Da cadeia, Eduardo Cunha emite recados e dá ordens para seus afilhados políticos no governo. A maioria abrigada na Companhia Docas do Rio de Janeiro

O TIME DE CUNHA O
ex-deputado tem pelo menos 30 pessoas ligadas a ele no governo (Crédito: Rodrigo Félix Leal/Futura Press)
O elo
Os afilhados de Eduardo Cunha que até hoje seguem suas orientações são responsável por gerir portos do Rio de Janeiro, Itaguaí, Angras dos Reis e Niterói. Ocupam cargos estratégicos e de relevância, que deveriam ser preenchidos por técnicos, não por apaniguados. Ao todo, foram lotados mais de 30 funcionários ligados a Cunha. O resultado não poderia ser diferente: o desfiguramento técnico em prol de uma política de interesses pessoais na empresa. No caso, os interesses em questão são do ex-presidente da Câmara, preso justamente por corrupção. Encarcerado, em tese, Eduardo Cunha não poderia indicar ninguém. Ele possui, no entanto, porta-vozes capazes de prestar o serviço silencioso para ele. É o caso da deputada federal Soraya Santos (ex-PMDB e agora PR-RJ). Soraya sempre foi leal a Cunha. Não o abandonou na saúde nem na doença. Por isso, mesmo preso, Cunha assegurou a Soraya o poder de nomear quem quisesse na Companhia Docas do Rio de Janeiro. O cargo mais alto, o de diretor-presidente, é ocupado por uma pessoa indicada pela deputada: Tarcísio Tomazoni, formado em educação, alçado ao cargo no lugar do engenheiro Hideraldo Luiz, com vasta experiência em gestão de portos. Mesmo com a reprovação do seu nome pelo Comitê de Elegibilidade da companhia, que o classificou como desprovido de capacidade, ele ocupa a função até hoje.

A deputada Soraya não é a única ponte de Eduardo Cunha em Docas. Outro elo é o deputado Altineu Cortês (PR-RJ), integrante da tropa de choque do ex-presidente da Câmara. Em abril, ele determinou a nomeação do filho do deputado federal José Priante (MDB-PA) para a Superintendência da companhia. José Benito Priante recebe salários de R$ 17 mil. “Meu filho foi nomeado por seu curriculo”, alegou José Priante. Ocorre que a nomeação foi feita em retribuição ao pedido de Altineu para que Priante, o pai, assumisse a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara – posto estratégico para Cunha.
Até nas águas
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