Com R$ 30 milhões em dívidas com o Fisco, instituição que já arrecadou fortunas está prestes a fechar as portas
DOIS MOMENTOS
Local de peregrinação
de líderes políticos
e empresários, como mostra foto de 2010 (abaixo), prédio está cada vez
mais vazio (acima), desde a prisão de Lula (Crédito: Marco Ankosqui)
André Vargas
Rodrigo Capote
O sobrado localizado em uma rua tranquila, a poucos metros do Museu
do Ipiranga, em São Paulo, já foi o centro de convergência dos
principais líderes políticos do País. Em suas salas, decoradas com
posteres e fotos que louvam o socialismo, já passaram grandes
empresários, artistas e intelectuais. Hoje, o imóvel que abriga o
Instituto Lula parece um deserto. Na última semana, a reportagem de
ISTOÉ acompanhou a movimentação e constatou que pouco mais de dez
pessoas entram e saem do sobrado diariamente. Um deles é Paulo Okamotto,
o presidente da instituição que, atolada em dívidas, vive seu ocaso.
Antes da prisão de Lula, a movimentação de petistas e aliados ainda era
constante no Instituto, mesmo com a Lava Jato em pleno curso. O
ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, por exemplo, era um habitué.
“Desde que o homem foi embora, acabou”. Essa é a frase repetida pelos
taxistas dos dois pontos próximos. Guardadores de carros, manobristas de
estacionamentos e garçons testemunham diariamente o esvaziamento do
Instituto. A movimentação se restringe ao ir e vir de funcionários, em
número cada vez menor, que circulam entre a sede principal e um sobrado
na rua detrás também usado como escritório da entidade. O que ainda
chama a atenção são os grafites na porta da garagem, que atraem olhares
curiosos de quem entra ou sai do hospital situado no outro lado da rua. Corte de funcionários Da época das doações milionárias e das caríssimas palestras
proferidas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficaram apenas
lembranças e alguns processos. O Instituto Lula naufraga em dívidas,
operações suspeitas e bloqueios bancários e patrimoniais. Desde a
terça-feira 10, a Justiça indisponibilizou cerca de R$ 30 milhões em
recursos e bens da entidade, do próprio Lula, de sua empresa de eventos e
palestras — a L.I.L.S. — e de Paulo Okamotto. A decisão foi tomada pela
1ª Vara de Execuções Fiscais de São Paulo com o intuito de tentar
quitar as dívidas fiscais com o governo federal e comprometeu
definitivamente as finanças da entidade.
Os recursos ainda disponíveis seriam suficientes para cobrir apenas
os próximos dois meses, mesmo assim com drástico corte de despesas,
inclusive salariais, em uma folha de pagamentos que soma R$ 490 mil
mensais. Sem dinheiro para pagar funcionários, alguns foram transferidos
para a sede do PT, para assessorias parlamentares de petistas ou até
mesmo para sindicatos da CUT. Uma campanha de arrecadação disponível no
site da entidade tenta recolher R$ 720 mil para manter as contas em dia
até a virada do semestre. Até quarta 18, apenas R$ 163,4 mil haviam sido
angariados. SEM RECURSOS Okamotto teve R$ 14 milhões bloqueados e transferiu funcionários para o PT e CUT (Crédito:Marco Ankosqui)
Diante de tantas dificuldades, o Instituto alega, em nota, ser alvo
de uma “campanha judicial e midiática” movida contra o ex-presidente. Os
advogados de Lula afirmam que os bens bloqueados inexistem e tentam
recurso na Justiça, já que os débitos com o Fisco estão em discussão na
esfera administrativa.
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