Construtoras de pequeno e médio porte contam na Justiça detalhes do propinoduto na Petrobras e dificultam a defesa das gigantes do setor
Claudio Dantas Sequeira e Josie Jerônimo
Há pelo menos
duas semanas as investigações da Operação Lava Jato contam com uma
importante ajuda: a participação de empreiteiras de médio e pequeno
porte que romperam com as gigantes do setor e resolveram buscar um
acordo de leniência para ajudar nas investigações sobre o propinoduto da
Petrobras, em troca de punições mais brandas. A Engevix, por exemplo,
tentou informalmente obter um acordo com a Justiça, entregando
informações que foram consideradas insuficientes pelo MP. Outras duas
empresas, subcontratadas para obras da Refinaria Abreu e Lima, em
Pernambuco, apresentaram ao juiz federal Sérgio Moro números de contas
de parlamentares no exterior. Os dados apresentados foram considerados
consistentes e o acordo de leniência já foi firmado.

ENGEVIX
A empresa que trabalhou em Abreu e Lima tentou o acordo, mas não convenceu o MP
As informações, no entanto, não puderam
ficar no âmbito das investigações do Paraná, pois as contas apontadas
pela empreiteira envolvem autoridades com foro privilegiado e os
documentos foram remetidos ao ministro do Supremo Tribunal Federal Teori
Zavascki, relator do caso. Os montantes de transferências apresentados
pelas empreiteiras, porém, foram considerados pequenos, abaixo da casa
de R$ 1 milhão. O posicionamento dessas empresas atrapalhou o acordo que
vinha sendo feito pelas gigantes do setor. Elas queriam uma defesa
conjunta, argumentando que teriam sido vítimas de extorsão. Ou seja,
diriam à Justiça que caso não entrassem no esquema não teriam como
trabalhar. Essa estratégia deu certo durante o Collorgate. Agora, porém,
os empreiteiros estão bem divididos. Quem obtiver o acordo de leniência
poderá ter punição mais branda e continuar a trabalhar. Quem ficar de
fora corre o risco de não poder firmar contratos com o governo, de ver
os executivos na cadeia e de ter os bens indisponíveis.

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