16 de fev de 2016

Qual é o melhor antivírus? Confira dicas para saber como escolher


Se você tem alguma dúvida sobre segurança da informação (antivírus, invasões, cibercrime, roubo de dados etc.) vá até o fim da reportagem e utilize o espaço de comentários ou envie um e-mail para g1seguranca@globomail.com. A coluna responde perguntas deixadas por leitores no pacotão, às quintas-feiras.


Antivírus para empresas têm recursos que facilitam o gerenciamento de várias máquinasO antivírus ainda é sinônimo de "segurança no computador" (e também no celular) para muitas pessoas, mas, com uma variedade de produtos no mercado - pagos e gratuitos -, há sempre a dúvida sobre qual programa é melhor. A coluna Segurança Digital vez ou outra volta para responder essa pergunta, já que o cenário muda com o passar do tempo e as dúvidas voltam a chegar.

Resumindo o que esta coluna já afirmou várias vezes, o "melhor antivírus" depende das suas necessidades, do seu conhecimento e do orçamento que você tem disponível.

A primeira pergunta é se vale a pena pagar por um antivírus. Em geral, a resposta é não. Pagar por um programa aumenta as escolhas e dá direito ao suporte técnico. Programas pagos também trazem acessórios ou ferramentas extras como parte de uma "suíte" de segurança. Porém, não há muita diferença na proteção em si. Se você não tomar alguns cuidados básicos ao navegar na web, não importa quanto você pagou pelo antivírus - ele vai deixar alguma coisa passar.

Antes de comprar um antivírus
Supondo que você tenha dinheiro, sua primeira prioridade deve ser abandonar o Windows pirata. Muita gente usa o Windows pirata no Brasil e isso não é nada bom para a segurança. Em certos casos, a atualização automática do Windows é desligada para evitar que o computador pare de funcionar repentinamente por causa do sistema antipirataria. Não instalar as atualizações do Windows é péssimo para a segurança - pior do que ficar sem antivírus. Isso não é aceitável. Pagar por um antivírus com o Windows pirata é mais ou menos como comprar a fechadura sem ter a porta.

Em seguida, o dinheiro deve ir para a aquisição de um disco rígido externo ou pen drive com espaço suficiente para você guardar uma cópia de segurança dos seus arquivos. Isso vai permitir que você recupere seus dados no caso de um ataque de um vírus de resgate (que impede totalmente o acesso aos seus arquivos) e também no caso de uma falha de hardware no seu computador, que é uma função que o antivírus simplesmente não tem. Tudo isso tem a ver com a segurança dos seus dados, então não adianta pensar só no antivírus.

Se você ainda tem dinheiro, aí você pode considerar a aquisição de um produto antivírus.

Windows DefenderA escolha do antivírus
Em qual computador o antivírus será usado?

Essa é uma pergunta muito relevante hoje. Tablets e notebooks de baixo desempenho serão significativamente comprometidos por um antivírus, com lentidão e duração de bateria reduzida.

Se você vai usar o antivírus em uma máquina dessas, dê preferência para soluções leves, como o Windows Defender (incluso no Windows 7 em diante) ou experimente antivírus que ofereçam integração com serviços de análise em nuvem para diminuir o impacto no seu sistema. Essa segunda opção é interessante se você tem um computador ou notebook de baixo desempenho que não vai ficar muito tempo desconectado da internet, mas não é indicada se o acesso à internet em sua região é limitado, se você vai levar o computador para locais sem acesso à rede ou se vai depender de franquia de dados.

Também é importante refletir um pouco sobre o seu conhecimento. Você consegue se adaptar a qualquer antivírus? Alguns programas são difíceis de usar. Teste alguns produtos ou procure por imagens da interface e veja qual é mais intuitivo para você.

Quanto à eficácia do antivírus em si, confira o site do AV-Comparatives e dê preferência para os produtos que ficaram com o selo "Advanced+". Todos os produtos com essa tarja tiveram alto desempenho nos testes do laboratório, que estão entre os mais completos do mundo.

Tenha muito cuidado com "testes" de antivírus oferecidos por outros sites de internet, mesmo os que se dizem especializados em tecnologia. A maioria dos testes não é conduzida de maneira adequada, muitas vezes porque o número de pragas testada é muito baixo. O AV-Comparatives tem um site em tempo real, o que significa que pragas digitais novas são verificadas assim que encontradas, o que é mais parecido com a realidade a qual seu computador fica exposto.

Vale dizer: não há diferença exata entre "antivírus" ou "antimalware" . Um antivírus é capaz de remover qualquer tipo de praga digital e não apenas os "vírus". Porém, alguns produtos escolhem não detectar programas meramente indesejados que podem ser identificados como pragas por outras soluções. Mas qualquer produto buscará remover pragas que roubam senhas de banco e vírus de resgate, por exemplo. A diferença, claro, está na eficácia, mas é para isso que serve o teste do AV-Comparatives.

A coluna traz aqui duas listas resumindo os resultados de três testes ("teste do mundo real", "teste de detecção de arquivo" e "teste de remoção"). Estão listados apenas produtos com Advanced+ em ao menos uma dessas categorias; quanto mais selos "Advanced+" um antivírus conseguiu, claro, melhor ele é. Cuidado ao utilizar produtos com pontuações ruins (Standard ou Tested) nos primeiros dois testes.

Antivírus Advanced+ 2015 com versões grátis (ordem alfabética):
- Avast [Advanced+ / Advanced / Advanced+]
- AVG [Advanced+ / Standard / Advanced+]
- Avira [Advanced+ / Advanced+ / Advanced+]
- Bitdefender [Advanced+ / Advanced+ / Advanced+]*
- Panda [Advanced / Advanced+ / Advanced]
- Tencent [Advanced+ / Advanced / não testado] (antivírus com histórico de práticas ruins para obter pontuação mais elevada em testes)

Demais produtos:
- Bullguard [Standard / Advanced+ / Advanced]
- Emsisoft [Advanced+ / Advanced+ / Advanced]
- eScan [Advanced / Advanced+ / Advanced]
- Eset [Advanced+ / Advanced+ / Advanced]*
- Kaspersky Lab [Advanced+ / Advanced+ / Advanced+]*
- Lavasoft [Standard / Advanced+ / Advanced]

* Estes produtos também receberam Advanced+ no teste heurístico, que avalia a capacidade do antivírus de detectar pragas que ele não "conhece" ainda. Poucos produtos foram testados nessa categoria, então confira o site do AV-Comparatives.

E os acessórios?
A maioria dos "acessórios" dos antivírus é dispensável. Isso inclui firewalls, "navegadores seguros" e outros "mimos" oferecidos principalmente a quem paga pelo produto. O pesquisador Tavis Ormandy do Google recentemente encontrou brechas de segurança em uma extensão da AVG para o Chrome, nos navegadores seguros da Avast e da Comodo e no gerenciador de senhas embutido na suíte de segurança da Trend Micro.

Isso não significa que as soluções dessas empresas são ruins (AVG e Avast têm o selo Advanced+ no AV-Comparatives, por exemplo), mas mostra como não vale muito a pena considerar esses recursos na hora de decidir qual antivírus adquirir.

O que as empresas de antivírus sabem fazer é antivírus. Em geral, há outros produtos melhores para desempenhar as outras funções "extras" que um produto oferece. Outros, como firewalls, em geral não valem a pena. O firewall embutido no Windows é suficiente para quase todo mundo.

E para Android? E outros celulares?
Versões recentes do Google Play automaticamente bloqueiam e removem e aplicativos malicioso, então o próprio sistema já tem um antivírus embutido de certa forma, não sendo necessário um antivírus se você apenas instala apps do Google Play.

Porém, diferente de como é no computador, alguns antivírus oferecem certos acessórios realmente interessantes, como rastreamento do aparelho, otimização e gerenciamento de processos para simplificar certos ajustes de desempenho. Dito isso, esses extras já não têm muito a ver com o antivírus em si. Em geral, ajustes oferecidos por programas de otimização podem ser acessados diretamente pelo sistema do celular, sem um aplicativo de terceiros, e os desenvolvedores dos sistemas de celulares (Google, Apple e Microsoft) oferecem serviços de rastreamento também.

No celular, a questão da duração da bateria é ainda mais grave, então o antivírus precisa ter um impacto bem baixo no sistema.

Em outros sistemas como Windows Phone e iOS, não é possível instalar aplicativos fora da loja oficial oferecida pela desenvolvedora (Microsoft e Apple, respectivamente), então um antivírus em si não faz sentido, exceto para cumprir alguma política em empresas que podem sofrer ataques mais direcionados e necessitam de uma visibilidade maior sobre seus dispositivos.

OS X
Existem códigos maliciosos que rodam no OS X, o sistema operacional usado nos computadores da Apple, como Mac Pro e Macbook. Em geral, eles são muito raros e o sistema possui proteção embutida contra as praga mais comuns, mas você precisa ter cuidado ao navegar na web e especialmente ao digitar a senha de administração (root).

Resumindo
- Se for gastar dinheiro, compre primeiro um Windows original e um disco externo ou pen drive para guardar uma cópia de segurança dos seus arquivos.
- Considere as limitações do hardware em que o produto será usado
- Considere o seu conhecimento e qual produto parece mais intuitivo. Isso é preferência pessoal.
- Considere os produtos com melhor desempenho em testes (Advanced+).
- Ignore os acessórios e funções extras. Dê atenção ao recurso principal: o antivírus.
- Para celular, no iOS e Windows Phone não há necessidade de antivírus
- Não é preciso instalar um antivírus no Android se você apenas utiliza o Google Play ocasionalmente. Se você gosta de testar muitos aplicativos novos e de instalar apps de outras lojas, instale um antivírus.
- Tenha cuidado na web mesmo se você utilizar um computador da Apple com OS X. O antivírus é dispensável; a cautela, não.



Imagens: Divulgação e Windows Defender (Reprodução)

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