22 de abr de 2015

Brasil tem cinco novas empresas sob risco de rebaixamento na nota de crédito

País passa a ser o primeiro do ranking da agência de classificação Moody's junto com os Estados Unidos a ter, ao todo, oito empresas consideradas especulativas

Logotipo da agência Moody's no escritório de Nova York
Agência de classificação de risco Moody`s(Reuters/VEJA)
A quantidade de empresas brasileiras ameaçadas de ser rebaixadas na nota de crédito dada pela agência de classificação Moody's mais do que dobrou nos primeiros três meses deste ano. Segundo balanço divulgado nesta terça-feira pela agência, cinco novas companhias se somaram a outras três na lista das consideradas "potenciais anjos caídos", nome atribuído às companhias Baa3 (última nota antes do grau especulativo), que têm grandes chances de perder o grau de investimento. São elas: a Odebrecht (da área de construção) e AES Tietê, Bandeirante Energia, Energest e Escelsa (da área de energia). Já estavam no grupo a Braskem, Eletrobras e Sabesp.
Com isso, o Brasil superou a Rússia e passa a figurar na primeira colocação do ranking junto com os Estados Unidos a ter o maior número de empresas consideradas especulativas. A Petrobras já consta na lista das companhias tidas como "anjos caídos" por já ter tido a sua nota efetivamente rebaixada. A posição do país repercutiu sobre a América Latina, fazendo com que a região hoje tenha a maior proporção de "potenciais anjos caídos". São doze, que correspondem a 34% do total.
As notas conferidas pelas agências de risco servem como base para os investidores decidirem se aplicam ou não dinheiro em determinada empresa.
De acordo com o relatório, o principal risco para as empresas brasileiras é a deterioração econômica. "Enquanto a economia brasileira segue fraca, vemos mais risco de que as empresas percam o grau de investimento ou se tornem 'anjos caídos'", escreveu o vice-presidente da Moody's, Mark Stodden. O documento também elenca outros problemas para a crise, como a alta da inflação, mudanças na legislação e os desdobramentos da Operação Lava Jato que investiga um esquema de corrupção na Petrobras. Esta última se refere especificamente a Odebrecht. De modo geral, a agência considera que "o ambiente para os negócios está muito mais desafiador" no país.
Isso representa um aumento acentuado em relação ao trimestre anterior. A posição do Brasil repercutiu sobre a América Latina. A região hoje tem a maior proporção "potenciais anjos caídos". São doze - 34% do total.
O relatório também traz as chamadas "estrelas potenciais em ascensão", que são empresas que podem ganhar o grau de investimento. Nenhuma brasileira foi incluída nessa classificação neste ano. A única do país com esse status é a Fibria, do setor de papel e celulose, na fila desde 2013.
Procurada pela reportagem, a AES Tietê, em nota, declarou que como outras empresas do setor sofreu com o "cenário hidrológico" adverso, que impôs a "elevação dos custos com compra de energia". Mas reforçou que vem melhorando o resultado e reduzindo o nível de alavancagem. A Odebrecht preferiu não se pronunciar. Por causa do feriado, a assessoria do grupo EDP não conseguiu dar um retorno oficial até o fechamento desta edição.

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