1 de abr de 2017

Esquema no TCE seria desde 2000

Ex-presidente Jonas Lopes admitiu que empresas pagavam 1% de obras acima de R$ 5 milhões

Rio - Um esquema de propina no Tribunal de Contas do Estado (TCE) pelo menos desde de 2000. É o que garante o ex-presidente da Corte, Jonas Lopes, em delação premiada ao Superior Tribunal de Justiça, como o RJ-TV 2ª edição publicou ontem.
Lopes confessou que empresas pagavam 1% de obras acima de R$ 5 milhões. Ele sustentou que os conselheiros José Gomes Graciosa, Marco Antônio Alencar, Aloysio Neves, José Maurício Nolasco e Domingos Brazão receberam, cada um, aproximadamente R$ 1,2 milhão em espécie.
Cabral já estaria preenchendo documentos com delações, para evitar ficar mais de 50 anos na cadeia Reprodução
A divisão da propina era sempre feita no gabinete da presidência. Os conselheiros foram presos quarta-feira e levados para o presídio Bangu 8, no Complexo de Gericinó, onde o ex-governador Sérgio Cabral também está preso acusado de desvios de R$ 224 milhões em esquema envolvendo empreiteiras.
Já Jonas Lopes Neto, filho do ex-presidente, contou à Justiça que foi convidado pelo pai a recolher recursos irregulares e receber, por isso, 5%. O dinheiro era levado ao TCE em pasta 007 para ser dividido com os outros conselheiros.
Segundo Jonas Lopes, um pedido de ajuda do governo do estado para comprar comida para os presídios virou alvo da propina. Para isso, o presidente da Alerj, Jorge Picciani (PMDB), teria aceitado flexibilizar a lei do fundo do órgão que permite apenas que a verba seja investida em projetas da Corte, para aprovar a ajuda. Picciani foi levado para prestar depoimento coercitivamente na Polícia Federal na quarta-feira e negou as acusações.
Segundo Lopes, Picciani teria indicado o empresário Luiz Roberto Menezes Soares, da empresa Cor e Sabor, para participar do esquema. Luiz é irmão de Arthur Soares, conhecido com o Rei Artur, que foi um dos principais fornecedores do estado na gestão de Cabral.

Documentos
Só um dos sete conselheiros do TCE não está envolvido nas suspeitas de corrupção: a corregedora Marianna Montebello. No entanto, o trabalho na Corte foi paralisado porque é necessário a presença de no mínimo quatro conselheiros. Com isso, ainda não se tem uma definição de quando as contas do Estado, que já foram encaminhadas pela Alerj, serão analisadas pela Corte.
Ontem, a probabilidade de Cabral estar negociando uma delação premiada para denunciar membros do Judiciário e Ministério Público ganhou força. Cabral já estaria preenchendo a documentação com as informações que estaria disposto a revelar que deverá ser encaminhada à Procuradoria Geral da República. Na cadeia, ele entraria constantemente em depressão e foi informado pelos advogados que se não colaborar com a Lava Jato terá pena de mais de 50 anos.

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