Companhia controlada por sócio de ex-deputado
petista comanda os oito restaurantes comunitários da capital federal.
Mas o contrato tem falhas legais
Gabriel Castro

O governador do DF, Agnelo Queiroz: contrato milionário sob suspeita
(Beto Barata/AE)
O governo do Distrito Federal assinou contratos milionários com uma
empresa controlada pelo parceiro de um ex-deputado petista sem exigir
dela certificado de regularidade com a Receita Federal, como pede a lei.
A beneficiada é a Master Restaurante LTDA, companhia que controla,
desde o fim do ano passado, oito restaurantes comunitários que servem
refeições ao preço de 1 real. A legislação exige que uma empresa
apresente certificado de regularidade com o Fisco ao firmar um contrato
com o poder público. No caso da Master, entretanto, a norma foi
desrespeitada.
Ao menos dois dos oito contratos foram assinados em 26 de dezembro de
2011, quando a companhia não tinha certidão comprovando estar quite com a
Receita. O comprovante disponibilizado pela empresa havia perdido
efeito um dia antes. A Secretaria de Desenvolvimento Social admite que
havia irregularidade no momento da formalização dos contratos, mas alega
ter dado novo prazo para que a empresa resolvesse a situação.
Reprodução
Notícia no site de secretaria confirma assinatura dos contratos em 26 de dezembro
Os contratos, porém, foram assinados antes que a Master apresentasse
uma nova certidão. O governo afirma que, nesse período, nenhum pagamento
foi feito. Mas a manobra não tem sustentação legal, como mostra a
Constituição: "Na assinatura do contrato ou da ata de registro de
preços, será exigida a comprovação das condições de habilitação
consignadas no edital".
Parte do sucesso da Master talvez possa ser explicado pelas ligações da
empresa: o responsável pela companhia é Maurício Pinto Braga, ligado ao
ex-deputado petista Juvenil Alves. Braga comandou um tribunal arbitral
de propriedade de Juvenil em Brasília. O ex-deputado federal, o mais
votado do PT mineiro em 2006, chegou a ser preso em uma operação da
Polícia Federal e foi cassado em 2009 por ter feito caixa 2 de campanha.
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Cerdidão mostra que a empresa só comprovou a situação regular 18 dias depois de assinar contratos
Pequena empresa- Outro ponto em relação aMaster chama a atenção
. Embora
tenha vencido a concorrência para controlar os oito restaurantes e
servir 24.500 refeições por dia, - 13, 2 milhões em 18 meses de contrato
- a empresa é, desde 2007, participante do Simples, um mecanismo fiscal
que beneficia apenas as micro e pequenas empresas. A companhia recebeu,
até agora, 4,7 milhões de reais do governo - faturamento já acima do
limite máximo exigido para a participação no Simples.
O governo do Distrito Federal alega que o trâmite legal foi respeitado
na contratação da companhia e afirma que o processo de seleção da Master
promoveu uma economia de 10 milhões de reais por ano aos cofres
públicos.
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