30 de out de 2011

O farejador de contas

Quem é e como trabalha o promotor que descobre o dinheiro que os corruptos escondem no Exterior e já desvendou os segredos de Maluf e do conselheiro Eduardo Bittencourt, do Tribunal de Contas de São Paulo

Alan Rodrigues

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XERIFE
Sílvio Marques atribui êxito à cooperação internacional

Aos 45 anos, o promotor do Ministério Público paulista, Sílvio Marques, é uma espécie de superxerife das contas públicas. Em sua sala no MP, as medalhas e placas de condecorações internacionais atestam a eficiência de suas investigações. Sua especialidade, porém, é rastrear dinheiro enviado para o Exterior. Ele se notabilizou por ter bloqueado cerca de R$ 5 bilhões, entre bens e contas, do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) e repatriado mais de R$ 4 milhões do ex-prefeito da capital paulista Celso Pitta que estavam escondidos em paraísos fiscais.

Atualmente, R$ 33 bilhões estão sendo questionados na Justiça por Marques e sua equipe – são mais de 700 corruptos investigados em 1.200 processos. Nos últimos dias, o promotor foi o responsável por desencadear mais um rumoroso caso envolvendo remessas de verbas para fora do País. Graças ao seu trabalho, documentos referentes às contas do conselheiro fiscal do Tribunal de Contas do Estado (TCE) de São Paulo, Eduardo Bittencourt, acusado de enriquecimento ilícito, improbidade e lavagem de dinheiro, foram entregues às autoridades brasileiras. Os papéis do Lloyds Bank em NY, obtidos por Marques, derrubaram a versão do acusado que desconhecia a existência das contas. Segundo as investigações do MP, Bittencourt amealhou mais de R$ 50 milhões em patrimônio. Ao que tudo indica, Marques conseguiu farejar mais uma bolada de dinheiro em contas no Exterior. À luz da nova lei, aprovada na Câmara dos Deputados, que considera que todo golpe ou contravenção poderá levar ao crime de lavagem de dinheiro, Bittencourt poderá ser obrigado a devolver tudo. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) calcula que R$ 345 milhões desviados nos últimos três anos já retornaram aos cofres públicos. O MP paulista responde com 50% desse dinheiro. No Brasil nem 1% do dinheiro desviado pela corrupção é devolvido.

Na tarde da quarta-feira 26, o promotor Marques explicou à ISTOÉ a razão do êxito. “Avançamos em São Paulo por causa da cooperação internacional”, revelou ele. Essa cooperação é feita com a Interpol e com a Justiça de vários países. O trabalho de Marques e seus pares não é nada fácil. Somente no inquérito do caso Maluf, ele conferiu mais de 250 mil páginas de documentos, anexadas aos 700 volumes de peça jurídica. “Não tem preço saber que pessoas como o Maluf estão com os bens bloqueados”, diz Marques. “Em mais de 30 anos de política sempre me acusaram e nunca provaram nada”, defende-se Maluf. A cantilena dos investigados não causa medo, tampouco assombro ao promotor. Ele ensina que a corrupção não acaba, sofistica-se. “E nós temos que estar preparados”, afirma.

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26 de out de 2011

24 de out de 2011

FAB, HEROÍSMO E HUMILHAÇÃO EM HOLOCAUSTO

31 de outubro de 1944, “contato companheiros... lancemos o roncar da hélice a girar!” O avião de caça era um P-47/Thunderbolt, para variar de fabricação estrangeira. A nação não produzia como ainda hoje não fabrica as aeronaves de combate para seus aviadores. Mas na cabine, examinando o painel, checando a carga das bombas, vistoriando as metralhadoras, manejando o manche, está um piloto audaz, agressivo, competente, é o seu batismo de fogo nos céus da Itália: esses americanos vão se admirar do que ele pode fazer com suas máquinas aladas de combate!

“Vamos filhos altivos dos ares... vamos nuvens e céus enfrentar!” Foram apenas dez dias, é de admirar, voando integrados `as formações de comando norte-americano. No dia 11 de novembro, o 1º Grupo de Aviação de Caça se supera, passando a voar em esquadrilhas constituídas exclusivamente por pilotos da FAB, batendo alvos próprios. De outubro de 1944 a maio de 1945 foram 445 missões de combate. No efetivo de 350 integrantes estavam inclusos os 49 aviadores/pilotos de combate mandados ao Teatro de Operações do Mediterrâneo que, ao final de pouco mais de seis meses em missões de guerra, estavam reduzidos a apenas 23. O filme se assemelha com o que estamos vendo agora com a novela da modernização da Força Aérea: o governo da república, como só em ser, não enviou reposições suficientes para os nossos “ases” abatidos na luta.

Todavia, mesmo com a capacidade operacional quase comprometida, nosso aguerrido 1º Grupo de Aviação de Caça continuava a dizer ao que fora, sem diminuir o número de missões diárias, com nossos “falcões” voando em duas e até três missões no mesmo dia. Que os verdadeiros brasileiros se orgulhem, eles verdadeiramente “sentaram a pua”: somente no curto período de 23 dias, de 6 a 29 de abril de 1945, o XXII Comando Aerotático/USA atribuiu oficialmente à nossa Força Aérea Expedicionária nada mais nada menos do que: 15% das viaturas destruídas, 28% das pontes desmanteladas; 36% dos depósitos de combustível danificados e 85% de depósitos de munições atingidos. Sua operacionalidade foi de tal envergadura que o governo americano galardoou o grupo com a “Presidential Unit Citation”, condecoração só concedida às unidades que se distinguiam pelas demonstrações de heroísmo, determinação e espírito de corpo no cumprimento de missões sob extrema dificuldade e condições de perigo.

Estamos agora em outubro de 2011, são passados 67 anos, o espírito de corpo de nossos pilotos da caça continua o mesmo. O mesmo sangue frio, a mesma coragem, a admirada agressividade e a reconhecida noção de cumprimento do dever. E não apenas pilotando os jatos, se bem que já capengas e mesmo remendados que a nação lhes destina. Quem assistiu à demonstração da Esquadrilha da Fumaça que o diga. Todos viram, quem foi à parada do “7 de Setembro” em Brasília, era o enceramento do desfile. Extasiadas as crianças e os jovens, maravilhados os adultos, apressadas algumas autoridades em se retirar do palanque presidencial, entediadas. Todavia, aquele drapejar de perícia e de audácia em aviões, deve ser dito, ainda movidos à hélice como o velho P-47 foi de arrepiar o sentimento de brasilidade. Com certeza, nossos rapazes naquele momento eram os mesmos heróis redivivos do veterano 1º Grupo de Aviação de Caça que desceu o “chicote” nos arrogantes soldados nazistas.

De qualquer forma, não há como não lamentar: aqueles inigualáveis capitães e tenentes, aviadores entusiasmados, é de pasmar, além de ganharem menos do que os ascensoristas do Congresso Nacional, ainda não estão pilotando os caças de última geração prometidos pela politicalha nacional. Nossos governantes e parlamentares, chega-se às raias da mediocridade irresponsável, estão muito mais preocupados em administrar os dividendos do pré-sal do que, primeiro e muito mais importante, assegurar os meios de defesa compatíveis para garantir ao País a posse de tamanho manancial de riquezas.

“Mas se explode o corisco no espaço ou a metralha na guerra a rugir... não nos faz o perigo fugir!” Eles vão estar lá. Nossos pilotos de combate quando chamados, que não se duvide, eles vão estar lá! Assim como aconteceu com os aviadores argentinos nas Malvinas, a maioria deles vai ser sacrificada em seus “caixões voadores”, até que a mesma politicalha infame jogue a toalha colocando a nação de joelhos! Nesta hora, cuidado, eles e seus assemelhados não vão perdoar os maus brasileiros que os traíram!

Paulo Ricardo da Rocha Paiva

Coronel de Infantaria e Estado-Maior

ARTIGO PUBLICADO NO "CORREIO DO BRASIL/RJ". Segunda-feira, 24 de Outubro de 2011.

http://correiodobrasil.com.br/fab-heroismo-e-humilhacao-em-holocausto/316814/


23 de out de 2011

Cristina ganó con más del 54% de los votos y el Gobierno podría lograr mayoría en el Congreso

Todos los sondeos coinciden en que la Presidenta superó el caudal de votos que había logrado en las primarias. Se convirtió así en el tercer mandatario reelegido en la historia argentina en períodos consecutivos. El 10 de diciembre asumirá su segundo mandato. El socialista Hermes Binner quedó segundo, aunque a 40 puntos de distancia

Todos los sondeos coinciden en que la actual Presidenta de la Nación superó el caudal de votos que había logrado en las primarias, que fue del 50,24% y de ese modo, se convirtió así en el tercer mandatario reelegido en la historia argentina en períodos consecutivos.El socialista Hermes Binner quedó segundo, aunque a 40 puntos de distancia de Fernández de Kirchner. De este modo, el Frente Amplio Progresista, se consolida como la segunda fuerza nacional, con una gobernación –la de Santa Fe- bajo su mandato.Los primeros datos oficiales se conocerán a las 21 horas, en algunos casos con mayor velocidad y en otros, con la misma demora de las pasadas elecciones primarias, pues se elige gobernador en 9 provincias y en el mayor distrito nacional (la provincia de Buenos Aires) se define también, senadores nacionales, diputados y senadores provinciales y 135 intendentes.La Presidenta logra su reelección, luego de 4 años con sucesos políticos de mucha relevancia, incluso con el fallecimiento de su esposo y antecesor en el cargo, Néstor Carlos Kirchner.A poco de asumir como jefa de Estado, el escándalo de Guido Alejandro Antonini Wilson, tiño el primer tramo de su mandato. El venezolano-norteamericano –que integraba la comitiva del presidente Hugo Chávez en su visita a la Argentina- fue descubierto por la PSA con un maletín con 800.000 dólares.Luego del decomiso del dinero por parte de la Policía de Seguridad Aeroportuaria, Antonini Wilson fue visto y filmado en la propia Casa Rosada, junto a funcionarios venezolanos.En 2008, la decisión de ir por las retenciones agropecuarias mediante la Resolución 125, generó un intenso conflicto con las entidades rurales, que alcanzó su pico cuando Julio Cleto Cobos, vicepresidente de la Nación y compañero de fórmula de Cristina en 2007, votó en contra del proyecto oficial, e inclinó la balanza hacia la marcha atrás del Gobierno nacional.El 27 de octubre de 2010 el país se sorprendía esa mañana con el fallecimiento de Néstor Kirchner, por un infarto masivo de miocardio. El matrimonio se encontraba descansando ese día, pues se realizaba el Censo Nacional, en su residencia de descanso en El Calafate, provincia de Santa Cruz.
Desde ese día, la jefa de Estado luce un riguroso luto.Respecto de la elección nacional de hoy, resta saber cómo se escalonarán los demás participantes de la elección presidencial. Ricardo Alfonsín se ubicaba en el tercer lugar, con cifras similares a las obtenidas en las primarias. Luego, los peronistas disidentes Alberto Rodríguez Saá y Eduardo Duhalde.Tanto la Coalición Cívica como el Frente de Izquierda esperaban mejorar su performance de las PASO, donde obtuvieron 3,23% y 2,46%, respectivamente.La pelea por la composición de los bloques del Congreso Nacional también está presente en esta elección pero la demora será mayor en este rubro, pues algunas disputas podrán conocer su resolución recién mañana.La Presidenta de la Nación concurrió pasadas las 20 horas al Hotel Intercontinental, habitual sede para los escrutinios del Frente para la Victoria.

Cristina Fernández de Kirchner asumirá el 10 de diciembre su segundo período frente a la Asamblea Legislativa. En 2007, recibió el bastón y la banda presidencial de su marido, Néstor Kirchner.

Com Cristina como favorita, Argentina dá início a eleição geral

Os colégios eleitorais abriram as portas neste domingo para que 28,6 milhões de argentinos votem para escolher o presidente do país para os próximos quatro anos, em um pleito em que a atual governante Cristina Kirchner parte como ampla favorita para vencer já no primeiro turno.

As urnas ficarão abertas até as 18h (19h de Brasília).

Como foi determinado nas primárias de 14 de agosto, além de Cristina, líder do peronista Frente para a Vitória, outros seis candidatos lutarão pela Presidência.

O socialista Hermes Binner, o radical Ricardo Alfonsín, os peronistas dissidentes Eduardo Duhalde e Alberto Rodríguez Saá, a centrista Elisa Carrió e o esquerdista Jorge Altamira.

Pela legislação do país, o vencedor deverá somar 45% dos votos ou 40% com dez pontos de diferença sobre o segundo para se tornar o próximo líder no primeiro turno.


Arte/Folhapress

Além de eleger aquele que vai dirigir o país até 2015, este renova 130 das 257 cadeiras da Câmara dos Deputados e um terço das 72 do Senado.

Ao todo, 86.061 mesas mistas foram distribuídas em 12.728 centros de votação no país e no exterior. A estimativa é que 50 mil argentinos votem em outros países.

Conforme o diretor nacional eleitoral, Alejandro Tulio, neste pleito vão trabalhar 180 mil presidentes de mesa, 250 mil fiscais partidários, 20 mil delegados eleitorais e 100 mil empregados do serviço estatal dos correios.

Para este dia serão mobilizados ainda 115 mil agentes das Forças Armadas e policiais de 24 distritos eleitorais do país.

FAVORITISMO DE CRISTINA

Impulsionada pela forte recuperação da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, 58, deverá ser reeleita neste domingo no primeiro turno com a chance de se tornar um dos presidentes mais bem votados da história do país, ao lado de nomes como Juan Perón.

Única representante do projeto político iniciado por seu marido, Néstor Kirchner (1950-2010), em 2003, e explorando o luto e o legado do ex-presidente, Cristina encontrou um caminho tranquilo para a reeleição com uma oposição fragmentada.

Segundo os prognósticos, a presidente pode superar o segundo colocado em até 40 pontos, algo inédito na história das eleições argentinas.

Pesquisa mais recente da consultora Management & Fit dá a Cristina 54,3% dos votos. Os indecisos estão em segundo, com 14,3%. Logo atrás vêm o socialista Hermes Binner, com 11%, Rodríguez Saá (peronista dissidente) e Ricardo Alfonsín (UCR), ambos empatados com 5,5%.

Quem mais caiu foi o também peronista dissidente Eduardo Duhalde, com 4%. A conservadora Elisa Carrió, que chegara em segundo na primeira eleição de Cristina, mal consegue 1% dos votos.

Para Mariel Fornoni, diretora da Management & Fit, o fato de a oposição ter ido tão mal nas primárias, em agosto, fez muita gente se decepcionar com os candidatos e retirar os seus votos -daí o grande número de indecisos.

Eleita em 2007 após mandatos no Congresso, Cristina seguiu na Casa Rosada a cartilha do marido, responsável por reerguer o país após a crise de 2001. Com forte intervenção do Estado, os governos Kirchner fizeram a economia crescer à média de 9% ao ano e reduziram a pobreza com programas sociais.

Ela também apoiou bandeiras progressistas, como o casamento gay e uma política de direitos humanos que incentiva o julgamento de militares que cometeram crimes na última ditadura (1976-83).

"Eles conseguiram algo semelhante ao que Lula fez no Brasil, de recuperar a autoestima, principalmente dos mais pobres", disse à Folha o analista Ricardo Rouvier.

A repentina viuvez de Cristina contribuiu para sua popularidade. Antes da morte de Néstor (por infarto, em 27 de outubro de 2010), sua avaliação estava em declínio.

Além do luto que já dura quase um ano, Cristina passou a se referir a Néstor em discursos, quando costuma chorar, usando apenas "Ele".

A morte do marido amenizou o tom de confrontação que lhe era característico, embora seu governo continue promovendo ações contra a imprensa independente e empresas não alinhadas.

A presidente também distanciou-se do sindicalismo para fomentar o crescimento do La Cámpora, grupo jovem criado por seu filho Máximo cujos integrantes ocupam diversos cargos no governo.

22 de out de 2011

Embraer busca ampliar fornecedores para o KC-390

A Embraer está buscando novos fornecedores da indústria aeronáutica brasileira para o programa da aeronave de transporte militar KC-390, que está sendo desenvolvida pela empresa para a Força Aérea Brasileira (FAB). Na quarta-feira, cerca de 80 empresas nacionais do setor participaram de um workshop, promovido pela FAB, com o objetivo de apresentar oportunidades de curto e médio prazo para a cadeia produtiva da aeronave.
A indústria nacional, segundo o diretor do programa do KC-390 na Embraer, Paulo Gastão Silva, já participa de alguns sistemas considerados estratégicos no avião, como o trem de pouso, que será fornecido pela Eleb, subsidiária integral da Embraer. A AEL Sistemas, de Porto Alegre, foi escolhida para fornecer o computador de missão do KC-390, mas também está selecionada para participar de outros sistemas da aeronave.
Os detalhes sobre essa nova participação da AEL, de acordo com Gastão, serão anunciados nos próximos dias. A Embraer detém participação de 25% na AEL, com quem também criou, no começo de setembro, uma joint-venture - a Harpia - focada nos mercados de veículos aéreos não-tripulados, simuladores e sistemas aviônicos.
Na área de serviços de engenharia e projeto da estrutura do avião, a Embraer já vem trabalhando com quatro empresas brasileiras - Akaer, Aernnova, Sobraer e Alestis - todas elas com unidade industrial em São José dos Campos. Segundo a Embraer, o índice de nacionalização do KC-390, calculado pelo BNDES é estimado em 60%, mas poderá chegar a 80%, se não forem considerados os motores, que representam cerca de um terço do custo total da aeronave.
O motor do KC-390 será fornecido pelo consórcio International Aero Engines (IAE), formado pelas empresas Pratt & Whitney, Rolls-Royce, Japanese Aero Engine Corporation e MTU Aero Engines. O programa de desenvolvimento do KC-390 está orçado em R$ 3 bilhões. O primeiro voo da aeronave foi programado para 2014.
Atualmente, diz Gastão, mais de 500 pessoas, entre engenheiros e projetistas, trabalham diretamente no programa do KC-390 dentro da Embraer. "Estamos na terceira fase do projeto, que contempla as definições conjuntas e trabalho com os principais fornecedores e parceiros da aeronave. O objetivo no momento é detalhar e alinhar as diversas interfaces do projeto."
O próximo passo, segundo o executivo, previsto para meados de 2012, é o detalhamento do projeto e o processo de certificação da aeronave. Além de estimular o fomento e a capacitação da cadeia de fornecedores nacionais, a Aeronáutica está incentivando as empresas a buscarem parcerias com fornecedores de outros países já contratados pela Embraer no programa do novo avião.
Além do motor, a Embraer já anunciou seus parceiros na área de aviônica (Rockwell Collins), sistemas de movimentação de carga e lançamento aéreo (americana DRS Defense Solutions), sistemas de controle ambiental e de pressão da cabine da aeronave (alemã Liebherr Aerospace) e o sistema de automanete (americana Esterline Control Systems), entre outros.
Para os estrangeiros, a Aeronáutica exige compensações comerciais e tecnológicas. Segundo informações divulgadas anteriormente pela FAB, nas negociações dessas compensações, o projeto deverá gerar mais de 14 contratos de transferência de tecnologia.

20 de out de 2011

Gaddafi foi morto em troca de tiros entre rebeldes e apoiadores, diz premiê líbio

O premiê da Líbia, Mahmoud Jibril, confirmou a agências de notícias que o ex-ditador da Líbia Muammar Gaddafi foi morto durante uma troca de tiros entre rebeldes e seus apoiadores em sua cidade natal, Sirte, nesta quinta-feira.

As declarações chegam após um pedido da ONG Anistia Internacional, em Londres, para que o governo interino líbio fizesse uma investigação e apresentasse mais detalhes sobre as circunstâncias em torno da morte de Gaddafi.


Reprodução
Reprodução da AL jazeera
Reprodução da emissora de TV Al Jazeera, com sede no Qatar, mostra ex-ditador Muammar Gaddafi morto

Embora inicialmente não houvesse uma versão oficial, um vídeo que mostra o ex-ditador capturado ainda com vida nesta quinta-feira transmitido por emissoras árabes gerou suspeitas de que ele tivesse sido executado pelos rebeldes.

Numa coletiva de imprensa em Trípoli, Jibril disse que relatórios de perícia mostram que a causa da morte foi um tiro recebido durante um tiroteio.

"Gaddafi foi retirado de dentro de uma tubulação de esgoto e não mostrou resistência alguma. Quando começamos a movê-lo ele foi atingido por um tiro no braço direito e quando o colocamos numa picape ele ainda não tinha nenhum outro ferimento", disse o premiê citando o relatório.

"Quando o carro começou a se mover houve um tiroteio entre rebeldes e as forças de Gaddafi, no qual ele foi atingido por um tiro na cabeça. O médico legista não conseguiu determinar se a bala pertencia aos rebeldes ou às forças de Gaddafi", disse Jibril, acrescentando que o ex-ditador morreu poucos minutos após chegar a um hospital de Misrata.

Jibril disse ainda que o anúncio da liberação da Líbia será feito no sábado (22), em Benghazi, e que Mutassim Gaddafi, filho do ex-ditador capturado nesta quinta, também está morto, embora Saif al Islam ainda esteja foragido.

AVIÕES FRANCESES E DRONE DOS EUA

Em outra indicação sobre as circunstâncias da morte do ex-ditador, o ministro da Defesa da França, Gérard Longuet, anunciou que aviões franceses identificaram e "pararam" o comboio no qual estava o ex-ditador antes que fosse atacado em terra por forças líbias do novo regime.

O comboio, "de várias dezenas de veículos", foi "parado quando tentava fugir de Sirte, mas não foi destruído pela intervenção francesa", explicou Longuet à imprensa.


Editoria de Arte/Folhapress

Depois os combatentes líbios do Conselho Nacional de Transição (CNT) chegaram, destruindo os veículos dos quais "retiraram o coronel Gaddafi", acrescentou o ministro.

Segundo Longuet, um caça Mirage-2000 francês recebeu a ordem do comando conjunto da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) "de impedir o avanço dessa coluna" e após o ataque do avião ao comboio das forças do CNT "foram destruídos os veículos, deixando mortos e feridos, entre os quais, segundo foi confirmado posteriormente, estava o coronel Gaddafi".

Um drone americano Predator também disparou um míssil contra o mesmo comboio. O drone disparou seu míssil Hellfire nas imediações de Sirte "contra o mesmo comboio" que foi atacado pelo caça francês, segundo esta autoridade.

MANDATO DA ONU

Embora tenham reiterado que a meta no país não era a captura do ditador, algo que não estava incluso nas resoluções das Nações Unidas que aprovaram a missão da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), as potências ocidentais deixaram transparecer nos últimos meses que persistiriam até que o país estivesse totalmente livre do ex-ditador.

"A Otan e seus parceiros concluíram com êxito o mandato histórico confiado pelas Nações Unidas para proteger o povo líbio. Nós terminaremos nossa missão em coordenação com as Nações Unidas e com o Conselho Nacional de Transição", disse o secretário-geral da aliança atlântica, Anders Fogh Rasmussen.

Na mesma linha, o presidente dos EUA, disse mais cedo que com a morte de Gaddafi a Líbia está "totalmente livre" e a missão da Otan "atingiu seus objetivos e deve logo chegar ao seu fim".

Vários países, incluindo os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) criticaram a aliança atlântica e as potências por terem extrapolado os limites dos mandatos da ONU durante a ação na Líbia e mostram hesitação quanto a medidas semelhantes em países como a Síria, onde a repressão do ditador Bashar al Assad aos protestos já teria deixado mais de 3.300 mortos, segundo a ONU.

Orlando Silva...

(Charge de Elias, copiada do blog "Os diaristas" de Zero Hora)

19 de out de 2011

Despedida de Nancy Iriarte (ex-esposa de Hugo Chávez) de seu ex-marido

Essa carta serve de  modelo para todos os tiranos do planeta e, sem duvida alguma, aos politicos corruptos que tanto mal causam à humanidade e a seus próprios países.

29 de setembro de 2011

Impressionante, muito profunda a despedida precoce de Nancy Iriarte Díaz (sua ex-esposa) a Hugo Chávez, que foi publicada em 9 de agosto de 2011 num dos jornais venezuelanos de maior circulação: o "El Universal".

Hugo, algumas considerações sobre a tua morte que se aproxima:
Não quero que partas desta vida sem antes nos despedirmos, porque tens feito um mal imenso a muita gente, tens arruinado famílias inteiras, tens obrigado legiões de compatriotas a emigrar para outras terras, tens enlutado um número incontável de lares, aos que achavas que eram teus inimigos os perseguistes sem quartel, os aprisionastes em cubículos indignos até para animais, os insultastes, os humilhastes, os enganastes, não só porque te achavas poderoso, mas também imortal... Porque o fim dos tempos não te alcançaria.
Mas a tua hora chegou, os prazos se esgotaram, o teu contrato chega ao seu fim, teu "ciclo vital" se apaga pouco a pouco e não da melhor maneira; provavelmente morrerás numa cama, rodeado de tua família, assustada, porque vais ter que prestar contas uma vez que das teu último alento, te vás desta vida cheio de angustia e de medo, lá vão estar os padres a quem perseguistes e insultastes, os representantes dessa Igreja que ultrajastes por prazer, claro que te vão dar a extrema unção e os santos óleos, não uma, mas muitas vezes, mas tu e eles sabem que não servirão para nada, mas só para acalmar o pânico a que está presa a tu alma ante o momento que tudo define.
Morres enfermo, padecendo do despejo, das complicações imunológicas, dos terríveis efeitos secundários das curas que prometeram alongar a tua vida, teus órgãos vão se deteriorando, uma a um, tuas faculdades mentais vão perdendo o brilho que as caracterizava, teus líquidos e fluidos são coletados em bolsas plásticas com esse fedor de morte que tanto te repugna.
Diga-me, neste momento, antes que te apliquem uma nova injeção para acalmar as dores insuportáveis de que padeces, vale a pena que me digas que não te possam tirar a dança - ah! - as viagens pelo mundo, os maravilhosos palácios que te receberam, as paradas militares em tua honra, as limusines, os títulos honoríficos, os pisos dos hotéis cinco estrelas, as faustosas cenas de estado... Diga-me agora que vomitas o mingau de abóbora que as enfermeiras te dão na boca, se era sobre isso que se tratava a vida, pois os brilhos e as lantejoulas já não aprecem nos monitores e máquinas de ressuscitação que te rodeiam, as marchas e os aplausos agora são meros bipes e alarmes dos sensores que regulam teus sinais vitais que se tornam mais débeis.

Podes escutar o povo do teu país lá fora do teu quarto?... Deve ser tua imaginação ou os efeitos da morfina, não estás na tua pátria, estás em outro lado, muito distante, entre gente que não conheces... Sim, estás morrendo em teu próprio exílio, entre um bando de moleques a quem confiou entregar teu próprio país, teus últimos momentos serão passados entre cafetões e vigaristas, entre a tua coorte de aduladores que só te mostram afeto porque lhes davas dinheiro e poder; todos te olham preocupados e com raiva, nunca deixastes que nenhum deles pudesse ter a oportunidade de te suceder; agora os deixas ao desabrigo e teu país à beira de uma guerra civil... Era isso o que querias? Foi essa a tua missão nesta vida? Esquece-te da quantidade de pobres, agora há mais pobres do que quando chegastes ao poder; esquece-te da justiça e da igualdade quando praticamente lhe entregastes o país a uma força estrangeira que agora teremos de desalojar à força e ao custo de mais vidas.

Tenho a leve impressão que agora sabes que te equivocastes; acreditastes num conto de passagem e te julgastes revolucionário, e por ser revolucionário... imortal; convocastes para o teu lado os mortos, teus heróis, esses fantasmas que também julgavas ter vida, Bolívar, Che Guevara, Fidel, e Marx que nunca conhecestes e que recomendavas a sua leitura... Andar com mortos te levou à magia e aos babalaôs, te metestes a violar sepulturas, e a fazer oferendas a uma coorte de demônios e espíritos maus que agora te acompanham... Sentes a presença deles no quarto? Estão vindo te cobrar, recolher a única coisa que deverias valorizar em tua vida e que tão sinistramente atirastes na obscuridade e no mal, a tua alma.

Bem, me despeço; só queria que soubesses que passarás para a história do teu país como um traidor e um covarde, por não teres retificado tua conduta quando pudestes e te deixastes levar por tua soberba, por teus ideais equivocados, por tua ideologia sinistra renunciando aos valores mais apreciados, a tua liberdade e à liberdade dos outros, e a liberdade nos torna mais humanos.

"O socialismo só funciona em dois lugares: no céu, onde não precisam dele, e no inferno onde é a regra dos que sofrem".
Nancy Iriarte Díaz

Médicos de São Paulo desenvolvem técnica para combater o aumento benigno da próstata



A técnica que o Hospital das Clínicas de São Paulo desenvolveu usa minúsculos grãos de resina que são ejetados em um cateter que entra no corpo do paciente pela virilha e é guiado até a próstata.

18 de out de 2011

RESPOSTA À REVISTA CARTA CAPITAL

*Cel Forrer Garcia

Senhor LEANDRO FORTES, repórter da revista Carta Capital. Sobre reportagem de sua autoria na edição n° 668, de 19 de outubro de 2011, gostaria de levar ao seu conhecimento que se segue:

Uma vez que o senhor leu, mesmo que por alto, esse Manual de Campanha que tanto detrata em sua reportagem, deve então saber que seu trabalho enquadra-se na técnica de propaganda conhecida como “propaganda divisionista”. Isto é, um textozinho que se mostra indisfarçável na sua intenção de atingir os militares, com o intuito de afastá-los ou indispô-los contra a sociedade. Por isso, divisionista.

Usando uma técnica de contrapropaganda que senhor conhece, vou tentar rebater ponto a ponto , parágrafo por parágrafo, as insanidades por você escritas, mas sei que, como nas tantas outras reportagens do estilo dessa sua, que nem novidade é, será gastar muita pólvora com tico-tico.

Começo pelo fim. Quando o senhor desconsidera o Centro de Comunicação Social do Exército (CCOMSEx) que teria terminado uma nota à sua revista com o que o senhor considera como uma ameaça, saiba (sim, porque o senhor provou que não sabe) que o que ali está dito nada mais é do que um parágrafo do Decreto nº 4.553, de 27 de dezembro de 2002 (Dispõe sobre a salvaguarda de dados, informações, documentos e materiais sigilosos de interesse da segurança da sociedade e do Estado...) assinado pelo então presidente Lula. Diz o Decreto: Art° 37 – Parágrafo 1°... “Todo aquele que tiver conhecimento, nos termos deste Decreto, de assuntos sigilosos, fica sujeito às sanções administrativas, civis e penais, decorrentes da eventual divulgação dos mesmos.” e Art° 65 “Toda e qualquer pessoa que tome conhecimento de documento sigiloso, nos termos deste Decreto fica, automaticamente, responsável pela preservação do seu sigilo.”

Portanto senhor jornalista, não se trata de ameaça, senão do cumprimento do que a lei preconiza. Caso o senhor não goste da lei, vá queixar-se a quem a fez e a sancionou, e não venha com insinuações de baixo nível para cima de quem a cumpre.

Quanto ao título de sua reportagem – caso o senhor tenha realmente estudado o manual, como os militares que, por dever de ofício o fazem, trata-se de uma “generalização brilhante”, pois emprega a palavra “nós” para iludir seus leitores. O senhor não tem procuração minha para falar em meu nome e, certamente, no nome de tantos outros brasileiros. Ao dizer “Nós, os inimigos”, o senhor peca novamente, por generalizar indevidamente. Eu, assim como tantos outros brasileiros, não me considero um inimigo do Exército.

Quando o senhor emprega erroneamente o conceito de “Forças Adversas”, deveria ter procurado saber que esse conceito veio justamente para acabar com a antiga expressão “inimigo interno”, antigamente usada para referência às forças citadas no manual e que tem potencial para perturbar a lei e a ordem. Como devia ser de seu conhecimento, a Constituição de 1988 atribuiu como uma das missões das Forças Armadas “a garantia da Lei e da Ordem.”


Então, cabe aos militares estudar o adversário, sob pena de prevaricar de seu dever de estarem sempre preparados para cumprir com seus deveres constitucionais. O senhor como cidadão, o que diria se as Forças Armadas, particularmente o Exército, fossem chamadas a cumprir seu dever e fossem “apanhadas com as calças na mão”?

O manual ao que o senhor se refere não foi classificado internamente como “Reservado”. Ele foi classificado como manda a lei, ou seja, como manda o Decreto a que já me referi. No meu entender, acho até baixa a classificação sigilosa que lhe foi atribuída de “Reservado”. Caberia muito bem a classificação “Confidencial”, o que lhe restringiria mais um pouco a circulação. Talvez assim, jornalistas tendenciosos e mal informados como o senhor não tivessem acesso ao documento. Saiba que a classificação “Reservado” foi atribuída para facilitar a circulação “interna corporis”. Porém, como em outras profissões, como a sua por exemplo, existem os maus militares e – com toda a certeza – foi um desses que lhe facilitou o acesso ao manual.

Saiba que se for para defender a Pátria não incomoda aos militares serem chamados de paranoicos. Não mesmo. O que interessa aos militares é cumprir a missão. Quanto a existirem movimentos sociais, ONG e órgãos governamentais com inspiração adversa ao País como pátria e nação, somente um ignorante pode admitir que não existam. Pelo fato dessa minha carta ser destinado ao senhor, deixo de citar algumas dessas organizações, mas o senhor, que se considera esperto, deve admitir que elas existem. Certos países, bem mais desenvolvidos que o nosso, continuam adotando a expressão “inimigos internos” (“...foreign and domestic enemies...”). O Exército, para ser coerente com a evolução social do País, adotou a expressão “Força adversa”, deixando a “Força oponente” apenas para os “foreign”, ou seja, para os inimigos estrangeiros.

Quanto ao manual ter sido aprovado por um oficial-general chefe do estado-maior do Exército, espanta-me partir de um jornalista esta alusão. Talvez quisesse o senhor que um manual desse nível fosse aprovado pelo “cabo das baias”? Mas no Exército não é assim. No Exército é: “A cada um segundo seus méritos. A cada um segundo suas responsabilidades.” E não passou desapercebida a exploração totalmente desnecessária que a revista fez da imagem de um familiar do General. Qualquer “zé mané” em edição gráfica saberia recortar a foto e publicar apenas a imagem do oficial-general, que, aliás, desfruta de elevado respeito na Força e das pessoas que com ele trabalharam.

O senhor goza de igual respeito senhor jornalista?

Quando o senhor fala de “expediente vetado a arapongas militares desde a Constituição de 1988”, vê-se que nem a Constituição o senhor conhece, pois não há nada nela que trate do assunto. Quando seu textinho fala de “política de infiltração de agentes de inteligência militar em organizações civis, notadamente movimentos sociais e sindicatos...”, saiba que não existe política nenhuma a esse respeito. A conclusão esdrúxula é de sua total responsabilidade, tentando enganar seus leitores. O senhor mesmo ao reproduzir parte do manual com alusão a essas palavras e ações, diz que se trata do “4-6 Medidas de Contra Espionagem”, quais sejam, medidas que podem ser adotadas para evitar a espionagem adversa ou oponente. Seria o senhor jornalista tão ingênuo que achasse que o Brasil ou uma instituição nacional como o Exército estariam infensos à espionagem? Deixo de falar pelo Brasil, por não me sentir seguro para tal, mas saiba o senhor que o Exército já foi alvo de tentativas de infiltração por integrantes de “forças adversas”, como o crime organizado, por exemplo, ou, no seu entender, o crime organizado não pode ser chamado de “força adversa”?


Sobre o uso do que preconiza o manual para orientar ações disciplinares contra oficiais da Força, queria que o senhor soubesse que as Forças Armadas dispõem de outro manual muito eficaz para essa finalidade que é o Regulamento Disciplinar. O manual que o senhor tropegamente explora apenas diz os cuidados que se deve ter para com o chamado “inimigo na trincheira”, alusão àqueles militares que, desajustados na profissão, passam da posição de lealdade para a de verdadeiros agentes de forças adversas: tornam-se informantes de alguns órgãos, tentam inverter a cadeia de comando, tentam criar hierarquias paralelas, ou envolvem-se com corrupção. Ou, no seu entender, pessoas que agem assim não podem ser chamadas de “elementos adversos”?

Quando o senhor faz referência à Escola Superior de Guerra, dá outra prova de total ignorância sobre o que está tratando, uma vez que a ESG nada tem a ver com o manual. Desafio-o a encontrar uma só referência à ESG no corpo do manual. A ESG trabalha numa outra esfera de atribuições, tão importantes que não lhe deixa tempo para tratar de um manual de campanha do Exército. Como se diz “no popular”, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

Em seguida, esse jornalista, consoante o tom divisionista que adota em todo o seu textinho, procura mostrar que foi a Carta Capital que levou ao conhecimento do Ministro da Defesa e existência do manual de Contra Inteligência e que o ministro – nada além de sua obrigação – consultou os comandantes militares a respeito. Repito, se fez, fez apenas sua obrigação. Ou esse jornalista acha que a cada ministro da defesa que assume, tem-se que dar conhecimento a ele de todos os manuais que as Forças usam? No Exército existem manuais que ensinam como conduzir um cavalo à mão, como ajustar o tiro de Artilharia por combatente de qualquer arma, como calcular cargas de explosivos para trabalhos de engenharia, outro sobre toques de corneta e clarim. Será que o ministro terá interesse em saber o que mais consta deles? Deixar de regular a sua atividade profissional, para uma Força Armada é prevaricar. Quanto ao fato de o manual ter sido distribuído à Marinha e à Força Aérea, o jornalista, se tivesse estudado o assunto antes de escrever besteiras, saberia que é uma prática comum entre as Forças Armadas trocar entre si manuais doutrinários sobre assunto que seus respectivos órgão geradores de doutrina julguem serem de interesse mútuo.

Esse jornalista faz referência a Pandiá Calógeras como se ele representasse a submissão dos militares ao poder civil, quando, na verdade, pelo menos no âmbito do Exército, Pandiá é tido como um dos melhores ministros da guerra que a Força teve. Até hoje existem espalhados pelo Brasil quartéis construídos num formato padronizado no tempo de Pandiá Calógeras. Não importa se o ministro é da guerra ou da defesa. O que importa é que ele entenda para que existem as Forças e as respeitem quanto ao seu emprego. Já tivemos ministros que nem sabiam a diferença entre um blindado e um carro-forte.

Caso o senhor tivesse lido e entendido o texto do manual, sem a intenção de explorar trechos fora do contexto, teria observado que no capítulo sobre a Contraespionagem, no que se refere à Segurança Ativa, está-se tratando da espionagem numa das acepções da palavra, a que trata da espionagem estrangeira no Brasil, de modo a orientar os militares brasileiros sobre o modo como, via de regra, os serviços de Inteligência estrangeiros atuam... e o senhor, como jornalista, deveria saber que eles atuam exatamente como o ali descrito. Ou o senhor imagina que um adido militar em serviço no Brasil vem para cá somente para admirar nossas belas paisagens? Eles recrutam brasileiros e depois os infiltram onde querem. Sobre controle da Imprensa, saiba o senhor que, infelizmente, essa própria reportagem sua será lida pelos adidos militares em serviço no Brasil e será por eles repassada a seus países de origem, com comentários sobre a insistência da Imprensa brasileira em atacar suas Forças Armadas com a clara intenção de afastá-las da sociedade e aqueles adidos que não conheciam o manual certamente agora vão procurá-lo completo, para conhecer como funciona a contra inteligência do Exército. Quer dizer, o senhor como jornalista brasileiro acaba de prestar um duplo desserviço para com seu próprio País. Aproveitando, a respeito do acompanhamento de militares estrangeiros no Brasil, imagine que, certa vez, pousou, em uma cidade importante, à noite, um avião militar estrangeiro. Um militar desceu e imediatamente tomou um carro alugado que estava à sua espera. Foi direto para Anápolis/GO. Anápolis/GO abriga a base aérea responsável pela defesa aérea do Planalto Central do Brasil. Ainda, como há algum tempo atrás não se fizesse esse acompanhamento, quando ele foi reativado, descobriu-se, em outra cidade importante, um oficial de país estrangeiro que estava há seis anos no Brasil. Tinha até montado uma empresa em bairro nobre da cidade. Isto, da parte do Exército, não é espionagem. É acompanhamento.

Quando o manual fala em “público interno”, incluindo pessoal da ativa, da reserva, reformados e familiares de todo esse grupo, não se trata de incluir civis no sistema de Inteligência e sim delimitar o universo de pessoas que são influenciadas e influenciam de forma mais direta nas decisões da Força. Imagina o senhor que, por exemplo, uma restrição ou modificação inesperada no sistema de saúde do Exército não virá a influenciar a todos, inclusive os da ativa? Posso lhe dar outro exemplo: minha filha cursava o primário num colégio particular em São Paulo. Certo dia, a classe dela foi realizar um passeio de van. Sabe aonde o colégio a levou? Para a frente da 36ª Delegacia de Polícia. E sabe o que foi dito pela professora às crianças? Que ali funcionara um centro de repressão da ditadura e era onde muitas pessoas tinham sofrido torturas. O senhor veja só senhor jornalista. Crianças de curso primário. É lógico que minha filha ao chegar em casa questionou-me a respeito. Isso a torna uma “agente de Inteligência” sem missão definida, no dizer de suas palavras? A esposa de militar da Reserva, ambos com idade avançada, recebe um encaminhamento hospitalar para uma organização civil de saúde e lá ambos são destratados e mal atendidos. Ele vai ao hospital militar que o encaminhou e faz uma reclamação contra a clínica. Isso os torna “agentes de Inteligência” sem missão definida? O que ele está fazendo nada mais é do que defendendo o Sistema Exército, dando conta um contrato mal cumprido por uma das partes.

Reconhecendo que não devo ter o alcance intelectual desse jornalista, não consigo entender o enfoque que o senhor dá à expressão “público externo”. Se o outro universo foi definido como público interno, o há de errado em considerar as pessoas que estão fora desse grupo de público externo? Até onde eu sei, o que não é interno é externo.

Entenda que – historicamente – o Exército sempre esteve ao lado do povo que, por sua vez, sempre pode contar com ele quando precisou. Isso é História senhor jornalista. O senhor precisa ler melhores livros. Por mais que os livros de história modernos tentem deturpar a História, os livros clássicos sempre ficam, a menos que alguém já os esteja queimando, como fizeram os nazistas, e eu não saiba.

Novamente, o senhor se esmera em parecer pouco informado ao tentar desclassificar a preocupação que a Força tem com a espionagem em suas próprias fileiras. O senhor deveria saber que a espionagem é um fato, um ato deliberado de quem quer alguma coisa. Até ladrões não partem para um assalto sem colher o máximo de informações sobre seu alvo e, se possível, procuram contar com as chamadas “informações internas”. O senhor saberia dizer-me por que o Exército estaria livre desse tipo de ação? Hilário não é o manual. Hilário é quem menospreza as medidas tomadas pela Instituição em defesa de si própria. Agir diferentemente disso não seria, no seu entender, prevaricar no exercício do dever?

Um agente infiltrado por uma ação de espionagem não tem nada a ver com “inocente útil”, como o senhor afirma. Um “inocente útil” pode ser um jornalista que, por meio de suas reportagens, esteja a serviço de uma ideologia ou de grupos que o influenciam em suas reportagens em benefício próprio. Este é o “inocente útil”.

Quanto ao Exército acompanhar seu público interno, não consigo ver onde estaria o erro. Conto uma história: certa vez observou-se um militar que, do dia para a noite, trocou seu “corsinha” 1.0 para um Toyota Camry. Primeiro, procurou-se ver se ele tinha ganhado algum prêmio ou concurso. Depois, verificou-se que ele financiara a compra do novo carro em prestações, que, com seu soldo, ele não poderia pagar. A fonte do dinheiro era sua esposa, que praticava fraudes na área do turismo. Então, senhor jornalista, onde está o mal da instituição em proteger-se ao procurar saber da cumplicidade de um seu integrante numa fraude rendosa?

Sobre a Contra Inteligência Interna, quando o senhor escreve que a norma tem servido para enquadrar militares que caíram em desgraça dentro do Exército, eu preferiria dizer “militares que se mostraram desadaptados à profissão que escolheram” e o lembraria que a expulsão não é um risco. A expulsão é um ato disciplinar previsto e quem quer agir de modo contrário às normas vigentes assume o ônus por seu comportamento. Sobre o capitão ao qual o senhor se refere não vou fazer outros comentários. Apenas, acho que por ainda estar no serviço ativo do Exército, ele somente deveria se deixar fotografar com a barba feita e não se deixar fotografar tendo como fundo uma estátua de um militar. Quer dizer: provocação pura! E nem esse jornalista deveria insinuar algo de anormal no atropelamento do militar, dizendo que o carro que o atropelou jamais foi identificado. O Exército ainda não tem a função de controlar as ruas da cidade. É possível que ainda venha a ter. Afinal... é tanta missão fora da sua destinação constitucional. Sobre as estórias do capitão, sugiro que esse jornalista consulte os inquéritos a respeito. Caso algum deles tenha alguma classificação sigilosa, não se intimide em descumprir a lei, publique-os. A lei que protege documentos aos quais foi atribuído algum grau de sigilo não tem importância para o senhor, no melhor estilo: “ A lei? Ora, a lei!”

Em seguida o senhor volta à questão das “forças e/ou elementos adversos”. Senão vejamos. Para uma Força que tem a destinação constitucional de garantir a lei e a ordem, não é lícito conhecer quem:

-pratica ocupação e invasão de áreas públicas e/ou privadas: o senhor desconhece que isso aconteça em nosso País quase que semanalmente?

- bloqueio de vias de circulação: são índios cobrando pedágios ou queimando pneus em vias federais. São movimentos sociais ocupando praças de pedágio, causando atritos com as autoridades, sendo necessário o uso de armas de fogo.

- promoção de greves em setores essenciais: o senhor mesmo cita a recente greve dos correios. O senhor como um cidadão brasileiro, não julga que, num exercício de pensamento, caso a greve dos correios persistisse, não faltaria um gaiato para pedir que o Exército Brasileiro, por sua capilaridade em todo o território nacional, assumisse a entrega da gigantesca demanda acumulada? É possível, pois veja: já somos chamados a distribuir água no Nordeste, patrulhar o Morro do Alemão, a ser guardas de parque na Marambaia, a vacinar cachorros, combater focos do mosquito da dengue, a combater incêndios em Roraima...por que não entregar cartas? Por fim, nesse parágrafo, por sua própria conclusão, cita um movimento social como “inimigo”. Outra vez lanço o desafio para que esse jornalista mostre no manual onde está escrito que o Exército tem esse movimento social como “inimigo”. A inferência e o uso dessa palavra é totalmente sua, provando sua má-fé no trato do assunto.

Quando esse jornalista trata do Terrorismo, aí então, outra vez, demonstra seu total desinteresse em informar seus leitores, senão o de atingir a credibilidade de uma publicação de responsabilidade do Exército. Caso, mais uma vez, o senhor tivesse lido com atenção o manual, na parte que se refere ao Terrorismo, teria observado que certas organizações seriam sim consideradas terroristas se, e tão somente se, recorressem a atos terroristas para provar suas ideias. Como fizeram os palestinos durante muito tempo, como fizeram os militantes contra o aborto nos Estados Unidos, como o fez por muito tempo o Sendero Luminoso no Peru, como fazem as FARC na Colômbia. Todos são movimentos sociais, mas recorreram a atos terroristas. E mais, o senhor como jornalista interessado nesses assuntos deve saber o motivo de – até a data de hoje – o Brasil não dispor de uma lei antiterrorista. Sabe por quê? Por que as autoridades não se entendem sobre a definição de “organização terrorista” pois, a serem considerados os conceitos universais de organização terrorista, certo “movimento social” como o senhor escreve teria de ser enquadrado naquela definição. E aí como é que fica? Como em tantos outros assuntos, as autoridades preferem fechar os olhos. Não há lobby do Exército para a aprovação uma lei antiterrorismo. O que o Exército quer é conhecer o oponente, senão, como combatê-lo? A exemplo de outros países, pode sim ser necessária uma legislação especial para poder-se dar combate aos terroristas. Haja vista os Estados Unidos que, imediatamente após os ataques terroristas de “11 de Setembro”, instituiram o chamado Ato Patriótico, uma lei de exceção no melhor estilo.

Mais uma vez o senhor se esmera em descontextualizar o texto do manual ao escrever que ali está dito que, se necessário, controlar os meios de comunicação, já que a decisão de difundir deve estar centralizada no mais alto nível da Força. Aqui admito que o texto do manual quis dizer uma coisa mas transmitiu outra ideia. Está-se falando de atividades terroristas. O assunto assumiu tamanha importância depois do “11 de Setembro” que a consequência foi uma severa preocupação com esse tipo de atividade. Daí a necessidade de não se reportar alarmes que, depois, podem mostrar-se de menor significação, alertando ou até causando pânico na população desnecessariamente. Quanto ao verbo “difundir”, quero crer que as pessoas que escreveram o texto usaram-no na acepção que ele tem na Inteligência, ou seja, dar conhecimento a agências externas ao Sistema Exército. Não fosse assim, as agências de Inteligência mais periféricas do Sistema de Inteligência do Exército poderiam sentir-se livres para difundir – regionalmente – possíveis dados sobre ações terroristas, com consequências que poderiam não ser as desejáveis.

No que diz respeito ao Estudo de Situação de Contra Inteligência, no que diz respeito ao campo político, volto a dizer, se esse jornalista tivesse tido o cuidado em contextualizar as coisas talvez pudesse ter transmitido aos leitores o espírito do que ali está escrito. Imagine o senhor se um oficial ou sargento vai comandar uma organização militar em alguma cidade de médio ou pequeno porte sem inteirar-se das características políticas do local. Ele poderá ser instrumentalizado pelas forças no poder, poderá ser envolvido em rixas entre grupos, é possível que venha a sofrer coações ou se tente influenciá-los, para o bem ou para o mal. Existem cidades que amam seus quartéis, já em outras, conforme a localização do quartel em área de elevado valor imobiliário ele pode ser alvo de campanhas para a sua transferência para área menos valorizada. Sobre o conhecimento que se deve ter sobre as organizações de trabalhadores na área de interesse da organização militar, como os sindicatos, pelo senhor citados, imagine o Comandante de um quartel localizado no ABC Paulista, ao avaliar sua área de atuação, deixar de considerar a força representada por aquelas entidades. Alguém que vá comandar um quartel incrustrado numa área indígena tem, por obrigação, saber como a FUNAI, por exemplo, atua na área e quais as ONG ali atuantes e que desrespeitam as leis brasileiras. O que de errado há nisso? No meu modo de ver, isso é “agir profissionalmente”.

Encerrando, apliquei nessas minhas considerações algumas das técnicas que o senhor mesmo alude no seu textinho. Procurei desacreditá-lo, procurei colocá-lo em posição de inferioridade e, acima de tudo procurei, usando a técnica de rebater ponto por ponto, ridicularizar essa sua peça de propaganda ideológica. Uma técnica que eu não usaria nesse caso seria a do “silêncio”, mesmo sabendo que a reportagem de hoje embrulha o peixe de amanhã.

Eu, como militar da Reserva tenho a prerrogativa de manifestar a minha opinião, o que é vedado ao pessoal da ativa. Mas isto não quer dizer que falo por eles. Falo por mim e sou o único responsável por tudo o que escrevi.

Muitas instituições nacionais e estaduais, com certeza, mais de quinze, procuram absorver os conceitos do Manual de Contra Inteligência do Exército, por julgarem-no muito bem elaborado, e copiam dele procedimentos que lhes podem ser úteis.

Qualquer país estaria orgulhoso se seu exército dispusesse de semelhante manual. Mas, aqui no Brasil, o que se quer é atacar o Exército nas coisas que ele tem de melhor. Uma delas, o seu Serviço de Inteligência.

Sr. LEANDRO FORTES. Não sei se o senhor é mais novo ou mais velho do que eu. Caso seja mais novo, aceite um conselho: não ponha a sua pena a serviço da ideologia. Se for mais velho, ainda dá tempo de estudar a História do Brasil nos livros antigos que o senhor ainda deve ter.

Escrevi essa carta aberta em respeito à minha condição de militar da Reserva e em homenagem aos oficiais mais novos, da ativa, para que não esmoreçam diante da propaganda divisionista de que somos alvo, quase que diariamente. Saibam que esse tipo de reportagem nos acompanha há cerca de 30 (trinta) anos e, ao contrário de nos dividir, só tem fortalecido o sistema de Inteligência do Exército. Ou melhor, do Exército não. Do Brasil, pois o Exército pertence ao Brasil.

Jorge Alberto Forrer Garcia
Coronel Reformado
Identidade 030223822-5 Min Def
Curitiba/PR

16 de out de 2011

AUDIOTECA SAL E LUZ

Muito legal...se achar interessante e conveniente, divulgue...

São áudios de 2.700 livros que podem ser enviados a pessoas com deficiência visual

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Seu acervo conta com mais de 2.700 títulos que vão desde literatura em geral, passando por textos religiosos até textos e provas corrigidas voltadas para concursos públicos em geral. São emprestados sob a forma de fita K7, CD ou MP3.
E agora, você está se perguntando: O que eu tenho a ver com isso?

É simples. Nos ajude divulgando. Se você conhece algum cego ou deficiente visual, fale do nosso trabalho. DIVULGUE!
Para ter acesso ao nosso acervo, basta se associar na nossa sede, que fica situada à Rua Primeiro de Março, 125- Centro. RJ.
Não precisa ser morador do Rio de Janeiro.
A outra opção, foi uma alternativa que se criou face a dificuldade de locomoção dos deficientes na nossa cidade. Eles podem solicitar o livro pelo telefone, escolhendo o título pelo site, e enviaremos gratuitamente pelos Correios.
A nossa maior preocupação reside no fato que, apesar do governo estar ajudando imensamente, é preciso apresentar resultados. Precisamos atingir um número significativo de associados, que realmente contemplem o trabalho, se não ele irá se extinguir e os deficientes não poderão desfrutar da magia da leitura. Só quem tem o prazer na leitura, sabe dizer que é impossível imaginar o mundo sem os livros...
Ajudem-nos, Divulguem!
Atenciosamente,
Christiane Blume - Audioteca Sal e Luz
Rua Primeiro de Março, 125- 7. Andar

Centro- RJ. CEP 20010-000
Fone: (21) 2233-8007 (21) 2233-8007
Horário de atendimento: 08 às 16 horas
http://audioteca.org.br/noticias.htm


INSISTINDO: eles não precisam de dinheiro, mas de DIVULGAÇÃO

14 de out de 2011

Japão e Coreia do Sul advertem Brasil na OMC sobre IPI dos importados

Segundo esses países, a elevação do IPI em 30 pontos porcentuais sobre veículos produzidos no exterior viola as regras da OMC

Entrada da sede da OMC em Genebra, na Suíça, em foto de 19/08/2003

Para Japão e Coreia do Sul, novo IPI afeta as regras da OMC (Thomas Coex/AFP)

O Japão e a Coreia do Sul advertiram o governo brasileiro nesta sexta-feira por conta do tratamento dado as montadoras destes países no mercado brasileiro, informou a agência de notícias Reuters. Eles reclamam especificamente da elevação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que passou a incidir sobre os veículos importados – medida que, segundo eles, afeta as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

De acordo com uma fonte próxima da negociação, ouvida pela Reuters, o aviso foi feito numa reunião a portas fechadas com representantes dos três países no Comitê de Acesso a Mercados – órgão da OMC que examina as novas barreiras comerciais erguidas pelos países. A reclamação ainda não é um contencioso – isto é, uma batalha travada entre países sobre determinada prática na OMC, a quem cabe decidir qual parte tem razão e quais as punições devem ser aplicadas em caso de desrespeito às regras do comércio internacional. Fontes próximas do caso dizem, no entanto, que o alerta pode sim transformar-se numa disputa se o governo brasileiro não atender as reivindicações das duas nações asiáticas.

No mês passado, o Planalto elevou o IPI em 30 pontos porcentuais para todas as montadoras cujos veículos não têm pelo menos 65% de peças feitas regionalmente – o que inclui Brasil, México, Argentina e Uruguai – e que não investem em pesquisa e desenvolvimento no país. A tributação passou a ser questionada na Justiça brasileira por diversas importadoras e pela montada chinesa Chery porque o governo não respeitou uma cláusula da Constituição que diz que todo tributo só pode entrar em vigor somente 90 dias após seu anúncio. O IPI ‘turbinado’ sobre os importados passou a vigorar um dia depois de anunciado pelo Planalto.

Artigo 3 do GATT – A Reuters apurou que os negociadores japoneses e sul-coreanos apontaram, na reunião no Comitê de Acesso a Mercados, a violação do Brasil ao artigo 3 do Acordo Geral de Tarifas e Comércio (o GATT, na sigla em inglês, antecessor da OMC), que prevê que os membros da OMC tratem produtores nacionais e estrangeiros de forma igualitária.

Coreia é mais prejudicada – O Japão argumenta que quer evitar que outras nações copiem a estratégia brasileira e passem a impor barreiras comerciais a veículos produzidos no exterior. O país não foi diretamente afetado, pois suas principais montadoras – Toyota, Honda e Nissan – têm fábricas e investem no país. Por outro lado, a Coreia do Sul foi duramente afetada. A Hyundai, por exemplo, ainda fabrica poucos modelos no Brasil e vinha importando automóveis de grande sucesso. A Kia, nesta sexta-feira, anunciou um reajuste de 8,4% em sua tabela justamente por conta da nova tributação.

12 de out de 2011

Mais de 100 mil pessoas já passaram pela Basílica, em Aparecida

Mais de 100 mil pessoas já visitaram o Santuário Nacional de Aparecida, no Vale do Paraíba, na manhã desta quarta-feira, 12, Dia de Nossa Senhora Aparecida, segundo estimativa da Polícia Militar. A movimentação de fiéis é intensa desde a madrugada. Muitos romeiros concluíram a peregrinação pelas margens da Rodovia Presidente Dutra ao amanhecer.

A primeira missa do dia, que começou às 5h30, foi presidida com a Basílica lotada. Cerca de 35 mil pessoas participaram da Missa Solene em homenagem à Nossa Senhora Aparecida, celebrada às 10 horas pelo Cardeal arcebispo de Aparecida e presidente da Conferência da Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Raymundo Damasceno Assis. Em sua homilia, Dom Raymundo saudou Immaculèe Ilibagiza, sobrevivente de um genocídio ocorrido em Ruanda, em 1994.

Dom Damasceno também recordou o encontro da Imagem da Virgem de Aparecida nas águas no Rio Paraíba do Sul e destacou que, desde outubro de 1894, os Missionários Redentoristas zelam pela Pastoral do maior Santuário mariano do mundo, segundo informações do site oficial do Santuário Nacional Nossa Senhora Aparecida.

Durante a cerimônia, estiveram presentes o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o ex-governador José Serra. Às 12 horas, a passarela da Basílica foi fechada para a queima de fogos.

Quem chegou à cidade de Aparecida durante a terça-feira, 11, e não encontrou hospedagem, que está com lotação máxima nos 31 mil leitos, passou a madrugada rezando na Basílica. Alguns romeiros improvisaram e dormiram em barracas de camping no pátio do estacionamento.

Ainda na noite desta terça foi realizada a procissão luminosa, que seguiu até o Porto de Itaguassu, local onde foi encontrada a imagem de Nossa Senhora Aparecida.

Operação Aparecida

Para garantir a segurança dos religiosos e turistas que visitam a Estância Turístico - Religiosa de Aparecida, a Polícia Militar iniciou nesta terça, 11, a Operação Aparecida.

No primeiro dia, foram empregados 182 policiais, entre oficiais e soldados, e 40 viaturas. Para esta quarta, a corporação designou 390 policiais e 70 viaturas para realizar rondas na Basílica Nova, onde será celebrada a novena festiva, e em todo o entorno que inclui a feira livre, o "shopping dos romeiros", o estacionamento e ruas próximas.

Segundo balanço parcial da PM, até agora, dois procurados pela Justiça foram recapturados e duas pessoas foram presas por porte de armas. A grande maioria das ocorrências é a perda ou furto de documentos, diz a PM.

10 de out de 2011

Mais vigiados que as fronteiras

A mais alta esfera do Poder Judiciário, representada por cinco tribunais superiores, tem em Brasília mais seguranças e vigilantes que a Polícia Federal consegue manter nas fronteiras do país. Nos 15,7 mil quilômetros limítrofes, a PF tenta combater a passagem de armas e drogas, além de frear o contrabando, com um grupo que varia entre 900 e mil agentes. Nos tribunais, um batalhão de 1.211 vigilantes e seguranças cumpre uma missão bem menos engenhosa: garantir a proteção de 93 ministros e o controle do entra-e-sai nos prédios do Supremo Tribunal Federal (STF), do Superior Tribunal de Justiça (STJ), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e do Superior Tribunal Militar (STM).

São 13,2 guardas para cada um dos brasileiros que alcançaram o topo da pirâmide da magistratura. Quadro avesso ao do Fórum de São Gonçalo, onde trabalhava a juíza Patrícia Aciolly, executada com 21 tiros sem que ao menos um guarda estivesse ao seu lado. Número que supera até mesmo a tropa de 969 vigilantes contratados para cuidar do cofre do Tesouro: as nove diretorias e a sede do Banco Central na capital federal.
A elite do Judiciário ainda conta com um batalhão de 386 recepcionistas, 287 motoristas e 271 copeiros e garçons. Há também casos peculiares, como os 14 lavadores de carros do STJ e o grupo de cinco contratados para limpar as áreas envidraçadas do TST. Em quase 100% dos casos, são contratos de terceirização firmados com empresas especializadas em destinar pessoal à administração pública no Distrito Federal. Grupos que acumulam lucros para cada funcionário cedido. E, de acordo com um alto servidor do Judiciário, servem de catapulta para que parentes de servidores ou amigos de operadores do Direito abocanhem uma vaga junto ao poder.
O STF, com seus 11 ministros, tem 244 recepcionistas, 183% acima do STJ, uma superestrutura de concreto com 33 ministros e 140 mil metros quadrados de área. Excluindo o quadro próprio, o STF ainda conta com 58 motoristas e 49 garçons e copeiros que abastecem as sessões no plenário e os gabinetes.

No STJ, 185 funcionários na área de transporte
O STJ é o prédio mais blindado do Judiciário brasileiro, com 425 vigias e seguranças, além de 168 câmeras de vídeo monitorando quase todos os cantos do quarteirão e do estacionamento externo. Na última quarta-feira, entretanto, bem no horário da sessão da Corte Especial, uma das guaritas brancas ao fundo do prédio estava vazia. O secretário de Segurança, José Ximenes de Albuquerque, garante que ela só é ocupada quando chove. Enquanto isso, um pequeno grupo de vigias enfrentava a monotonia no sofá do bem protegido terceiro andar, que dá acesso a quem deseja acompanhar as reuniões da Corte.
Mas o STJ também é o tribunal da água e do sabão. São 14 pessoas contratadas só para deixar a frota impecável. Os lavadores de automóveis vieram na leva de 185 funcionários que atuam na área de transporte (motoristas e mecânicos). Trabalham na limpeza de 160 veículos, dos quais 75 são luxuosos Ômega, da GM. O secretário de Administração e Finanças do STJ, Silvio Ferreira, afirma que o número vai cair em breve:
- Isso me incomoda muito. Eu sei que a água é cara. A gente partiu para a lavagem a seco. O processo está tramitando e, no mínimo, a economia só de água chegará a 20%. Nós vamos reduzir isso. Só da frota de ônibus, vamos reduzir de 18 (carros) para seis - explicou Ferreira.
No TST, o pessoal da limpeza sofre para cuidar da estrutura envidraçada projetada por Oscar Niemeyer. Por isso, foi convocada uma equipe de funcionários especializada na limpeza de vidros. Apesar de contar com 27 ministros, a conta de segurança é mais módica do que no STJ ou no STF: 209. O TSE, dedicado aos processos eleitorais, por enquanto, tem o menor número de ministros e de vigias dos tribunais superiores, à exceção do militar: 180 vigilantes e seguranças e 41 motoristas. A corte eleitoral está para concluir a obra da nova sede e os números vão mudar.
Apesar da resolução 102 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinar a todos tribunais que divulguem a lista de pessoal do quadro e de terceirizados, o STM ainda não o fez. Por meio da assessoria, a Corte informa que conta com a módica contratação de cinco vigias, cinco motoristas e 28 copeiros e garçons. O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, avalia com preocupação, não só o inchaço de terceirizados no Judiciário, como em todo serviço público federal.
- Essa é a falsa terceirização, disseminada tanto no público quanto no privado. Abre uma possibilidade para a corrupção. O custo chega a ser até dez vezes maior para quem contrata - explica o presidente do Ipea.

6 de out de 2011

Vamos criar a CCMEF?

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Ruth de Aquino

Não há como deixar de transcrever o artigo de Ruth de Aquino publicado com o título desta postagem na revista 'Época' desta semana. A sugestão dela para a criação da CCMEF (Contribuição dos Corruptos Municipais, Estaduais e Federais) é muito criativa.

Vale a pena ler seu artigo:

"Quem falar que resolve a saúde sem dinheiro é demagogo.

Mente para o povo.”

Dilma está certa. É urgente. Em lugares remotos do Brasil, hospitais públicos são mais centros de morte que de cura. Não é possível “fazer mágica” para melhorar a saúde, afirmou Dilma. Verdade. De onde virá a injeção de recursos? A presidente insinuou que vai cobrar de nós, pelo redivivo “imposto do cheque”. Em vez de tirar a CPMF da tumba, sugiro criar a CCMEF: Contribuição dos Corruptos Municipais, Estaduais e Federais.

A conta é básica. A Saúde perdeu R$ 40 bilhões por ano com o fim da CPMF, em 2007. As estimativas de desvio de verba pública no Brasil rondam os R$ 40 bilhões por ano. Empatou, presidente. É só ter peito para enfrentar as castas. Um país recordista em tributação não pode extrair, de cada cheque nosso, um pingo de sangue para fortalecer a Saúde. Não enquanto o governo não cortar supérfluos nem moralizar as contas.

Uma cobrança de 0,38% por cheque é, segundo as autoridades, irrisória diante do descalabro da Saúde. A “contribuição provisória” foi adotada por Fernando Henrique Cardoso em 1996 e se tornou permanente. O Lula da oposição dizia que a CPMF era “um roubo”, uma usurpação dos direitos do trabalhador. Depois, o Lula presidente chamou a CPMF de “salvação da pátria”. Tentou prorrogar a taxação, mas foi derrotado no Congresso.

A CPMF é um imposto indireto e pernicioso. Pagamos quando vamos ao mercado e mesmo quando pagamos impostos. É uma invasão do Estado nas trocas entre cidadãos. Poderíamos dizer que a aversão à CPMF é uma questão de princípio.

Mas é princípio, meio e fim. Não é, presidente?

“Não sou a favor daquela CPMF, por conta de que ela foi desviada. Por que o povo brasileiro tem essa bronca da CPMF? Porque o dinheiro não foi para a Saúde”, afirmou Dilma. E como crer que, agora, não haverá mais desvios?

Como acreditar? O Ministério do Turismo deu, no fim do ano passado, R$ 13,8 milhões para uma ONG treinar 11.520 pessoas. A ONG foi criada por um sindicalista sem experiência nenhuma com turismo. Como acreditar? A Câmara dos Deputados absolveu na semana passada Jaqueline Roriz, apesar do vídeo provando que ela embolsou R$ 50 mil no mensalão do DEM.

Como acreditar? Os ministros do STF exigem 14,7% de aumento para passar a ganhar mais de R$ 30 mil. Você terá reajuste parecido neste ano? O orçamento do STF também inclui obras e projetos, como a construção de um prédio monumental para abrigar a TV Justiça. É prioridade?

O Congresso gasta, segundo a organização Transparência Brasil, R$ 11.545 por minuto. O site Congresso em Foco diz que cada um de nossos 513 deputados federais custa R$ 99 mil por mês. Cada um dos 81 senadores custa R$ 120 mil por mês. São os extras. E o Tiririca ainda não descobriu o que um deputado federal faz.

“É sério. Vamos ter de discutir de onde o dinheiro vai sair (para a Saúde).”

Tem razão, presidente. Mas, por favor, poupe-nos de seu aspirador seletivo.

A senhora precisa mesmo de 39 ministérios consumindo bilhões? Aspire os bolsos gordos da turma do Novais, do Roriz, do Sarney. Apele à consciência cívica dos políticos e juí­zes que jamais precisaram do Sistema Único de Saúde.

Vamos criar o mensalão da Saúde.

Um mensalão do bem, presidente. Corruptos que contribuírem serão anistiados. ONGs fantasmas, criadas com a ajuda de ministros & Cia., terão um guichê especial para suas doações.

O pessoal que já faturou por fora com a Copa está convocado a dar uns trocados para a Saúde.

Enfiar goela abaixo dos brasileiros mais um imposto, nem com anestesia. Um dia nossos presidentes entenderão o que é crise de governabilidade. Não é a revolta dos engravatados em Brasília nem a indignação dos corredores e gabinetes.

A verdadeira crise de poder acontece quando o povo se cansa de ser iludido.

5 de out de 2011

1 de out de 2011

Desembargadores, Juízes e Políticos - como funciona a troca de favores

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Desembargadores, Juízes e Políticos - como funciona a troca de favores

Nunca pensei que ia ouvir isso de alguém lá de dentro.

Que essa podridão existia todos já sabíamos.

QUE PAÍS É ESSE MEU DEUS DO CÉU, ATÉ QUANDO ?????

Entrevista direta no fígado: esta Ministra deveria ser cogitada para ir para o Supremo. Vejam sua franqueza e coragem

A ministra Eliana Calmon, a corregedora do CNJ: "Eu sou uma rebelde que fala"

A corte dos padrinhos

A nova corregedora do Conselho Nacional de Justiça diz que é comum a troca de favores entre magistrados e políticos

Em entrevista a VEJA, Eliana Calmon mostra o porquê de sua fama.

Ela diz que o Judiciário está contaminado pela politicagem miúda, o que faz com que juízes produzam decisões sob medida para atender aos interesses dos políticos, que, por sua vez, são os patrocinadores das indicações dos ministros.

Por que nos últimos anos pipocaram tantas denúncias de corrupção no Judiciário?

Durante anos, ninguém tomou conta dos juízes, pouco se fiscalizou. A corrupção começa embaixo. Não é incomum um desembargador corrupto usar o juiz de primeira instância como escudo para suas ações. Ele telefona para o juiz e lhe pede uma liminar, um habeas corpus ou uma sentença. Os juízes que se sujeitam a isso são candidatos naturais a futuras promoções. Os que se negam a fazer esse tipo de coisa, os corretos, ficam onde estão.

A senhora quer dizer que a ascensão funcional na magistratura depende dessa troca de favores?

O ideal seria que as promoções acontecessem por mérito. Hoje é a política que define o preenchimento de vagas nos tribunais superiores, por exemplo. Os piores magistrados terminam sendo os mais louvados. O ignorante, o despreparado, não cria problema com ninguém porque sabe que num embate ele levará a pior. Esse chegará ao topo do Judiciário.

Esse problema atinge também os tribunais superiores, onde as nomeações são feitas pelo presidente da República?

Estamos falando de outra questão muito séria. É como o braço político se infiltra no Poder Judiciário. Recentemente, para atender a um pedido político, o STJ chegou à conclusão de que denúncia anônima não pode ser considerada pelo tribunal.

A tese que a senhora critica foi usada pelo ministro Cesar Asfor Rocha para trancar a Operação Castelo de Areia, que investigou pagamentos da empreiteira Camargo Corrêa a vários políticos.

É uma tese equivocada, que serve muito bem a interesses políticos. O STJ chegou à conclusão de que denúncia anônima não pode ser considerada pelo tribunal. De fato, uma simples carta apócrifa não deve ser considerada. Mas, se a Polícia Federal recebe a denúncia, investiga e vê que é verdadeira, e a investigação chega ao tribunal com todas as provas, você vai desconsiderar? Tem cabimento isso? Não tem. A denúncia anônima só vale quando o denunciado é um traficante? Há uma mistura e uma intimidade indecente com o poder.

Existe essa relação de subserviência da Justiça ao mundo da política?

Para ascender na carreira, o juiz precisa dos políticos. Nos tribunais superiores, o critério é única e exclusivamente político.

Mas a senhora, como todos os demais ministros, chegou ao STJ por meio desse mecanismo.

Certa vez me perguntaram se eu tinha padrinhos políticos. Eu disse: “Claro, se não tivesse, não estaria aqui”. Eu sou fruto de um sistema. Para entrar num tribunal como o STJ, seu nome tem de primeiro passar pelo crivo dos ministros, depois do presidente da República e ainda do Senado. O ministro escolhido sai devendo a todo mundo.

No caso da senhora, alguém já tentou cobrar a fatura depois?

Nunca. Eles têm medo desse meu jeito. Eu não sou a única rebelde nesse sistema, mas sou uma rebelde que fala. Há colegas que, quando chegam para montar o gabinete, não têm o direito de escolher um assessor sequer, porque já está tudo preenchido por indicação política.

Há um assunto tabu na Justiça que é a atuação de advogados que também são filhos ou parentes de ministros. Como a senhora observa essa prática?

Infelizmente, é uma realidade, que inclusive já denunciei no STJ. Mas a gente sabe que continua e não tem regra para coibir. É um problema muito sério. Eles vendem a imagem dos ministros. Dizem que têm trânsito na corte e exibem isso a seus clientes.

E como resolver esse problema?

Não há lei que resolva isso. É falta de caráter. Esses filhos de ministros tinham de ter estofo moral para saber disso. Normalmente, eles nem sequer fazem uma sustentação oral no tribunal. De modo geral, eles não botam procuração nos autos, não escrevem. Na hora do julgamento, aparecem para entregar memoriais que eles nem sequer escreveram. Quase sempre é só lobby.

Como corregedora, o que a senhora pretende fazer?

Nós, magistrados, temos tendência a ficar prepotentes e vaidosos. Isso faz com que o juiz se ache um super-homem decidindo a vida alheia. Nossa roupa tem renda, botão, cinturão, fivela, uma mangona, uma camisa por dentro com gola de ponta virada. Não pode. Essas togas, essas vestes talares, essa prática de entrar em fila indiana, tudo isso faz com que a gente fique cada vez mais inflado. Precisamos ter cuidado para ter práticas de humildade dentro do Judiciário. É preciso acabar com essa doença que é a “juizite”.