3 de mai de 2016

Promotoria argentina faz nova acusação contra Cristina Kirchner

Seguindo denúncia, ex-presidente teria alugado imóveis a empresários investigados pela justiça para encobrir pagamento de propina


  • A justiça da Argentina colocou sob a mira outra empresa da ex-presidente Cristina Kirchner por suas conexões com dois empresários envolvidos em casos de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O promotor federal Carlos Rívolo acusou nesta segunda-feira a ex-presidente e seu filho Máximo Kirchner, ambos titulares da companhia Los Sauces S.A., por supostos delitos de enriquecimento ilícito e falsificação de documentos públicos.
    A causa é investigada pelo juiz federal Claudio Bonadío, o mesmo ante o qual Cristina compareceu há duas semanas para prestar depoimento sobre suposta fraude do Estado na compra de dólar futuro pelo Banco Central.
    A Los Sauces foi constituída em 2006 pelo então presidente Néstor Kirchner, morto em 2010, para administrar as propriedades da família. A companhia tem como sócios Cristina e Máximo. Segundo a denúncia de uma deputada opositora, a empresa havia alugado imóveis a dois empresários muito próximos à família e que atualmente são investigados pelo exponencial crescimento de seus negócios durante o período dos Kirchner no poder.
    Um desses é Lázaro Báez, que ampliou sua fortuna graças a obras públicas e está detido desde o início de abril sob suspeita de lavagem de 5,1 milhões de dólares (cerca de 18 milhões de reais). O outro cliente dos Kirchner na Los Sauces é Cristóbal López, que tem negócios nas áreas de cassinos, petróleo e meios de comunicação. Ele é investigado por suposta evasão de 550 milhões de dólares (cerca de 1,9 bilhões de reais) ao fisco.
    Para a deputada Margarita Stolbizer, do partido de centro-esquerda GEN, que apresentou a denúncia em abril, esses alugueis na realidade encobriam pagamento de propinas aos Kirchner por favorecimento em licitações de obras públicas e outros negócios.
    Máximo e Cristina, presidente argentina entre 2007 e 2015, são investigados também por negócios imobiliários de outra empresa, a Hotesur, a partir de uma série de irregularidades detectadas em seus registros contábeis. Também foi comprovada uma relação comercial desta empresa com Baez.
    Nem Cristina nem Máximo se pronunciaram sobre a acusação.
    (Com Estadão Conteúdo)

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