11 de fev de 2017

Mulheres de policiais continuam fechando batalhões no Espírito Santo

O Governo do Espírito Santo anunciou acordo com a categoria, mas representantes do movimento dizem que não vão ceder pois não participaram da negociação

 
Protesto de mulheres e familiares de policiais militares continuam bloqueando batalhões
Protesto de mulheres e familiares de policiais militares continuam bloqueando batalhões
Foto: TV Vitória
Apesar do acordo entre Governo do Estado e associações de militares do Espírito Santo na noite desta sexta-feira (10), mulheres e familiares de policiais que estão acampadas há oito dias em frente aos batalhões do Espírito Santo impedindo a saída de viaturas continuam seu protesto na manhã deste sábado (11). Elas dizem que não vão recuar do ato por melhores salários e permanecem em frente aos quartéis bloqueando a saída dos policiais. Nenhum militar voltou às ruas do Espírito Santo.
O questionamento feito por parte das mulheres e familiares de policiais militares após assinatura do acordo foi de que nenhuma das mulheres - parte ativa que bloqueia os batalhões - esteve presente no acerto.
Perto das 8h, alguns policiais se aproximaram do portão principal do Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar (PM) do Espírito Santo e fizeram um apelo para que as mulheres desbloqueassem a saída para que pudessem voltar para o policiamento nas ruas. Os PMs disseram que precisavam estar às 8h em seus postos de trabalho porque, caso contrário, seriam punidos.
Às 8h, dezenas de policiais que estavam na rampa de acesso ao batalhão e esperavam para sair retornaram ao prédio do Comando-Geral. Aos gritos de “guerreiros”, eles foram muito aplaudidos pelas manifestantes. As viaturas do Batalhão de Missões Especiais (BME), elite da PM do estado, também permanecem dentro do quartel.
Na sexta-feira, o comandante geral da PM, coronel Nylton Rodrigues, informou que ao menos 703 policiais foram identificados e serão indiciados pelo crime de revolta — evolução do crime de motim — mas deixou claro que esse número deve ser maior. "Todos [os casos] serão analisados pela corregedoria e encaminhados ao Ministério Público Militar. Quem for condenado com certeza será excluído".
Rodrigues disse que "com certeza" o número de PMs indiciados "irá aumentar muito" ao longo do dia e ressaltou que a maioria dos envolvidos são policiais de início de carreira. A patente mais alta já identificada é de subtenente. O coronel defendeu os pedidos de melhoria das condições de trabalho da PM, mas declarou que essa forma de reinvindicação é uma "insanidade" e pede para que policiais voltem às ruas e dialoguem com o governo. "Não se negocia com arma na cabeça".
Sobre a possibilidade de usar agentes das Forças Armadas e da Força Nacional para a desobstrução dos batalhões, Garcia informou que, nesse momento, o foco não será esse.
"A prioridade é dar segurança para a população. A nossa frente hoje é dar segurança para a população. Não vamos pegar parte do efetivo para tirar mulher da frente de quartel. A possibilidade não está descartada, mas agora eles tem que estar em outras áreas"

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