30 de abr de 2011

PT decide "beatificar" Delúbio

Um dos últimos personagens do escândalo do mensalão ainda no ostracismo político foi resgatado ontem pelos petistas. Ex-tesoureiro do PT à época do caso, Delúbio Soares foi reabilitado pelo partido na noite de ontem, durante reunião do Diretório Nacional da legenda. Os delegados petistas decidiram aceitar o pedido de refiliação do político, cinco anos depois de ele ter admitido a prática de caixa dois durante as campanhas eleitorais de 2002 e 2004. Com o ex-deputado José Dirceu e o ex-presidente petista à época do mensalão, José Genoino, na plateia, a volta de Delúbio foi aprovada por 60 votos favoráveis, 15 contrários e duas abstenções.
Depois de cumprir o purgatório político pós-escândalo, Delúbio apresentou uma carta pedindo o perdão do partido na quinta-feira. A solicitação foi votada após o lobby de três petistas favoráveis ao ex-militante: Ricardo Berzoini (SP), um dos responsáveis por encaminhar a expulsão de Delúbio na crise do mensalão; o ex-deputado federal Virgílio Guimarães (MG) e Bruno Maranhão, que se tornou célebre por liderar uma invasão do Movimento de Libertação dos Sem Terra à Câmara, em 2006.
A principal corrente petista, formada pelas tendências Construindo um Novo Brasil, PT de Luta e de Massas e Novos Rumos, pavimentou o retorno do ex-tesoureiro. A corrente responde por quase 60% dos votos do Diretório Nacional, que tem 84 membros. Outra tendência que apoiou a reabilitação foi a Movimento PT, que tem 10 cadeiras no colegiado.
Dentro da política petista, as correntes mais à esquerda, como a Democracia Socialista e a Militância Socialista, se opuseram ao retorno. Tendência influente, a Mensagem ao Partido, do governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, se dividiu. Discutido a portas fechadas, o tema ainda causa constrangimento à maior parte dos petistas. O próprio presidente eleito da legenda, o deputado estadual Rui Falcão (PT-SP), preferiu tergiversar sobre o retorno do ex-tesoureiro. “Não acho que seja vantagem nem uma desvantagem”, declarou.

Tempo
Aprovada ontem, a volta de Delúbio era dada como certa desde a quinta-feira, quando ele foi recebido em jantar na casa da senadora Marta Suplicy. “Eu mesma votei contra o Delúbio no passado. Mas, agora, o tempo passou e os erros que ele cometeu, o sofrimento e a execração pública já foram uma punição suficiente”, afirmou Marta. Assessor Especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia fez coro. “Não acho que o Delúbio seja uma pessoa corrupta. Não fez nada em benefício próprio. Houve gestão temerária que trouxe enormes prejuízos. Mas o tempo passou.”
Presidente de honra do partido, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva evitou o encontro do diretório nacional do PT, mesmo estando em Brasília. Chegou-se a especular a participação dele no encontro como sinal de apreço a José Eduardo Dutra. Lula, porém, preferiu não comparecer — e evitar o desgaste com a volta de Delúbio. Em ocasiões anteriores, ele defendeu o retorno do ex-tesoureiro, sob argumento de que não existiria prisão perpétua no Brasil.

29 de abr de 2011

Presidente do Conselho de Ética do Senado também assinou atos secretos

BRASÍLIA - O novo presidente do Conselho de Ética do Senado, João Alberto Souza (PMDB-MA), assinou atos secretos quando era membro da Mesa Diretora da Casa, entre 2003 e 2007. O nome do senador aparece chancelando boletins sigilosos de criação de novos cargos, aumento de salários e concessão de benefícios para servidores e senadores.

Em 2009, quando a existência desses atos secretos foi revelada pelo Estado, o nome de João Alberto, homem de confiança do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ficou de fora do escândalo porque na ocasião ele não era mais senador, mas vice-governador de Roseana Sarney no Maranhão.

A reportagem fez um pente-fino nos atos reconhecidos pelo próprio Senado como não publicados e encontrou o aval oficial do novo presidente do Conselho de Ética para a aprovação dessas medidas quando ele era primeiro-suplente da Mesa Diretora, entre 2003 e 2005, e segundo-secretário, de 2005 a 2007.

O nome do senador está registrado, por exemplo, no ato secreto de 20 de dezembro de 2006 que transformou 14 cargos de confiança de R$ 1,6 mil mensais (valores atualizados) em vagas de R$ 12,2 mil. Naquele mesmo dia, uma outra medida, também não publicada na época, concedeu gratificação nos salários dos chefes de gabinetes - benefício cancelado só três anos depois.

Além do nome registrado nos boletins como membro da Mesa, a ata desta reunião confirma a presença do novo presidente do Conselho de Ética no dia em que foi tomada essa decisão. Na época, o presidente do Senado era Renan Calheiros (PMDB-AL), agora recém-indicado por seu partido para compor o conselho.

27 de abr de 2011

Jovens de Belém fazem fila para ingressar na carreira militar

Mais de 300 jovens foram a uma junta militar no Centro de Belém. Muitos chegaram na noite de terça-feira (26) para conseguir as 150 senhas que serão distribuídas hoje. Na sexta (29), termina o prazo do alistamento do serviço militar obrigatório em todo o país.
No Norte, costuma ser grande a procura para ingressar nas Forças Armadas. No ano passado, mais de 90% dos jovens que se alistaram no Pará e no Amapá se interessaram pela carreira militar, na disputa por 2,5 mil vagas.
Para se alistar, é preciso trazer foto, certidão de nascimento, RG e comprovante de residência. Quem não estiver em dia com a obrigação militar fica impedido, por exemplo, de tirar passaporte, conseguir emprego ou prestar concurso público.

23 de abr de 2011

21 de abr de 2011

Onde passa boi, passa boiada

BRASÍLIA - Há algo de realmente preocupante na articulação do governo para a Copa de 2014, quando o Ipea diz, por exemplo, que, ao mesmo tempo, a Infraero não conseguiu gastar 44% do orçamento previsto para as obras nos aeroportos e não conseguiu cumprir o cronograma. Se havia dinheiro e onde gastar, por que não foi gasto?

Há também algo estranho quando a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, anuncia a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) para 2012 e ali não há nadica de nada para agilizar as obras e garantir que a Copa saia a contento. Aliás, nem a Copa nem a Olimpíada.

A oposição suspeita que tudo isso embuta uma grande jogada, não no campo do futebol, mas em outros campos bem mais pantanosos. Seria um chute na Lei das Licitações, que chateia e atrasa, mas é um freio para ambições descabidas e roubalheiras em geral.

O pretexto seria, ou será, que é preciso tirar burocracia e adicionar agilidade para reformar ou construir aeroportos, estradas, metrôs. Mas é aí que mora o perigo. Você flexibiliza o processo e acaba afrouxando os mecanismos de controle. Onde passa boi, passa boiada.

A oposição também teme que, além de jogar a Lei das Licitações para o alto, governistas estejam maquinando algo muito pior: usar a Copa para fazer caixa de campanha para o PT e os partidos aliados.

Longe da gente pensar uma coisa assim, não é mesmo? Mas, por via das dúvidas, é bom lembrar que o detalhe mais atordoante de todo esse campeonato é que 2014 não é só ano da Copa, mas também ano das eleições gerais. O que estará em jogo será um novo mandato para Dilma (ou Lula), além de todos os governos estaduais, Câmara e boa parte do Senado.

Dilma deve ter o máximo de cuidado. Não apenas para se prevenir contra escândalos, mas também para evitar suspeitas, porque elas são como coceira: quando começam, não passam. Já está coçando.

15 de abr de 2011

14 de abr de 2011

Nove aeroportos não devem ficar prontos para a Copa, aponta Ipea

Ao menos 9 dos 13 aeroportos brasileiros que estão em obras para a Copa de 2014 não devem estar prontos a tempo de receber o evento. Essa é a conclusão do estudo “Aeroportos no Brasil: investimentos recentes, perspectivas e preocupações”, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) nesta quinta-feira (14). “Constata-se uma situação preocupante, uma vez que os prazos estimados pela Infraero dificilmente serão cumpridos”, diz a nota. Os aeroportos cujas obras não devem terminar em tempo hábil, de acordo com o Ipea, são os de Manaus, Fortaleza, Brasília, Guarulhos, Salvador, Campinas, Cuiabá, Confins e Porto Alegre. No caso de Curitiba, o Ipea diz que o aeroporto tem condições de ficar pronto para a Copa de 2014, “se não houver qualquer atraso no cronograma previsto”. No Galeão, a situação operacional é considerada adequada, enquanto no Recife as obras se referem apenas à construção de uma torre de controle. Para chegar a essas conclusões, o Ipea se baseou no prazo médio de execução de obras públicas de infraestrutura, que, segundo o instituto, é de 92 meses, ou seja, mais de 7 anos. “Toda obra de infraestrutura de grande porte no Brasil deve cumprir uma série de etapas até sua finalização. Inicialmente, há a elaboração do projeto, seguida da liberação da licença ambiental por parte do Ibama, da aprovação do TCU quanto à adequação de custos, da licitação e, finalmente, das obras”, destaca o estudo. Críticas da Fifa A qualidade dos aeroportos no país foi alvo de críticas do presidente da Federação Internacional de Futebol Associado (Fifa), Joseph Blatter, no final de março. Ele manifestou descontentamento com a lentidão dos trabalhos em torno do mundial ao dizer que “a Copa do Mundo é amanhã, e os brasileiros pensam que é depois de amanhã”. O ministro do Esporte, Orlando Silva, respondeu a crítica: “Para o governo, a Copa é hoje. Temos urgência. Ninguém está mais preocupado com a realização do mundial da Fifa do que o Brasil.” Cerca de duas semanas depois, Blatter voltou atrás e destacou os avanços das obras: " Recebi relatórios muito positivos sobre o andamento dos preparativos para o Mundial, especialmente na construção de estádios", afirmou. Sobrecarga O estudo do Ipea ressalta ainda que, dos 13 aeroportos com investimentos previstos para a Copa de 2014, 10 estariam operando acima de sua capacidade já em 2014, dentre eles Guarulhos, por exemplo. “A análise do plano de investimentos para os 13 aeroportos da Copa sugere que as obras foram planejadas com subdimensionamento da demanda futura.” Segundo o Ipea, parte do problema nos aeroportos do país se deve à falta de investimentos em infraestrutura, “que deixaram de ser feitos por mais de 20 anos”. Depois, o bom desempenho da economia brasileira, especialmente a partir da segunda metade da década de 2000, “se, por um lado, representou a melhoria de indicadores sociais como a geração de emprego e renda, por outro lado os gargalos da infraestrutura brasileira tornaram-se mais evidentes”. O instituto destaca que, embora os investimentos públicos no setor aéreo tenham se elevado de R$ 503 milhões em 2003 para mais de R$ 1,3 bilhão em 2010, as informações sobre as taxas de ocupação dos terminais de passageiros mostram necessidades de investimentos futuros ainda maiores. “Isso mostra que o setor continua sendo planejado com o olho no espelho retrovisor em vez de se preparar para 40 anos à frente.” Baixa eficiência O estudo do Ipea diz ainda que é preciso aprimorar a gestão da Infraero. “Apesar de insuficiente, a Infraero possui um plano de investimentos de R$ 1,4 bilhão ao ano (entre 2011 e 2014) para 13 aeroportos brasileiros, visando a Copa de 2014. Isso representa mais do triplo da média anual investida entre 2003 e 2010 pela empresa, que foi de R$ 430 milhões. Porém preocupa a baixa eficiência na execução dos programas de investimentos, que na média do período realizou apenas 44% dos recursos previstos.” O Ipea conclui o estudo dizendo que medidas que melhorem a gestão dos aeroportos e o nível de investimentos têm que ser tomadas. “A iniciativa privada investe recursos nos demais modais de transporte (rodoviário, ferroviário e aquaviário). Apenas para o setor aeroportuário não há investimentos privados.”

13 de abr de 2011

Governo quer pôr chip em armas de fogo

O Ministério da Justiça quer implantar um sistema inteligente de identificação de armas de fogo no país e discute uma lei para forçar a indústria a fornecer o "DNA" de toda a sua produção. A principal medida é obrigar a instalação de chips para rastrear a circulação de armas. A ideia surgiu após a tragédia que vitimou, na semana passada, 12 jovens numa escola no Rio de Janeiro. "Isso nos ajudaria a desvendar homicídios e a identificar a arma que deu o tiro", disse à Folha o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. "Teríamos mais facilidade nas investigações." Segundo Cardozo, a exigência do chip valeria tanto para as armas produzidas no Brasil quanto para as importadas. Hoje, esses artefatos têm um número de registro, frequentemente raspado para impedir a identificação, como ocorreu no massacre de Realengo. "O chip dará todo o histórico da arma, sendo muito difícil destruí-lo. Esse custo ficaria com a indústria", disse. No caso do "DNA", os fabricantes teriam de guardar as informações do "primeiro tiro", dado ainda na fase de pré-venda do produto. "Esse primeiro tiro guarda importantes informações sobre a arma, permitindo identificar, no futuro, de que arma o explosivo saiu", afirmou ele. As duas medidas terão de passar pelo Congresso Nacional. O chip já é usado nos Estados Unidos e na Austrália, enquanto a técnica do DNA é praticada na Alemanha, Holanda, Noruega e nos EUA, diz o Ministério da Justiça. O ministro afirmou que a proposta de realizar um plebiscito sobre a proibição do comércio de armas no país "é assunto do Congresso Nacional, não do governo". Ele reconhece, porém, que a tragédia no Rio reacendeu o debate sobre desarmar a população, precipitando para maio uma campanha nacional sobre o tema. Sem recursos suficientes para a iniciativa, o ministro da Justiça pede a ajuda da mídia. "Vamos ver se sensibilizamos os órgãos de comunicação para que nos auxiliem nessa propaganda", disse. O governo federal dará uma quantia em dinheiro aos portadores que entregarem suas armas. O valor pode ser maior que R$ 300, o máximo pago hoje. A proposta de recolher também as munições encontra uma barreira: a lei só trata de armas. A pasta discute alternativas.

10 de abr de 2011

Gasto com carro permite comprar outro em 3 anos

O carro zero sempre ocupou as primeiras posições na lista de desejos da maioria da população. Mesmo com as facilidades e oportunidades oferecidas pelas montadoras e concessionárias, no entanto, o sonho de consumo pode se tornar pesadelo se os compromissos financeiros com o novo patrimônio não forem computados no orçamento. Os custos mensais com um carro popular, na faixa de R$ 25 mil a R$ 28 mil, ultrapassam R$ 900 . O valor pode aumentar consideravelmente se a opção for pelo financiamento. Ou seja, em menos de três anos da data da compra é possível adquirir um similar apenas utilizando o dinheiro das despesas com o veículo. O proprietário de um carro zero também é responsável por uma série de contas obrigatórias para que o veículo rode em perfeito estado e de acordo com a lei, como combustível, seguro, Imposto sobre Propriedade de Veículo Automotor (IPVA), licenciamento e manutenção. Há, ainda, outros gastos variáveis, como eventuais multas, reparos, estacionamento e lavagem, que fazem parte do pacote de quem não quer optar por outro modal. “Além dos custos, existe a questão da depreciação do veículo, que pode chegar, em média, a 15% ao ano nos três primeiros anos, e o fato de que o dinheiro utilizado na compra poderia estar rendendo no banco. Considerando todos esses fatores, o mais vantajoso para a pessoa é gastar R$ 40 por dia andando de táxi”, aponta Gustavo Cerbasi, consultor financeiro e autor do livro Como organizar sua vida financeira, entre vários outros títulos ligados às finanças pessoais. “Ter a vida financeira mais flexível, sem compromissos fixos, é mais interessante e fácil de administrar”. Ainda de acordo com o especialista, o cálculo pode ser estendido para os automóveis que custam até R$ 45 mil reais. “Os carros de luxo estão fora porque os donos não tem essa preocupação. A análise vale para pessoas das classes B e C”, diz Cerbasi. Para o arquiteto do programa de gestão urbana da PUC Clóvis Ultramari, quecompanha a mesma opinião, Curitiba é uma cidade que permite a combinação de táxi e ônibus. “É irracional chegar de carro ao Centro. Curitiba permite que as pessoas façam muitas combinações e evitem a qualquer custo o automóvel”, afirma. Instrumento de trabalho Mesmo com gastos elevados na manutenção e conservação do automóvel, alguns proprietários têm no veículo uma ferramenta importante no seu dia a dia. O técnico em informática Adriano Carlos Pacher percorre diariamente cerca de 100 quilômetros por conta dos seus compromissos profissionais e algumas tarefas pessoais. “Eu visito uma média de seis clientes por dia em várias partes da cidade, além de levar e buscar a minha filha na escola e ir para academia de natação. Sem carro seria impossível trabalhar, tanto que, no mês que fiquei sem carro, peguei um emprestado”, explica. Os gastos com o modelo Uno, escolhido propositalmente por ser um carro econômico, chegam aos R$ 800 mensais, sendo metade apenas com combustível. Em determinados períodos, quando é época de revisão ou há gasto extra com estacionamento, o valor ultrapassa os R$ 1 mil. “Mesmo assim, não consigo cogitar a minha vida sem carro”, ressalta Pacher. “Se fosse fazer as visitas aos clientes de táxi, parte considerável do valor cobrado seria consumida. E, de ônibus, eu perderia muito tempo e só conseguiria cumprir metade dos compromissos”.

8 de abr de 2011

ONU encontra mais de cem corpos na Costa do Marfim

GENEBRA - Investigadores da Organização das Nações Unidas (ONU) encontraram mais de cem corpos nas últimas 24 horas no oeste da Costa do Marfim, no que pareciam ser homicídios por motivações étnicas, afirmou nesta sexta-feira, 8, o escritório de direitos humanos da entidade. "A equipe de direitos humanos investigando no oeste da Costa do Marfim encontrou mais de cem corpos nas últimas 24 horas em três localidades", disse Rupert Colville, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos. "Todos os incidentes parecem ter pelo menos em parte motivação étnica." Cerca de 40 corpos foram encontrados em Blolequin, a oeste de Duekoue, e os autores dos crimes "parecem ser mercenários liberianos". "A equipe também foi à cidade vizinha de Guiglo, onde eles viram mais de 60 corpos", afirmou o porta-voz. Algumas das vítimas pareciam não ter nascido na Costa do Marfim, mas eram de outros países do oeste africano. Outros 15 corpos foram encontrados em Duekoue. Anteriormente, haviam sido encontrados 229 corpos nesta cidade. "Há muito de um elemento étnico existente nisso", afirmou Colville, notando que algumas vítimas foram queimadas vivas, enquanto outras foram lançadas ao chão de prédios. Colville disse que é preciso cautela antes de se apontar os culpados. Mas reconheceu que o recente impasse político no país causou tensões étnicas na região. "Certamente, houve uma escalada nas duas últimas semanas." Nesta sexta, o Ministério das Relações Exteriores da França afirmou que a era do líder político Laurent Gbagbo acabou na Costa do Marfim. O rival político dele, Alassane Ouattara, bloqueou Gbagbo em sua residência. "Nós entramos na era pós-Gbagbo . O fim agora está à vista", disse o porta-voz da chancelaria Bernard Valero a jornalistas. "A era Gbagbo acabou." Segundo o porta-voz, o ministro das Relações Exteriores francês, Alain Juppé, falou na manhã de hoje com Ouattara, apontado como vencedor das eleições presidenciais de novembro. As forças de Ouattara tomaram a cidade de Abidjã, principal do país, para confrontar Gbagbo. O porta-voz negou que forças da França - que foram enviadas a Abidjã para apoiar a missão de mantenedores de paz da ONU - estivessem envolvidas no cerco à residência de Gbagbo. "Ele está em seu porão", disse Valero sobre Gbagbo, que se recusa a entregar o poder, apesar de perder o controle da cidade.

6 de abr de 2011

Brasil decide se adere à Unasul

Está marcada para hoje à tarde, na Câmara dos Deputados, a votação que deve acelerar a entrada do Brasil na União das Nações Sul-Americanas (Unasul), novo bloco regional que pretende reunir doze países da América do Sul. A proposta já foi debatida em duas comissões, mas aguarda a análise em plenário há cerca de um ano. Se for aprovada segue para o Senado. Questionamentos sobre o pa­­pel da instituição e críticas ao seu posicionamento ideológico vêm atrasando a adesão oficial do país à entidade.Inspirada nos moldes da União Europeia, a Unasul deve agir co­­mo entidade de coordenação política, econômica e social na região. Além da sede central, em Quito, no Equador, contará com um parlamento em Cochabamba, na Bolívia, formado por congressistas de todos os países membros, e com o Banco do Sul, instituição de apoio financeiro localizada em Caracas, na Venezuela. Ideias como a criação de uma força militar para o continente e a implantação de uma moeda única estão na pauta da organização. Embora tenha sido oficialmente criada em 2008, com a assinatura do Tratado Cons­­ti­­tu­­tivo, em Brasília, a Unasul só ganhou personalidade jurídica no mês passado depois de ter atingido o número mínimo de nove ratificações, sendo o Uru­­guai o nono país a aprovar o documento. Entre os estados que assinaram o tratado apenas Paraguai e Brasil ainda não confirmaram sua adesão. Brasil Um dos motivos que têm levado a oposição no Brasil a bloquear os trâmites do tratado é o possível enfraquecimento de outros blocos já constituídos, como o Mercosul e a Comunidade An­­dina. Para o professor de relações internacionais do UniCuritiba, Rafael Pons Reis, o risco existe mas não é imediato. “A Unasul tem muitos passos a serem dados, enquanto o Mercosul já tem alguma maturidade. Vai demorar para que as demandas tratadas lá sejam incorporadas pelo novo bloco”, diz o professor. A possível aprovação do tratado não deve trazer a curto prazo mudanças significativas para o Brasil, mas, como maior potência econômica do bloco, o país tende a se fortalecer como líder regional. “O Brasil influenciou muito no modelo institucional da Unasul e não pretende fazer filantropia com os outros países. Vai usar a oportunidade para crescer”, afirma Reis, que considera improvável que o país venha a fazer concessões às nações mais pobres da região. Ideologia O fato de iniciar as atividades com sedes estratégicas no Equador, Bolívia e Venezuela, países com governos de esquerda ideologicamente alinhados, a Unasul ganhou a desconfiança dos setores de direita em todo o continente. Em setembro de 2009, em um encontro de ministros de Defesa, a Colômbia ameaçou abandonar a iniciativa após ser pressionada a dar explicações sobre um pacto militar firmado entre o país e os Estados Unidos. No intuito de afastar suspeitas de ações totalitárias, no encontro dos chefes de Estado na Guiana, em novembro de 2010, a cúpula da Unasul emitiu um documento no qual garante o compromisso de todos os membros com os direitos humanos e a democracia. A presença da Venezuela gerou críticas. “Ainda podemos considerar a Venezuela uma democracia ? A questão torna discutível o que foi declarado”, diz Augusto Dergint do Amaral, professor de direito internacional na PUC. Para Amaral, as dúvidas quanto ao peso da influência ideológica são inevitáveis, pois a proposta tem muito do conteúdo da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba), projeto de cooperação internacional idealizado pelo presidente venezuelano Hugo Chávez. Homenagem Sede da organização levará o nome de Néstor Kirchner O governo do Equador informou que a sede permanente da Unasul, em Quito, levará o nome de seu primeiro secretário-geral, o falecido ex-presidente argentino Néstor Kirchner. Eleito em maio de 2010, Kirchner permaneceu na função até 27 de outubro, quando morreu vítima de uma parada cardiorrespiratória. Uma de suas principais ações no cargo foi a mediação do conflito entre Colômbia e Venezuela, que haviam rompido relações depois de denúncias envolvendo a suposta presença das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território venezuelano. No dia 11 do mês passado, devido à falta de consenso na escolha de um substituto, a Unasul optou por um revezamento entre a ex-ministra das relações exteriores da Colômbia María Emma Mejía, e o atual ministro de Energia Elétrica da Venezuela, Alí Rodríguez Araque. Mejía inicia o mandato neste ano e será sucedida por Araque em 2012.

4 de abr de 2011

Recuperação de restos do voo 447 deve começar em um mês

Os trabalhos para a recuperação dos restos humanos encontrados nos destroços do voo 447, da Air France, devem ser iniciados em cerca de um mês, segundo informações dos investigadores que trabalham nas buscas. O avião, que fazia o trajeto entre Rio e Paris, caiu na noite de 31 de maio de 2009 (pelo horário brasileiro) com 228 pessoas a bordo. A descoberta de novos destroços da aeronave ocorreu no domingo (3). A ministra francesa dos Transportes, Nathalie Kosciusko-Morizet,disse que se trata de "uma parte importante do avião" em declarações à rádio France Inter. Ela também confirmou a presença de corpos dentro de uma grande parte da fuselagem. "Em três semanas ou um mês começará a fase de resgate da aeronave", disse Kosciusko-Morizet. A nova fase de buscas é a quarta realizada, e responde ao desejo dos familiares das vítimas, que consideram que achar os restos é imprescindível para conhecer as causas do acidente. Segundo os familiares, as três operações anteriores não foram feitas com o rigor necessário e terminaram sem sucesso ao não achar as caixas-pretas. As buscas cobrem uma área de 10 mil km2. Nesta etapa, são usados três submarinos robôs do modelo Remus --dois da fundação americana Waitt e um do instituto alemão Geomar. Com quatro metros de comprimento e pesando 800 kg, ele são capazes de chegar a 4.000 metros e têm sensores que podem detectar qualquer material da aeronave.

3 de abr de 2011

Gasto público no trimestre contraria discurso de Dilma

Encerrado o primeiro trimestre do mandato de Dilma Rousseff, o retrato das contas públicas contraria seu discurso na campanha. Gastos com investimentos caíram. As despesas com salários, custeio da máquina pública e da rotina do governo subiram. Com pessoal e custeio, o governo gastou R$ 10 bilhões a mais no primeiro trimestre em comparação ao mesmo período de 2010. Incluindo gastos com juros, a soma chega a R$ 13,2 bilhões. Já em investimentos, a redução foi de pouco mais de R$ 300 milhões. Os dados foram lançados no Sistema Integrado de Administração Financeira e pesquisados pela ONG Contas Abertas. O governo, entretanto, discorda: "Nós estamos cortando o custeio administrativo, não estamos cortando os investimentos", disse Dilma em março, na Bahia, em inauguração de obra do PAC. Pressionados por uma conta bilionária herdada do ano eleitoral, os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não foram poupados pelo ajuste fiscal do governo Dilma Rousseff. Dos R$ 40,1 bilhões de gastos autorizados por lei para este ano, apenas 0,1% (R$ 54,4 milhões) foi pago no primeiro trimestre. No mesmo período, foram pagos R$ 5,4 bilhões de contas pendentes deixadas por obras e serviços contratados durante o governo Lula, parte deles ainda quando Dilma Rousseff comandava o PAC, na condição de ministra-chefe da Casa Civil. Levantamento. A liderança do PSDB, oposição ao governo, fez um levantamento do ritmo de execução das obras do PAC desde o início do programa, em 2007. Considerou os pagamentos feitos no ano e as contas pendentes deixadas naquele mesmo período para avaliar o desempenho do programa em cada ano. Em 2009, ano da série em que o ritmo do PAC teria sido mais acelerado, segundo os critérios usados pelo levantamento, os gastos atingiram 75,5% do valor autorizado pela lei orçamentária. Isso significa que o PAC, cujos projetos levam o carimbo de prioridade no governo, nunca tirou do papel todos os gastos autorizados por lei. O ano eleitoral de 2010 poderá ultrapassar o desempenho obtido em 2009 assim que o governo acabar de quitar as obras e serviços contratados no ano passado.

2 de abr de 2011

Relatório da PF confirma denúncia do mensalão

Relatório final da Polícia Federal sobre o escândalo do mensalão confirma que existiu o esquema de desvio de dinheiro público e uso para a compra de apoio político no Congresso. Com 332 páginas, o documento foi produzido por ordem de Joaquim Barbosa, o ministro que relata o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal. A PF entregou o relatório a Barbosa no final de fevereiro. O ministro já repassou o documento à Procuradoria Geral da República. O documento da PF é a mais importante peça produzida pelo governo federal sobre o mensalão. Mais rumoroso escândalo dos dois mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele foi revelado pela Folha em 2005. O relatório é um balde de água fria nos políticos e partidos que se esforçam para esvaziar a denúncia feita pela PGR em 2006 e acolhida pelo STF. O próprio ex-presidente Lula havia dito, ao deixar o Planalto, que iria provar que o mensalão "foi uma farsa". O julgamento no STF deve ocorrer no ano que vem. São 38 réus, entre eles o ex-ministro José Dirceu. O relatório da PF confirma que houve o esquema de corrupção. Diz que agências e outros negócios do publicitário Marcos Valério desviavam verba pública por meio de contratos superfaturados ou fictícios. O dinheiro ia parar na conta de políticos de cinco partidos, num reparte que era organizado pela cúpula do PT. O dinheiro, segundo confirma a PF, era destinado ao financiamento de campanhas eleitorais ou ao uso pessoal desses políticos. A Folha procurou neste sábado a Polícia Federal, a Procuradoria Geral da República, o ministro Joaquim Barbosa e o Ministério da Justiça. Eles não quiseram fazer comentários sobre o conteúdo do relatório da PF.

1 de abr de 2011

Exército manda que general se cale sobre 64

Palestra com o tema "A contrarrevolução que salvou o Brasil" é cancelada por ordem do comandante da força Roberto Maltchik BRASÍLIA. O Comando do Exército abortou na última hora uma palestra com potencial explosivo do diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT), general Augusto Heleno, cujo tema seria "A contrarrevolução que salvou o Brasil", em referência ao 31 de março de 1964, data que marca o início da ditadura militar. A apresentação do general estava confirmada até as 17 h de quarta-feira, quando chegou a ordem do comandante do Exército, Enzo Peri, determinando o cancelamento do evento. A apresentação ocorreria no mesmo dia em que Heleno, liderança expressiva na caserna, foi para a reserva. Primeiro comandante brasileiro no Haiti, o general Heleno preferiu silenciar sobre o conteúdo da palestra e também sobre os motivos pelos quais o evento foi cancelado. Disse apenas que cumpriu ordem superior: - Recebi ordem. Sou militar, recebo ordem. Hierarquia e disciplina. Recebi a ordem ontem, no final da tarde. Tem uma frase famosa: nada a declarar - afirmou Heleno. O general Heleno se limitou a dizer que a abordagem seria exclusivamente "31 de março de 1964", mas não quis entrar em detalhes sobre o contexto histórico que seria levado aos colegas de farda. Nas redes sociais, militares se preparavam para o "desabafo de Heleno". Um oficial ouvido pelo GLOBO disse que o depoimento era aguardado com "grande expectativa". Jobim já havia determinado que não houvesse atos Nesta semana, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, determinou aos comandantes das três Forças que não houvesse qualquer ato que exaltasse a data que deu início ao regime militar. Entretanto, como Heleno é general de quatro estrelas com grande destaque na tropa, coube ao comandante Enzo Peri a tarefa de impedir sua manifestação, às vésperas de sua aposentadoria. Quanto às comemorações nos clubes militares, o ministério avalia que não tem como evitar ou tentar coibir manifestações de oficiais da reserva que estavam na ativa naquele período. O silêncio do quartel no dia da "contrarrevolução" - referência dos militares ao combate à "revolução comunista" que estaria em curso nos anos 1960 - foi imposto para evitar o acirramento dos ânimos, em pleno debate público sobre a criação da Comissão da Verdade, projeto que está tramitando no Congresso. Como O GLOBO revelou, o Comando do Exército chegou a elaborar um documento em que condenava a criação da comissão, idealizada para encontrar informações sobre os desaparecidos políticos durante o regime militar. O mês da "contrarrevolução" foi excluído do site do Exército. As "comemorações" se limitaram a um ato no último dia 25 de março, no Clube Militar do Rio de Janeiro. Segundo o próprio general Heleno, a programação da palestra não tem "absolutamente" nenhuma relação com sua exoneração, publicada no Diário Oficial da União em 29 de março. Heleno explicou que sai da ativa compulsoriamente, após 12 anos na mais alta patente do Exército. Mesmo na reserva, ele continuará à frente da Diretoria de Ciência e Tecnologia até 14 de maio, quando será substituído pelo general Sinclair James Mayer, atual diretor de Material do Exército. Heleno criticou política indigenista de Lula Em 2008, o general Augusto Heleno causou polêmica, depois de ter criticado a política indigenista do governo Lula, classificada por ele de lamentável e caótica, e afirmou que estava preocupado com a soberania brasileira diante da presença de organizações internacionais na área. GEN 78 QUEM VAI CHUTAR O PAU DA BARRACA OU VÃO SER SEMPRE MELANCIAS?????????????