Polícia monitorou os rádios dos traficantes e interceptou mensagens repassadas por redes sociais que informavam sobre a ação
Jonathan Ferreira
Rio
- Os criminosos que controlam o tráfico de drogas na comunidade do
Jacarezinho e em favelas ao redor sabiam da megaoperação integrada das
polícias com as Forças Armadas, que aconteceu na madrugada desta
segunda-feira. A polícia monitorou os rádios dos traficantes e
interceptou mensagens repassadas por redes sociais que informavam sobre a
ação. Traficantes sabiam que polícia faria megaoperação em favelas da Zona Norte
Foto: Estefan Radovicz / Agência O Dia
Em um dos alertas, os bandidos falaram que
iam “dispersar às 3h”. Já em outro áudio, policias verificaram que um
rapaz falava para o outro: “Ê, meu mano, tá pelo Jacaré? Aí, cuidado aí.
Amigo PQD falou que a cia dele vai partir para o Jaca, Mandela ou
Manguin hoje”. A mensagem foi repassada às 20h de domingo, horas antes
da operação iniciar.
Às 18h10 de domingo, uma pessoa
identificada apenas como PQDT também publicou em uma rede social a
seguinte mensagem: “Pronto para mais uma operação... quebrar tudo no
Jacaré”.
A polícia também identificou que às 19h15 outra
informação circulava pelas redes. Dessa vez a mensagem era: “Tão falando
que o Exército vai entrar no Jacaré. Deus nos proteja”.
Em
outra publicação, um homem avisa: “Alô, alô, minha gente, atenção por
favor. Eu recebi uma notícia da minha prima agora. Não vou divulgar o
nome dela. Ela mandou ficar ligado amanhã para sair para trabalhar
porque o exército vai entrar no jacaré essa madrugada. Gente, cuidado
aí, por favor. Ela é sargenta do exército. Cuidado aí gente essa
madrugada”.
O porta-voz das Forças Armadas, Coronel
Roberto Itamar, afirmou em coletiva realizada no início da tarde desta
segunda que o vazamento precisa ser investigado. Segundo o coronel, é
improvável que alguém da patente do investigado tivesse muitas
informações sobre a operação.
Um militar do Exército
Matheus Ferreira Lopes, de 19 anos, foi preso suspeito de repassar as
informações sobre a megaoperação desta segunda-feira a traficantes nas
redes sociais. O soldado foi detido por agentes da Delegacia de Combate
às Drogas (Dcod) nesta manhã e levado para a Cidade da Polícia.
Operação convive com o risco de vazamento, diz Jungmann
O
ministro da Defesa, Raul Jungmann afirmou durante uma coletiva de
imprensa, na tarde desta segunda-feira, que uma operação que conta com
sete mil homens convive com o risco de vazamento. Ele também ressaltou
que um soldado não tem acesso às informações estratégicas e por isso, a
exposição de dados não acarreta em prejuízo para as ações como a de
hoje.
Ainda segundo o ministro, o militar estava
sendo monitorado pelas Forças Armadas e polícia desde a última operação.
No entanto, Jungmann não admitiu se houve vazamento.
Já
o secretário Roberto Sá anunciou que houve redução nos crimes de
letalidade violenta no mês de julho, comparado o mesmo período do ano
passado. Sá ainda comemorou o resultado e lembrou que mesmo com a
escassez de recursos a polícia está conseguindo cumprir o seu papel de
preservar vidas.
Operação em seis favelas
As
forças de segurança realizam, desde a madrugada desta segunda-feira,
uma operação em seis favelas: Jacarezinho, Manguinhos, Mandela, Bandeira
2, Complexo do Alemão, Parque Arará. Os agentes também atuam no
condomínio Morar Carioca, na Zona Norte. Até o momento, 40 pessoas foram
detidas, entre os presos está o recruta do Exército Matheus Ferreira
Lopes, de 19 anos.
Também foram apreendidas sete
pistolas, duas granadas, 20 motos e sete carros. Além disso, foram
encontrados drogas, munição e máquinas caça-níqueis, ainda não
contabilizadas, nas comunidades. O efetivo mobilizado é de 5,5 mil
homens e mulheres. Foram utilizados ainda 46 blindados e 532 veículos.
Mais de 22 mil alunos sem aulas
A
megaoperação das forças de segurança em comunidades do Rio deixou
22.548 alunos sem aulas na manhã desta segunda-feira. O número é recorde
neste ano. De acordo com informações da Secretaria Municipal de
Educação, 31 escolas, 11 creches e 12 Espaços de Desenvolvimento
Infantil (EDI) não abriram na cidade.
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