enfrentar um crime que ocorre, muitas vezes, sem provas que permitam comprovar diretamente a culpa dos acusados – o Brasil tem avançado nesse sentido. Faltam estatísticas de condenações para comparação, mas dados do Coaf mostram que 52.812 pessoas físicas ou jurídicas constam como suspeitos de lavar dinheiro em relatórios de inteligência financeira (RIFs) elaborados em 2013, a maior quantidade na história do órgão. Isso não quer dizer que todas tenham cometido crimes, mas foram identificados indícios suficientes de lavagem de dinheiro para justificar a confecção de um relatório e o encaminhamento para as autoridades responsáveis. Foram justamente relatórios do Coaf que identificaram diversas operações clandestinas dos doleiros da operação Lava Jato. O órgão recebe informações de bancos, cartórios e até agências de veículos de transações consideradas atípicas e esse é o principal método de detecção de crimes financeiros no país.
Invisível – A atuação de doleiros costuma ocorrer à margem do sistema financeiro, o que implica naturalmente em dificuldades de documentar provas de lavagem. Mas Youssef e Nelma Kodama, outra doleira presa na semana passada, recorreram a um raro esquema de simulação de importações para dar uma aparência legítima à evasão de divisas. Nelma chegou a utilizar empresas na China, em nome de 'laranjas', mas as operações acabaram descobertas.
Desavenças entre os criminosos também forneceram indícios importantes na Lava Jato. A polícia identificou que Nelma brigou com Youssef e o doleiro Raul Srour. Com expectativa de se vingar, a doleira revelou a interlocutores, em mensagens eletrônicas, diversos crimes atribuídos aos dois. Srour é mais um dos acusados que, por ter desrespeitado acordos de delação premiada do período do caso Banestado, está sujeito à reabertura de processos.

29 de mar de 2014

Com voto aberto, renúncia vira rotina na Câmara

Seis deputados abriram mão do cargo para não serem expostos ao processo de cassação. Suplentes tem longo histórico de condenações

Gabriel Castro e Laryssa Borges, de Brasília
O deputado federal Natan Donadon (ex-PMDB-RO) submeteu-se ao processo de cassação no plenário da Câmara dos Deputados
O deputado federal Natan Donadon (ex-PMDB-RO) submeteu-se ao processo de cassação no plenário da Câmara dos Deputados (Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados )
Ao longo de décadas, o histórico de coorporativismo fez do Congresso Nacional um retrato da impunidade. Foram arquivadas dezenas de processos de cassação de mandato de deputados e senadores cujas condutas violoram o preceito básico da conduta dos congressistas, o chamado "decoro parlamentar". O mineiro Edmar Moreira (PR-MG), celebrizado como "deputado do castelo", resumiu o entendimento comum na Casa quando assumiu o cargo de corregedor da Câmara, em 2009: as investigações no Legislativo brasileiro não avançam por causa do "vício insanável da amizade". Nos últimos meses, entretanto, dois fatores parecem ter mudado esse cenário: o Supremo Tribunal Federal (STF) sinalizou o fim da impunidade de políticos corruptos; e o Congresso, enfim, aprovou o voto aberto para cassações de mandato.
Desde dezembro, seis deputados envolvidos em casos de corrupção abriram mão de seus mandatos. Pelo menos quatro deles – os mensaleiros José Genoino, João Paulo Cunha, Valdemar Costa Neto e Pedro Henry – abandonaram o cargo eletivo para se livrar da abertura de um processo de cassação. Não fosse a votação aberta, provavelmente os condenados do mensalão não teriam desistido tão rápido da cadeira de deputado. Em 2006, a maioria dos envolvidos no mensalão foi absolvida pelo plenário.
No ano passado, os deputados ultrapassaram os limites do ultraje ao criar o primeiro deputado-presidiário do Brasil: Natan Donadon (RO), que cumpria pena no presídio da Papuda, chegou algemado à Câmara para acompanhar a votação do seu processo de cassação e voltou para a cadeia com o broche de parlamentar. Em fevereiro, já com as regras do voto aberto, o resultado foi diferente: foram 467 votos pela punição ao deputado, nenhum pela absolvição e apenas uma abstenção.
Na lista das recentes renúncias também figura o ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB-MG), principal personagem do valerioduto mineiro. A renúncia do parlamentar permitiu que ele perdesse o foro privilegiado e levasse para a 1ª Instância o processo a que responde por peculato e lavagem de dinheiro. O herdeiro da cadeira foi justamente Edmar Moreira.
O último a renunciar ao mandato na Câmara foi o paraense Asdrubal Bentes (PMDB), condenado por trocar cirurgias de laqueadura por promessa de votos nas eleições para prefeito de Marabá (PA), em 2004. Com a sentença definitiva, ele começou a cumprir a pena de três anos e um mês em prisão domiciliar. Bentes foi o único deputado presente à sessão de cassação de Donadon, já com a regra do voto aberto, que não optou pela perda do mandato do colega. Questionado na semana passada sobre seu futuro, chegou a afirmar que não renunciaria ao mandato. Mas acabou aconselhado pelo partido a evitar o desgaste aos colegas de aprovar sua cassação no plenário. Bentes entregou a cadeira na quarta-feira. Em seu lugar, assumiu outro velho conhecido do Congresso e da Justiça: o ex-senador Luiz Otávio (PMDB-PA), que já chega à Casa condenado, em 1ª instância, a doze anos de prisão, em regime fechado, por desvio de recursos públicos.

28 de mar de 2014

Rússia deve retirar tropas da fronteira com Ucrânia, diz Obama

Líder americano quer que russos comecem a negociar com a comunidade internacional

AFP
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O presidente Barack Obama disse que a Rússia deve retirar as tropas da fronteira com a Ucrânia e começar a negociar com a comunidade internacional, em uma entrevista exibida nesta sexta-feira pelo canal CBS News.

Obama disse ao canal que a decisão do presidente russoVladimir Putin de deslocar forças militares na fronteira pode ser "simplesmente um esforço para intimidar a Ucrânia, ou pode ser que eles tenham planos adicionais".

Apesar dos diferentes números de militares russos concentrados na fronteira, de acordo com as fontes, Obama destacou que para "aliviar a situação" a Rússia deveria ordenar "o recuo das tropas e começar negociações diretamente com o governo ucraniano, assim como com a comunidade internacional".

As declarações de Obama foram divulgadas em Washington pouco antes do desembarque do presidente americano na Arábia Saudita.

Na quinta-feira, o presidente do Conselho de Segurança Nacional ucraniano, Andrei Parubi, disse que 100.000 soldados russos foram deslocados para perto da fronteira, muito acima dos 20.000 homens calculados por Washington.

Segundo Obama, Putin tem dado mostras de "rancor a respeito do que considera a perda da União Soviética". Também disse que o colega russo não deveria retornar às práticas que prevaleceram na época da Guerra Fria".

"É possível que interprete de maneira equivocada o Ocidente. Com certeza interpreta de maneira equivocada a política externa americana", disse Obama.

27 de mar de 2014

Deputado condenado por trocar laqueaduras por votos renuncia

Asdrúbal entregou carta ao presidente da Câmara dos Deputados horas antes de uma reunião da mesa diretora que decidiria sobre a abertura de um processo de perda de mandato

Terra
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Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a três anos, um mês e dez dias de prisão por esterilização irregular de mulheres, Asdrúbal Bentes (PMDB-PA) renunciou ao mandato de deputado federal. Ele entregou uma carta ao presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), horas antes de uma reunião da mesa diretora que decidiria sobre a abertura de um processo de perda de mandato.

De acordo com a acusação do Ministério Público, Asdrúbal concedia cirurgias ilegais de esterilização a mulheres em troca de votos na disputa pela prefeitura de Marabá, em 2004. Na semana passada, Asdrúbal afirmou que não via impedimento para exercer o mandato, já que foi condenado em regime aberto.

"Pelo respeito que tenho a esta Casa e aos meus ilustres pares, para não lhes causar nenhum contrangimento de terem que votar pela cassação ou não do meu mandato, é que, depois de consultar os travesseiros, as lideranças nacional e regional do meu partido, a minha esposa, meus filhos, familiares e amigos, decidi pela minha renúncia", escreveu.

O presidente da Câmara comunicou, em plenário, o recebimento da carta, e a renúncia será oficializada amanhã, quando for publicada. No texto, Asdrúbal disse ser inocente do crime de esterilização irregular, por considerar que é um delito que só pode ser cometido por médicos - o peemedebista é advogado -, mas disse que o STF está passível de erros.

"Os Tribunais de Justiça são integrados por seres humanos e, por isso mesmo, passíveis de erro. Esta máxima aplica-se também ao egrégio Supremo Tribunal Federal, que, mesmo sendo a última instância, dela não está isento", disse, no texto. O peemedebista chamou a renúncia de "a decisão mais dolorosa" da vida dele, lembrando dos 87.681 votos que recebeu nas eleições.

Na semana passada, Asdrúbal negou a vontade de renunciar ao mandato e disse que não teria constrangimento de enfrentar um processo de cassação. Na ocasião, disse que não haveria problema em conciliar o regime aberto e o mandato parlamentar.

Questionado por jornalistas se saía magoado da Câmara dos Deputados, Asdrúbal disse que não guarda rancores. "Não guardo mágoa, não guardo rancor, meu coração só tem lugar para o amor", disse.

Para ficar na prisão domiciliar, Asdrúbal precisará cumprir 13 condições, entre as quais a residência em endereço fixo, se recolher até as 21h e permanecer em casa nos domingos e feriados por período integral, salvo em caso de autorização judicial. Ele também não poderá se ausentar do Distrito Federal, ficará proibido de andar em companhia de outras pessoas que cumprem pena, trabalhar, se apresentar à Justiça a cada três meses e não portar drogas ou frequentar bares e locais de prostituição.

Ontem, depois da decisão do juiz de converter a prisão em regime aberto em domiciliar, Asdrúbal circulou pela Câmara e disse no cafezinho do plenário que pretende se candidatar novamente. “Não saio pela porta dos fundos. Saio de cabeça erguida. Não são 13 votos de 13 laqueaduras que vão derrubar 85 mil votos”, disse. “Eu voltarei com absoluta certeza porque é a vontade do povo”, afirmou.

Asdrúbal foi o único deputado que não votou pela cassação do deputado Natan Donadon (sem partido-RO), em fevereiro, optando pela abstenção. Depois da sessão, o peemedebista disse que, como também havia sido condenado pelo STF, não poderia julgar um colega por "uma questão ética".

26 de mar de 2014

Rússia anuncia início da retirada de tropas ucranianas da Crimeia

Militares e parentes usarão trem para deixar a região.
80% dos soldados ucranianos mudaram de lado ou abandonaram Exército.

Da EFE
O chefe do Estado-Maior da Rússia, Valeri Gerasimov, anunciou que os militares ucranianos alocados na Crimeia começarão a deixar a península nesta quarta-feira (26) e o farão em um trem, sem seus armamentos e equipamentos.
"Em virtude de um acordo entre os ministérios da Defesa da Rússia e da Ucrânia, os efetivos das Forças Armadas da Ucrânia e membros de suas famílias sairão da Crimeia em transporte ferroviário", disse o general russo.
Soldados russos em uma base militar em Sevastopol, na Crimea. (Foto: Vadim Savitsky / Serviço de Imprensa do Ministério de Defesa da Rússia / Via AFP Photo)Soldados russos em base militar de Sebastopol, na Crimeia (Foto: Vadim Savitsky/Serviço de Imprensa do Ministério de Defesa da Rússia/AFP)
Gerasimov esclareceu que "todos os militares que manifestaram seu desejo de continuar a servir nas Forças Armadas ucranianas estão fora de suas unidades, depois que entregaram suas armas, e se preparam para deixar a Crimeia junto com suas famílias e pertences pessoais".
A Ucrânia, que ordenou a retirada de suas tropas da Crimeia há dois dias, quando já tinha perdido praticamente todas as suas unidades e navios na península, negociou até o último momento a possibilidade de sair com seus armamentos, veículos e equipamentos.
A vice-secretária do Conselho de Segurança e Defesa da Ucrânia, Victoria Siumar, explicou na terça-feira (25) que os efetivos da Marinha serão recuados até o porto de Odessa, com destino à região de Kherson, enquanto o restante dos militares continuará o serviço nas regiões de fronteira.
O ex-ministro da Defesa ucraniano, Igor Teniukh, disse na terça-feira, antes de apresentar sua renúncia, que os 4 mil soldados do país (de um total de quase 19 mil) que desejam continuar a serviço da pátria deixariam a Crimeia com todo o seu equipamento.
Após um fim de semana dramático para as Forças Armadas ucranianas, que perdeu todos os seus navios, armamentos e equipamentos na Crimeia, as 203 unidades do país na península já hastearam a bandeira russa e quase 80% dos soldados ucranianos mudaram de lado, colocando-se às ordens da Rússia, ou abandonaram o Exército.
A maior parte dos destacamentos, bases e navios de guerra que se mantiveram leais a Kiev foram invadidos e tomados pelas forças russas desde o último sábado (22), em meio a uma absoluta inoperância da cúpula militar e política da Ucrânia, denunciada como negligente por muitos oficiais ucranianos.
Pelo menos cinco oficiais ucranianos, entre eles o general Igor Voronchenk, comandante-adjunto da Marinha para a defesa do litoral, foram detidos pelas autoridades da Crimeia por oferecerem resistência aos russos.

24 de mar de 2014

Cabral quer Forças Armadas no Rio até o fim do ano

Proposta surpreendeu e desagradou a autoridades das Forças Armadas pelo extenso e "indevido" período

AE
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O governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), chegou à reunião com a presidente Dilma Rousseff, na sexta-feira, 21, no Palácio do Planalto, com um pedido, no mínimo, inusitado, que deixou as Forças Armadas numa verdadeira "saia-justa": que as tropas federais entrem, imediatamente, no patrulhamento das áreas mais sensíveis da capital fluminense e só saiam de lá apenas no fim de 2014, depois não só da realização da Copa do Mundo, como também do primeiro e segundo turno das eleições.

A proposta surpreendeu e desagradou a autoridades das Forças Armadas pelo extenso e "indevido" período. Estas e outras propostas serão negociadas nesta segunda-feira, 24, em reunião entre os governos federal e do Estado, no Rio. Dilma, de acordo com informações obtidas pela reportagem, foi cautelosa e prometeu que tudo ia ser estudado, para ver o que será possível atender.

Cabral quer as Forças Armadas assumam o Complexo de Favelas da Maré, localizada na zona norte da capital fluminense, onde a população passa dos 140 mil habitantes e onde o Batalhão de Operações Especiais (Bope) já está presente, desde a semana passada, quando houve ataques de bandidos às Unidades de Polícia Pacificadoras (UPP). O Exército, principalmente, substituiria os homens do Bope. A região foi escolhida pela posição estratégica, uma vez que a favela fica na área das vias de entrada e saída da capital, cortando, a Avenida Brasil, além das Linhas Amarela e Vermelha, pontos cruciais de escoamento durante a Copa do Mundo.

Planejamento

A entrada das Forças Armadas não deverá ser tão imediatamente como deseja o governo ou até a população, que esperava que isso já fosse ocorrer nesta segunda-feira. Ela terá de ser precedida de um planejamento e um trabalho de inteligência e logística. Embora as Forças Armadas já estejam preparadas e trabalhando para entrar no Rio em maio, permanecendo nas ruas até o fim de julho, compreendendo o período pré e um pós Copa, a antecipação do desembarque das tropas em mais de um mês é uma dificuldade. Os militares reconhecem que a estratégia política usada por Cabral e a forma como o apelo foi feito será impossível não atender, até porque se criou uma enorme expectativa e este é um desejo no governo federal, da população local e até de Dilma.

O fator facilitador é que, como o comando integrado de controle e apoio para a Copa já está em funcionamento no Rio, com generais participando diretamente de tudo, isto facilitará a entrada em operação dos militares. A operação dependerá ainda de um pedido do governo do Estado a Dilma para que ela assine um decreto autorizando a entrada das tropas, por tanto tempo, em tal lugar, com tal objetivo. Tudo ainda é negociado.

Todo o trabalho das Forças Armadas será feito com base na legislação para Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que prevê regras de engajamento específicas. Essa operação será semelhante à ocorrida em anos anteriores, nos morros do Alemão e da Penha. Embora não tenha havido definição ainda de número de militares a serem empregados neste tipo de operação, a expectativa é de que seja da ordem de 2400 homens.

Uma das queixas dos militares em missões como esta, quando uma operação das Forças Armadas acontece em conjunto com a Polícia Militar dos estados, é em relação à carga horária de trabalho. Nas PMs, em muitos casos, o regime de trabalho é de 24 horas de trabalho, por 36 ou até 48 horas de folga, dificultando a mobilização de pessoal, o que não acontece nas Forças Armadas.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

22 de mar de 2014

Juiz envia ao STF apuração sobre suposto uso de celular por Dirceu

Resultado da investigação não foi divulgado. Ex-ministro está preso.
Presidente do Supremo decidirá se ele terá autorização de trabalho externo.

Mariana Oliveira Do G1, em Brasília
O juiz Bruno Ribeiro, da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira (21) o resultado da apuração sobre se o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu usou telefone celular de dentro do presídio da Papuda, onde cumpre pena pela condenação no processo do mensalão.
O teor da investigação não foi divulgado. Uma apuração prévia do governo do Distrito Federal entendeu que não ficou comprovado o uso do celular, mas o magistrado pediu a coleta de novas provas e depoimentos sobre o caso. Além disso, em 11 de março, Bruno Ribeiro ouviu depoimento do próprio Dirceu, que negou a acusação.
José Dirceu (Foto: TV Globo)O ex-ministro José Dirceu ao se entregar (Foto:
TV Globo)
Bruno Ribeiro enviou ainda ao Supremo o pedido de trabalho externo feito por Dirceu, que está suspenso em razão das suspeitas de uso do celular.
Agora, o presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, vai analisar o resultado da sindicância e decidir se José Dirceu pode ou não ter os benefícios normalizados.
No despacho que determinou a remessa da apuração ao Supremo, Ribeiro afirma que, considerando que o uso do celular se refere a questão disciplinar "de natureza grave", é preciso uma decisão do Supremo, que delegou à VEP a execução das penas dos condenados.
"Tem-se, assim, que, especificamente no caso de condenados da Ação Penal no. 470/STF (processo do mensalão), a decisão final quanto às questões disciplinares de natureza grave , por poderem, em tese, implicar na alteração de regime prisional, compete, a meu ver, ao Supremo Tribunal Federal, observados os estreitos limites da delegação operada."
No fim de janeiro foi aberta investigação para apurar se Dirceu teria falado ao celular no começo do ano, de dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, com o secretário da Indústria, Comércio e Mineração do estado da Bahia, James Correia. Os dois negam.
Depois da suspeita, a VEP suspendeu a análise de benefícios a Dirceu. Em meio ao recesso judiciário, o ministro Ricardo Lewandowski determinou que a Vara voltasse a analisar o pedido de trabalho porque não havia indícios de uso do celular. Depois, Joaquim Barbosa revogou a decisão.
Dirceu cumpre pena de 7 anos e 11 meses pela condenação por corrupção ativa. A punição de 2 anos e 11 meses, imposta no julgamento em 2012, por formação de quadrilha foi derrubada pelo plenário do Supremo.
Como está em regime semiaberto, o ex-ministro pode obter benefício do trabalho externo caso seja liberado após a sindicância. Dirceu já apresentou proposta para trabalhar no escritório do advogado José Gerardo Grossi.
Entre as funções que deverá exercer, conforme a proposta de Grossi, está a de "cuidar" da biblioteca do escritório, realizar "eventual pesquisa de jurisprudência" e colaborar “na parte administrativa".
O salário oferecido é de R$ 2,1 mil. Anteriormente, Dirceu havia desistido de trabalhar como gerente de um hotel em Brasília com salário de R$ 20 mil.

21 de mar de 2014

Tenente-coronel pega 36 anos de prisão por morte de juíza no Rio

Cláudio Oliveira foi considerado mentor do assassinato de Patrícia Acioli.
Magistrada morreu com 21 tiros em 2011; outros 6 PMs já foram condenados.

Do G1, em São Paulo
O tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira foi condenado, na madrugada desta sexta-feira (21), no 3º Tribunal do Júri de Niterói, no Rio, a 36 anos de prisão em regime fechado pela morte da juíza Patrícial Acioli, homicídio que ocorreu em agosto de 2011.
O julgamento durou quase 20 horas e o júri entendeu que o militar, acusado de ser o mandante do crime, “encomendou” a morte da magistrada.
O tenente-coronel era comandante do 7º BPM (Alcântara), em São Gonçalo, região metropolitana do Rio, na época do assassinato de Patrícia Acioli. A juíza atuava em processos contra vários integrantes do batalhão, acusados de envolvimento com milícias e grupos de extermínio.
Seis PMs já foram condenados pelo mesmo caso.
Segundo a sentença, Cláudio Oliveira, foi responsabilizado por homicídio doloso triplamente qualificado. Ele foi condenado também por crime de quadrilha armada. Diz a sentença: “Foi fixada a pena total de 36 (trinta e seis) anos, sendo 30 (trinta) anos em razão do homicídio triplamente qualificado, e 6 (seis) anos em razão da quadrilha armada. Foi declarada a perda do cargo público de policial militar do acusado. Fixado o regime inicialmente fechado para cumprimento de ambas as penas”.
Expulsões da PM
Os policiais militares condenados pela morte da juíza Patrícia Acioli ainda não foram expulsos da corporação porque conseguiram na Justiça uma liminar que suspendeu o processo. As informações são da Corregedoria da Polícia Militar (PM), como mostrou o Jornal Nacional.
21 tiros
Patrícia foi assassinada com 21 tiros na porta de casa em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, em 11 de agosto de 2011. Na época do crime, ela tinha 47 anos, era titular da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo e atuava em diversos processos em que os réus eram PMs do município envolvidos em supostos autos de resistência.
Seis PMs já foram condenados pelo assassinato da magistrada. Daniel Benitez, até o momento, é o que recebeu a pena maior, com 36 anos de prisão. O  cabo Carlos Adílio Maciel dos Santos foi sentenciado a 19 anos e 6 meses de reclusão. Jefferson de Araujo Miranda teve pena estabelecida em 26 anos de reclusão. Jovanis Falcão foi condenado a 25 anos e 6 meses de prisão. Junior Cezar de Medeiros pegou 22 anos e 6 meses de reclusão, e Sérgio Costa Júnior foi condenado a 21 anos em regime fechado.

20 de mar de 2014

Barco chega a área onde objetos que podem ser de avião foram detectados

Embarcação norueguesa vai participar das buscas.
Satélites avistaram objetos no sul do Oceano Índico, segundo a Austrália.

Da France Presse
Imagens de satélite divulgadas pelo governo australiano mostram objetos achados no oceano que poderiam ser os destroços do voo MH370 da Malaysian Airlines, desaparecido desde 8 de março (Foto: Australian Government's Department of Defence via the Australian Maritime Safety Authority/AFP)Imagens de satélite divulgadas pelo governo australiano mostram objetos achados no oceano que poderiam ser os destroços do voo MH370 da Malaysian Airlines, desaparecido desde 8 de março (Foto: Australian Government's Department of Defence via the Australian Maritime Safety Authority/AFP)
Um barco norueguês, o "St Petersburgo", chegou nesta quinta-feira (20) à região do Oceano Índico onde foram detectados objetos que poderiam pertencer ao desaparecido Boeing 777 da Malaysia Airlines, anunciou o armador Hegh Autoliners.
"O barco chegou ao local para participar na busca", declarou à AFP Cecilie Moe, porta-voz da empresa norueguesa.
Segundo outro porta-voz da empresa, Chreistian Dall, a margem de busca nesta quinta-feira, no entanto, é reduzida. "Nesta região, o sol se põe dentro de uma hora mais ou menos", afirmou às 11h GMT (8h de Brasília).
O St Petersburgo, barco de transporte de veículos que seguia para Melbourne, foi desviado a pedido das autoridades australianas para tentar identificar os objetos no mar detectados por satélite no sul do Oceano Índico.
mapa avião desaparecido malásia - 20.03 (Foto: Arte/G1) Os satélites mostraram imagens de dois objetos, um deles com 24 metros de comprimento, que podem estar relacionados ao voo MH370 da Malaysia Airlines, que desapareceu há 12 dias com 239 pessoas a bordo.
Um navio de vigilância da Marinha britânica também seguia para a região. O "HMS Echo" está na área e participará nas operações de busca, informou o ministério da Defesa.
O anúncio da descoberta foi feito nesta quinta pelo primeiro-ministro australiano, Tony Abbot. A Autoridade Australiana de Segurança Marítima (AMSA) recebeu informações "novas e críveis", "baseadas em dados de satélites, sobre objetos que poderiam estar relacionados com a busca", disse Abbot no Parlamento.
Um avião Orion foi enviado ao local para examinar tais objetos - que seriam partes da fuselagem - e outros três aparelhos de vigilância e dois navios seguem para a zona.
Segundo John Young, funcionário da AMSA, um dos objetos "eventualmente ligado" ao voo MH370 e detectado por satélite mede 24 metros.
"Os objetos são relativamente leves. São objetos de certo tamanho, mas que flutuam de forma intermitente". "O maior tem 24 metros, o outro é menor", revelou Young em entrevista coletiva.
A Austrália se encarregou das buscas do Boeing no sul do Oceano Índico e, segundo a AMSA, os objetos estão nesta região, a cerca de 2.300 km da costa australiana, onde o tempo não está bom no momento.
Apesar da descoberta, Abbot pediu para não haver conclusões precipitadas: "Devemos ter em conta que o trabalho de encontrar estes objetos será muito complicado e que, no final, podem não ter qualquer relação com o voo MH370".
Autoridades da Malásia
As autoridades malaias afirmaram que os dois objetos detectados por satélite no Oceano Índico representam um "indício crível" na busca pelo avião desaparecido da Malaysia Airlines.
Mas o ministro de Defesa e interino de Transportes, Hishamudin Hussein, disse em entrevista coletiva em Sepang que é preciso se "corroborar e verificar" a informação para não dar "falsas esperanças" às famílias.
As autoridades malaias explicaram que, mesmo que se trate de restos do avião, não sabem quanto tempo demorariam para encontrar a caixa-preta do aparelho, que contém a informação necessária para explicar o ocorrido.
Segundo o ministro de Defesa, se os destroços avistados pertencerem ao MH370, serão consultados os investigadores do voo da Air France que caiu no Oceano Atlântico em 2009, devido às condições similares do mar.
Hussein disse que as autoridades estão fazendo todo o possível para informar as famílias dos passageiros, mas, no entanto, "a informação que mais desejam saber não a temos: a localização do MH370", afirmou.

18 de mar de 2014

Apple aposenta iPad 2 e lança iPhone 5c mais barato

Ainda não há previsão para a chegada do iPhone de menor custo ao Brasil
A Apple anunciou nesta terça-feira (18) um modelo com preço menor (e armazenamento reduzido) do iPhone 5c nos mercados chinês e europeu e a descontinuação do iPad 2, que será substituído pelo retorno do iPad de quarta geração, que tem tela da linha Retina, de alta resolução.
Consultada, a Apple no Brasil disse à reportagem que não há previsão para a chegada do iPhone mais barato ao Brasil.

Anteriormente, o iPad de quarta geração havia sido retirado do mercado e substituído pelo iPad Air. Agora, o iPad 2 foi retirado da Apple Store. O modelo de entrada nos tablets de 9,7 polegadas da empresa passa a ser o Retina iPad de 16 Gbytes, que custa US$ 399.
Além da tela de retina, o novo iPad de quarta geração tem processador mais rápido. O modelo está de volta às lojas da Apple em todo o mundo pelo mesmo preço do iPad mini com tela de retina de 7,9 polegadas e 16 Gbytes. Ou seja, a decisão do consumidor será feita em função do tamanho do dispositivo. No Brasil, os dois modelos custam a partir de R$ 1.500.
Com capacidade reduzida pela metade - os modelos anteriores iniciavam em 16 Gbytes -, o novo iPhone 5c teve seu preço reduzido em aproximadamente US$ 70 (R$ 165) em relação ao modelo com o dobro de armazenamento.
Exceto pelo armazenamento, todos os outros aspectos técnicos do iPhone 5c permanecem os mesmos.

17 de mar de 2014

Parlamento da Crimeia pede oficialmente anexação à Rússia

1,2 milhão de eleitores votaram pela anexação ao país vizinho.
Delegação parlamentar deve chegar a Moscou nesta segunda (17).

Do G1, em São Paulo
Povo da Crimeia se juntou para acompanhar a apuração dos votos  (Foto: Thomas Peter/Reuters)http://g1.admin.globoi.com/admin/materia/materia/1611036/?action=pubPovo da Crimeia se juntou para acompanhar a apuração dos votos (Foto: Thomas Peter/Reuters)
O parlamento da Crimeia aprovou nesta segunda-feira (17) uma resolução na qual se declara independente da Ucrânia e pediu oficialmente a anexação da península à Rússia, um dia após o referendo no qual 96,8% da população dos votos aprovaram a adesão a Moscou. Também foi decidida a nacionalização de todos os bens do Estado ucraniano em seu território.
A resolução foi ratificada em uma sessão extraordinária do legislativo, em que também foi decidido que a Crimeia adotará o fuso horário de Moscou, e não o de Kiev como até agora.
Os 85 deputados aprovaram por unanimidade as medidas.
O parlamento “fez uma proposta à República Soviética para admitir a República da Crimeia como um novo sujeito com status de república”, afirma um comunicado.
O documento afirma que as leis ucranianas não são mais aplicadas na Crimeia e que o governo de Kiev já não tem nenhuma autoridade sobre a península.
O primeiro-ministro da Crimeia, Serguei Axionov, anunciou uma alteração no fuso horário na península em 30 de março, que passará ao horário de Moscou (GMT+4), duas horas antes da hora de Kiev atualmente em vigor.
Anteriormente, Axionov havia anunciado que o período de transição de todas as instituições da Crimeia para a Rússia levaria pelo menos um ano.
O Parlamento anunciou ainda que o rublo é agora a moeda oficial da república separatista da Crimeia, mas a moeda ucraniana, a grivna, poderá ser utilizada até 1º de janeiro de 2016.
arte crimeia 17.03 (Foto: Arte/G1)
Uma delegação parlamentar da Crimeia era esperada em Moscou nesta segunda para discutir os procedimentos exigidos para que a península seja anexada pela Rússia.
Nesta segunda, o Parlamento da Rússia anunciou aprovará legislação para permitir a anexação “num futuro muito próximo”, segundo a agência de notícias Interfax, que citou a declaração de um deputado.
“Eu não acredito que haverá qualquer demora em considerar essas questões na Duma (câmara baixa) ou no Conselho da Federação (câmara alta). Estamos prontos para aprovar todas as decisões legais necessárias o mais rápido possível”, disse Ilyas Umakhanov, do Conselho da Federação à emissora de televisão russa "Rossiya 24".
O presidente interino da Ucrânia, Olexander Turchynov, chamou o referendo de "grande farsa" decidida no Kremlin.
"A Rússia busca cobrir sua agressão na Crimeia com uma grande farsa chamada referendo, que jamais será reconhecida pela Ucrânia ou pelo mundo civilizado", declarou Turchynov aos deputados, aos quais pediu a aprovação da mobilização parcial das tropas.
Reação do ocidente
Antes mesmo de a votação começar, Estados Unidos e União Europeia comunicaram que não iriam aceitar o resultado do referendo, considerado ilegítimo. O presidente dos EUA, Barack Obama, conversou por telefone com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Ele disse que os EUA e seus aliados estão "preparados" para aplicar sanções a Moscou após o referendo na Crimeia. Ele ainda alertou Putin, segundo a Casa Branca, que os exercícios militares russos na fronteira da Ucrânia "só aumentam a tensão".
Em Bruxelas, os ministros europeus das Relações Exteriores devem debater possíveis sanções contra a Rússia nesta segunda.
O Conselho das Relações Exteriores discutirá se respalda uma lista de pessoas, majoritariamente de nacionalidade russa, que teriam seus ativos em território europeu congelados e seriam proibidas de viajar à UE.
Antes do encontro, a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, afirmou que UE enviará "a mensagem mais forte possível" à Rússia. Ela lembrou que o referendo organizado pelas forças pró-russas é "ilegal segundo a Constituição ucraniana e a lei internacional".
A chanceler europeia pediu "mais uma vez" à Rússia que se reúna com as autoridades da Ucrânia e inicie um diálogo para diminuir a tensão da situação "o mais rápido possível".
Referendo
Os cidadãos de origem étnica russa formam 58% da população da região da Crimeia. As minorias ucraniana e tártara decidiram boicotar a votação. O número total de pessoas aptas a votar era de 1,5 milhão. Após o fechamento dos colégios, a comissão eleitoral informou que a participação foi superior a 80%. Na cidade de Sebastopol, onde a frota russa do Mar Negro tem sua base, e com um estatuto especial, o número chegou a 85%.
Agências de notícia russas chegaram a anunciar que o resultado seria mais de 90% dos votos a favor da anexação.
Na cédula de votação os eleitores foram questionados se desejariam que a Crimeia voltasse a fazer parte da Rússia. Uma segunda era se a Ucrânia deveria retornar ao status que tinha na Constituição de 1992, quando tinha mais autonomia.

15 de mar de 2014

Teenage

Iara Barros utiliza o aplicativo Snapchat com os amigos mais próximos. Eduardo Luís gosta de desenhar e "riscar" as fotos que envia pelo Snapchat. O uso de filtros por meio do app também é permitido
Alex Costa e Helosa Araújo
Lara Mota usa o Telegram, até a opção "mensagens secretas"
Ricardo Cavalcante conheceu o Telegram há duas semanas
Apps entre os jovens
Image-0-Artigo-1564167-1Antenados com as novidades do mundo móvel, os adolescentes sugerem apps para quem quer sair da a tríade Facebook/ Instagram/ WhatsApp. Confiram!
Até a aquisição do WhatsApp pelo Facebook, por 16 bilhões de dólares, em 19 de fevereiro deste ano, pouco se falava sobre os demais aplicativos para chats. O assunto tomou conta da mídia atrelado ao medo das pessoas de que, com a compra, o app caísse de qualidade.
Coincidentemente ou não, três dias depois o programa passou por uma queda em seus servidores. Daí em diante, começaram a pipocar notícias sobre os até então coadjuvantes "Telegram", "Snapchat", "Line", entre outros.
Os programas já figuravam, porém, como linguagem comum entre os antenados em novidades, como é o caso dos adolescentes.
Telegram
 Lara Mota Para a estudante do 1º ano do Ensino Médio, Lara Mota, 15, o app é bem mais rápido e seguro do que o WhatsApp. Lançado em agosto de 2013 e desenvolvido por dois irmãos russos, Nikolai e Pavel Durov, o Telegram possui um visual semelhante ao WhatsApp, além das funcionalidades serem parecidas.
Permite que os usuários enviem mensagens de texto em chats, além de fotos e vídeos, porém não conta com áudios. Outras funções são personalizar o perfil com imagens e mensagens de status, trocar o papel de parede, criar grupos, colocar online e offline, além de bloquear contatos.
O estudante do 9º ano do Ensino Fundamental, Ricardo Cavalcante, 14, também usa o app. Para ele, o trunfo do programa tem se mostrado a rapidez e a funcionalidade, mas ele reclama da falta das mensagens de áudio e voz, além de achá-lo lento no envio de vídeos.
Diferencial
É permitido, ainda, no Telegram, que os usuários criem senhas para criptografar os bate-papos, que não ficam armazenados na nuvem e só podem ser acessados por quem está envolvido no chat.
Para baixar o Telegram, acesse a App Store do celular, ou através do site (www.Telegram.Com). Além disso, na página você acha downloads do app para outras plataformas, como Windows Phone, Windows, Mac OS e Linux, podendo ainda ser instalado em computadores.
Snapchat
Desenvolvido por alunos da Universidade de Stanford e lançado em setembro de 2011, é uma espécie de WhatsApp exclusivo de fotos e vídeos que desaparecem em até 10 segundos. Por enquanto o aplicativo está disponível para iOS e Android, com a promessa dos fundadores que a versão para Windows 8 está a caminho.
Ricardo Cavalcante
"Na rede, você pode adicionar amigos em grupos de chat, compartilhar fotos com eles, usar filtros e legendas nessas mesmas fotos e definir por quanto tempo os mesmos amigos podem ver as imagens", explicam os universitários Eduardo Luís, e Iara Barros, ambos de 18 anos.
Mesmo com o recebimento de um aviso caso alguém faça captura da foto, tanto Iara quanto Eduardo garantem que não compartilham segredos. O Snapchat está disponível para usuários iOS e Android. O download é feito pelo site www.Snapchat.Com.
Outros aplicativos
Interação
Line
Envio de mensagens de texto, imagens, vídeo e áudio, além de videoconferências. Compatível com Windows, OS X e iPhone, Android, BlackBerry, Windows Phone, Nokia Asha e Firefox OS.
Shots of me
Aplicativo no estilo do Instagram, sendo que lá você só pode postar selfies e não tem como colocar efeito nas fotos. Requer o iOS 6.0 ou posterior. Otimizado para iPhone 5, iPad e iPod touch.
We Chat
Várias funções: bate-papo, pode enviar notas com voz, fotos, vídeos e informações de GPS; rede social privada para compartilhamento de fotos em grupo. Pode de ser usado no computador.
Encontro de fãs
A saga "Divergente" nem chegou ainda nos cinemas (dia 21 de março nos EUA e 17 de abril no Brasil), mas já está causando um burburinho danado.
Em Fortaleza, os fãs dos livros escritos por Veronica Roth e que dão origem à esperada franquia cinematográfica, marcaram um encontro para hoje, a partir das 15h, na Saraiva MegaStore - Shopping Iguatemi.
No evento, em parceria com a editora Rocco e a Paris Filmes, haverá sorteio de brindes como posters, bottons, adesivos e livros.
Copa do Mundo
Para entrar no clima da Copa 2014, a dica é desfilar por aí com um dos copos térmicos belíssimos da linha "Copa do Mundo". Assinados pelo ilustrador Luciano Martins, possuem canudo e tampa com vedação nas bordas. Preço sugerido (cada): R$ 39,90. Veja todos os modelos em www.Uatt.Com.Br
Avril Lavigne
Mesmo com a intensa mobilização dos fãs cearenses, por enquanto a turnê da cantora só deve para passar por São Paulo (29 e 30 de abril) e Rio (2 de maio). Porto Alegre e Brasília são nomes que ainda podem ser confirmados. As vendas para o público em geral começam em 19 de março no site da T4F.
Os mais vendidos
Categoria infanto-juvenil
1. "A culpa é das estrelas"
John Green
Editora Intrinseca
Preço sugerido: R$ 29,90
2. "Contos da seleção - o príncipe e o guarda"
Kiera Cass
Editora Seguinte
Preço sugerido: R$ 23,90
3. "O cavaleiro dos sete reinos"
George R. R. Marti
Leya Brasil
Preço sugerido: R$ 49,90
4. "Convergente"
Veronica Roth
Rocco Jovens Leitores
Preço sugerido: R$ 39,50
5. "A Esperança"
Suzanne Collins
Editora Rocco
Preço sugerido: R$ 39,50

14 de mar de 2014

Venezuelanos aquecem mercado ilegal devido ao desabastecimento

Produtos mais escassos são justamente os da cesta básica, como o açúcar, o leite, a carne, o arroz, o frango e o papel higiênico

Agência Brasil
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A escassez de produtos da cesta básica na Venezuela tem levado a população a criar alternativas para driblar a carência de alguns produtos. Substituição e troca de alimentos, além de compras no mercado ilegal, são algumas medidas adotadas pelos venezuelanos.
O índice de escassez, calculado pelo Banco Central da Venezuela (BCV), manteve-se na faixa de 20% no ano passado. O relatório de janeiro de 2014 apontou um índice de 26,2%, demonstrando que a situação se tornou parte do cotidiano da população.

De maneira geral, os produtos mais escassos são justamente os da cesta básica, como o açúcar, o leite, a carne, o arroz, o frango, o papel higiênico, o óleo, o sabonete, o sabão em pó e o creme dental. Para conhecer o dia a dia dos venezuelanos, a Agência Brasil conversou com moradores de Caracas, capital, e de San Cristóbal, Táchira, na Região Andina.

Alguns habitantes de Táchira, estado fronteiriço com a Colômbia, dizem que mudaram hábitos alimentares e começaram a substituir produtos. A dona de casa Jéssica Maldonado destacou que o cardápio do café da manhã da família, por exemplo, varia conforme o que se encontra para a compra. Ela conta que já não come arepa diariamente - uma espécie de pão cozido de farinha de milho branco, tradicional no café da manhã do país.

Jéssica acrescentou que compra produtos regulados - com preços tabelados e subsidiados pelo governo - nos supermercados estatais e conveniados. Quando não encontra produtos com preços regulados, nem sempre consegue pagar pelos vendidos no mercado ilegal. “O preço sobe até 30 vezes”, ressaltou.

Com relação às mudanças no cardápio, ela disse que a família acabou se acostumando. “Tem dia que comemos mandioca cozida no café da manhã ou, então, tomamos sopa, algo que fazem por aqui, mas que não fazíamos em casa. E eu controlo bem o que tem para comer, para não faltar. Dá medo de um dia chegar na fila do mercado e não conseguir comprar nada. Até sonho com isso”.

Além de alterar a rotina familiar, a escassez impacta no setor comercial e afeta empresas e fábricas de alimentos, especialmente panificadoras e restaurantes. A dona de uma padaria na rodoviária de San Cristóbal, que não quis se identificar, relatou suas dificuldades. “Quase não estamos conseguindo comprar farinha. O que chega aos supermercados é controlado para a venda individual e as remessas para o comércio têm demorado a chegar e, quando chegam, são insuficientes para atender todos os comerciantes”.

Segundo a comerciante, não é possível comprar farinha em quantidade suficiente para a produção no mercado ilegal. “Mesmo que tivesse a quantidade que precisamos seria impossível, porque o produto é contrabandeado ou vendido irregularmente, é caríssimo”, explica. Ela disse que um problema é a falta de regularidade na chegada do produto. “Não podemos nos planejar com uma produção feita de forma irregular e acabamos demitindo funcionários”, lamenta.

Em Caracas, comerciantes privados também reclamam de dificuldades em manter estoques de produtos, como remédios e alimentos da cesta básica, embora, com relação aos insumos para produção em padarias, por exemplo, não se note de forma tão nítida, quanto no interior.

Entretanto, os preços estão altos e são remarcados semanalmente. Na capital, os moradores falam da dificuldade de comprar leite, café, açúcar, farinha, papel higiênico, carne e frango. Há problemas tanto na rede privada, quanto nos mercados estatais.

"Não é que não tem nada aqui. Eu compro no Mercal - mercado estatal subsidiado - e toda semana tem. Mas não chega em quantidade e temos que comprar pouco e enfrentar filas", conta a ambulante María del Rosario.

Com as dificuldades, na cidade também acontece a troca de mercadorias. O taxista Ángel Muñoz, 54 anos, disse que se acostumou a fazer permutas com vizinhos. Ele disse que às vezes troca café por leite em pó e farinha de arepa. “Esta semana, depois de quase um mês sem ter café em casa, trocamos meio quilo de leite em pó por café”.

Ángel ressaltou que está cansado da situação. Ele conta que desde o início do governo de Hugo Chávez apoiava as mudanças implementadas por acreditar que a população mais pobre estava sendo amparada pelas políticas sociais do governo.

“Chávez redistribuiu a renda no país e fez com que gente muito pobre, que nem sequer comia, começasse a ter três refeições por dia. Isso não é propaganda política. De fato aconteceu”, comentou.

11 de mar de 2014

Líder estudantil morre após ser baleado em protesto na Venezuela

Daniel Tinoco foi baleado no peito na cidade de San Cristobal.
Segundo prefeito, paramilitares também atuaram na repressão ao protesto.

Da AP
Um líder estudantil morreu após ser baleado nesta segunda-feira (10) na cidade de San Cristobal, na Venezuela, durante protestos nos quais forças de segurança venezuelanas atacaram barricadas montadas pelos manifestantes, informou o prefeito local.
Daniel Tinoco foi baleado no peito durante a noite, informou o prefeito de San Cristobal, Daniel Ceballos, no Twitter. O político de oposição também afirmou que paramilitares aliados ao governo combateram os manifestantes junto com a Guarda Nacional, mas não esclareceu quem baleou o estudante.
Segundo a repórter Beatriz Font, de uma TV local, há relatos não confirmados de pelo menos outras duas pessoas baleadas na noite desta segunda na cidade, que tem 600 mil habitantes.
Os protestos contra o governo explodiram no local no último mês, e foram fortemente reprimidos. Ao menos 21 pessoas já foram mortas e mais de 300 ficaram feridas.
Homens da Guarda Nacional dispararam balas de borracha e gás lacrimogêneo contra os manifestantes, que fizeram protestos durante todo o dia em bairros residenciais.
Beatriz disse que Tinoco era um dos estudantes que sempre estava nas barricadas. “Ele era muito entusiasmado”.
O presidente Nicolas Maduro lançou na semana passada “uma conferência de paz” na cidade, mas a oposição se recusou a participar até que o governo liberte os manifestantes presos e tome outras medidas.
Maduro diz que os protestos visam desestabilizar e derrubar seu governo.
Trabalhadores da saúde pública venezuelana brigam com a polícia de choque durante um protesto em Caracas. (Foto: Juan Barreto/AFP)Trabalhadores da saúde pública venezuelana brigam com a polícia de choque durante um protesto em Caracas. (Foto: Juan Barreto/AFP)
Também nesta segunda, centenas de médicos e estudantes de medicina protestaram em Caracas contra a falta de recursos dos hospitais, enquanto chavistas marchavam em apoio ao sistema público de saúde.
Usando jalecos e levando uma grande bandeira do país, médicos e estudantes de Medicina de todas as idades se concentraram na praça Venezuela. O destino era a sede da vice-presidência, no centro da cidade (reduto chavista), mas uma barreira policial impediu o avanço do grupo, sob a justificativa de que a passeata não tinha autorização.
Os médicos carregavam cartazes com inscrições como: "Não são só as balas que matam, a falta de remédios também".

10 de mar de 2014

Malásia identifica homem que embarcou com falso passaporte

Aeronave da Malaysia Airlines sumiu no último sábado com 239 pessoas a bordo

Agência Brasil
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A Malásia identificou um dos dois passageiros que embarcaram no voo desaparecido da Malaysia Airlines com passaportes roubados, informou hoje (10) o chefe da polícia local, Khalid Abu Bakar. Segundo ele,  o homem não é malaio, mas a nacionalidade não foi revelada.  As autoridades conseguiram identificá-lo por meio de imagens das câmaras de segurança do aeroporto.

"Ainda estamos verificando se eles [os dois suspeitos com passaportes roubados] chegaram legal ou ilegalmente [ao país]", disse.

O voo da Malaysia Airlines, que fazia o trecho entre a capital do país, Kuala Lumpur,  e a capital da China, Pequim, desapareceu no sábado (8) de manhã com 239 pessoas a bordo. Não foi enviado qualquer pedido de ajuda, de acordo com as autoridades.

O desaparecimento levou a um esforço internacional de busca e salvamento envolvendo vários países e dezenas de aviões e navios, mas até agora não foram encontradasprovas de destroços do avião.

Segundo a empresa responsável, a aeronave, um Boeing 777-200, teve um problema em uma das asas em 2012, mas foi completamente reparada e teve “luz verde” para voar.

8 de mar de 2014

Agnelo rebate juiz e nega ingerência para favorecer presos do mensalão

Governador disse que pasta da Segurança tem controle sobre a Papuda.
Ministério Público investiga supostas regalias a petistas presos no local.

Do G1, em Brasília
O governador eleito do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, em entrevista em Brasília (Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil)O governador Agnelo Queiroz, em entrevista em
Brasília (Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil)
O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), enviou nesta sexta-feira (7) um ofício ao juiz Bruno Ribeiro, responsável pela execução das penas do mensalão na Penintenciária da Papuda, negando qualquer "ingerência política" para favorecer os condenados do caso presos no local. O documento é uma resposta ao magistrado, que analisa investigação do Ministério Público sobre supostos privilégios aos petistas que cumprem pena no DF.
Na semana passada, Ribeiro havia dado 48 horas ao governo distrital para responder se havia investigação da Secretaria de Segurança sobre supostas irregularidades. Também questionava que medidas seriam tomadas para a "retomada do comando do sistema prisional" e se o governo local tinha condições de custodiar os presos do caso com "isonomia relativamente a direitos e deveres".
Na resposta ao juiz, Agnelo diz que o Distrito Federal "têm plenas condições de custodiar quaisquer presos provisórios [...] assegurando a todos plena integridade física e moral, como total isonomia" e que o sistema prisional a própria Secretaria de Segurança tem controle sobre as prisões locais.
Em outro trecho, o governador diz que, em seu questionamento, o juiz Bruno Ribeiro não anexou qualquer informação em relação às supostas irregularidades. Depois, levantou suspeitas sobre a conduta dele no caso.
"Impõe-se consignar a completa ausência de qualquer ingerência de natureza política na administração do sistema penitenciário do Distrito Federal, afigurando-se grave aleivosia afirmação despida de qualquer indício de prática de atos ilegais e ilegítimos, a merecer a devida apuração pelos órgãos correicionais competentes", diz o ofício assinado pelo governador.

No início do ofício, Agnelo ainda diz que o Tribunal de Justiça do DF, ao qual Ribeiro está integrado, não tem poder de atuação sobre os atos do governador. Mesmo assim, disse que decidiu respondê-lo por "liberalidade".

Com o ofício do governador em mãos, Ribeiro deverá agora aguardar parecer do Ministério Público, que cogita uma eventual transferência de presos do mensalão para presídios federais. Após as investigações, caberá ao próprio juiz decidir sobre o caso.
'Regalias'
A investigação do Ministério Público foi baseada em em reportagens do jornal "O Globo" que revelaram supostos privilégios ao ex-chefe da Casa Civil José Dirceu e ao ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. Segundo o jornal, parlamentares visitaram Dirceu em horário não permitido e um vice-diretor do CPP teria sido demitido por ter obrigado Delúbio a tirar a barba.
Além disso, teria probibido que um carro da Central Única de Trabalhadores, entidade sindical na qual o ex-dirigente petista trabalhava, entrasse na penitenciária.
Em fevereiro, o próprio Agnelo visitou Dirceu na Papuda. Segundo a assessoria de imprensa, ele aproveitou a inauguração da unidade de acolhimento de menores infratores, que fica perto da Papuda, para depois ir ao encontro do ex-ministro.
No local, os dois trataram de assuntos pessoais e Dirceu manifestou expectativa em relação ao julgamento no Supremo Tribunal Federal do recurso que o absolveu do crime de formação de quadrilha, segundo a assessoria.

5 de mar de 2014

Apple anuncia sistema operacional para carros

O CarPlay chegará ao mercado ainda este ano em veículos da Ferrari, Mercedes Benz e Volvo

Posteriormente o sistema será incorporado também por outras montadoras como BMW, Ford, General Motors, Honda, Hyundai, Citroën e Toyota.
Foto: Divulgação
Apple anuncia sistema operacional para carros
A Apple anunciou nesta terça-feira (4) o lançamento do CarPlay, sistema operacional para carros que integra o iPhone ao veículo permitindo o acesso a todas as funções do smartphone. A plataforma terá sua estreia oficial no Salão do Automóvel de Genebra, na Suíça, que será realizado entre os dias 6 e 16 de março. O CarPlay integra as funcionalidades do iPhone ao painel de motorista e aos alto-falantes e pode ser controlado por voz ou toque, tanto na tela do sistema de bordo quanto por botões do próprio carro. A Siri, sistema de voz da Apple, por exemplo, pode ser acionada com um toque em um botão no volante.
Por meio da plataforma, o usuário consegue acessar no painel do carro os contatos do iPhone, fazer ligações, ouvir o correio de voz, usar mapas e escutar músicas, inclusive por aplicativos de terceiros, como o streaming de música Spotify. É possível também solicitar que a Siri leia mensagens de textos e ditar a resposta a ser enviada. "Usuários de iPhones querem ter o conteúdo do celular acessível na ponta dos dedos. O CarPlay deixa os motoristas usarem seus iPhones no carro com o mínimo de distração", disse o vice-presidente de marketing de produtos do iOS e iPhone, Greg Joswiak, em nota.
O CarPlay chegará ao mercado ainda este ano em veículos da Ferrari, Mercedes Benz e Volvo. Posteriormente, será incorporado também por outras montadoras como BMW, Ford, General Motors, Honda, Hyundai, Citroën e Toyota.
O sistema estará disponível como uma atualização para o iOS 7 nos modelos iPhone 5, 5S e 5C. O preço e datas de lançamento não foram divulgados.
Android
A Apple anunciou o desenvolvimento do CarPlay, inicialmente batizado de "iOS in the car", no ano passado. Em janeiro deste ano, na Consumer Electronics Show (CES), maior evento de tecnologia do mundo, realizado em Las Vegas, foi a vez do Google anunciar parceria com as montadoras Audi, General Motors, Honda e Hyundai, e com a fabricante de chips Nvidia, para criar a Aliança Automotiva Aberta, que pretende levar o sistema Android para os carros até o fim deste ano.
Os investimentos em sistemas operacionais para veículos foram intensificados nos últimos meses diante da perspectiva de que em 2016 a conectividade será um fator crítico na decisão de compra de um carro. Segundo pesquisa da empresa GSMA, em cinco anos existirão 60 milhões de carros conectados em todo o mundo.

1 de mar de 2014

Uma igreja com contas bloqueadas

Comandada pelo apóstolo Valdemiro Santiago, a Mundial tem bens retidos pela Justiça por causa de dívida de R$ 10 milhões com a Rede Bandeirantes

Rodrigo Cardoso (rcardoso@istoe.com.br)
Não é segredo o fato de o apóstolo Valdemiro Santiago enfrentar problemas na Justiça por falta de pagamento de aluguéis de diversos templos da sua Igreja Mundial do Poder de Deus. Em outubro passado, em sua edição de número 2293, ISTOÉ esmiuçou as dificuldades financeiras da instituição religiosa. Os casos de inadimplência, porém, foram ofuscados, na semana passada, por uma crise maior. Em janeiro, a Rede Bandeirantes acionou a Mundial cobrando judicialmente uma dívida de R$ 10.156.259,57 pelo não pagamento de mensalidades relativas à cessão de espaço na programação do canal. Na ação, solicitou o bloqueio de bens da igreja e, um mês e meio depois, obteve uma decisão favorável que impingiu um dos maiores reveses da história do império evangélico de Valdemiro. Entre os dias 20 e 22 deste mês, seis contas bancárias da Mundial foram vasculhadas, para cumprir a ordem do juiz Carlos Eduardo Borges Fantacini, da 26ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, e foram bloqueados R$ 2.133.103,80 de duas delas.
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ACUSAÇÃO
A Bandeirantes vai à Justiça cobrar a igreja do apóstolo Valdemiro Santiago
A Mundial e a TV Bandeirantes têm relaçõs comerciais desde 2010. Em 1º de janeiro de 2013, acertaram um contrato de quatro anos. Desde então, a igreja deveria pagar R$ 3 milhões mensais para que a emissora divulgasse diariamente, das 4h às 6h50, os programas produzidos pela instituição religiosa. Esse acordo foi cancelado no fim do ano passado, justamente por atrasos contumazes e reincidentes. Na ação, foi alegado falta de pagamento das parcelas de setembro e outubro de 2013 e de parte das de agosto e novembro do mesmo ano. Pessoas a par do acordo comercial entre o apóstolo e a família Saad, dona da Bandeirantes, contam que a relação entre as partes começou a ruir em 2011. Desde então, os valores em atraso da Mundial chegaram a variar de R$ 12 milhões a R$ 20 milhões. “A igreja atrasava o pagamento, renegociava e pagava com cheques parcelados. E vários cheques voltaram sem fundos, com valores que variavam de R$ 100 mil a R$ 1,5 milhão”, contou uma pessoa com acesso às tratativas. “A emissora fez mais de dez notificações judiciais sobre atrasos e mais de 50 por meio de cartas e e-mails à Mundial. Não era saudável manter a relação.”
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O cerco aos bens da Mundial não parou por aí. O juiz Fantacini, de São Paulo, ordenou a apreensão de veículos da igreja e a restrição do licenciamento e da transferência dos mesmos. Dona de sete mil templos espalhados pelo mundo e empregadora de 2.500 funcionários, a igreja fundada em 1998 pelo apóstolo Valdemiro, um ex-líder da hoje rival Igreja Universal do Reino de Deus, ofereceu um terreno de aproximadamente seis mil m2, em Goiânia (GO), avaliado em R$ 15 milhões, em troca da liberação dos valores bloqueados. Com a recusa da Bandeirantes, o magistrado usou expressões duras contra a Mundial no despacho emitido na segunda-feira 24, no qual informava sua decisão. Citou o “absurdo número de processos” a que ela responde, “grande parte deles por inadimplência”, o que apontaria para uma “irremediável insolvência” da instituição, sem contar “o grande número de restrições de créditos diversas”.
Dados deste mês da Serasa, instituição que avalia quem tem crédito na praça, apontam a existência de 378 protestos contra a igreja, (em uma dívida total de R$ 9.478.900), 195 pendências financeiras (no valor de R$ 127.109), 20 cheques sem fundos (que somam R$ 14.590.923) e 13 sustados nos últimos seis meses. Procurada, a direção da Mundial preferiu não se manifestar enquanto o processo estiver em andamento.
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CRISE
Na edição 2293, de outubro do ano passado,
ISTOÉ mostrou que a igreja acumulava dívidas
Quando ISTOÉ detalhou a crise financeira da Mundial, o contrato de cessão de espaço na programação da Band tinha acabado de ser rescindido pela emissora. Mais: a igreja, que havia acertado com o Grupo Bandeirantes no fim de 2012 a compra do Canal 21, do qual ocupava 22 horas na programação, viu esse contrato também ser interrompido por falta de pagamento de parcelas e descumprimento de algumas cláusulas, segundo a Bandeirantes. Valdemiro e a família Saad, então, entraram em litígio também por causa do Canal 21.
A Mundial pede uma indenização de R$ 200 milhões, alegando rompimento unilateral de contrato sob o argumento de que uma cláusula garantia a ela a possibilidade de honrar as parcelas após 45 dias da data do vencimento. A Bandeirantes, que repassou rapidamente os horários tanto da Band quanto do Canal 21 para Igreja Universal do Reino de Deus, pede R$ 100 milhões relativos a parcelas atrasadas, reembolso de despesas, multa e juros.
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SHOWMAN
Valdemiro saiu da Bandeirantes e agora prega na Rede TV! aos domingos
Para não ficar fora da programação da tevê aberta, um dos grandes pilares da evangelização neopentecostal, a Mundial fechou com a Rede TV! no início do ano e agora ocupa três horas de programação aos domingos. Remediou um problema de propagação da fé, mas as finanças da instituição seguem no vermelho.
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Fotos: Fábio Guinalz/Fotoarena/Folhapress, Pedro Dias/Ag. Istoé