17 de mai de 2016

Dilma critica Itamaraty e defende bolivarianos

Nota divulgada pela assessoria da presidente afastada afirma que a reação dos governos alinhados ao petismo 'expressa a indignação internacional diante de farsa jurídica'

Dilma Rousseff discursa para simpatizantes na parte exterior do Palácio do Planalto
Dilma Rousseff discursa para simpatizantes na parte exterior do Palácio do Planalto após ser notificada da decisão do Senado Federal que determinou seu afastamento da presidência da República - 12/05/2016(Mario Tama/Getty Images)
A presidente afastada Dilma Rousseff usou as redes sociais nesta segunda-feira para criticar a postura do Itamaraty, comandado agora pelo novo ministro das Relações Exteriores José Serra. Na última sexta-feira, Serra divulgou nota rebatendo o coro bolivariano de países alinhados aos governos petistas - como Venezuela, Cuba e Bolívia - que aderiram à retórica do "golpe". No comunicado, o Itamaraty defendeu a legitimidade do impeachment e condenou aqueles que propagam "falsidades sobre o processo político interno no Brasil".

A nota divulgada pela assessoria de Dilma nesta segunda chama o processo que afastou a petista de "golpe parlamentar" e defende a posição dos governos bolivarianos sobre o processo. "A reação de governos estrangeiros e de importantes setores da opinião pública mundial expressa a indignação internacional diante da farsa jurídica aqui montada."
Sobre a resposta do Itamaraty, a nota de Dilma afirma que a nova gestão das Relações Exteriores "não tem autoridade política ou moral para invocar o princípio da soberania". Repetindo um velho discurso das esquerdas, a nota diz ainda que o novo comando do Itamaraty é "tradicionalmente submisso às grandes potências" e pratica "ingerência nos assuntos internos de outros países da região". O comunicado terminar acusando a pasta de planejar acordos comerciais "lesivos ao interesse nacional".
El Salvador - Nesta segunda-feira, o Itamaraty reagiu às declarações do governo de El Salvador, que disse não reconhecer a legitimidade do presidente interino Michel Temer e suspendeu contratos oficiais com o Brasil. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que a decisão de El Salvador revela "amplo e profundo desconhecimento sobre a Constituição e a legislação brasileiras".
"Causam especial estranheza tantos equívocos, uma vez que El Salvador mantém intensas relações econômicas com o Brasil e é o maior beneficiário de cooperação técnica brasileira em toda a América Central", diz a nota. O Itamaraty encerra a mensagem afirmando que espera que o governo do país reconsidere sua posição.
(Da redação)

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