Manifestantes usaram faixas e cartazes. Ato também homenageou Marechal, morador da Rocinha que foi morto em tiroteio na última quarta-feira
Por
JONATHAN FERREIRA

Rio - Um ato promovido
por entidades que defendem bombeiros e policiais civis e militares,
caminhou na Praia de Copacabana, para chamar a atenção de autoridades e
da sociedade sobre o alto índice de mortes de policiais e denunciar a
falta de estrutura de trabalho dos profissionais da segurança pública.
O movimento teve início às 10h, na altura do Posto 5.
Os manifestantes, incluindo familiares de policiais vítimas da violência
do Rio de Janeiro, usaram faixas e cartazes como forma de protesto.
Também foi estendido um cartaz agradecendo ao morador da Rocinha,
Antônio Ferreira da Silva, conhecido como “Marechal”, morto na última
quarta-feira, durante uma troca de tiros entre PMs e bandidos, que
culminou, ainda, na morte do soldado Felipe Santos de Mesquita.

A mãe do soldado Mesquita, Ana Cissa, clamou por mais
valorização do poder público aos policiais. “Preciso que haja Justiça,
para que outras mães não passem pelo que eu estou passando agora. Só
quem perde um filho sabe a dor. Enquanto os políticos defendem os
bandidos, meu filho estava defendendo a pátria e a cidade dele. Agradeço
a deus por tudo que ensinei ao filho. Ele dizia que se fosse para
morrer, que fosse defendendo meu país e minha cidade”, desabafou.
Um dos organizadores do ato, o tenente Nilton da Silva,
que é presidente do movimento S.O.S. Polícia, defendeu penas mais
rigorosas para pessoas que cometem crimes contra policiais. Ele criticou
as audiências de custódia e disse que os criminosos estão agindo com a
sensação de impunidade. Da Silva ressaltou a importância do ato. "É uma
forma de chamar atenção não só das autoridades, mas da sociedade como um
todo. Se nós estamos sendo vítimas, como iremos assegurar a vida do
cidadão comum?", questionou.
A viúva do sargento Hudson Silva de Araújo, Fernanda
Ursolino, esteve no ato acompanhada de sua filha, que estendeu um cartaz
com a foto do pai, morto por criminosos em julho do ano passado,
durante um patrulhamento na comunidade do Vidigal, na Zona Sul do Rio.
Ela criticou a falta de apoio do estado e ressaltou a dificuldade para
criar as duas filhas sem o marido.
“Hoje eu sou pai e mãe. A presença do pai e marido faz
muita falta. Não ter presença masculina em casa faz falta. É difícil
educar duas meninas sem os pais. A falta do pai é sentida por elas a
todo momento”, desabafou. Ursolino ressaltou a importância dos policiais
militares e clamou por justiça. “Se com eles(Policiais) já está ruim,
imagina sem eles. Perdi o meu há oito meses, mas a minha luta por
resposta e Justiça continua. Quero que o nome dele não caia no
esquecimento”, ressaltou. Ela lembrou que três suspeitos pelo crime
foram presos, mas que ainda outros três ainda seguem foragidos.
O sargento reformado Djair Ferreira, de 55 anos, é um
dos policiais que foi vítima de criminosos pelo fato de vestir a farda
da corporação. Ele estava fora de serviço quando foi alvo de 11 tiros de
criminosos, após ter sido reconhecido como policial militar. O caso
aconteceu em 2001, em Vigário Geral. “Fui assaltado em um sinal de
trânsito em Parada de Lucas. Dentro do carro os bandidos acharam minha
carteira da PM, me levaram para a entrada da comunidade e me deram 11
tiros. Tive que colocar uma prótese no quadril. Infelizmente, a polícia
não tem um setor que nos ampare e que fique em cima para acompanhar o
problema do policial”, lamentou.
O professor de MMA, Henrique Alves, que perdeu os
movimentos da perna, após ser alvejado por criminosos em um assalto, em
Cordovil, em janeiro de 2016, também participou do ato para apoiar os
amigos que são policiais militares. Ele continua mantendo a rotina de
treinos, dentro da unidade do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de
Praças da PM (Cfap). “Eu era atleta, e estava indo trabalhar, quando
dois meliantes que estavam em uma moto, puxaram minha mochila dizendo
que eu havia perdido. Estava na calçada e cai em cima do bandido que
estava armado. Ele se assustou e atirou. Perdi os movimentos da perna na
hora”, contou.
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