Segundo diretor de tecnologia da empresa, usuários afetados serão avisados a partir de segunda-feira
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ESTADÃO CONTEÚDO

Rio - O Facebook
divulgou nesta quarta-feira que dados de 443.117 usuários brasileiros
"podem ter sido compartilhados indevidamente" com a consultoria
Cambridge Analytica, que os utilizou para influenciar a opinião pública
em eventos como a eleição presidencial dos Estados Unidos em 2016.
O Brasil ficou entre os 10 principais territórios que foram afetados pela questão - os EUA lideram com 70 milhões de usuários.
Ao todo, dados de pelo menos 87 milhões de usuários da
rede social podem ter sido obtidos pela consultoria, a partir de um quiz
feito pelo pesquisador Aleksandr Kogan.
A informação surgiu em uma atualização do post feito
por Mike Schroepfer, diretor de tecnologia do Facebook, sobre as
mudanças promovidas pela rede social em seus termos de uso e política de
privacidade.
É a primeira vez que o Facebook revela quais foram os
países mais afetados pelo uso indevido de aplicativos para a obtenção de
dados pessoais pela consultoria.
Territórios como Filipinas, Indonésia e Reino Unido,
por sua vez, tiveram informações de mais de 1 milhão de contas varridas.
Segundo Schroepfer, os usuários que foram afetados serão avisados a
partir de segunda-feira, 9.
Entenda o caso
Reportagens dos jornais The New York Times e The
Observer, de Londres, revelaram que a empresa de inteligência Cambridge
Analytica colheu informações privadas de mais de 50 milhões de usuários
do Facebook, em um esforço para beneficiar a campanha eleitoral do
presidente americano, Donald Trump, em 2016.
A empresa britânica de inteligência digital coleta e
relaciona dados para ações de marketing digital feitas por companhias e
políticos. No caso em questão, ela usou o método para desenvolver ações
para influenciar o cenário político americano e favorecer Trump.
Atingir o objetivo só foi possível graças a uma
parceria com outra empresa, a também britânica Global Science Research,
liderada por Aleksandr Kogan, pesquisador da Universidade de Cambridge.
Ele criou um quiz online, chamado This is your digital
life (Esta é sua vida digital), que exigia que as pessoas conectassem
sua conta do Facebook para ser acessado. Isso permitiu que o quiz de
Kogan obtivesse informações pessoais dos usuários da rede social e de
seus amigos.
Os dados obtidos por meio do teste foram vendidos pela
Global Science à Cambridge Analytica, numa clara violação aos termos de
uso do Facebook. Isso permitiu que a empresa de inteligência cruzasse
dados com outras fontes e chegasse a um perfil preciso das pessoas,
usado para enviar mensagens direcionadas - incluindo notícias falsas -
para influenciar votos.
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