Restrição a importações e dólar alto prejudicam lojistas da Rua Florida.
Número de turistas estrangeiros caiu 10,9% em relação a 2011, diz estudo.
Placas anunciam fechamento de lojas por toda a
Rua Florida (Foto: Giovana Sanchez/G1)
Rua Florida (Foto: Giovana Sanchez/G1)

A principal reclamação de lojistas é a diminuição do fluxo de turistas. Após ter imposto controles estritos sobre o mercado de câmbio, o que limitou a circulação de moeda estrangeira, e ter restringido as importações, o país deixou de ser um destino atrativo para muitos turistas. "Não achei em conta. Só comidas e bebidas que ainda compensam", comenta o militar carioca César Meira Araújo, em viagem de uma semana com a esposa na cidade.
Segundo uma pesquisa do Instituto Nacional de Estatística e Censos, divulgada no jornal local "La Nación" nesta sexta-feira (7), o número de turistas estrangeiros em outubro foi 10,9% menor que no mesmo mês do ano passado, e o montante gasto por eles no país caiu ainda mais: 25,5%. Ainda segundo o estudo, nos primeiros dez meses do ano, a quantidade de turistas que chegaram ao país decresceu oito vezes. Isso indica que a baixa acumulada até outubro chegou a 3,7% - e as divisas geradas pelo turismo caíram 11,4%. Em montante, o país deixou de receber US$ 331 milhões.
Em 2011, a Argentina declarou ter uma inflação a 9,5%, mas os institutos privados a estimam em 23% ou 25%. Desde fevereiro deste ano, o país é alertado pelo Fundo Monetário Internacional para que tome medidas concretas para melhorar a qualidade da apuração de seus dados de inflação e de seu Produto Interno Bruto (PIB), para alinhá-los a critérios internacionais. Mas, até agora, nada mudou.
"A maioria está pensando nisso [em fechar] porque os custos estão altíssimos. [No nosso caso] há problema com o couro, porque vinha da China. Os taninos para curtir o couro também são importados. Com a restrição, não importamos mais. Estamos vendendo o que temos", conta Alejandra Estatoet, há 35 anos vendedora na Florida, e agora em uma loja prestes a fechar as portas. "Um aluguel pelo que ano passado se pagava US$ 15 mil, hoje custa US$ 25 mil, US$ 30 mil. Por isso tudo, a Florida não é mais o que era. Vi um montão de lojas fecharem", conta ela.

Propina
A restrição às importações no país gera falta de alguns produtos, mas ainda é possível ver muitos importados na Rua Florida. "No geral, as marcas [importadas] que seguem na Argentina são as que aceitam pagar propinas. Mas para muitas não é interessante pagar", conta a vendedora Jesica Zachozy, que trabalha com as últimas peças de uma loja de roupas importadas. "Não temos a mesma quantidade de turistas. Eles preferem ir aos Estados Unidos."
"O que acontece é que estão aparecendo tentativas de corrupção. Não está faltando nada, porque de uma forma ou de outra entram as coisas", conta o sócio de uma loja de tecidos Carlos Duek.

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