As vantagens do ensino em dois idiomas e o que as escolas estão fazendo para se adequar a essa exigência do mundo contemporâneo

EM INGLÊS Aula no Colégio
Internacional EMECE, que
adota programa de
ensino bilíngue (Crédito: Marco Ankosqui)
Era fim de tarde quando Carolina Bastianello Gozzi, 5 anos,
sentou em sua mesinha de desenho e começou a rabiscar em um caderno. O
pai passou por perto e perguntou, em inglês, o que ela estava fazendo. A
resposta veio na mesma língua e com uma naturalidade surpreendente:
“drawing” (desenhando, em português). “Ficamos maravilhados”, comenta a
mãe, a advogada Cristina Bastianello, 45 anos.
Desde julho do ano passado, Carolina faz parte de um programa de ensino bilíngue no colégio Mater Dei, de São Paulo, seguindo uma preocupação de Cristina. “Comecei a estudar inglês muito cedo e foi ótimo para minha carreira. Quero também facilitar possibilidades para ela estudar fora “, afirma. Em relação a trabalho e estudos, já é mais do que consenso que dominar um segundo idioma, principalmente inglês, abre diversas portas.
O que estudos recentes mostram é que a educação bilíngue estabelece
uma série de benefícios para o desenvolvimento cognitivo e emocional das
crianças, de resolução de problemas à empatia, capacidades tão exigidas
em um mundo cada vez mais conectado. “Tem a questão da evolução humana.
Quando uma língua propicia se relacionar com pessoas diferentes, gera
na criança uma empatia pela diversidade, e isso é o que a globalização
mais pede hoje”, afirma Lady Christina Sabadell, diretora-geral do
colégio Pueri Domus.
Aulas em outra língua
Um colégio bilíngue não se limita a dar aulas de uma segunda língua. Na verdade, é formatado para oferecer disciplinas normais, como História e Ciências, em outro idioma que não o português. O currículo segue as diretrizes do Ministério da Educação. A indicação das instituições é de que as crianças comecem na educação bilíngue já na alfabetização, e cada escola estabelece quais momentos focará em cada idioma.
No colégio Humboldt, a imersão é parcial. “No jardim 1 e 2, há dois
professores em sala, um para cada idioma”, afirma Mariane Bischof,
coordenadora da Educação Infantil e do 1º ano do Ensino Fundamental do
Humboldt. “Entendemos que esse é o melhor método. pois respeita a vida e
a cultura da criança.”
Entre educadores e pais, existe uma preocupação sobre o risco de submeter os jovens a um aprendizado precoce, o que poderia confundir seu raciocínio e desenvolvimento cognitivo, mas diversos estudos fizeram esse receio cair por terra mostrando que há uma série de benefícios no contato com outro idioma desde cedo. Talvez o maior empecilho atualmente seja o preço das mensalidades: na maioria das escolas, valores nos anos iniciais ultrapassam R$ 2 mil.
Pais afirmam que o investimento vale a pena. Cristina, mãe de Carolina, do Mater Dei, percebeu a evolução de comportamento da filha na última viagem que a família fez para os Estados Unidos. “Antes ela me pedia para eu ajudar a traduzir o que queria dizer, agora ela encontra crianças americanas e quer brincar”, diz.
A fonoaudióloga Ana Luisa Ornellas Borges de Oliveira, 38 anos, é mãe de Eduardo de Oliveira Silvestre, 6 anos, e se diverte ao falar sobre o desenvolvimento do filho. “Às vezes ele até me corrige”, diz. Eduardo estuda no Colégio Internacional EMECE.
Assim como o Mater Dei, adotou o Global Program, uma iniciativa para
introduzir o bilinguismo no cotidiano das salas de aula do período
integral. “Seguimos um currículo americano e percebemos que as crianças
acumulam mais bagagem cultural”, afirma Caroline de Oliveira Santos,
coordenadora do Global Program nos dois colégios.
Pioneiro no Brasil, o Systemic é um programa que já existe há 17 anos e também trabalha com a implementação de ensino bilíngue nas escolas, sendo que qualquer uma pode adotar o sistema. “Acontece normalmente de ter uma aula mais conceitual em português e, na hora dos exercícios práticos, o idioma é o inglês”, diz Rone Costa, gerente de desenvolvimento do Systemic.
Por que vale a pena
Confira alguns benefícios que as escolas bilíngues trazem aos jovens
Desenvolvimento de competências diferentes, resultado do exercício diário de pensar em duas ou mais línguas
Eficácia na resolução de problemas, no controle da atenção e na execução de tarefas não-verbais
Desenvolvimento de habilidades socioemocionais, como a empatia, por entender que existem diferentes maneiras de se expressar diante de uma mesma situação
Maior desenvoltura durante uma conversa, ou seja, maior capacidade de se fazer entender
Facilidade em aprender e se adaptar a idiomas diferentes e maior noção sobre padrões linguísticos
A longo prazo, funciona como uma espécie de proteção cerebral: problemas relacionados à demência e ao Alzheimer demoram mais para aparecer entre bilíngues
Desde julho do ano passado, Carolina faz parte de um programa de ensino bilíngue no colégio Mater Dei, de São Paulo, seguindo uma preocupação de Cristina. “Comecei a estudar inglês muito cedo e foi ótimo para minha carreira. Quero também facilitar possibilidades para ela estudar fora “, afirma. Em relação a trabalho e estudos, já é mais do que consenso que dominar um segundo idioma, principalmente inglês, abre diversas portas.
Aulas em outra língua
Um colégio bilíngue não se limita a dar aulas de uma segunda língua. Na verdade, é formatado para oferecer disciplinas normais, como História e Ciências, em outro idioma que não o português. O currículo segue as diretrizes do Ministério da Educação. A indicação das instituições é de que as crianças comecem na educação bilíngue já na alfabetização, e cada escola estabelece quais momentos focará em cada idioma.
Entre educadores e pais, existe uma preocupação sobre o risco de submeter os jovens a um aprendizado precoce, o que poderia confundir seu raciocínio e desenvolvimento cognitivo, mas diversos estudos fizeram esse receio cair por terra mostrando que há uma série de benefícios no contato com outro idioma desde cedo. Talvez o maior empecilho atualmente seja o preço das mensalidades: na maioria das escolas, valores nos anos iniciais ultrapassam R$ 2 mil.
Pais afirmam que o investimento vale a pena. Cristina, mãe de Carolina, do Mater Dei, percebeu a evolução de comportamento da filha na última viagem que a família fez para os Estados Unidos. “Antes ela me pedia para eu ajudar a traduzir o que queria dizer, agora ela encontra crianças americanas e quer brincar”, diz.
A fonoaudióloga Ana Luisa Ornellas Borges de Oliveira, 38 anos, é mãe de Eduardo de Oliveira Silvestre, 6 anos, e se diverte ao falar sobre o desenvolvimento do filho. “Às vezes ele até me corrige”, diz. Eduardo estuda no Colégio Internacional EMECE.
Pioneiro no Brasil, o Systemic é um programa que já existe há 17 anos e também trabalha com a implementação de ensino bilíngue nas escolas, sendo que qualquer uma pode adotar o sistema. “Acontece normalmente de ter uma aula mais conceitual em português e, na hora dos exercícios práticos, o idioma é o inglês”, diz Rone Costa, gerente de desenvolvimento do Systemic.
Por que vale a pena
Desenvolvimento de competências diferentes, resultado do exercício diário de pensar em duas ou mais línguas
Eficácia na resolução de problemas, no controle da atenção e na execução de tarefas não-verbais
Desenvolvimento de habilidades socioemocionais, como a empatia, por entender que existem diferentes maneiras de se expressar diante de uma mesma situação
Maior desenvoltura durante uma conversa, ou seja, maior capacidade de se fazer entender
Facilidade em aprender e se adaptar a idiomas diferentes e maior noção sobre padrões linguísticos
A longo prazo, funciona como uma espécie de proteção cerebral: problemas relacionados à demência e ao Alzheimer demoram mais para aparecer entre bilíngues
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