14 de fev de 2013

Até a Argentina cresce mais que o Brasil. Dá para acreditar?

O problema é que a informação é da presidente Cristina Kirchner, que controla a divulgação dos dados oficiais do país e tem sido cobrada pela falta de transparência

Presidente da Argentina, Cristina Kirchner, confere a performance do grupo de dança El Choque Urbano, em Buenos Aires
Segundo a presidente Cristina Kirchner, o PIB da Argentina foi de 1,9% no ano passado (Marcos Brindicci/Reuters)
A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, deve ter enfurecido sua colega Dilma Rousseff. Em pronunciamento na tarde desta quarta-feira, Cristina antecipou que o Produto Interno Bruto (PIB) argentino foi praticamente o dobro do brasileiro no ano passado - que foi chamado de 'pibinho' e, segundo projeções, ficou abaixo de 1%. Os dados argentinos serão confirmados pelo Indec, o instituto oficial de estatística que realiza estudos econômicos, na próxima sexta-feira.
"Mesmo que não tenhamos crescido com a mesma intensidade dos últimos 10 anos, nosso Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,9% no ano passado, que foi o pior da crise", afirmou a presidente da Argentina. O último dado informado pelo Indec, referente a novembro do ano passado, mostrava um crescimento acumulado em 11 meses de 1,9%, com tendência a desaceleração.
Não dá para acreditar - O problema é que falta credibilidade às informações econômicas da Argentina. Nas últimas semanas, Cristina Kirchner foi cobrada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) pela falta de transparência na divulgação dos dados econômicos do país. Segundo números oficiais, a inflação em 2012 era de 10,8%. Mas cálculos de consultorias privadas mostram que a inflação real no país é de 25,6%.
Se a situação no PIB repetir o caso da inflação, a presidente Dilma pode ficar descansada: o crescimento da Argentina será metade dos dados oficiais e ficará em linha com o desempenho do Brasil. O que, em todo o caso, não minimiza a baixa expansão da economia de dois países-chave da América Latina.
(Com agência Reuters)

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