28 de out de 2015

Se recursos foram desviados, BNDES não poderia saber, diz Mantega

Em depoimento à CPI do BNDES, ex-ministro da Fazenda defendeu empréstimos do banco ao ser questionado sobre o papel da instituição em irregularidades apuradas pela Lava Jato

Estadão Conteúdo
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O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega disse nesta terça-feira, 27, que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) emprestou dinheiro para empresas com base em regras "muito rigorosas".

Segundo ele, o banco provavelmente não teria como saber se esses recursos foram desviados para esquemas de pagamento de propina. Mantega, que depõe à CPI do BNDES da Câmara dos Deputados, foi questionado sobre o papel do banco nas irregularidades investigadas na Operação Lava Jato.

Ele disse que não tinha como suspeitar de qualquer irregularidade, porque não estava à frente da presidência do BNDES no período. "Tenho certeza de que o BNDES repassou para empresas que estavam habilitadas, com regras muito rigorosas. Se na sequência houve irregularidade, provavelmente o BNDES poderia não saber. Mas tenho certeza que, quando ele liberou o dinheiro, estava tudo correto", afirmou.

Segundo Mantega, os índices de inadimplência do BNDES são baixos, e isso mostra que os empréstimos foram bem feitos. Questionado por parlamentares, Mantega disse não se arrepender das decisões tomadas no período em que foi presidente do BNDES, entre 2004 e 2006. "Não me arrependo de nenhuma decisão, porque não me lembro de nenhuma decisão que tenha causado prejuízo ao banco", afirmou.

Política de crédito

Quatro dias após o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, anunciar a redução dos limites de empréstimos pelo Programa de Sustentação do Investimento (PSI), do BNDES, Mantega defendeu os vultuosos empréstimos feitos pelo banco nos últimos anos com subsídio do Tesouro Nacional: "O aumento do crédito ao BNDES nos permitiu puxar o crescimento do PIB e do emprego", afirmou.

O ministro, que foi presidente do banco de fomento entre 2004 e 2006, prestou depoimento na condição de testemunha - teve, inclusive, de prometer dizer apenas a verdade. "Os subsídios que foram pagos para esse programa foram mais do que compensados pelo aumento de arrecadação em função da atividade maior", disse.

À comissão, Mantega afirmou ainda que a política anticíclica adotada pelo governo brasileiro a partir de 2009 foi necessária para reativar o consumo e o investimento, em queda por conta da crise mundial. "Naquela época não achávamos que a crise iria se estender por tantos anos", completou.

De acordo com números apresentados pelo ministro, o Tesouro repassou ao BNDES cerca de R$ 230 bilhões no governo Lula e outros R$ 200 bilhões no governo Dilma Rousseff.

O ex-ministro disse ainda que os financiamentos do PSI podem ser tomados por qualquer empresa, de qualquer setor. Ele defendeu que o programa aumentou o nível do investimento no país de 16% para cerca de 20% entre 2010 e 2014. "Há uma elevação muito forte do investimento a partir do aumento do crédito do BNDES. É uma correlação inquestionável", afirmou.

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