22 de set de 2017

Adriana Ancelmo usufruiu como poucos no mundo do prazer do dinheiro, diz juiz

Ex-primeira-dama é acusada de lavar dinheiro de corrupção do marido por meio de seu escritório de advocacia

Adriana Ancelmo usufruiu como poucos no mundo do prazer do dinheiro, diz juiz Divulgação
Rio - Na sentença que impôs 18 anos e 3 meses de prisão por lavagem de dinheiro e organização criminosa à advogada Adriana Ancelmo, mulher do ex-governador do Rio Sérgio Cabral, o juiz federal Marcelo Bretas apontou que a ex-primeira-dama "usufruiu como poucas pessoas no mundo os prazeres e excentricidades que o dinheiro pode proporcionar". Sérgio Cabral foi condenado a 45 anos e 2 meses de prisão pelos mesmos crimes atribuídos à mulher e também por corrupção passiva
"Adriana Ancelmo era, ao lado de seu marido, mentora de esquemas ilícitos perscrutados nestes autos. Foi também diretamente beneficiada com as muitas práticas criminosas", afirmou o juiz da 7ª Vara Federal do Rio.
"Ao lado de seu marido, ora apenado, usufruiu como poucas pessoas no mundo os prazeres e excentricidades que o dinheiro pode proporcionar, quase sempre a partir dos recebimentos que recebeu por contratos fraudulentos celebrados por seu escritório de advocacia, com o fim de propiciar que a organização criminosa que integrava promovesse a lavagem de capitais que, em sua origem, eram fruto de negócios espúrios."
Marcelo Bretas anotou que, ao lado do peemedebista, a ex-primeira-dama "não raras vezes desfilou com pompa ostentando o título de primeira-dama do Estado do Rio de Janeiro, na mesma época em que recebia vultosas quantias 'desviadas' dos cofres públicos, com lastro em documentos forjados para dissimular a origem ilícita".
O juiz da Lava Jato, no Rio, determinou a sentença que Adriana seja mantida em prisão domiciliar. Neste processo, a ex-primeira-dama é acusada de lavar dinheiro de corrupção do marido por meio de seu escritório de advocacia.
"A arquitetura criminosa montada na intimidade de seu escritório de advocacia era de muito difícil detecção, e não por acaso durante muitos anos esta condenada (Adriana Ancelmo) logrou evitar fossem tais esquemas criminosos descobertos e reprimidos", anotou Bretas.
"Em razão da autoridade conquistada pelo apoio de vários milhões de votos que foram confiados ao seu marido, o ora condenado Sergio Cabral, e ao lado deste, empenhou sua honorabilidade para seduzir empresários a falsear operações empresariais e promover atos de lavagem ou branqueamento de valores, razão pela qual a sua culpabilidade é extremamente elevada."
Marcelo Bretas destacou que Adriana Ancelmo representou o Estado do Rio em solenidades oficiais com o marido. "Não obstante, optou por agir contra a moralidade e o patrimônio públicos", afirmou. "Negativas são também as consequências dos crimes de lavagem de dinheiro pelos quais Adriana Ancelmo foi condenada, sobretudo pela mensagem depreciativa que passa ao mundo, associando a imagem deste Estado a práticas hodiernamente repudiadas no mundo civilizado. Seu comportamento vergonhoso tem ainda o potencial de macular a imagem da advocacia nacional, posto que sua atividade e sua estrutura profissional foram utilizadas nesta pratica criminosa."
O magistrado destacou ainda que o "comportamento criminoso" de Adriana Ancelmo "seja o responsável pela excepcional crise econômica vivenciada por este estado". No entanto, afirma o juiz, "é indubitável que os episódios como os tratados nestes autos diminuíram significativamente a legitimidade das autoridades estaduais na busca para a solução da crise atual".
Sérgio Cabral está preso desde novembro do ano passado. O ex-governador do Rio está custodiado em um presídio em Benfica, na capital fluminense.
Neste processo, o Ministério Público Federal apontou corrupção e lavagem de dinheiro usando obras do governo do estado que receberam recursos federais a partir de 2007. A força-tarefa da Lava Jato, no Rio, identificou fraudes sobre as obras de urbanização em Manguinhos (PAC Favelas), construção do Arco Metropolitano e reforma do estádio do Maracanã para a Copa de 2014.
Bretas determinou que sejam mantidos presos, além de Cabral, os condenados Wilson Carlos (ex-secretário de Governo), Hudson Braga (ex-secretário de Obras) e Carlos Miranda (apontado como operador do esquema).
Mesmo também condenados, tiveram as prisões revogadas os réus Luiz Carlos Bezerra, José Orlando Rabelo, Wagner Jordão Garcia, Luiz Paulo Reis e Paulo Fernando Magalhães Pinto Gonçalves. O réu Pedro Miranda foi absolvido.
Esta é a segunda condenação de Sérgio Cabral na Lava Jato. Em junho, o juiz Moro o condenou a 14 anos e 2 meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. O peemedebista foi acusado por propina de pelo menos R$ 2,7 milhões da empreiteira Andrade Gutierrez, entre 2007 e 2011, referente as obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), da Petrobras.
Defesas
"A defesa de Adriana Ancelmo, inconformada com a sentença, dela irá recorrer, assim que intimada pelos meios processuais pertinentes, uma vez que os argumentos levantados em alegações finais, que conduziriam à sua absolvição, foram ignorados pelo juiz", diz o advogado Renato de Moraes, que defende a ex-primeira-dama.
Rodrigo Roca, que Defende Sérgio Cabral, também se manifestou. "Vamos recorrer. Sabemos que o juiz Marcelo Bretas, que já não tem imparcialidade para julgar nenhuma causa do ex-governador, vai condenar. De maneira que nós estamos preparando os recursos para os órgãos de jurisdição superior. (...) O Tribunal ainda não decidiu sobre nosso pedido de afastamento do juiz das causas", disse o advogado em nota.

21 de set de 2017

Japão apoia EUA em eventual ação militar contra a Coreia do Norte

Japão apoia EUA em eventual ação militar contra a Coreia do Norte
O líder norte-coreano, Kim Jong-Un (C), inspeciona o que o regime de Pyongyang afirma que era uma bomba de hidrogênio miniaturizada - KCNA VIA KNS/AFP
O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, apoiou nesta quarta-feira (20) a posição dos Estados Unidos em um eventual uso da força contra a Coreia do Norte, ao considerar que o tempo do diálogo sobre o programa armamentista do país se esgotou.
Em discurso na Assembleia Geral da ONU, Abe disse que “não há muito mais tempo disponível” para tomar medidas contra Pyongyang, que nas últimas semanas detonou uma bomba nuclear sem precedentes e disparou uma série de mísseis que sobrevoaram o território japonês.
“Apoiamos em consequência a posição dos Estados Unidos de (que) ‘todas as opções estão sobre a mesa'”, disse Abe, um dia depois de o presidente americano, Donald Trump, ameaçar “destruir totalmente” a Coreia do Norte em caso de ataque.
Abe disse que a comunidade internacional tentou muitas vezes chegar a um acordo negociado com a Coreia do Norte.
“Mais de uma vez, as tentativas de resolver os problemas através do diálogo se reduziram a nada. Em que esperança de êxito estamos repetindo o mesmo fracasso pela terceira vez?”, disse.
“O que se necessita para fazer isso não é diálogo, mas pressão”, acrescentou.
O premiê japonês mostrou-se alarmado pelos avanços militares norte-coreanos que, segundo disse, põem o regime de Kim Jong-Un próximo a dominar as bombas de hidrogênio e os mísseis balísticos intercontinentais, que poderiam alcançar os Estados Unidos.
O Conselho de Segurança da ONU aprovou na semana passada a oitava série de sanções para pressionar Pyongyang a renunciar a seus programas balístico e nuclear proibidos.
Abe exigiu a aplicação estrita destas sanções, que preveem um embargo sobre as exportações de gás para a Coreia do Norte, uma limitação nas exportações de petróleo e de produtos refinados e a proibição das exportações norte-coreanas de produtos têxteis.
Mas anos de sanções tiveram efeitos limitados na Coreia do Norte, que apela à sua autossuficiência e conta com a vizinha China como salvaguarda econômica.

20 de set de 2017

Raquel Dodge troca integrantes da Lava-Jato

Da força-tarefa que trabalhou com o ex-PGR, oito procuradores deixarão as investigações

Raquel Dodge também designou a procuradora Vanessa Scarmagnani para acompanhar o caso da delação do ex-governador de Mato Grosso ( FOTO: AFP )


Brasília. A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, efetivou a troca do grupo de trabalho da Lava-Jato montado para cuidar dos inquéritos que investigam autoridades com foro privilegiado e deixou na força-tarefa apenas dois dos dez procuradores que trabalharam com o ex-procurador-geral Rodrigo Janot. Raquel estabeleceu um prazo de 30 dias para que cinco desses ex-auxiliares de Janot ajudem na transição das investigações. Além disso, ela deixou especificado na decisão da montagem do novo time que os integrantes terão atribuição para instruir a assinatura de acordos de delação premiada.
Essas decisões são os primeiros atos da procuradora-geral no cargo em relação à Operação Lava-Jato, depois de assumir a função. No discurso de posse, na manhã de segunda-feira (18), ela fez sete referências ao combate à corrupção, sem mencionar a operação. A gestão de Raquel também terá foco em outras áreas, em especial a defesa dos direitos humanos.
As portarias com a montagem do grupo da Lava-Jato foram publicadas, ontem, no Diário Oficial da União. O grupo de trabalho de Lava-Jato na gestão de Raquel tem a seguinte composição: José Alfredo de Paula, coordenador do grupo; Raquel Branquinho, que também assume a função de secretária de Função Penal Originária no Supremo Tribunal Federal (STF), a quem o grupo se subordina; Marcelo Ribeiro de Oliveira, integrante tanto do grupo quanto da secretaria; Hebert Reis Mesquita; José Ricardo Teixeira; Luana Vargas; Maria Clara Barros; e Pedro Jorge do Nascimento. Os oito procuradores têm experiência em casos de combate à corrupção.
José Alfredo e Branquinho atuaram no caso do mensalão petista. Ele também atuou na Operação Zelotes, mesmo caso de Hebert. Da gestão de Janot ficaram apenas Maria Clara e Pedro Jorge, dois dos últimos a chegarem ao grupo da Lava-Jato.
Lava-Jato
O grupo terá dedicação exclusiva à Lava-Jato, como consta na portaria. Raquel estabeleceu cinco atribuições aos integrantes da força-tarefa: colher depoimentos e produzir provas que julgarem necessários; participar de audiências no STF; responder a expedientes ordinários encaminhados ao grupo; pedir documentos e informações necessários às investigações; e participar de instruções com foco na assinatura de acordos de delação premiada.
Delação
Fora da Lava-Jato, Raquel designou uma procuradora da República para acompanhar os desdobramentos da delação do ex-governador de Mato Grosso Silval Barbosa e da operação autorizada pelo STF que resultou em busca e apreensão na casa do ministro da Agricultura, Blairo Maggi.
A procuradora Vanessa Scarmagnani deve acompanhar a "análise do material apreendido, realizar oitivas e requerer diligências", indica outra portaria assinada por Raquel.
Quanto à Operação Lava-Jato no Rio de Janeiro, 11 delatores que tiveram o acordo homologado se comprometeram a pagar R$ 74 milhões em multas.
Entre os delatores estão os irmãos Marcelo e Renato Chebar, que apontaram contas do ex-governador Sérgio Cabral, do ex-secretário Wilson Carlos e do operador Carlos Miranda.

19 de set de 2017

Trump discute crise com Temer em NY

Em jantar com os líderes latinos, Trump exigiu a restauração “plena” da democracia no país comandado por Maduro
Trump
Chefe do Executivo do Brasil encontrou-se com o colega norte-americano Donald Trump, tendo discutido, entre os temas, a situação da vizinha Venezuela ( Foto: AFP )
Nova York. O presidente Michel Temer participou, ontem, de um jantar com o presidente dos EUA, Donald Trump. Outros líderes latino-americanos, como os presidentes de Colômbia e Panamá, também foram convidados. Trump disse na reunião que quer que a Venezuela restaure sua democracia. “Queremos que aconteça logo”, disse.
Trump exigiu a restauração “plena” da democracia e das liberdades políticas na Venezuela, no início de uma reunião com os governantes latino-americanos para tratar a crise nesse país.
Após salientar que os países presentes na reunião são “alguns dos maiores aliados” dos EUA no continente, Trump denunciou a “ditadura” imposta por Maduro. “A Venezuela foi um dos países mais ricos e agora está em colapso”, disse Trump. O presidente americano também agradeceu aos governantes presentes por “condenar” o regime de Maduro e dar um “apoio vital” ao povo venezuelano, ao alertar que seu governo está “preparado” para tomar outras medidas, sem detalhar quais.
O norte-americano afirmou que os EUA estão dispostos a dar passos adicionais se a Venezuela continuar num caminho autoritário, mas depois esclareceu que os líderes descartaram qualquer tipo de intervenção externa.
Temer chegou, na tarde de ontem, a Nova York, onde ocorre a 72ª Assembleia Geral das Nações Unidas. Hoje, pela manhã, Temer fará o discurso de abertura da assembleia, que tradicionalmente cabe ao Brasil. Temer se encontrará ainda com os líderes de Irã, Israel, Egito e Autoridade Palestina para discutir questões sobre o Oriente Médio.
Em sua estreia na ONU, Trump criticou, ontem, a “burocracia” que paralisa a organização, embora tenha destacado seu “grande potencial”, além de defender reformas.
No momento em que Temer chegou ao Lotte New York Palace Hotel, onde se encontraria com Trump, um grupo de sete pessoas gritava “fora, Temer”. Outro grupo segurava uma faixa dizendo que Trump e Temer “destroem a democracia”.

18 de set de 2017

Quem “matará” os facínoras?

Crédito: Luiz Cruz/Agência Brasil
REALIDADE Ministros de STF entram em sessão: eles, com a Constituição, “matarão” os facínoras (Crédito: Luiz Cruz/Agência Brasil)
Ainda nos machuca os ouvidos a frase “nós não vai ser preso”. Não é pelo maltrato ao idioma não, nem pela aberração da conjugação do verbo, porque isso até que passa e vira formalidade num País de treze milhões de analfabetos, quando o mais grave (muito mais grave) é o conteúdo da frase mesmo. E também ainda nos machuca as retinas o cariz de pretensão de impunidade com os quais o “nós não vai ser preso” nos foi lançado na cara. O dono da pérola, isso todo brasileiro com um fio de barba de vergonha sabe quem é, porque em gente boa dói mais, muito mais, coisas desse tipo: o senhor Joesley Batista, ex-todo-poderoso dono da J&F. As voltas que o mundo dá, e ele agora está trancafiado, por irônica cilada do destino, juntamente com o seu interlocutor no tosco diálogo que gerou a frase. O nome do parceiro de corrupção é Ricardo Saud, ex-alto diretor da empresa. O irmão de Joesley, Wesley, seguiu o mesmo caminho, aquele que tem levado muita gente a sair de suas mansões, por ordem judicial, e ir morar contrariado em cubículos de nove metros quadrados, sem vaso sanitário e sem água quente. Wesley está preso sob acusação de manipular o mercado financeiro.
Falou-se de retinas. E as nossas retinas absorvendo malas e caixas de dinheiro escondidas num apartamento em Salvador, como olhos nus olhando eclipse? Igualmente isso nos fere, igualmente isso nos dói: são os R$ 51 milhões do senhor Geddel Viera Lima, ele mesmo, o bebê chorão, que chora para o juiz, que chora para o carcereiro quando vão lhe raspar a cabeça na cadeia, mas não chora quando gatuna dinheiro do povo, quando conta dinheiro do povo, quando deixa suas lombrosianas digitais no dinheiro do povo. Ah, a dor de treze milhos de desempregados olhando a dinheirama roubada nos tempos em que ele foi vice-presidente do departamento de pessoa jurídica da Caixa Econômica Federal. Bom, muito bom, Geddel também está trancafiado.
FICÇÃO Cena de “O homem que matou o facínora”: a lei e a democracia vencem o tiro
Falou-se de povo. Eta povo, o quanto que essa palavra passa de boca em boca na turma do PT, como dela se apropriou a boca de Lula, do chefão da organização criminosa Lula et caterva – Lula, hoje réu em seis processos e com uma linha de montagem de denúcias e inquéritos contra si. A boca da coxa fala em povo, e não enlouquecemos não, não estamos falando que coxa tem boca, estamos dizendo é que essa coxa, apelido da presidente nacional do PT e senadora Gleisi Hoffmann no submundo da corrupção, também ela anda e desanda a falar de povo. E parece padecer de episódios persecutórios, acha agora que o lingua-nos-dentes Antonio Palocci entregou tudo o que sabia de podridão de Lula porque está a serviço da CIA (chora não, leitor; ou, pelo menos, chore de rir). Pois é, Lula e Palocci eram amigos até debaixo d’água ou debaixo de milhões de dólares, e hoje é o salve-se quem puder – depondo a Sergio Moro, Lula declarou que Palocci é “frio e calculista”. Como diz a população carcerária feminina, “quando o bicho abraça playboy, a língua de playboy não tem osso” – ou seja, um deda o outro, só falta fazê-lo por ordem alfabética. Palocci, o super agente secreto americano (tem mais jeito de KGB), não honrou o ensinamento do santo que inspirou sua mãe na hora de seu bastismo: Santo Antonio de Pádua. Pregava Antonio, o santo, não o Palocci: “se não puder falar bem de alguém, não fale nada”. Claro que é impossível falar bem de Lula. Então Palocci, mesmo sendo católico, resolveu falar para tentar aliviar a sua prisão. Eis, aqui, outro trancafiado.
Falou-se de organização criminosa. Inacreditável, as quadrilhas se entrelaçam, nunca se viu tanta corrupção, nunca se viu tantos milhões e bilhões desviados de cofres públicos. A impressão que dá, tamanha é a lama, é que se todas as cédulas de dinheiro pego da Viúva fossem colocadas lado a lado, com paciência de Jó se conseguiria organizá-las por sequência numérica. Como se disse, tudo se entrelaça, é um novelo. Olhe! É lama mesmo! Olhe! De onde saíram tantos facínoras? Na semana passada, Michel Temer disse que “facínoras roubam a verdade” no País. Ele se referiu apenas aos que o denunciam. ISTOÉ elege a expressão facínora em outro contexto bem mais amplo: refere-se a todos, todos mesmo, os predadores que assaltam politicamente o Brasil. É como se Temer falasse de alguns músicos; ISTOÉ fala da orquestra interira. E toda essa corrupção enoja. Tudo isso é obsceno. Tudo isso, machadianamente, “exaure” e “cansa”. Bom Machado de Assis, bom “bruxo do Cosme Velho”, o teu Simão Bacamarte, de Itaguaí, faria um belo trabalho de internação de muitos e muitos políticos dessa “Pindorama, hoje Brasil!”, de muitos e muitos empresários, de muitos e muitos empreiteiros, não fosse ele médico mas, sim, delegado da Polícia Federal. E a Casa Verde seria a Papuda. Reais e dólares, aos milhões, aos bilhões, viraram troco para corruptos e corruptores das mais diversas cores ideológicas e partidárias. Ok, bom e sábio “bruxo”, você avisou: no dia em que fosse proclamada a República, do jeito que tal proclamação estava sendo alinhavada, se veria no País uma quantidade de corruptos que o “sol jamais alumiou”.
Falou-se de corrupção. Como o poder no Brasil parou nas maõs desses delinquentes? De onde vem esse Irma de malversação do dinheiro público? Genética, a causa não é, porque a esmagadora maioria dos brasileiros é honesta, basta olharmos para os olhos da honestidade que se sabe roubada naqueles que bocejam à espera dos sobretolados metrôs e trens e ônibus às seis da matina. Só em São paulo, oito milhões de sonolentos todos os dias. E é mão de mãe com calo puxando filho para creche, é mão de mãe com calo indo para o batente de arrumar casa dos outros, é mão de mãe com calo seguindo para a fábrica. Não, o povo brasileiro é íntegro sim. Mas há um ponto de partida para todo o nó. A República!
Falou-se de República. Não pelo fato de a República ser República, mas, isso sim, por ter sido decretada e não proclamada. Aristides Lobo, arguto observador, escreveu com maestria que o povo, atônito, pensou que se tratava de uma parada militar. Ao saber que um desafeto seu (dera em cima de sua mulher) poderia ser o chefe do novo gabinete do império (boato nascido da boca de Benjamin Constant), Deodoro da Fonseca decidiu assinar a mudança de regime, sequer em praça pública, mas nas dependências do que seria hoje uma câmara de vereadores. Aí, deu ruim para o Brasil. A chamada classe política nasceu e cresceu e espichou e engordou sem o menor compromisso popular – conceito desenvolvido pelo signatário, tristemente no Brasil “o povo é nota de rodapé, o povo é nota de pé de página”. Daí nasce o patrimonialismo. A maioria dos políticos misturando o público com o privado, o que significa, em bom português, avançar no dinheiro dos outros e receber propina para utilizar a máquina pública a favor de interesses privados.
Falou-se de tudo que anda por aí. E a saída, onde fica a saída? (antiga indagação do genial dramaturgo Oduvaldo Vianna Filha). Um dos maiores classicos do cinema, em todos os tempos, chama-se “O homem que matou o facínora” (1962). Nele, o personagem Tom Doniphon (John Wayne) não acredita no ordenamento jurídico que começa a nascer nos EUA, a lei para ele é um revólver e um rifle. Ronson Stoddard (James Stewart), ao contrário, é um recém-formado advogado disposto a provar que a lei vence o tiro. Há um famoso bandido na história chamado Liberty Valance (Lee Marvin). Todos pensam que foi James Stewart quem conseguiu duelar e matar o facínora, mas na verdade quem o mata é John Wayne – e, importantíssimo, seu personagem evolui cultural e politicamente, abandona o cinturão e passa a pregar a soberania das leis e a democracia. Pois bem, a saída para o Brasil, a única saída, são os princípios constitucionais pelos quais o STF zela e saberá sempre zelar, até porque é essa a sua função precípua. Os onze ministros do STF serão, enfim, os homens que “matarão” os facínoras.

14 de set de 2017

Atividade turística do CE entre as maiores altas

Estudo do IBGE aponta que o Estado cresceu 6,3% no segmento em julho ante igual mês do ano passado
Com as praias como carro-chefe da divulgação turística, o Ceará teve crescimento de 6,3% no turismo em julho, ante igual mês do ano passado
Rio. O Estado do Ceará registrou, em julho, uma das maiores altas nas atividades turísticas do País, com crescimento de 3,8% no âmbito regional (com ajuste sazonal). À frente, apenas Goiás, com 4,2% de alta no mês.
Na sequência de crescimento, estiveram os estados de Santa Catarina (3,3%), Pernambuco (2,1%), São Paulo (0,6%) e Paraná (0,3%). Por outro lado, houve retração no Distrito Federal (-3,6%), Espírito Santo (-3,5%), Rio de Janeiro (-3,1%), Bahia (-2,0%), Minas Gerais (-1,6%) e Rio Grande do Sul (-1,3%).
Na comparação com julho de 2016, (sem ajuste sazonal), o Ceará ficou em quarto lugar no País. As variações positivas foram Goiás (13,8%), Pernambuco (12,2%), Santa Catarina (7,3%), Ceará (6,3%), Paraná (5,3%) e Bahia (0,1%). As quedas foram no Rio de Janeiro (-22,2%), Distrito Federal (-22,2%), Espírito Santo (-7,5%), Rio Grande do Sul (-6,7%), São Paulo (-3,0%) e Minas Gerais (-1,0%).
Queda
Os dados são da Pesquisa Mensal de Serviços, divulgados ontem (13), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo mostra ainda que o Brasil teve queda de 0,8% registrada pelo setor de serviços na passagem de junho para julho. Este foi o primeiro resultado negativo desde março, quando tinha encolhido 2,3%.
O resultado foi o mais negativo para meses de julho na série com ajuste sazonal - na comparação com o mês imediatamente anterior -, iniciada em 2012.
No geral, o Ceará sofreu variação de 0,5% em julho ante junho no volume de serviços. Em comparação com julho de 2016, o Estado acumula queda de 5,4% .
"O setor de serviços não está com crescimentos constantes, eles vêm sendo interrompidos por quedas pontuais", afirmou o analista da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, Roberto Saldanha.
Segundo ele, a queda não significa que houve alguma reversão de tendência, tampouco que haja trajetória de recuperação. "Os dados evidenciam que o setor ainda não está em recuperação. Para recuperar, tem que ter um crescimento mais robusto da indústria, porque só a indústria pode puxar o setor de serviços, e o setor público também, através de contratações e terceirização".
O pesquisador acredita que o próprio ajuste fiscal conduzido pelos governos federal, estaduais e municipais poderia ajudar o desempenho do segmento de serviços no País, caso haja uma terceirização. "Nesse problema da crise fiscal, a tendência é o governo, em vez de aumentar a contratação própria, optar por terceirizar. A terceirização no setor público pode alavancar os serviços", previu Saldanha.

13 de set de 2017

Novo iPhone X vai custar cerca de R$ 3.200 nos Estados Unidos

Edição que comemorar os 10 anos aparelho dispensa o botão central, tem tela de 14,7 cm de uma borda e desbloqueio por reconhecimento facial

Cupertino, Estados Unidos — A Apple apresentou três novos modelos de iPhone nesta segunda-feira, incluindo um aparelho de última geração apresentado como "o maior avanço" desde o lançamento da primeira versão do carro-chefe da empresa, há 10 anos.
O presidente da Apple, Tim Cook, anunciou o iPhone X, que se pronuncia "10", assim como o iPhone 8 e o iPhone 8 Plus.
No primeiro evento realizado no auditório da nova sede do grupo, o Steve Jobs Theater, Cook disse que a nova versão do aparelho emblemático é um marco para a empresa, uma década após o lançamento do primeiro iPhone.
O iPhone X não tem o botão central característico de todos os anteriores AFP
"Dez anos depois, é apropriado que estejamos aqui neste lugar, neste dia, para revelar um produto que definirá o caminho para a tecnologia para a próxima década", disse Cook, qualificando o iPhone X de "o maior avanço desde o iPhone original".
O iPhone X tem uma tela de 14,7 centímetros que vai de uma borda à outra do aparelho e usa reconhecimento facial para desbloquear o dispositivo, além de ter gráficos e resolução aprimorados.
Novo iPhone X AFP
O novo dispositivo de luxo estará disponível no dia 3 de novembro por um preço inicial de US$ 999, enquanto o iPhone 8 e o 8Plus estarão disponíveis no final deste mês, a partir de US$ 699 e US$ 799, respectivamente.
Os três novos telefones oferecerão recarga sem fio usando o padrão global Qi.
O vice-presidente sênior da Apple, Phil Schiller, disse que os modelos com design de vidro iPhone 8 e iPhone 8 Plus foram os primeiros smartphones "realmente criados para a realidade aumentada", com bateria e gráficos aprimorados em relação aos seus predecessores.
A Apple também revelou um relógio inteligente atualizado e um sistema de vídeo em streaming melhorado para televisão de alta definição 4K.

12 de set de 2017

O Einstein do século 21 já existe e é mulher

Ela construiu um avião aos 14 anos, se formou com a nota mais alta do MIT, foi convidada para trabalhar na área aeroespacial da Amazon e, prestes a concluir o doutorado em física, diz que precisa se concentrar nos estudos

Crédito: Divulgação
Aos 12 anos, a estudante americana de ascendência cubana Sabrina Gonzalez Pasterski sonhou fantasias comuns às crianças: como queria fazer faculdade no Massachusetts Institute of Technology (MIT), uma dos mais conceituados do mundo, pensou que seria uma boa ideia construir um avião de dois lugares para que seus pais, de Chicago, pudessem visitá-la. Para a maioria dos jovens dessa idade, o projeto ficaria na esfera das ilusões. Não para ela. Sabrina construiu a aeronave de dois lugares com as próprias mãos, entrou para o MIT e está prestes a completar o doutorado na Universidade Harvard. Hoje, aos 24, é considerada a “nova Einstein” pelos seus mestres acadêmicos.
Ela já foi citada em um artigo científico sobre buracos negros assinado pelo famoso físico Stephen Hawking e é considerada um dos mais promissores cérebros desse campo, conhecido por ser um dos desafiadores da ciência atual. “Quando você é pequena, você fala um monte de coisas sobre o que você quer fazer ou quem você quer ser quando for mais velha”, disse, ao receber um prêmio dado a jovens mulheres brilhantes. “Eu acho que é importante não perder esses sonhos de vista.”
Sabrina sempre foi inteligente, mas as pessoas começaram a perceber que ela era fora de série aos 9 anos, quando aprendeu a pilotar aviões, uma fixação de infância, e passou a consertá-los. Quando decidiu que faria seu próprio monomotor, comprou um kit de US$ 38 mil. Enquanto o construía, dos 12 aos 14, porém, uma série de modelos iguais começou a cair, matando um total de 13 pessoas. Isso a levou a implementar modificações no projeto para aumentar a segurança, mudanças que foram aprovadas pelas autoridades aéreas americanas. Com isso, ela se tornou a mais jovem projetista de aviões e piloto de testes — aos 16 anos, antes mesmo de possuir carta de motorista. “Nós sempre dissemos que ela poderia fazer qualquer coisa”, afirmou o pai, em entrevista a uma rede de TV na época. “Apenas coloque sua mente e seu esforço nisso.”
CRÂNIO A estudante de física citada por Stephen Hawking em ensaio sobre buracos negros e o monomotor que ela construiu (Crédito:Divulgação)
NOBEL

Pouco depois da conquista, ainda aos 16, ela ingressou no MIT, onde depois se formaria com a mais alta nota possível. “Eu não estou qualificado para julgar a grandeza científica de Sabrina, para isso você precisaria de alguns laureados do Nobel”, disse à ISTOÉ o mentor dela no instituto, o professor Earll Murman. Ele compara a capacidade acadêmica da aluna à habilidade musical de Mozart (1756-1791), que muito precocemente já era considerado um gênio em sua área. “Vai ser interessante observar se ela crescerá cientificamente aos níveis de um Mozart ou de um Beethoven.”
Atualmente, Sabrina está em busca de um doutorado de física em Harvard. Sua área de estudos mudou dos aviões para mistérios maiores do universo. Numa descrição feita por si mesma em seu site pessoal, ela diz que uma de suas maiores habilidades é “encontrar elegância dentro do caos”. Para variar, seu currículo impressionou mais uma vez: vários de seus trabalhos foram citados num paper científico de Stephen Hawking, um dos pesquisadores mais destacados do mundo.
Mesmo que desista de desvendar os segredos do cosmo (e não há nenhuma indicação de que o fará), Sabrina não vai ficar sem o que fazer. Ela já declarou não suportar deixar a mente ociosa. Desde que era adolescente, chamou a atenção do bilionário Jeff Bezos, dono da Amazon, que lhe ofereceu um emprego em sua empresa aeroespacial, a Blue Origin – oferta que ele recentemente reiterou estar de pé. Procurada, Sabrina não quis conceder entrevista. Disse estar muito ocupada com a volta às aulas na semana passada. “Preciso focar nos estudos”.
“Vai ser interessante observar se ela crescerá cientificamente aos níveis de um Mozart ou de um Beethoven” Earll Murman, professor da Universidade Harvard
APRENDIZ DE GENIAZINHA
Conheça as principais conquistas de Sabrina
9 anos Aprendeu a pilotar aviões e a consertá-los
14 anos Acabou de construir sua própria aeronave
16 anos Entrou no MIT, onde se formaria com nota máxima
24 anos Doutoranda em Harvard, foi citada por Stephen Hawking

11 de set de 2017

WhatsApp Novo golpe promete dados grátis


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Golpes no WhatsApp estão cada vez mais aparecendo em maior quantidade e diversificados para tentar tirar vantagem dos usuários
 
Foi identificado, pela empresa PSafe, um novo golpe que está circulando pelo WhatsApp. Trata-se de um link que faz falsa promessa de pacote de dados móveis de diversas empresas de telefonia e foi acessado mais de 20 mil vezes até o momento. Ao abrir o link recebido pelo app de mensagens, o usuário faz um breve cadastro com seu nome, número de celular e operadora e é induzido a compartilhar o falso benefício com 10 amigos. Ao realizar os compartilhamentos, o site malicioso faz dois direcionamentos: um sugere que o usuário inclua seu número de telefone novamente, só que desta vez o cadastro é para um serviço de SMS pago - que efetua cobranças indevidas; o outro direcionamento é para baixar um app falso, que pode infectar o smartphone e deixá-lo vulnerável a outros tipos de crime ou prejuízo financeiro.
Para que os usuários de Android não se tornem vítimas deste tipo de cibercriminosos, o gerente de Segurança da PSafe, Emilio Simoni, reforça a necessidade de ter um antivírus certificado com a função 'antiphishing' instalado no smartphone, que avisará o usuário se o link clicado é confiável ou não, permitindo, assim, uma navegação mais segura. Além disso, "é importante que o usuário tenha um comportamento preventivo na internet", completa o especialista.

8 de set de 2017

A quadrilha dos malfeitores do PT

Em menos de 24 horas, a cúpula do PT foi denunciada pelo Ministério Público em dois processos. No primeiro, Lula, Dilma e outros 6 petistas são acusados de receber R$ 1,5 bilhão em propinas. No segundo, os dois ex-presidentes são suspeitos de obstrução de Justiça

A quadrilha dos malfeitores do PT
PauloBernardo, Vaccari, Dilma, Palocci, Lula, Gleisi, Mantega e Edinho
Nunca, na história deste País, se roubou tanto como nos governos petistas de Lula e Dilma. De 2003 a 2016, a quadrilha do PT, que teve Lula como “o grande idealizador”, recebeu R$ 1,485 bilhão em propinas. Desse valor, somente o ex-presidente Lula embolsou R$ 230,8 milhões das construtoras OAS e Odebrecht, como contrapartida por ter ajudado os negócios das empreiteiras em obras da Petrobras. Esse é o resumo da denúncia feita pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal (STF) na última quarta-feira 6, e que enquadrou os dois ex-presidentes nos crimes de organização criminosa, como resultado do inquérito chamado de “quadrilhão do PT”. Foram denunciados também a senadora e presidente do PT Gleisi Hoffmann, o marido dela, o ex-ministro Paulo Bernardo, o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e mais três ex-ministros: Antônio Palocci, Guido Mantega e Edinho Silva. As penas aos petistas podem ir de três a oito anos de cadeia. Por ser chefe da quadrilha, como disse Janot, Lula deverá ser condenado a uma pena ainda maior.
O desfalque na Petrobras

Em 209 páginas de sua denúncia, o procurador Rodrigo Janot mostra que a alta cúpula do PT se estruturou para assaltar os cofres públicos, especialmente da Petrobras, mas também do BNDES e do Ministério do Planejamento. Somente à Petrobras, o esquema petista provocou um prejuízo de R$ 29 bilhões. Para ressarcir parte desses danos, o procurador pede que o STF faça o bloqueio de R$ 6,5 bilhões dos bens dos oito denunciados. Esta é a sétima denúncia contra Lula. Janot diz que o ex-presidente continuou recebendo propina inclusive depois que deixou a presidência. Se o STF aceitar a denúncia, Dilma pode se sentar no banco dos réus pela primeira vez na Lava Jato.
O “quadrilhão” petista tem um peso enorme em esquemas ilícitos por envolver dois ex-presidentes, que tinham pleno conhecimento de todas as falcatruas em seus governos, segundo o MPF. Somente as empresas do grupo Odebrecht, por exemplo, de 2002 a 2014, pagaram a título de propina mais de R$ 400 milhões ao PT. As relações espúrias do partido com empresas privadas também envolviam OAS, Andrade Gutierrez, UTC e JBS. Durante o primeiro mandato, de acordo com Janot, Lula articulou a compra de apoio político de parlamentares com uso de dinheiro público: o PP levou R$ 390 milhões, o PMDB do Senado pelo menos R$ 600 milhões e o PMDB da Câmara outros R$ 350 milhões.
Durante seu governo, Dilma deu seguimento a todas as tratativas ilícitas iniciadas por Lula. Em muitos casos, a ex-presidente atuou de forma indireta por intermédio dos então ministros Guido Mantega e Edinho Silva, na cobrança de valores ilícitos junto a empresários. O caso está nas mãos do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato em função do envolvimento da senadora Gleisi Hoffmann, que tem foro privilegiado.
Num recorde de Janot, que deixa o cargo no próximo dia 17, a Procuradoria-Geral da República fez nova denúncia contra Lula, Dilma e o ex-ministro Aloizio Mercadante na tarde de quarta-feira 6, desta vez por obstrução de Justiça. Lula e Dilma são investigados desde agosto de 2016, com base no vazamento de uma gravação feita pela PF nos telefones do ex-presidente. No diálogo entre os dois, em março do ano passado, Dilma diz a Lula que está enviando um emissário, “o Bessias” (na verdade ele chama-se Jorge Messias), com um termo de posse do petista como ministro da Casa Civil para qualquer emergência. Lula responde que está aguardando o documento e despede-se dizendo “tchau querida”. O Ministério Público entendeu que a nomeação açodada objetivava conceder foro privilegiado a Lula, impedindo eventual pedido de prisão contra ele. Já o ex-ministro Mercadante é acusado de tentar impedir a delação premiada do ex-senador Delcídio do Amaral.
Dr. Honoris Causa em corrupção
As investigações mostram que o ex-presidente Lula é expert em desvios de dinheiro público
> A Procuradoria-geral da República acusa o ex-presidente de ser o “grande idealizador” da organização criminosa formada no governo federal para desviar recursos da Petrobras. De 2002 a 2016, a quadrilha de Lula recebeu R$ 1,48 bilhão em propina
> Entre os 128,1 milhões que Lula recebeu da Odebrecht, estão R$ 12,4 milhões gastos na compra de um terreno para o Instituto Lula e R$ 504 mil na aquisição de uma cobertura ao lado da sua em São Bernardo
> Dos R$ 27 milhões que o ex-presidente recebeu da OAS, estão contabilizados o tríplex que ele ganhou no Guarujá. Por causa desse imóvel, Lula foi condenado a uma pena de nove anos e seis meses de prisão
> Lula é reu ainda em outros cinco processos, a maioria por corrupção. Na última denúncia, ele é acusado de receber R$ 1,02 milhão da OAS e Odebrecht para a reforma do sitio de Atibaia

6 de set de 2017

PGR denuncia Lula, Dilma e ex-ministros por organização criminosa

Além dos ex-presidentes, também foram denunciados Palocci, Mantega, Gleisi, Edinho e Paulo Bernardo por crimes cometidos contra a Petrobras de 2002 a 2016

A Procuradoria-Geral da República ofereceu nesta terça-feira denúncia por formação de organização criminosa contra os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT, por crimes praticados contra a Petrobras no período entre 2002 e 2016. Também foram denunciados os ex-ministros Antonio Palocci, Guido Mantega, Edinho Silva, Gleisi Hoffmann (hoje senadora pelo Paraná) e Paulo Bernardo, além do ex-tesoureiro do PT João Vaccari  Neto, que já está preso pela Operação Lava Jato.
Segundo o procurador-geral da República, os denunciados “integraram e estruturaram uma organização criminosa com atuação durante o período em que Lula e Dilma Rousseff sucessivamente titularizaram a Presidência da República, para cometimento de uma miríade de delitos, em especial contra a administração pública em geral”.
A denúncia inclui apenas parte do núcleo político da organização, segundo Janot, que era composto também por membros do PMDB e do PP”, mas a conduta desses agentes públicos, afirma, são objeto de outros inquéritos. A base da denúncia são as investigações da Operação Lava Jato, que, de acordo com o procurador-geral, desvendou “um grande esquema criminoso envolvendo agentes públicos, empresários e operadores financeiros, voltado para a prática de delitos como corrupção e lavagem de ativos, relacionados, mas não restritos” à Petrobras.
Segundo ele, os envolvidos formavam uma organização criminosa complexa, estruturada basicamente em quatro núcleos: político (formado por partidos e seus integrantes); econômico (empresas que pagavam vantagens indevidas a funcionários de alto escalão e aos componentes do núcleo político; administrativo (funcionários de alto escalão da administração pública); e  financeiro (operadores que concretizavam o repasse de propinas).
“Verificou-se o desenho de um grupo criminoso organizado, amplo e complexo, com uma miríade de atores que se interligam em uma estrutura de vínculos horizontais, em modelo cooperativista, nos quais os integrantes agem em comunhão de esforços e objetivos, bem como em uma estrutura mais verticalizada e hierarquizada, com centros estratégicos, de comando, controle e tomadas de decisões mais relevantes”, afirma Janot.
De acordo com a denúncia, alguns membros do PP, PMDB e PT, entre outros, dividiram entre si, diretorias da Petrobras e indicavam determinadas pessoas que eram essenciais para implementação e manutenção do projeto criminoso.”
Janot afirma que, em relação ao PMDB, as evidências apontam pra uma subdivisão interna de poder entre o PMDB do Senado e o da Câmara, tendo sido instaurados inquéritos diversos perante o STF para investigar cada um desses grupos. Para o procurador-geral, no entanto, os “fatos devem ser analisados no contexto de uma única organização criminosa complexa”.

Foro

Apesar de apenas a senadora Gleisi Hoffmann ter foro privilegiado, Janot recomenda que as denúncias contra Lula, Paulo Bernardo e Vaccari, por estarem ligados às irregularidades envolvendo a senadora, devem tramitar perante o STF e não na primeira instância.
Vaccari e Paulo Bernardo são réus hoje em ação que tramita na Justiça Federal em São Paulo por desvios no Ministério do Planejamento (do qual Paulo Bernardo era titular) entre 2009 e 2015. Já Lula é réu em ação na Justiça Federal do Distrito Federal por irregularidades na concessão de empréstimos para a Odebrecht executar projetos no exterior. Janot pede que as duas ações sejam remetidas ao STF.
Entre as empresas listadas como integrantes do núcleo econômico da organização criminosa estão a Odebrecht, a Camargo Correa, a OAS, a Mendes Júnior, a Galvão Engenharia e a Engevix, mas essas empresas já são alvo de ações penais e muitas delas já foram condenadas. A intenção da denúncia agora é atingir apenas o núcleo político da organização.
Também são citados na denúncia, mas já são investigados, réus ou condenados em outras ações pessoas do núcleo administrativo, como Paulo Roberto Costa e Renato Duque, ex-diretores da Petrobras.

Valores

Segundo Janot, o esquema desenvolvido pelo grupo petista denunciado chega a 1 bilhão e 485 milhões de reais, além de terem contribuído para que o PP desviasse 391 milhões, o PMDB do Senado, 864 milhões, e o PMDB da Câmara, 350 milhões. “Os crimes praticados pela organização geraram prejuízo também aos cofres públicos. Nesse sentido, só no âmbito da Petrobras, o prejuízo gerado foi de, pelo menos, R$ 29 bilhões de reais, conforme expressamente reconhecido pelo Tribunal de Contas da União.”

Janot destaca ainda que, apesar de integrar a mesma quadrilha com PP e PMDB, o PT sempre teve papel mais relevante na organização criminosa  em razão da concentração de poderes no chefes do Executivo, no caso, Lula e depois Dilma. “Nesse sentido, Lula, de 2002 até maio de 2016, foi uma importante liderança, seja porque foi um dos responsáveis pela constituição da organização e pelo desenho do sistema de arrecadação de propina, seja por que, na qualidade de presidente da República por oito anos, atuou diretamente na negociação espúria em torno da nomeação de cargos públicos com o fito de obter, de forma indevida, o apoio político necessário junto ao PP e ao PMDB para que seus interesses e do seu grupo político fossem acolhidos no âmbito do Congresso Nacional”, afirma.
“Acrescente, ainda, que, mesmo após a sua saída da Presidência da República, Lula continuou a exercer liderança do núcleo político da organização até maio de 2016, em razão da forte influência que exercia sobre a então presidente Dilma”, diz. Ele ressalva, no entanto, que a partir de 2016 há uma reformulação da organização criminosa, com os integrantes do PMDB da Câmara passando a ocupar esse papel de destaque dentro da organização.

Punição

Na denúncia, Janot pede a condenação de todos com base no artigo 2º da Lei 12.850/2013 (Lei das Organizações Criminosas), sancionada pela própria Dilma. A pena é de prisão de três a oito anos e multa, mas no caso de Lula e Dilma tendem a ser aumentadas em razão do posto de comando que ocupavam. O procurador-geral também a perda da função pública, a devolução de 6,5 bilhões de reais à Petrobras , além de outras reparações que somam 500 milhões de reais.
Entre as testemunhas arroladas por Janot estão os empresários Emílio e Marcelo Odebrecht, Joesley Batista e Léo Pinheiro (ex-presidente da OAS), além de executivos de várias empreiteiras e da JBS e do ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, também ligado ao PT.

Defesa

A defesa de Lula disse que a denúncia contra o petista e outras lideranças do partido é uma tentativa do MPF de tirar o foco do escândalo envolvendo as gravações entre o executivo Joesley Batista e o diretor de Relações Institucionais da JBS, Ricardo Saud. Segundo o advogado Cristiano Zanin Martins, as colaborações premiadas são “ilegais e ilegítimas”.
“Essa denúncia, cujo teor ainda não conhecemos, é mais um exemplo de mau uso das leis para perseguir o ex-presidente Lula, que não praticou qualquer crime e muito menos participou de uma organização criminosa. É mais um ataque ao estado de direito e à democracia”, disse Martins. “O protocolo dessa denúncia na data de hoje sugere ainda uma tentativa do MPF de mudar o foco da discussão em torno da ilegalidade e ilegitimidade das delações premidas no país.”
A defesa do ex-ministro Guido Mantega que é contraditório a PGR apresentar uma denúncia no dia em que foram veiculadas as gravações de conversas entre os delatores da JBS. “É no mínimo contraditório que, num dia histórico, quando o Brasil se depara com a desfaçatez dos delatores e sua disposição ao teatro e à dissimulação, a PGR resolva oferecer denúncia usando como prova basicamente a palavra de delatores, antes de empreender uma apuração mínima para saber se as acusações possuem algum elo com a realidade”, diz a nota assinada pela advogada Mariana Tranchesi Ortiz.
O advogado Luiz Flávio Borges D’Urso, que representa o ex-tesoureiro João Vaccari Neto, afirmou que a denúncia apresentada pela PGR é “surpreendente” e “totalmente improcedente”. “Enquanto tesoureiro do PT, [Vaccari] cumpriu seu papel, de solicitar doações legais destinadas ao partido, as quais sempre foram depositadas na conta bancária partidária, com respectivo recibo e a prestação de contas às autoridades competentes, tudo dentro da lei e com absoluta transparência”, disse D’Urso. “O Sr. Vaccari continua confiando na Justiça brasileira e tem convicção de que as acusações que lhe são dirigidas haverão de ser rejeitadas.”
O PT, presidido pela senadora Gleisi Hoffmann (PR), emitiu comunicado dizendo que a denúncia “parece uma tentativa do atual procurador-geral de desviar o foco de outras investigações, que também envolvem um membro do Ministério Público Federal, no momento em que ele se prepara para deixar o cargo”.
“Não há fundamento algum nas acusações contra o Partido dos Trabalhadores. Desde o início das investigações da Lava Jato, o PT vem denunciando a perseguição e a seletividade de agentes públicos que tentam incriminar a legenda para enfraquecê-la politicamente. Esperamos que essas mentiras sejam tratadas com serenidade pela justiça brasileira, e terminem arquivadas como já ocorreu com outras denúncias sem provas apresentadas contra o partido”, disse.
A defesa do ex-ministro Antonio Palocci disse que só irá se manifestar quando tiver ciência do conteúdo da denúncia.
As defesas de Dilma, Edinho Silva e Paulo Bernardo não foram localizadas.

5 de set de 2017

Ministro da Defesa alerta que pode haver fechamento de unidades das Forças Armadas

Além do fechamento de sedes, o número de pessoas para alistamento militar deve ser reduzido

O ministro Raul Jungmann disse que o comprometimento operacional das Forças Armadas chega ao limite neste mês de setembro. (Foto: Iana Soares, em 09/11/2012).
O ministro da Defesa, Raul Jungmann, disse nesta segunda-feira, 4, no Recife, que caso não haja liberação de recursos da pasta, contingenciados pelo governo federal, até outubro, pode ocorrer o fechamento de unidades das Forças Armadas e o número de vagas para o alistamento militar.

"Até agora não tivemos comprometimento operacional das Forças [Armadas]. Nós estamos no limite. Nosso limite é o mês de setembro. E tivemos o compromisso que, aprovada a meta fiscal, nós vamos ter a liberação de recursos", disse Jungmann.

De acordo com a assessoria de imprensa do ministério, R$ 6,5 bilhões do orçamento da Defesa estão contingenciados, o que corresponde a cerca de 42% dos recursos previstos para a pasta em 2017 (R$ 15,5 bilhões).

Caso a liberação não ocorra, o ministro alertou que será preciso fazer cortes. "Nesse caso, você terá que reduzir muitos dos serviços que são feitos. Muito possivelmente fechar unidades. Reduzir o número daqueles que vão prestar serviço militar, que são 80 ou 90 mil. Enfim, vai ter uma série de restrições procurando preservar o que é essencial para a defesa do País".

A nova meta fiscal do governo federal prevê um deficit de R$ 159 bilhões neste ano e em 2018. Isso quer dizer que a União vai gastar esse total a mais do que espera arrecadar. O Congresso Nacional precisa aprovar a revisão da meta, adiada na semana passada, que já estava em R$ 139 bilhões em 2017 e R$ 129 bilhões em 2018. A expectativa é retomar a votação ainda esta semana.

O ministro esteve em Pernambuco para a comemoração de 10 anos do Forças no Esporte (Profesp), programa criado em 2003 para democratizar o acesso ao esporte para crianças e adolescentes. As Forças Armadas concedem suas unidades militares para a realização do projeto, e os recursos são repassados pelo Ministério do Esporte para material e pessoal; e pelo Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, para alimentação.
 
 
Agência Brasil 

4 de set de 2017

O novo Hitler?

Felizmente, o ditador norte-coreano Kim Jong-un não é tão perigoso quanto o líder nazista – mas já é capaz de provocar estragos de dimensões globais

Crédito: AFP PHOTO
MILITARISMO Demonstração de força na capital Pyongyang (Crédito: AFP PHOTO)
Numa manhã de céu aberto do verão nipônico, milhões de japoneses acordaram sob o som de alarmes de bombardeios. A cena fez lembrar a 2ª Guerra Mundial, mas ocorreu às 6 horas de terça-feira 29, horário local. “Lançamento de míssil. Lançamento de míssil. Um míssil foi disparado pela Coreia do Norte. Encaminhem-se a prédios resistentes ou porões”, dizia o alerta emitido pelo governo a 12 prefeituras da ilha de Hokkaido, norte do País, e divulgado em rádios, TVs, celulares e alto-falantes. O projétil passou sobre a região minutos depois, caindo nas águas do Pacífico. Os moradores foram pegos de surpresa, porém é possível que eles se acostumem à infeliz situação. Isso porque o responsável pelo foguete é Kim Jong-un, o excêntrico ditador norte-coreano que vem aumentando mais e mais suas apostas – e já é comparado com os líderes mais infames da história. “A ação imprudente de lançar um míssil sobre o Japão é uma ameaça séria, grave e sem precedentes”, afirmou o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe.
CULTO – O ditador Kim Jong-un entre seus “súditos” (Crédito:AFP PHOTO)
Essa foi a mais recente demonstração de força da Coreia do Norte, e também a mais preocupante. Desde que subiu ao poder, em 2011, Kim realizou mais de 80 testes balísticos. Em julho, o país lançou um míssil com capacidade de alcançar os Estados Unidos. É raro que o regime de Pyongyang dispare foguetes sobre o Japão. Nas duas ocasiões em que isso ocorreu, em 1998 e 2009, foi alegado que eles carregavam satélites. Dessa vez, nenhuma explicação foi dada. O míssil Hwasong-12 não é o mais potente dos coreanos, mas foi lançado numa trajetória mais realista do que os anteriores (que eram disparados para o alto, ao invés de para frente). Também é simbólico que o projétil tenha sido atirado na direção dos EUA, considerado seu principal inimigo. “A Coreia do Norte não deve desistir de seu programa nuclear e balístico”, diz Gary Samore, diretor-executivo do Centro de Relações Internacionais da Universidade de Harvard, além de chefe de programas para armas atômicas das administrações Clinton e Obama. “É possível conseguir acordos menores, mas Kim Jong-un não parece estar interessado num tratado nesse momento.”
O autoritário Kim já se encontra no rol de lideranças extravagantes que, na busca de sonhos megalomaníacos, causam desastres à humanidade. Felizmente, não está no mesmo nível do mais perigoso deles, Adolf Hitler – mas já é capaz de provocar desgraças globais. Se a guerra estourasse (o que certamente envolveria as Coreias, os EUA e possivelmente o Japão) 1 milhão de vidas seriam perdidas, segundo os cálculos mais conservadores. A produção tecnológica mundial sofreria um abalo. Donos de celulares Samsung, cuja sede fica em Seul, por exemplo, ficariam sem novos aparelhos por bastante tempo. As consequências indiretas são imprevisíveis. “A Índia fez suas reformas liberalizantes nos anos 90 por conta da subida do preço do petróleo provocada por Saddam Hussein”, afirma Gunther Rudzit, professor de Relações Internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing, em São Paulo. “Kim Jong-un não é um Hitler, mas pode causar mais prejuízos que Saddam.”

Apesar de escalar rapidamente, o conflito é evitável. O presidente americano Donald Trump disse que faria chover “fogo e fúria” sobre a Coreia, mas amenizou o tom depois da semana passada. O regime de Pyongyang quer mostrar que late alto, mas ainda não deu indicações de que morde. O mais provável é que se trate de uma estratégia para não acabar apeado do poder como outras lideranças ditatoriais subservientes à comunidade internacional, como o líbio Muammar Gaddafi. “Nenhum dos lados quer a guerra”, afirma Samore. “Para a Coreia um conflito seria fatal e para os EUA custaria um alto preço em vidas e propriedades. Assim, ambos se engajam em retórica belicosa para intimidar o outro – mas ninguém fala sério em usar força militar a não ser que sejam atacados.”
TESTE Foguete Hwasong-12 é lançado na terça-feira 29 (Crédito:Divulgação)
Informação por balão
Uma iniciativa curiosa vem ajudando milhares de norte-coreanos a se libertarem do controle obscurantista do regime de Kim Jong-un. Trata-se da campanha promovida pela organização Human Rights Foundation que contrabandeia pen drives repletos de informação para dentro do País, o mais fechado do mundo. Os dispositivos – recheados com páginas da Wikipédia, cenas da vida em outras nações e filmes de Hollywood – atravessam as fronteiras por drones ou balões. Lá, são coletados por aliados escondidos e distribuídos à população. A ideia é que o conhecimento faça com que as pessoas rejeitem a ditadura e implodam o governo por dentro.

1 de set de 2017

Autor de assédio em ônibus tem mais 15 passagens pelo mesmo crime

Sindicato dos motoristas e cobradores disse que passou a orientação para estacionar o ônibus e trancar as portas em casos de assédio sexual

O ajudante de serviços gerais que foi solto na quinta-feira, após ser detido por ejacular em uma jovem em um ônibus na Avenida Paulista, em São Paulo, tem mais quinze passagens pela polícia desde 2009. O modo de agir é sempre o mesmo: no transporte público, ele mostra o pênis e, eventualmente, passa na vítima.
O caso desta semana foi o 16º para a ficha policial de Diego Ferreira de Novais, de 27 anos. O episódio foi enquadrado como estupro em flagrante pela polícia, mas, na audiência de custódia, o juiz mudou a tipificação do crime para ato obsceno e mandou soltar Novais.
“Entendo que não houve o constrangimento, tampouco violência ou grave ameaça, pois a vítima estava sentada em um banco do ônibus, quando foi surpreendida pela ejaculação”, alegou o juiz na sentença.
O primeiro assédio foi registrado em 2009, na delegacia da Lapa (Zona Oeste de São Paulo). Só neste ano, foram três casos na 78ª Delegacia de Polícia, nos Jardins. Novais chegou a ser preso por flagrante de estupro em 2013 e 2016, mas foi solto depois. Os crimes acabaram enquadrados como ato obsceno.

Recomendação do sindicato

A VEJA, o Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo disse ser o responsável pela recomendação de estacionar o ônibus com as portas trancadas diante de uma denúncia de assédio. Segundo a assessoria de imprensa da organização, a medida foi passada aos motoristas e cobradores em reuniões e por meio de jornais distribuídos aos trabalhadores da categoria.
Novais foi detido pela polícia após o motorista seguir a recomendação. Outro caso de assédio ocorrido na Avenida Paulista, na quarta-feira, terminou com o suspeito detido após o condutor do ônibus cumprir essa mesma orientação. Nessa segunda ocorrência, um homem foi levado sob custódia por ter tocado nos seios de uma passageira.
O sindicato disse que pede para os motoristas e cobradores prestarem atenção se os agressores estão armados. Caso não haja ameaça à vida dos passageiros, a orientação é para estacionar o ônibus e aguardar a chegada dos policiais. O sindicato diz que os cobradores têm recebido um treinamento para passar sinais ao motorista sem que os abusadores percebam.
A SPUrbanuss, sindicato que representa as empresas de transporte coletivo urbano de São Paulo, disse que os operadores recebem cursos de direção segura e urbanidade. Nas aulas, eles são aconselhados a procurar uma autoridade policial quando alertados da ocorrência de um abuso sexual dentro dos ônibus.
A SPTrans, empresa de economia mista que administra o transporte por ônibus, afirmou que intensificou as campanhas contra assédios no transporte público. A instituição disse que os motoristas são orientados a dar apoio às vítimas e conduzi-las a uma delegacia de polícia para fazer o boletim de ocorrência. 
Nem a SPUrbanuss nem a SPTrans comentaram as recomendações do sindicato dos motoristas e cobradores.
(Com Estadão Conteúdo)

31 de ago de 2017

Em sessão tumultuada, Congresso aprova revisão da meta fiscal

Projeto autoriza um déficit de 159 bilhões de reais nas contas públicas em 2017 e 2018

Em sessão tumultuada na madrugada desta quinta-feira, o Congresso Nacional aprovou o texto-base do projeto que autoriza a mudança da meta fiscal e permite um déficit de 159 bilhões de reais nas contas públicas em 2017 e 2018. As metas anteriores eram de déficit de 139 bilhões de reais para este ano e de 129 bilhões de reais para o ano que vem. Deputados e senadores votam agora as emendas ao projeto.
O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), chegou a colocar o texto para votação simbólica. A medida foi aprovada, mas o senador voltou atrás diante dos protestos de parlamentares da oposição e refez a votação. Na nova tentativa, os governistas ainda precisaram aguardar a chegada de mais um parlamentar para cumprir o quórum de 41 senadores registrados no painel. Membros da oposição ironizaram a situação e disseram que o político apareceria “de pijama” no plenário.
A nova meta fiscal havia sido aprovada na Comissão Mista de Orçamento (CMO) na noite de terça-feira. O governo de Michel Temer tinha pressa em aprovar a revisão para evitar ter de enviar nesta quinta um projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2018 ainda sob a meta antiga. Para conseguir cumprir o prazo, governistas votaram ao longo de toda a tarde e noite de quarta oito vetos presidenciais que trancavam a pauta legislativa.

30 de ago de 2017

Harvey bate todos os recordes de chuva no Texas

Harvey bate todos os recordes de chuva no Texas
Foto divulgada pela NASA no dia 29 de agosto de 2017, tirada pelo astronauta Randy Bresnik, mostra a tempestade Harvey, no dia 28 de agosto de 2017, no Texas - NASA/AFP
A imensa quantidade de chuva que caiu no Texas em razão da tempestade Harvey bateu o recorde de precipitação neste estado do sul dos Estados Unidos, anunciaram nesta terça-feira as autoridades meteorológicas.
“O recorde de precipitação total para um sistema ciclônico foi ULTRAPASSADO!”, tuitou o National Weather Service de Houston.
Esses dados se apoiam nas leituras pluviométricas realizadas no sudeste de Houston, de acordo com o National Hurricane Center.
O indicador “Mary’s Creek na Winding Road registrou 125,27 centímetros às 9h00 (11h00 de Brasília)”, indicou o centro meteorológico.
“Este total é superior ao recorde anterior de 121,9 centímetros estabelecido durante o ciclone tropical Amelia de 1978 em Medina, no Texas”, acrescentou.
O porta-voz do National Hurricane Center, Dennis Feltgen, indicou que este recorde provavelmente será válido para todo o continente dos Estados Unidos.
“Este é um recorde para o Texas e preliminarmente um recorde continental para os Estados Unidos”, disse à AFP.
No entanto, a confirmação levará “semanas”, porque os especialistas devem verificar os registros de precipitação.
Harvey, um furacão de categoria 4 em uma escala de 5, atingiu o Texas na sexta-feira. Desde então, foi degradado para o status de tempestade tropical, mas continua a despejar enormes quantidades de chuva no Texas e na Louisiana.

29 de ago de 2017

Processo na Lava Jato ‘é perseguição política’, diz Gleisi

Ação apura se a senadora e seu marido, o ex-ministro Paulo Bernardo (PT), se beneficiaram em troca de apoio político para ex-diretor da Petrobras

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) afirmou nesta segunda-feira que a ação penal contra ela na Operação Lava Jato não passa de “perseguição política” e que não há provas de que ela recebeu recursos ilícitos. Gleisi, que também é presidente nacional do PT, falou sobre o caso após seu primeiro depoimento como ré no Supremo Tribunal Federal (STF).
“Eu sou vítima de perseguição política em razão da origem desse processo, com Alberto Yousseff e seu advogado”, disse a senadora, se referindo ao doleiro que foi o primeiro delator da operação e o seu defensor, Antonio Figueiredo Basto. Gleisi Hoffmann acusa Basto de ser ligado ao atual governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), seu adversário político.
Nesta segunda-feira, Gleisi foi a primeira parlamentar ouvida na Lava Jato por um dos juízes auxiliares do relator da operação, o ministro Edson Fachin. A denúncia contra a petista foi apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. A petista atribui a acusação a pressões da opinião pública.
“Quando eu fui denunciada – meu processo foi um dos primeiros – tinha um alto grau de politização e muita influência no Judiciário, incluindo o Ministério Público, pela opinião pública. É um erro, então muitas questões não foram consideradas ali”, disse a senadora. “Eu sou uma pessoa pública, tenho de responder pelos meus atos, não tenho problema nenhum em relação a isso. Agora, tenho de ser julgada dentro do devido processo legal e não pelo calor da opinião pública”, concluiu.

Acusação

Na ação penal, Gleisi e seu marido, o ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo (PT), são acusados de receber 1 milhão de reais em recursos desviados da Petrobras pelo ex-diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa. Em contrapartida, os políticos teriam atuado para sustentar politicamente Costa no cargo.
“Não tive contato com Paulo Roberto Costa, nunca tive ascendência na Petrobras, nunca pedi para ele ficar no cargo e nunca facilitei ou dei condições para se facilitar”, afirmou Gleisi aos jornalistas que a abordaram do lado de fora da sala de audiências. “Não há provas”, afirmou.
Paulo Bernardo também presta depoimento nesta segunda-feira. Após o depoimento dos acusados, a ação penal entra em sua fase de alegações finais. A expectativa é de que o caso seja julgado pela Segunda Turma do STF ainda neste ano, tornando-se o primeiro processo da Lava Jato a ter um desfecho na Corte.

Boca de Urna

Também nesta segunda, uma outra ação contra a presidente do PT teve andamento na Suprema Corte. O ministro Celso de Mello decidiu acolher a recomendação de Rodrigo Janot e devolver à Justiça Eleitoral do Paraná a ação em que a petista era investigada por boca de urna nas eleições de 2014, quando concorreu ao governo do Paraná pelo partido, ficando em terceiro lugar.
O processo começou a partir da alegação de uma juíza de Santa Fé (PR), que afirmava ter recebido uma mensagem em seu celular com propaganda política da campanha de Gleisi no dia da eleição, o que é proibido pela lei eleitoral. O caso chegou ao STF para apurar um possível envolvimento da então candidata, que tem foro privilegiado.
Avaliando os fatos constatados, Janot concluiu não haver indícios suficientes da participação da petista no episódio: “Não é possível extrair que necessariamente tenha ocorrido com a participação e/ou ciência da candidata, especialmente considerando tratar-se de campanha de grande vulto”. Agora, sem a presença de Gleisi no rol de investigados, a ação retorna para a 150ª zona eleitoral de Santa Fé.
(Com Agência Brasil e Estadão Conteúdo)

28 de ago de 2017

Uma grande família

Os Tribunais de Contas da União e dos Estados se transformaram numa casa muito unida: pai nomeia filho, marido indica a mulher. E isso não é comédia: os apaniguados recebem salários milionários

Uma grande família
A “Quadrilha”, de Carlos Drummond de Andrade, cada dia descreve com mais exatidão o que ocorre nos tribunais de contas do País. “João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili”. Reproduzindo em versos livres: a ministra do Tribunal de Contas da União (TCU), Ana Arraes, era filha do governador Miguel Arraes (PE), que era avô do governador Eduardo Campos (PE), que era primo do conselheiro do Tribunal de Contas de Pernambuco, João Henrique. E a estrofe continua: Marcos Loreto, que não tinha entrado na história, e é primo de Renata Campos, que era mulher de Eduardo Campos, virou Conselheiro do Tribunal de Contas de Pernambuco.
A nobreza política hereditária tem outros casos exemplares. Um deles é o do Conselheiro do Tribunal de Contas do Rio Grande do Norte, Paulo Alves. Ele é irmão do senador e ex-governador Garibaldi Alves, sobrinho do ex-governador Aluizio Alves, primo do ex-presidente da Câmara Henrique Alves e do prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves.
Mas os Alves não estão sós no TC do Rio Grande do Norte. O conselheiro Tarcísio Costa, foi indicado pelo irmão e deputado estadual Vivaldo Costa; Renato Dias é irmão do deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Álvaro Dias; Poti Cavalcante é ex-deputado estadual e irmão do ex-deputado Alexandre Cavalcanti, assim como tio do atual vice-prefeito de São Gonçalo do Amarante, Poti Neto.
Esses Tribunais oferecem bons salários para seus ocupantes. Os ministros do TCU recebem o mesmo que os ministros do STJ. Estes ganham 95,25% dos salários dos ministros do STF, que é de R$ 33.700,00, o que dá para os conselheiros do TCU a bagatela de R$ 32 mil. Mas é claro que não estão contabilizados aí os escandalosos penduricalhos individuais, como auxílio moradia, gratificação por função, férias de 60 dias, entre outras coisas. Os conselheiros dos Tribunais de Contas Estaduais recebem o mesmo que os desembargadores dos Tribunais de Justiça dos Estados, que correspondem a 90,25%, dos R$ 33.700,00 dos ministros do STF, ou um total de R$ 30 mil.

Um conjunto de grandes famílias controlam as finanças públicas dos Tribunais da União e dos Estados. A Transparência Brasil fez um levantamento, em 2015, e constatou que entre os 233 conselheiros dos Tribunais de Contas, 73 deles tinham chegado lá pelo parentesco com pesos pesados da política: governadores, senadores, ministros de governo, secretários de estado, ministros de Tribunais Superiores e deputados. Competência à parte, eles chegaram lá pela estratégia do elevado QI (Quem Indica).
Ponto final

A revolta contra essa política de grande família se amplia na opinião pública à medida que ela vai tomando conhecimento desta ação entre amigos. Por isso, surgem vários movimentos para mudar o processo de indicação de conselheiros e ministros de Tribunais de Contas. A palavra de ordem é a da redução dos apadrinhamentos. As associações de classe de procuradores e técnicos de contas atuam para diminuir o número de nomeações feitas pelo Congresso, Assembléias Legislativas e governantes.
No TCU, as vagas do Legislativo cairiam de seis para quatro e o presidente da República não faria mais nenhuma indicação. Hoje faz uma. A maioria passaria a ser de nomeações técnicas.  Nos Tribunais de Contas Estaduais, as Assembleias indicariam três, e não quatro como hoje. Os governadores também perderiam sua vaga.
O porta-voz da mudança é o senador Cássio Cunha Lima (PSDB). Ele é autor da Proposta de Emenda Constitucional que pretende colocar um ponto final nas nomeações de políticos e parentes para os Tribunais de Contas. Por ora, o espeto é de pau na casa do ferreiro Cunha Lima: para o TC da Paraíba, ele nomeou um primo, Arthur Lima, e um tio, Fernando Catão.

25 de ago de 2017

Naufrágios na Bahia e no Pará já somam 41 mortes

Em nota, o presidente Michel Temer "lamentou profundamente as perdas" humanas nos dois estados
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Um dia após um naufrágio em Porto de Moz (PA), uma lancha naufragou na Grande Salvador (BA), matando ao menos 20 pessoas ( Foto: Ag. France Presse )
Salvador/Porto de Moz. Um dia após um naufrágio no Pará, uma lancha naufragou na Grande Salvador, na manhã de ontem, na baía de Todos-os-Santos, matando ao menos 20 pessoas. Os dois acidentes já totalizam 39 mortes.
Em nota oficial, o presidente Michel Temer "lamentou profundamente as perdas trágicas" do naufrágio em Salvador, manifestou solidariedade às famílias das vítimas e colocou a estrutura do governo federal para ajudar na busca de sobreviventes. O presidente também lamentou o naufrágio na terça-feira (22) de um barco no rio Xingu, no Pará.
O governador da Bahia, Rui Costa (PT), decretou três dias de luto oficial, contados a partir desta quinta, por conta da tragédia.
Ele lamentou o acidente e informou que todos os esforços estão sendo feitos para dar apoio aos atingidos pelo naufrágio. O prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), também se manifestou. "Neste momento de profunda dor, presto minha solidariedade às vítimas e seus familiares e, ao mesmo tempo, informo que todos os órgãos da prefeitura estão envolvidos para ajudar no atendimento social, psicológico e nos primeiros socorros às pessoas".
O Ministério Público Estadual da Bahia já havia proposto duas ações civis públicas alertando para o risco de acidentes na travessia entre Salvador e a Ilha de Itaparica. O órgão informou que destacará um promotor público para acompanhar as investigações sobre as causas do acidente.
O apoio às buscas envolveu 115 policiais e 15 viaturas, três motocicletas, duas aeronaves, dois quadriciclos, uma lancha, uma base móvel e um caminhão tanque. Do Corpo de Bombeiros, foram dezenas de profissionais, dentre eles, 13 mergulhadores
Acidente de ontem
Segundo a Associação de Transportadores Marítimos da Bahia, a lancha Cavalo Marinho 1 tinha capacidade para 162 pessoas -124 pessoas estavam a bordo, sendo quatro tripulantes.
Já as pessoas resgatadas com vida totalizam 89, tendo sido encaminhadas para unidades de saúde e hospitais da região.
Um dos sobreviventes relatou ter sido encoberto pela embarcação durante o acidente, que ocorreu sob chuva forte. Matheus Ramos, 23, conta que estava sentado mais próximo ao mar e que a lancha virou por cima dele.
O naufrágio ocorreu por volta das 6h30, no momento em que a lancha deixava Mar Grande, no município de Vera Cruz, na região metropolitana de Salvador.
No horário, o público mais comum na travessia é de trabalhadores e de estudantes que passam o dia na capital baiana.
A lancha virou e eles caíram na água. A maioria conseguiu subir em botes que também caíram na água. Ele ajudou um idoso que estava segurando-se numa mochila e diz que o resgate demorou -os dois ficaram cerca de duas horas à deriva.
O naufrágio na Bahia ocorre após uma outra embarcação, desta vez, no Pará, afundar com dezenas de pessoas a bordo. Ao menos, 21 pessoas morreram no acidente. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Pará, as equipes que trabalham nas buscas das vítimas encontraram, ontem, mais 11 corpos.
Dados do SUS apontam que, nos últimos 10 anos, 1.289 pessoas morreram em acidentes de transporte sobre a água.

24 de ago de 2017

Netflix sob ataque

Anúncio da Disney sobre criação do próprio serviço de streaming reforça crescente concorrência ao monopólio da maior empresa do ramo

Crédito: Divulgação
ALVO Cena de “Star Wars”: franquia está em disputa por gigantes (Crédito: Divulgação)
As 125 milhões de horas de filmes e séries assistidas diariamente ao redor do mundo por assinantes da Netflix podem cair consideravelmente a partir de 2019, quando a Disney pretende inaugurar seu próprio serviço de streaming e retirar seus produtos do catálogo da marca que hoje domina as transmissões de vídeo sob demanda. Com 104 milhões de assinaturas ao redor do mundo, a Netflix vê seu império ameaçado não apenas com o anúncio da Disney, mas também com a criação de outros serviços, como a Amazon Prime Video, concorrente direta lançada no Brasil em dezembro de 2016. Para Diego Oliveira, professor de Mídia e Dados da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), os novos rumos do mercado vão beneficiar o consumidor final, o grande alvo das empresas. “Haverá uma oferta maior, mais possibilidades de escolha, e os serviços terão que criar novos pacotes de adesão para se adaptar ao cotidiano do cliente”, diz.
Bolo dividido

A saída da Disney significa a perda de títulos de peso como a franquia “Star Wars”, os filmes de super-heróis da Marvel e vários sucessos infantis do estúdio de animação Pixar. Os dois primeiros, inclusive, são alvo de uma negociação para que se mantenha o direito de exibição. Em comunicado, a Netflix afirma que essa questão afeta apenas os assinantes dos Estados Unidos e que continuará fazendo negócio com a Walt Disney Company “globalmente em muitas frentes”.
Especula-se, porém, que com o tempo a mudança afete também o público de outros países. Para Oliveira, o surgimento de concorrentes é um caminho natural, ainda que a marca seja pioneira e tenha criado uma revolução no consumo de entretenimento. “Uma vez que a população criou o hábito de consumir o serviço de streaming, outras propostas tendem a surgir. É normal em qualquer negócio, o bolo vai ser dividido.” Ainda com a ameaça da concorrência, a Netflixcontinua a maior marca do ramo, com valor de mercado de US$ 74 bilhões.
CLÁSSICOS A nova versão de “A Bela e a Fera”, sucesso de bilheteria: Netflix tem direito exclusivo sobre novos filmes das
Disney, mas só até 2019 (Crédito:Divulgação)

23 de ago de 2017

Terroristas que atacaram em Barcelona planejavam atentados maiores

Um dos suspeito admitiu que grupo pensava em atacar grandes monumentos da região

Barcelona - Um dos quatro suspeitos dos atentados que deixaram 15 mortos e 120 feridos na Catalunha, Mohamed Houli Chemlal, admitiu, nesta terça-feira, a um juiz espanhol que ele e os demais integrantes da célula terrorista planejavam um ataque maior, com bombas, em grandes monumentos.
Além de Barcelona, Cambrils também foi atacada pela célula terrorista, que planejava atentados maiores AFP
Chemlal ficou ferido em uma explosão acidental em uma casa em Alcanar, 200 km ao sul de Barcelona), onde o grupo fabricava explosivos, ato que teria precipitado os ataques,
Ele e outros três suspeitos sobreviventes da célula terrorista responsável pelos atropelamentos em Barcelona e Cambrils, desbaratada pela polícia catalã, foram levados à Audiência Nacional de Madri, jurisdição encarregada dos casos de terrorismo. Driss Oukabir, Mohammed Aallaa, Mohamed Houli Chemlal e Salh El Karib, foram levados em camburões e escoltados por inúmeras viaturas. Todos foram acusados de "integrar organização terrorista, danos e posse de explosivos".
Os outros oito integrantes do grupo morreram, seis deles executados pela polícia, e dois na explosão em Alcanar.
O juiz Fernando Andreu determinou a prisão provisória de Mohamed Houli Chemal, um espanhol de 21 anos, e de Driss Oukabir, marroquino de 27.