30 de nov de 2014

Brasil fica quase na lanterna do crescimento mundial

O desempenho ficou abaixo do verificado em países como Grécia e Espanha, que tentam se reerguer de crises severas, e foi o pior entre as economias emergentes

Obras públicas
"Isso é resultado da baixa competitividade da indústria doméstica, que vivencia problemas do lado da oferta", avaliou o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno (VEJA)
A queda de 0,2% na atividade econômica brasileira no terceiro trimestre deste ano em relação a igual período de 2013, anunciada sexta-feira pelo IBGE, deixou o país quase na lanterna do crescimento mundial. De uma lista de 34 economias, o Brasil ocupou a 31.ª colocação, segundo levantamento da consultoria Austin Rating.
O desempenho brasileiro ficou abaixo do verificado em países como Grécia e Espanha, que ainda tentam se reerguer de crises severas, e foi o pior entre as grandes economias emergentes, que compõem o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).
No topo do Brics, a China cresceu 7,3% no terceiro trimestre ante igual período do ano passado, enquanto a Índia teve alta de 5,3%. Já o Produto Interno Bruto (PIB) da África do Sul, que vive quadro de inflação elevada, juros altos e atividade em recuperação, teve aumento de 1,4%. A Rússia, mesmo às voltas com a crise geopolítica envolvendo a Ucrânia, avançou 0,7%.
O resultado brasileiro só não foi pior que a atividade de Itália, Japão e da própria Ucrânia. O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, responsável pelo estudo, atribui a má colocação do Brasil à gestão equivocada da política econômica.
"Há profundos problemas na gestão da política econômica, com destaque para a atabalhoada política monetária de juros relativamente altos com inflação alta e atividade econômica em retração. Além, é claro, da política fiscal expansionista", disse Agostini, em relatório.
A recuperação, defendeu o economista, depende de mais investimentos e novos acordos multilaterais, diversificando o leque de países parceiros em termos de comércio. Hoje, os grandes consumidores das exportações brasileiras são China (commodities) e Argentina (manufaturados), que passam por ajustes. "Esses países não deverão manter a mesma contribuição observada em anos anteriores."
Setor externo - No período de julho a setembro deste ano, o desempenho do setor externo foi favorável ao crescimento na comparação com igual período de 2013. O volume das exportações cresceu 3,8%, enquanto as importações tiveram avanço mais tímido, de 0,7%.
"As exportações cresceram mais que as importações. Tem quatro trimestres seguidos que a gente tem contribuição positiva do setor externo no crescimento", disse Rebeca Palis, gerente de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Na comparação com o segundo trimestre, porém, o setor externo tirou fôlego da economia, já que a lógica foi justamente inversa. As importações foram 2,4% maiores, enquanto os embarques avançaram 1%.
"Isso é resultado da baixa competitividade da indústria doméstica, que vivencia problemas do lado da oferta", avaliou o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno. A recente desvalorização do real ante o dólar, contudo, pode melhorar esse quadro, acrescentou Rostagno.
(Com Estadão Conteúdo)

29 de nov de 2014

Cientistas transformam fezes e urina em combustível para foguete

Nasa encomendou projeto pensando em missões de longo prazo.
Técnica permite que dejetos de astronautas sirvam para abastecer foguete.

Do G1, em São Paulo
biodigestor anaeróbico usado para produzir metano a partir de fezes e urina (Foto: UF/IFAS Communications/Divulgação)Pesquisador Pratap Pullammanappallil posa em seu laboratório com o biodigestor anaeróbico usado para produzir metano a partir de fezes e urina (Foto: UF/IFAS Communications/Divulgação)
A pedido da Nasa, cientistas da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, desenvolveram um método de transformar fezes e urina em combustível de foguete.
A agência espacial americana fez o pedido pensando em missões de longo prazo, nas quais seria difícil transportar de volta para a Terra um volume grande de dejetos humanos. Atualmente, esse tipo de lixo gerado no espaço é armazendado em contêineres que, em seguida, são transportados em veículos espaciais de carga que queimam quando atravessam de volta para a atmosfera terrestre.
Foguete decola carregando satélite meteorológico japonês. (Foto: Kyodo News / Via AP Photo)Foguete decola carregando satélite meteorológico
japonês, em outubro: dejetos humanos podem
produzir combustível para foguetes, segundo
pesquisa (Foto: Kyodo News / Via AP Photo)
Um projeto da Nasa lançado em 2006 previa a construção de uma instalação habitada na superfície da Lua entre 2019 e 2024. Foi nesse contexto que a agência contatou a Universidade da Flórida para verificar o que poderia ser feito com as fezes e urina dos astronautas que participassem da missão, já que deixá-las em solo lunar não seria uma alternativa.
"Estávamos tentando descobrir quanto metano pode ser produzido a partir de restos de comida, embalagens de comida e dejetos humanos", conta Pratap Pullammanappallil, professor de engenharia agrícola e biológica da Universidade da Flórida.
"A ideia era ver se poderíamos produzir combustível o suficiente para lançar foguetes e não carregar todo o combustível e seu peso a partir da Terra para a viagem de volta. O metano pode ser usado como combustível de foguetes. É possível produzir metano o suficiente para voltar da Lua."
Para testar a possibilidade, os cientistas receberam da Nasa um material que simula dejetos humanos, restos de comida, toalhas, roupas e embalagens, segundo Pullammanappallil.
Eles descobriram que, a partir desse material, poderiam produzir 290 litros de metano por tripulação por dia. O tempo para a geração desse gás foi de uma semana. Para conseguir isso, a equipe de cientistas criou um biodigestor anaeróbico que mata os patógenos dos dejetos humanos e produz uma mistura de metano com dióxido de carbono.
Segundo Pullammanappallil, os resultados podem ser aplicados na Terra também. O combustível feito de fezes pode ser usado para aquecimento, geração de eletricidade ou transporte. As descobertas foram publicadas na revista científica "Advences in Space Research".

27 de nov de 2014

Impostos pagos pelos brasileiros este ano chegam a R$ 1,5 trilhão

Marca foi registrada pelo Impostômetro na noite desta quarta-feira.
Em 2013, marca foi alcançada somente no dia 9 de dezembro

Do G1, em São Paulo
Impostômetro atingiu R$ 1,5 trilhão (Foto: Reprodução/ACSP)Impostômetro atingiu R$ 1,5 trilhão (Foto: Reprodução/ACSP)
O valor pago pelos brasileiros em impostos federais, estaduais e municipais desde o início do ano alcançou R$ 1,5 trilhão, na noite desta quarta-feira (26), segundo o “Impostômetro” da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Em 2013, essa marca foi alcançada somente no dia 9 de dezembro.
O painel eletrônico que calcula a arrecadação em tempo real está instalado na sede da associação, na Rua Boa Vista, região central da capital paulista.
“Os dados do Impostômetro revelam que a arrecadação de tributos vem crescendo mais lentamente neste ano, em função do baixo nível de atividade. O forte desequilíbrio fiscal de 2014, no entanto, decorre muito mais de crescimento acentuado da despesa pública”, diz Rogério Amato, presidente da ACSP e da Facesp (Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo).
O total de impostos pagos pelos brasileiros também pode ser acompanhado pela internet, na página do Impostômetro. Na ferramenta, criada em parceria com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), é possível acompanhar quanto o país, os estados e os municípios estão arrecadando em impostos.
Também se pode fazer comparações do que os governos poderiam fazer com o dinheiro arrecadado, como quantas cestas básicas se poderia fornecer e quantos postos de saúde poderiam ser construídos.
O Impostômetro encerrou o ano de 2013 com a marca recorde de R$ 1,7 trilhão.

26 de nov de 2014

Deputados planejam aumentar o próprio salário para R$ 33,7 mil

Pacote envolve, além dos parlamentares, salários da presidente Dilma Rousseff e do vice, Michel Temer. Impacto aos cofres públicos seria de R$ 85 mi em 2015

A fachada do Congresso Nacional: legislando em causa própria
A fachada do Congresso Nacional: legislando em causa própria (Rodolfo Stuckert/Agência Câmara/VEJA)
Os parlamentares querem elevar a partir de janeiro seus próprios salários, além dos vencimentos da presidente Dilma Rousseff, do seu vice, Michel Temer, e dos 39 ministros. A previsão é de reajuste de 26.723 reais para 33.769 reais. O aumento tem como base o acumulado dos últimos quatro anos do índice oficial de inflação (IPCA), que segundo os técnicos é de 26,33%.
Os congressistas, além dos salários, têm direito a apartamento funcional ou auxílio-moradia de 3.800 reais e verba indenizatória de até 41.000 reais para deputados e 44.200 reais para senadores. O mais recente aumento dado aos congressistas e aos integrantes do Executivo federal ocorreu em dezembro de 2010.
O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), admite a elaboração do projeto. "Tem que ter o aumento. Em toda a legislatura que se encerra, você tem que aprovar o aumento para o próximo ano. Isso é constitucional. O último aumento foi há quatro anos."
O artigo da Constituição citado por Alves é o 49, que trata das competências do Congresso. O texto prevê a fixação de subsídios idênticos para deputados federais, senadores, presidente e vice-presidente da República. No entanto, não há obrigatoriedade de se fazer reajustes no fim de cada legislatura.
Efeitos – Um novo projeto de decreto legislativo com a previsão do reajuste deve ser colocado em pauta nos próximos dias. Se aprovado, poderá ter efeito cascata nos Legislativos de todo o país, uma vez que a Constituição prevê que os deputados estaduais podem receber até 75% do recebido pelos federais.
"Estou apenas esperando a costura com o Executivo e com o Judiciário para fazer em conjunto a votação. Quero fazer uma coisa combinada", disse Alves. Além da Câmara, a proposta precisa passar pelo Senado. A pressa dos congressistas se deve ao fato de que o reajuste precisa ser inserido no projeto de Lei Orçamentária de 2015, que deverá ser votado antes do recesso, marcado para 22 de dezembro.
O impacto estimado aos cofres públicos só com o aumento para os deputados é de 82 milhões de reais em 2015. Nos dois anos subsequentes, o valor é de 78 milhões de reais. A diferença ocorre porque os 513 deputados federais têm direito no primeiro ano ao chamado 14º e 15º salários, usados como "benefício" para a mudança para a capital federal.
Para concretizar o aumento, os parlamentares terão antes de aprovar um aumento para os ministros do Supremo Tribunal Federal, valor que define o teto constitucional dos salários dos servidores, hoje fixado em 29.400 reais. Um projeto do Judiciário em tramitação prevê elevação para 35.900 reais.
(Com Estadão Conteúdo)

25 de nov de 2014

Galvão Engenharia apresenta comprovantes de pagamento de R$ 8,8 mi em propina

O advogado disse que havia ameaça de retaliação nos contratos que a Galvão Engenharia tinha com a Petrobras caso não houvesse o pagamento dos valores estipulados de "maneira arbitrária, ameaçadora e ilegal"

Terra
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A defesa do diretor da Galvão Engenharia, Erton Medeiros Fonseca, preso na sétima fase da Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF), entregou à polícia comprovantes do pagamento R$ 8,8 milhões de propina a uma pessoa que se apresentou como emissário da Diretoria de Serviços da Petrobras.

O advogado José Luis Oliveira Lima, representante do diretor, disse que a empresa foi obrigada a pagar propina por meio da LSFN Consultoria Engenharia, entre 2010 e 2014. Segundo ele, os pagamentos foram ordenados por Shinki Nakandari, com conhecimento do ex-gerente de Serviços da Petrobras, Pedro Barusco.

O advogado disse que havia ameaça de retaliação nos contratos que a Galvão Engenharia tinha com a Petrobras caso não houvesse o pagamento dos valores estipulados de "maneira arbitrária, ameaçadora e ilegal". A defesa garantiu que Erton Fonseca aceita fazer acareação com o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef, principais articuladores do esquema.

De acordo com a planilha apresentada, foram feitos 23 pagamentos entre 2010 e 2014 a Luís Fernando Sendai Nakandakari e a Juliana Sendai Nakandakari.

A confissão de pagamento de propina é uma das estratégias das defesas dos executivos de empreiteiras. Na semana passada, Sérgio Cunha Mendes, vice-presidente da empreiteira Mendes Júnior, confirmou em depoimento à Polícia Federal o pagamento de propina ao doleiro Alberto Youssef.

Segundo Marcelo Leonardo, advogado do diretor, Sérgio Mendes relatou aos delegados que foi obrigado a pagar propina de R$ 8 milhões. Na confissão, ele disse que Youssef exigiu o pagamento para que a empreiteira Mendes Júnior recebesse o dinheiro a que tinha direito em contratos de serviços prestados, e para continuar participando das licitações da Petrobras.

24 de nov de 2014

Humberto Costa nega ter recebido doação de esquema da Petrobras

Senador colocou à disposição quebra de sigilos fiscal, bancário e telefônico.
Segundo jornal, delator do esquema da Petrobras revelou doação.

Do G1, em Brasília
O senador Humberto Costa (PE) , líder do PT no Senado, divulgou nota nas redes sociais neste domingo (23) em que nega ter recebido doação de campanha vinda de suposto esquema de corrupção na Petrobras. Reportagem do jornal "O Estado de S.Paulo" também deste domingo afirma que Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da estatal, disse em depoimento que a campanha do senador em 2010 foi favorecida com o dinheiro irregular.
 
O ex-diretor foi preso pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que investiga esquema bilionário de lavagem de dinheiro em todo o país. Ele firmou acordo de delação premiada para contar o que sabe às autoridades em troca de redução da pena. Segundo o 'Estado', em um de seus depoimentos, Paulo Roberto Costa disse que um empresário ligado a Humberto Costa pediu dinheiro para a campanha do senador.
Ainda segundo o jornal, Paulo Roberto disse que a quantia de R$ 1 milhão saiu da cota que pertenceria ao Partido Progressista (PP) dentro do esquema.  Em depoimento anterior, o ex-diretor já havia afirmado que os partidos PP, PT e PMDB recebiam cotas em contratos firmados por diretorias da estatal.
Na nota, o senador Humberto Costa diz que todas doações que recebeu para a campanha são legais e que a denúncia "padece de consistência". Ele ainda disse que coloca à disposição das autoridades a quebra de seus sigilos bancário, telefôncio e fiscal. (Veja íntegra da nota ao final desta reportagem)
"Todas as doações de campanha que recebi na minha candidatura ao Senado em 2010 foram feitas de forma legal, transparente, devidamente declaradas e registradas em minha prestação de contas à justiça eleitoral e inteiramente aprovadas, estando disponíveis a quem queira acessá-las. Assim, nego veementemente ter pedido a quem quer que seja que solicitasse qualquer doação de campanha ao sr. Paulo Roberto. Tal denúncia padece de consistência quando afirma que a suposta doação à campanha teria sido determinada pelo Partido Progressista (PP) por não haver qualquer razão que justificasse o apoio financeiro de outro partido à minha campanha", afirmou o senador.
O ex-diretor Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef, que também foi preso e também depõe em delação premiada, já haviam afirmado às autoridades que políticos do Congresso haviam se beneficiado do dinheiro dos contratos irregulares. O processo da Lava Jato corre na Justiça Federal do Paraná, mas autoridades com foro privilegiado, como deputados e senadores, só podem responder à Justiça no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília.
Na reportagem, o "Estado de S.Paulo" diz que Paulo Roberto afirmou ter conhecido Humberto Costa no período em que o atual senador era Ministro da Saúde, entre 2003 e 2005, no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ex-diretor teria dito ainda, de acordo com o jornal, que o dinheiro foi repassado para a campanha de Costa porque  PP tinha decidido apoiar a candidatura e também porque, caso contrário, ele seria demitido da estatal.
O ex-diretor afirmou ainda, segundo a reportagem, que o empresário ligado à campanha de Humberto Costa, Mário Barbosa Beltrão, confirmou que o pagamento foi realizado.
Na nota,  o senador diz que conheceu Paulo Roberto Costa em 2004, mas teve com ele apenas relação "institucional". Reconhece também que é amigo de infância de Mário Beltrão. No entanto, reitera que em nenhum momento pediu a ele que solicitasse recursos ao ex-diretor da Petrobras.
"Conheci o sr. Paulo Roberto em 2004 e minha relação com ele se deu no campo institucional, no processo de implantação da refinaria de petróleo em Pernambuco, do qual participei assim como vários políticos, empresários e representantes de outros segmentos da sociedade pernambucana o fizeram. Conheço e sou amigo de infância do sr. Mário Beltrão, presidente da Associação das Empresas do Estado de Pernambuco (ASSINPRA), que também foi partícipe da mesma luta pela refinaria. Porém, em nenhum momento eu o pedi e ele muito menos exerceu o papel de solicitar recursos ao Sr. Paulo Roberto para a campanha ao Senado de 2010", escreveu o senador.
Veja abaixo a íntegra da nota de Humberto Costa:
"NOTA DE ESCLARECIMENTO
Em relação à publicação do jornal O Estado de São Paulo deste domingo que relata supostas acusações do sr. Paulo Roberto Costa dirigidas a mim em delação premiada, afirmo que:
1. Todas as doações de campanha que recebi na minha candidatura ao Senado em 2010 foram feitas de forma legal, transparente, devidamente declaradas e registradas em minha prestação de contas à justiça eleitoral e inteiramente aprovadas, estando disponíveis a quem queira acessá-las;
2. Assim, nego veementemente ter pedido a quem quer que seja que solicitasse qualquer doação de campanha ao sr. Paulo Roberto;
3. Tal denúncia padece de consistência quando afirma que a suposta doação à campanha teria sido determinada pelo Partido Progressista (PP) por não haver qualquer razão que justificasse o apoio financeiro de outro partido à minha campanha;
4. Mais inverossímil ainda é a versão de que se o sr. Paulo Roberto não tivesse autorizado tal doação, correria o risco de ser demitido, como se eu, à época sem mandato e tão somente candidato a uma vaga ao Senado, tivesse poder de causar a demissão de um diretor da Petrobras;
5. Causa espécie o fato de que ao afirmar a existência de tal doação, o sr. Paulo Roberto não apresente qualquer prova, não sabendo dizer a origem do dinheiro, quem fez a doação, de que maneira e quem teria recebido;
6. Conheci o sr. Paulo Roberto em 2004 e minha relação com ele se deu no campo institucional, no processo de implantação da refinaria de petróleo em Pernambuco, do qual participei assim como vários políticos, empresários e representantes de outros segmentos da sociedade pernambucana o fizeram;
7. Conheço e sou amigo de infância do sr. Mário Beltrão, presidente da Associação das Empresas do Estado de Pernambuco (ASSINPRA), que também foi partícipe da mesma luta pela refinaria. Porém, em nenhum momento eu o pedi e ele muito menos exerceu o papel de solicitar recursos ao Sr. Paulo Roberto para a campanha ao Senado de 2010;
8. Tenho uma vida pública pautada pela honradez e seriedade, não respondendo a qualquer ação criminal, civil ou administrativa por atos realizados ao longo de minha vida pública;
9. Sou defensor da apuração de todas as denúncias que envolvam a Petrobras ou qualquer outro órgão do Governo. Porém, entendo que isso deve ser feito com o cuidado de não macular a honra e a dignidade de pessoas idôneas. O fato de o sr. Paulo Roberto estar incluído em um processo de delação premiada não dá a todas as suas denúncias o condão de expressar a realidade dos fatos;
10. Aguardo com absoluta tranquilidade o pronunciamento da Procuradoria-Geral da República sobre o teor de tais afirmações, ocasião em que serão inteiramente desqualificadas. Quando então, tomarei as medidas cabíveis;
11. Informo ainda que me coloco inteiramente à disposição de todos os órgãos de investigação afetos a esse caso para quaisquer esclarecimentos e, antecipadamente, disponibilizo a abertura dos meus sigilos bancário, fiscal e telefônico.
Recife, 22 de novembro de 2014,
Humberto Costa
Senador da República"

22 de nov de 2014

Dinheiro desviado abasteceu "caixa 1" das campanhas de PT, PMDB, PP e PTB

Delegados e procuradores da operação Lava Jato concluem que os partidos foram usados como lavanderias do esquema de corrupção instalado na Petrobras e farão uma devassa na prestação de contas da campanha eleitoral

Claudio Dantas Sequeira, de Curitiba (PR) e Mário Simas Filho
Não é novidade que recursos públicos surrupiados por intermédio de obras superfaturadas, empresas de fachada e outras modalidades de corrupção acabem abastecendo o chamado caixa 2 das campanhas políticas. Essa é uma prática condenável e recorrente no Brasil. Agora, o que a Operação Lava Jato descobriu é que PT, PMDB, PP e PTB usaram a contabilidade oficial, o caixa 1 das campanhas eleitorais, para receber milhões de reais desviados da Petrobras. Para chegar a essa conclusão, os delegados e procuradores que participam das investigações tomaram conhecimento de centenas de movimentações bancárias no Brasil e no exterior, analisaram documentos que veem sendo apreendidos desde março e ouviram os depoimentos de empreiteiros, ex-diretores e ex-funcionários da estatal.
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Os operadores Fernando Soares, Vaccari Neto e Youssef (da esq. para a dir.):
os interlocutores dos partidos aliados junto aos empreteiros
“Estamos diante de um crime gravíssimo, que transforma os partidos políticos em autênticas lavanderias de dinheiro ilegal”, disse à ISTOÉ, na tarde da terça-feira 18, uma das autoridades com acesso a toda investigação. “A situação (investigação) coloca em xeque inclusive as doações eleitorais legalmente registradas, que podem indicar uma forma estruturada de lavagem de dinheiro”, atesta um relatório analítico da Polícia Federal, elaborado pela Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros ao qual ISTOÉ teve acesso. Com essa descoberta, a Operação Lava Jato irá abrir mais uma frente de investigação e promover uma devassa nos cofres dos partidos envolvidos. É essa futura investigação a responsável por elevar às alturas a temperatura no Palácio do Planalto e no comando dos partidos aliados na última semana.
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A força-tarefa montada pela Lava Jato tem como fazer uma apuração nas contas de campanhas muito mais aprofundada do que rotineiramente é feito pelo Tribunal Superior Eleitoral. De acordo com os delegados e procuradores, a estratégia de usar o cofre oficial dos partidos para colocar nas campanhas o dinheiro desviado de estatais teve início depois de revelado o escândalo do mensalão e ganhou força nas disputas eleitorais de 2010 e 2014. Os relatos feitos por diretores de empreiteiras presos na semana passada indicaram que as doações para as campanhas eram feitas diretamente pelos tesoureiros ou operadores dos partidos, que tinham acesso ao doleiro Alberto Youssef e a contas mantidas no exterior, particularmente na Suíça e na Holanda. Os recursos eram sempre remetidos às legendas e nunca para candidatos pré-estabelecidos. Dessa forma fica mais difícil o rastreamento desse dinheiro. Às empreiteiras apenas era informado o valor que deveriam declarar como doação oficial a ser registrada no TSE. “O dinheiro do sobrepreço pago pela Petrobras já estava depositado em contas indicadas pelos operadores dos partidos e não tínhamos acesso a esses recursos. Eles apenas diziam quanto teríamos que declarar à Justiça Eleitoral”, disse aos delegados o diretor da divisão de engenharia da Galvão Engenharia, Erton Medeiros Fonseca, na tarde da segunda-feira 17. Discurso semelhante foi feito por Idelfonso Colares Filho, ex-diretor da Queiroz Galvão. No mesmo dia, Othon Zanoide de Morais, diretor da Vital Engenharia – empresa do grupo Queiroz Galvão –, repetiu a versão apresentada por Fonseca e Medeiros. Os três também confirmaram doações feitas para o PT, PMDB e PP, através de João Vaccari Neto, o tesoureiro petista; Fernando Soares, que falava em nome do PMDB, e Youseff, que depois da morte do deputado José Janene passou a atuar pelo PP. Sobre o PTB, dois delegados afirmaram à ISTOÉ que a operação é semelhante, mas os nomes denunciados ainda são mantidos sob sigilo. Na quarta-feira 19, Ricardo Ribeiro Pessoa, presidente da UTC, também admitiu ter assumido o repasse oficial de recursos para PMDB, PP e PT.
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Os depoimentos colhidos na última semana reforçam, segundo a PF, o que já fora dito em delação premiada pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e descrito em um relatório de análise da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado a respeito das investigações promovidas sobre empresas do grupo OAS e suas relações com o doleiro Alberto Youssef. “A empresa abriga em seus quadros funcionários envolvidos com o desvio de recursos para enriquecimento ilícito próprio e pagamento de despesas com campanhas eleitorais de partidos políticos”, diz o documento. Há, ainda, documentos apreendidos pela Operação Lava Jato que, segundo os relatórios produzidos pela Polícia Federal, confirmam o uso do dinheiro desviado da Petrobras para alimentar o caixa oficial das campanhas. Na casa de Costa, a Polícia apreendeu uma agenda contendo uma planilha que relaciona o nome de empreiteiras, o contato dentro da empresa e, em uma terceira coluna, a situação da empresa. No relatório redigido pela Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros, que investigou a agenda do ex-diretor da Petrobras, os delegados concluem que: “Embora não seja possível precisar a qual campanha se refira o documento, é possível estabelecer que o grupo atuasse também ocultando repasse de valores por meio de doações legais de campanha”. Essa semana, parte dos policiais envolvidos na Operação começaram a fazer o confronto de rastreamentos bancários recebidos do exterior com as doações oficiais feitas para as campanhas políticas. É muito dinheiro para ser seguido (leia quadro na pág. 37). Desde o início da Operação, a PF e o Ministério Público têm monitorado as doações feitas por Camargo Corrêa, UTC e Mendes Júnior, dentre outras.
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Se a devassa a ser promovida nos cofres partidários confirmarem as conclusões a que já chegaram os delegados e procuradores que comandam a Operação Lava Jato, legendas gigantes como PT e PMDB poderão, dentre outras coisas, perder o acesso aos milionários recursos do Fundo Partidário. Mais que isso, se as investigações forem concluídas até o fim do ano – o que delegados e procuradores consideram praticamente impossível – não se pode descartar a possibilidade de o TSE vir a impedir a diplomação da presidente reeleita. Por essa razão, o Palácio do Planalto não esconde a insatisfação com o ministro Dias Toffoli, presidente do TSE. Os principais líderes petistas sustentam que Toffoli nada fez para impedir que as contas da campanha da presidente Dilma Rousseff fossem examinadas pelo ministro Gilmar Mendes, tido como desafeto do PT.
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O receio fez com que o Planalto estimulasse o Ministério Público Eleitoral para questionar a permanência de Mendes na fiscalização das finanças eleitorais do PT. A movimentação no TSE que tanto preocupa o Planalto teve início na quinta-feira 13, com o fim do mandato do ministro Henrique Neves. Era ele o relator do processo sobre as contas da campanha de Dilma Rousseff deste ano, mas deixou a Corte antes de iniciar a análise do caso. No mesmo dia, houve um novo sorteio de relator e Gilmar Mendes assumiu o processo. Horas depois de assumir como relator, o ministro determinou que sua assessoria examinasse as contas apresentadas pela campanha. A disposição de Mendes inicia uma nova fase da Justiça Eleitoral. Em anos anteriores, as contas dos candidatos eleitos eram analisadas por amostragem e em tempo curto demais, que duravam, no máximo, uma semana.
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Emissário do PP Othon Zanoide, da Vital Engenharia, disse
que Youssef passou a operar em nome do partido depois
da morte do deputado Janene
Pela lei, as contas devem ser analisadas até o dia 17 de dezembro do ano da eleição. Se irregularidades graves forem encontradas, os ministros podem impedir a diplomação do eleito no dia 18. Segundo técnicos da Corte ouvidos por ISTOÉ, tradicionalmente a análise da prestação de contas da campanha presidencial é feita tão rapidamente que inviabiliza a consolidação de provas sobre irregularidades que venham a ser encontradas. Em 2010, apesar do prazo curto, os técnicos detectaram irregularidades na prestação de contas da então candidata eleita Dilma Rousseff, como empresas doadoras abertas no ano eleitoral e pessoas físicas doando acima do limite permitido. Na época, o ministro Marco Aurélio Mello ressaltou a falta de tempo para analisar as notas fiscais da campanha e sugeriu o adiamento da votação sobre as contas. Os ministros alegaram que poderia ocorrer instabilidade jurídica e decidiram aprová-las, apesar das ressalvas sobre as irregularidades. Agora, o temor dos petistas é que Mendes faça uma parceria com os delegados e procuradores da Operação Lava Jato e possa, assim, rapidamente esquadrinhar as entranhas da contabilidade eleitoral do partido. Na quinta-feira 20, o ministro pediu ajuda de técnicos do TCU, da Receita Federal e do Banco Central para analisar as contas de campanha de Dilma.
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Este ano, Gilmar Mendes pretende evitar que a votação ocorra sem tempo para a devida análise pelos ministros do teor das prestações de contas. Por isso, colocou a própria equipe do gabinete para analisar quem são os doadores da campanha da presidente. De acordo com técnicos, a orientação do ministro é para que qualquer irregularidade seja detalhada e comprovada em pareceres consistentes, distribuídos aos ministros dias antes da votação em plenário. O ministro já admitiu que sua equipe vai se debruçar especialmente nas doações realizadas por empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato, que abasteceram as campanhas eleitorais. As empresas investigadas doaram R$ 60,4 milhões aos candidatos presidenciáveis na última eleição, sendo que R$ 47,8 milhões foram entregues para a campanha de Dilma. A arrecadação da campanha da petista registra ainda que 20% do total recebido partiu diretamente das empreiteiras OAS e UTC Engenharia, que doaram R$ 20 milhões e R$ 5 milhões, respectivamente, e cujos dirigentes que autorizaram os repasses estão na cadeia. Independentemente de qualquer parceria com a Operação Lava Jato, a equipe de Gilmar Mendes se dedica a levantar os números das doações e os detalhes dos contratos que essas empresas ainda mantêm com o governo. Somente neste ano, R$ 2,3 bilhões estão previstos para serem repassados a essas construtoras. Em contrapartida, as doações realizadas pelas nove empresas investigadas somaram mais de R$ 218 milhões somente nesta eleição.
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Presidente do clube Pessoa, da UTC, se apresentava como líder
do cartel das empreiteiras e diz ter contribuído para PMDB, PT e PP
Fotos: Montagem sobre fotos, Adriano Machado/Istoé, Márcia Foletto/Agência O Globo; MARCOS BEZERRA/FUTURA PRESS

21 de nov de 2014

Clube do bilhão domina obras públicas no país

Construtoras investigadas pela Polícia Federal realizaram as maiores obras públicas dos últimos anos, incluindo 7 dos 12 estádios da Copa do Mundo

Mariana Zylberkan
Executivos presos na sétima fase da Operação Lava Jato, são liberados pela Polícia Federal, na noite desta terça-feira (18/11), na sede da Polícia Federal em Curitiba
Executivos presos na sétima fase da Operação Lava Jato, são liberados pela Polícia Federal, na noite desta terça-feira (18/11), na sede da Polícia Federal em Curitiba - Junior Pinheiro/Folhapress
O 'clube do bilhão', formado por nove construtoras investigadas na Operação Lava Jato da Polícia Federal, domina as principais obras públicas realizadas nos últimos anos no país. Juntas, as nove empresas lucraram 29,4 bilhões de reais no ano passado, segundo balanço anual fornecidos por elas. De acordo com a ONG Contas Abertas, sete das nove empreiteiras que formavam o 'clube', com exceção da UTC Construtora e da Mendes Júnior, receberam da União 13,9 bilhões de reais em contratos firmados entre janeiro e novembro deste ano. O crescimento nos últimos anos foi impulsionado também pela intensa participação nas obras da Copa do Mundo, com a construção ou modernização de 7 dos 12 estádios utilizados no Mundial de futebol – totalizando 4,2 bilhões de reais em contratos, além de obras de mobilidade urbana, como ampliação dos aeroportos de Congonhas (SP), Galeão (RJ), de Brasília (DF) e Natal (RN). Veja abaixo o mapa com as principais construções dos últimos anos.

20 de nov de 2014

UTC diz ter pago R$ 2,2 milhões a afilhado de Dirceu

Segundo Ricardo Pessoa, valor foi remuneração por consultoria. Ele também disse que repassou dinheiro em espécie a Youssef para pagar ex-amante

Daniel Haidar, de Curitiba
O ELO – Renato Duque, ex-diretor da Petrobras, que cobrava 3% de propina para o PT: preso depois que a Polícia Federal descobriu que ele tinha contas secretas no exterior
O ELO – Renato Duque, ex-diretor da Petrobras, que cobrava 3% de propina para o PT: preso depois que a Polícia Federal descobriu que ele tinha contas secretas no exterior (Márcia Poletto/Agência o Globo)
O presidente e sócio-majoritário da UTC, Ricardo Pessoa, afirmou em depoimento à Polícia Federal que pagou um total de 2,2 milhões de reais ao ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, indicado ao cargo pelo mensaleiro José Dirceu. De acordo com o empresário, os valores foram pagos por serviços de consultoria mediante dois contratos entre a UTC e a D3TM, uma das empresas de Duque. Os investigadores apuram se a remuneração era uma tentativa de disfarçar o pagamento de propina pela assinatura de contratos com a Petrobras.
No interrogatório tomado pelo delegado Eduardo Mauat, o empresário também confirmou ter feito pagamentos ao doleiro Alberto Youssef. Nesse caso, a polícia suspeita que os valores eram comissões distribuídas a políticos e agentes públicos pelo doleiro. Mas o presidente da UTC alegou que nenhum dos desembolsos tinha ligação com contratos da Petrobras. Ele disse que emprestava dinheiro ao doleiro e que contou com a ajuda dele em um problema pessoal. Segundo o empresário, Youssef ficou responsável por repassar dinheiro a uma ex-amante por quem Pessoa disse ter sido chantageado. No depoimento, Pessoa disse que pagou cerca de 800.000 reais para a ex-amante, sem esclarecer se todo esse montante foi repassado pelo doleiro. "Parte do dinheiro em espécie entregue a Youssef foi levado para pagar uma chantage por parte de mulher de nome Mônica Santos com quem teve um breve relacionamento há cerca de 22 anos, a qual passou a lhe importunar a partir de meados de 2012", diz o depoimento.
A advogada Carla Domênico, que defende o presidente da UTC, afirmou que vão ser apresentados documentos à Justiça para comprovar a prestação de serviços de consultoria pelo ex-diretor da Petrobras Renato Duque e a extorsão sofrida pelo empresário. "Temos documentação de tudo. Alberto Youssef resolveu um problema pessoal do doutor Ricardo. O dinheiro entregue ao doleiro não tem nenhuma ligação com qualquer obra pública", afirmou a advogada ao site de VEJA.
'Clube do Bilhão' – No depoimento, Pessoa também negou ser o coordenador do "Clube do Bilhão", o cartel formado por empreiteiras para fraudar contratos da Petrobras.  De acordo com depoimentos do lobista Júlio Camargo e do empresário Augusto Mendonça Neto, o presidente da UTC desempenhava a função de chefe de cartel.
Pessoa confirmou, entretanto, ter pago cerca de 40 milhões de reais ao lobista Júlio Camargo, representante do grupo Toyo Setal, como remuneração para "elaboração de projetos" e por tratativas da UTC com a empresa Sembawang Corporation, de Singapura. Em depoimentos à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal, Camargo disse que repassava pagamentos de empreiteiras para políticos e executivos da Petrobras, exigidos para que as empresas assinassem contratos com a estatal.
O sócio-majoritário da UTC disse ainda que tem "contato mais próximo" com João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, que lhe solicitava recursos para o partido, mas também afirmou manter contato com "Dr. Freitas" que seria representante do PSDB.
Por intervenção do advogado Alberto Toron, Pessoa não comentou a atuação de Youssef junto ao governo do Maranhão para que a Constran, uma das empresas do grupo UTC, recebesse um pagamento milionário de um precatório, cuja dívida estava acumulada havia mais de 20 anos. Pelo precatório, a UTC recebeu cerca de 14 milhões de reais. A polícia suspeita que o doleiro pagou propina a representantes do governo maranhense para resolver o imbróglio. O advogado Toron argumentou que o assunto está sob análise do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e que não seria "pertinente" tratá-lo nesta instância. O argumento foi aceito pelo delegado.

19 de nov de 2014

Juiz ordena quebra do sigilo bancário de 16 presos na Operação Lava Jato

Nesta terça, Polícia Federal pediu a prorrogação da prisão de seis presos.
Além disso, magistrado ordenou a quebra do sigilo de três empresas.

Lucas Salomão e Filipe Matoso Do G1, em Brasília e em Curitiba
O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelo processo da Lava Jato na primeira instância, determinou nesta terça-feira (18) ao Banco Central a quebra do sigilo bancário de 16 dos 23 presos da nova etapa da operação policial. Entre os suspeitos que terão as contas bancárias devassadas estão o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque e executivos de algumas das principais empreiteiras do país.
O magistrado também ordenou que a autoridade monetária envie à Justiça Federal do Paraná os dados bancários do lobista Fernando Soares, conhecido como "Fernando Baiano", apontado como operador do PMDB no esquema de corrupção que atuava na Petrobras.
 
OPERAÇÃO LAVA JATO
No documento, o juiz federal solicita dados sobre contas, investimentos e outros ativos mantidos entre os dias 5 e 18 de novembro deste ano.
Além da quebra de sigilo dos 16 suspeitos, Moro também ordenou que o Banco Central disponibilize informações bancárias de três empresas: D3TM Consultoria e Participações; Hawk Eyes Administração de Bens; e Technis Planejamento e Gestão em Negócios.
O documento protocolado no Banco Central não deixa claro o motivo de ele não ter ordenado a divulgação dos dados bancários dos outros presos.
Também nesta terça, a Polícia Federal enviou à Justiça Federal do Paraná pedido de prorrogação da prisão temporária de seis pessoas detidas na nova etapa da Operação Lava Jato, entre as quais o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque. Os delegados federais querem que os presos permaneçam na cadeia até o próximo domingo (23).
A PF alega no pedido que é necessário prorrogar as prisões desses seis suspeitos porque teria ocorrido o "vazamento" da mais recente fase da operação policial, ocorrida na última sexta-feira (14).
A operação investiga um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado cerca de R$ 10 bilhões e provocou desvio de recursos da Petrobras, segundo investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. A nova fase da operação policial teve como foco executivos e funcionários de nove grandes empreiteiras que mantêm contratos com a Petrobras que somam R$ 59 bilhões.
Parte desses contratos está sob investigação da Receita Federal, do MPF e da Polícia Federal. Ao todo, foram expedidos, nesta sétima etapa, 85 mandados em municípios do Paraná, de Minas Gerais, de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Pernambuco e do Distrito Federal. 24 pessoas foram presas pela Polícia Federal ate esta terça.
Além de Duque, os policiais federais também solicitaram a prorrogação da prisão temporária de Ricardo Ribeiro Pessoa, presidente da empreiteira UTC; José Aldemário Pinheiros Filho, presidente da Construtora OAS; Matheus Coutinho de Sá Oliveira, vice-presidente do conselho de administração da OAS; Walmir Pinheiro Santana, dirigente da UTC Participações; e Alexandre Portela Barbosa, funcionário OAS.
Depoimentos
Desde o último sábado (15), a Polícia Federal colhe depoimentos dos executivos e funcionários das empreiteiras presos. No sábado e no domingo (16), dirigentes da Engevix e da Queiroz Galvão negaram a existência de cartel que atuava em contratos da Petrobras.
A PF tentou ouvir nesta segunda cinco executivos e funcionários da construtora OAS. Todos ficaram calados durante a audiência por orientação de seus advogados, que alegaram não ter acesso aos documentos relacionados à investigação.
O advogado Pedro Henrique Xavier, responsável pela defesa do diretor da Galvão Engenharia Erton Medeiros Fonseca, afirmou ao G1 nesta terça que seu cliente confirmou ter pago propina ao esquema de corrupção que atuava na Petrobras. Segundo relato do criminalista, Fonseca disse aos delegados federais que pagou o suborno sob ameaça do ex-deputado federal José Janene (PP-PR), morto em 2010. Xavier, no entanto, não detalhou para qual diretoria da petroleira a propina era paga.
Veja os nomes dos suspeitos e das empresas que terão as contas bancárias devassadas:
Erton Medeiros Fonseca, diretor-presidente de Engenharia Industrial da Galvão Engenharia
Renato de Souza Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras
Ildefonso Colares Filho, ex-diretor-presidente da Queiroz Galvão
Othon Zanoide de Moraes, diretor-executivo da Queiroz Galvão
Fernando Soares, conhecido como "Fernando Baiano", lobista apontado como operador da cota do PMDB no esquema de corrupção
Valdir Lima Carreiro, diretor-presidente da IESA
Dalton dos Santos Avancini, presidente da Camargo Corrêa
Walmir Pinheiro Santana, responsável pela UTC Participações
José Ricardo Nogueira Breghirolli, funcionário da OAS
Eduardo Hermelino Leite, vice-presidente da Camargo Correa
Sérgio Cunha Mendes, diretor-vice-presidente-executivo da Mendes Junior
Agenor Franklin Magalhães Medeiros, diretor-presidente da Área Internacional da OAS
Ricardo Ribeiro Pessoa, presidente da UTC
João Ricardo Auler, presidente do Conselho de Administração da Camargo Corrêa
José Aldemário Pinheiro Filho, presidente da OAS
Gerson de Mello Almada, vice-presidente da Engevix
VALE ESTE - Arte Lava Jato 7ª fase (Foto: Infográfico elaborado em 15 de novembro de 2014)

16 de nov de 2014

Entenda a operação Lava Jato

Investigação apura esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Grupo sob suspeita tem ligações com políticos e ex-dirigente da Petrobras.

Do G1, em Brasília
Arte Operação Lava Jato 14/11/2014 (Foto: Editoria de Arte / G1)

 
OPERAÇÃO LAVA JATO
O que é
Deflagrada em 17 de março pela Polícia Federal (PF), a operação Lava Jato desmontou um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que, segundo as autoridades policiais, movimentou cerca de R$ 10 bilhões. De acordo com a PF, as investigações identificaram um grupo brasileiro especializado no mercado clandestino de câmbio.
A Petrobras está no centro das investigações da operação, que apontou dirigentes da estatal envolvidos no pagamento de propina a políticos e executivos de empresas que firmaram contratos com a petroleira.
Entre os delitos cometidos por supostos "clientes" do esquema de movimentação ilegal de dinheiro estão tráfico internacional de drogas, corrupção de agentes públicos, sonegação fiscal, evasão de divisas, extração, contrabando de pedras preciosas e desvios de recursos públicos.
Onde
A Lava Jato expediu mandados de prisão e de busca e apreensão em Curitiba (PR) e outras 16 cidades paranaenses, só na primeira fase da operação, em março. Os agentes federais também cumpriram ordens judiciais em outras seis unidades da federação: São Paulo, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Mato Grosso. Na etapa de novembro da operação, houve mandados de prisão, busca e apreensão e ações coercitivas no Paraná, em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, em Pernambuco e no Distrito Federal.
Presos
A operação Lava Jato já levou à prisão do doleiro Alberto Youssef, que foi apontado como chefe do esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Também foi preso, na etapa inicial da operação, o ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa. Ele é investigado devido à compra, pela estatal, da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), sob suspeita de superfaturamento.

Em novembro, quase oito meses a pós a deflagração da operação, mais de 20 pessoas foram presas, incluindo o ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque. A maior parte dos presos nesta etapa da Lava Jato são executivos de empreiteiras que possuem contratos firmados com a Petrobras.

Na lista dos que já foram presos em outras etapas da operação também estão, por exemplo, pessoas que seriam subordinadas a Alberto Youssef, responsáveis por gerenciar o dinheiro do doleiro.
Petrobras
As investigações da PF revelaram uma suposta ligação entre o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa com o esquema de lavagem de dinheiro comandado pelo doleiro Alberto Yousseff. Costa admitiu à polícia que recebeu um carro de luxo avaliado em R$ 250 mil do doleiro, mas alegou que o veículo foi dado em pagamento por um serviço de consultoria. Costa disse que já estava aposentado da Petrobras à época do recebimento do carro. No entanto, ele reconheceu que conhecia Youssef do período em que ainda estava na estatal brasileira. Costa foi preso em 20 de março enquanto destruia documentos que podem servir como provas no inquérito.
Em outubro, ao prestar depoimentos à Justiça Federal, Costa revelou o esquema de pagamento de propina na Petrobras que, segundo ele, era cobrada de fornecedores da estatal e direcionada para atender a PT, PMDB e PP. Os recursos teriam sido usados na campanha eleitoral de 2010. Os partidos negam.  Segundo Costa, as diretorias comandadas pelos três partidos recolhiam propinas de 3% de todos os contratos.
Segundo o ex-diretor, a operação teve início em 2006, quando, segundo ele, se formou um cartel entre grandes empreiteiras para prestação de serviços à Petrobras e para  obras de infraestrutura, como a construção de hidrelétricas e aeroportos. Em outubro, Costa teve acordo de delação premiada homologado pela Justiça, o que pode contribuir para a redução de sua pena em caso de condenação.
O mesmo tipo de acordo está sendo negociado por Aberto Youssef, que tem prestado depoimentos à Justiça federal e dado informações sobre quem participava do esquema dentro de partidos.
Costa Global
Documentos obtidos pela PF apontam que Costa pode ter recebido depósitos milionários do doleiro na conta de uma de suas empresas, a Costa Global. Um dos papéis, uma planilha de valores, seria uma contabilidade manual da empresa do ex-dirigente da estatal do petróleo. A planilha detalha valores em reais, dólares e euros recebidos entre novembro de 2012 e março de 2013.

Reportagem veiculada no programa Fantástico, em 13 de abril, mostrou o conteúdo de uma das planilhas da Costa Global apreendidas pela PF. Os documentos mostram que o ex-diretor mantinha um controle detalhado de todas operações que ele intermediava entre a Petrobras, empreiteiras e fornecedores. Numa das planilhas obtidas pelo Fantástico, aparece ao lado do nome das empresas a porcentagem que o ex-diretor da Petrobras receberia caso conseguisse contratos para elas. Em muitos casos, a comissão é de 50%.
Deputados envolvidos com Youssef
A apuração da PF também trouxe à tona indícios de ligação entre Alberto Youssef e o deputado federal André Vargas (sem partido-PR). Conforme investigações da PF, os dois atuaram juntos para fechar um contrato milionário entre uma empresa de fachada e o Ministério da Saúde. Além disso, o parlamentar do Paraná reconheceu que, em janeiro, viajou para João Pessoa (PB) em um jatinho emprestado pelo doleiro.
Vargas alegou que conhece Youssef há mais de duas décadas e que não há irregularidades na sua relação com o doleiro preso pela operação Lava Jato. Pressionado pelo próprio partido em razão das denúncias, Vargas renunciou ao cargo de vice-presidente da Câmara e se desfiliou do PT. Ele também se tornou alvo de processo por quebra de decoro no Conselho de Ética da Câmara, que aprovou parecer que pede sua cassação. A perda do mandato de Vargas ainda precisa ser analisada pelo plenário da Câmara.
O deputado Luiz Argôlo (SD-BA) também se tornou alvo das investigações da PF devido à relação com Alberto Youssef. Foram analisadas 1.411 mensagens de celular entre os dois, de setembro do ano passado a março deste ano. Segundo a PF, a linha usada pertence à Câmara dos Deputados.
No relatório, a PF conclui: "os indícios apontam que o deputado tratava-se de um cliente dos serviços prestados por Youssef, por vezes repassando dinheiro de origem aparentemente ilícita, intermediando contatos em empresas, recebendo pagamentos, inclusive tendo suas atividades operacionais financiadas pelo doleiro".
Em outubro, o Conselho de Ética da Câmara aprovou parecer que pede a cassação do mandato de Argôlo por considerar ter havido “tráfico de influência, prática de negócios e pagamentos ilícitos”. O parlamentar nega as acuações. O relatório ainda precisa ser votado pelo plenário da Câmara.
 

13 de nov de 2014

Disparam deserções de médicos cubanos na Venezuela

Em um período de 12 meses, 700 profissionais cubanos fugiram do país

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, lê um livro sobre Hugo Chávez em seu gabinete oficial
O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, lê um livro sobre Hugo Chávez em seu gabinete oficial (Prensa Miraflores/EFE)
O número de médicos cubanos que abandonaram o trabalho na Venezuela e viajaram para os Estados Unidos duplicou nos últimos doze meses, atingindo mais de 700, revelou nesta quinta-feira a ONG americana Solidariedade Sem Fronteiras (SSF). Entre setembro de 2013 e o mesmo mês de 2014, cerca de 1.100 médicos enviados por Havana para trabalhar em distintos países do mundo desertaram, sendo mais de 700 na Venezuela, disse Julio César Alfonso, presidente da SSF.
Até 2013, a média anual de deserções na Venezuela – onde atuam cerca de 30.000 médicos cubanos em programas sociais do governo – era de 300, segundo o presidente da SSF, entidade civil sediada em Miami. Alfonso destacou que as principais causas de deserções na Venezuela, de acordo com os próprios médicos cubanos que chegam aos Estados Unidos, são a grave crise econômica e a falta de segurança no país, onde morreram quase 70 médicos cubanos nos últimos anos.
"A situação é, de fato, muito difícil para eles. Trabalham até altas horas da noite e ganham muito pouco, porque o governo cubano lhes paga cerca de 10% do que recebe dos países beneficiados”, disse Alfonso. "Eles também são enviados para lugares ruins, sem segurança, aonde nenhum médico quer ir, e não apenas na Venezuela, isto é um padrão em todas as partes do mundo", completa.
Desde 2006, os Estados Unidos mantêm um programa que aceita no país os médicos cubanos enviados para trabalhar no exterior e, até o momento, já recebeu 8.000 destes profissionais, destaca a SSF.
(Com agência France-Presse)

11 de nov de 2014

Sumiço de armas derruba dois delegados em São Paulo

Noventa armas foram desviadas da sede de um órgão da Polícia Civil; Artur Dian e Paulo Sérgio Campos Mello foram substituídos no último sábado

Sumiço de noventa armas do Garra, da Polícia Civil de São Paulo, derruba dois delegados
Sumiço de noventa armas do Garra, da Polícia Civil de São Paulo, derruba dois delegados (Thinkstock/VEJA)
O escândalo do sumiço de noventa armas do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) da Polícia Civil de São Paulo derrubou dois delegados. O diretor da Divisão de Operações Especiais (DOE) do Deic e o delegado responsável pelo Garra foram substituídos no último sábado por decisão do governo. Artur José Dian deixou o cargo no Garra e vai assumir a Unidade de Inteligência Policial. Em seu lugar foi nomeado Marcos Ricardo Parra. Já o DOE deixa de ser comandado pelo delegado Paulo Sérgio Pilz e Campos Mello — a delegada Juliana Pereira Ribeiro Godoy Rodrigues vai assumir seu lugar.
A Corregedoria da Secretaria de Segurança Pública em São Paulo está tentando localizar armas que foram desviadas da sede do Garra. Um investigador da própria polícia foi preso e admitiu participação nos desvios. "A Corregedoria, que conduz essas investigações, está com todas as equipes empenhadas juntamente com o Deic para localizar essas armas", informou o secretário estadual de Segurança, Fernando Grella, em entrevista no dia 3 de novembro. Grella disse ter solicitado ao delegado-geral da Polícia Civil, Luiz Maurício Blazeck, uma auditoria em todas as unidades após os desvios no Garra.

As noventa armas desaparecidas eram, na maioria, revólveres e também fuzis e submetralhadoras. O policial preso era o armeiro responsável diretamente pela custódia das armas. Na casa do suspeito, cuja identificação não foi revelada, foram encontrados objetos e armas de uso restrito. A polícia solicitou ainda a prisão de outro envolvido no caso, que não é policial.
O secretário Grella informou ser prematuro fazer ligações entre roubos praticados no Estado e o sumiço das armas. O titular da pasta de Segurança disse que os investigadores estão traçando os contatos do policial envolvido nos desvios para tentar localizar e recuperar o armamento. "Há várias linhas de investigação. Precisamos de tempo maior. Uma série de diligências está sendo adotada", disse.
Apesar de ter admitido a culpa nos desvios, o policial não forneceu mais informações à Corregedoria sobre o destino das armas e como fazia para furtá-las e repassá-las a terceiros. Contra o suspeito, além do inquérito policial que apura as responsabilidades criminais, foi aberto um processo disciplinar, que visa a punição administrativa independentemente do rumo que tomará o inquérito. Uma segunda investigação é conduzida para apurar se houve negligência de autoridades responsáveis pela custódia das armas no Garra.
(Com Estadão Conteúdo)