10 de out de 2016

Por que o Google quer ser a Apple

Lançamentos de smartphone e outros eletrônicos mostram que o gigante de buscas está de olho no mercado dominado pela marca de Steve Jobs

Por que o Google quer ser a Apple
PIXEL Smartphone teve hardware e software criados pelo Google - igual a Apple faz com o iPhone
Na terça-feira 4, em um evento em São Francisco, nos Estados Unidos, o gigante de buscas Google reuniu sete mil pessoas para apresentar a sua visão a respeito do futuro da empresa. Não demorou para ficar evidente uma importante mudança nos rumos da companhia. Se antes o Google concentrava seus esforços nas inovações em serviços (como um sistema operacional mais inteligente para smartphones, e-mail com novas funções e buscas mais abrangentes), agora o foco passou a incluir aparelhos eletrônicos concebidos, produzidos e vendidos pela corporação. “O Google não quer mais ser uma empresa só de software”, diz o professor de tecnologia da informação Fernando Meirelles, da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP). Mais: a mudança de foco (evidenciada no lançamento, também na terça-feira, do Pixel, smartphone construído por engenheiros do Google para rodar softwares do Google) aproxima o gigante fundado por Sergey Brin e Larry Page de outra potência do Vale do Silício: a Apple.
Desde que foi fundada, a companhia de Steve Jobs manteve controle total sobre a produção e o funcionamento de seus produtos. Até hoje, a Apple faz questão de vender um pacote fechado, com computadores, celulares e players de mídia aptos a rodar apenas os sistemas operacionais da empresa. Com o Pixel, o Google parece seguir lógica parecida, já que no novo smartphone, hardware e software foram desenvolvidos juntos e também chegarão ao consumidor como um pacote fechado.
Para Meirelles, da FGV, a decisão do Google de investir em eletrônicos pode se encaixar em um esforço para criar novas fontes de renda para a empresa (hoje, mais de 90% da receita anual do Google vem de propaganda). Já outros analistas sugerem que o mergulho do Google no mundo dos gadgets seria apenas mais uma forma da empresa criar demanda por seus serviços – que virão instalados, de fábrica, nos eletrônicos. Nesse sentido, um celular seria só mais um canal para a empresa exibir anúncios e ganhar com propaganda. Ainda que não se saiba o objetivo do Google com os anúncios feitos na terça-feira, uma coisa é certa: a empresa se parece, cada vez mais, com a Apple.
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(1)De 27.09.2014 a 26.09.2015 (2)Em 07/10/2016 (3)De 01.01.2015 a 31.12.2015 (4)Em 07.10.2016 Fontes: Bloomberg.com, Apple.com e Alphabet.com
Foto: Eric Risberg/AP

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