O luxuoso avião fretado pela CBF para
levar a Seleção Brasileira à Copa da Rússia mostra como mudou a vida dos
jogadores desde a conquista do primeiro mundial, há 60 anos
ESPAÇOSO Projetado
para viagens corporativas, as 100 poltronas do A340 são de primeira classe (Crédito: Divulgação)
Os jogadores da Seleção Brasileira há muito se comportam como
celebridades. E em boa parte das vezes ganham mais que estrelas de
cinema e artistas pop. Às vésperas da Copa do Mundo, os convocados
elevam seu status ao de figuras de estado. Tanto que os 20 atletas que
embarcaram no domingo 27 para a Rússia, com escala para treinos e
amistosos no Reino Unido e Áustria, voaram em um Airbus A340-300 VIP que
custa mais de US$ 250 milhões. É quase injusta a comparação com o DC-7
da Panair que trouxe o time de Pelé e Garrincha da Copa da Suécia, em
1958 – à época a aeronave valia 0,5% (US$ 1,3 milhão) do atual modelo
fretado pela CBF. Enquanto os primeiros campeões fizeram escalas em
Londres, Lisboa, Dakar e Recife antes de chegar ao Rio, Neymar e
companhia voam direto e com mordomias usualmente restritas a bilionários
de países asiáticos e do Oriente Médio. Além das confortáveis poltronas
para cada atleta, a cabine tem amplos sofás revestidos com couro de
fazer inveja a bolsas Louis Vuitton.
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EM VOO Clima de descontração postado em redes sociais: Thiago Silva, Neymar e Marquinhos
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Na semana em que voos em todo o Brasil foram cancelados por falta de
combustível, os tanques capazes de armazenar 147 mil litros de querosene
do A340 foram abastecidos pelo oleoduto que liga a refinaria de Duque
de Caxias ao Galeão. Antes do abastecimento, o avião da empresa de
fretamento maltesa AirX Charter havia sido preparado para abrigar com
mimos e conforto até 100 privilegiados. A versão de linha aérea comporta
cerca de 280 passageiros. Na configuração VIP, todas as poltronas são
de primeira classe. Com quatro grandes turbinas, o avião de origem
francesa concorre com o Air Force One, fabricado pela americana Boeing
para transportar o presidente dos Estados Unidos. Tanto que um modelo
similar ao alugado pela CBF é usado pela chanceler alemã Angela Merkel. O
ditador líbio assassinado Muamar Kadafi chegou a ter um, comprado de um
príncipe saudita. CAMISA 10 Principal estrela tem jatinho executivo de US$ 18 milhões (Crédito:Divulgação)
Por mais que Neymar seja dono de um jato Citation Sovereign avaliado
em quase US$ 18 milhões, até a semana passada ele não tinha
experimentado voar em algo tão grandioso quanto a aeronave de matrícula
9H-BIG que o levou a Londres para a fase de aquecimento para a Copa.
Esse privilégio havia sido do zagueiro Miranda. Em meados do ano
passado, seu time, a Internazional e de Milão, excursionou à China a
bordo desse jato.
Prêmios de US$ 1 milhão
A globalização dos esportes, os grandes contratos de patrocínio e os
direitos de imagem permitem essas regalias impensáveis no passado. Os
brasileiros tricampeões da Copa de 70, no México, ganharam fusquinhas
verde-musgo pagos com dinheiro público por Paulo Maluf, então prefeito
de São Paulo. O caso virou escândalo e se arrastou na Justiça. Em 1994,
os jogadores trouxeram tantas compras dos Estados Unidos que o caso
ficou conhecido como o “Voo da Muamba”. Foram 11 toneladas a mais de
carga na volta dos jogadores que conquistaram o tetra. A CBF só pagou
essa conta à Receita Federal após uma CPI. Se o Brasil vencer a Copa de
2018, é provável que isso não ocorra, já que só três dos convocados
atuam por aqui. A taça dará aos atletas premiações individuais de US$ 1
milhão – o suficiente para comprar um apartamento de luxo em qualquer
capital do Brasil.
Essa foi a primeira vez que a Seleção viajou para um mundial por uma
companhia estrangeira. Entre as copas de 1954 e 1962 foram usados aviões
da Panair. De 1966 a 2006, a canarinho voou de Varig. Em 2010, foi de
TAM, ficando a competição de 2014 a cargo da Gol, uma das atuais
patrocinadoras. Como a companhia não voa na Europa, foi preciso
contratar outra empresa. Na Rússia, o time terá que fazer os
deslocamentos internos mais longos de sua história. Serão 7,3 mil
quilômetros na primeira fase, com jogos em Samara, Kaliningrado e
Moscou. Para tanto, devem voar em 737 ou A320, menores, mas não muito
menos luxuosos. Algo corriqueiro no abastado futebol global.
O avião de origem francesa concorre com
o Air Force One, que transporta o presidente dos Estados Unidos. Um
modelo similar é usado pela chanceler alemã Angela Merkel
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