Felizmente, o ditador norte-coreano Kim Jong-un não é tão perigoso quanto o líder nazista – mas já é capaz de provocar estragos de dimensões globais

MILITARISMO Demonstração
de força na capital Pyongyang (Crédito: AFP PHOTO)

O autoritário Kim já se encontra no rol de lideranças extravagantes que, na busca de sonhos megalomaníacos, causam desastres à humanidade. Felizmente, não está no mesmo nível do mais perigoso deles, Adolf Hitler – mas já é capaz de provocar desgraças globais. Se a guerra estourasse (o que certamente envolveria as Coreias, os EUA e possivelmente o Japão) 1 milhão de vidas seriam perdidas, segundo os cálculos mais conservadores. A produção tecnológica mundial sofreria um abalo. Donos de celulares Samsung, cuja sede fica em Seul, por exemplo, ficariam sem novos aparelhos por bastante tempo. As consequências indiretas são imprevisíveis. “A Índia fez suas reformas liberalizantes nos anos 90 por conta da subida do preço do petróleo provocada por Saddam Hussein”, afirma Gunther Rudzit, professor de Relações Internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing, em São Paulo. “Kim Jong-un não é um Hitler, mas pode causar mais prejuízos que Saddam.”

Apesar de escalar rapidamente, o conflito é evitável. O presidente americano Donald Trump disse que faria chover “fogo e fúria” sobre a Coreia, mas amenizou o tom depois da semana passada. O regime de Pyongyang quer mostrar que late alto, mas ainda não deu indicações de que morde. O mais provável é que se trate de uma estratégia para não acabar apeado do poder como outras lideranças ditatoriais subservientes à comunidade internacional, como o líbio Muammar Gaddafi. “Nenhum dos lados quer a guerra”, afirma Samore. “Para a Coreia um conflito seria fatal e para os EUA custaria um alto preço em vidas e propriedades. Assim, ambos se engajam em retórica belicosa para intimidar o outro – mas ninguém fala sério em usar força militar a não ser que sejam atacados.”

Uma iniciativa curiosa vem ajudando milhares de norte-coreanos a se libertarem do controle obscurantista do regime de Kim Jong-un. Trata-se da campanha promovida pela organização Human Rights Foundation que contrabandeia pen drives repletos de informação para dentro do País, o mais fechado do mundo. Os dispositivos – recheados com páginas da Wikipédia, cenas da vida em outras nações e filmes de Hollywood – atravessam as fronteiras por drones ou balões. Lá, são coletados por aliados escondidos e distribuídos à população. A ideia é que o conhecimento faça com que as pessoas rejeitem a ditadura e implodam o governo por dentro.
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