Para superar o ambiente de negócios desfavorável e ganhar competitividade, microempresas levam produtos a países que antes eram privilégio das gigantes

INOVAÇÃO
Samy Menasce e os equipamentos para tratar água com ozônio: hoje, além
do Brasil, sua empresa atua no Peru e na Argentina (Crédito: Gabriel
Reis)

Para uma economia que permaneceu estagnada por três anos o número de micro e pequenas empresas exportadoras cresce de forma animadora: 26,8% e 17,5%, respectivamente, entre 2012 e 2016. O volume de negócios também aumentou. “Muitas sentiram as condições internas e começaram a buscar clientes fora do seu mercado de atuação”, afirma Maurício Manfre, gerente do gabinete da Diretoria de Negócios da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). “Isso fez com que os empresários conhecessem as necessidades de outros países e, paralelamente, as entidades passaram a oferecer cursos de capacitação para facilitar o processo.” O resultado é bom não apenas no faturamento. Manter relações com outros países faz com que as marcas sejam mais reconhecidas e competitivas, já que elas captam novas tecnologias e têm oportunidade de desenvolver suas equipes. “Trata-se de um mecanismo de sobrevivência e uma forma de adequar seu desempenho aos padrões globais de qualidade”, afirma Welber Barral, advogado e sócio da Barral M. Jorge Consultoria. Foi o que ocorreu com a marca Flávia Aranha. Em 2010, quando surgiu a oportunidade de exportar para Berlim, na Alemanha, a grife ainda não tinha planejamento para atender à demanda. “Investimos fortemente no mercado nacional, readequamos nosso produto, ajustamos os preços e criamos um produto mais sofisticado para conseguir dar um passo maior com mais segurança”, diz a diretora da confecção.

Recentemente, novas ferramentas facilitam a vida de quem busca mercados além do horizonte. Uma delas é o Portal Único de Comércio Exterior, criado em março desse ano para reduzir custos, eliminar documentos e aumentar a competitividade dos produtos brasileiros. O objetivo é encurtar o prazo médio das operações em 40%, reduzindo o tempo de exportações de 13 para oito dias até 2018. Outra tendência é aumento do volume de negócios com países vizinhos. “O mercado latino-americano tem a facilidade da língua, dos acordos comerciais, aduaneiros e vantagens logísticas que facilitam a vida do empresário”, afirma Manfre. No caso da Brasil Ozônio, o CEO Menasce possuía experiência em mercados vizinhos, o que facilitou a escolha no momento de se internacionalizar. Hoje, a empresa trabalha com um representante comercial, mas a idéia é abrir uma filial nos países em que atua. “Queremos produzir nessas regiões, não apenas comercializar”, diz ele.
Manter relações com outros países faz com que as marcas se tornem reconhecidas e captem novas tecnologias
Outra iniciativa é a parceria da Apex-Brasil com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) no projeto Inovação e Sustentabilidade nas Cadeias de Valor, o ICV-Global, que apoia empresas que desejam se internacionalizar por meio de oficinas de formação e da participação em rodadas de negócios com companhias internacionais. “Desenvolver uma cultura exportadora exige o alinhamento de toda a equipe”, afirma Ana Coelho, coordenadora do ICV-Global. “É preciso planejar a entrada no mercado alvo, a simples replicação do modelo brasileiro no exterior aumenta as chances de o negócio não prosperar.” As empresas aprendem, sobretudo, como encontrar diferenciais competitivos e desenvolver estratégias de longo prazo. A grife Flávia Aranha, que poderia sofrer com a forte concorrência dos países asiáticos no setor, encontrou no mercado europeu um nicho que valoriza a capacidade criativa brasileira — um caminho seguro para se tornar grande aqui e lá fora.
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