Julio Camargo declarou à
Justiça ter feito repasse ao ex-ministro petista por solicitação do
então diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque
José Dirceu: lobista complica ainda mais o ex-ministro da Casa Civil(Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)
O
lobista Julio Camargo, que fez acordo de delação premiada no âmbito da
Operação Lava Jato, declarou à Justiça Federal nesta terça-feira que
pagou R$ 4 milhões em propina ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.
Segundo Camargo, o repasse ao ex-homem forte de Lula foi feito por
solicitação da Diretoria de Serviços da Petrobras, então sob comando do
engenheiro Renato Duque, preso na Lava Jato. É a primeira vez que
Camargo cita pagamento de propina para Dirceu. Ele depôs como testemunha
de acusação no processo em que são réus Renato Duque, o ex-tesoureiro
do PT João Vaccari Neto e outros 25 acusados por lavagem de dinheiro.
O criminalista Roberto Podval, que defende José Dirceu, negou que
Dirceu tenha recebido R$ 4 milhões de Camargo. "Ele que prove o que está
afirmando", desafiou. "Esse é o quarto depoimento de Julio Camargo. Ele
nunca tinha dito isso. Somos categóricos. Afirmamos que Julio Camargo
não deu esse dinheiro para José Dirceu." Roberto Podval reiterou que
todo o dinheiro recebido pelo ex-ministro por meio de sua empresa, a JD
Assessoria e Consultoria, "tem nota fiscal". "Toda a documentação
relativa às atividades da JD Assessoria foi entregue ao juiz Sérgio
Moro", afirmou. "A delação pode ser importante, mas tem que estar
amparada em prova. Senão cria uma insegurança jurídica."
O primeiro depoimento do dia foi o do ex-gerente de Engenharia da
Petrobras Pedro Barusco. Ele foi ouvido por mais de três horas e
confirmou os pagamentos para o PT por meio do ex-tesoureiro do partido
Vaccari Neto - que está preso em Curitiba. No processo, Barusco, Julio
Camargo e outros delatores são réus por corrupção e lavagem de dinheiro
nas obras de duas refinarias Repar, no Paraná, e Replan, no interior de
São Paulo e em dois gasodutos. Reportagem de VEJA
já havia revelado que o empreiteiro Ricardo Pessoa, em seu acordo de
delação premiada, apresentou documentos que mostram que as consultorias
de Dirceu nada mais eram do que fachada para o recebimento de dinheiro
desviado da Petrobras. O ex-ministro também já havia sido citado pelo lobista Milton Pascowitch
como uma das autoridades beneficiadas no petrolão. Os investigadores da
força-tarefa do Ministério Público afirmam haver indícios de que a JD
Consultoria simulava contratos com empresas e empreiteiras para
disfarçar o recebimento de propina. Mapeamento da Receita Federal indica
que o petista recebeu 29 milhões de reais entre 2006 e 2013, ano em que
já havia começado a cumprir a pena do mensalão imposta pelo Supremo
Tribunal Federal (STF). (com Estadão Conteúdo)
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