O País tem a chance histórica de combater os malfeitos e punir corruptos e corruptores. Se falhar a classe política pode cair em total descrédito
Claudio Dantas Sequeira (claudiodantas@istoe.com.br)
O tema pautou
as eleições e ocupou boa parte da agenda legislativa e do noticiário no
ano que passou. Agora, ganha status de política pública. Nenhum desafio
será maior em 2015 que o combate à corrupção. Dele depende a retomada do
crescimento e a própria garantia de governabilidade da presidente Dilma
Rousseff. Declarações populistas que lhe renderam votos na campanha não
surtirão efeito sem medidas concretas. Ao que cabe à chefa do
Executivo, a cautela na escolha de ministros e assessores deve ser
redobrada. Assim como evitar curvar-se ao fisiologismo político e, ao
menor sinal de negociatas, varrer da Esplanada os responsáveis. Escudada
em índices de aprovação do primeiro mandato, Dilma ainda resiste a
cortar na carne. Também não dá sinais de que vá desaparelhar e reforçar o
papel dos órgãos de controle, como CGU e COAF.

ELE IMPÕE RESPEITO
O juiz da Operação Lava Jato, Sérgio Moro, tornou-se
símbolo do combate implacável à corrupção
O ato mais aguardado para o início do ano
virá das mãos do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que
prometeu apresentar até o final de fevereiro a denúncia contra os
políticos envolvidos no escândalo do “petrolão”. É porvável que o total
de políticos envolvidos supere em muito os 28 nomes indicados pelo
ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa. Mas de nada
valerão tais suspeitas se o procurador-geral não apresentar provas
robustas de que parlamentares, governadores e ministros foram
destinatários da propina paga por contratos superfaturados da Petrobras.
De uma denúncia bem feita dependerá a abertura da ação penal no STF.
A oposição se articula para, na volta do
recesso, pressionar por investigações de potencial ainda mais explosivo,
como dos empréstimos do BNDES, os investimentos dos fundos de pensão e
os contratos de grandes obras.
Mais importante que comissões de inquérito,
é imperativo a aprovação de uma reforma política profunda, que reveja
os atuais mecanismos de financiamento eleitoral – origem de todos os
descalabros do sistema político.
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